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            <journal-title>Estudos de Psicologia (Campinas)</journal-title>
            <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. psicol.</abbrev-journal-title>
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         <issn pub-type="ppub">0103-166X</issn>
         <issn pub-type="epub">1982-0275</issn>
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            <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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           <article-id pub-id-type="other">00203</article-id>
         <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1982-0275202542e15291pt</article-id>
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               <subject>DOSSIÊ | Psicologia, perícia psicossocial e direitos humanos coletivos</subject>
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            <article-title>Parecer psicológico em contexto de conflito socioambiental: experiências e desafios</article-title>
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            <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Rondônia</institution>
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            <institution content-type="original">Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Porto Velho, RO, Brasil.</institution>
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         <author-notes>
            <corresp id="c01">Correspondência para: L. A. F. Missiatto. E-mail: <email>leandro.missiatto@unir.br</email>. </corresp>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editor</label>
               <p>Antônio Euzébios Filho</p>
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            <fn fn-type="coi-statement">
               <label>Conflito de interesses</label>
               <p>Os autores declaram que não há conflitos de interesses.</p>
            </fn>
         </author-notes>
         <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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         <abstract>
            <title>Resumo</title>
            <p>Este artigo discute aspectos fundamentais na elaboração de parecer de especialista (parecer psicológico), no campo da psicologia social em demandas relacionadas à meio ambiente e direitos humanos, à luz da justiça ambiental, em situações de violações de direitos, exploração, opressão e marginalização da Natureza e dos povos e comunidades tradicionais. Trata-se de um artigo teórico, desenvolvido a partir de uma abordagem decolonial e materialista histórico-dialética, fundamentado na experiência dos autores residentes na Amazônia. Argumenta-se que esses pareceres podem considerar dimensões fundamentais, incluindo a sociocultural, a relação das comunidades com a Natureza e a interseccionalidade, além de enfatizar-se a importância da escuta, da escrita e da coescrita na produção desses documentos. Ressalta-se a necessidade de que o parecer psicológico vá além da formalidade da competência profissional, constituindo-se como uma ferramenta de resistência política e que contribui para a organização coletiva, capaz de fortalecer e revelar a complexidade das relações sociais e culturais em disputa. Por fim, indica-se que a psicologia social nesse contexto exige sensibilidade ética e política, bem como o compromisso com práticas emancipatórias, fortalecendo a construção de processos mais justos e inclusivos para comunidades e Natureza historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade.</p>
         </abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>Palavras-chave</title>
            <kwd>Amazônia</kwd>
            <kwd>Competência profissional</kwd>
            <kwd>Justiça ambiental</kwd>
            <kwd>Parecer de especialista</kwd>
            <kwd>Psicologia social</kwd>
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      <p>A Amazônia brasileira é um cenário de intensos conflitos decorrentes de disputas por apropriação e privatização de bens comuns, que são transformados em lucros concentrados por uma elite tradicional (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Salles, 2022</xref>). A terra, as águas e as florestas – enfim, as várias formas de vida e cultura que nelas prosperam – tornam-se reféns da insaciável ambição capitalista (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Ferdinand, 2022</xref>).</p>
      <p>O avanço capitalista sobre esse território tem produzido um cenário de morte em que os rios, que alimentam as terras amazônicas, são interditados pela construção de barragens e poluídos por metais pesados decorrentes da exploração desenfreada de minérios e pedras preciosas (<xref ref-type="bibr" rid="B36">I. Oliveira, 2023</xref>), enquanto as florestas são devastadas pelo avanço da fronteira agrícola (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Marques, 2023</xref>). Esses são alguns dos brutais processos político-econômicos que ignoram e subjugam as tradições milenares de povos e comunidades da Amazônia, impondo esquecimento e desvalorização a culturas diversas e ancestrais (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak, 2022</xref>). A Amazônia, portanto, é um território onde os embates entre diferentes formas de reproduzir-se socialmente têm se confrontado; um espaço de disputa sobre o passado, o presente e as perspectivas de futuro para a humanidade, em que as resistências coletivas unidas ao espírito incurvável da Natureza<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>, sustentada por suas(seus) guardiãs(ões), mantêm uma contínua luta pelo curso da vida planetária.</p>
      <p>Nesse cenário de devastação e subjugação, a lógica da mercantilização e do lucro, que alimenta a exploração desenfreada dessa região, beneficia as elites locais e internacionais enquanto perpetua impactos socioambientais negativos que afetam de maneira mais intensa as populações locais (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Capobianco, 2021</xref>). Vale destacar que a incessante expansão do agronegócio, acompanhada por outros empreendimentos industriais, não se limita à degradação ambiental: ela também catalisa o empobrecimento e a marginalização de comunidades<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref> e povos tradicionais e indígenas, que historicamente dependem da terra para sua sobrevivência e prática cultural (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Monteiro &amp; Bernardes, 2024</xref>).</p>
      <p>Os conflitos por terra não são simples questões territoriais: representam a cristalização de desigualdades profundamente enraizadas, em que o acesso aos territórios e aos bens comuns se torna um campo de luta entre os interesses econômicos das elites e os direitos das populações locais e da Natureza (<xref ref-type="bibr" rid="B51">R. G. C. Silva &amp; Dandolini, 2018</xref>). Nesse contexto, a terra é vista como uma mercadoria, em vez de um território que sustenta famílias, povos, comunidades e suas tradições. Como resultado desse conflito desigual, as populações locais enfrentam não apenas a perda de seus espaços, mas também mudanças subjetivas em suas identidades culturais, histórica e coletivamente constituídas (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Ferdinand, 2022</xref>). Essa dinâmica agudiza as precariedades já atuantes na região, em que as injustiças ambientais se entrelaçam com desigualdades sociais e econômicas, exacerbando tensões e conflitos na busca por uma convivência mais justa e sustentável (<xref ref-type="bibr" rid="B42">R. B. Ribeiro, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">A. B. Santos, 2023</xref>).</p>
      <p>Como resultado, os povos originários, as comunidades tradicionais e outros grupos que dependem diretamente do acesso aos territórios, tanto para a sua sobrevivência quanto para a manutenção de suas práticas culturais seculares, enfrentam um agravamento das vulnerabilidades já persistentes (<xref ref-type="bibr" rid="B50">M. R. S. Santos et al., 2017</xref>). Todavia, essas populações não assistem passivamente à expansão da degradação da Amazônia, ao contrário: sua resistência tem sido crucial para questionar o avanço do projeto devastador em curso. No entanto, o posicionamento daquelas(es) que lutam em defesa da Natureza e por justiça e equidade para os grupos marginalizados encontra-se em desvantagem nos conflitos socioambientais – como, por exemplo, nos processos tramitados no sistema de justiça brasileiro, em que as relações desiguais de poder político e econômico são predominantes.</p>
      <p>Dentro desse cenário, a psicologia social deve exercer um papel crítico. Sua intervenção, especialmente através da produção de documentos oficiais, pode assessorar o sistema de justiça ao fornecer análises contextuais que não apenas elucidam as dinâmicas de poder em jogo, mas também defendem a dignidade e os direitos das comunidades impactadas (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Moreira et al., 2024</xref>). Esses documentos são regulados pela Resolução nº 006/2019 do Conselho Federal de Psicologia (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), e, dentre eles, destaca-se o parecer psicológico em decorrência da sua importância em contextos de demandas coletivas.</p>
      <p>Conforme essa resolução, o parecer psicológico é um tipo de documento em que há um pronunciamento técnico por escrito cujo objetivo é oferecer uma análise fundamentada em resposta a uma questão-problema específica no campo da psicologia ou a documentos psicológicos que tenham sido questionados (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). Em sua essência, o parecer psicológico busca evidenciar e eliminar dúvidas relacionadas a um tema ou documento que impactam a decisão de quem o solicita; desse modo, constitui-se uma resposta a uma consulta formal (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>).</p>
      <p>Esse processo exige da(o) psicóloga(o) o domínio de conhecimentos especializados e a competência necessária para tratar do tema em questão, a fim de assegurar que a análise seja robusta e pertinente. Considerando as complexidades envolvidas em demandas socioambientais na Amazônia, este artigo teórico se concentra na seguinte questão: quais as dimensões fundamentais que os pareceres psicológicos devem considerar para contribuir com a promoção de justiça e equidade em situações que envolvem conflitos socioambientais?</p>
      <p>Pretende-se explorar a importância da elaboração de pareceres em casos que lidam com tensões socioambientais, destacando o papel da psicologia na busca por soluções que respeitem os direitos da vida (Natureza e humanidade) das populações afetadas. Para tanto, inicialmente, serão abordados os conceitos fundamentais que cercam a elaboração de pareceres e sua relevância no contexto de conflitos socioambientais. Em seguida, discutir-se-á, a partir das experiências dos autores, dimensões consideradas fundamentais para a produção de pareceres psicológicos em cenários com esse tipo de conflito.</p>
      <p>Como base epistemológica, adotou-se uma perspectiva crítica, apoiada no pensamento decolonial e no materialismo histórico-dialético, tendo em vista que essas abordagens permitem uma análise crítica das dinâmicas de poder e opressão que permeiam os conflitos socioambientais.</p>
      <p>Nesse sentido, concorda-se com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Grosfoguel et al. (2022)</xref> quando afirmam que, se nem todo projeto anti-imperialista pode ser definido como descolonial ou anticolonial, todo projeto descolonial/anticolonial deve se basear na premissa anti-imperialista – construída a partir da análise das relações político-econômicas da região, marcadas pela superexploração da força de trabalho e da apropriação violenta de bens naturais. Esse contexto exige, necessariamente, a articulação de lutas para sua superação. Assim, para os referidos autores, é impensável ser feminista, antirracista, descolonial, anticolonial, ecologista ou anticapitalista sem ser anti-imperialista. Eles compreendem que se as lutas não incluírem, em seu horizonte, a resistência anti-imperialista de forma articulada e em ampla coalizão acabarão sendo cooptadas pelo sistema imperialista – seja por meio do financiamento de debates contrários às insurgências, seja por apoio ao capitalismo verde ou violeta. Os autores estão, ainda, aliançados pela crítica radical do eurocentrismo, em que “Nuestro norte es el Sur” – lema produzido pelos movimentos anti-imperialistas do Sul global.</p>
      <p>Junto a isso, entende-se que o pensamento decolonial pode contribuir com a contraposição de narrativas hegemônicas e valorizar saberes subalternizados (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Bernardino-Costa et al., 2019</xref>), enquanto o materialismo histórico-dialético oferece análises sobre as relações entre o universal, o particular e o singular, unidos à estratégia para a superação das desigualdades, no sentido da emancipação (<xref ref-type="bibr" rid="B37">S. A. M. Oliveira, 2019</xref>). Juntas, essas concepções proporcionam um arcabouço teórico crítico capaz de enriquecer a prática psicológica, permitindo que os pareceres sejam não apenas uma formalidade técnica, mas instrumentos que podem contribuir para a mudança social e a promoção de justiça para as comunidades e a Natureza afetadas.</p>
      <sec><title>Conceitos Fundamentais</title>
      <p>A psicologia social, como campo científico e prático comprometido com a dignidade humana, constrói análises e intervenções entre o subjetivo e o objetivo e estrutural. Laudos, relatórios, notas técnicas e pareceres psicológicos emergem como instrumentos de intervenção crítica (<xref ref-type="bibr" rid="B49">M. L. G. Santos &amp; França, 2023</xref>), capazes de desvelar dinâmicas de opressão em cenários complexos, sobretudo em contextos amazônicos, onde a vida pulsa em meio a conflitos geopolíticos. Dentre esses documentos, destaca-se o parecer psicológico, cuja relevância reside na capacidade de articular análises contextuais densas e demandas coletivas, transformando-se num dispositivo ético-político para contestar narrativas hegemônicas.</p>
      <p>Regulamentada pela Resolução nº 006/2019 do Conselho Federal de Psicologia, a produção documental psicológica adquire contornos precisos: o parecer se define como um pronunciamento técnico fundamentado, elaborado para esclarecer questões que demandam domínio da ciência psicológica, sem derivar de avaliações individuais (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). Nesse sentido, o parecer atua como uma análise crítica de cenários, pautando-se em evidências científicas, normativas legais e princípios éticos para responder a consultas formais do sistema de justiça, individuais ou de instituições públicas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). Sua força está na habilidade de desnaturalizar violências, deslocando o foco de “casos isolados” para articulá-los com as estruturas sistêmicas que perpetuam as desigualdades e as injustiças.</p>
      <p>Alinhado ao “Código de ética profissional do psicólogo”, que em seu princípio fundamental defende a atuação profissional por meio da promoção da “liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2005</xref>, p. 7), o parecer psicológico materializa o compromisso social e ético da categoria. Esse documento ainda é norteado pelo dever da(o) psicóloga(o), que deve atuar com vistas a fomentar a saúde e a qualidade de vida tanto de pessoas quanto de grupos, além de colaborar para a erradicação de quaisquer manifestações de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2005</xref>). Sob essas perspectivas, é possível afirmar que em conflitos como os enfrentados por ribeirinhos, pressionados pela construção de grandes empreendimentos, ou por indígenas e camponeses, contaminados por agrotóxicos ou ameaçados de expulsão dos territórios que habitam pela grilagem de terras, o parecer não pode se limitar a descrever impactos psicossociais como categorias acadêmicas, mas deve ser um documento capaz de desvelar assimetrias de poder, redes complexas de opressão e invisibilidades produzidas por estruturas de poder, além de registrar o protagonismo de comunidades e da Natureza violadas.</p>
      <p>Desse modo, o parecer é uma ferramenta crucial de tradução epistemológica da realidade. Essa função de tradução é essencial, pois permite que vivências frequentemente apagadas ou marginalizadas, como o luto por um rio assassinado, a dor pela perda de um espaço sagrado ou os sofrimentos resultantes da desterritorialização, sejam convertidas numa linguagem técnica que pode ser reconhecida e valorizada para a promoção da justiça.</p>
      <p>Ao fazer essa conversão, o parecer não apenas legitima experiências, conhecimentos e emoções das comunidades afetadas, mas também contribui para a construção de análises que podem influenciar ações jurídicas, políticas e organizativas. Nesse aspecto, a escrita técnico-científica, que deve orientar toda a produção do documento (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), torna-se um trampolim para sustentar argumentos, mas não para tornar os relatos inacessíveis à população. Dessa forma, ele serve como um meio de amplificação das vozes daquelas(es) que, muitas vezes, são silenciadas(os) em processos decisórios que afetam diretamente suas vidas e seus ambientes (<xref ref-type="bibr" rid="B48">B. S. Santos &amp; Meneses, 2017</xref>). Além disso, ao estabelecer um diálogo entre saberes populares e conhecimentos técnicos, o parecer promove uma intersecção fundamental entre diferentes formas de conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Antonoff et al., 2023</xref>) e contribui para uma compreensão mais holística, coerente e justa dos conflitos socioambientais. Essa articulação é vital para a busca de soluções que respeitem tanto os direitos humanos quanto os direitos da Natureza, promovendo uma abordagem mais integrada e equitativa.</p>
      <p>Compreende-se, deste modo, que os conflitos não podem ser concebidos apenas por um viés normalista de divergência de interesses, pois são expressões de um projeto civilizatório predatório, no qual a exploração da Terra e do trabalho e a opressão de grupos subalternizados se entrelaçam. Aqui, são considerados conflitos socioambientais as disputas sociais relacionadas ao meio ambiente; ou seja, a apropriação de recursos por governos, empresas privadas e elites locais e internacionais que intensificam a exploração e a opressão entre diferentes grupos, baseados nas desigualdades e assimetrias vinculadas a gênero, classe, raça e etnia, regionalidade, entre outras (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Rincón-Ruiz et al., 2019</xref>). Esses conflitos emergem, por exemplo, quando atividades de mineração, monocultivos, hidrelétricas ou grilagens de terras avançam sobre territórios ancestralmente ocupados, gerando violências que transcendem a dimensão ambiental: são verdadeiras feridas abertas no corpo social e da Natureza, marcadas por deslocamentos forçados, contaminação de rios, criminalização de lideranças e assassinato de defensoras(es) de direitos humanos e da Natureza e pelo apagamento de identidades culturais.</p>
      <p>Na Amazônia, epicentro dessas tensões, exemplos emblemáticos revelam a brutalidade do padrão hegemônico de dominação. O massacre do povo Yanomami, em Roraima, onde o garimpo ilegal contaminou rios com mercúrio – intoxicando crianças e idosas(os) – as violências e a negligência do Estado revelam mais que um crime ambiental; um “ecocídio” em que humanas(os) e Natureza são exterminadas(os) pelo projeto capitalista desenvolvido na região (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Basta, 2023</xref>). Já o avanço do agronegócio sobre o Cerrado Amazônico, queimando o planalto para o cultivo de soja, ilustra como a “modernização” se alimenta do sangue de comunidades quilombolas que são obrigadas a testemunhar a esterilização de solos sagrados (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Souza &amp; Chaveiro, 2019</xref>). Não menos grave é o caso de Altamira, no Pará, onde a usina de Belo Monte inundou laços afetivos entre ribeirinhos e o Rio Xingu, substituindo redes de pesca e rituais por lagos artificiais e depressão coletiva (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Fainguelernt, 2020</xref>).</p>
      <p>Nesse sentido, a elaboração de pareceres psicológicos em contextos socioambientais exige mais que domínio teórico: demanda a participação, por tempo estendido, no cotidiano do território, o que possibilita a convivência com os moradores e a compreensão dos sentidos e significados atribuídos pela comunidade à vida produzida naquele local. Junto a isso, requer a escuta atenta, acolhedora e responsável, inclusive das entrelinhas do dito, que capta o que nem sempre é expresso verbalmente, mas é sentido como dor latente pelos sujeitos. A elaboração desses pareceres busca, portanto, compreender o que não foi descrito na academia, mas que é vivenciado por quem tem sofrido graves golpes efetivados pela mão do Estado e dos interesses privados, e a habilidade de transpor para a escrita os elementos marcantes que estão envolvidos nos conflitos. No caso dos autores deste trabalho, essas habilidades vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos de atuação como psicóloga e psicólogo na Amazônia, tanto no campo jurídico, onde os conflitos se judicializam, quanto na academia, por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão.</p>
      <p>Portanto, as reflexões que se seguem nascem dessa experiência concreta de quem vive na Amazônia – um lugar ímpar em que grandes embates e contradições desafiam sua gente constantemente. Com essa terra e seus dilemas, aprendeu-se a analisar as realidades socioambientais com lentes apresentadas por seus povos, sua cultura e Natureza. Não há roteiro fixo, apenas apontamentos que ensejam contribuir com profissionais da psicologia social que atuam com a produção de pareceres psicológicos em face de conflitos socioambientais. Reconhece-se que os contextos no território amazônico são plurais; um verdadeiro caleidoscópio de dinâmicas únicas, em que vários elementos se cruzam em interseccionalidades próprias, gerando invisibilidades e demandas que exigem sensibilidade e comprometimento profissional. Assim, propõe-se algumas dimensões consideradas importantes na elaboração desse tipo de documento, tendo em vista o compromisso da psicologia com todas as formas de vida.</p>
      </sec>
      <sec><title>Dimensão Sociocultural</title>
      <p>Compreender as dinâmicas sociais e culturais em conflitos socioambientais exige uma análise das relações materiais de produção que definem a vida na Amazônia. Na perspectiva do materialismo histórico-dialético, a maior cobertura florestal do planeta não é apenas um bioma, mas um território de lutas de classes, onde a acumulação capitalista se choca com modos de vida tradicionais, revelando contradições insolúveis dentro do sistema vigente (<xref ref-type="bibr" rid="B52">T. S. Silva et al., 2023</xref>). Cada elemento cultural e cada disputa territorial é um reflexo da dialética entre forças produtivas e relações sociais, entre a mercantilização da vida e a resistência dos que lutam para não serem reduzidos à mão de obra barata (<xref ref-type="bibr" rid="B37">S. A. M. Oliveira, 2019</xref>).</p>
      <p>O trabalho da(o) parecerista consiste em entender e registrar nuances complexas dessas relações de disputas. A partir da experiência dos autores deste artigo percebe-se que alguns caminhos podem tornar essa atividade menos hercúlea na prática. O primeiro deles é o “caminho da linguagem”.</p>
      <p>Partindo da premissa de que a linguagem é um elemento que integra a superestrutura, em que instituições, ideologias e aspectos culturais e políticos da sociedade se erguem sobre a base econômica (infraestrutura), nela se expressam e se reproduzem, também, as relações de dominação (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Marx &amp; Engels, 1932/2007</xref>). Deve-se ficar atento a termos como “desenvolvimento”, “competitividade em mercado” ou “recursos naturais”, usados como armas ideológicas que naturalizam o roubo, as violências, as opressões e a exploração e camuflam as mazelas geradas pelo avanço capitalista. Enquanto isso, as comunidades ribeirinhas vivenciam e descrevem o rio como “a vida da comunidade”. A diferente forma de se apropriar, se relacionar e se expressar revela a imensa contradição entre o sentido ecocêntrico (água como sujeito de direitos e de relação interdependente com a comunidade) e o valor de troca (água como <italic>commodity</italic>).</p>
      <p>O parecer psicológico deve expor essa luta prática e semiótica entre as diferentes formas de apropriação e uso do território e dos bens comuns, como fez Marx ao analisar o fetichismo da mercadoria (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Marx, 1867/2023</xref>). Nesse sentido, os ouvidos atentos das(os) pareceristas devem captar diferenças e contradições: termos como “recurso” deixam de ser meras palavras para se tornarem a chave de acesso a modos históricos de exploração do trabalho humano e não humano. Essa linguagem, no entanto, também se expressa pelos silêncios: a violência gera interdições de narrativas, seja devido aos riscos de denunciar ou à dor intensa que isso pode causar (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Spivak, 1985/2018</xref>). A(o) psicóloga(o) deve estar atenta(o) à dinâmica daquilo que não se consegue dizer ou que não pode ser dito, oferecendo suporte – sem, contudo, fazer promessas de segurança ou garantias sobre os resultados do processo. É fundamental respeitar e considerar que, infelizmente, a Amazônia é uma região onde a vida tem um valor baixo e, em muitos casos, os conflitos ainda são resolvidos à bala – como evidenciado pelos massacres de Corumbiara, em Rondônia (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Mesquita, 2011</xref>), e do Eldorado dos Carajás, no Pará, e pelo aumento alarmante de perseguições e assassinatos de lideranças na região, que é a mais letal do Brasil para esses sujeitos, conforme a Comissão Pastoral da Terra (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CPT, 2024</xref>).</p>
      <p>Outro caminho importante é a “memória coletiva”, terreno de resistência de povos e comunidades tradicionais de seus modos de vida e identidades culturais e contra a alienação. Nas narrativas orais dos povos indígenas e quilombolas, ou nas rezas das benzedeiras ribeirinhas, flui a história das classes subjugadas, preservadas contra o apagamento colonial (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Mignolo, 2003</xref>). A mineração, a construção dos grandes empreendimentos e o avanço da fronteira agrícola privatizam territórios, limitam o acesso a bens comuns, destroem sítios arqueológicos e lugares sagrados (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Garnelo et al., 2023</xref>) e efetivam a lógica da acumulação primitiva descrita por <xref ref-type="bibr" rid="B27">Marx (1867/2023)</xref>, em que a separação violenta da(o) trabalhadora(o) de seus meios de subsistência degrada uma dimensão de transformação da humanidade e o desenvolvimento de sua história, vida e sentidos a partir do trabalho. O parecer deve denunciar o que é chamado de “expropriação capitalista da memória” como etapa da exploração de pessoas, territórios e Natureza.</p>
      <p>A expropriação capitalista da memória pode ser entendida como expressão do processo de mudança objetiva das relações entre as pessoas, com o território e a Natureza, em que modos de vida são forçadamente reorganizados pelos abalos decorrentes da colisão entre memórias, narrativas, práticas e projetos globais com os de natureza local no modo descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B32">Mignolo (2003)</xref>, tendo um profundo impacto na memória coletiva. Nesse sentido, o conflito socioambiental não suscita apenas o embate material dos direitos, mas também afeta a dimensão simbólica e subjetiva da memória coletiva. Essa memória, que deveria servir como um meio de resistência e preservação da identidade de comunidades marginalizadas, é violada na base em que é sustentada e no cotidiano em que é produzida e compartilhada (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Arruda et al., 2023</xref>).</p>
      <p>Esse processo pode ser verificado na prática quando, por exemplo, as narrativas históricas de povos indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas são ameaçadas por grandes empreendimentos capitalistas que priorizam lucros em detrimento da ancestralidade e da experiência coletiva dessas comunidades. A memória, nesse contexto, é tratada como um recurso a ser explorado, em que apenas as lembranças que favorecem a mercantilização e a lógica de acumulação primitiva são valorizadas. Qualquer forma de recordação que não alimente essa lógica, que não se encaixe na narrativa do desenvolvimento capitalista, corre o risco de ser silenciada ou desqualificada, o que leva ao apagamento de histórias e traumas que não se alinham com os interesses econômicos dominantes. Assim, a expropriação capitalista da memória reforça a alienação, transformando a narrativa da história num ativo econômico que perpetua a desumanização dos que habitam esses territórios, enquanto a cultura e a história desses povos são negligenciadas e expostas ao esquecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Missiatto, 2021</xref>). A resistência, portanto, se torna um ato de reafirmação da identidade e uma luta constante contra a desvalorização da memória coletiva, essencial para a construção de um futuro justo e equitativo.</p>
      <p>É importante que a(o) parecerista analise esse contexto não apenas como uma questão de perda cultural local, mas como um fenômeno complexo que remete a um arco histórico e a relações de desigualdades e resistências que entrelaçam a história local com a global. A expropriação capitalista da memória deve ser analisada numa perspectiva ampliada, pois vai além de considerar a memória como uma mera recordação afetiva do povo local – sendo entendida como integrante da História, um direito e um ato político que estão profundamente entrelaçados com a luta contra sistemas de opressão que transcendem fronteiras. Quando sistemas de poder conflitam com os interesses de povos e comunidades tradicionais, agem para marginalizar suas práticas culturais. A desqualificação da memória coletiva tem como objetivo reduzir a importância dessas histórias a anedotas locais, desconsiderando seu valor intrínseco (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Pollak, 1989</xref>).</p>
      <p>Outro caminho de análise parte de “considerações e identificações dos vários tipos de desigualdades nas relações”. Compreende-se como desigualdades nas relações as assimetrias de poder impostas à sociedade em que os direitos e o acesso a meios de vida e às instituições públicas ocorrem de modo desigual entre as classes sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Losurdo, 2018</xref>). Esses desnivelamentos acontecem não apenas entre grupos com interesses opostos, mas também de forma intragrupos – como, por exemplo, a desigualdade de gênero numa comunidade. Nesses casos, as mulheres enfrentam barreiras adicionais para acessar recursos e participar de decisões; a falta de equidade se torna um elemento crucial a ser considerado (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Davis, 1981/2016</xref>).</p>
      <p>Essas dinâmicas são essenciais para a compreensão das estruturas de opressão, pois os próprios sistemas opressivos exploram essas vulnerabilidades para desarticular a cooperatividade das pessoas marginalizadas, isolando suas lideranças e corroendo de forma sutil, mas eficaz, a coesão interna dessas comunidades. Essa fragmentação sobrecarrega seus interesses coletivos, desestruturando sua força de defesa e reivindicação, enquanto o poder é conquistado sem que os sistemas opressivos precisem “sujar suas mãos”. Reconhecer essa intrincada rede de hierarquia nas relações sociais e sua instrumentalização pelos sistemas de opressão é fundamental para pensar em estratégias que sejam capazes de fortalecer a solidariedade e a resistência entre as pessoas marginalizadas, promovendo uma luta coletiva mais eficaz e consciente.</p>
      </sec>
      <sec><title>Dimensão da Relação com a Natureza</title>
          <p>Em territórios afetados por conflitos socioambientais, a relação entre comunidades tradicionais e a Natureza não se resume a uma conexão utilitária; ao contrário, é uma ontologia viva, um pacto ancestral que constitui modos de vida, identidade, memória e existência. Para os povos e comunidades tradicionais, a Natureza não é “meio ambiente”; é corpo extensivo, sujeito de direitos e lugar de saberes – sentidos encontrados nas análises de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Mariátegui (1928/2018)</xref> sobre a perspectiva “indo-americana” dos povos ameríndios. Reduzir, nos pareceres, essa complexidade a “recursos naturais” é compactuar com o epistemocídio, o assassinato de saberes outros.</p>
      <p>No plano filosófico, a crítica de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak (2022)</xref> ao antropocentrismo ilumina a urgência de descolonizar a linguagem técnica. Enquanto a ciência ocidental descreve a Natureza como objeto a ser dominado, os povos originários a experienciam como rede de reciprocidade (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak, 2022</xref>). O rio envenenado por um garimpo, portanto, não é apenas crime ambiental, é a ruptura de um diálogo milenar; uma amputação simbólica que gera o que <xref ref-type="bibr" rid="B01">Glenn Albrecht et al. (2007)</xref> chamam de “solastalgia”: a nostalgia de um lar ainda habitado, mas irreconhecível.</p>
      <p>Sustentado por referenciais como a ecologia de saberes (<xref ref-type="bibr" rid="B47">B. S. Santos, 2007</xref>), o documento deve revelar como a degradação ambiental corrompe práticas ontológicas: a pesca não é só subsistência, mas um ritual de escuta das marés; o plantio não é um mero cultivo, mas uma cerimônia de diálogo com os ciclos da chuva e da seca. Ao negligenciar essas dimensões, o direito frequentemente naturaliza danos – como no caso da hidrelétrica de Belo Monte, em que a inundação de sítios sagrados foi tratada como “perda de área”, não como desmantelamento de cosmogonias (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Fainguelernt, 2020</xref>).</p>
      <p>Aqui, a psicologia encontra a filosofia de <xref ref-type="bibr" rid="B04">Bachelard (1989)</xref>, segundo a qual o espaço não é neutro, mas uma matriz de afetos. O parecer, ao descrever, por exemplo, como uma comunidade associa o desaparecimento da força do guerreiro-humano ao adoecimento de uma espécie de árvores cujas sementes curam febres, está mapeando um sistema vivo territorial no qual a saúde de pessoas e a saúde ecológica são indivisíveis. Ignorar isso é omitir que, para muitos povos, a depressão não está na mente, mas na terra ferida, ameaçada e/ou roubada.</p>
      <p>Para capturar essa relação, o parecer precisa de uma linguagem que compreenda a ambiguidade do real: técnica o suficiente para ser reconhecida pelo judiciário, mas sem perder a complexidade presente nas vivências e na linguagem das pessoas que se relacionam com profundo afeto, respeito e reciprocidade com a Natureza. Para obter esse feito, três eixos interligados são sugeridos:</p>
      <list list-type="order"><list-item><p>Cartografias afetivo-volitivas: mapear pontos de conexão significativa que articulam as histórias pessoais, coletivas e territoriais (por exemplo: igarapés onde crianças aprendem a nadar, clareiras de rituais, árvores que abrigam histórias de amor). Apresentar de que maneira as relações, as atividades e a comunicação entre as pessoas e esses elementos são partes fundamentais na constituição da identidade cultural desses sujeitos, de suas práticas sociais, de sua memória e história, de experiências passadas e presentes e de prospecção de um futuro para si, sua família e a comunidade, integrando, assim, uma força que é pessoal e coletiva. Apontar os desdobramentos que a destruição ou transformação desses pontos de conexão podem gerar, como o desenraizamento existencial e cultural, pessoal e coletivo.</p>
      </list-item>
      <list-item><p>Tradução simbólica: converter termos como “biodiversidade” em narrativas vivas. Ao invés de “espécies ameaçadas”, apresentar as expressões utilizados pela comunidade, como visto: “as(os) filhas(os) da floresta que estão sendo silenciadas(os)”. Não se trata apenas de uma mudança de termos, mas de respeito ao povo e à sabedoria local. Nesse sentido, a escrita convoca o parecerista a descolonizar duplamente: primeiro porque é disruptiva das estruturas coloniais que sufocam os saberes subalternizados, segundo porque fala tanto à mente quanto ao coração.</p>
      </list-item>
      <list-item><p>Denúncia da coisificação da vida: utilizar a crítica que propõe o ecocentrismo<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref> em contraposição ao antropocentrismo para denunciar projetos desenvolvimentistas que concebem os rios como meros “corpos hídricos”, destituídos de história, e as comunidades como “população residual”, desprovidas de prerrogativas. Nesse contexto, é fundamental tratar a Natureza como um sujeito de direitos, reconhecendo sua importância e seu valor intrínsecos.</p>
      </list-item>
      <p>Veja um exemplo hipotético de uma escrita em parecer psicológico que incorpora os três eixos citados:</p>
      </list>
      <p>“A comunidade ribeirinha do Rio Floresta, cujas vidas se entrelaçam com os ciclos das águas há gerações, enfrenta hoje o desmantelamento de sua geografia sagrada (tradução simbólica). As águas desse rio são fonte de memória para os(as) ribeirinhos(as); é ali que as crianças aprendem a nadar ouvindo histórias ancestrais, em que os meninos pescam com seus pais antes que o sol se levante (cartografias dos afetos). (…) Todos esses elementos demonstram que o Rio Floresta não é um canal de água, mas um parente daquela comunidade ribeirinha, cujo corpo líquido é tão sagrado quanto o de cada um dos humanos que nele se banha, bebe, come e vive. Tratar esse rio apenas como um estoque mineral é um crime contra eles e contra cada ser vivo que dele depende (denúncia contra a coisificação da vida)”.</p>
      </sec>
      <sec><title>Dimensão da Interseccionalidade</title>
      <p>Os conflitos socioambientais não são monocromáticos. Na verdade, estão longe disso: são complexos labirintos de opressão e exploração que se expressam de forma entrelaçada, onde raça, gênero, classe e desigualdades regionais se fundem em dinâmicas sofisticadas de violências estruturais (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Crenshaw, 1989</xref>). Nesse contexto, a abordagem interseccional é imprescindível para uma compreensão precisa e para a análise dessas realidades.</p>
      <p>A interseccionalidade, enquanto conceito acadêmico, foi proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Crenshaw (1989)</xref> e radicalizada por pensadoras como <xref ref-type="bibr" rid="B10">Colins (2024)</xref>. Essa categoria analítica revela que a dor das comunidades amazônicas não pode ser compreendida em fragmentos: ela é uma geografia de hierarquias sobrepostas em que ser mulher, indígena, ribeirinha e pobre não soma vulnerabilidades, mas as multiplica numa cartografia de negligências. O parecer psicológico, nesse contexto, deve ser um detector de naturalizações, capaz de decifrar como o racismo ambiental, o patriarcado extrativista e outras formas de opressão e exploração se articulam para silenciar corpos já marcados por violências históricas.</p>
      <p>A interseccionalidade exige que a(o) parecerista adote a perspectiva do rizoma – redes abertas e conectáveis dos sistemas de exploração – proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Deleuze e Guattari (1980/2011)</xref>, segundo a qual as opressões agem como raízes subterrâneas que nutrem a mesma árvore de poder. É uma escuta que não se contenta com o dito, mas que analisa o que é sussurrado, o que é chorado à beira dos direitos, o que é calado por medo de represálias.</p>
      <p>É importante considerar que a interseccionalidade não é uma mera conjunção de eixos, mas uma potente metodologia de desvelamento que expõe como os sistemas de dominação se alimentam mutuamente (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins, 2019</xref>). Na Amazônia, por exemplo, a construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, localizada em Porto Velho (RO), a quinta maior em atividade no Brasil, não afetou igualmente todas as pessoas: enquanto homens brancos negociavam indenizações, mulheres negras ribeirinhas, responsáveis pela produção de alimentos, enfrentavam a tripla carga de desterritorialização, sobrecarga de trabalho reprodutivo e risco de violência sexual em acampamentos de obras (<xref ref-type="bibr" rid="B41">A. M. Ribeiro &amp; Moret, 2014</xref>). Ignorar essa dinâmica é naturalizar a epistemologia da exclusão, que trata comunidades impactadas como massa homogênea, apagando corpos que carregam o peso do mundo em costas já curvadas pela história.</p>
      <p>Identificar quem, dentro da comunidade, está na linha de frente da precariedade é um passo crucial para entender as dinâmicas de injustiça social e ambiental que permeiam determinadas situações. No contexto de contaminação por agrotóxicos, por exemplo, os impactos são desproporcionalmente sentidos por grupos vulneráveis, como crianças indígenas e mulheres. Esse fenômeno de desigualdade e vulnerabilidade pode ser analisado à luz do conceito de “matriz de dominação”, proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins (2019)</xref>, que se refere à intersecção de múltiplas estratégias de opressão que se manifestam em diferentes contextos sociais, como raça, classe, gênero e etnicidade. <xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins (2019)</xref> argumenta que essas intersecções não apenas afetam as experiências de indivíduos e grupos, mas também estruturam a própria dinâmica de poder e privilégios dentro da sociedade.</p>
      <p>Faz-se necessário questionar narrativas que reduzem impactos a “efeitos colaterais do progresso”. Quando um relatório empresarial afirma, por exemplo, que “50 famílias foram reassentadas”, o parecer deve perguntar: quantas dessas famílias eram chefiadas por mulheres? Qual a assistência psicológica continuada deve ser oferecida para auxiliar na elaboração do luto pelo território perdido? Como o novo local possibilita meios de representação da cultura e relações territoriais que integram a vida dessas famílias? Mesmo que o novo local dê acesso à escola e a postos de saúde, é importante saber se essas instituições foram preparadas para acolher os novos membros e como atuarão na perspectiva de respeito à sua dor, com formas de ressignificação e dinâmicas de garantia de expressão cultural.</p>
      <p>Um exemplo ilustrativo de texto de parecer sobre uma comunidade quilombola impactada por mineração:</p>
      <p>“O Projeto Ferro, instalado no coração do Quilombo do Rio Preto, opera uma violência que não se limita à terra. Enquanto os rios são envenenados por rejeitos, as mulheres quilombolas, guardiãs das sementes crioulas e dos ritos de cura, veem-se duplamente atingidas: além de perderem roçados sagrados (base de sua autonomia econômica), são estereotipadas como ‘ignorantes’ por recusarem indenizações irrisórias (interseccionalidade marcada pela opressão de gênero + racismo ambiental + apagamento de saberes tradicionais). Já as(os) jovens, pressionadas(os) a migrar para centros urbanos, enfrentam a precarização das condições de vida e o estigma de serem significadas(os) como ‘negras(os) periféricas(os)’ nas cidades, perdendo o pertencimento étnico que as(os) vinculava ao território quilombola (interseccionalidade marcada pelo etarismo + racismo estrutural + desenraizamento cultural)”.</p>
      <p>Analisar interseccionalidades é entender que a mesma mão que despeja rejeitos tóxicos no Rio Doce assina políticas que negam creches a mães indígenas, ignoram a mortalidade negra por COVID-19 e vetam cotas raciais em universidades. O parecer psicológico, portanto, não é apenas um laudo: é a denúncia de um sistema que oprime a vida em suas múltiplas formas e, ao mesmo tempo, é o fortalecimento da resistência que, mesmo nas frestas, insiste em florescer.</p>
      </sec>
      <sec><title>Dimensão da Escuta, Escrita e Coescrita</title>
      <p>A elaboração de pareceres psicológicos em contextos de conflito socioambiental exige técnica, mas também demanda algo que vai além das habilidades de análise, compreensão e escrita: necessita de uma escuta que respeite genuinamente os sujeitos, abrace silêncios e questione hierarquias (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Maynart et al., 2014</xref>). A escuta respeitosa, acolhedora e responsável não é um método, mas uma postura ética; trata-se de um ato de ouvir e orientar as intervenções e reconhecer que as histórias das comunidades são rios subterrâneos de saber, muitas vezes bloqueados pela represa do medo ou da desconfiança gerados pelas violências históricas (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Maynart et al., 2014</xref>). Já a “linguagem simplificada” não significa simplificação, mas tradução cuidadosa de complexidades, rompendo com o pragmatismo linguístico que transforma termos técnicos em grades que aprisionam significados (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Prefeitura de São Paulo, 2020</xref>). Por fim, a coescrita com pessoas vulnerabilizadas é um ato político, pois o parecerista recusa o lugar de “especialista que fala por” para assumir o papel de aquele que coopera com as narrativas de pessoas protagonistas de suas próprias histórias, nas quais palavras da ciência e da vivência se entrelaçam sem apagamentos.</p>
      <p>A escuta respeitosa e responsável é uma prática disruptiva, inspirada na vida de povos e comunidades tradicionais que se organizam secularmente por meio da cooperação e da horizontalidade das relações. Envolve criar espaços seguros, como rodas de conversa sobre experiências e desafios vividos por humanos e Natureza ou assembleias em varandas de casas de família nas quais as pessoas não sejam “entrevistadas”, mas narradoras de suas próprias vivências (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Dias, 2024</xref>). Em regiões de conflito, onde lideranças são ameaçadas e perseguidas, essa escuta exige cuidado e atenção ao decifrar metáforas (por exemplo: “o rio está doente” pode significar contaminação por agrotóxicos) e coragem para acolher o não dito (o tremor nas mãos de uma anciã ao lembrar-se do dia em que tratores invadiram seu roçado). Aqui, a psicologia dialoga com a fenomenologia de <xref ref-type="bibr" rid="B30">Merleau-Ponty (1945/2018)</xref>: o corpo expressa enraizamento no mundo, e o parecerista deve ler suas pausas, olhares e lágrimas como textos sagrados.</p>
      <p>A Resolução CFP nº 06/2019 exige clareza (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), mas a linguagem simplificada vai além e diz respeito à democratização dos saberes (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Roedel, 2024</xref>). Em pareceres sobre conflitos socioambientais, termos como “ansiedade generalizada” podem ser substituídos por “a vida da comunidade está abalada, o coração do povo pulsa acelerado, com o medo que avança sobre seus moradores”. Não se trata de romantização, mas de respeito às cosmopercepções locais, que entendem saúde como convivência comunitária e troca com a floresta. A escrita deve ser tão acessível quanto um rio, fluindo sem obstáculos para que ribeirinhos, juízes e adolescentes possam navegar nela.</p>
      <p>A coescrita é a “pedagogia do oprimido” aplicada à psicologia (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 1968/2019</xref>): em vez de documentos redigidos em gabinetes com ar-condicionado, propõe processos participativos nos quais quilombolas, indígenas e pescadores revisam rascunhos e sugerem ajustes. A coescrita compartilha o poder entre seus participantes: a(o) psicóloga(o) não é o “autora/autor”, mas um mediadora/mediador de vozes, garantindo que expressões como “a dor da terra” não sejam substituídas por “depressão coletiva” nos documentos finais. Assim, a escrita em conjunto traduz, de forma mais coerente e próxima às vivências dos sujeitos, seus enfrentamentos e demandas.</p>
      <p>Em resumo, escutar de forma acolhedora, escrever de maneira simplificada e produzir em conjunto não são apenas técnicas, mas gestos que reivindicam reparação histórica. Um parecer que se baseia nesses princípios é como uma semente plantada no solo duro das instituições de poder, que com frequência reduzem vidas a números e simplificam questões socioambientais em normas jurídicas. Embora possa demorar, essas sementes podem fazer a diferença caso estejam articuladas com a organização coletiva e política dos povos e comunidades – uma vez que instrumentalizem suas lutas dentro e fora dos territórios. Um dia, esses povos e comunidades farão o concreto fissurar e serão a força motriz para uma nova forma de justiça.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions"><title>Considerações Finais</title>
      <p>Este artigo teve como pergunta norteadora: quais as dimensões fundamentais que os pareceres psicológicos devem considerar para que sejam capazes de contribuir para a promoção de justiça e equidade em situações que envolvem conflitos socioambientais? O objetivo foi apresentar orientações para a elaboração de pareceres psicológicos em contextos que lidam com essas tensões, destacando o papel da psicologia como uma ferramenta de apoio na luta por justiça social, dignidade e direitos da vida (Natureza e humanidade).</p>
      <p>Ao longo deste texto, discutiu-se conceitos considerados relevantes para a área de atuação. Em seguida, com base na prática profissional, abordou-se algumas dimensões significativas na elaboração de documentos relacionados a conflitos socioambientais, fundamentando reflexões no pensamento decolonial e no materialismo histórico-dialético. As discussões incluem as dimensões sociocultural, a relação com a Natureza e a interseccionalidade, além de escuta, escrita e coautoria.</p>
      <p>Dessas reflexões, considera-se que a resposta à pergunta inicial se encontra na articulação entre a prática psicológica e as realidades socioambientais, evidenciando que o parecer psicológico deve transcender a mera formalidade técnica e se converter num instrumento de resistência política, que não apenas denuncia as desigualdades sociais, mas também celebra as vidas das populações que habitam essas realidades socioambientais e fortalece sua organização coletiva. A análise crítica das relações de poder e a valorização das memórias coletivas e das interseccionalidades revelam-se cruciais para que esses documentos sejam verdadeiramente representativos das necessidades e realidades de comunidades marginalizadas. Destaca-se ainda que a escrita do parecer psicológico pode ser disruptiva e incorporar a linguagem das comunidades para garantir a representatividade e a compreensão daqueles que farão uso do documento.</p>
      <p>Acredita-se que este artigo teórico, por contemplar um tema desafiador e cada vez mais recorrente em tempos de mudanças climáticas e acirramento de conflitos envolvendo grupos sociais em ambientes naturais, pode ser útil a profissionais da psicologia que atuam nesses contextos, para a produção de seus pareceres psicológicos. Além disso, ao fomentar a interseccionalidade nas análises e na escrita documental, a prática psicológica torna-se mais inclusiva, permitindo uma compreensão ampla das dinâmicas de opressão presentes nas disputas territoriais.</p>
      <p>Para os estudos futuros, indica-se a necessidade da condução de investigações sobre esses documentos que contemplem: a interseccionalidade em conflitos socioambientais; a presença ou ausência de questões emergentes, como as mudanças climáticas e a Natureza como sujeito de direitos; os estilos que vêm sendo adotado por psicólogas(os) nesse tipo de trabalho; a identificação de dificuldades na elaboração de documentos psicológicos em contextos de conflitos socioambientais; e o impacto que esses documentos têm gerado, especialmente no campo da justiça. Pesquisas nessas áreas podem instrumentalizar o trabalho de psicólogas(os), com maiores chances de eficiência e precisão na garantia de direitos.</p>
      </sec>
   </body>
   <back>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other">
            <label>Como citar esse artigo:</label>
            <p>Missiatto, L. A. F., &amp; Struwka, S. (2025). Parecer psicológico em contexto de conflito socioambiental: experiências e desafios. <italic>Estudos de Psicologia</italic> (Campinas), 42, e15291. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15291pt">https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15291pt</ext-link></p>
         </fn>
    <fn fn-type="other" id="fn02">
 <label>2</label>
 <p>Adotou-se a grafia de Natureza como um nome próprio, reconhecendo-a como sujeito de direitos. Isso significa que a Natureza é considerada não como um recurso, mas como um ente com valor intrínseco, cuja preservação e integridade são essenciais para a justiça socioambiental (<xref ref-type="bibr" rid="B38">V. H. D. Oliveira, 2021</xref>).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn03">
 <label>3</label>
 <p>Neste texto, o termo comunidade foi sempre usado como referência às comunidades tradicionais. A definição adotada é a contida no Decreto Presidencial nº 6.040/2007, que considera que essas comunidades são coletivos com identidade cultural específica, que se autodefinem a partir dessa diferença, mantendo uma organização social autônoma e relações intrínsecas com territórios e Natureza. Esses elementos são fundamentais para sua reprodução multidimensional – cultural, social, espiritual, ancestral e econômica –, baseada em saberes tradicionais, práticas inovadoras e modos de vida construídos e transmitidos historicamente (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Brasil, 2007</xref>).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn04">
 <label>4</label>
 <p>O ecocentrismo é uma abordagem filosófica e ética que coloca a Natureza e os ecossistemas no centro das considerações morais e políticas e defende que todos os seres vivos e seus habitats têm um valor intrínseco, independentemente de sua utilidade para os seres humanos. Em contraste, o antropocentrismo é uma perspectiva que prioriza o ser humano em relação à Natureza, frequentemente avaliando o valor das outras formas de vida e dos ecossistemas com base em sua utilidade para os interesses humanos.</p>
</fn>
    </fn-group>
      <sec sec-type="data-availability" specific-use="uninformed">
         <title>Disponibilidade dos dados</title>
         <p>Nenhum dado novo foi criado ou analisado neste estudo.</p>
      </sec>
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                        <publisher-name>UFMG</publisher-name>
                        <comment>Originalmente publicado em 1985</comment>
                    </element-citation>
                </ref>
  </ref-list>
   </back>
   <sub-article article-type="translation" xml:lang="en" id="S1">
      <front-stub>
         <article-id pub-id-type="doi">10.1590/1982-0275202542e15291en</article-id>
         <article-categories>
            <subj-group subj-group-type="heading">
               <subject>DOSSIER | Psychology, psychosocial expertise, and collective human rights</subject>
            </subj-group>
         </article-categories>
         <title-group>
            <article-title>Psychological Opinion in the Context of Socio-Environmental Conflict: Experiences and Challenges</article-title>
         </title-group>
         <contrib-group>
            <contrib contrib-type="author">
               <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6532-735X</contrib-id>
               <name>
                  <surname>Missiatto</surname>
                  <given-names>Leandro Aparecido Fonseca</given-names>
               </name>
               <role>Conception</role>
               <role>Formal analysis</role>
               <role>Investigation</role>
               <role>Methodology</role>
               <role>Writing - original draft</role>
               <role>Writing – review and editing</role>
               <xref ref-type="aff" rid="aff02">1</xref>
               <xref ref-type="corresp" rid="c02"/>
            </contrib>
            <contrib contrib-type="author">
               <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5304-2648</contrib-id>
               <name>
                  <surname>Struwka</surname>
                  <given-names>Solange</given-names>
               </name>
               <role>Conception</role>
               <role>Formal analysis</role>
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               <xref ref-type="aff" rid="aff02">1</xref>
            </contrib>
         </contrib-group>
         <aff id="aff02">
            <label>1</label>
            <institution content-type="original">Universidade Federal de Rondônia, Departamento de Psicologia, Programa de Pós-Graduação em Psicologia. Porto Velho, RO, Brasil.</institution>
         </aff>
         <author-notes>
            <corresp id="c02">Correspondence to: L. A. F. Missiatto. E-mail: <email>leandro.missiatto@unir.br</email>. </corresp>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editor</label>
               <p>Antônio Euzébios Filho</p>
            </fn>
            <fn fn-type="coi-statement">
               <label>Conflict of interest</label>
               <p>The authors declare that there are no conflicts of interest.</p>
            </fn>
         </author-notes>
         <abstract>
            <title>Abstract</title>
            <p>This article discusses fundamental aspects in the elaboration of expert opinions (psychological reports) within the field of social psychology, in cases related to the environment and human rights, through the lens of environmental justice, particularly in situations involving rights violations, exploitation, oppression, and the marginalization of Nature and of traditional peoples and communities. It is a theoretical article developed from a decolonial and historical–dialectical materialist approach, grounded in the authors’ lived experience in the Amazon region. It argues that such expert reports can take into account key dimensions, including sociocultural aspects, community–Nature relations, and intersectionality, while also emphasizing the importance of listening, writing, and co-writing in the production of these documents. The article highlights the need for psychological opinion reports to go beyond the mere formalities of professional competence, becoming instead a tool of political resistance that supports collective organization, while also strengthening and revealing the complexity of social and cultural relations in dispute. Finally, it points out that social psychology, in this context, demands ethical and political sensitivity, as well as a commitment to emancipatory practices, fostering the construction of more just and inclusive processes for communities and for Nature, as both are entities that have been historically marginalized and placed in situations of vulnerability.</p>
         </abstract>
         <kwd-group xml:lang="en">
            <title>Keywords</title>
            <kwd>Amazon</kwd>
            <kwd>Environmental justice</kwd>
            <kwd>Expert testimony</kwd>
            <kwd>Professional competence</kwd>
            <kwd>Social psychology</kwd>
         </kwd-group>
      </front-stub>
      <body>
         <p>The Brazilian Amazon is a place of intense conflicts arising from disputes over the appropriation and privatization of common goods, which are then transformed into profits concentrated in the hands of a traditional elite (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Salles, 2022</xref>). The land, waters, and forests – and the multiple forms of life and culture that flourish within them – have become hostages to insatiable capitalist ambition (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Ferdinand, 2022</xref>).</p>
         <p>The capitalist advance over this territory has produced a landscape of death, in which the rivers that nourish the Amazonian lands are blocked by the construction of dams and polluted by heavy metals from the unrestrained exploitation of minerals and precious stones (<xref ref-type="bibr" rid="B36">I. Oliveira, 2023</xref>), while the forests are devastated by the relentless expansion of the agricultural frontier (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Marques, 2023</xref>). These are some of the brutal political and economic processes that disregard and subjugate the millenary traditions of the Amazon’s peoples and communities, imposing oblivion and devaluation upon diverse and ancestral cultures (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak, 2022</xref>). The Amazon, therefore, is a territory where confrontations between different modes of social reproduction have taken place – a space of dispute over the past, the present, and future prospects of humanity – in which collective resistance, together with the unyielding spirit of Nature<xref ref-type="fn" rid="fn02-en">2</xref>, upheld by its guardians, sustains a continuous struggle for the course of planetary life.</p>
         <p>In this context of devastation and subjugation, the logic of commodification and profit, which fuels the unrestrained exploitation of the region, benefits local and international elites while perpetuating negative socio-environmental impacts that disproportionately affect local populations (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Capobianco, 2021</xref>). It is important to highlight that the relentless expansion of agribusiness, accompanied by other industrial enterprises, goes beyond environmental degradation: it also drives the impoverishment and marginalization of traditional and Indigenous peoples and communities<xref ref-type="fn" rid="fn03-en">3</xref>, who have historically depended on the land for their survival and cultural practices (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Monteiro &amp; Bernardes, 2024</xref>).</p>
         <p>Land conflicts are not merely territorial disputes; they represent the crystallization of deeply rooted inequalities, in which access to territories and common goods becomes a battleground between the economic interests of elites and the rights of local populations and Nature (<xref ref-type="bibr" rid="B51">R. G. C. Silva &amp; Dandolini, 2018</xref>). In this context, land is viewed as a commodity rather than as a territory that sustains families, peoples, communities, and their traditions. As a result of this unequal conflict, local populations face not only the loss of their territories but also subjective transformations in their historically and collectively constructed cultural identities (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Ferdinand, 2022</xref>). This dynamic intensifies the region’s existing precarities, where socio-environmental injustices intertwine with social and economic inequalities, exacerbating tensions and conflicts in the pursuit of a more just and sustainable coexistence (<xref ref-type="bibr" rid="B42">R. B. Ribeiro, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">A. B. Santos, 2023</xref>).</p>
         <p>Consequently, Indigenous peoples, traditional communities, and other groups that depend directly on territorial access – both for their survival and for the preservation of their centuries-old cultural practices – face a worsening of already persistent vulnerabilities (<xref ref-type="bibr" rid="B50">M. R. S. Santos et al., 2017</xref>). However, these populations do not passively witness the expansion of Amazonian degradation; on the contrary, their resistance has been crucial in challenging the advance of an ongoing destructive project. Nevertheless, those who struggle in defense of Nature and for justice and equity for marginalized groups find themselves at a disadvantage in socio-environmental conflicts – for instance, in proceedings within the Brazilian justice system, where unequal relations of political and economic power predominate.</p>
         <p>Within this context, psychology must play a critical role. Its intervention – especially through the production of official documents – can support the justice system by providing contextual analyses that not only elucidate the power dynamics at play but also uphold the dignity and rights of affected communities (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Moreira et al., 2024</xref>). These documents are regulated by Resolution No. 006/2019 of the <italic>Conselho Federal de Psicologia</italic> (CFP, Federal Council of Psychology) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), among which the psychological opinion stands out due to its importance in contexts involving collective demands.</p>
         <p>According to this resolution, the psychological opinion is a type of written technical statement whose purpose is to provide a substantiated analysis in response to a specific problem in the field of psychology or to psychological documents that have been questioned (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). In essence, the psychological opinion aims to clarify and resolve doubts related to a topic or document that may affect the decision of the requesting party; it thus constitutes a response to a formal consultation (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>).</p>
         <p>This process requires the psychologist to possess specialized knowledge and the competence necessary to address the subject in question, ensuring that the analysis is both rigorous and relevant. Considering the complexities involved in socio-environmental issues in the Amazon, this theoretical article focuses on the following question: what are the fundamental dimensions that psychological opinions should consider in order to contribute to the promotion of justice and equity in situations involving socio-environmental conflicts?</p>
         <p>The aim is to explore the importance of preparing psychological opinions in cases that deal with socio-environmental tensions, emphasizing the role of psychology in seeking solutions that respect the rights of life – both Nature and humanity – of the affected populations. To this end, the article first addresses the fundamental concepts surrounding the elaboration of psychological opinions and their relevance within the context of socio-environmental conflicts. Subsequently, based on the authors’ experiences, it discusses the dimensions considered essential for producing psychological opinions in such conflictual settings.</p>
         <p>As its epistemological foundation, the study adopts a critical perspective grounded in decolonial thought and in historical-dialectical materialism, since these approaches enable a critical analysis of the power and oppression dynamics underlying socio-environmental conflicts.</p>
         <p>In this sense, the article aligns with <xref ref-type="bibr" rid="B22">Grosfoguel et al. (2022)</xref>, who argue that while not every anti-imperialist project can be defined as decolonial or anticolonial, every decolonial/anticolonial project must be based on an anti-imperialist premise – one that stems from an analysis of the region’s political and economic relations, characterized by the overexploitation of labor and the violent appropriation of natural goods. This context necessarily demands the articulation of struggles aimed at overcoming it. Accordingly, for those authors, it is unthinkable to be feminist, antiracist, decolonial, anticolonial, ecological, or anticapitalist without also being anti-imperialist. They contend that if these struggles, within their horizon, fail to include anti-imperialist resistance in a coordinated manner and as part of broad coalitions, they will ultimately be co-opted by the imperialist system – whether through the funding of debates opposing insurgent movements or through support for “green” or “violet” capitalism. The authors are also united by their radical critique of Eurocentrism, encapsulated in the slogan “<italic>Nuestro norte es el Sur</italic>” (Our north is the South), coined by anti-imperialist movements of the Global South.</p>
         <p>In addition, decolonial thought is understood as a framework that can challenge hegemonic narratives and valorize subalternized forms of knowledge (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Bernardino-Costa et al., 2019</xref>), while historical-dialectical materialism offers analyses for understanding the relations between the universal, the particular, and the singular, together with strategies for overcoming inequalities and advancing emancipation (<xref ref-type="bibr" rid="B37">S. A. M. Oliveira, 2019</xref>). Together, these frameworks provide a critical theoretical foundation capable of enriching psychological practice, allowing psychological opinions to become not merely technical formalities but instruments that contribute to social transformation and to the promotion of justice for affected communities and for Nature.</p>
         <sec><title>Fundamental Concepts</title>
         <p>Psychology, as a scientific and practical field committed to human dignity, constructs analyses and interventions at the intersection of the subjective, the objective, and the structural. Psychological reports, assessments, technical notes, and opinions emerge as instruments of critical intervention (<xref ref-type="bibr" rid="B49">M. L. G. Santos &amp; França, 2023</xref>), capable of revealing dynamics of oppression in complex scenarios – especially within Amazonian contexts, where life pulsates amid geopolitical conflicts. Among these documents, the psychological opinion stands out for its capacity to articulate in-depth contextual analyses and collective demands, thus becoming an ethical-political tool for contesting hegemonic narratives.</p>
         <p>Regulated by CFP’s Resolution No. 006/2019, psychological documentation assumes precise contours: the opinion is defined as a substantiated technical statement prepared to clarify issues that require mastery of psychological science, without deriving from individual assessments (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). Accordingly, the opinion functions as a critical analysis of scenarios, grounded in scientific evidence, legal norms, and ethical principles, to respond to formal inquiries from the justice system – whether from individuals or public institutions (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>). Its strength lies in its ability to denaturalize violence, shifting the focus from “isolated cases” to their articulation with systemic structures that perpetuate inequality and injustice.</p>
         <p>Aligned with the Psychologists’ Code of Professional Ethics, whose fundamental principle is professional practice guided by the promotion of “freedom, dignity, equality, and the integrity of human beings” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2005, p. 7</xref>), the psychological opinion embodies the social and ethical commitment of the profession. This document is also guided by the psychologist’s duty to foster health and quality of life for individuals and groups and to contribute to the eradication of all forms of neglect, discrimination, exploitation, violence, cruelty, and oppression (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CFP, 2005</xref>). From these perspectives, it can be affirmed that in conflicts such as those faced by riverine population – pressured by the construction of large enterprises – or by Indigenous peoples and peasants –exposed to pesticides or threatened with expulsion from their territories due to land grabbing – the psychological opinion cannot be limited to describing psychosocial impacts as academic categories. Instead, it must be a document capable of revealing power asymmetries, complex networks of oppression, and invisibilities produced by structures of power, while also recording the protagonism of communities and Nature, both of which are violated in this process.</p>
         <p>Thus, the psychological opinion serves as a crucial tool for the epistemological translation of reality. This translational function is essential because it allows experiences that are often erased or marginalized – such as mourning for a murdered river, grief over the loss of a sacred space, or suffering resulting from deterritorialization – to be converted into technical language that can be recognized and valued in the pursuit of justice.</p>
         <p>By performing this conversion, the psychological opinion not only legitimizes the experiences, knowledge, and emotions of affected communities but also contributes to the development of analyses that can influence legal, political, and organizational actions. In this regard, technical-scientific writing, which should guide the entire production of the document (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), becomes a springboard to support arguments, but not to render the reports inaccessible to the public. Thus, it serves as a means of amplifying the voices of those who are often silenced in decision-making processes that directly affect their lives and environments (<xref ref-type="bibr" rid="B48">B. S. Santos &amp; Meneses, 2017</xref>). Moreover, by establishing a dialogue between popular knowledge and technical expertise, the psychological opinion fosters a crucial intersection between different forms of knowledge (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Antonoff et al., 2023</xref>) and contributes to a more holistic, coherent, and just understanding of socio-environmental conflicts. This articulation is vital for seeking solutions that respect both human rights and the rights of Nature, promoting a more integrated and equitable approach.</p>
         <p>It is understood that conflicts cannot be conceived solely through a normative lens of divergent interests, as they are expressions of a predatory civilizational project, in which the exploitation of land and labor and the oppression of subalternized groups are intertwined. Here, socio-environmental conflicts are considered social disputes related to the environment; that is, the appropriation of resources by governments, private companies, and local and international elites that intensify exploitation and oppression among different groups, based on inequalities and asymmetries linked to gender, class, race and ethnicity, regionality, among others (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Rincón-Ruiz et al., 2019</xref>). These conflicts emerge, for example, when mining, monoculture, hydroelectric projects, or land grabbing advance over ancestrally occupied territories, generating violence that transcends the environmental dimension: they are true open wounds in the social body and in Nature, marked by forced displacements, river contamination, criminalization of community leaders, assassination of defenders of human rights and Nature, and the erasure of cultural identities.</p>
         <p>In the Amazon, the epicenter of these tensions, emblematic examples reveal the brutality of the hegemonic pattern of domination. The massacre of the Yanomami people in Roraima, where illegal gold mining contaminated rivers with mercury – poisoning children and the elderly – reveals that state violence and neglect constitute more than an environmental crime; it is an “ecocide” in which humans and Nature are exterminated by the capitalist project implemented in the region (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Basta, 2023</xref>). Similarly, the advance of agribusiness over the Amazonian Cerrado, burning the plateau to cultivate soy, illustrates how “modernization” feeds on the blood of quilombola communities forced to witness the sterilization of sacred soils (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Souza &amp; Chaveiro, 2019</xref>). No less serious is the case of Altamira, in Pará, where the Belo Monte dam submerged affective bonds between riverine communities and the Xingu River, replacing fishing networks and rituals with artificial lakes and collective depression (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Fainguelernt, 2020</xref>).</p>
         <p>In this sense, the elaboration of psychological opinions in socio-environmental contexts requires more than theoretical expertise: it demands extended participation in the daily life of the territory, which allows for cohabitation with residents and an understanding of the meanings and significance that the community attributes to life in that location. In addition, it requires attentive, welcoming, and responsible listening, including reading between the lines, capturing what is not always verbally expressed but is felt as latent pain by the individuals. The preparation of these opinions seeks to give form to what is absent from academic accounts but is experienced by those who have suffered severe impacts caused by the actions of the state and private interests, as well as the ability to translate into writing the salient elements involved in these conflicts. For the authors of this work, these skills have been developed over years of practice as psychologists in the Amazon, both in the legal field, where conflicts become judicialized, and in academia, through teaching, research, and outreach activities.</p>
         <p>Therefore, the reflections that follow emerge from this concrete experience of living in the Amazon – a unique place where major confrontations and contradictions constantly challenge its people. With this land and its dilemmas, the authors have learned to analyze socio-environmental realities through the lenses provided by its peoples, culture, and Nature. In this regard, this article does not present a definitive roadmap; rather, it offers notes intended to support psychologists engaged in the production of psychological opinions in the context of socio-environmental conflicts. It is recognized that contexts in the Amazonian territory are plural – a true kaleidoscope of unique dynamics, in which multiple elements intersect in their own interconnections, generating invisibilities and demands that require sensitivity and professional commitment. Accordingly, some dimensions considered important in preparing this type of document are proposed, in light of psychology’s commitment to all forms of life.</p>
         </sec>
         <sec><title>Sociocultural Dimension</title>
         <p>Understanding the social and cultural dynamics in socio-environmental conflicts requires an analysis of the material relations of production that define life in the Amazon. From the perspective of historical-dialectical materialism, the world’s largest forest coverage is not merely a biome but a territory of class struggles, where capitalist accumulation clashes with traditional ways of life, revealing insoluble contradictions within the prevailing system (<xref ref-type="bibr" rid="B52">T. S. Silva et al., 2023</xref>). Every cultural element and territorial dispute reflects the dialectic between productive forces and social relations, between the commodification of life and the resistance of those who struggle not to be reduced to cheap labor (<xref ref-type="bibr" rid="B37">S. A. M. Oliveira, 2019</xref>).</p>
         <p>The work of the psychologist preparing the opinion consists of understanding and recording the complex nuances of these contested relations. Based on the experience of the authors of this article, it was observed that certain approaches can make this herculean task more practical. The first of these is the “path of language”.</p>
         <p>Starting from the premise that language is an element of the superstructure – where institutions, ideologies, and the cultural and political aspects of society are built upon the economic base (infrastructure) – it is within language that relations of domination are also expressed and reproduced (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Marx &amp; Engels, 1932/2007</xref>). Attention must be paid to terms such as “development”, “market competitiveness”, or “natural resources”, which are ideological tools weaponized to naturalize theft, violence, oppression, and exploitation, masking the harms generated by capitalist expansion. Meanwhile, riverine communities experience and describe the river as “the life of the community”. This different way of appropriating, relating to, and expressing the world reveals the immense contradiction between an ecocentric (water as a rights-bearing entity in an interdependent relationship with the community) and exchange value (water as a commodity) perspective.</p>
         <p>The psychological opinion must expose this practical and semiotic struggle between different forms of appropriation and use of territory and common goods, as Marx did in his analysis of commodity fetishism (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Marx, 1867/2023</xref>). In this regard, the attentive ears of psychologists preparing opinions must capture differences and contradictions: terms such as “resource” cease to be mere words and become keys to understanding historical modes of human and non-human labor exploitation. However, this language is also expressed through silences: violence generates interdictions on narratives, whether due to the risks of speaking out or the intense pain it may provoke (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Spivak, 1985/2018</xref>). The psychologist must remain attentive to the dynamics of what cannot or should not be said, offering support – without, however, making promises of safety or guarantees regarding the outcomes of the process. It is essential to recognize that, unfortunately, the Amazon is a region where life is often undervalued, and in many cases, conflicts are still resolved by force – as evidenced by the massacres of Corumbiara in Rondônia (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Mesquita, 2011</xref>) and Eldorado dos Carajás in Pará, and by the alarming increase in persecution and assassinations of community leaders in the region, which is the deadliest in Brazil for these individuals, according to the <italic>Comissão Pastoral da Terra</italic> (CPT, Pastoral Land Commission) (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CPT, 2024</xref>).</p>
         <p>Another important path is “collective memory”, the terrain of resistance for traditional peoples and communities in defending their ways of life and cultural identities against alienation. In the oral narratives of Indigenous peoples and quilombola communities, or in the prayers of riverine healers, flows the history of subjugated classes preserved against colonial erasure (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Mignolo, 2003</xref>). Mining, large-scale infrastructure projects, and the expansion of the agricultural frontier privatize territories, limit access to common goods, destroy archaeological sites and sacred places (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Garnelo et al., 2023</xref>), and implement the logic of primitive accumulation described by <xref ref-type="bibr" rid="B27">Marx (1867/2023)</xref>, in which the violent separation of workers from their means of subsistence degrades a dimension of humanity’s transformation and the development of its history, life, and meaning through labor. The psychological opinion must denounce what is called the “capitalist expropriation of memory” as a stage in the exploitation of people, territories, and Nature.</p>
         <p>Capitalist expropriation of memory can be understood as the expression of a project of objective change in relationships among people, with the territory and with Nature, in which ways of life are forcibly reorganized by the disruptions caused by the collision between global and local memories, narratives, practices, and projects, as described by <xref ref-type="bibr" rid="B32">Mignolo (2003)</xref>, having a profound impact on collective memory. In this sense, socio-environmental conflict does not only provoke material struggles over rights but also affects the symbolic and subjective dimensions of collective memory. This memory, which should serve as a means of resistance and preservation of the identity of marginalized communities, is violated both at its foundational base and in the everyday contexts in which it is produced and shared (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Arruda et al., 2023</xref>).</p>
         <p>This process can be observed in practice when, for example, the historical narratives of Indigenous peoples, quilombolas, and riverine communities are threatened by large capitalist enterprises that prioritize profit over the ancestry and collective experience of these communities. Memory, in this context, is treated as a resource to be exploited, in which only recollections that support commodification and the logic of primitive accumulation are valorized. Any form of remembrance that does not feed this logic, that does not fit within the narrative of capitalist development, risks being silenced or disqualified, leading to the erasure of histories and traumas that do not align with dominant economic interests. Thus, the capitalist expropriation of memory reinforces alienation, transforming historical narratives into economic assets that perpetuate the dehumanization of those inhabiting these territories, while the culture and history of these peoples are neglected and exposed to oblivion (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Missiatto, 2021</xref>). Resistance, therefore, becomes an act of reaffirming identity and a constant struggle against the devaluation of collective memory, essential for building a just and equitable future.</p>
         <p>It is important for the psychologist preparing the opinion to analyze this context not merely as a matter of local cultural loss, but as a complex phenomenon tied to a historical arc and to the interwoven relations of inequality and resistance that connect local and global history. The capitalist expropriation of memory must be examined from an expanded perspective, as it goes beyond viewing memory as a mere affective recollection of local peoples – it should be understood as part of History, a right, and a political act deeply intertwined with the struggle against systems of oppression that transcend borders. When systems of power conflict with the interests of traditional peoples and communities, they act to marginalize their cultural practices. The disqualification of collective memory aims to reduce the significance of these histories to mere local anecdotes, disregarding their intrinsic value (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Pollak, 1989</xref>).</p>
         <p>Another analytical path begins with the “consideration and identification of various forms of inequality within relationships”. Inequalities in relationships are understood as the power asymmetries imposed upon society, in which rights and access to livelihoods and public institutions occur unequally among social classes (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Losurdo, 2018</xref>). These imbalances arise not only between groups with opposing interests but also within groups – for instance, gender inequality within a community. In such cases, women face additional barriers in accessing resources and participating in decision-making processes; the lack of equity becomes a crucial factor to be considered (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Davis, 1981/2016</xref>).</p>
         <p>These dynamics are essential to understanding structures of oppression, as oppressive systems themselves exploit such vulnerabilities to dismantle the cooperativeness of marginalized groups, isolating their leaders and subtly yet effectively eroding their internal cohesion. This fragmentation undermines their collective interests, weakening their capacity for defense and mobilization, while power is consolidated without oppressive systems having to “dirty their hands”. Recognizing this intricate network of hierarchies within social relations – and its instrumentalization by systems of oppression – is fundamental to devising strategies that strengthen solidarity and resistance among marginalized peoples, fostering a more effective and conscious collective struggle.</p>
         </sec>
         <sec><title>Dimension of the Relationship with Nature</title>
         <p>In territories affected by socio-environmental conflicts, the relationship between traditional communities and Nature is not merely utilitarian; rather, it is a living ontology – an ancestral pact that shapes ways of life, identity, memory, and existence. For traditional peoples and communities, Nature is not the “environment”; it is an extension of the body, a rights-bearing subject, and a place of knowledge – meanings found within <xref ref-type="bibr" rid="B25">Mariátegui’s (1928/2018)</xref> analyses of the “Indo-American” perspective of Amerindian peoples. To reduce this complexity in psychological opinions to the category of “natural resources” is to collude with epistemicide – the killing of other ways of knowing.</p>
         <p>On a philosophical level, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak’s (2022)</xref> critique of anthropocentrism illuminates the urgency of decolonizing technical language. While Western science describes Nature as an object to be dominated, Indigenous peoples experience it as a network of reciprocity (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Krenak, 2022</xref>). A river poisoned by mining, therefore, is not merely an environmental crime – it is the rupture of a millennia-old dialogue, a symbolic amputation that generates what <xref ref-type="bibr" rid="B01">Glenn Albrecht et al. (2007)</xref> call “solastalgia”: the nostalgia for a home still inhabited, yet rendered unrecognizable.</p>
         <p>Grounded in frameworks such as the ecology of knowledges (<xref ref-type="bibr" rid="B47">B. S. Santos, 2007</xref>), the psychological opinion must reveal how environmental degradation corrupts ontological practices: fishing is not only subsistence, but a ritual of listening to the tides; planting is not merely cultivation, but a ceremony of dialogue with the cycles of rain and drought. By neglecting these dimensions, the law often naturalizes harm – as in the case of the Belo Monte dam, where the flooding of sacred sites was treated as a “loss of area”, rather than as the dismantling of entire cosmogonies (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Fainguelernt, 2020</xref>).</p>
         <p>Here, psychology encounters <xref ref-type="bibr" rid="B04">Bachelard’s (1989)</xref> philosophy, according to which space is not neutral but a matrix of affections. When a psychological opinion describes, for instance, how a community associates the disappearing of the warrior’s spirit with the illness of a species of tree whose seeds cure fevers, it is mapping a living territorial system in which human and ecological health are inseparable. To ignore this is to omit the fact that, for many peoples, depression does not reside in the mind, but in the wounded, threatened, and/or stolen land.</p>
         <p>To capture this relationship, the opinion must employ a language that grasps the ambiguity of reality – technical enough to be recognized by the judiciary, yet without erasing the complexity present in the experiences and language of those who relate to Nature with deep affection, respect, and reciprocity. To achieve this, three interrelated axes are proposed:</p>
         <list list-type="order"><list-item><p>Affective-volitional cartographies: mapping points of meaningful connections that link personal, collective, and territorial histories, for example: streams where children learn to swim; ritual clearings; trees that shelter love stories. These should demonstrate how relationships, activities, and communication between people and these elements form fundamental parts of the cultural identity of these individuals – their social practices, memory, and history, as well as their past and present experiences and their visions for the future of themselves, their families, and their communities – thus integrating a force that is both personal and collective. Indicate the consequences that the destruction or transformation of these points of connection may generate, such as existential and cultural uprooting, both personal and collective.</p>
         </list-item>
         <list-item><p>Symbolic translation: converting terms such as “biodiversity” into living narratives. Instead of “endangered species”, present the expressions used by the community, as in the example: “the children of the forest who are being silenced”. This is not merely a change in terminology, but an act of respect for the people and for local wisdom. In this sense, the writing calls upon the person preparing the opinion to decolonize on two levels: first, because it disrupts the colonial structures that suffocate subalternized knowledge; and second, because it speaks both to the mind and to the heart.</p>
         </list-item>
         <list-item><p>Denouncing the commodification of life: invoke an ecocentric critique – one that challenges anthropocentric perspectives – to denounce developmentalist projects that conceive rivers as mere “bodies of water”, devoid of history, and communities as “residual populations”, stripped of prerogatives. In this context, it is essential to treat Nature as a subject of rights, recognizing its intrinsic importance and value.</p>
         </list-item>
         </list>
         <p>The following is a hypothetical example of a psychological opinion that incorporates the three axes mentioned:</p>
         <p>“The riverine community of the Floresta River, whose lives have intertwined with the cycles of the waters for generations, now faces the dismantling of its sacred geography (symbolic translation). The waters of this river are a source of memory for the riverine people; it is there that children learn to swim while listening to ancestral stories, and where boys fish with their fathers before the sun rises (affective cartographies). (…) All these elements demonstrate that the Floresta River is not a water canal, but a relative of that riverine community – its liquid body is as sacred as that of each human who bathes in it, drinks from it, eats from it, and lives by it. To treat this river merely as a mineral reservoir is a crime against them and against every living being that depends on it (denunciation of the commodification of life)”.</p>
         </sec>
         <sec><title>Dimension of Intersectionality</title>
         <p>Socio-environmental conflicts are not monochromatic. In fact, they are far from it: they are complex labyrinths of oppression and exploitation that manifest in intertwined ways, where race, gender, class, and regional inequalities merge into sophisticated dynamics of structural violence (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Crenshaw, 1989</xref>). In this context, an intersectional approach is indispensable for an accurate understanding and analysis of these realities.</p>
         <p>Intersectionality, as an academic concept, was proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B14">Crenshaw (1989)</xref> and further radicalized by thinkers such as <xref ref-type="bibr" rid="B10">Collins (2024)</xref>. This analytical category reveals that the suffering of Amazonian communities cannot be understood in fragments: it is a geography of overlapping hierarchies, in which being a woman, Indigenous, riverine, and poor does not merely add vulnerabilities – it multiplies them in a cartography of neglect. In this context, the psychological opinion must function as a detector of naturalizations, capable of deciphering how environmental racism, extractivist patriarchy, and other forms of oppression and exploitation interconnect to silence bodies already marked by historical violence.</p>
         <p>Intersectionality requires the person preparing the opinion to adopt the rhizomatic perspective – open, connectable networks of systems of exploitation – proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B16">Deleuze and Guattari (1980/2011)</xref>, according to which oppressions act like underground roots that nourish the same tree of power. It is a form of listening that is not satisfied with what is said, but examines what is whispered, what is wept at the edges of justice, and what is silenced out of fear of reprisal.</p>
         <p>It is important to consider that intersectionality is not merely a conjunction of axes, but a powerful methodology of unveiling that exposes how systems of domination feed off one another (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins, 2019</xref>). In the Amazon, for example, the construction of the Santo Antônio Hydroelectric Plant, located in Porto Velho, Rondônia – the fifth largest in operation in Brazil – did not affect all people equally: while white men negotiated compensation, Black riverine women, responsible for food production, faced a triple burden: deterritorialization, overload of reproductive labor, and the risk of sexual violence in construction camps (<xref ref-type="bibr" rid="B41">A. M. Ribeiro &amp; Moret, 2014</xref>). To ignore this dynamic means naturalizing the epistemology of exclusion, which treats affected communities as a homogeneous mass, erasing bodies that carry the weight of the world on backs already bent by history.</p>
         <p>Identifying who, within the community, stands on the front lines of precarity is a crucial step toward understanding the dynamics of social and environmental injustice that permeate specific situations. In the context of pesticide contamination, for instance, the impacts are disproportionately felt by vulnerable groups such as Indigenous children and women. This phenomenon of inequality and vulnerability can be analyzed in light of the concept of the “matrix of domination”, proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins (2019)</xref>, which refers to the intersection of multiple strategies of oppression manifested in different social contexts – such as race, class, gender, and ethnicity. <xref ref-type="bibr" rid="B09">Collins (2019)</xref> argues that these intersections not only affect the experiences of individuals and groups but also structure the very dynamics of power and privilege within society.</p>
         <p>Narratives that reduce these impacts to mere “side effects of progress” must be confronted. When a corporate report states, for example, that “50 families were resettled”, the opinion should ask: how many of these families were headed by women? What kind of ongoing psychological support should be offered to help them process the grief of losing their territory? How does the new location allow for the representation of culture and territorial relations that integrate the life of these families? Even if the new settlement offers access to schools and health centers, it is important to know whether these institutions were prepared to welcome new members, and how they will act from a perspective of respect for their pain, supporting processes of re-signification and guaranteeing cultural expression.</p>
         <p>The following is an illustrative example of text from an opinion concerning a quilombola community affected by mining:</p>
         <p>“The Ferro Project, established in the heart of the Rio Preto Quilombo, enacts a form of violence that extends beyond the land itself. While the rivers are poisoned by tailings, quilombola women – the guardians of native seeds and healing rituals – find themselves doubly affected: beyond losing their sacred fields (the foundation of their economic autonomy), they are stereotyped as ‘ignorant’ for refusing derisory compensations (an intersectionality marked by gender oppression + environmental racism + the erasure of traditional knowledge). Meanwhile, young people, pressured to migrate to urban centers, face the precarization of living conditions and the stigma of being labeled as ‘Black and peripheral’ in the cities, losing the ethnic belonging that tied them to the quilombola territory (an intersectionality marked by ageism + structural racism + cultural uprooting)”.</p>
         <p>Analyzing intersectionalities means understanding that the same hand that dumps toxic waste into the Rio Doce also signs policies that deny childcare to Indigenous mothers, ignore Black mortality during COVID-19, and veto racial quotas in universities. The psychological opinion, therefore, is not merely a report: it is both the denunciation of a system that oppresses life in its multiple forms and the strengthening of resistance that, even in the cracks, insists on blooming.</p>
         </sec>
         <sec><title>Dimension of Listening, Writing, and Co-writing</title>
         <p>The preparation of psychological opinions in contexts of socio-environmental conflict requires technical skills, but also something that goes beyond analytical, interpretive, and writing abilities: it demands a form of listening that genuinely respects individuals, embraces silences, and questions hierarchies (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Maynart et al., 2014</xref>). Respectful, welcoming, and responsible listening is not a method, but an ethical stance; it is an act of hearing and guiding interventions while recognizing that community histories are subterranean rivers of knowledge – often dammed by the barriers of fear or mistrust produced by historical violence (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Maynart et al., 2014</xref>). “Plain language” does not mean simplification, but a careful translation of complexities, breaking with the linguistic pragmatism that turns technical terms into cages that imprison meaning (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Prefeitura de São Paulo, 2020</xref>). Finally, co-writing with marginalized individuals is a political act, as the person preparing the opinion rejects the position of the “specialist who speaks on behalf of” and instead assumes the role of one who collaborates with the narratives of people who are protagonists of their own stories – where the words of science and lived experience intertwine without erasing one another.</p>
         <p>Respectful and responsible listening is a disruptive practice, inspired by the lives of traditional peoples and communities who have for centuries organized through cooperation and horizontal relationships. It involves creating safe spaces, such as conversation circles about the experiences and challenges faced by humans and Nature, or assemblies on family porches where people are not “interviewed”, but become narrators of their own experiences (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Dias, 2024</xref>). In regions of conflict, where leaders are threatened and persecuted, such listening requires care and attentiveness when deciphering metaphors (for example, “the river is sick” may mean contamination by pesticides) and courage to capture what is left unsaid (the trembling hands of an elderly woman as she recalls the day tractors invaded her field). Here, psychology engages in dialogue with <xref ref-type="bibr" rid="B30">Merleau-Ponty’s phenomenology (1945/2018)</xref>: the body expresses rootedness in the world, and the psychologist preparing the opinion must be capable of reading into pauses, gazes, and tears as if they were sacred texts.</p>
         <p>Resolution CFP No. 06/2019 requires clarity in writing (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CFP, 2019</xref>), but simplified language goes further – it concerns the democratization of knowledge (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Roedel, 2024</xref>). In opinions on socio-environmental conflicts, terms such as “generalized anxiety” can be replaced with expressions like “the community’s life is shaken, the people’s hearts beat faster due to a fear that spreads among its residents”. This is not romanticization, but respect for local cosmoperceptions that understand health as a communal coexistence and exchange with the forest. Writing should be as accessible as a river, flowing without obstacles so that riverine people, judges, and adolescents alike can navigate through it.</p>
         <p>Co-writing is the “pedagogy of the oppressed” applied to psychology (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 1968/2019</xref>): instead of documents drafted in air-conditioned offices, it proposes participatory processes in which quilombola, Indigenous, and fishing communities review drafts and suggest revisions. Co-writing shares power among its participants: the psychologist is not the “author”, but a mediator of voices, ensuring that expressions like “the pain of the land” are not replaced with “collective depression” in the final documents. Thus, joint writing translates struggles and demands in a way that is more coherent and closer to the lived experiences of the subjects.</p>
         <p>In summary, listening with care, writing in simplified language, and producing collaboratively are not merely techniques but gestures that call for historical reparation. An opinion grounded in these principles is like a seed planted in the hard soil of institutions of power, which so often reduce lives to numbers and simplify socio-environmental issues into legal norms. Although it may take time, these seeds can make a difference if they are connected to the collective and political organization of peoples and communities – since they equip their struggles within and beyond their territories. One day, these peoples and communities will crack the concrete and become the driving force behind a new form of justice.</p>
         </sec>
         <sec sec-type="conclusions"><title>Final Considerations</title>
         <p>This essay was guided by the following question: what are the fundamental dimensions that psychological opinions must consider in order to effectively contribute to the promotion of justice and equity in situations involving socio-environmental conflicts? Its objective was to offer guidance for the elaboration of psychological opinions in contexts dealing with such tensions, highlighting the role of psychology as a supportive tool in the struggle for social justice, dignity, and the rights of life – both human and natural.</p>
         <p>Throughout this text, concepts considered relevant to the field of practice were discussed. Subsequently, based on professional experience, several key dimensions were addressed in the preparation of documents related to socio-environmental conflicts, grounding reflections in decolonial thought and in historical-dialectical materialism. The discussions encompass sociocultural dimensions, the relationship with Nature, and intersectionality, as well as listening, writing, and co-authorship.</p>
         <p>From these reflections, it is considered that the answer to the initial question lies in the articulation between psychological practice and socio-environmental realities, showing that the psychological opinion must transcend mere technical formality and become an instrument of political resistance – one that not only denounces social inequalities but also celebrates the lives of the populations inhabiting these socio-environmental realities and strengthens their collective organization. A critical analysis of power relations, along with the valorization of collective memories and intersectionalities, proves crucial for these documents to truly represent the needs and realities of marginalized communities. It is also important to emphasize that the writing of the psychological opinion can be disruptive, incorporating the language of communities to ensure representativeness and understanding among those who will use the document.</p>
         <p>It is believed that this theoretical article – by addressing a challenging and increasingly recurrent topic in times of climate change and intensified conflicts involving social groups and natural environments – can serve as a useful reference for psychologists working in these contexts as they prepare their psychological opinions. Moreover, by fostering intersectionality in analysis and documentary writing, psychological practice becomes more inclusive, enabling a broader understanding of the dynamics of oppression present in territorial disputes.</p>
         <p>For future studies, it is necessary to conduct research on these documents that addresses: intersectionality in socio-environmental conflicts; the presence or absence of emerging issues such as climate change and Nature as a subject of rights; the styles adopted by psychologists in this type of work; the identification of challenges in preparing psychological documents in socio-environmental contexts; and the impact these documents have generated, particularly in the field of justice. Research in these areas may provide psychologists with better tools, increasing the effectiveness and accuracy of their efforts to uphold rights.</p>
         </sec>
      </body>
      <back>
         <fn-group>
            <fn fn-type="other">
               <label>How to cite this article:</label>
               <p>Missiatto, L. A. F., &amp; Struwka, S. (2025). Psychological Opinion in the Context of Socio-Environmental Conflict: Experiences and Challenges. <italic>Estudos de Psicologia</italic> (Campinas), 42, e15291. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10-en.1590/1982-0275202542e15291en">https://doi.org/10.1590/1982-0275202542e15291en</ext-link></p>
            </fn>
    <fn fn-type="other" id="fn02-en">
 <label>2</label>
 <p>The word Nature is written as a proper noun, recognizing it as a subject of rights. This means that Nature is regarded not as a resource but as an entity with intrinsic value, whose preservation and integrity are essential to socio-environmental justice (<xref ref-type="bibr" rid="B38">V. H. D. Oliveira, 2021</xref>).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn03-en">
 <label>3</label>
 <p>In this text, the term community is used exclusively to refer to traditional communities. The adopted definition is that contained in Presidential Decree No. 6,040/2007, which considers these communities as collectives with specific cultural identities that self-define based on this distinctiveness, maintaining autonomous social organization and intrinsic relationships with specific territories and with Nature. These elements are fundamental to their multidimensional reproduction – cultural, social, spiritual, ancestral, and economic – grounded in traditional knowledge, innovative practices, and historically constructed and transmitted ways of life (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Brasil, 2007</xref>).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn04-en">
 <label>4</label>
 <p>Ecocentrism is a philosophical and ethical approach that places Nature and ecosystems at the center of moral and political considerations, asserting that all living beings and their habitats possess intrinsic value, independent of their utility to humans. In contrast, anthropocentrism is a perspective that prioritizes human beings over Nature, often assessing the value of other forms of life and ecosystems based on their usefulness to human interests.</p>
</fn>
    </fn-group>
         <sec sec-type="data-availability" specific-use="uninformed">
            <title>Data Availability</title>
            <p>No new data were created or analyzed in this study.</p>
         </sec>
      </back>
   </sub-article>
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