<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
    <front>
        <journal-meta>
            <journal-id journal-id-type="publisher-id">OA</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">OA</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">1519-7727</issn>
            <issn pub-type="epub">2318-0919</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
            </publisher>
        </journal-meta>
        <article-meta>
            <article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v22e2025a17748</article-id>
            <article-id pub-id-type="other">00300</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Ensaio Visual</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>Paisagem, surrealismo e liminaridade</article-title>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1863-2255</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Costa</surname>
                        <given-names>Paulo Antonio Carvalho</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff01">1</xref>
                    <xref ref-type="corresp" rid="c01"/>
                </contrib>
                <aff id="aff01">
                    <label>1</label>
                    <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)</institution>
                    <institution content-type="orgdiv1">Escola de Arquitetura, Artes e Design</institution>
                    <addr-line>
                        <city>Campinas</city>
                        <state>SP</state>
                    </addr-line>
                    <country country="BR">Brasil</country>
                    <email>paulo.antonio@puc-campinas.edu.br</email>
                    <institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Escola de Arquitetura, Artes e Design. Campinas, SP, Brasil. E-mail: paulo.antonio@puc-campinas.edu.br</institution>
                </aff>
            </contrib-group>
            <author-notes>
                <corresp id="c01">Email: <email>paulo.antonio@puc-campinas.edu.br</email></corresp>
                <fn fn-type="conflict" id="fn1">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>O autor declara que não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
                <fn fn-type="edited-by" id="fn2">
                    <label>Editora</label>
                    <p>Luisa Angélica Paraguai Donati</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
                <day>00</day>
                <month>00</month>
                <year>2025</year>
            </pub-date>
            <pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
                <year>2025</year>
            </pub-date>
            <volume>22</volume>
            <elocation-id>e2517748</elocation-id>
            <history>
                <date date-type="received">
                    <day>12</day>
                    <month>11</month>
                    <year>2025</year>
                </date>
                <date date-type="rev-recd">
                    <day>12</day>
                    <month>11</month>
                    <year>2025</year>
                </date>
                <date date-type="accepted">
                    <day>12</day>
                    <month>11</month>
                    <year>2025</year>
                </date>
            </history>
            <permissions>
                <license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este ensaio visual investiga objetos recorrentes na paisagem urbana utilizando a apropriação fotográfica como tática alegórica. O ensaio foca no <italic>maravilhoso</italic> surrealista e no pitoresco, encontrados no abandono, no absurdo e nas texturas táteis da decadência dos equipamentos urbanos. Através da mediação imagética, o objeto é transformado num espaço liminal – um lugar definido pela ambiguidade, impermanência e estranhamento.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This visual essay investigates recurring objects in the urban landscape using photographic appropriation as an allegorical tactic. The essay focuses on the surrealist marvellous and the picturesque, found in the abandonment, absurdity, and tactile textures of decaying urban equipment. Through imagetic mediation, the object is transformed into a liminal space – a place defined by ambiguity, impermanence, and estrangement.</p>
            </trans-abstract>
            <counts>
                <fig-count count="6"/>
                <ref-count count="2"/>
            </counts>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec>
            <title>Paisagem, surrealismo e liminaridade</title>
            <p>O presente ensaio visual marca meu rencontro com uma construção visual recorrente: o plano quadriculado, que tanto pode ser piso<bold><sup><xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref></sup></bold>, quanto tabuleiro, e apresenta o lugar do rei, da rainha, dos peões ou das damas. Na produção e seleção das imagens também enquadro o mesmo tema, articulando a apropriação artística de uma situação urbana para cristalizar uma alegoria do jogo e rever o espaço de conflito.</p>
            <p>A obra alegórica é sempre uma espécie de comentário, e pode ser concebida nessa atitude de reescritura incorporada pela tática de apropriação. Como considerou Craig Owens (<xref ref-type="bibr" rid="B02">1980</xref>), o alegorista “não inventa as imagens, mas as confisca” para se tornarem outras (<italic>allos</italic> = outra + <italic>agoreuei</italic> = dizer).</p>
            <p>As imagens das quais me aproprio são as já presentes na paisagem urbana. Assim, podemos pensar que as fotografias sempre são espécies de <italic>readymade</italic>, aqueles objetos pensados por Marcel Duchamp (1887-1968), enquanto obras prontas. Importa lembrar que Duchamp também foi um jogador profissional de xadrez que se apropriou do tabuleiro como enquanto um campo racional para movimentos estratégicos análogos ao processo de composição poética, pois as peças do jogo em si poderiam ser as palavras.</p>
            <p>Os tabuleiros apresentados nesse ensaio são objetos “físicos e encontrados” na região central da cidade de Campinas, mais precisamente na praça Prof. Silvia Simões Magro (-<italic>22.906712</italic>, –<italic>47.054294</italic>). Enquanto documentos, as imagens apresentam uma realidade degradada e de abandono geral do equipamento urbano. Por outro lado, além dessa concretude, ao capturar as imagens considerei observar uma certa ambiência relativa a uma condição de estranhamento e isolamento.</p>
            <p>Justamente, partindo da concepção da apropriação fotográfica desloco as imagens para a construção poética mais próxima da operada pela estratégia surrealista diferente de Duchamp, que considerava a inserção dos objetos industriais. Os surrealistas consideravam os objetos (<italic>objets trouvés</italic>) mais afinados a uma percepção onírica, ou seja, como se fossem retirados diretamente dos sonhos. Em 1924, o poeta e artista André Breton (1896-1966) descreveu tais objetos como difíceis de serem definidos objetivamente devido ao deslocamento de suas estéticas ou funções práticas, inserindo-os em uma classificação de tipos como objetos naturais, interpretados, matemáticos e poéticos, entre outros (Breton <italic>apud</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B01">Brotchie; Gooding, 1995</xref>).</p>
            <p>De forma particular, interessa a classe de objetos “perturbados, concebidos pelo surrealismo como naturais ou manufaturados que sofreram algum tipo de “deformação, segundo Breton (<italic>ibidem</italic>). Ao mesmo tempo, também importa a categoria dos “encontrados”, que são os objetos que aparentam ter sido destinados àqueles que os encontram, e cujas funções devem ser descobertas no momento do achado.</p>
            <p>Como sujeito do encontro, eu proponho uma leitura e rescrita visual sobre a paisagem urbana, desvelando suas condições de esquecimento, de absurdo e de maravilhoso (<italic>le merveilleux</italic>) – conceito fundante que situa o próprio surrealismo na fusão ou colisão entre sonho e realidade. Num primeiro contato, por seus aspectos formais pitorescos, os objetos mereciam ser fotografados por suas texturas, ruídos e abstrações visuais, detalhes que agora formam as superfícies quase táteis das imagens.</p>
            <p>Por outro aspecto, os efeitos do desgaste temporal também denotam o esfarelamento do próprio campo de jogo, o abandono recalcado nas quadras gastas, o esmaecimento do objeto relacional e de suas poéticas que despotencializam os afetos imanentes do território urbano destinado ao lazer.</p>
            <p>Enfim, a mediação imagética opera intencionalmente a destituição do objeto a partir de seu campo formal ao mesmo instante que o insere numa suspensão transitória, deslocando seu estado para o conjunto formador de um espaço liminal, lugar de ambiguidade, impermanência e de estranhamento.</p>
            <p>
                <fig id="f01">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf01.jpg"/>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f02">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf02.jpg"/>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f03">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf03.jpg"/>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f04">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf04.jpg"/>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f05">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf05.jpg"/>
                </fig>
            </p>
            <p>
                <fig id="f06">
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-22-e2517748-gf06.jpg"/>
                </fig>
            </p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>Notas</title>
            <fn fn-type="other">
                <label>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic></label>
                <p>Texto aqui<italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 22, e2500000, 2025. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a00000">https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a00000</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>A utilização da estrutura em quadrículas também utilizei na obra intitulada “Elipse” ver em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://navaxbr.net/pt/elipse1">https://navaxbr.net/pt/elipse1</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">
                <label>1</label>
                <mixed-citation>Brotchie, A.; Gooding, M. <italic>A book of surrealist games</italic>. Boston: Shambhala Redstone Editions, 1995.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Brotchie</surname>
                            <given-names>A</given-names>
                        </name>
                        <name>
                            <surname>Gooding</surname>
                            <given-names>M</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>A book of surrealist games</source>
                    <publisher-loc>Boston</publisher-loc>
                    <publisher-name>Shambhala Redstone Editions</publisher-name>
                    <year>1995</year>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B02">
                <label>2</label>
                <mixed-citation>Owens, C. The Allegorical Impulse: Toward a Theory of Postmodernism. <italic>October</italic>, v. 12, p. 67-86, 1980. Doi: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.2307/778575">https://doi.org/10.2307/778575</ext-link>.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Owens</surname>
                            <given-names>C</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <article-title>The Allegorical Impulse: Toward a Theory of Postmodernism</article-title>
                    <source>October</source>
                    <volume>12</volume>
                    <fpage>67</fpage>
                    <lpage>86</lpage>
                    <year>1980</year>
                    <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.2307/778575">https://doi.org/10.2307/778575</ext-link>
                </element-citation>
            </ref>
        </ref-list>
    </back>
</article>