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                <journal-title>Estudos de Psicologia (Campinas)</journal-title>
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            <issn pub-type="ppub">0103-166X</issn>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                    <subject>DOSSIÊ | Psicologia, perícia psicossocial e direitos humanos coletivos</subject>
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                <article-title>Território e saúde psicossocial: produção de fatores protetivos em acampamento de luta pela reforma agrária</article-title>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Rosa</surname>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Coelho</surname>
                        <given-names>Paula Sassaki</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Tchalekian</surname>
                        <given-names>Bruna Borba de Araujo</given-names>
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                <label>1</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Acre</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Centro de Filosofia e Ciências Humanas</institution>
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                <label>3</label>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Correspondência para: L. A. ROSA. <italic>E-mail</italic>: <email>leandro.rosa@ufac.br</email>. </corresp>
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                    <label>Editor</label>
                    <p>Antonio Euzébios Filho</p>
                </fn>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Os autores declaram não haver conflito de interesse.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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            <volume>42</volume>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>A partir da afirmação de direitos ao bem comum e à vida digna, a função social da terra, cumprimento previsto na Constituição Federal Brasileira de 1988, torna-se um princípio norteador. O presente estudo, de cunho qualitativo, objetiva abordar possibilidades de contribuições do campo da atenção psicossocial na elaboração de documentos relacionados a processos de efetivação de reforma agrária, a partir da elucidação da produção de fatores protetivos em saúde mental. Além de pesquisas bibliográficas, o trabalho se fundamenta em corpus empírico constituído por cinco entrevistas semiestruturadas realizadas com acampadas e acampados vinculados a um movimento de luta pela terra. A pesquisa se deu em articulação com práticas da Rede de Saúde Mental do movimento. A partir do estudo realizado, retoma-se a concepção de Determinantes Sociais da Saúde articulando-a aos fatores protetivos identificados nos relatos sobre a vivência no acampamento. Conclui-se que as condições propiciadas nesse território e construídas coletivamente, possibilitadas pela organicidade própria do movimento, constituíram fatores protetivos em saúde, que abrangem condições de vida, trabalho, relações sociais e com a natureza, comportamento e estilo de vida. Evidenciar esses fatores mostra-se relevante na afirmação pela defesa da permanência no território.</p>
            </abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Acampamento</kwd>
                <kwd>Ativismo político</kwd>
                <kwd>Determinantes sociais da saúde</kwd>
                <kwd>Psicologia social</kwd>
                <kwd>Saúde mental</kwd>
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    <body>
        <p>A ausência da implementação de uma política de reforma agrária contundente ao longo da história do Brasil (assim como na América Latina como um todo) deixa, desde o início da colonização, um legado de violências, injustiças e conflitos sociais. O país nunca superou a concentração fundiária e tampouco deu respostas suficientes a respeito do consequente desterro e das violações contra os povos das águas, dos campos e das florestas. As lutas pela terra e por reforma agrária se perpetuam historicamente sob um rastro de inúmeras violências dentro de disputas assimétricas de poder, seja por meio do extermínio e da expropriação dos povos indígenas, pelas tentativas de remoção de pequenos agricultores para as fronteiras agrícolas, pela precarização das condições trabalhistas no campo, pelos êxodos produzidos por modelos de desenvolvimento adotados historicamente ou pela atual luta desigual causada pelo agronegócio, que coloca transnacionais contra comunidades (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Martins, 2022</xref>).</p>
        <p>Um exemplo do caráter violento das disputas por territórios são os sucessivos ataques e até a dizimação de povos indígenas, além de diversos massacres envolvendo a luta pela terra – a citar Corumbiara (RO), Felisburgo (MG) e Eldorado dos Carajás (PA). De acordo com os relatórios elaborados pela <xref ref-type="bibr" rid="B08">Comissão Pastoral da Terra (CPT) (2023)</xref>, os conflitos no campo crescem ano após ano. Apenas em 2023 foram contabilizados 2.203 conflitos. Vale destacar a insuficiência do Estado e, por vezes, a completa ausência de respostas capazes de proteger as comunidades envolvidas nos conflitos fundiários. De acordo com a CPT, além de se omitir em proteger as comunidades e os territórios de ações do agronegócio, o Estado brasileiro acaba “fomentando a violência contra as comunidades por meio do direcionamento das forças policiais e paramilitares” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Comissão Pastoral da Terra, 2023</xref>, p. 7) a serviço do agronegócio e seus interesses em detrimento das comunidades e seus direitos. As consequências de todas essas violações possuem uma dimensão concreta bastante visível, mas também inúmeros efeitos do ponto de vista imaterial.</p>
        <p>Ao se olhar para a história do território brasileiro, verifica-se que a vida dos povos das águas, do campo e das florestas está diretamente relacionada à possibilidade de defesa e à segurança de seus territórios. A continuidade de seus variados modos de existência e de sua dignidade caminha junto com o direito de (re)conquistar, permanecer e manter seus territórios.</p>
        <p>Em estudo recentemente publicado (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>) a partir da experiência do acampamento Marielle Vive (SP) – que no final de 2021 passou a receber ameaças de despejo –, discute-se como o processo de coação já se configurava em produção de sofrimento, gerando efeitos psicossociais que poderiam ser agravados significativamente com a efetivação do despejo. Para além da ação violenta direta sobre as famílias, produz-se violência por meio da retirada de um conjunto de condições protetivas propiciadas e construídas coletivamente no contexto territorial dos acampamentos.</p>
        <p>As condições de vida em um acampamento são, sem dúvidas, repletas de precariedades e ausência de respostas do poder público no que diz respeito a direitos básicos como acesso à saúde, à educação, a medidas de proteção social e a saneamento básico, entre outros. Quando o referido estudo foi realizado, a totalidade de famílias encontrava-se residindo em barracos e sob vulnerabilidades sociais diversas, oriundas de históricas desigualdades sociais. Ainda assim, ficou evidente em relatos de pessoas entrevistadas a percepção de melhoria de vida a partir do ingresso no acampamento Marielle Vive.</p>
        <p>A produção documental que compõe os instrumentos jurídicos, alguns dos quais embasam este trabalho, tem subsidiado a luta e o direito pela permanência em territórios ocupados e aborda, de maneira incipiente, questões referentes à saúde, em especial à saúde mental. Objetiva-se neste artigo contribuir com as discussões acerca da construção de fatores protetivos em saúde, em suas diferentes expressões, desenvolvidos no acampamento, dialogando, para tanto, com o conceito de Determinantes Sociais da Saúde (DSS).</p>
        <sec>
            <title>Documentos Psicossociais em Processos de Conflitos Territoriais e Socioambientais</title>
            <p>Profissionais e acadêmicos(as) do campo da Psicologia têm contribuído na elaboração de documentos, desde artigos acadêmicos até relatórios que compõem processos judiciais, através dos quais a dimensão psicossocial das situações de violação de direitos e de conflitos territoriais e socioambientais tem ganhado visibilidade.</p>
            <p>Bruno Gonçalves realizou alguns trabalhos considerados pioneiros no que diz respeito à abordagem de elementos psicossociais diante de conflitos territoriais. Em um parecer técnico psicológico, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gonçalves (2017)</xref> examina a violência política contra o povo Krenak praticada pelo Estado durante o período da ditadura civil-militar brasileira. O autor escreve sobre as violações de direito e a produção de traumatização psicossocial coletiva ocorridas e oriundas do reformatório Krenak, centro de detenção direcionado a indígenas em confronto com a lei. Em outro trabalho, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Simões (2021)</xref> relata novamente a violência política contra povos indígenas no período da ditadura civil-militar; no entanto, nesse parecer, fala sobre a população xavante Marãiwatsédé, no Mato Grosso. Novamente o autor demonstra o processo de traumatização psicossocial coletiva sofrido por essa população e defende a possibilidade de reparação psicossocial coletiva. Em um relatório, de 2018, não publicado, Bruno Simões Gonçalves, Josiclea Pires da Silva e Patrícia Yamamoto Costa Caldeira) demonstram os impactos psicossociais causados pela construção da rodovia BR-135 aos territórios quilombolas de Joaquim Maria, Santa Rosa dos Pretos e Santa Rosa Maria dos Pinheiros. Os autores evidenciam um conjunto de efeitos psicossociais prejudiciais para as comunidades advindos da construção da rodovia e demonstram como a possível duplicação dela pode torná-los ainda mais severos. Mais uma vez, defende-se a demanda por reparação coletiva aos quilombolas afetados.</p>
            <p>No que se refere ao direito à reparação integral, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pinheiro et al. (2019)</xref> escrevem sobre a luta dos atingidos(as) pela lama da Samarco (Vale e BHP Billiton Brasil Ltda) e a necessidade de reparação às vítimas do desastre socioambiental acarretado pelo rompimento da barragem. Ainda a partir do direito à reparação integral, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Gonçalves e colaboradores (2024)</xref> trabalham junto a comunidades camponesas afetadas pela transposição do rio São Francisco no nordeste brasileiro. Os autores relatam como as reparações possuem foco em compensações monetárias pela perda de bens materiais e, ainda assim, são frequentemente subdimensionadas ou mesmo ausentes. O texto defende que o processo de reparação deve adotar a perspectiva da complexidade e considerar todas as dimensões da saúde e da vida.</p>
            <p>Outros relatórios, pareceres e laudos não publicados<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref> se debruçam sobre efeitos psicossociais relacionados a conflitos territoriais e socioambientais. Alguns desses documentos foram solicitados e compuseram processos judiciais. Destaca-se que, em mais de um caso, os documentos psicossociais foram citados em decisões judiciais que favoreceram comunidades ou povos vítimas de violações. Como exemplo significativo, cita-se o primeiro caso de reparação coletiva concedida pelo Estado brasileiro aos povos Krenak e Guarani-Kaiowá<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>. O parecer técnico psicológico elaborado por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gonçalves (2017)</xref> compôs o processo que resultou na aprovação da anistia e no pedido de desculpas ao povo Krenak pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos.</p>
            <p>Ainda que possam compor processos judiciais relacionados a conflitos territoriais e socioambientais, pareceres, laudos e relatórios psicossociais, até o momento, não são amplamente utilizados nessa área. No que diz respeito especificamente a processos de desapropriação para fins de reforma agrária, os documentos psicossociais podem ser elaborados, mas não são necessários e, tão pouco, suficientes. Segundo a Constituição Federal, a principal referência que normatiza a possibilidade de desapropriação de uma área para fins de reforma agrária é o cumprimento ou não da função social da terra: “Art. 184. Autoriza a desapropriação por interesse social do imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social”. Os mais importantes elementos que compõem a função social da terra dizem respeito à produtividade do imóvel, à proteção ambiental e à salvaguarda de direitos trabalhistas. Assim, mesmo que abordando questões de significativa importância como situações de trauma psicossocial coletivo, elementos psicossociais podem ser complementares no processo, mas não possuem protagonismo.</p>
            <p>Os documentos psicossociais aos quais os autores deste artigo tiveram acesso abordam diferentes contextos e comunidades, demonstrando o potencial que a Psicologia pode ter para contribuir com discussões relacionadas a conflitos territoriais e socioambientais diversos. Eles são demandados, de forma geral, a partir de casos de violações de direitos e vulnerabilizações socioambientais. Assim, é comum que os textos tenham como foco os efeitos negativos e adoecimentos, individuais e coletivos, produzidos por violações diversas. Os documentos, em grande parte, defendem medidas de reparação ou ações para cessar ou reduzir fatores de risco psicossociais. Diante da questão agrária brasileira, constituída historicamente por latifúndios, exploração e violência, evidencia-se um contexto produtor de sofrimentos e adoecimentos diversos, os quais têm sido adequadamente abordados em muitos documentos psicossociais.</p>
            <p>Junto à necessidade de demonstrar cientificamente, por meio de pareceres, laudos e relatórios, os danos psicossociais causados por conflitos e violações de direitos, faz-se necessário também abordar contextos produtores de saúde e reexistências que emergem de comunidades populares, tradicionais e indígenas (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Malheiro et al., 2021</xref>). Dessa forma, procurou-se discutir como, mesmo diante de ataques e violências de diversas ordens, comunidades e povos são capazes de produzir vínculos, vida e saúde. É fundamental que documentos psicossociais possam reivindicar reparação integral às vítimas de violências. Além disso, torna-se também imperativo defender o direito à continuidade da existência de territórios e comunidades que proporcionam melhores condições de vida e fatores protetivos à saúde mental de populações vitimadas. Nessa perspectiva, foi elaborado o relatório psicossocial abordado a seguir.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Acampamento Marielle Vive: Organicidade e Resistências</title>
            <p>O acampamento surgiu em abril de 2018, um mês após o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e do motorista que a acompanhava, Anderson Gomes. Está localizado no município de Valinhos, interior de São Paulo, em uma área onde, anteriormente, existia uma fazenda improdutiva, a Fazenda Eldorado Empreendimentos Imobiliários. Essa área, de pouco mais de 130 hectares, estava abandonada à especulação imobiliária e foi ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em um ato de denúncia sobre o não cumprimento da função social da terra e a necessidade da reforma agrária. No início de 2025, residiam no território mais de 350 famílias, das quais faziam parte mais de 100 crianças, além de pessoas de diversas faixas etárias e percursos pregressos. A maior parte das famílias morava em bairros da periferia das cidades do entorno antes de ir para o acampamento. Alguns estudos recentes se debruçaram sobre experiências no acampamento Marielle Vive, com discussões voltadas à educação, ao turismo rural comunitário e à atualidade da luta pela terra (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Alves et al., 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">Moreira, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Rodrigues &amp; Pacheco e Zan, 2024</xref>).</p>
            <p>Como mencionado anteriormente, as vivências no acampamento Marielle Vive foram discutidas em artigo que apresentou resultados de um estudo realizado em novembro de 2021, momento em que o acampamento passou a receber ameaças de despejo devido à decisão da 37ª Turma de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo. Entre mobilizações por parte do MST – em articulação com outros movimentos sociais, partidos políticos, organizações aliadas e participação da sociedade civil – e ordens de remoção e despejo, foram inúmeras as prorrogações<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>. A partir dessa ameaça, do processo que dela decorreu e de uma demanda do MST, o estudo foi produzido para que pudesse subsidiar a discussão sobre os efeitos psicossociais das vivências no Acampamento Marielle Vive, bem como aqueles decorrentes da ameaça de despejo sobre as famílias residentes nesse território (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). O despejo não foi efetivado até o momento de submissão do presente artigo. Contudo, considera-se sua execução iminente uma vez que as ameaças persistem, pois não houve garantias de conquista permanente do território, tampouco foram oferecidas outras possibilidades para a vivência do acampamento. </p>
            <p>Na ocasião de elaboração do estudo supracitado (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>), discutiu-se, a partir de literatura técnica e científica e dos dados reunidos, sobre os riscos psicossociais causados e intensificados por processos de despejo, evidenciando a produção de trauma psicossocial, desumanização, sofrimento ético-político, desenraizamento e humilhação social (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gonçalves Filho, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Martín-Baró, 1984</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Massola &amp; Svartman, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sawaia, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Simões, 2021</xref>). Esses processos são complexos e apresentam efeitos duradouros e intensos. A partir das entrevistas realizadas com pessoas acampadas, foi possível apreender que, mesmo diante dos desafios enfrentados no cotidiano de vida e permanência no acampamento, o modo comunitário de organização das famílias acampadas se manifestava não como circunstâncias de risco, mas, predominantemente, como fator protetivo física e psicossocialmente.</p>
            <p>A ameaça de despejo se coloca como o risco de perder um território no qual as pessoas puderam encontrar oportunidades de segurança, cuidado, acolhimento e trabalho por meio de laços comunitários diversos. A destruição dos vínculos com a comunidade geográfica e psicossocial constituída no acampamento Marielle Vive se manifesta como fator de risco para a saúde física e mental dos(as) acampados(as). Muitas famílias seriam forçadas a deixar o local, ao qual já estão vinculadas econômica e afetivamente para serem lançadas fora dali sem abrigo e trabalho.</p>
            <p>Os relatos expõem intensas violações de direitos que foram vivenciadas de maneira mais acentuada antes das pessoas chegarem ao acampamento. Foram relatadas, por exemplo, desde maior exposição a violências sexuais, insegurança alimentar e falta de rede de apoio até vivência em situação de rua. Nota-se nos relatos, também, o caráter intergeracional dessas violações quando as pessoas se referem às gerações anteriores de familiares e as violências por elas sofridas. Nesse contexto, a ameaça de despejo se configura enquanto uma revitimização de pessoas com processos de traumas psicossociais anteriores e oriundas de famílias também vítimas de variadas maneiras. A vitimização causada pela ameaça de despejo se tornaria ainda mais grave se essa concretizasse.</p>
            <p>As entrevistas enfatizaram também a preocupação com a situação de crianças e jovens, que não teriam para onde ir com suas famílias e que teriam seus sonhos e projetos de construção de uma vida digna interrompidos. A insegurança, o medo, o desespero e a iminente exposição a diversos tipos de violência causados por uma situação de despejo se configuram em uma produção de sofrimento significativo durante o processo de ameaça.</p>
            <p>É importante destacar que, assim como foi dito anteriormente, a disputa por terra e a luta por reforma agrária no Brasil é um campo de enfrentamentos, conflitos e violências. Nos poucos anos de existência do acampamento Marielle Vive as famílias já sofreram uma série de ameaças e atos de hostilidade. Apesar de receberem o apoio de uma parcela importante da sociedade civil e de sediarem muitas ações de solidariedade, há, por outro lado, quem não reconheça a legitimidade da luta pela terra mesmo que o acampamento esteja em um território em que a função social da terra não está sendo cumprida.</p>
            <p>Talvez a violência mais explícita contra o acampamento tenha se dado em 2019, durante um ato na estrada que dá acesso a ele. A manifestação tinha o intuito de chamar a atenção do poder público e da sociedade para o tema da falta de abastecimento de água do acampamento e distribuir alimentos livres de agrotóxicos que eram produzidos no Marielle Vive a despeito das adversidades (como a falta de água potável e a ausência de políticas públicas para a produção agrícola em acampamentos, entre outras). Era uma manifestação pacífica, em que as famílias exibiam algumas faixas reivindicando água, conversavam com quem passava pela estrada e distribuíam alimentos e sementes como forma de diálogo e de mostrar o caráter produtivo do território. Uma caminhonete acelerou em direção às pessoas de modo repentino e atropelou um dos acampados – seu Luis, de 72 anos, que veio a falecer. No dia do episódio o autor do crime foi preso, como foi reportado em alguns canais de comunicação (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Barreto, 2023</xref>). Além desse ocorrido, o acampamento sofreu ainda ao menos três atentados em agosto de 2022, quando foram disparados tiros oriundos de um carro contra sua portaria (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Moncau, 2022</xref>).</p>
            <p>A permanência no território, a continuidade das distintas ações ali desenvolvidas e a busca pela promoção de saúde em um contexto de violenta ameaça tem se configurado como resposta contundente do Movimento na defesa pela segurança do território do acampamento e das famílias acampadas.</p>
            <p>A partir desse amplo conjunto de ações e dos relatos acerca das vivências de pessoas acampadas, foi possível afirmar que o acampamento Marielle Vive se configura como um espaço protetivo onde há produção de saúde individual e coletiva (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). Essa afirmação não escamoteia as dificuldades vivenciadas pelas famílias acampadas, o que implica na necessária atenção do poder público no que se refere à garantia de direitos fundamentais a esse conjunto de famílias. No entanto, no que diz respeito ao funcionamento interno do acampamento, as dificuldades são trabalhadas coletivamente e a permanência e possibilidade de desenvolvimento de vida neste território tem sido constitutiva para a sobrevivência de pessoas que ali vivem. Seguindo as orientações descritas no marco teórico do trabalho, pode-se afirmar que a necessidade de permanência se relaciona às seguintes dimensões: trabalho e condições de vida; território e meio ambiente; relações interpessoais, vínculos e aprendizagens; vulnerabilidades e segurança/proteção e luta e organicidade, a partir das quais foi possível afirmar como a produção de saúde ético-política (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza &amp; Sawaia, 2016</xref>) constitui a vivência no acampamento.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Método</title>
            <p>Diversos documentos que trazem análises psicossociais e foram juntados a processos de conflitos territoriais e socioambientais e a literatura da área compõem a revisão conceitual e a técnica deste trabalho. O <italic>corpus</italic> é composto também por conteúdo oriundo das entrevistas realizadas com pessoas acampadas no marco do início das ameaças de despejo proferidas ao acampamento Marielle Vive, em novembro de 2021 (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). Foram realizadas cinco entrevistas individuais semiestruturadas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo, 2010</xref>), de maneira remota por meio da plataforma Google Meet, desenvolvidas por membros da Rede de Saúde Mental do MST. Considerou-se a diversidade e a pluralidade de enunciações e experiências no convite às pessoas entrevistadas, abrangendo os critérios: sexo, identidade de gênero, raça, orientação sexual, faixa etária, organização familiar, atividade e funções desenvolvidas no acampamento. Vale ressaltar que, como o contato e as indicações de pessoas a serem entrevistadas vieram de representantes do MST e por intermédio da Rede de Saúde Mental do Movimento, criou-se um ambiente com maior possibilidade de vinculação entre elas/eles e seus/suas entrevistadores/as. As pessoas entrevistadas foram consideradas fontes primárias e privilegiadas de informação e, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo (2010)</xref>, as entrevistas revelam dinâmicas sociais do contexto em relação ao qual estão sendo produzidas.</p>
            <p>Com o objetivo de investigar a vivência de pessoas acampadas, as entrevistas perpassaram: 1) a história de vida dos/as entrevistados/as, com enfoque na chegada deles/as ao acampamento; 2) a vivência dos/as entrevistados/as no acampamento, sua cotidianidade, as atividades realizadas, as relações familiares, os desafios e as dificuldades encontradas; e 3) o processo de despejo, desde o contato com as ameaças às percepções sobre seus os efeitos e as consequências delas, individual e coletivamente. As entrevistas ocorreram na modalidade individual para que o processo vivenciado por cada pessoa pudesse ser abordado com profundidade. Os procedimentos adotaram as normativas estabelecidas pela resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Brasil, 2016</xref>). As identidades das pessoas entrevistadas serão mantidas em sigilo e elas serão identificadas pela letra inicial de seus nomes.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="results|discussion">
            <title>Resultados e Discussão</title>
            <p>Tem-se como orientador geral desta análise o conceito de Determinantes Sociais da Saúde (DSS). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B05">Buss e Pellegrini Filho (2007)</xref>, ainda que haja divergências, a proposta geral do conceito de DSS defende que as condições de vida e trabalho dos indivíduos e de grupos da população se relacionam com sua situação de saúde, física e mental. Ainda segundo os autores, os DSS podem ser definidos como “(...) os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na população” (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Buss &amp; Pellegrini Filho, 2007</xref>, p. 78).</p>
            <p>Nos âmbitos da saúde pública e da Organização Mundial da Saúde, em articulação com os princípios do Sistema Único de Saúde, a abordagem dos DSS tem relação com a promoção de equidade e justiça social, perspectiva que abarca o processo saúde/doença apontando para a necessidade do desenvolvimento de respostas intersetoriais em políticas públicas. A partir de uma leitura crítica sobre equidade em saúde, é fundamental destacar que as iniquidades e desigualdades são estruturadas e constituídas a partir do modo de produção capitalista e que a compreensão dos fatores que compõem os DSS deve ser articulada e não apreendida de maneira fragmentada (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Vaselchi e Marques, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">Mario, 2023</xref>).</p>
            <p>Como a definição anterior evidencia, muitos estudos em DSS possuem como foco os fatores de risco vinculados a situações de degradação desses determinantes. No entanto, a partir da proposta do presente artigo, o foco será em como a vivência no acampamento pode produzir melhoras em diferentes DSS e, consequentemente, fortalecer e promover saúde.</p>
            <p>Os tópicos a seguir foram baseados em documento da <xref ref-type="bibr" rid="B07">Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS) (2008)</xref>. Adiciona-se a eles uma discussão voltada à práxis e à organicidade.</p>
            <sec>
                <title>Condições de vida, ambiente e trabalho</title>
                <p>Em diversos momentos das entrevistas, a melhora das condições de vida a partir da entrada no acampamento e para o movimento social foi abordada.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Sim, eu acredito que sim [que houve mudança na vida depois de morar no acampamento]. Porque são pessoas felizes, pessoas que se alimentam, muitas não tinham praticamente onde dormir, hoje elas têm um lugarzinho pra dormir, pra encostar a cabeça no travesseiro, coisa que não tinham. Alimentação, ela tem alimento. Se ela chega aqui e não tem nada ela é acolhida, com cobertores, com alimento, com tudo, com tudo.</p>
                    <attrib>(Entrevistada E.)</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>Minha vida era só trabalhar e pagava aluguel (...). Eu tava tão depressiva e tão ansiosa (...). Então eu não vivia, eu não tinha vida; minha vida era só planejar como seria os pagamentos de contas, pagamento de aluguel.</p>
                    <attrib>(Entrevistada A.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>As pessoas entrevistadas relataram melhora significativa em relação às condições de habitação e alimentação de suas famílias. Esses são dois importantes determinantes sociais da saúde e, no caso do acampamento, estão diretamente vinculados a outro importante determinante: o trabalho. “Pra eles [o acampamento] significa uma oportunidade de moradia. De sair da cidade grande pra produzir o seu próprio alimento” (Entrevistado M.).</p>
                <p>O acampamento oferece a oportunidade de as famílias terem um local para morar e, por meio do trabalho na terra, garantir alimentos para comer e para vender, melhorando a renda delas.</p>
                <disp-quote>
                    <p>(...) porque a gente tem aqui grandes plantações com organicidade. Isso que é o importante. Tem a mandala do acampamento. Tem a minha mandala própria lá no meu barraco onde eu moro que tem muita plantação de café, banana, acerola, maracujá eu já tenho (...) a gente já construiu aqui uma boa plantação (...). [sou um] grande plantador aqui dentro do Marielle. Um grande profissional da carpintaria pra ajudar a erguer esse acampamento.</p>
                    <attrib>(Entrevistado M.)</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>[Vivendo no acampamento] Aprendi a plantar, a mexer com a horta, trabalhei muito dentro da mandala. A mandala é nossa horta, né? (...). É muito bom aqui.</p>
                    <attrib>(Entrevistado R.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>O Entrevistado M. demonstra orgulho ao falar sobre as plantações do acampamento e sobre suas habilidades de carpintaria. O Entrevistado R. também relata, orgulhoso, seus aprendizados relacionados ao trabalho. Para além das melhorias referentes à alimentação e à renda, destaca-se como as atividades laborais realizadas pelos entrevistados são cheias de sentido, fortalecendo o senso de comunidade e produzindo saúde. <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa (2017)</xref> propõe que a participação no MST pode produzir “fatores terapêuticos” diversos. Diante do exposto, destacam-se dois fatores terapêuticos “psicopolíticos” abordados pelo autor: garantia de sobrevivência e segurança material para a família e conquistas relacionadas à luta.</p>
                <p>A vida e o trabalho no acampamento favorecem o vínculo dos entrevistados com os bens comuns da natureza daquele território.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Então a nossa luta aqui é morar, plantar, produzir e preservar. Principalmente preservar, porque quando a gente chegou aqui, a nascente daqui era pisoteada pelo gado da fazenda. A gente cercou a área. Junto aos técnicos de reflorestamento a gente fez o plantio de árvores ao redor da nascente.</p>
                    <attrib>(Entrevistado M.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A concepção agroecológica de produção priorizada pelo MST não antagoniza produção agrícola e proteção ambiental. As formas produtivas – por exemplo, plantações em mandalas – vinculam a preservação do meio ambiente e a produção de alimentos. Esse vínculo favorece a emersão de melhores condições de trabalho, bem como alimentação e ambientes saudáveis. <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2024)</xref> defende que a forma agroecológica de organização do trabalho e da produção no Movimento está relacionada ao fortalecimento do respeito e o cultivo da diversidade – humana e socioambiental –, bem como à promoção de saúde de seus militantes. As pessoas entrevistadas relatam fortes sentimentos de identificação com o território.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Aqui é um lugar que você sente algo especial neste lugar. Você sente uma energia muito poderosa aqui dentro. Você sente paz, você sente tranquilidade, você sente acolhimento. Você sente que você está no paraíso, sabe? (...) aqui em casa tem muita planta, aí vem os passarinhos, vêm os animais, é uma energia muito boa. (...) plantar a primeira planta e saber o quanto é gratificante receber aquela energia boa daquela planta, ver ela crescendo.</p>
                    <attrib>(Entrevistado L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>Para além das melhorias abordadas, vários trechos relatam o acolhimento recebido pelas pessoas ao chegarem no acampamento: “Sendo que a qualidade de vida aumenta e a relação também, né? E a relação da gente mesmo com as pessoas muda, né? E isso é muito bom, mano. Muito muito bom mesmo. Muito gratificante viver aqui” (Entrevistado L.).</p>
                <p>O Entrevistado L. aborda como a qualidade de vida aumentou devido a ganhos materiais, mas também associa a melhora de vida à relação com as pessoas da comunidade. No próximo tópico, essas relações serão também abordadas como determinante social da saúde.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Redes Sociais, Comunitárias e Saúde</title>
                <p>A organização popular e o sentido de comunidade aferido nas entrevistas mostraram-se fatores essenciais para a melhoria da saúde psicossocial e das condições de vida das/os acampadas/os, desde ações concretas – como a busca por soluções coletivas para a falta de abastecimento de água, a construção dos barracos e da cozinha coletiva – até o cuidado coletivo com as crianças e com as questões de saúde do acampamento. Além disso, foi citado de forma recorrente o sentimento de pertencimento e, com isso, o ganho de significado e de valoração social entre os pares.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Vir para o acampamento mudou muito em tudo, assim. Em conhecimento, cultura. Eu aumentei mais a qualidade de cultura na minha vida, sabe? Mais conhecimento com o Movimento. Mais amor ao próximo mesmo. E você sabe que você não está sozinho, sabe? Quando você recebe ajuda dos aliados, dos companheiros, aí você sente que você não está sozinho ali naquela batalha. E tem um monte de anjos que Deus nos coloca para nos ajudar nestes momentos mais difíceis. E assim foi na minha vida. Mudou o conhecimento, eu fiz vários cursos aqui dentro do acampamento: curso de bambu, curso de militante, curso de agroecologia, várias coisas que aconteceram na minha vida que se eu tivesse lá fora, eu não tinha essa oportunidade que eu tive aqui dentro. Do conhecimento mesmo. Conheci o bambu aqui. Veio um aliado e deu esse curso. E desenvolveu esse talento que tava adormecido dentro de mim. Então são coisas que me fez só bem. Eu fico muito grato por estar aqui neste acampamento fazendo parte do Movimento Sem Terra porque você é acolhido de verdade, né? (...) Aqui eu aprendi a conviver com os companheiros. Ser mais um pelo outro, né? Trocar conhecimento também. E despertar esse desejo que é você ter aquele olhar focado pra natureza.</p>
                    <attrib>(Entrevistado L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>É expressiva nas entrevistas a importância atribuída ao Movimento e organicidade dele na melhoria das condições de vida, com destaque também à dimensão relacional. O fortalecimento dos afetos de solidariedade, o apoio mútuo e a ajuda recebida por companheiros/as e aliados/as propiciam uma mudança no olhar sobre o outro e sobre si mesmo. Nesse contexto de desenvolvimento de relações vinculares entre pessoas, com os espaços e as atividades ali realizadas, percebe-se a potencialização de novas formas de dinâmicas relacionais, promotoras também de aprendizagens e conhecimentos.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Aprendi muito. Aprendi que aqui a gente é um ser humano que tem valor, que a gente não tem aí fora; que são pessoas acolhedoras, que dão apoio, não discrimina ninguém, desde o mais jovem até os mais velhinhos, são todos acolhidos por eles. Aprendi muito. Aprendi a me sentir mulher, porque antigamente a gente, aí fora, a gente é muito discriminada no lado feminino, e aqui não. Eu aprendi isso que eles trouxeram pra gente. Isso pra nós aprendermos a se defender das agressividades, das coisas que acontecem com a gente. Então foi isso que eu aprendi aqui no MST. Que eu não sei se resistiria se sair desse lugar. (...) É o aprendizado, sabe? A gente ser alguém, a gente saber que um dia pode ter um futuro. Eu talvez não, mas os pequenininhos sim. Tem escola, tem aprendizado pra essas crianças, é aquele carinho, um carinho que a gente tem que eles passam pra gente, muito grande.</p>
                    <attrib>(Entrevistada E.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>O reconhecimento das pessoas como seres humanos alude à construção de condições que dignificam a vivência das famílias acampadas, o que implica no acesso a um conjunto de recursos que propiciam, também, uma base para a construção de projetos de futuro, como: moradia, alimentação, trabalho, cuidados em saúde, contato com a natureza, educação, estabelecimento de vínculos afetivos e seguros e respeito e apoio mútuo (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). É relevante destacar a importância das redes comunitárias na vivência de mulheres, mães solo, crianças, jovens, gestantes, pessoas que se encontravam em situação de rua ou de despejo e de pessoas LGBTQIAP+ – algumas das quais compartilharam suas vivências ao longo das entrevistas (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Gomes &amp; Knox, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lopes et al., 2023</xref>). Identificar a complexidade e a diversidade das violências sobre os distintos corpos pode fundamentar o desenvolvimento de respostas adequadas de cuidado que abarquem a pluralidade de necessidades. De acordo com o documento elaborado pelo <xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS (2008)</xref> sobre os DSS e seus fatores protetivos, as redes sociais e comunitárias abrangem as relações de apoio entre pessoas e grupos orientadas pela solidariedade e confiança – relações essas que constituirão o capital social. O fortalecimento ou o desgaste do capital social são mecanismos que produzem impactos no campo da saúde, e vinculam com as iniquidades socioeconômicas e com os laços de coesão social. O documento sublinha que estes últimos ultrapassam o vínculo de confiança com a rede familiar, referindo-se às distintas possibilidades de participação social, pertencimento a espaços coletivos e envolvimento com a vida pública, o que terá correlação com a longevidade dos membros da sociedade e a diminuição das violências (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Machado et al, 2023</xref>). A mudança percebida pelas pessoas entrevistadas no que diz respeito à qualidade na relação com a cultura e com os conhecimentos, que aparecem relacionadas e possibilitadas pela relação comunitária, evidencia a implicação psicossocial com vistas ao fortalecimento da saúde que a criação e a manutenção de vinculações significativas podem produzir, vivências essas alicerçadas por outras formas de interação, distintas daquelas orientadas pela discriminação e preconceito – como visto no relato a seguir:</p>
                <disp-quote>
                    <p>Faz muita diferença quando você é LGBT lá fora e quando você é LGBT dentro do assentamento, dentro do campo, dentro do MST. Lá fora, mesmo que você... Eu não tenho aparência, né? Quando você tem a aparência de afeminado sofre muita discriminação seja colega, seja no seu ambiente de trabalho, seja com seus amigos, querendo ou não, mas tem preconceito (...). Aqui eu nunca sofri nenhuma crítica sobre minha opção sexual, né? Pelo contrário, aqui eu fui acolhido. E aqui ninguém aceita você falar de um LGBT, de uma lésbica, de um trans. Aqui eles acolhem muito e não permite... Não só o LGBT mas também as mulheres, as crianças... Aqui dentro nós não permitimos nenhum ato que seja preconceituoso, que seja uma coisa assim contra o ser humano. Nós somos seres humanos e precisamos respeitar uns aos outros.</p>
                    <attrib>(Entrevista L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A promoção e a proteção da saúde, individual e coletiva, encontram relação relevante com a participação social (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rosa &amp; Sandoval, 2022</xref>). Em concordância com a concepção de saúde ético-política problematizada por <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza e Sawaia (2016)</xref>, entende-se a saúde como potência de vida e ação propiciada por bons encontros, perspectiva que abrange a dimensão dos afetos e a dialeticidade de sua constituição histórica e social, considerando que é na luta coletiva contra a servidão que se fortalece o <italic>comum</italic>. Busca-se superar uma leitura individualizante em saúde. <xref ref-type="bibr" rid="B27">Rosa e Sandoval (2022)</xref> analisam que o coletivo é espaço e contexto promotor para a potência de ação, e a participação política em movimentos sociais configura-se uma possibilidade favorável para que momentos potencializadores e terapêuticos sejam experienciados. Nas entrevistas foram observados elementos que dialogam intimamente com essas concepções, o que reforça a afirmação de que ocorreu a expansão da autonomia das pessoas ao longo da vivência no acampamento.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Comportamentos, Estilos de Vida e Saúde</title>
                <p>Uma importante dimensão no que se refere aos DSS são os comportamentos e estilos de vida considerados de risco como dietas inadequadas, uso abusivo de álcool e outras drogas, sedentarismo, entre outros (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>). A partir da proposta do presente artigo, serão abordados comportamentos e estilos de vida que podem ser considerados fatores protetivos em saúde. Segundo as pessoas entrevistadas, a entrada para o acampamento propiciou avanços nesse quesito. “A gente come do próprio acampamento mesmo porque o acampamento também produz alimento saudável, sem veneno. Então a minha saúde, eu não posso reclamar dela não. É muito boa” (Entrevistado L.).</p>
                <p>Em vários momentos, os/as entrevistados/as falam sobre a melhora no que diz respeito ao acesso à alimentação de qualidade dentro do acampamento, fator central na produção de saúde. Além disso, um dos participantes relata que estava em situação de rua antes de aderir ao Movimento e, segundo ele, morar no Marielle Vive e participar do MST foi algo que produziu uma mudança positiva em seus comportamentos.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Fiquei muito tempo dentro da Cracolândia também. Passei uma situação difícil lá. E graças a Deus quando eu tô aqui no acampamento... Pra mim foi muito bom. Porque eu usava muito químico, muita droga pesada... Quando eu cheguei aqui, esse acampamento aqui foi meu hospital (risos) (...). Porque não me envolvi mais com isso, né? (...) Graças a Deus aqui eu vivo tranquilo.</p>
                    <attrib>(Entrevistado R.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>Além do uso abusivo de drogas ilícitas, é possível inferir, pelos relatos, que o entrevistado, antes de estar no acampamento, se expunha a diversas situações de risco físico e psicossocial. No entanto, com sua participação no Movimento, relata mudanças que considera positivas e chega a caracterizar a comunidade como “paraíso”. A vida comunitária no Marielle Vive é orientada a partir das regras e da organicidade do MST.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Então todos de início já aprenderam pra entrar na porteira. Porque lá a gente fala que não pode bater em mulher aqui, que tem que respeitar. Que não pode ter preconceitos aqui dentro do acampamento, não pode brigar com outro por causa de uma discussão. Então tem regras.</p>
                    <attrib>(Entrevistado L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>O Entrevistado L. destaca a importância das regras dentro do território, as quais coíbem comportamentos de violência e discriminação. Já a Entrevistada A. relata que, no acampamento, teve a oportunidade de cuidar da sua saúde mental por meio de psicoterapia.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Aí também tem o pessoal que vem atender aqui, os psicanalistas, não sei de onde que é, eu sei que eles vêm, são aqui de Campinas, da região. São aliados. Vem atender aqui, e sempre que eles vêm eu tô aqui, e tem me ajudado muito a resolver todos os meus conflitos, e as minhas lutas internas, que não foram adquiridas no MST. O MST foi onde eu encontrei o refúgio pra me esquecer disso e curar as feridas que me trouxeram a infância e o passado, então é aqui que eu tô me curando dessas feridas.</p>
                    <attrib>(Entrevistada A.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A partir de sua participação no MST, a entrevistada pôde ter acesso a um serviço de saúde do qual não dispunha anteriormente. O acampamento ofereceu a ela e a outras pessoas a possibilidade de adotar um comportamento de cuidado consigo mesmo por meio da psicoterapia. Além disso, há relatos sobre como a comunidade ofereceu proteção às pessoas durante a pandemia da COVID-19 (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Laurentino et al., 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Santos et al., 2021</xref>)</p>
                <disp-quote>
                    <p>Eu não me sentiria segura se eu estivesse lá fora, porque aqui dentro não. Aqui dentro todos têm regras, não é uma regra assim: “Você é obrigado a fazer isso”. Não. É regra com palavras, ensinamento. Álcool gel, mão s limpas. Então todos fazemos. Se alguma pessoa pegou essa doença foi muito pouco, porque precisa trabalhar, sem o trabalho também ninguém vive. Então tinha que pegar ônibus, né? Mas aqui dentro não, eu não me senti nem um pouco ameaçada sobre essa doença não.</p>
                    <attrib>(Entrevistada E.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>O contexto do acampamento pode propiciar e incentivar comportamentos de proteção e promoção de saúde. Para além das escolhas individuais, a forma de organização e a organicidade estabelecidas pelo MST contribuem para a adoção de condutas e estilos de vida saudáveis que, antes da entrada no acampamento, eram menos prováveis ou mesmo impossibilitados pelos contextos adversos de vulnerabilidade em que as pessoas estavam inseridas. Vários estudos têm apontado como, ainda que em situações de grandes privações e violações de direitos, comunidades vinculadas ao MST são capazes de produzir espaços e relações de cuidado e saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza &amp; Sawaia, 2016</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Práxis Política e Organicidade: Determinantes Sociais da Saúde, Fatores Protetivos e a Transversalização Práxica</title>
                <p>A partir das entrevistas, outro elemento chamou a atenção por estar diretamente relacionado aos DSS e aos fatores protetivos: a organização política coletiva. Autores e autoras como <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gonçalves Filho (1998)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa (2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2024)</xref> veem o engajamento na luta social de sujeitos e comunidades enquanto algo que pode, entre outras coisas, produzir respostas a sofrimentos, assim como fortalecer fatores protetivos. Nesse mesmo sentido, a práxis política pode ser uma resposta frente a objetivos propostos por autores como <xref ref-type="bibr" rid="B19">Martin-Baró (1996)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B02">Arroyo e Dobles (2020)</xref>, os quais abordam, entre outras coisas, a luta pela desideologização e o combate à mentira institucionalizada e ao fatalismo. O próprio Sistema Único de Saúde em suas diretrizes, se baseia em um modelo de criação de participação popular por meio de seus conselhos e do sistema de conferências que o fundamenta.</p>
                <p>A vivência cotidiana da práxis, com maior ou menor engajamento e empecilhos, pareceu ter grande influência em diversas esferas da vida das pessoas entrevistadas, tanto no que diz respeito a se ver enquanto sujeitos e sujeitas (individuais e coletivos) com capacidade de ação transformadora, a partir da organização do trabalho conjunto quanto na própria convivência cotidiana. Em sua entrevista, L. relata:</p>
                <disp-quote>
                    <p>Nós aprendemos muito a respeitar um ao outro. Nós aprendemos a conviver, ao coletivo, a organicidade de construir. Você não tem nada e você constrói ali só no coletivo, né? Na organicidade. Então prova isso que a gente é capaz de mover montanhas sem dinheiro. Então foi muito bom esse tempo que a gente viveu aqui.</p>
                    <attrib>(Entrevistado L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A partir da organicidade construída no acampamento, a própria sociabilidade começa a sofrer alterações. As decisões precisam ser tomadas de maneira coletiva, o que exige um certo método e vem acompanhado de constante formação. Os combinados são pactuados e a comunidade precisa cuidar deles e se envolver com eles para que as decisões possam se concretizar. Há uma experimentação de um trabalho coletivo para si, de um coletivo “capaz de mover montanhas sem dinheiro” – como traz o relato de L.</p>
                <p>Da mesma maneira, é notável a alteração de perspectiva do presente e do futuro. Furando algumas brechas do sentimento de fatalismo (Martín-Baró, 1996), a transformação do presente pelo trabalho coletivo e da transversalização da práxis ganha novos horizontes futuros. Outros projetos políticos, mais robustos e coletivos, assim como mais esperançosos. Essa dimensão fica bastante evidente nas falas de E. e de R., a seguir:</p>
                <disp-quote>
                    <p>Essa luta é tudo pra nós, é a nossa esperança. É a esperança que nós não temos aí fora, é essa esperança que a gente vê aqui. De nós poder pormos feijão na mesa sem precisar pagar tão caro, de por uma mandioca, uma batata, um alface, um tomate. É essa esperança. Porque se a gente vai no mercado, a gente compra batata, não dá pra comprar o tomate. Se a gente compra o tomate, não dá pra levar a mandioquinha. Se compra o feijão, não dá pra comprar outra coisa, porque é muito caro lá fora. E aqui não, aqui a gente planta isso daí. Então a gente tem. A gente vai na horta, pega a cebolinha, a gente pega a alface, pega a couve, isso que é a luta pra mim, sabe? É muito importante, mesmo na luta difícil, sem água, é escassa a água, mas o pouquinho que a gente tem, que a gente colhe de água quando chove e a gente enche as vasilhas, aí a gente molha aquelas plantas e vê elas crescendo.</p>
                    <attrib>(Entrevistada E.)</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>E se não der certo, o MST não vai deixar ninguém pra trás. O MST não vai deixar ninguém na mão</p>
                    <attrib>(Entrevistado R.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>Na entrevista de A., essa mesma perspectiva de um futuro melhor surge para ela enquanto mãe e para as crianças que vivem no acampamento. Além da cozinha coletiva, da ciranda infantil e das atividades que são destinadas às crianças, a organização cotidiana da vida comunitária trouxe benefícios para elas. Há um sentimento de aumento de segurança e de transformação no que diz respeito a ser responsável pelo desenvolvimento infantil. A Entrevistada A. reflete que:</p>
                <disp-quote>
                    <p>É totalmente diferente. Aqui eles [seus filhos] têm liberdade. (...) Aí eu fui conversando com eles e explicando que isso era uma forma de eles terem um futuro melhor, que eu não tava lutando só por mim, que essa luta que eu tava fazendo é pensando no futuro deles. (...).</p>
                </disp-quote>
                <p>Os efeitos na saúde, enquanto DSS e fatores psicossociais protetivos oriundos da organização política e das possibilidades concretas que se dão a partir dela, podem ocorrer em outras organizações e em outros movimentos sociais, para além da luta pela terra e da reforma agrária. A práxis da organização da vida e do trabalho em comunidade pode produzir vinculações afetivas e sentimentos de identificação entre sujeitos e com o território e pode, inclusive, ser um elemento comum a outras organizações e a outros movimentos sociais.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>A partir da literatura consultada, das entrevistas realizadas e da análise proposta, considera-se que as condições propiciadas pelo território e construídas coletivamente, possibilitadas pela organicidade própria do Movimento, constituíram fatores protetivos em saúde, que abrangem condições de vida, trabalho, relações sociais e com a natureza e comportamento e estilo de vida, explicitando o fortalecimento do vínculo das pessoas com o território e o que junto a ele foi desenvolvido. Evidenciar esses fatores, que compõem os determinantes sociais em saúde para a referida população, mostra-se relevante na afirmação pela defesa da permanência no território. A identificação dos fatores protetivos, associados à permanência no território como direito e ação necessária para o fortalecimento deles, pode contribuir para a mitigação da produção de sofrimento, o que alude também ao caráter preventivo que esse fortalecimento pode ensejar.</p>
            <p>O presente estudo teve caráter inicial e exploratório. Foi utilizada uma amostra reduzida e teve-se como foco um território específico. Dessa forma, é necessário que outras experiências sejam abordadas e que haja maior aprofundamento teórico dos temas aqui apresentados.</p>
            <p>Entende-se que, junto aos documentos que abordam traumas, violências e riscos psicossociais, faz-se necessário uma produção que tenha como foco os fatores protetivos dos territórios. Pareceres, laudos e relatórios psicossociais têm se mostrado bastante relevantes ao evidenciar processos diversos de violações de direitos em situações de conflitos territoriais e socioambientais. Defende-se que seja possível contribuir para demonstrar como a vida em determinadas comunidades é composta de grandes privações de direitos e desafios, mas, também, é constituída de elementos de cuidado, prevenção e promoção de saúde. Assim, que seja possível não apenas reivindicar a legítima reparação integral a pessoas e povos violados em seus direitos, mas também contribuir para que danos e violências ainda mais severos não se efetivem, como, por exemplo, o despejo das famílias do acampamento Marielle Vive. Dessa forma, indica-se a continuidade da elaboração de estudos que possam fundamentar a contribuição de aspectos psicossociais em processos que envolvam ações de implementação e fortalecimento de uma reforma agrária popular e agroecológica, política essa fundamental para produção de bem-viver no território brasileiro.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <label>Como citar esse artigo:</label>
                <p>Rosa, L. A., Coelho, P. S., &amp; Tchalekian, B. B. A. (2025). Território e saúde psicossocial: produção de fatores protetivos em acampamento de luta pela reforma agrária. <italic>Estudos de Psicologia</italic> (Campinas), 42, e15271. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15271pt">https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15271pt</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Por comporem processos judiciais, os documentos e suas autorias não serão aqui explicitados.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Para mais informações, acessar: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202404/comunidade-krenak-recebe-primeira-reparacao-coletiva-d">https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202404/comunidade-krenak-recebe-primeira-reparacao-coletiva-da-historia-do-pais</ext-link>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>O Supremo Tribunal Federal (STF) havia suspendido, em junho de 2021 e pelo período de seis meses, as ordens de remoção e despejo de áreas coletivas que estavam habitadas antes da pandemia da COVID-19. Considerou-se, naquele momento, o aumento da vulnerabilidade a que as famílias estariam expostas diante da crise sanitária oriunda da COVID-19. A finalização da medida estava prevista para o fim de 2021, momento em que o referido estudo foi realizado; porém foi prorrogada até 31 de março de 2022 e, posteriormente, até outubro de 2022. As prorrogações ocorreram após significativa mobilização do MST, em articulação com outros movimentos sociais, partidos políticos, organizações aliadas e participação da sociedade civil. As ações de despejo foram liberadas em outubro de 2022 pelo STF, o que envolveria a remoção das famílias do acampamento e, consequentemente, a perda de suas casas, dos espaços coletivos de convívio e da produção de alimentos cultivados no território.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <sec sec-type="data-availability" specific-use="data-available-upon-request">
            <title>Disponibilidade dos dados</title>
            <p>Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação com autor correspondente.</p>
        </sec>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">
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                <element-citation publication-type="journal">
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                        <name>
                            <surname>Alves</surname>
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                    <year>2024</year>
                    <article-title>O turismo como meio de justificação da reforma agrária - o caso do acampamento Marielle Vive, Valinhos/SP</article-title>
                    <source>Retra tos De Assentamentos</source>
                    <volume>27</volume>
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                    <fpage>148</fpage>
                    <lpage>164</lpage>
                    <pub-id pub-id-type="doi">10.25059/2527-2594/retratosdeassentamentos/2024.v27i1.573</pub-id>
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                    <source>Neoliberalismo y afectos: derivaciones para una praxis psicosocial liberadora</source>
                    <publisher-name>Arlekín</publisher-name>
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                    <day>18</day>
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                    <role content-type="http://credit.niso.org/contributor-roles/data-collection">Data collection</role>
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                    <role content-type="http://credit.niso.org/contributor-roles/interpretation-of-results">Interpretation of results</role>
                    <role content-type="http://credit.niso.org/contributor-roles/writing-original-draft">Writing</role>
                    <role content-type="http://credit.niso.org/contributor-roles/writing-review-editing">Revision of the article</role>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff06">3</xref>
                </contrib>
            </contrib-group>
            <aff id="aff04">
                <label>1</label>
                <institution content-type="original">Universidade Federal do Acre, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Psicologia. Rio Branco, AC, Brasil.</institution>
            </aff>
            <aff id="aff05">
                <label>2</label>
                <institution content-type="original">Pesquisadora Autônoma. Ilha Bela, SP, Brasil.</institution>
            </aff>
            <aff id="aff06">
                <label>3</label>
                <institution content-type="original">Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e Do Desenvolvimento Humano. São Paulo, SP, Brasil.</institution>
            </aff>
            <author-notes>
                <corresp id="c02">Correspondence to: L. A. ROSA. E-mail: <email>leandro.rosa@ufac.br</email>. </corresp>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editor</label>
                    <p>Antonio Euzébios Filho</p>
                </fn>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflict of interest</label>
                    <p>The authors declare that there are no conflicts of interest.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <abstract>
                <title>Abstract</title>
                <p>Grounded in the affirmation of the right to the common good and to a dignified life, the social function of land – as established in the 1988 Brazilian Federal Constitution – serves as a guiding principle. This qualitative study aims to examine potential contributions from the field of psychosocial care to the development of documents related to agrarian reform implementation processes, through the elucidation of protective factors for mental health. In addition to bibliographic research, the study is based on an empirical corpus composed of five semi-structured interviews conducted with individuals living in an encampment associated with a land rights movement. The research was carried out in coordination with practices developed within the movement’s Mental Health Network. Drawing on the findings, the concept of the Social Determinants of Health is revisited and articulated with the protective factors identified in participants’ accounts of their experiences in the encampment. The results indicate that the conditions created within this territory – collectively constructed and enabled by the movement’s organizational structure – constituted protective health factors encompassing living and working conditions, social and environmental relations, behavior, and lifestyle. Bringing these factors to light proves essential in supporting the defense of the community’s right to remain in its territory.</p>
            </abstract>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Camping</kwd>
                <kwd>Political activism</kwd>
                <kwd>Social determinants of health</kwd>
                <kwd>Social psychology</kwd>
                <kwd>Mental health</kwd>
            </kwd-group>
        </front-stub>
        <body>
            <p>The absence of a strong agrarian reform policy throughout Brazil’s history (as well as across Latin America more broadly) has, since the beginning of colonization, left a legacy of violence, injustice, and social conflict. The country has never overcome land concentration, nor has it adequately addressed the resulting displacement and the violations committed against the peoples of the waters, fields, and forests. Struggles for land and agrarian reform have historically persisted under a trail of numerous forms of violence within asymmetrical power disputes – whether through the extermination and expropriation of Indigenous peoples, the forced removal of small farmers to agricultural frontiers, the deterioration of labor conditions in rural areas, the mass migrations produced by historically adopted development models, or the current unequal struggle driven by agribusiness, which pits transnational corporations against local communities (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Martins, 2022</xref>).</p>
            <p>One example of the violent nature of territorial disputes can be seen in the repeated attacks and even the decimation of Indigenous peoples, as well as in the various massacres connected to land struggles – such as those of Corumbiara (RO), Felisburgo (MG), and Eldorado dos Carajás (PA). According to reports from the <italic>Comissão Pastoral da Terra</italic> (CPT, Pastoral Land Commission) (2023), conflicts in rural areas have been increasing year after year. In 2023 alone, 2,203 conflicts were recorded. It is worth emphasizing both the insufficiency – and at times, the complete absence – of state responses capable of protecting communities involved in land conflicts. According to the CPT, beyond failing to protect communities and their territories from agribusiness operations, the Brazilian state often ends up “fostering violence against these communities through the deployment of police and paramilitary forces” (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Comissão Pastoral da Terra, 2023</xref>, p. 7, own translation) in service of agribusiness interests, to the detriment of the communities and their rights. The consequences of these violations are concrete and highly visible, yet they also entail countless effects of an immaterial nature.</p>
            <p>Looking at the history of Brazilian territory, it becomes evident that the lives of the peoples of the waters, fields, and forests are directly tied to the defense and security of their territories. The continuity of their diverse ways of life – and of their dignity – depends on the right to (re)claim, remain in, and hold their territories.</p>
            <p>In a recently published study, <xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al. (2024)</xref> discuss the experience of the Marielle Vive Encampment, located in the State of São Paulo. At the end of 2021, the camp began receiving eviction threats. The authors note that the coercive process itself already constituted a form of suffering, producing psychosocial effects that could be significantly worsened by an actual eviction. Beyond the direct violent actions against families, violence also manifests through the removal of a set of protective conditions that are collectively built and sustained within the territorial context of the encampments.</p>
            <p>Living conditions in an encampment are, undoubtedly, marked by precarity and by the absence of adequate public responses regarding basic rights – such as access to healthcare, education, social protection measures, and basic sanitation, among others. At the time the aforementioned study was conducted, all families were living in makeshift shacks and under various forms of social vulnerability rooted in long-standing structural inequalities. Even so, reports from interviewees clearly reflected a perceived improvement in quality of life following their arrival at the Marielle Vive encampment.</p>
            <p>The production of documentation forming part of legal instruments – some of which serve as the basis for this study – has supported the struggle for the right to remain in occupied territories and has, albeit incipiently, addressed health-related issues, particularly mental health. This article aims to contribute to discussions on the construction of protective health factors, in their various forms, developed within the encampment, in dialogue with the concept of the Social Determinants of Health (SDH).</p>
            <sec>
                <title>Psychosocial Documents in Processes of Territorial and Socioenvironmental Conflict</title>
                <p>Professionals and scholars in the field of Psychology have contributed to the production of documents ranging from academic papers to reports forming part of legal proceedings, through which the psychosocial dimension of human rights violations and territorial and socioenvironmental conflicts has gained visibility.</p>
                <p>Bruno Gonçalves conducted several pioneering works addressing psychosocial dimensions in contexts of territorial conflict. In a psychological technical report, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gonçalves (2017)</xref> examined the political violence perpetrated by the State against the Krenak people during Brazil’s civil-military dictatorship. The author discussed the rights violations and the production of collective psychosocial trauma that occurred within the Krenak Reformatory, a detention center established for Indigenous people in conflict with the law. In another work, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Simões (2021)</xref> again addressed political violence against Indigenous peoples during the civil-military dictatorship. In that report, however, he focused on the Xavante Marãiwatsédé population in Mato Grosso. Once again, the author demonstrated the process of collective psychosocial traumatization suffered by that population and argued for the possibility of collective psychosocial reparation. In an unpublished 2018 report, Bruno Simões Gonçalves, Josiclea Pires da Silva, and Patrícia Yamamoto Costa Caldeira documented the psychosocial impacts caused by the construction of the BR-135 highway on the Quilombola territories of Joaquim Maria, Santa Rosa dos Pretos, and Santa Rosa Maria dos Pinheiros. The authors identified a range of psychosocial harms to the affected communities resulting from the construction of the highway and demonstrated how plans for duplicating its lanes could further intensify these effects. Once again, the report advocated for collective reparation for the affected Quilombola communities.</p>
                <p>Regarding the right to comprehensive reparation, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Pinheiro et al. (2019)</xref> discussed the struggle of those affected by the Samarco mudslide (Vale and BHP Billiton Brasil Ltda) and the need to provide reparations to victims of the socioenvironmental catastrophe caused by the dam rupture. Also within the framework of the right to comprehensive reparation, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Gonçalves and collaborators (2024)</xref> worked alongside rural communities affected by the transposition of the São Francisco River in northeastern Brazil. The authors reported that reparations have focused primarily on financial compensation for material losses, which are often underestimated or entirely absent. Their study argues that reparation processes must adopt a perspective of complexity and take into account all dimensions of health and life.</p>
                <p>Other unpublished reports, opinions, and technical assessments<sup><bold>4</bold></sup> have addressed psychosocial effects related to territorial and socioenvironmental conflicts. Some of these documents were commissioned for, and included in judicial proceedings. It is noteworthy that, in more than one case, psychosocial documents were cited in judicial rulings that favored communities or peoples affected by rights violations. A significant example is the first case of collective reparation granted by the Brazilian State to the Krenak and Guarani-Kaiowá peoples<sup><bold>5</bold></sup>. The psychological technical report prepared by <xref ref-type="bibr" rid="B11">Gonçalves (2017)</xref> was part of the process that resulted in the approval of amnesty and an official apology to the Krenak people by the Amnesty Commission of the Ministry of Human Rights.</p>
                <p>Although psychosocial reports, opinions, and assessments can be part of judicial processes related to territorial and socioenvironmental conflicts, they are, to date, not widely utilized in this area. Specifically regarding expropriation processes for agrarian reform purposes, psychosocial documents can be prepared, but they are neither required nor sufficient. According to the Federal Constitution, the primary reference governing the possibility of expropriating land for agrarian reform is the fulfillment – or lack thereof – of the land’s social function: “Art. 184. Expropriation is authorized for social interest in rural property that is not fulfilling its social function”. The most important elements composing the social function of land concern property productivity, environmental protection, and the safeguarding of labor rights. Thus, even when addressing issues of significant importance, such as situations of collective psychosocial trauma, psychosocial elements may be complementary to the process but do not play a central role.</p>
                <p>The psychosocial documents accessed by the authors of this article address different contexts and communities, demonstrating the potential for Psychology to contribute to discussions concerning various territorial and socioenvironmental conflicts. They are generally requested in cases involving rights violations and socioenvironmental vulnerabilities. Consequently, it is common for these texts to focus on negative effects and illnesses – both individual and collective – resulting from various violations. The documents largely advocate for reparative measures or actions aimed at ceasing or mitigating psychosocial risk factors. Considering the Brazilian agrarian context, historically characterized by large estates, exploitation, and violence, a landscape of suffering and illness becomes evident – issues that have been properly addressed in many psychosocial documents.</p>
                <p>Alongside the necessity of scientifically demonstrating, through reports, technical opinions, and assessments, the psychosocial harms caused by conflicts and rights violations, it is also essential to address contexts that promote health and resilience emerging from popular, traditional, and Indigenous communities (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Malheiro et al., 2021</xref>). In this way, the discussion sought to explore how communities and peoples, even in the face of various attacks and forms of violence, are capable of generating bonds, life, and health. It is crucial that psychosocial documents advocate for full reparation for victims of violence. Moreover, it becomes imperative to defend the right to the continued existence of territories and communities that provide better living conditions and protective factors for the mental health of victimized populations. From this perspective, the psychosocial report discussed below was prepared.</p>
                <sec>
                    <title>Marielle Vive Camp: Organicity and Resistance</title>
                    <p>The camp was established in April 2018, one month after the assassination of Rio de Janeiro councilwoman Marielle Franco and her driver, Anderson Gomes. It is located in the municipality of Valinhos, in the State of São Paulo, on land that previously belonged to <italic>Fazenda Eldorado Empreendimentos Imobiliários</italic>, an unproductive farm owned by a real estate company. This area, just over 130 hectares, had been abandoned to real estate speculation and was occupied by the <italic>Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra</italic> (MST, Landless Workers’ Movement) as a form of protest against the non-fulfillment of the social function of land and to highlight the need for agrarian reform. By early 2025, more than 350 families resided on the territory, including over 100 children, as well as people of various ages and backgrounds. Most families had previously lived in peripheral neighborhoods of nearby cities before joining the camp. Recent studies have focused on experiences at Marielle Vive Camp, discussing topics such as education, community rural tourism, and the contemporary relevance of the land struggle (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Alves et al., 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B24">Moreira, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Rodrigues &amp; Pacheco e Zan, 2024</xref>).</p>
                    <p>As mentioned earlier, experiences at Marielle Vive Camp were examined in an article presenting results from a study conducted in November 2021, at a time when the camp began receiving eviction threats due to a decision by the 37th Civil Law Panel of the São Paulo Court of Justice. Between MST mobilizations – in coordination with other social movements, political parties, allied organizations, and civil society participation – and court orders for removal and eviction, multiple extensions were granted<sup><bold>6</bold></sup>. Following this threat, the ensuing legal proceedings, and a request from the MST, the study was conducted to support discussions on the psychosocial effects of life experiences in the Marielle Vive Camp, as well as those resulting from the threat of eviction faced by families residing in the territory (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). The eviction had not been carried out at the time of submission of the present article. However, its execution is considered imminent, as threats persist: no guarantees of permanent land tenure have been secured, nor have any alternative arrangements for the camp’s continued existence been offered.</p>
                    <p>When <xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al’s. (2024)</xref> study was conducted, the authors, drawing on technical and scientific literature as well as collected data, discussed the psychosocial risks caused and intensified by eviction processes, highlighting the production of psychosocial trauma, dehumanization, ethical-political suffering, uprooting, and social humiliation (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gonçalves Filho, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Martín-Baró, 1984</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Massola &amp; Svartman, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sawaia, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Simões, 2021</xref>). These processes are complex and produce lasting and intense effects. From the interviews conducted with camp residents, it became evident that, despite the challenges faced in daily life and in maintaining the camp, the community-based organization of families functioned not as a risk factor but, predominantly, as a physical and psychosocial protective factor.</p>
                    <p>The threat of eviction represents the risk of losing a territory where people have found opportunities for safety, care, solidarity, and work through diverse community bonds. The destruction of these ties – both geographic and psychosocial – formed within the Marielle Vive Camp constitutes a risk factor for the physical and mental health of its residents. Many families would be forced to leave a place to which they are already economically and emotionally connected, being cast out without housing or employment.</p>
                    <p>Accounts revealed severe rights violations experienced even more intensely before people arrived at the camp. Reports included heightened exposure to sexual violence, food insecurity, lack of social support networks, and experiences of homelessness. The narratives also highlighted the intergenerational nature of these violations, as participants described how previous generations of their families had suffered various forms of violence. In this context, the threat of eviction constitutes a re-victimization of individuals who have already endured psychosocial traumas, many of whom come from families historically subjected to multiple forms of victimization. The victimization caused by the threat of eviction would become even more severe if it were to be carried out.</p>
                    <p>Interviews also emphasized concern for children and youth, who would have nowhere to go with their families and whose dreams and plans for a dignified life would be interrupted. The insecurity, fear, despair, and imminent exposure to various forms of violence brought about by the threat of eviction generate significant suffering throughout the process.</p>
                    <p>It is important to note, as mentioned earlier, that the struggle for land and agrarian reform in Brazil is characterized by confrontation, conflict, and violence. In the few years of the Marielle Vive Camp’s existence, families have already endured a series of threats and hostile acts. Although they have received support from an important segment of civil society and hosted numerous solidarity initiatives, there are still those who deny the legitimacy of the struggle for land – even when the camp occupies territory where the land’s social function is not being fulfilled.</p>
                    <p>Perhaps the most explicit act of violence against the camp occurred in 2019, during a demonstration on the road leading to it. The protest sought to draw public and governmental attention to the camp’s lack of water and to distribute pesticide-free food produced at Marielle Vive despite challenges such as limited potable water and the absence of supportive agricultural policies. Families peacefully displayed banners demanding water, spoke with passersby, and distributed food and seeds to foster dialogue and highlight the territory’s productive nature. A pickup truck suddenly accelerated toward the demonstrators and ran over one of the campers – Mr. Luis, aged 72 – who later passed away. On the day of the incident, the perpetrator was arrested, as reported by several media outlets (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Barreto, 2023</xref>). In addition to this episode, the camp suffered at least three attacks in August 2022, when gunshots were fired from a vehicle toward its entrance gate (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Moncau, 2022</xref>).</p>
                    <p>The continued occupation of the territory, the maintenance of ongoing activities, and the pursuit of health promotion in a context of violent threat have constituted a strong response from the Movement in defense of the camp’s territorial security and that of its residents.</p>
                    <p>From this broad set of actions and from the accounts of camp residents’ experiences, it was possible to affirm that the Marielle Vive camp functions as a protective space where both individual and collective health are produced (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). This assertion does not conceal the hardships experienced by the camp families, which calls for the necessary attention of public authorities regarding the guarantee of these families’ fundamental rights. However, regarding the camp’s internal organization, these difficulties are collectively addressed, and the ongoing presence and development of life in this territory have been essential for the survival of its residents. Following the theoretical framework that guides this study, the need to remain in the territory is understood as being related to the following dimensions: work and living conditions; territory and environment; interpersonal relationships, bonds, and learning; vulnerabilities and security/protection; and struggle and organicity. Based on these dimensions, it was possible to affirm that the production of ethical-political health (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza &amp; Sawaia, 2016</xref>) characterizes life in the encampment.</p>
                </sec>
            </sec>
            <sec sec-type="methods">
                <title>Method </title>
                <p>Several documents presenting psychosocial analyses attached to cases of territorial and socioenvironmental conflict, along with relevant literature in the field, compose this study’s conceptual and technical framework. The corpus also includes material from interviews conducted with camp residents at the onset of the eviction threats made against the Marielle Vive camp in November 2021 (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). Five individual semi-structured interviews (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo, 2010</xref>) were conducted remotely via the Google Meet platform by members of the MST Mental Health Network. Diversity and plurality of perspectives and experiences were taken into account when inviting participants, encompassing criteria such as sex, gender identity, race, sexual orientation, age group, family organization, and roles and activities within the camp. It is worth noting that, as participant contacts and recommendations came from MST representatives through the Movement’s Mental Health Network, a setting conducive to stronger rapport between interviewers and interviewees was established. Interviewees were regarded as primary and privileged sources of information, and, as <xref ref-type="bibr" rid="B22">Minayo (2010)</xref> points out, interviews also reflect the social dynamics of the contexts in which they take place.</p>
                <p>Aiming to investigate the lived experience of camp residents, the interviews addressed: 1) participants’ life histories, with an emphasis on their arrival at the camp; 2) their experiences within the camp – daily routines, activities, family relationships, challenges, and difficulties faced; and 3) the eviction process, from initial threats to perceived effects and consequences, both individually and collectively. The interviews were conducted individually to allow for in-depth exploration of each person’s experiences. All procedures followed the guidelines established by Resolution No. 510/2016 of the Brazilian National Health Council (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Brazil, 2016</xref>). The identities of interviewees will be kept confidential and referred to by the initial letter of their first names.</p>
            </sec>
            <sec sec-type="results|discussion">
                <title>Results and Discussion</title>
                <p>The guiding framework for this analysis is the concept of the Social Determinants of Health (SDH). According to <xref ref-type="bibr" rid="B05">Buss and Pellegrini Filho (2007)</xref>, although interpretations vary, the general premise of the SDH concept is that individuals’ and groups’ living and working conditions are directly related to their physical and mental health status. The authors further define SDH as “(...) the social, economic, cultural, ethnic/racial, psychological, and behavioral factors that influence the occurrence of health problems and their risk factors in the population” (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Buss &amp; Pellegrini Filho, 2007</xref>, p. 78, own tranalation).</p>
                <p>Within the scope of public health and the World Health Organization – and in alignment with the principles of Brazil’s Unified Health System – the SDH framework relates to the promotion of equity and social justice, a perspective that integrates the health-disease process and underscores the need for intersectoral public policy responses. From a critical perspective on health equity, it is essential to highlight that inequities and inequalities are structured and constituted within the capitalist mode of production, and that the understanding of the factors comprising the SDH must be approached in an integrated manner rather than through a fragmented lens (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Mario, 2023</xref>; Vaselchi &amp; Marques, 2023).</p>
                <p>As the previous definition indicates, many SDH studies focus on risk factors associated with the deterioration of these determinants. However, in line with the approach of this article, the focus here is on how life in the camp can foster improvements across various SDH and, consequently, strengthen and promote health.</p>
                <p>The following topics are based on a document from the <italic>Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B07">National Commission on Social Determinants of Health [CNDSS], 2008</xref>). To these topics, a discussion on praxis and organicity is added.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Living, Environmental, and Working Conditions</title>
                <p>At several points during the interviews, participants discussed improvements in their living conditions after joining the camp and becoming part of the social movement.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Yes, I believe so [that life changed after moving to the camp]. Because they are happy people, people who eat – many of them had practically nowhere to sleep before, and now they have a small place to lie down, to rest their heads on a pillow, something they didn’t have before. Food – they have food. If someone arrives here with nothing, they are welcomed, with blankets, with food, with everything. Everything.</p>
                    <attrib>(Interviewee E.)</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>My life was just working and paying rent (...). I was so depressed and so anxious (...). So, I wasn’t living, I didn’t have a life; my life was reduced to planning how to pay bills, how to pay rent.</p>
                    <attrib>(Interviewee A.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>The interviewees reported significant improvements in their families’ housing and food conditions. These are two major social determinants of health and, in the case of the camp, are directly linked to another crucial determinant: work. “For them [the camp] means an opportunity for housing. Of leaving the big city and producing their own food” (Interviewee M.).</p>
                <p>The camp provides families with a place to live and, through agricultural work, ensures access to food for both consumption and sale, thereby improving their income.</p>
                <disp-quote>
                    <p>(...) because here we have large plantations developed organically. That’s what matters. There’s the camp’s mandala garden. I have my own mandala garden by the shack where I live, where I grow a lot of coffee, bananas, acerola; I already have passion fruit (...) we’ve already built up a good plantation here (...). [I’m a] big farmer here at Marielle. A skilled carpenter, helping to build up this camp.</p>
                    <attrib>(Interviewee M.)</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>[Living in the camp] I learned how to plant, to work in the garden. I worked a lot in the mandala garden. The mandala is our garden, you know? (...). It’s really good here.</p>
                    <attrib>(Interviewee R.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>Interviewee M. expresses pride when talking about the camp’s crops and his carpentry skills. Interviewee R. also proudly recounts what he has learned through his work. Beyond the improvements in food and income, it is worth highlighting how the interviewees’ work activities are full of meaning, strengthening their sense of community and promoting health. <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa (2017)</xref> suggests that participation in the MST can generate various “therapeutic factors”. Among these, the author emphasizes two “psychopolitical” therapeutic factors: ensuring survival and material security for one’s family, and the sense of accomplishment derived from the struggle.</p>
                <p>Life and work in the camp foster the interviewees’ connection with the common natural resources of that territory.</p>
                <disp-quote>
                    <p>So our struggle here is to live, to plant, to produce, and to preserve. Above all, to preserve – because when we arrived here, the spring was being trampled by the farm’s cattle. We fenced off the area. Together with the reforestation technicians, we planted trees around the spring.</p>
                    <attrib>(Interviewee M.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>The agroecological approach to production prioritized by the MST does not oppose agricultural production and environmental protection. The productive methods – such as the mandala-style gardens – link environmental preservation with food production. This connection fosters improved working conditions, as well as healthier food and environments. <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2024)</xref> argues that the MST’s agroecological model of organizing work and production is related to strengthening respect for and cultivation of diversity – both human and socioenvironmental – as well as to promoting the health of its members. The interviewees report a strong sense of identification with the territory.</p>
                <disp-quote>
                    <p>This is a place where you feel something special. You feel a very powerful energy here. You feel peace, you feel tranquility, you feel welcome. You feel like you’re in paradise, you know? (...) here at home there are lots of plants – then the birds come, the animals come – it’s a very good energy. (...) planting the first plant and feeling how gratifying it is to receive the good energy that comes from it, to watch it grow.</p>
                    <attrib>(Interviewee L.)</attrib>
                </disp-quote>
                <p>Beyond the improvements already discussed, several excerpts describe the welcome and support people received upon arriving at the camp: “Quality of life improves, and so do our relationships, right? Our relationship with other people changes too, you know? And that’s really good, man. Really, really good. It’s so gratifying to live here”. (Interviewee L.)</p>
                <p>Interviewee L. speaks about how their quality of life has improved due to material gains, but also links this improvement to the relationships formed with the people from the community. In the next section, these relationships are also addressed as a social determinant of health.</p>
                <sec>
                    <title>Social and Community Networks and Health</title>
                    <p>Popular organization and the sense of community expressed in the interviews proved to be essential factors for improving the psychosocial health and living conditions of camp residents – from concrete actions, such as finding collective solutions to the lack of water supply, building shelters and the communal kitchen, to the shared care for children and the camp’s overall health concerns. In addition, participants repeatedly mentioned a strong sense of belonging, which brought greater meaning and social value among peers.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Coming to the camp changed a lot of things for me. In knowledge, in culture. I’ve gained more cultural knowledge in my life, you know? More awareness through the Movement. More love for others, truly. And you know you’re not alone, you know? When you receive help from allies, from your companions, you feel you’re not alone in that struggle. And that there are a lot of angels that God sends to help us in the hardest moments. That’s how it was in my life. My knowledge changed – I took several courses here at the camp: a bamboo course, a course for activists, an agroecology course, many things that happened in my life that, If I were outside, I wouldn’t have had the opportunities that I have in here. Of knowledge itself. I learned about bamboo here. An ally came and offered that course. And I developed this talent that had been dormant inside me. So, these are things that have only done me good. I am very grateful to be here in this camp, part of the Landless Workers’ Movement, because you are truly welcomed, you know? (...) Here I learned to live with my companions. To be there for one another, you know? To exchange knowledge as well. And to awaken this desire, which is to have that focused attention on nature.</p>
                        <attrib>(Interviewee L.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>The interviews strongly highlight the importance attributed to the Movement and its organic structure in improving living conditions, with particular emphasis on relational aspects. The strengthening of bonds of solidarity, mutual support, and help received from companions and allies fosters a change in the way individuals view others and themselves. In this context of developing relational ties among people, as well as with the spaces and activities within the camp, one observes the emergence of new forms of relational dynamics, which also promote learning and knowledge.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>I learned a lot. I learned that here we are human beings who have value, something we don’t have outside; that these are welcoming people who provide support, who don’t discriminate against anyone, be they young or old – everyone is welcomed by them. I learned a lot. I learned to feel like a woman, because back then, outside, we were very discriminated against for being female, and here we are not. I learned this because they brought it [the information] to us. For us to learn to defend ourselves against aggressions, against the things that happen to us. That’s what I learned here in the MST. I don’t know if I would survive if I left this place. (...) It’s the learning, you know? To be someone, to know that one day we can have a future. Maybe I won’t, but the little ones will. There’s school, there’s learning for these children; there’s that care, a care that they give to us, so much.</p>
                        <attrib>(Interviewee E.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>The recognition of people as human beings alludes to the construction of conditions that dignify the lives of camp families, which implies access to a set of resources that also provide a foundation for building future projects, such as housing, food, work, healthcare, contact with nature, education, establishing safe and affectionate bonds, and mutual respect and support (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Tchalekian et al., 2024</xref>). It is important to highlight the significance of community networks in the lives of women, single mothers, children, youth, pregnant people, individuals experiencing homelessness or facing eviction, and LGBTQIAP+ people – some of whom shared their experiences during the interviews (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Gomes &amp; Knox, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lopes et al., 2023</xref>). Recognizing the complexity and diversity of violence experienced by different bodies can inform the development of appropriate care responses that address a broad spectrum of needs. According to the document produced by the <xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS (2008)</xref> on SDH and their protective factors, social and community networks encompass support relationships among people and groups guided by solidarity and trust – relationships that constitute social capital. The strengthening or erosion of social capital are mechanisms that produce impacts in the field of health and are linked to socioeconomic inequities and social cohesion ties. The document emphasizes that these ties go beyond the trust bond within the family network, referring to the various possibilities for social participation, belonging to collective spaces, and engagement with public life, which correlate with members’ longevity and the reduction of violence (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Machado et al., 2023</xref>). The change perceived by interviewees regarding the quality of their relationship with culture and knowledge – which are related to and made possible by community ties – highlights the psychosocial implications for health strengthening that the creation and maintenance of meaningful connections can produce, experiences that are supported by other forms of interaction distinct from those guided by discrimination and prejudice, as illustrated in the following account:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>It makes a big difference being LGBT outside and being LGBT inside the settlement, in the field, within the MST. Outside, even if you… I don’t have the appearance, you know? When you have an effeminate appearance, you face a lot of discrimination – whether from colleagues, in your work environment, or with friends; whether you like it or not, prejudice exists (…). Here, I’ve never experienced any criticism about my sexual orientation, you know? On the contrary, I was welcomed. And here, no one tolerates speaking about an LGBT person, a lesbian, or a trans person. Here they are very welcoming and do not allow this… Not only LGBT people but also women, children… Inside here, we do not allow any act that is prejudiced, that is against a human being. We are human beings, and we need to respect each other.</p>
                        <attrib>(Interviewee L.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>The promotion and protection of individual and collective health are closely related to social participation (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>; Rosa &amp; Sandoval, 2022). In line with the concept of “ethical-political health” discussed by <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza and Sawaia (2016)</xref>, health is understood as the capacity for life and action fostered by positive encounters, a perspective that encompasses the dimension of affectivity and the dialectical nature of its historical and social constitution, recognizing that it is through collective struggle against subjugation that the common good is strengthened. This perspective seeks to overcome an individualistic reading of health. Rosa and Sandoval (2022) argue that the collective represents a space and context that promotes the capacity for action, and that political participation in social movements offers an opportunity for empowering and therapeutic moments to be experienced. The interviews revealed elements that closely align with these conceptions, reinforcing the claim that the individuals’ autonomy expanded throughout their experience in the camp.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Behaviors, Lifestyles, and Health</title>
                    <p>An important dimension of SDH concerns behaviors and lifestyles considered risky, such as poor diets, excessive alcohol or drug use, sedentary lifestyle, among others (<xref ref-type="bibr" rid="B07">CNDSS, 2008</xref>). In line with the focus of this article, the discussion will address behaviors and lifestyles that can be considered protective factors for health. According to the interviewees, joining the camp fostered progress in this regard: “We eat what the camp itself produces because the camp also grows healthy food, without chemicals. So, my health – I really can’t complain about it. It is very good” (Interviewee L.)</p>
                    <p>At various times, the interviewees spoke about improvements regarding access to quality food within the camp, a central factor in the production of health. In addition, one participant reported that he had been homeless before joining the Movement and stated that living at Marielle Vive and taking part in the MST brought about a positive change in his behaviors.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>I also spent a long time in <italic>Cracolândia</italic> (an area known for heavy drug use). I went through a very difficult time there. And thank God, when I’m here at the camp... For me, it was really good. Because I used a lot of chemicals, a lot of hard drugs... When I got here, this camp was my hospital (laughs) (...). Because I didn’t get involved with that anymore, you know? (...) Thank God I live peacefully here.</p>
                        <attrib>(Interviewee R.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>In addition to the abusive use of illicit drugs, it can be inferred from his account that before living in the camp, the interviewee was exposed to various situations of physical and psychosocial risk. However, through his participation in the Movement, he reports changes that he considers positive and even describes the community as a “paradise.” Community life at Marielle Vive is guided by the rules and organizational structure of the MST.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>So, everyone learns right from the start, when they enter through the gate. Because there we explain that here you can’t hit a woman; you have to show respect. There can’t be prejudice here in the camp; you can’t fight with one another over an argument. So there are rules.</p>
                        <attrib>(Interviewee L.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>Interviewee L. highlights the importance of these rules within the territory, which discourage violent and discriminatory behavior. Interviewee A., on the other hand, reported that in the camp she had the opportunity to care for her mental health through psychotherapy.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>There are also people who come here to provide care – the psychoanalysts, I don’t know exactly where they’re from, I just know they come here, from Campinas and the surrounding region. They’re allies. They come to offer care, and whenever they come, I’m here. They’ve really helped me a lot to work through all my conflicts and my inner struggles – things that didn’t originate in the MST. The MST was where I found refuge to forget about those things and to heal the wounds that my childhood and past brought me. So it’s here that I’m healing from those wounds.</p>
                        <attrib>(Interviewee A.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>Through her participation in the MST, the interviewee gained access to a health service she previously did not have. The camp provided her and others with the opportunity to adopt self-care behaviors through psychotherapy. In addition, there were accounts of how the community offered protection to its members during the COVID-19 pandemic (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Laurentino et al., 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Santos et al., 2021</xref>).</p>
                    <disp-quote>
                        <p>I wouldn’t feel safe if I were out there, because here inside, no. Here, everyone follows rules, but it’s not the kind of rule like: “You are obliged to do this.” No. They are rules conveyed through words, through teaching. Hand sanitizer, clean hands. So everyone does it. If anyone got that disease, it was very few people, because everyone needed to work, and without work, no one survives. So people had to take the bus, right? But here inside, no – I didn’t feel at all threatened by that disease.</p>
                        <attrib>(Interviewee E.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>The camp environment can foster and encourage health-promoting and protective behaviors. Beyond individual choices, the form of organization and organicity established by the MST contribute to the adoption of healthy behaviors and lifestyles that, prior to joining the camp, were less likely or even impossible due to the adverse and vulnerable contexts in which people lived. Several studies have shown that even in situations of severe deprivation and violations of rights, communities linked to the MST are capable of creating spaces and relationships of care and health (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Souza &amp; Sawaia, 2016</xref>).</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Political Praxis and Organicity: Social Determinants of Health, Protective Factors, and Praxical Transversality</title>
                    <p>From the interviews, another element drew attention for being directly related to the SDH and to protective factors: collective political organization. Authors such as <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gonçalves Filho (1998)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa (2017)</xref>, and <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2024)</xref> view engagement in social struggles by individuals and communities as something that can, among other effects, generate responses to suffering and strengthen protective factors. In this same vein, political praxis can be seen as a response to the goals proposed by authors such as <xref ref-type="bibr" rid="B19">Martín-Baró (1996)</xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B02">Arroyo &amp; Dobles (2020)</xref>, who discuss, among other things, the struggle for de-ideologization and the fight against institutionalized lies and fatalism. The <italic>Sistema Único de Saúde</italic> (SUS, Unified Health System), in its very principles, is grounded in a model that fosters popular participation through its councils and the system of conferences that underpin it.</p>
                    <p>The everyday experience of praxis – marked by varying degrees of engagement and obstacles – appeared to have a significant influence across several spheres of the interviewees’ lives, both in terms of how they saw themselves as subjects (individual and collective) capable of transformative action through organized collective work, and in their daily coexistence. In his interview, L. recounted:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>We learned a lot about respecting one another. We learned to live together, to value the collective, the organicity of building. You have nothing, and yet you build everything collectively, you know? Through organicity. So that proves that we’re capable of moving mountains without money. So, the time we’ve lived here so far has been very good.</p>
                        <attrib>(Interviewee L.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>From the organicity built within the camp, sociability itself begins to change. Decisions must be made collectively, which requires a certain method and is accompanied by ongoing education. Agreements are reached, and the community must uphold and engage with them so that decisions can materialize. Within the camp, participants engage in collective work oriented toward the common good – a collective “capable of moving mountains without money,” in L.’s words.</p>
                    <p>Likewise, a shift in perspective regarding the present and the future becomes evident. By overcoming traces of fatalism (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martín-Baró, 1996</xref>), the transformation of the present through collective work and the cross-cutting nature of praxis opens up new horizons for the future – new political projects that are more robust, collective, and hopeful. This dimension becomes quite clear in the statements by E. and R., below:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>This struggle means everything to us; it is our hope. It’s the hope we don’t have out there – it’s the hope we find here. The hope of being able to put beans on the table without paying so much, to have cassava, potatoes, lettuce, tomatoes. That’s the hope. Because when we go to the market, if we buy potatoes, we can’t afford tomatoes. If we buy tomatoes, we can’t buy cassava. If we buy beans, we can’t buy anything else, because it is too expensive out there. But not in here. Here, we plant those things. So we have them. We go to the garden, pick chives, lettuce, kale – that’s what the struggle means to me, you know? It’s very important, even though the struggle is hard – at times without water, or there’s water scarcity – but with the little we have, of the rainwater we collect to fill our containers, we water the plants and see them grow.</p>
                        <attrib>(Interviewee E.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <disp-quote>
                        <p>And if things don’t work out, the MST won’t leave anyone behind. The MST won’t abandon anyone.</p>
                        <attrib>(Interviewee R.)</attrib>
                    </disp-quote>
                    <p>In A.’s interview, this same perspective of a better future emerges for herself as a mother and for the children who live in the camp. In addition to the communal kitchen, the ciranda infantil (collective childcare spaces within the MST), and the activities designed for the children, the daily organization of community life has brought benefits to them. There is a shared sense of increased safety and of transformation regarding the responsibility for children’s development. Interviewee A. reflects that:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>It’s completely different. Here, they [her children] have freedom. (...) Then I started talking to them and explaining that this was a way for them to have a better future –that I wasn’t fighting just for myself, but that this battle I was part of was about their future. (...).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>The effects on health – as social determinants and as psychosocial protective factors stemming from political organization and the concrete possibilities that arise from it – can also be observed in other organizations and social movements beyond the struggle for land and agrarian reform. The praxis of organizing life and work in community can produce emotional bonds and feelings of identification among individuals and with the territory. It can even be a common feature shared by other organizations and social movements.</p>
                </sec>
            </sec>
            <sec sec-type="conclusions">
                <title>Final Considerations</title>
                <p>Based on the literature reviewed, the interviews conducted, and the proposed analysis, it is understood that the conditionts – both fostered by the territory and collectively built through the Movement’s internal organization – constituted protective health factors. These encompass living and working conditions, social and environmental relationships, and behavior and lifestyle, revealing the strengthening of people’s ties with the territory and with what has been developed there. Highlighting these factors, which compose the social determinants of health for this population, is relevant to supporting the defense of their right to remain in the territoryRecognizing the protective factors linked to remaining in the territory – both as a right and as a necessary step to strengthen them – can help reduce suffering and highlights the preventive role this strengthening can play.</p>
                <p>This was an exploratory, preliminary study. It used a small sample and focused on a specific territory. Thus, further studies are needed to address other experiences and deepen the theoretical discussion of the topics presented here.</p>
                <p>It is understood that, alongside documents addressing trauma, violence, and psychosocial risks, it is also necessary to produce knowledge focused on the protective factors present in these territories. Psychosocial opinions, assessments, and reports have proven highly relevant in revealing the many processes of rights violations in contexts of territorial and socio-environmental conflicts. This study supports the view that it is possible to demonstrate how life in certain communities is marked not only by severe deprivations of rights and major challenges but also by elements of care, prevention, and health promotion. In this way, it may be possible not only to demand full and legitimate reparation for individuals and peoples whose rights have been violated, but also to help prevent further and more severe harm and violence – such as the eviction of families from the Marielle Vive encampment. Therefore, further studies are recommended to further substantiate the contribution of psychosocial aspects in processes involving the implementation and strengthening of a popular and agroecological agrarian reform – a policy that is fundamental to fostering good living in Brazilian territories.</p>
            </sec>
        </body>
        <back>
            <fn-group>
                <fn fn-type="other">
                    <label>How to cite this article:</label>
                    <p>Rosa, L. A., Coelho, P. S., &amp; Tchalekian, B. B. A. (2025). Territory and psychosocial health: Producing protective factors in an encampment for the agrarian reform struggle. <italic>Estudos de Psicologia</italic> (Campinas), 42, e15271. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10-en.1590/1982-0275202542e15271en">https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15271en</ext-link></p>
                </fn>
                <fn fn-type="other" id="fn04-en">
                    <label>4</label>
                    <p>As these documents are part of judicial proceedings, their full texts and authorship will not be disclosed here.</p>
                </fn>
                <fn fn-type="other" id="fn05-en">
                    <label>5</label>
                    <p>For more information, see: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://agenciagov.ebc.com-en.br/noticias/202404/comunidade-krenak-recebe-primeira-reparacao-coletiva-do-pais">https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202404/comunidade-krenak-recebe-primeira-reparacao-coletiva-da-historia-do-pais</ext-link></p>
                </fn>
                <fn fn-type="other" id="fn06-en">
                    <label>6</label>
                    <p>In June 2021, the Federal Supreme Court had suspended, for a period of six months, all eviction and removal orders involving collective areas inhabited before the COVID-19 pandemic. At that time, the measure was based on the increased vulnerability that families would face amid the public health crisis caused by COVID-19. Although the suspension was originally set to expire at the end of 2021 – when the aforementioned study was conducted – it was later extended to March 31, 2022, and subsequently to October 2022. These extensions resulted from significant mobilization efforts by the MST, in coordination with other social movements, political parties, allied organizations, and civil society participation. In October 2022, the Federal Supreme Court lifted the suspension, thus authorizing eviction proceedings that would entail the removal of families from the camp and, consequently, the loss of their homes, collective gathering spaces, and sources of food production cultivated within the territory.</p>
                </fn>
            </fn-group>
            <sec sec-type="data-availability" specific-use="data-available-upon-request">
                <title>Data Availability</title>
                <p>The research data are available on request from the corresponding author.</p>
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