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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v20e2023a5256</article-id>
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                    <subject>ARTIGOS DE PESQUISA</subject>
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                <article-title>FICÇÕES URBANAS: FORMA E MEMÓRIA NA RUA DO CATETE <xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>URBAN FICTIONS: FORM AND MEMORY OF RUA DO CATETE</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2357-6489</contrib-id>
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                        <surname>SANTANA</surname>
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                    <role>construção teórico-metodológica de toda a pesquisa</role>
                    <role>revisão</role>
                    <role>arremate dos capítulos</role>
                    <role>adensamento crítico das conclusões</role>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6693-1575</contrib-id>
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                        <surname>ÁVILA</surname>
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                    <role>elaboração das análises e nas discussões finais</role>
                    <role>construção da metodologia</role>
                    <role>aplicação do estudo de campo</role>
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                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-1891-3444</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>GARRO</surname>
                        <given-names>JORGE ALFONSO ASTORGA</given-names>
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                    <role>elaboração das análises e nas discussões finais</role>
                    <role>construção do arcabouço teórico sobre memória</role>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Arquitetura e Urbanismo</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Correspondência para/Correspondence to: E. PINHEIRO | E-mail: <email>ethel@fau.ufrj.br</email>
                </corresp>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>A evolução da cidade do Rio de Janeiro foi pontuada por influências e impactos que se refletem em sua paisagem e forma urbana atual. A construção do metrô, na década de 1970/80, é um caso de exemplar intervenção urbana que marcou significativamente a morfologia de alguns bairros cariocas. A atual configuração da Rua do Catete é o resultado da combinação de trechos preservados, com edifícios construídos em terrenos remanescentes das demolições e persistência de vazios urbanos, sem clara articulação. O objetivo deste artigo é, portanto, apresentar uma análise das alterações morfológicas verificadas na Rua do Catete, desde 1960, e sinalizar as mudanças promovidas em seu estrato físico e histórico através de narrativas proporcionadas pela justaposição de relatos memoriais. Tal ação visa evidenciar o atual cenário complexo e reforçar a conexão memória/espaço físico/usos e práticas locais, que é parte de uma pesquisa maior, oriunda de dissertação de mestrado. A metodologia de pesquisa se configura através de junção entre abordagem pela forma, estudos por narrativas e o método “Palácio de Memórias” — aplicado à Rua do Catete, ratificando um dos pontos principais para este trabalho: a necessidade de aprender com os registros e modificações urbanas do passado para se compreender as necessidades de hoje. Deste modo, este artigo leva a conclusões que permitem evidenciar que a desterritorialização e a territorialização dos espaços urbanos precisam ser colocadas em questão por meio das contribuições em micro-escalas, aquelas que permitem olhar o usuário e os fenômenos de forma sistêmica à forma.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>The evolution of the city of Rio de Janeiro was marked by influences and impacts that are reflected in its landscape and current urban form. The construction of the subway, in the 1970s/80s, is a case of exemplary urban intervention that significantly marked the morphology of some neighborhoods in Rio. The current configuration of Rua do Catete (Catete Street) is the result of the combination of preserved stretches, with buildings built on land remaining from demolitions, and persistence of urban voids, without clear articulation. The objective of this article is, therefore, to present an analysis of the morphological alterations verified in Catete Street since 1960 and to indicate the changes promoted in its physical and historical stratum through narratives provided by the juxtaposition of memorial accounts. This action aims to highlight the current complex scenario and reinforce the connection among memory/physical space/local uses and practices, which is part of a larger research, coming from a master's dissertation. The research methodology is configured through the combination of an approach by form, study of narratives, and the ‘Palácio de Memórias’ (Palace of Memories) method – applied to Catete Street –, ratifying one of the main points for this work: the need to learn from the records and changes of the past to understand current needs. Thus, this article leads to conclusions that allow to evidence that the de-territorialization and territorialization of urban spaces need to be questioned through micro-scale contributions, those that allow looking at the user and the phenomena in a systemic way to the form.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Palácio de Memórias</kwd>
                <kwd>Forma urbana</kwd>
                <kwd>Paisagem Urbana</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Palace of Memories</kwd>
                <kwd>Urban Form</kwd>
                <kwd>Urban Landscape</kwd>
            </kwd-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>INTRODUÇÃO</title>
            <p>TODA CIDADE É FORMADA por muitas camadas de tempo. No entanto, ainda não é prática completamente absorvida e estruturada a necessidade resoluta por planejar e preservar bairros e seus ícones edificados (prédios e marcos patrimoniais), diante de mudanças sensíveis e constantes. As políticas de intervenção, muitas vezes, lidam com essas condicionantes materiais (o edifício, o monumento, a praça), para estabelecer jogos de ação e reparação que nem sempre logram sucesso para a manutenção da imageabilidade completa de uma cidade. Ela (a cidade), em seu valor material, comporta uma necessidade de manutenção que interessa à experiência urbana contemporânea, e tal valor de continuidade pode surgir na reformulação das malhas urbanas e na busca por reminiscências imateriais, ou o “uso da memória”, para sua morfologia.</p>
            <p>Tal perspectiva é bastante associada a um <italic>status quo</italic> e muito pouco a uma <italic>praxis</italic>. Os valores materiais nem sempre são absorvidos e ponderados nas mudanças urbanas e, minimamente, são os valores imateriais (como as celebrações, os usos preponderantes e a cultural local). Grandes e drásticas ações de remodelagem urbana acabaram afastando o <italic>modus vivendi</italic> de pequenos grupos e interferindo nas expressões, tanto pela mudança da forma quanto pela mudança de usos implicada, como a história do urbanismo nos apresenta. Grandes planos urbanísticos, como o Plano Turgot, em Paris (1734-39), ou o Plano Cerdà, em Barcelona (em 1859), demonstraram que, mesmo com um grande planejamento<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref> e atenção a conceitos como circulação, convívio social e homogeneização, ainda assim o problema da forma urbana resultante pode tipificar resultados muito danosos para as micro-escalas, onde a convivência e a troca de informações residem.</p>
            <p>No caso do Rio de Janeiro, onde a quantidade de intervenções urbanas se amontoa e coaduna por variados segmentos de tempo<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>, as épocas se misturam estilisticamente no contexto urbano, fundando muitas colagens — nem sempre bem estruturadas.</p>
            <p>A cada novo momento de organização social, determinado pelo processo de evolução das estruturas que a compõem, a sociedade conhece então um movimento importante que a obriga a se reposicionar como habitante. O mesmo acontece com o espaço: novas funções aparecem, novos atores entram no cenário, novas formas são criadas e transformadas (<xref ref-type="bibr" rid="B01">ABREU, 1988</xref>).</p>
            <p>As modificações da trama urbana do Rio de Janeiro foram originárias de um crescimento populacional relevante, sobretudo durante a segunda metade do século XIX e o início do século XX. Aumentava não apenas a população nativa, mas também a população migrante (nacional e estrangeira), seduzida pela sua situação da capital, onde estavam agrupadas todas as decisões políticas e culturais do país.</p>
            <p>Por conta disso, ocorreu uma grande concentração demográfica em certas áreas do Rio de Janeiro no início do século XX. Uma grande reunião de edifícios e gente na área do porto, por causa das indústrias e do comércio nacional (e internacional), gerando nesta área habitações com alto índice de população e a proliferação de cortiços e espaços insalubres.</p>
            <p>Porém, mais próximo às praias da zona Sul, essa imagem era diferente. Por serem considerados locais bons para a saúde, com casario amplo, de boa iluminação e ventilação, as classes com maior poder aquisitivo buscavam residir nesses locais.</p>
            <p>Em meados do século XX, as mudanças chegaram ao bairro do Catete, reduto de muitos governantes à época. Aprovado em 1947 (PAL 12773 PAA 18791), o projeto de urbanização do bairro do Catete previa a mudança do bairro por completo, em que todas as casas, palacetes, prédios e sobrados seriam demolidos para, no local, serem construídos edifícios baseados no Plano Agache. No entanto, foi construído apenas um edifício seguindo o modelo do Plano, que fica na esquina da Rua Almirante Tamandaré, e o restante do projeto não chegou a sair do papel, como podemos observar na <italic><xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref></italic>.</p>
            <fig id="f01">
                <label>FIGURA 1</label>
                <caption>
                    <title>Demarcação de edifício que seguiu o modelo do Plano Agache, localizado na esquina da Rua Almirante Tamandaré com a Rua do Catete.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf01.tif"/>
                <attrib>Fonte: Mapa original editado pelos autores (2019).</attrib>
            </fig>
            <p>Em 1970, inúmeros sobrados centenários foram demolidos em decorrência da “renovação urbana” e das obras do metrô. Sendo a obra a céu aberto, em tempo anterior ao “tatuzão”, a Rua passou por um verdadeiro arrasamento, como pode ser observado nas <italic><xref ref-type="fig" rid="f02">Figuras 2</xref></italic> e <italic>3</italic>.</p>
            <fig id="f02">
                <label>FIGURAS 2 e 3</label>
                <caption>
                    <title>As imagens ao lado mostram a verdadeira “terra arrasada” que se transformou o Largo do Machado (à esquerda) e a Rua do Catete (à direita), durante as obras do metrô nos anos 70”.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf02.tif"/>
                <attrib>Fonte: Acervo de &lt;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://rioquepassou.com.br/page/556/">https://rioquepassou.com.br/page/556/</ext-link>&gt;.</attrib>
            </fig>
            <p>A partir da busca pela compreensão da perda de identidade local e dos usos correntes, tanto pelos arrasamentos e mudanças formais da Rua do Catete no Rio de Janeiro, desde meados do século XX até hoje, quanto pela mudança de paradigmas, surge, por meio deste trabalho, a abordagem da relação memória/história pela experiência e pela narrativa dos habitantes locais. Também é de interesse o papel representacional de centralidade e ostensão do poder político e econômico de outrora, que ainda se faz presente pela imposição linear que a Rua do Catete confere à mobilidade urbana e pelos edifícios remanescentes e vazios urbanos, que “narram” momentos e acontecimentos da Rua do Catete.</p>
            <p>Seguindo as considerações de <xref ref-type="bibr" rid="B08">Del Rio (2000)</xref>, parte-se da premissa de que, no desenho urbano, um estudo dessa natureza aparece principalmente como um método de análise para se detectar princípios, regras e tipos inerentes ao traçado da cidade, o que seria fundamental para futuras intervenções urbanas e para o reconhecimento de novas realidades.</p>
            <p>Este artigo propõe, assim, por meio da análise das mudanças do espaço urbano e a compreensão do espaço da cidade por uma tessitura de histórias e memórias, as narrativas, abordar as transformações articuladas ao longo dos anos na Rua do Catete, propondo uma análise do sítio antes e depois das modificações ocorridas no espaço após meados do século XX.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>MUDANÇAS NO CATETE: O ESPAÇO FÍSICO REMODELADO</title>
            <p>No início do século XVIII, a região do Catete era ocupada por chácaras e olarias, e o caminho passou a ser chamado “Estrada do Catete”. Após a chegada da Família Real Portuguesa, muitas das propriedades da região foram requisitadas para abrigar os nobres da corte, recebendo, assim o nome ‘Rua do Catete’. Na segunda metade do século, o bairro passou a ser servido por linhas de bonde de tração animal, que foram eletrificadas a partir de 1892.</p>
            <p>No ano de 1897, a sede da República se instalou no edifício “Barão de Nova Friburgo”, que passou a ser conhecido por “Palácio do Catete”. Políticos começaram a se instalar em hotéis e residências do bairro. O Rio de Janeiro, então capital da República, reuniu no bairro do Catete o centro das decisões do país e, por conseguinte, tornou o local um dos mais atrativos daquela época. Sua ocupação ocorreu de modo gradativo, reunindo diversas tipologias de edificação e de influências estilísticas.</p>
            <p>A preservação do patrimônio cultural significou uma completa reviravolta na identificação de bens de valor cultural dignos de proteção, naquele momento, já que antes estava restrita a bens de caráter monumental, por imponência arquitetônica ou em decorrência de fatos históricos grandiosos, como <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lipovetsky e Serroy (2015, p. 323)</xref> comentam:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Nessas novas políticas de renovação urbana, a salvaguarda do patrimônio construído não parou de ganhar importância desde os anos 1970-80. [...] E as reabilitações tem cada vez mais como alvo edifícios de menor estatuto histórico, assim como sítios patrimoniais mais recentes [...].</p>
                </disp-quote></p>
            <p>Pelo impulso progressista, e por estratégias políticas desenvolvidas na cidade do Rio de Janeiro, desde o início do século XX, através do Plano Pereira Passos, a cidade passou a ser reconhecida por seus habitantes como um “canteiro em obras” – fato que até hoje se mantém. Na segunda metade do século, com a transferência da capital (1961) e, posteriormente, a passagem do metrô (1970-80) por muitos pontos da cidade, o Rio de Janeiro passou a enfrentar uma perda de identidade<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>.</p>
            <p>Entre o início do século XX e meados dele, ocorreram grandes obras de remodelação como: o desmonte dos Morros do Castelo (década de 1920) e de Santo Antônio (década de 1950); a abertura da Avenida Presidente Vargas na gestão do prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), que exigiu a demolição de mais de 500 prédios, incluindo a Igreja de São Pedro dos Clérigos (que foi “destombada”); a destruição da Praça Onze (espaço tradicional e altamente simbólico, palco do desfile das escolas de samba da cidade) e de várias ruas. Em 1965 (4º centenário da cidade), foi inaugurado o Aterro do Flamengo (construído com o material resultante do desmonte do Morro de Santo Antônio).</p>
            <p>Após a transferência da sede da República para Brasília (em 1961), na década de 70, foram iniciadas as obras do metrô, levando a grandes e novas modificações de alguns bairros da cidade, com excessiva mudança da forma urbana, impressa em ruas mais largas, praças, becos e perdas edilícias. Com as obras de construção do metrô, entre as décadas de 70 e 80, o bairro do Catete sofreu uma grande transformação, em razão das mudanças e interdições espaciais, e a perda dos remanescentes arquitetônicos, inclusive grande parte dos sobrados que, durante o Brasil Colônia e o Império, eram considerados residências das elites, destacando-se em relação à habitação do restante da população.</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>A demolição de grande parte do casario de numeração ímpar da Rua do Catete destruiu o cenário bucólico, embora sombrio, daquela rua. O largo que se abria no espaço fronteiro ao Palácio do Catete, após um percurso estreito em curvas, era de uma dramaticidade inigualável. Hoje, uma ampla perspectiva se abre de longe, acabando com aquele fator que a urbanista portuguesa Maria da Luz chama de espaço da surpresa</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, 2018</xref>, <italic>online</italic>).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>O tecido urbano que se encontrava consolidado desde o meio do século XX, após passar por mudanças desde a gestão do Prefeito Pereira Passos, esvaeceu-se. Com isso, grandes referências do bairro e até da cidade, como a Garagem dos Bondes, o Cinema São Luiz e o Café Lamas, que faziam parte do casario do lado ímpar da rua, foram colocados abaixo pelas obras do metrô.</p>
            <p>O bairro do Catete e a Rua do Catete testemunharam, em resumo, uma revolução de movimentos, estilos e ações políticas. Suas vias foram mudando de espessura e dando novas formas aos quarteirões edificados, assim como os espaços vazios resultantes foram ressignificados e ainda hoje são objeto de problematização.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B19">Lynch (1999)</xref> traria as vias como uma das condicionantes para as grandes mudanças de forma e uso, mas, neste trabalho, após esta consideração inicial sobre a evolução urbana do Catete, queremos demonstrar que, mais além, a repercussão de mudanças drásticas em um espaço central e pouco extenso precisa estar em acordo com as mudanças dos agentes memoriais e simbólicos do espaço, como cita <xref ref-type="bibr" rid="B15">Knauss (2013, p. 14)</xref>:</p>
            <p>Isso leva a uma percepção da história desgarrada da experiência do presente e que não permite perceber o quanto estas áreas urbanas se constituíram como espaços idealizados da cidade. Nesses termos é que se pode dizer que os bairros históricos se constituem como lugares de memória.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A MEMÓRIA COMO DISPOSITIVO DE REPRESENTAÇÃO</title>
            <p>Em suas notáveis teses “Sobre o conceito da história”, Walter <xref ref-type="bibr" rid="B05">Benjamin (1985)</xref> declara que articular historicamente o passado não significa conhecê-lo exatamente como o mesmo ocorreu, e sim apoderar-se de uma lembrança, tal como ela cintila em um instante de perigo. Assim como nas tendências e crenças prévias para preencher lacunas de lembranças, juntamos ‘peças’ espaciais na nossa mente, quando reconstruímos nossa memória episódica, o que prova que nossa memória episódica é bastante flexível. Ao deixarmos nossa mente ‘viajar’, ela mesma se alterna entre o ato de lembrar e imaginar. Como resultado, o mesmo maquinário que reúne todas essas peças para relembrar o passado pode reunir algumas dessas peças, junto a outras, para simular futuros (<xref ref-type="bibr" rid="B23">PINHEIRO, 2010</xref>).</p>
            <p>Quando consultamos a “memória” como ideia de arquivo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">DERRIDA, 2001</xref>), buscamos um caminho para acessá-las em nossas reminiscências (de muitos tempos). Narrativa, espaço e sensibilidade são a base de algumas das nossas memórias mais fortes, e toda narrativa precisa de uma base espacial, assim como a memória (<xref ref-type="bibr" rid="B14">JODELET, 2002</xref>).</p>
            <p>A cada presente superado, uma parte não existe mais, fica para trás, e é essa parte que, como memória ou como história, pode ser, de algum modo, recordada. Recentemente, observamos com mais ênfase movimentos de rememoração que levam a adotar o esquecimento para alguns fatos indesejados, memórias hoje reinterpretadas que outrora, como sempre, valoraram outros heróis, podemos dizer que há, sempre, um proposital e seletivo esquecer, natural aos grupos sociais.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B25">Ricoeur (1994)</xref>, o espaço é equivalente ao tempo contado, ou seja, é construído como um arquivo da memória. O ponto de partida para essa afirmação se encontra exatamente na questão: “O tempo torna-se tempo humano na medida em que é articulado de um modo narrativo, e a narrativa atinge seu pleno significado quando se torna uma condição da existência temporal” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">RICOEUR, 1994</xref>, p. 85).</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>A memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos e, nesse sentido, ela está em permanente evolução, aberta a dialética da lembrança e do esquecimento, inconsciente de suas deformações sucessivas, vulnerável a todos os usos e manipulações, susceptível de longas latências e de repentinas revitalizações</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B21">NORA, 1993</xref>, p. 3).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Mas não se poderá guardar todo um passado, uma existência, na caixa de leitura. <xref ref-type="bibr" rid="B04">Benjamin (1995)</xref> cita a impossibilidade de se ter acesso total ao esquecido, o que poderia ser bom — o ato de esquecer perante o choque destruidor da recuperação. Huyssen corrobora ao mencionar: “De qualquer modo, a memória parece exigir esforço e trabalho, enquanto o esquecimento, por outro lado, apenas acontece” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">HUYSSEN, 2004</xref>, p. 157).</p>
            <p>As memórias, decerto, são “rememoráveis” por seu poder de reinvenção e, nesse processo, fica claro que há uma escolha: não se pode retornar ao passado como um todo, o que podermos é separar trechos deste e reinterpretá-lo espacialmente, como cita <xref ref-type="bibr" rid="B23">Pinheiro (2010)</xref>:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Para Machado (2006), devemos interagir com as cidades e suas memórias particulares como um estrangeiro que consegue estabelecer a distância necessária para desconfiar das coisas demasiadamente familiares e, desta forma, problematizar o presente para compreender melhor os (des)caminhos desta cultura da memória</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B23">PINHEIRO, 2010</xref>, p. 83).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Neste sentido, uma história contada materialmente com poucos fragmentos, com poucos registros e com grandes perdas, reflete as vidas anônimas que contribuíram para a construção da Rua do Catete, desde a mata natural até a cidade atual onde se encontra — local que sofreu com litígios e alterações brutas em nome da modernidade, da expansão de uma crença em uma cidade melhor e maior que recortou a floresta, envolveu os rios, remoeu a terra e recortou os tecidos urbanos. Uma rua caminho que recebeu a nobreza Real, depois a República, e perdeu destaque para Brasília, que recortou quadras e largos para fomentar um longo período de obstrução da Rua, a rua pública sinuosa que, agora, retificada e alargada, segue sobre um túnel onde um outro veículo, o metrô, ajuda ônibus e carros acima na mobilidade insolúvel, que outrora era feita por animais. Novamente, a forma urbana se entrelaça, conceitualmente, às mudanças que a memória (como conceito) faz aflorar.</p>
            <p>São essas isoladas e particulares contribuições dos participantes ordinários da cidade que constroem um lócus, uma “ágora paralela” moldada junto aos espaços reminiscentes, com muitos cercados, como castelos, a proteger objetos e histórias. Em busca desta narrativa da cidade que se ativa pelos usos locais, praticados por usuários cotidianos, a memória se faz então como um dispositivo, algo que aciona a compreensão do espaço físico e possibilita ressignificar a cidade, como o subcapítulo a seguir demonstrará.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>ENTRE A FORMA E A MEMÓRIA: NARRATIVAS DO ESPAÇO URBANO</title>
            <p>A análise morfológica da Rua do Catete revela a mudança da volumetria e dos espaços livres após a passagem da obra do metrô; para denotar isso, foram utilizados dois mapas da Rua do Catete em dois momentos diferentes, um de 1930 e o outro de 2001, após o término das obras do metrô. A <italic><xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 4</xref></italic> mostra a demarcação da área de análise, que é estabelecida entre o Largo do Machado (em amarelo) e a Rua Pedro Américo (em verde).</p>
            <fig id="f03">
                <label>FIGURA 4</label>
                <caption>
                    <title>Mapa do recorte espacial a ser analisado – Rua do Catete, entre Rua Pedro Américo e Largo do Machado.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf03.tif"/>
                <attrib>Fonte: Mapa original editado por autores (2020).</attrib>
            </fig>
            <p>As obras de 1970-80 de passagem do metrô pelo bairro modificam usos significativos e promovem grandes demolições, tornando toda a artéria deste bairro (a Rua do Catete) uma linha de obstáculos que, ainda hoje, em 2021, reflete tais processos de desterritorialização. A <italic><xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 5</xref></italic> mostra a área antes da obra do metrô, em 1930, e a situação imediatamente depois, em 1980.</p>
            <fig id="f04">
                <label>FIGURA 5</label>
                <caption>
                    <title>Mapa da Rua do Catete nos anos de 1930/2000 mostrando antes e depois das obras do metrô</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf04.tif"/>
                <attrib>Fonte: Mapa arquivo da Prefeitura do Rio de Janeiro, com inserções dos autores (2020).</attrib>
            </fig>
            <p>Seguindo as categorias de análise propostas por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Lamas (1993)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B16">Kohlsdorf (1996)</xref>, pretendemos demonstrar, a seguir, a interdependência entre morfologia edificada (massa) e forma urbana (plano), pois é onde se colocam mais claramente as relações entre a interseção cidade e arquitetura.</p>
            <p>A área localizada em frente ao Largo do Machado (espaço alargado, público e livre no Rio de Janeiro), onde o casario do lado ímpar foi totalmente demolido, abrigava prédios/lugares importantes para história da cidade, como o Café Lamas e a Garagem de Bondes, que era a maior da região, como podemos ver na <italic><xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 6</xref></italic>.</p>
            <fig id="f05">
                <label>FIGURA 6</label>
                <caption>
                    <title>Área onde se localizava a Garagem dos Bondes (2) e o antigo Café Lamas (1) (1930/2000).</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf05.tif"/>
                <attrib>Fonte: Arquivo da Prefeitura do Rio de Janeiro, com intervenção dos autores (2020).</attrib>
            </fig>
            <p>Na área analisada da <italic><xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 6</xref></italic>, no bairro do Catete, nota-se que, antes da passagem do metrô, o casario se instalava em uma forma linear de organização. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B07">Ching (2008)</xref>, uma forma linear pode ser segmentada ou curvilínea, a fim de responder à topografia, à vegetação, às vistas ou a outras características de um terreno. Portanto, a forma linear está sempre servindo às mudanças impostas por perdas múltiplas.</p>
            <p>Na <italic>Figura 6</italic>, após a passagem do metrô, não se encontra mais o casario disposto em forma linear, e sim um edifício, um grande vazio urbano em um terreno do metrô. Hoje, nesse edifício, está o Cinema São Luiz, que, por sua vez, também teve seu antigo edifício demolido pela passagem do metrô subterrâneo, como podemos ver nas <xref ref-type="fig" rid="f06"><italic>Figuras 7</italic> e <italic>8</italic></xref>. <xref ref-type="bibr" rid="B24">Pinheiro e Duarte (2008)</xref> colocam que:</p>
            <fig id="f06">
                <label>FIGURAS 7 e 8</label>
                <caption>
                    <title>Antigo prédio do Cinema São Luiz (à esquerda) e novo prédio (visão de topo, à direita), que hoje se encontra no lugar no casario demolido; pode-se notar também, em vermelho, na Figura 8, o grande vazio promovido pela obra do metrô entre 1970-80.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-20-e235256-gf06.tif"/>
                <attrib>Fonte: Foto colorizada por Eduardo Bertoni e <italic>Google Maps</italic>, acesso em 2020.</attrib>
            </fig>
            <p><disp-quote>
                    <p>[...] as construções dos espaços urbanos são máquinas enunciadoras, ou seja, seu alcance vai além de suas estruturas visíveis e funcionais, pois interpelam os sujeitos das mais variadas maneiras: histórica, funcional, afetiva, simbólica, estilística. Cada conjunto material (rua, prédio, cidade) é um foco de subjetivação</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B24">PINHEIRO; DUARTE, 2008</xref>, p. 71).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Diante dessa premissa, é consequente ressaltar que a mudança da estrutura urbana, suas perdas e acréscimos formais, assim como a maneira com que a forma interpela a passagem e a pausa humana, interferiram consideravelmente na forma com que toda a Rua do Catete passou a ser entendida por seus usuários.</p>
            <p>A mudança de escala ao longo da Rua, modificando o tempo e a consistência da experiência daqueles que sempre usufruíram dela como um passeio “lento” e contemplativo, até meados de 1960, tornou a força linear uma aliada da velocidade, não apenas das máquinas (motos, carros e ônibus), mas também das pessoas. A “fotografia” da Rua do Catete em 2020, por exemplo, é caótica e desajustada, como quando, durante as obras do século XX, a Rua e suas histórias estão constantemente se redesenhando diante do impacto do ganho e da perda de memória pelas constantes mudanças espaciais.</p>
            <p>À frente da “escrita da cidade”, ocorrem transformações não somente em termos de locus, mas também nas maneiras de leitura das suas personagens. Em outras palavras, a metrópole — narrada —, pode ser um espaço textual, coberto pelo que <xref ref-type="bibr" rid="B06">Bolle (1994)</xref> chama de “escrita da cidade”. Não há mais um herói protagonista nesse enredo, mas sim a cidade e seus habitantes, que “tomam a palavra”; não há mais um narrador onipresente, seja ele a força governamental, que manipula o planejamento urbano, ou o que está registrado, mas um pedestre, um transeunte entregue aos estímulos visuais da rua e das propagandas, ao barulho do trânsito, que tropeça e esbarra em outros pedestres e obstáculos.</p>
            <p>É justamente nessa inter-relação da forma, em grande escala, com a dinâmica da vida cotidiana, que todo individuo procura auxílio em sua memória para delinear o espaço urbano modificado. Para alcançar tal objetivo, esta pesquisa buscou construir uma metodologia de trabalho que tornasse possível a apreciação dos acontecimentos em ordem não cronológica, mas experimental, e que abordasse a cidade por uma tessitura de histórias e memórias, por meio das narrativas.</p>
            <p>Tratar da questão das narrativas para interpretar as mudanças que alguns cenários cariocas vêm passando, desde sua colonização, como uma das cidades mais antigas do Brasil, colocou-se como uma questão difícil. Com vários caminhos já definidos por outras pesquisas no campo da sociologia, da história, da geografia e até mesmo da arquitetura, ao pensar sobre como abordar a caracterização e a compreensão da Rua do Catete, a ideia de “enfocar” narrativas associadas à forma da Rua do Catete tornou-se preponderante para efetivar respostas mais complexas, humanizadoras e críticas sobre esse espaço físico linear e entrecruzante do bairro do Catete.</p>
            <p>O ato de interpretação do passado se dá na análise e explicação do estado devaneador no qual se encontra o fenômeno, em sua tradução para a linguagem. Configurando-se enquanto uma imagem e produto das mudanças morfológicas e político-sociais, surge esse resgate que se dá através de uma coleção de narrativas dispostas pelos informantes sobre o espaço, construindo histórias por meio dos relatos que souberam/viveram. Através deste re-trabalho interpretativo das personagens elencadas na Rua do Catete, ou seja, relacionadas ao espaço físico, o passado se faz presente de forma transfigurada por meio de lembranças encobridoras de atos de memória, revelando uma “outra cidade” e uma “outra estória”.</p>
            <p>A narrativa surge, então, dessa “coisa” que ainda pulsa, onde não poderemos voltar ao lugar/evento acontecido, onde só temos acesso aos vestígios do mesmo através de discursos — que são arquivos móveis. O passado, então, torna-se essa virtualidade e se coloca em uma condição de olhar para diversos vestígios e tentar dialogar com tal discurso (<xref ref-type="bibr" rid="B09">DELEUZE; GUATTARI, 1996</xref>), onde o passado ainda pulsa e é a matéria-prima.</p>
            <p>O método utilizado para possibilitar essa etapa da pesquisa foi, então, o Palácio de Memórias, também conhecido como Método de <italic>Loci</italic> (lugar, em latim), utilizado pela maioria dos oradores desde a antiguidade para executar seus discursos sem nenhum tipo de apoio, usando apenas a memória.</p>
            <p>Após as incursões pelo espaço físico da Rua do Catete, em busca de relatos e observações <italic>in loco</italic>, durante os anos de 2019 e início de 2020, foram realizadas entrevistas entre outubro e dezembro de 2019 (por meio de abordagem direta, pelos pesquisadores) com alguns informantes na Rua do Catete, e, nos relatos, percebeu-se que as reminiscências, em sua maioria, estão ligadas a lugares da Rua do Catete que se perderam. Quando o indivíduo começava a falar sobre a Rua, nunca a descrevia como um todo em sua lembrança, mas sempre focava em detalhe espacial, de forma ou de uso, de onde as suas memórias eram trabalhadas.</p>
            <p>É importante frisar que, ao trabalhar com pessoas e memórias, adentra-se a área das Representações Sociais, onde a fundamentação nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Moscovici (2002)</xref> é essencial, pois sinaliza as representações sociais não apenas como fatos coletivos, mas como constitutos das interações sociais do sujeito em seu meio físico.</p>
            <p>Outro importante ponto da pesquisa é a constatação de que algumas coisas que fortalecem nossas memórias também podem distorcê-las. Normalmente, com memórias emocionais, tendemos a lembrar do aspecto central do fato. Nossa atenção se foca na essência da experiência, então podemos esquecer alguns detalhes periféricos, pois memórias não são gravações em alta definição, estão mais para “[...] apresentações ao vivo” criadas com a contribuição de diversas partes do cérebro no tempo presente — uma “ilha de edição” (Wally Salomão).</p>
            <p>Através dos estudos das narrativas pelo método Palácio de Memórias, introduziremos, a seguir, como as relações que a memória extraída pelo método mencionado, juntamente à recorrência oral dos espaços físicos modificados na Rua do Catete, permitem fabricar uma compreensão errática, porém profundamente simbólica, das pessoas que experimentam a Rua do Catete em sua forma urbana atual.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>O MÉTODO “PALÁCIO DE MEMÓRIAS”</title>
            <p>Os procedimentos metodológicos apresentados neste capítulo foram desenvolvidos e utilizados na dissertação de mestrado intitulada: “Uma outra estória: representações da rua do catete pelas narrativas do “Palácio de Memórias”” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">ÁVILA, 2020</xref>). A mesma foi submetida ao comitê de Ética pela Plataforma Brasil, tendo sido aprovada sob o número CAAE 27832819.3.0000.5582. A sistemática do método construído, o “Palácio de Memórias”, se baseia fortemente no estudo aplicado ao campo, que “[...] constitui o modelo clássico de investigação no campo da Antropologia, de onde se originou” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GIL, 2002</xref>, p. 53), e é atualmente utilizado em diferentes domínios. Essa modalidade de pesquisa é realizada pessoalmente pelo próprio pesquisador, em contato com os informantes e com os espaços físicos.</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Basicamente, a pesquisa é desenvolvida por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevista com informantes para captar suas explicações e interpretações do que ocorre no grupo. Esses procedimentos são geralmente conjugados com muitos outros, tais como a análise de documentos, filmagens e fotografias</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">GIL, 2002</xref>, p. 53).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>O método “Palácio de Memórias” se organiza pela teoria da narrativa, inspirada no texto “O Narrador”. Produzido em 1936 por Walter Benjamim (1985), a obra ressalta a crise no ato de contar histórias e o declínio da experiência da narrativa. Na contramão dessa crise da narrativa, o método desenvolvido para a dissertação de mestrado (<xref ref-type="bibr" rid="B03">ÁVILA, 2020</xref>) se baseia em narrativas que privilegiam o que escapa à história oficial, mas se fixa à forma urbana: o cotidiano, o banal e o humano.</p>
            <p>O “Palácio de Memórias”<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref> é construído por meio de um lugar ou série de lugares na mente do indivíduo interpelado, o que influencia o armazenamento de informações para recuperação posterior. Com tempo e prática, qualquer um pode construir um Palácio de Memória, cuja utilidade não se limita a competições de memorização e trivialidades. Um “Palácio” básico pode ser seu quarto, por exemplo, ou a rua por onde sempre anda perto de casa. “Palácios” maiores podem ser baseados em uma catedral, uma longa caminhada para a loja da esquina, ou sua cidade inteira. Quanto maior ou mais detalhado é o lugar real, mais informação você pode armazenar no espaço mental correspondente.</p>
            <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B02">Tomás de Aquino</xref><xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref> (2016), é necessário um ponto de partida para se iniciar o processo da reminiscência. Por esse motivo, alguns rememoram a partir de lugares onde foi dito, feito ou pensado algo, utilizando o lugar como se fosse o ponto de partida da reminiscência.</p>
            <p>A primeira etapa do método é, então, permitir um clima amistoso, próprio das sondagens de viés etnográfico, <italic>in situ</italic> (ou seja, no local que se deseja analisar), com o informante. Em nossa pesquisa, os informantes não foram previamente definidos, pois eram aqueles encontrados pelas derivas e pesquisas pela Rua do Catete, durante o ano de 2019. Para iniciar o contato, bastava que a pessoa permitisse ser “perguntada”. As perguntas foram criadas em forma de roteiro, que levou as autoras a delinear, após a entrevista, categorias, como memória, identidade, simbolismo e foco espacial (ligado à forma e atributos do espaço). As perguntas eram abertas, o que permitia respostas longas, sempre gravadas e depois transcritas.</p>
            <p>As respostas transcritas, decodificadas pelas categorias e re-analisadas, portanto, tornaram-se elos das análises realizadas sobre as mudanças da forma urbana no bairro do Catete, especialmente da Rua do Catete. Por associação direta, os lugares mais modificados (os vazios urbanos, formados com perdas de prédios importantes e valiosos para a imagem ainda “eclética” e colonial da Rua do Catete, por exemplo, ou as mudanças de rotas e ruas) foram os mais repletos de narrativas, o que significa que toda mudança espacial esbarra também na produção de novas significações.</p>
            <p>Durante a pesquisa de campo, através da captação das narrativas dos personagens, percebemos que muitos tinham suas lembranças ancoradas em algum espaço modificado da Rua do Catete, ou seja, para começar a estruturar sua narrativa memorial, a oralidade surgia de algum lugar e, a partir desse lugar, surgiam muitas outras lembranças da rua.</p>
            <p>Com esse tipo de análise, foi imediato chegar à certeza de que muitos informantes possuíam seu “Palácio de Memórias” na Rua do Catete, não a rua de hoje, com edifícios de mais de 10 pavimentos em alguns trechos, e vazios impossíveis de serem transpostos (muitos estão murados ou são repletos de empenas cegas ao redor); o “Palácio” da maioria transcorria espaços e tempos, colocando-se em contato com a ‘capital do Rio de Janeiro’, ou com a vida pacata do Largo do Machado antes do metrô, ou mesmo com a truculência da Ditadura no Brasil.</p>
            <p>Alguns lugares ainda existentes (e resistentes), como o Colégio Zaccaria e o Palácio do Catete, foram bastante citados, mas também lugares que não existem mais e estruturas morfológicas que se perderam na década de 1970. O Bar Lamas, removido de seu lugar original, era sempre apontado nesse vazio criado pelas obras do metrô da Rua do Catete, assim como a Escola Rodrigues Alves e a garagem da CTC, antiga empresa de ônibus do estado. Alguns relatos denotam isso:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Em 1974, mudei-me da cidade de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, para o bairro, e frequentava o Bar Lamas, que era centenário e onde se encontravam diversos artistas e intelectuais. Lembro-me da garagem da CTC no Largo do Machado [...] Ali está ela</p>
                    <attrib>(C, 62 anos, grifo nosso).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Eu morava na Rua Silveira Martins quando era criança, ao lado do Palácio do Catete. Me lembro de escutar da Escola Rodrigues Alves, bem ali, onde eu estudava na época, a fanfarra presidencial e Juscelino saía na sacada para cumprimentar a multidão. Veja como isso é importante</p>
                    <attrib>(M, 73 anos, grifo nosso).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p><disp-quote>
                    <p>Minha relação com a Rua do Catete é de muito carinho e gratidão, afinal é o bairro onde eu vivo, onde a maior parte da minha família reside e onde pude fazer muitos amigos. Minhas maiores lembranças são da época de colégio, estudei no Colégio Zaccaria minha vida inteira [...]. Lembro que, às sextas-feiras, era obrigatório o almoço no Mc (McDonald’s) no Largo do Machado, esse espaço não é tão grande agora, está um pouco atordoado pela vida urbana, acho que a forma mudou... bem, a resenha da semana e a programação do final de semana eram feitas lá</p>
                    <attrib>(A, 32 anos, grifo nosso).</attrib>
                </disp-quote></p>
            <p>Através desse método, foram selecionadas histórias de pessoas comuns que enfrentaram os dilemas oferecidos pelas mudanças espaciais. Muitas não fazem parte daquela história oficial, com “h” maiúsculo, mas suas trajetórias iluminam aspectos que nos auxiliaram a compreender o encanto de suas narrativas de memórias e da possibilidade de manter vivas as formas espaciais que não podem se perder (mesmo que já tenham se perdido), pois são também suas memórias constitutivas de vida.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>O espaço urbano é o reflexo de movimentos transitórios e cotidianos; é através da vivência do indivíduo que acontece a percepção de mundo, na qual o espaço configura e alimenta sua existência. Através dessa vivência, negociamos toda relação de uso com o espaço e entendemos como esses procedimentos acontecem e como se constituem, para fundarmos histórias pessoais, pois é através delas que a cidade é construída e mantida em sua forma abstrativa (aquela que reside nos mapas cognitivos).</p>
            <p>A arquitetura, enquanto representação de tempos e grupos culturais, pode descrever uma sociedade, por meio dos espaços e seus símbolos, através do incentivo a experiências cognitivas. Sabemos que a experiência cognitiva é construída ao longo de nossa vida, até antes de nascermos, pois construímos nossa espacialidade e nosso conhecimento de acordo com o tempo e os acontecimentos. Construímos muitos “Palácios de Memória”.</p>
            <p>É importante frisar que não se deve confundir o método mencionado com Lugares de Memória, de Pierre Nora, pois os dois são diferentes. Em “<italic>Les Lieux de Mémoire</italic>”, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Nora (1997)</xref> nos fornece que os lugares de memória são, antes de mais nada, restos, ou seja, são rituais de uma sociedade. Ora, os “Palácios de Memória” são justamente o contexto onde as experiências, rituais e representações continuam vivas, mesmo que os espaços físicos tenham mudado.</p>
            <p>A memória, assim, pode ser encarada como justificativa para o esquecimento de muitos frequentadores da Rua do Catete, buscando assegurar, através dos dados repelidos, os acontecimentos ruins do passado (a saída da República, os eventos da Ditadura, as obras “sem fim” para a passagem do metrô). A lembrança é uma experiência de ressignificação, reconhecimento e de recriação dos acontecimentos (e de si mesmo). A história é reinterpretada pelo estado devaneador no qual se encontra o fenômeno, em sua tradução como imagem, mas sempre em associação com a forma urbana.</p>
            <p>Outro ponto importante neste estudo é a questão da identidade coletiva, que vai se formando com o passar dos anos pela associação do espaço construído/desconstruído com o espaço vivido. As manifestações próprias da vida cotidiana, carregadas de sentidos e sentimentos, constroem a identidade do lugar. Todos os dias registram-se mentalmente as ruas de uma cidade para ir ao trabalho, à escola, fazer compras, passear e, finalmente, voltar para casa. No percurso do dia, ao longo dos anos, quase nunca se pensa o que esses lugares significam para a história e para a cidade. A visão do alto, pregada por mapas e por tantos planos de remodelamento, não é a mesma para quem vive a visão “de dentro”. A mudança, na forma urbana, ganha nome de evento; o barulho promovido pelas máquinas que fazem as mudanças é colocado como resquício de um momento; e a aparência do que sobra disso é, sempre, ressignificada.</p>
            <p>No caso da Rua do Catete, o Palácio do Catete, os sobrados e mesmo os edifícios sem grande valor arquitetônico ou artístico contam a história de diferentes momentos vividos pela cidade, como as ruas “atalho”, que se perderam, as praças, que foram aglutinadas por outros edifícios ou que sobraram em um canto ermo, sem valor. Todos esses elementos, à altura do observador, podem ter um papel importante na construção da identidade de um lugar, por seu valor para a memória coletiva da população e pela cultura local.</p>
            <p>As narrativas possibilitadas pelo “Palácio de Memórias”, expostas pelas personagens da Rua do Catete, mostram a importância do “narrar” para a construção do sujeito, e essa importância é reconhecida pela retomada “salvadora” de um passado. Na arquitetura, a ordem narrativa instaurada se revela nos processos decorrentes da ocupação do espaço urbano, nos procedimentos da leitura e na interpretação da forma modificada, chegando à compreensão do projeto enquanto uma narração, ou seja, a memória tem lugar, está inscrita no espaço, e esse, por sua vez, é tão etéreo quanto o conjunto de formas pelos quais um território pode passar.</p>
        </sec>
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        <fn-group>
            <title>NOTAS</title>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Artigo elaborado a partir da dissertação de P. P. ÁVILA intitulada “Uma outra estória. Representações da rua do catete pelas narrativas do ‘palácio de memórias’”. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura – PROARQ, 2020.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Além desses aspectos, Cerdà realizou estudo de qualidade ambiental e adotou traçado retilíneo no Plano para Barcelona, buscando tal qualidade. Cerdà também buscou uma relação dos edifícios com o número de usuários (hospital para tantas pessoas que moram perto do edifício, por exemplo). Essa preocupação também aparece no Plano Piloto de Brasília, de Lucio Costa, mas ambos os Planos demonstram que as modificações muito grandes e generalizantes não permitem o olhar atento para a pequena escala.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Uma das últimas ações de regulação urbana proposta no Senado Brasileiro ocorreu em 2019: a Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) aprovou o projeto de lei que define os tipos de planos urbanísticos para o ordenamento territorial urbano no país. De autoria do senador Antonio Anastasia (PSD-MG), o PL 5.680/2019 detalha quatro tipos de planos e exclui outros meios de regulação do uso do solo. O Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) estabelece o ordenamento territorial de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, e o plano diretor fixa o modelo territorial da cidade. Já o plano de urbanização define a ocupação do solo e as diretrizes para as zonas de expansão urbana. E o último plano, de pormenor, define o projeto urbano das áreas já urbanizadas que podem ser objeto de intervenções sob demanda de desapropriação. Fonte: Agência Senado. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/03/04/atualizacao-das-leis-de-tipificacao-de-planos-urbanisticos-vai-a-ccj#:~:text=O%20plano%20de%20desenvolvimento%20urbano%20integrado%20(PDUI)%20estabelece%20o%20ordenamento,as%20zonas%20de%20expans%C3%A3o%20urbana">https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/03/04/atualizacao-das-leis-de-tipificacao-de-planos-urbanisticos-vai-a-ccj#:~:text=O%20plano%20de%20desenvolvimento%20urbano%20integrado%20(PDUI)%20estabelece%20o%20ordenamento,as%20zonas%20de%20expans%C3%A3o%20urbana</ext-link>. Acesso em 5 jan. 2020.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Idealizada e executada pelo Prefeito Francisco Pereira Passos, entre os anos de 1903 e 1906, ocorre uma grande reforma urbana no Rio de Janeiro que, além de causar impacto de uma maneira estrutural e arquitetônica, também era vista como ideológica e buscava modernizar a cidade. Tendo em vista essa totalidade, a ideia de Reforma Urbana explorada na cidade nos primeiros anos do século XX tinha como finalidade eliminar problemas que ligavam a cidade ao seu passado. Sendo assim, foram propostas duas ações urbanísticas: uma conduzida pelo Governo Federal e projetada pelo então Ministro Lauro Muller e o Engenheiro Francisco Bicalho, e outra realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, na gestão do Prefeito Francisco Pereira Passos. A primeira teve como função a modernização do Porto do Rio de Janeiro e foi fundamentada e justificada na ideia de progresso. Já a segunda foi mais vasta e buscou agregar as distintas regiões da cidade ao seu centro urbano.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Desde muito cedo em sua pesquisa, uma característica da memória chamou a atenção de Freud. Em 1899, Freud escreveu um artigo ao qual chamou de Lembranças Encobridoras (Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. III; Ed. Imago, R.J.). Esses registros muito nítidos de fatos aparentemente irrelevantes que, quando analisados, revelam experiências reprimidas da infância.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://theweek.com/articles/465649/10-superhelpful-mnemonic-tricks">https://theweek.com/articles/465649/10-superhelpful-mnemonic-tricks</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Tomás de Aquino foi um frade católico italiano da Ordem dos Pregadores, cujas obras tiveram enorme influência na teologia e na filosofia, principalmente na tradição conhecida como Escolástica e que, por isso, é conhecido como “<italic>Doctor Angelicus</italic>”, “<italic>Doctor Communis</italic>” e “<italic>Doctor Universalis</italic>”.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>COMO CITAR ESTE ARTIGO/<italic>HOW TO CITE THIS ARTICLE</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>SANTANA, E.P.; ÁVILA, P.P.; GARRO, J.A.A. Ficções urbanas: forma e memória na rua do Catete. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v.20, e235256, 2023. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v20e2023a5256">https://doi.org/10.24220/2318-0919v20e2023a5256</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B01">

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                    <source>Comentário sobre “A memória e a reminiscência” de Aristóteles</source>
                    <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
                    <publisher-name>Edipro</publisher-name>
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                <mixed-citation>ÁVILA, P. P. Uma outra estória: representações da rua do catete pelas narrativas do “palácio de memórias”. 2020. 168 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="thesis">
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                    <source>Uma outra estória: representações da rua do catete pelas narrativas do “palácio de memórias”</source>
                    <year>2020</year>
                    <size units="pages">168 f</size>
                    <comment>Dissertação (Mestrado em Arquitetura) </comment>
                    <publisher-name>Universidade Federal do Rio de Janeiro</publisher-name>
                    <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
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            </ref>
            <ref id="B04">

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                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>BENJAMIN</surname>
                            <given-names>W.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <chapter-title>Sobre o conceito da história</chapter-title>
                    <source>Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura</source>
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                    <year>1995</year>
                    <comment>Obras Escolhidas, v. 1</comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B05">

                <mixed-citation>BENJAMIN, W. O narrador. In: BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1985. (Obras Escolhidas, v. 1).</mixed-citation>
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                    <comment>Obras Escolhidas, v. 1</comment>
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                    <source>Fisiognomia da metrópole moderna: representação da história em Walter Benjamin</source>
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