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				<journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Oculum Ens.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1519-7727</issn>
			<issn pub-type="epub">2318-0919</issn>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Programa de Pós-Graduação em Urbanismo</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a12002pt</article-id>
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					<subject>ENSAIO</subject>
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				<article-title>A imortalidade de um longevo</article-title>
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						<given-names>Andréa Cristina Soares Cordeiro</given-names>
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						<surname>Rola</surname>
						<given-names>Sylvia Meimaridou</given-names>
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					<label>1</label>
					<institution content-type="original"> Universidade Federal do Rio de Janeiro, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura. Rio de Janeiro, RJ, Brasil.</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Programa de Pós-Graduação em Arquitetura</institution>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">Correspondência para/<italic>Correspondence to</italic>: A. C. S. C. Duailibe. <italic>E-mail</italic>: <email>andrea.duailibe@fau.ufrj.br</email>
				</corresp>
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					<p>Patrícia Samorra</p>
				</fn>
				<fn fn-type="con" id="fn8">
					<p>There is no conflict of interest for the publication of the article.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>29</day>
				<month>12</month>
				<year>2024</year>
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			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2024</year>
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			<volume>21</volume>
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				<date date-type="received">
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				<date date-type="accepted">
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo:</title>
				<p>Este ensaio promove uma reflexão teórica sobre os sujeitos idosos como parte constitutiva de sociedades capitalistas sul-americanas, que são refletidas nos conteúdos urbanos. A proposta evolui a partir de um entrelace epistemológico e teórico interdisciplinar que pretende contribuir para as Ciências Sociais Aplicadas - em especial, para o Urbanismo e os campos multidisciplinares do Desenho Urbano. A pesquisa identifica os desafios enfrentados pelos idosos no contexto cultural e econômico da cultura capitalista de curto prazo. Um aspecto que se destaca na cultura da sociedade capitalista atual é como a dissincronia nas temporalidades estão profundamente enraizadas nas vivências dos sujeitos, sobretudo para os idosos. O ensaio reúne os desdobramentos de propostas investigativas distintas e correlatas a partir da articulação entre duas linhas de atuação (teórica e prática). Utilizando uma abordagem interdisciplinar, o tema se mostra relevante, na medida em que procura analisar conteúdos que emergem das consonâncias e das dissonâncias culturais capitalistas, a exemplo dos fenômenos de dissincronia que incidem nas vivências urbanas revelando fatores limitantes, particularmente para os sujeitos idosos.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Capitalismo de curto prazo</kwd>
				<kwd>Consumo</kwd>
				<kwd>Envelhecimento</kwd>
				<kwd>Idoso</kwd>
				<kwd>Longevidade</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>O presente ensaio promove uma reflexão teórica sobre os sujeitos idosos como parte constitutiva de sociedades capitalistas sul-americanas, que são refletidas nos conteúdos urbanos. A proposta evolui a partir de um entrelace epistemológico e teórico interdisciplinar que pretende contribuir para as Ciências Sociais Aplicadas - em especial, para o Urbanismo e os campos multidisciplinares do Desenho Urbano.</p>
			<p>A reflexão é inspirada pela temática proposta pela revista <italic>Oculum Ensaios</italic> para sua edição de 2024, em que são articulados três subtemas atuais e correlatos: o envelhecimento, o território e o ambiente. Em comum, os subtemas compartilham questões maiores, entre as quais, as temporalidades contidas nas culturas de sociedades capitalistas.</p>
			<p>O pressuposto que vivifica a ideia da “imortalidade de um longevo” se adere à temática proposta, destacando os caráteres objetivo e subjetivo da longevidade em uma perspectiva de <italic>continuum</italic> dos ciclos culturais de sociedades capitalistas refletidas no urbano. Nesse sentido, a dimensão cultural das sociedades urbanas admite a incidência de um componente temporal cada vez mais relativizado sobre os sujeitos e os seus processos.</p>
			<p>A dimensão cultural urbana se baseia em duas premissas associadas aos idosos como sujeitos das sociedades em recorte. Na primeira, um processo de envelhecimento que é vinculado a uma expectativa de vida cronometricamente preestabelecida; na segunda, um padrão de consumo de longevidade induzido culturalmente como estratégia de resistência aos processos de envelhecimento frente aos conteúdos urbanos presentes.</p>
			<p>A justificativa e a relevância do ensaio se vinculam à oportunidade de conexão entre os conceitos de longevidade e de consumo em sociedades urbanas, frente a uma perspectiva de como o urbano reflete essa interação e de que modo atende às necessidades de um segmento demográfico importante e variável. Com base nisso, onde, quando e como é situado o sujeito idoso de uma sociedade urbana como essa?</p>
			<p>A estrutura do texto revela, com efeito, dois desafios, quais sejam: epistemológico e de articulação teórica nos âmbitos das Ciências Sociais Aplicadas e das Ciências Sociais, a partir de duas linhas de atuação que se mostraram convergentes e complementares nos últimos seis anos.</p>
			<p>A primeira dessas linhas de atuação considera uma parte do referencial teórico das investigações realizadas no âmbito do Laboratório da Habitação e Inovação da Universidade Estadual do Maranhão entre 2018 e 2020 através da linha de pesquisa “Limites espaciais e espaços compartilhados” enquanto a segunda envolve uma seleção de autores cujas obras foram re-situadas e republicadas, de 2001 em diante, com base nos novos olhares desses pesquisadores sobre suas pesquisas, realizadas entre as décadas de 1960 e 1990, acerca de conteúdos culturais e urbanos de sociedades latino-americanas e sul-americanas.</p>
			<p>Vale ressaltar que a segunda linha corresponde aos recentes esforços de construção do referencial teórico de apoio à tese de doutorado da discente Andrea Duailibe, ora em desenvolvimento no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
			<p>O referencial teórico do ensaio é substanciado na articulação entre seis campos disciplinares, a partir das contribuições de pesquisadores-autores selecionados, sendo: da Antropologia Urbana, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Debert (2004)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>; da Antropologia, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>; das Ciências da Saúde, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Patrício et al. (2008)</xref>; da Geografia, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Santos (2011)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B10">Santos e Silveira (2021)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>; das Ciências Sociais na Gerontologia, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte e Brandão (2018)</xref>; da Psicologia, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>; da Sociologia, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (1999)</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bauman (2022)</xref>
			<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
			<p>O texto foi estruturado da seguinte forma: (a) introdução; (b) primeira seção, “Idosos não brotam em meio à multidão urbana!”, em que o idoso é entendido como um sujeito culturalmente multidimensional, que se encontra na parte final do que se presume ser um ciclo de vida humana, temporalmente pré-definido; (c) segunda seção, “Sujeitos em transição em sociedades capitalistas transitórias”, que atribui um caráter transitório a todos os componentes da sociedade urbana capitalista; (d) terceira seção, “Uma absoluta prioridade às pessoas idosas no direito brasileiro”, que trata do fato de que o sujeito, ao completar 60 anos, incontinentemente é colocado sob uma perspectiva dos seus direitos, como idoso, ao mesmo tempo em que se vê apequenado pelo assistencialismo; (e) quarta seção, “A senescência e a senilidade em sujeitos idosos: o epistêmico, o tempo e o subjetivo”, em que os conceitos de terceira e quarta idades são definidos e postos em uma perspectiva da participação e da inclusão nas sociedades; (f) quinta seção, “O consumo da longevidade”, em que é abordada a prática de uma cultura para o consumo do ilusório, e, por derradeiro, (g) as considerações finais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Idosos não brotam em meio à multidão urbana!</title>
			<p>A seção explora as possibilidades de percursos silógicos a partir de uma exclamação autorresponsiva e sob o pretexto de uma provocação. Do ponto de vista da admissibilidade, excluindo a controversa doutrina aristotélica de geração espontânea, por óbvio, restam caminhos mais interessantes e fundamentais para a evolução da reflexão.</p>
			<p>A exclamação surge de uma situação presente, em especial, na sociedade brasileira, em que no intervalo de 24 horas um sujeito se vê acometido de uma nova condição, ainda que não esboce qualquer sinal dela. </p>
			<p>Até os 59 anos de idade, um sujeito é considerado um adulto maduro, social e culturalmente pertencente ao mesmo grupo de outros, de 40 anos em diante. Então ele adormece e amanhece um idoso, um sujeito categórico. Nessa perspectiva, existe um ponto de partida temporalmente estabelecido para determinados fins; no entanto, é um marco que não condiz com uma metamorfose instantânea, nem mesmo com um “brotar”, sendo mais associado a uma rotulação.</p>
			<p>Assim como uma etiqueta é aplicada a um produto, a condição de idoso se impõe repleta de caracteres, ao mesmo tempo, condicionantes e vantajosos (sob o argumento de um atendimento direcionado e prioritário), mas que também oscilam entre a carga das responsabilidades preexistentes e a de uma eventual dependência de alguém. </p>
			<p>O caso expõe uma imposição que se ancora em uma lógica temporal de um ciclo de vida cronometricamente estabelecido, onde um conjunto normativo é conformado de modo a disciplinar e direcionar as ações da família, da sociedade e do Estado a esse sujeito categórico. Assim, são atribuídas responsabilidades através de direitos e deveres, com impactos para a sociedade e para o urbano que a reflete.</p>
			<p>Decerto que essa lógica temporal ainda responde a uma parte considerável das dinâmicas presentes, quer seja por princípios que regem a datação linear de conteúdos historiográficos definidos pelas sociedades (e com os quais elas são culturalmente familiarizadas), quer seja por um aparente rigor autoexplicativo de um sistema de periodização associado a fenômenos tangíveis.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Debert (2004)</xref>, o conceito de longevidade vem sendo assentado sobre bases mais fluidas e relativas em diversas pesquisas, em especial, em campos que admitem a adoção de estratégias multimétodos e que incluem abordagens subjetivas e interdisciplinares. Essas bases convivem com outras, inclusive com os princípios pré-relativistas mencionados.</p>
			<p>Um exemplo disso é a persistência da adoção do conceito de “velhice” como um critério de etiquetagem que se mostra equivocado (e perverso), em que a proposição despreza as vicissitudes evolutivas no decurso da vida humana, bastando, para tanto, que se imaginem os prejuízos às obras literárias, às revisões sistêmicas de pesquisas de referência e mesmo ao pensamento filosófico caso o envelhecimento fosse entendido somente no sentido de perdas sucessivas e não de acúmulos de conhecimento, de ganhos experienciais e de reposicionamentos de pontos de vista.</p>
			<p>Sob as óticas gerontológica e sociológica, os sujeitos idosos não representam um grupo que somente compartilha os sintomas inerentes ao envelhecimento, como uma categoria dependente, apartada e/ou dissociada das dinâmicas da sociedade.</p>
			<p>Essas percepções são parte de discursos que são comumente encontrados em textos e notícias e que expressam entendimentos subliminares ao texto constitucional brasileiro e às interpretações de dados estatísticos oficialmente estabelecidos, guardados os esforços originalmente empreendidos pelas garantias de direitos desses sujeitos.</p>
			<p>Os idosos são admitidos à presente reflexão como sujeitos multidimensionais sob os aspectos sociológicos, culturais e temporais, em que são considerados componentes de sociedades heterônomas e capitalistas; partes ativas de um conjunto sistêmico consciente e vivo e representantes de uma categoria diluída entre os diferentes estratos de uma sociedade capitalista.</p>
			<p>A próxima seção também se dedica a explorar o ciclo de vida humano dentro de um espírito de tempo (<italic>zeitgeist</italic>) em que as sociedades capitalistas admitem às culturas a coexistência entre referenciais de temporalidade distintos e concorrentes originados, em grande parte, nos paradigmas culturais da Física Clássica.</p>
			<p>Desse modo, a exclamação que intitula esta seção sugere um percurso original e consistente para a compreensão das articulações entre os sujeitos idosos de uma sociedade capitalista sul-americana e conteúdos urbanos transitórios e equevos à existência deles.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sujeitos em transição em sociedades capitalistas transitórias</title>
			<p>Os sujeitos considerados idosos em 2024 nasceram e cresceram, majoritariamente, entre as décadas de 1935 e 1960, salvas as exceções ao padrão de expectativa de vida vigente. Considerando um intervalo intergeracional aproximado de 30 anos entre esses sujeitos, emerge uma perspectiva de transitoriedade na qual é possível conceber uma incidência expressiva de valores culturais de fins do século XIX e da virada para o século XX. </p>
			<p>Um intervalo assim presume a coexistência entre diferentes grupos familiares, compostos por sujeitos em diferentes estágios da vida. Nesse caso, cada um deles se vale de um repertório distinto de valores, apropriados em territórios de interseção e construídos na mediação entre espíritos de tempo que correspondem a cada um deles. Isso porque não parece haver um limite claro entre os conteúdos culturais intergeracionais, estabelecidos como fronteiras a serem rompidas abruptamente; os conteúdos culturais também são suscetíveis às transições de temporalidades, de pensamentos, de comportamentos sociais, entre outros. </p>
			<p>Uma característica inusitada da sociedade capitalista atual é a maneira como o componente tempo é incorporado às vivências, sendo admitido aos processos como um mecanismo acelerador mais do que disciplinador das dinâmicas humanas urbanas, constituindo, antes de tudo, medidas de consumo expressas no urbano. </p>
			<p>Essa aceleração estabelece um contraponto às temporalidades admitidas em sociedades capitalistas tecnológicas analógicas; ou seja, aos intervalos cronométricos associados aos modos de vida de antepassados mais recentes. Um tempo que se apresentava como uma força poderosa capaz de reger mística e ciclicamente a vida em sociedade, em que o badalar dos sinos católicos ainda repartia o dia em três períodos a partir do alvorecer. Uma cultura que reflete um conjunto de paradigmas associados às duas primeiras fases do capitalismo em sociedades, cujos vestígios ainda subsistem em parte dos caracteres e nos modos de vida urbanos, sob grossas camadas culturais do sistema presente. </p>
			<disp-quote>
				<p>O território ganha novos conteúdos e impõe novos comportamentos graças às enormes possibilidades da produção e, sobretudo, da circulação dos insumos, dos produtos, do dinheiro, das ideias e informações, das ordens e dos homens. É a irradiação do meio técnico-científico-informacional (M. Santos, 1985, 1994b, 1996) que se instala sobre o território, em áreas contínuas no Sudeste e no Sul ou constituindo manchas e pontos pelo resto do país (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Santos, 2011</xref>, p. 62).</p>
			</disp-quote>
			<p>As novas temporalidades se impõem às sociedades atuais fomentando novos paradigmas culturais e vivenciais, consubstanciados nas sociedades capitalistas em rede. Esse modelo de capitalismo em rede, descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (1999)</xref>, tem ganhado cada vez mais amplitude no capitalismo financeiro, trazendo a necessidade de redimensionamento da cultura e dos conceitos subjacentes.</p>
			<p>Juntos, o capitalismo informacional e o capitalismo financeiro representam as duas últimas fases capitalistas de um total de quatro (até o momento), fundidas em um único sistema.</p>
			<p>Destarte, são realçados três aspectos com o propósito de contextualizar a reflexão teórica sobre os sujeitos idosos no presente: I. Uma lógica de capital monopolista (através da integração entre as grandes empresas e o mercado financeiro), que privilegia operações entre sociedades transnacionais através de ativos de investimento (intangíveis e de alta liquidez); II. Uma subversão na ordem de valores culturais por meio de estratégias que funcionam como mecanismos indutores do consumo, conforme indica <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008)</xref>, através de ferramentas de comunicação que se impõem como uma cultura de “valores flexíveis” e de “múltiplos pertencimentos”; III. Um conteúdo urbano condicionado por valores de uso que rejeitam os mecanismos de regulação interna, trazendo um sentimento de instabilidade ao mesmo tempo em que se mostra como um componente indispensável ao funcionamento do conjunto de engrenagens contido no sistema capitalista de curto-prazo.</p>
			<p>O sistema capitalista atual se notabiliza por meio de sociedades que investem pesadamente na fixação de novos paradigmas de consumo. Nesse sentido, a máxima “as pessoas são aquilo que elas comem” pode ser adaptada para “os sujeitos são aquilo que consomem”, com base nas estratégias de propagação da ideologia cultural capitalista.</p>
			<p>Os sujeitos se veem absorvidos por uma estratégia que envolve desde a criação até o fortalecimento argumentativo e a transformação de produtos e de serviços em fatores identitários. O consumo assume uma dimensão de status e de filosofia de vida. As noções de “exclusividade” e de “flexibilidade” são incorporadas aos discursos e, de maneira distorcida, alteram percepções e lógicas que substanciam os sentimentos de inclusão, nos modos de vida.</p>
			<p>São sociedades que se comportam tecnológica e financeiramente como forças indutoras de um sistema informacional complexo em que, entre outras coisas, a noção de eficiência é medida por critérios de uma <italic>cultura hibridista</italic>, com foco no imediatismo do “curto-prazo” do capitalismo financeiro. Nessa cultura, proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008)</xref>, os sujeitos se alternam entre as posições de “criatura” e de “criador”, fomentando os alinhamentos necessários entre as sociedades capitalistas e as culturas hibridizadas para o consumo, cujos resultados incidem diretamente sobre os tempos e os modos de vida.</p>
			<p>Nesse ponto, os sujeitos idosos serão abordados com base nas três premissas do capitalismo atual, considerando que, outrora jovens, esses sujeitos consistiam em entes ativos, munidos de valores alinhados a uma temporalidade inerente a uma consciência então presente. Como exemplo, são associados trechos da obra de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref>. Lado a lado, esses sujeitos multidimensionais podem ser relacionados a uma parte dos diálogos presentes na referida obra, quando o autor-narrador conversa com dois conhecidos, separadamente e em dois momentos distintos, sendo um pai e um filho, em lugares e tempos diferentes: primeiro, com o pai, Enrico, um sujeito idoso, faxineiro “de carreira” estabelecida desde que migrou para os Estados Unidos, ainda jovem, com a família, em busca de melhores condições de trabalho e de vida. Depois, com um dos filhos de Enrico, já adulto, com família constituída, com nível superior concluído e “profissional de carreira” inserido no mercado de trabalho. Pai e filho mantêm uma relação difícil, um conflito que se acirra a partir da apropriação de valores concorrentes advindos das culturas capitalistas em diferentes tempos.</p>
			<p>Em “A corrosão do caráter”, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref> destaca o impacto cultural de fases distintas do capitalismo sobre os valores e os modos de vida dos sujeitos nas sociedades, situações em que os esforços de organização das atividades no tempo geram frustrações e desentendimentos.</p>
			<p>A primeira premissa do capitalismo atual associa a sociedade a uma lógica de capital monopolista, que privilegia operações entre sociedades transnacionais através de ativos de investimento intangíveis e de alta liquidez. O foco delas está na acumulação de capital por meio de monopólios e no retorno lucrativo do valor investido em curto prazo.</p>
			<p>Com base nessas condições, um vazio se abre entre os modos de vida de sujeitos, levando-se em conta os valores e as referências temporais de cada um. Na sequência, apresenta-se um diálogo do narrador com o filho de Enrico:</p>
			<disp-quote>
				<p>É a dimensão do tempo do novo capitalismo, e não a transmissão de dados high-tech, os mercados de ação globais ou o livre comércio, que mais diretamente afeta a vida emocional das pessoas fora do local de trabalho. Transposto para a área familiar, ‘Não há longo prazo’ significa mudar, não se comprometer e não se sacrificar. Rico de repente explodiu no avião:</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>- Você não imagina como me sinto idiota quando falo em compromissos mútuos com meus filhos. Para eles, é uma virtude abstrata; não a vêem em parte alguma.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Durante o jantar, eu simplesmente não entendi a explosão, que me pareceu despropositada. Mas seu sentido agora ficou claro para mim, como uma reflexão sobre ele mesmo. Queria dizer que as crianças não vêem o compromisso mútuo praticado na vida dos pais ou da geração dos pais (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 25).</p>
			</disp-quote>
			<p>A segunda premissa revela uma subversão na ordem de valores culturais por meio de estratégias que funcionam como mecanismos indutores do consumo, através de uma comunicação que se impõe como uma cultura de “valores flexíveis” e de “múltiplos pertencimentos”. Na sequência, mais um diálogo do narrador com o filho de Enrico.</p>
			<disp-quote>
				<p>E no que se refere à sua família, seus valores não são simples questões de nostalgia. Rico de fato detesta a experiência real de papel paterno rígido, como a que sofrera nas mãos de Enrico. Não voltaria ao tempo linear que ordenava a existência de Enrico e Flavia mesmo que pudesse; olhou-me com certo desdém quando eu lhe disse que, como professor de faculdade, tenho um emprego vitalício. Trata a incerteza e o correr risco como desafios no emprego; como consultor, aprendeu a ser um competente jogador de equipe.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Mas essas formas de comportamento flexível não lhe serviram em seus papéis de pai ou membro de uma comunidade; ele quer manter relações sociais e oferecer orientação durável (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 29).</p>
			</disp-quote>
			<p>A terceira premissa apresenta um conteúdo urbano condicionado por valores de uso que escapam a toda regulação interna, trazendo um sentimento de instabilidade - atualmente, um componente indispensável ao funcionamento do conjunto de engrenagens contido no sistema capitalista de curto prazo. Na sequência, o narrador reflete acerca dessa “flexibilidade”:</p>
			<disp-quote>
				<p>É bastante natural que a flexibilidade cause ansiedade: as pessoas não sabem que riscos serão compensados, que caminhos seguir. Para tirar a maldição da expressão ‘sistema capitalista’, antes criavam-se circunlocuções, como sistema de ‘livre empresa” ou ‘empresa privada’. Hoje se usa a flexibilidade como outra maneira de levantar a maldição da opressão do capitalismo. Diz-se que, atacando a burocracia rígida e enfatizando o risco, a flexibilidade dá às pessoas mais liberdade para moldar suas vidas. Na verdade, a nova ordem impõe novos controles, em vez de simplesmente abolir as regras do passado - mas também esses novos controles são difíceis de entender. O novo capitalismo é um sistema de poder muitas vezes ilegível (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 9).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os sujeitos em transição nas sociedades capitalistas transitórias atuais se apoiam em valores flexíveis e superficiais como forma de se manterem incluídos e partícipes dessa cultura de consumo. No entanto, um dos aspectos que se destaca é o predomínio da superficialidade nos valores que, talvez, não encontre correspondência com os sujeitos idosos, o que pode ser explicado pelo distanciamento e pela dificuldade de estabelecimento de áreas de interseção entre essas gerações.</p>
			<p>Os sujeitos idosos oferecem uma espécie de resistência aos conteúdos hibridizados, não apenas por uma certa (in)consistência de valores estabelecidos em outras bases culturais, mas pela dificuldade de inserção em conteúdos efêmeros, de valores culturais hibridizados de uma lógica de curto prazo. São conteúdos que antagonizam com as vivências e as manifestações analógicas.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Uma absoluta prioridade às pessoas idosas no direito brasileiro</title>
			<p>A nação brasileira é uma sociedade capitalista constituída em bases heterônomas típicas, assim como tantas outras no cone sul-americano. O Brasil é uma República Federativa e, formalmente, se constitui em Estado Democrático de Direito, condição que submete a sua sociedade a um denso conjunto normativo de direitos sociais. </p>
			<p>A Constituição Federal de 1988, ao tratar da “Ordem Social” (Título VIII), inovou na previsão de dispositivos especiais relativos às pessoas idosas. O art. 193 dispõe que a ordem social tem como base o primado do trabalho e, como objetivo, o bem-estar e a justiça sociais.</p>
			<p>Adiante, no art. 203, inciso V, da Seção IV do Capítulo II do Título VIII, a Constituição preconiza que a Seguridade Social tem como um dos objetivos “[...] a garantia de um salário-mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil,1988</xref>, <italic>online</italic>).</p>
			<p>É no Capítulo VII, porém, que o texto constitucional é mais específico no que diz respeito ao tratamento especial às pessoas idosas, com destaque ao disposto no art. 230, <italic>in verbis</italic>:</p>
			<disp-quote>
				<p>Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. </p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2003</xref>, <italic>online</italic>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante das novas disposições constitucionais, entrou em vigor a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, que institui o Estatuto da Pessoa Idosa no ordenamento jurídico brasileiro.</p>
			<p>Observa-se que a lei é analítica e conceitual, sendo estruturada em sete títulos, com quase 120 artigos, que dispõem sobre matérias de direito civil, processual, administrativo, previdenciário e até criminal. </p>
			<p>Logo no art. 1º da referida lei, depreende-se que a atuação do legislador federal teve por objeto a regulação dos direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.</p>
			<p>Ainda em suas disposições preliminares, os dispositivos do art. 3º da Lei nº 10.741/2003 tratam das obrigações, das ações, dos meios e dos instrumentos capazes de efetivar a garantia de prioridade conferida às pessoas idosas:</p>
			<disp-quote>
				<p>É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar à pessoa idosa, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2003</xref>).</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, destacam-se as medidas que já são amplamente difundidas na lei supracitada, como o “atendimento preferencial imediato e individualizado” das pessoas idosas junto aos “órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população”, a teor do inciso I do §1º do art. 3º do Estatuto, e outras que ainda não são, como a “[...] destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à pessoa idosa”, como estabelece o inciso III do §1º do art. 3º do mesmo diploma legal. Recentemente, em julho de 2022, o Estatuto do Idoso sofreu algumas alterações, destacando-se a norma do § 2º do art. 3º, que “assegura prioridade especial aos maiores de 80 (oitenta) anos, atendendo-se suas necessidades sempre preferencialmente em relação às demais pessoas idosas”, estabelecendo uma conexão com os atuais conceitos de “terceira idade” e de “quarta idade”, como será visto na seção subsequente. </p>
			<p>Percebe-se que a sociedade, a família e o Estado são convocados à proteção da pessoa idosa quando a lei estabelece, categoricamente, que “nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”, nos termos do art. 4º.</p>
			<p>Destarte, uma proposta de reflexão direcionada ao sujeito idoso em um conteúdo urbano capitalista de sociedades sul-americanas pode ensejar a ideia de um estudo que se estabelece encimado em redundâncias categóricas e/ou em clichês estatísticos, os quais, na pior hipótese, se desdobram em punições ou em Termos de Ajuste de Conduta no âmbito judicial.</p>
			<p>Isso porque os sujeitos idosos tendem a ser destacados como uma fração populacional representante de uma categoria etária, mormente entendida como mais uma entre tantas, num cenário estatístico populacional e que também demanda recursos orçamentários para custear ações diferenciadas e prioritárias.</p>
			<p>Não obstante as contribuições ao campo do Direito e da Estatística para a configuração de políticas públicas direcionadas, os idosos são frequentemente referidos nas páginas de notícias dos diferentes órgãos de governo como um ônus para o orçamento público, haja vista que a interpretação de dados e informações é incorporada aos discursos políticos em tom assistencialista e anacrônico quando são ressaltados temas como “o envelhecimento populacional” e a “necessidade de reforma do sistema previdenciário”.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A senescência e a senilidade em sujeitos idosos: o epistêmico, o tempo e o subjetivo</title>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008, p. 156)</xref>, o “[...] surgimento de categorias etárias relaciona-se intimamente com o processo de ordenamento social que teve curso nas sociedades ocidentais durante a época moderna”.</p>
			<p>A noção predominante de “velhice” ainda remete às origens do próprio conceito, elaborado entre os séculos XIX e XX; um termo que emergiu considerando uma etapa do ciclo de vida humana em sociedade, associada tanto às condições de limitação e de encerramento de atividades quanto de um gradual processo de isolamento social (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva, 2008</xref>).</p>
			<p>Assim, do surgimento do termo “velhice” aos atuais conceitos de “terceira idade” e de “quarta idade”, as delimitações conceituais têm avançado com base em convergências e divergências retóricas que ainda se valem, predominantemente, de uma organização linear de resultados de pesquisas em consonância com um tempo linear e cronometricamente estabelecido de expectativa de vida.</p>
			<p>Um olhar atual sobre a evolução desses e de outros termos correlatos indica um processo de aspecto rizomático, alinhavando os avanços e os entrelaçamentos desses saberes em diferentes campos disciplinares das Ciências Sociais e das Ciências da Saúde, em especial da Gerontologia, da Geriatria, da Sociologia e da Antropologia. </p>
			<p>Trazendo a questão para o cone sul-americano, a longevidade e o ciclo de vida humanos podem ser vistos sob inúmeras perspectivas científicas e capitalistas, sendo associados ao desenvolvimento das sociedades.</p>
			<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>, a definição médica de “velhice” foi apropriada por outros campos de saber, ampliando seu espectro cultural e se inserindo no imaginário coletivo. Com vistas ao reordenamento do curso da vida, o conceito da “velhice”, inerente à existência humana, é condição <italic>sine qua non</italic> para a categorização da pessoa idosa.</p>
			<p>Desse momento em diante, esses sujeitos são conectados tanto às iniciativas para a formulação de políticas assistenciais direcionadas, como às ciências para a saúde, em especial aquelas alicerçadas na interdisciplinaridade, como a Gerontologia.</p>
			<p>É através da Gerontologia que se dá a emergência de uma ciência médico-social que busca a integração entre os discursos especializados, de forma que seja possível “[...] propor novas formas de compreensão do envelhecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva, 2008</xref>, p.159).</p>
			<p>Através das disciplinas que compõem a Gerontologia tem sido possível investigar as experiências que fazem parte do envelhecimento considerando aspectos sociais, culturais e históricos inerentes ao processo dos pontos de vista das mudanças físicas, psicológicas e sociais do sujeito.</p>
			<p>No que tange às políticas públicas, a velhice ainda representa um estado que motiva ações paliativas voltadas ao atendimento dos idosos, uma vez presentes as condições irreversíveis de degeneração progressiva da saúde - ou o conceito de “senilidade” - que evoluem até a total extinção dos sujeitos.</p>
			<p>Os termos “velho” e “velhice” eram e ainda são atribuídos a todos os sujeitos que atingem a idade mínima correspondente e/ou se encontram dentro da faixa etária dos 60 anos em diante, e, dado o caráter pejorativo que carregam, existe uma forte tendência de que os mesmos caiam em desuso tanto categórico, como representativo desses sujeitos em um médio prazo.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte e Brandão (2018)</xref>, refletir sobre a chamada “longevidade avançada”, que considera os indivíduos vivos a partir dos 80 anos de idade, constitui o desafio do momento para as sociedades. A reflexão abrange, simultaneamente, a percepção de uma conquista da Humanidade, como resultado de seus esforços científicos e tecnológicos, e, de outro lado, uma condição humana para a qual as sociedades pouco se prepararam, um período estendido de vida, ainda não designado e não conceituado. E agora?</p>
			<p>Até o século passado, essa categoria etária tinha pouca representatividade no contexto das sociedades capitalistas, sendo tratada, majoritariamente, por condutas paliativas, tanto do ponto de vista do acesso à saúde, como da vida cultural, descortinada a “[...] percepção de decadência física e ausência de papéis sociais” (Debert, 1999 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 215).</p>
			<p>Ainda segundo as autoras, o Brasil percebeu um crescimento da “população idosa” por volta das décadas de 1960 e 1970, entendendo-o como um “problema social”. A partir disso foram elaborados os primeiros projetos de interesse social direcionados a esse grupo, então denominado “terceira idade”. O conceito era aplicado à faixa etária entre os 60-75 anos, que até então “[...] vivia o ‘tempo’ da aposentadoria” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 215).</p>
			<p>Na Europa da década de 1980 emergiu o conceito da “quarta idade”, aplicável aos indivíduos na faixa etária entre os 75 e 80 anos, com um quadro de saúde mais comprometido - categoria com uma maior incidência de comorbidades e mais afetada por doenças crônicas; logo, com menor participação na vida social (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
			<p>Assim, a distinção entre os conceitos de 3a e 4a idade não considera, mormente, a possibilidade de mudança na expectativa de vida para uma subcategoria mais ampla, a partir de constatações qualitativas presentes nos levantamentos realizados através de pesquisas que reconhecem um maior potencial participativo na vida social para os sujeitos que se encontram, atualmente, na “terceira-idade”.</p>
			<p>Essa fase passa a representar uma nova etapa no ciclo de vida para um número crescente de sujeitos, ao passo que a “velhice” passa a ser um qualificativo de um período em que as alterações biológicas limitantes se acentuam, independentemente das características individuais (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
			<p>Nesse ponto, é necessário tratar das distinções e das associações conceituais existentes entre os termos “ciclo de vida”, “expectativa de vida” e “longevidade” na atualidade.</p>
			<p>Do ponto de vista epistemológico, esses três conceitos se encontram ancorados em temporalidades e espacialidades que remetem à Física Clássica e às tecnologias analógicas.</p>
			<p>O ciclo de vida de um ser humano abrange, no máximo, quatro fases, que são: a infância, a adolescência, a idade adulta e a velhice, e essas ocorrem dentro de um ciclo de vida limitado por dois grandes eventos: o nascimento e a morte.</p>
			<p>A expectativa de vida consiste em uma estimativa da quantidade de anos que um indivíduo pode viver, cálculo que considera diferentes variáveis, internas e externas ao corpo humano, sob a ótica do ciclo de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
			<p>A longevidade se adere ao ciclo de vida com base em um “ser humano padrão”; ou seja, o tempo de vida máximo que a espécie humana consegue viver - atualmente considera-se que esse limite é de 125 anos, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Patrício et al. (2008)</xref>.</p>
			<p>Na atualidade, o conceito de “terceira idade” se consubstancia tanto na apresentação de certas mudanças físicas adquiridas no avançar dos anos, como nas condições de atividade e de interação social, um conjunto de caracteres frequentemente vinculado ao conceito de “senescência”. Não raro, os sujeitos nessa faixa etária ainda se fazem presentes tanto no mercado de trabalho, como nas sociedades de consumo, descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bauman (2022)</xref>.</p>
			<p>A “quarta idade” representa o início de uma fase de intensificação de caracteres já presentes no processo de envelhecimento do sujeito idoso, quer seja pelo acometimento ou pelo agravamento de doenças e/ou pela degeneração cognitiva acelerada que se vincula ao conceito de “senilidade”. Nessas circunstâncias, o sujeito idoso vislumbra um cenário de longevidade dentro da expectativa de vida atualmente estabelecida, podendo atingir uma condição de uma “longevidade avançada” que sinalize uma nova idade máxima, sem que haja, no entanto, a possibilidade de restabelecimento de novas fases para o ciclo de vida humano.</p>
			<p>Dos pontos de vista psicológico e sociológico, o envelhecimento envolve um processo que inclui a percepção da passagem do tempo em sociedade, fazendo com que a noção de qualidade de vida seja redefinida sucessivas vezes pelos próprios idosos.</p>
			<p>As mudanças que representam o processo de apagamento gradual dos modos de vida desses sujeitos em sociedade trazem para eles uma sensação de incompletude crescente, transformando, muitas vezes, uma condição de longevidade com qualidade de vida em um problema para o idoso sob o aspecto da inclusão social e cultural.</p>
			<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte e Brandão (2018</xref>) citam a obra de 2006 de Baltes ao defenderem a ideia de que os avanços teóricos e práticos sugerem que os esforços empreendidos pelo prolongamento adicional da vida poderiam se revelar inócuos, uma vez que uma condição estendida apresenta “[...] um nível elevado de vulnerabilidade e de ‘incompletude’ biocultural em seu comportamento, afetando os limites do funcionamento vital” (Baltes 2006 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 217).</p>
			<p>O campo da Psicologia do Envelhecimento se concentra nos aspectos cognitivos, afetivos e emocionais relacionados ao avançar da idade e nas repercussões para o corpo e a mente desses sujeitos. A sensação de vulnerabilidade cresce à medida que se intensificam os “apagamentos” relacionados aos seguintes fatores: os falecimentos de cônjuges, dos parentes próximos e dos amigos; as crescentes limitações cognitivas e físicas; a redução gradual da autonomia e o aumento da dependência de cuidadores; a diminuição de eventos e de atividades possíveis; as mudanças culturais e ambientais, de estilos de música e de lugares que desaparecem etc. </p>
			<p>Desse modo, as questões que emergem das condições de senescência e de senilidade dos idosos são, também, associadas aos aspectos de dissincronia em relação às espacialidades e às temporalidades. O fenômeno de dissincronização pode se estabelecer em meio às expressões distintas de um conteúdo cultural, em que os valores que consubstanciam os diferentes sujeitos de uma mesma sociedade capitalista são ancorados em bases distintas e conflitantes.</p>
			<p>Isso ocorre porque, ao longo de seus ciclos de vida, os sujeitos são munidos de valores que estão atrelados às sucessivas camadas de conteúdos culturais configurados em espíritos de tempo ou <italic>zeitgeist</italic>, fluidos e abstratos.</p>
			<p>Assim como a maior parte do conteúdo epistemológico aqui tratado, o <italic>zeitgeist</italic> é uma representação de um fenômeno que reúne diferentes componentes emanados das sociedades - no caso, capitalistas. Embora não existam limites fronteiriços fixados para um espírito de tempo, eles se distinguem por seus elementos transitórios (materiais e imateriais), principalmente pelos valores que consubstanciam essas gerações em transição.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O consumo da longevidade</title>
			<p>Recentemente, a Organização Pan-Americana da Saúde e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe debruçaram-se sobre o tema da saúde e do bem-estar das pessoas idosas na chamada “Década do Envelhecimento Saudável” (2021-2030).</p>
			<p>O esforço resultou em um relatório atualizado, intitulado “O contexto sociodemográfico e econômico do envelhecimento na América Latina”, cujos dados revelam não somente os aspectos das heterogeneidades sociodemográfica e socioeconômica dos idosos, mas a prevalência de barreiras para a inclusão sociocultural nas sociedades capitalistas atuais.</p>
			<p>A publicação descreve a condição socioeconômica dos idosos sob uma “ótica individual” (e, segundo consta, “não populacional”), incorporando as dimensões demográfica, social e econômica do público investigado ao relato.</p>
			<p>Ao mesmo tempo, o relatório destaca os obstáculos a serem superados, considerando uma perspectiva cultural e econômica de múltiplas transições. Esses desafios perpassam pelas culturas que caracterizam as sociedades capitalistas em rede e financeira, evidenciando um fenômeno de dissincronia entre os valores que consubstanciam os sujeitos, os conteúdos urbanos emergentes e as temporizações incidentes.</p>
			<p>No Brasil, as barreiras têm se concentrado em diferentes aspectos das vivências dos sujeitos idosos, especialmente no que se refere à difusão e ao acesso aos meios para a saúde e a qualidade de vida deles. Como exemplo, são destacadas a comunicação e a mobilidade como os principais meios afetados pelas condições de transitoriedade e de dissincronia.</p>
			<p>Através do reconhecimento e da institucionalização das informações acerca dos idosos, somados à evolução dos processos de identificação desses sujeitos com suas respectivas categorias etárias, têm permitido não só um direcionamento mais eficiente dos esforços, como também um maior engajamento desses grupos em ações para a promoção da saúde.</p>
			<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>, o entendimento da terceira idade como uma representação categórica cultural e socialmente construída conduz a uma formação identitária fortalecida, nos contextos das culturas, das sociedades e das pesquisas gerontológicas. Uma representação categórica bem definida e bem articulada também é capaz de viabilizar os interesses dos sujeitos idosos na cultura do consumo.</p>
			<p>Os esforços para a construção de um conteúdo direcionado ao fortalecimento dos conceitos de “terceira idade” e de “envelhecimento positivo” têm servido de estratégia para uma mudança de paradigma cultural nas sociedades. No entanto, ambos têm sido mais disseminados culturalmente fora do contexto acadêmico e de uma disciplina especializada, sendo admitidos como um tema de grande relevância nos meios de comunicação uma vez que têm configurado inúmeras oportunidades de serviços e de produtos direcionados a esses grupos.</p>
			<p>Do ponto de vista da autonomia, essa nova categoria emerge na sociedade capitalista a partir da reorganização dos agentes especializados. Um bom exemplo está na oposição entre os conceitos de velhice e de terceira idade, que traz consigo uma série de oportunidades para um consumo com base em hábitos sociais e culturais diferenciados, necessidades de consumo mais específicas e, eventualmente, mais sofisticadas. </p>
			<p>O capitalismo tem demonstrado agilidade e assertividade na oferta de produtos e de soluções para esse segmento, de modo que já são identificadas programações e roteiros turísticos exclusivos para essa faixa etária, assim como produtos variados que vão desde calçados especiais, de design alinhado com a moda, passando por procedimentos estéticos, além de veículos e condomínios residenciais de luxo voltados aos sujeitos idosos.</p>
			<p>Nesse ponto, dois conceitos se destacam como os dois lados de uma mesma moeda, quais sejam: o envelhecimento positivo e o consumo de longevidade.</p>
			<p>Por trás dessas soluções de mercado, há uma cultura do consumo que nasce com o discurso engajado da Gerontologia Social e do conceito de envelhecimento positivo, que vêm sendo difundidos através das mídias. Em verdade, trata-se de um novo mercado baseado em um estilo de vida alinhado a diferentes práticas de consumo.</p>
			<p>O consumo da longevidade se insere na sociedade capitalista como um paradigma de status, consubstanciado na ilusão de uma juventude estendida, e que aparece como uma dimensão abstrata dos mais variados produtos. O desejo de uma vida eterna e cristalizada num corpo de aparência saudável de, no máximo, 30 anos, por exemplo, aparece de diferentes formas, subliminarmente ou não, vinculado a perfumes, margarinas, shampoos e tantos outros produtos e serviços disponíveis no mercado.</p>
			<p>Assim, o consumo da longevidade antecede à condição de ser idoso, tendo um caráter contraditório, ao mesmo tempo preventivo e ilusório - afinal, como um vidrinho de produto pode ser realmente antirrugas e antienvelhecimento?</p>
			<p>Juntamente com o “consumo da longevidade” vem o “consumo de padrões exógenos”, em especial, quando se trata de uma sociedade capitalista sul-americana, em sua condição de dependência, no contexto das sociedades em rede, conforme descreve <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (1999)</xref>.</p>
			<p>Esses padrões vão sendo inseridos na cultura sul-americana com força suficiente para anular costumes há muito estabelecidos; em alguns casos, com prejuízos para os consumidores, especialmente no que tange à alimentação.</p>
			<p>Uma sociedade em rede representa, em linhas gerais, uma estrutura complexa, baseada em redes sociais que são operadas por tecnologias de informação e inteligência artificial, através de modelos de comunicação massiva, possibilitada pela globalização das principais atividades econômicas. Entre as inúmeras características desse sistema, existe a cultura da “virtualidade real”, através da qual são propagandeados valores culturais hibridizados, que tendem a suprimir valores locais.</p>
			<p>Um exemplo forte pode ser constatado nas recentes experiências de imersão em realidades virtuais, através de soluções tecnológicas capazes de iludir o cérebro humano, em um ambiente virtual no qual os sentidos humanos são simulados de modo que as interações entre o usuário (sujeito) e esse ambiente se aproximam de uma atividade no mundo físico.</p>
			<p>Nesses ambientes controlados, são simuladas tecnologias de Realidade Aumentada (AR), Realidade Mista (MR), Realidade Virtual (VR) e material visual em 360° que permitem uma interação entre os sujeitos e as diferentes plataformas, consideradas interativas e experienciais. No momento, os sujeitos jovens são os mais suscetíveis e dependentes dessas formas de interação, uma vez que elas são cada vez mais apropriadas aos conteúdos urbanos capitalistas.</p>
			<p>Destarte sua grande contribuição para o desenvolvimento dos pontos de vista científico e produtivo, em especial, para os diferentes campos da Medicina, da Biologia, da engenharia e de outros, os ambientes virtuais estão cada vez mais presentes nas vivências sociais urbanas, configuradas como conveniências e problemas relacionados às temporalidades, uma vez que substanciam a percepção de dissincronia nas sociedades atuais. </p>
			<p>Em se tratando da América do Sul, diversas situações que fazem parte dos costumes locais são afetadas, a exemplo dos padrões de alimentação, os aspectos estéticos humanos, de comportamento social, de habitação e tantos outros. Os novos paradigmas capitalistas são apropriados pelas sociedades atuais de inúmeras formas.</p>
			<p>Considerando o espírito desse tempo e as transitoriedades culturais e geracionais, os novos paradigmas culturais capitalistas acabam por realçar os aspectos paradoxais contidos nas culturas flexíveis das sociedades atuais, decorrentes das interseções e da coexistência entre valores culturais díspares.</p>
			<p>Essas sociedades, por sua vez, se expressam através de conteúdos urbanos intertemporais e “trans-temporais”; ou seja, urbanos ideologicamente representativos tanto das múltiplas transições culturais (com mudanças, sobreposições e apagamentos), como do novo paradigma temporal, que presume o atravessamento e a alternância simultânea entre os referenciais de tempo cronométrico e de tempo relativo.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações Finais</title>
			<p>A proposta de reflexão evoluiu a partir de um entrelace epistemológico e teórico interdisciplinar, substanciado na articulação entre seis campos disciplinares, a saber: a Antropologia, as Ciências da Saúde, a Geografia, a Gerontologia, a Psicologia, a Sociologia e o Direito, contemplando os sujeitos idosos em um conteúdo cultural urbano capitalista de sociedades sul-americanas, com ênfase no Brasil. Nesse sentido, duas vertentes foram exploradas, permitindo o estabelecimento de algumas considerações acerca dos processos que permeiam o envelhecimento de um sujeito.</p>
			<p>No que tange ao processo de envelhecimento, vinculado a uma expectativa de vida cronometricamente preestabelecida, os sujeitos se veem postos diante da inevitabilidade processual de um ciclo de vida, de modo que reside nisso uma perspectiva de contagem regressiva e de uma temporalidade pré-relativística.</p>
			<p>Com relação aos padrões de consumo de longevidade, as subjetividades que aderem a essa ideia fazem parte de um conjunto culturalmente estabelecido com o intuito de fazer frente aos processos inevitáveis do ponto de vista do ciclo de organismos humanos.</p>
			<p>O capitalismo atual investe em discursos que, mais do que nunca, transcendem aos produtos e serviços, de modo que os sujeitos adquirem, através desses, “novos modos de vida” ou “novas experiências”, numa perspectiva de advir duradouro e irretocável.</p>
			<p>Um exemplo desse movimento pode ser identificado em divulgações de venda de imóveis residenciais em condomínios-clube em que os consumidores adquirem um “novo-jeito-de-viver”, em uma espécie de “oásis” em meio ao urbano. Nesse segmento, já despontam, inclusive, propostas de condomínios-clube “equipados” para atender às demandas dos idosos atuais, em que os valores do metro quadrado são vinculados aos valores flexibilizados de uma cultura de uma juventude longeva.</p>
			<p>Essas células ideais configuram estruturas encasteladas, que se distinguem no conteúdo urbano como unidades independentes, dissociadas dos traçados, onde a cultura hibridizada se materializa em ambientes, componentes, equipamentos e modos de vida pretensamente controlados e apartados do convívio direto com as trivialidades extramuros.</p>
			<p>Já em gêneros cosméticos, o termo “antienvelhecimento” consta nas embalagens de produtos diversos que afirmam ter em suas composições substâncias revolucionárias que pretensamente interrompem um processo natural e inexorável do ciclo de vida humana.</p>
			<p>Na prática, trata-se da força de um sistema que, ao mesmo tempo, cria demandas (consumo) e gera produtos e serviços que transcendem à própria finalidade, sendo convertidos em “algo experiencial”. Nesse sentido, representam um consumo que simboliza status e longevidade para os sujeitos dessas sociedades.</p>
			<p>Em uma sociedade capitalista em que as temporalidades são incorporadas às vivências como um mecanismo acelerador mais do que disciplinador das dinâmicas humanas urbanas, é possível inferir que o desalinhamento temporal afeta de maneira determinante as lógicas para o desempenho das diferentes atividades, obrigando os sujeitos a lidarem com os efeitos das dissincronias na saúde humana, com prejuízos ainda maiores para as pessoas idosas.</p>
			<p>De um lado, uma percepção de tempos sempre exíguos para o desempenho das atividades quando o modelo atual de capitalismo de curto prazo é considerado, e, de outro, o emprego de esforços grandiosos para que o sujeito se veja “congelado” num tempo passado, porque uma imagem envelhecida não pode ser associada a uma cultura “do novo” e “do imediato”.</p>
			<p>Quanto ao lugar do idoso atual, a cronometria que determinava as vivências em sociedades tecnológicas analógicas já não o favorece, na medida em que o espírito de tempo atual se impõe por meio de forças diametralmente opostas à existência humana.</p>
			<p>Ademais, a cultura das sociedades capitalistas se mostra como uma espécie de “dilema metafísico” que exige um caminhar veloz, enquanto os olhos são atraídos para um conteúdo passado que precisa ser mantido no presente, como uma espécie de âncora efêmera, considerando o aspecto distorcido inerente à memória.</p>
			<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B10">Santos (2021, p. 263)</xref> defende que as dinâmicas das sociedades globalizadas “[...] não apaga restos do passado, mas modifica seu significado e acrescenta, ao já existente, novos objetos e novas ações características do novo tempo”.</p>
			<p>Mais do que um novo paradigma para as temporalidades urbanas, o cenário capitalista atual se caracteriza pela imposição de valores culturais hibridizados, associados aos novos ritmos das dinâmicas sociais, substanciando um <italic>continuum</italic> cultural trans-geracional que não se harmoniza com as temporalidades humanas dos sujeitos, menos ainda com os sujeitos idosos, em tempo algum.</p>
			<p>Desse conjunto, emerge a percepção de uma imortalidade para a cultura capitalista. Um sistema que se mostra longevo na medida em que morre e renasce dentro de um mesmo corpo ideológico, que é sucessivamente reinventado pelas sociedades, deixando impresso no urbano suas diferentes formas de expressão cultural a cada fase.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Bauman, Z. <italic>Vida para o consumo</italic>: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2022.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Bauman</surname>
							<given-names>Z.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Vida para o consumo</italic>: a transformação das pessoas em mercadoria</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Jorge Zahar</publisher-name>
					<year>2022</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>Brasil. Constituição de 1988. <italic>Constituição da República Federativa do Brasil de 1988</italic>. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.htm</ext-link>
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				<p> Obra originalmente publicada no ano de 2007.</p>
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			<title>Como citar este artigo/How to cite this article: </title>
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				<label>9</label>
				<p>Duailibe, A. C. S. C.; Rola, S. M. A imortalidade de um longevo. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e2412002, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a12002pt">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a12002pt</ext-link>
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				<article-title>The immortality of a long-lived</article-title>
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				<corresp id="c2">Correspondência para/<italic>Correspondence to</italic>: A. C. S. C. Duailibe. <italic>E-mail</italic>: andrea.<email>duailibe@fau.ufrj.br</email>
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					<p>Patrícia Samorra</p>
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					<p>There is no conflict of interest for the publication of the article.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>Abstract:</title>
				<p>The essay advocates for theoretical reflection on elderly subjects as a constitutive element of South American capitalist societies, which is reflected in urban content. The proposal emerges from an interdisciplinary epistemological and theoretical link, which aims to contribute to the Applied Social Sciences, particularly Urbanism and the multidisciplinary fields of Urban Design. The research identifies the challenges faced by the elderly in the cultural and economic context of short-term capitalist culture. One significant aspect of contemporary capitalist society is the pervasive influence of temporal dissonance on subjects’ experiences, particularly the elderly. This essay presents the findings of distinct and related research proposals based on integrating two lines of action (theoretical and practical). The theme is relevant based on an interdisciplinary approach, as it seeks to analyze content that emerges from capitalist cultural consonances and dissonances. This includes phenomena such as dyssynchrony, which identifies the constraints that particularly affect the elderly.</p>
			</abstract>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Short-term Capitalism</kwd>
				<kwd>Consumption</kwd>
				<kwd>Ageing</kwd>
				<kwd>Older people</kwd>
				<kwd>Longevity</kwd>
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		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction</title>
				<p>The present essay promotes a theoretical reflection on elderly subjects as a constitutive part of South American capitalist societies, which are reflected in urban content. The proposal evolves from an interdisciplinary epistemological and theoretical intertwining that aims to contribute to the Applied Social Sciences, especially to Urbanism and the multidisciplinary fields of urban design.</p>
				<p>The reflection is inspired by the theme proposed by the journal <italic>Oculum Ensaios</italic> for its 2024 edition, which articulates three current and related subthemes: aging, territory, and environment. In common, the subthemes share larger issues, among which are the temporalities contained in the cultures of capitalist societies.</p>
				<p>The assumption that enlivens the idea of the “immortality of a long-lived person” adheres to the proposed theme, highlighting the objective and subjective characteristics of longevity in a perspective of a<italic>continuum</italic> of the cultural cycles of capitalist societies reflected in the urban. In this sense, the cultural dimension of urban societies admits the incidence of a temporal component that is increasingly relativized on individuals and their processes.</p>
				<p>The urban cultural dimension is based on two premises associated with the elderly as subjects of societies in focus: the first is an aging process linked to a chronometrically pre-established life expectancy, and the second is a culturally induced longevity consumption pattern as a strategy of resistance to the aging processes in the face of the present urban contents.</p>
				<p>The essay’s justification and relevance are linked to the opportunity to connect the concepts of longevity and consumption in urban societies from a perspective of how the urban reflects this interaction and meets the needs of an important and variable demographic segment. Based on this, where, when, and how is the elderly subject situated in an urban society like this?</p>
				<p>The structure of the text reveals, in fact, two challenges, namely, epistemological and theoretical articulation in the fields of Applied Social Sciences and Social Sciences, based on two lines of action that have proven to be convergent and complementary over the past six years.</p>
				<p>The first of these lines of action considers part of the theoretical framework of investigations carried out within the scope of the Housing and Innovation Laboratory at the State University of Maranhão between 2018 and 2020 through the research line “Spatial limits and shared spaces,” while the second involves a selection of authors whose works were re-situated and republished from 2001 onwards, based on the new perspectives of these researchers on their studies, conducted between the 1960s and 1990s, regarding cultural and urban contents of Latin American and South American societies.</p>
				<p>It is worth noting that the second line corresponds to the recent efforts in building the theoretical framework supporting the doctoral thesis of the student Andrea Duailibe, currently under development within the Graduate Program in Architecture at the Federal University of Rio de Janeiro.</p>
				<p>The theoretical framework of the essay is substantiated by the articulation between six disciplinary fields, based on the contributions of selected researcher-authors, namely: from Urban Anthropology, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Debert (2004)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>1</sup></xref>; from Anthropology, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>2</sup></xref>; from Health Sciences, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Patrício et al. (2008)</xref>; of Geography, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Santos (2011)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>3</sup></xref> and <xref ref-type="bibr" rid="B10">Santos and Silveira (2021)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>4</sup></xref>; from Social Sciences in Gerontology, <xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte and Brandão (2018)</xref>; of Psychology, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>; of Sociology, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>5</sup></xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (2022)</xref>, and <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bauman (2022)</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>6</sup></xref>
				</p>
				<p>The text was structured as follows: (a) introduction; (b) first section, “Elderly do not sprout in the midst of the urban crowd!”, in which the elderly is understood as a culturally multidimensional subject, who is at the final part of what is presumed to be a human life cycle, temporally predefined; (c) second section, “Subjects in transition in transitional capitalist societies”, which attributes a transitional character to all components of urban capitalist society; (d) third section, “An absolute priority to the elderly in Brazilian law”, which deals with the fact that the subject, upon reaching 60 years old, is incontestably placed under a perspective of their rights, as an elderly, while at the same time being diminished by welfare; (e) fourth section, “Senescence and senility in elderly subjects: the epistemic, the time and the subjective”, in which the concepts of third and fourth ages are defined and placed in a perspective of participation and inclusion in societies; (f) fifth section, “The consumption of longevity”, which addresses the practice of a culture for the consumption of the illusory, and, finally, (g) the final considerations.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Elderly people do not sprout in the midst of the urban crowd!</title>
				<p>The section explores the possibilities of syllogistic paths from a self-responsive exclamation under the pretext of a provocation. Obviously, from the point of view of admissibility, excluding the controversial Aristotelian doctrine of spontaneous generation, more interesting and fundamental paths for the evolution of reflection remain.</p>
				<p>The exclamation arises from a present situation, especially in Brazilian society, where, within a 24-hour period, an individual finds themselves afflicted with a new condition, even if they do not show any sign of it.</p>
				<p>From age 40 onwards, a person is considered a mature adult, socially and culturally belonging to the same group as others until the age of 59. Then he falls asleep and wakes up an old man, a categorical fellow. From this perspective, there is a temporary starting point for certain purposes; however, it is a milestone that does not correspond to an instantaneous metamorphosis, nor even to a “sprouting,” being more associated with labeling.</p>
				<p>Just as a label is applied to a product, the condition of being elderly is imposed full of characters that are simultaneously conditioning and advantageous (under the argument of targeted and priority service) but also oscillate between the burden of pre-existing responsibilities and eventual dependence on someone.</p>
				<p>The case exposes an imposition anchored in the temporal logic of a chronometrically established life cycle, where a normative set is shaped to discipline and direct the actions of the family, society, and the State toward this categorical subject. Thus, responsibilities are assigned through rights and duties, with impacts on society and the urban environment that reflect them.</p>
				<p>Certainly, this temporal logic still accounts for a considerable part of the present dynamics, whether through principles that govern the linear dating of historiographical content defined by societies (and with which they are culturally familiarized) or by the apparent self-explanatory rigor of a periodization system associated with tangible phenomena.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B7">Debert (2004)</xref>, the concept of longevity has been based on more fluid and relative foundations in various research, especially in fields that allow the adoption of multi-method strategies including subjective and interdisciplinary approaches. These bases coexist with others, including the pre-relativistic principles mentioned.</p>
				<p>An example of this is the persistence of adopting the concept of “old age” as a labeling criterion that proves to be mistaken (and perverse), where the proposition disregards the evolutionary vicissitudes throughout human life simply by imagining the damage to literary works, to systematic reviews of reference research, and even to philosophical thought if aging were understood only in the sense of successive losses and not of accumulations of knowledge, experiential gains, and repositioning of viewpoints.</p>
				<p>From the gerontological and sociological perspectives, elderly individuals do not represent a group that only shares the symptoms inherent to aging as a dependent category, separated and/or dissociated from society’s dynamics.</p>
				<p>These perceptions are part of discourses commonly found in texts and news that express understandings subliminal to the Brazilian constitutional text and the interpretations of officially established statistical data, preserving the efforts originally undertaken by the guarantees of rights of these subjects.</p>
				<p>The elderly are admitted to this reflection as multidimensional subjects under sociological, cultural, and temporal aspects. They are considered components of heteronomous and capitalist societies, active parts of a conscious and living systemic whole, and representatives of a category diluted among the different strata of a capitalist society.</p>
				<p>The next section is also dedicated to exploring the human life cycle within a spirit of time (<italic>zeitgeist</italic>) in which capitalist societies allow cultures to coexist between distinct and competing temporal references, which largely originated in the cultural paradigms of classical physics.</p>
				<p>In this way, the exclamation that titles this section suggests an original and consistent path for understanding the connections between elderly subjects in a South American capitalist society and transient and equivocal urban contents to their existence.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Subjects in transition in transitional capitalist societies</title>
				<p>The subjects considered elderly in 2024 were born and raised, mostly between the decades of 1935 and 1960, except for exceptions to the prevailing life expectancy pattern. Considering an approximate intergenerational interval of 30 years between these subjects, a perspective of transience emerges in which it is possible to conceive a significant incidence of cultural values from the late 19th century and the turn of the 20th century. </p>
				<p>An interval like this presumes the coexistence between different family groups composed of individuals at different stages of life. In this case, each of them draws on a distinct repertoire of values, appropriated in intersecting territories and constructed in the mediation between spirits of time that correspond to each of them. This is because there does not seem to be a clear boundary between intergenerational cultural contents, established as borders to be abruptly broken; cultural contents are also susceptible to transitions of temporalities, thoughts, and social behaviors, among others.</p>
				<p>An unusual feature of today’s capitalist society is the way the time component is incorporated into experiences. Time is admitted to processes as an accelerating mechanism rather than a disciplining one of urban human dynamics, constituting, above all, measures of consumption expressed in the urban.</p>
				<p>This acceleration establishes a counterpoint to the temporalities admitted in analog technological capitalist societies, that is, to the chronometric intervals associated with the ways of life of more recent ancestors. A time that presented itself as a powerful force capable of mystically and cyclically governing life in society, where the ringing of Catholic bells still divided the day into three periods from dawn. A culture that reflects a set of paradigms associated with the first two phases of capitalism in societies, whose traces still subsist in part of the characters and urban lifestyles under the present system’s thick cultural layers.</p>
				<disp-quote>
					<p>Thanks to the enormous possibilities of production and, above all, the circulation of inputs, products, money, ideas and information, orders, and people, the territory gains new content and imposes new behaviors. It is the irradiation of the technical-scientific-informational environment (M. Santos, 1985, 1994b, 1996) that settles over the territory, in continuous areas in the Southeast and South or forming spots and points throughout the rest of the country (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Santos, 2011</xref>, p. 62, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>New temporalities impose themselves on current societies, fostering new cultural and experiential paradigms substantiated in networked capitalist societies. <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (1999)</xref> describes this networked capitalism model, which has increasingly gained amplitude in financial capitalism, bringing the need for resizing culture and underlying concepts.</p>
				<p>Together, informational capitalism and financial capitalism represent the last two capitalist phases out of a total of four (so far) merged into a single system.</p>
				<p>Thus, three aspects are highlighted with the purpose of contextualizing the theoretical reflection on elderly subjects in the present: I. A logic of monopolistic capital (through the integration between large companies and the financial market), which favors operations between transnational corporations through investment assets (intangible and highly liquid); II. Subversion in the order of cultural values through strategies that function as mechanisms inducing consumption, as indicated by <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008)</xref>, through communication tools that impose themselves as a culture of “flexible values” and “multiple belongings”; III. Urban content is conditioned by the use of values that reject internal regulation mechanisms, bringing a sense of instability while at the same time presenting itself as an indispensable component to the functioning of the set of gears contained in the short-term capitalist system.</p>
				<p>The current capitalist system is notable for societies that heavily invest in establishing new consumption paradigms. In this sense, the maxim “people are what they eat” can be adapted to “individuals are what they consume” based on the strategies of spreading capitalist cultural ideology.</p>
				<p>The subjects find themselves absorbed by a strategy involving everything from creation to argumentative strengthening and transforming products and services into identity factors. Consumption assumes a dimension of status and a philosophy of life. The notions of “exclusivity” and “flexibility” are incorporated into the discourses and, in a distorted way, alter perceptions and logic that substantiate the feelings of inclusion in the ways of life.</p>
				<p>They are societies that behave technologically and financially as driving forces of a complex informational system in which, among other things, the notion of efficiency is measured by criteria of a <italic>hybridist culture</italic>, focusing on the immediacy of the “short-term” of financial capitalism. In this culture, proposed by <xref ref-type="bibr" rid="B4">Canclini (2008</xref>), individuals alternate between the positions of “creature” and “creator,” fostering the necessary alignments between capitalist societies and hybridized cultures for consumption, whose results directly affect the times and ways of life.</p>
				<p>At this point, the elderly subjects will be approached based on the three premises of current capitalism, considering that, once young, these subjects consisted of active entities equipped with values aligned with a temporality inherent to consciousness then present. For example, excerpts from the work of <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref> are associated. Side by side, these multidimensional subjects can be related to a part of the dialogues present in the work above, when the author-narrator talks with two acquaintances, separately and at two different times, being a father and a son, in different places and times: first, with the father, Enrico, an elderly man, a “career” janitor established since he migrated to the United States, still young, with his family, in search of better working and living conditions. Later, with one of Enrico’s children, already an adult, with a family established, with a completed higher education, and a “career professional” inserted in the job market. Father and son maintain a difficult relationship, a conflict that intensifies due to the appropriation of competing values stemming from capitalist cultures at different times.</p>
				<p>In “The Corrosion of Character,” <xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett (2009)</xref> highlights the cultural impact of distinct phases of capitalism on the values and ways of life of individuals in societies, situations where efforts to organize activities over time generate frustrations and misunderstandings.</p>
				<p>The first premise of current capitalism associates society with a logic of monopolistic capital, which favors operations between transnational corporations through intangible and highly liquid investment assets. Their focus is on capital accumulation through monopolies and on the profitable return of the invested value in the short term. </p>
				<p>Based on these conditions, a void opens up between the ways of life of subjects, taking into account the values and temporal references of each one. Next, a dialogue between the narrator and Enrico’s son is presented:</p>
				<disp-quote>
					<p>The dimension of time in the new capitalism, and not the transmission of high-tech data, global stock markets, or free trade, most directly affects people’s emotional lives outside the workplace. Transposed to the family area, ‘There is no long term’ means to change, not to commit, and not to sacrifice. Rich suddenly exploded on the plane:</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>- You can’t imagine how stupid I feel when I talk about mutual commitments with my children. For them, it is an abstract virtue; they do not see it anywhere.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>During dinner, I simply didn’t understand the outburst, which seemed uncalled for. But its meaning is now clear to me, as a reflection on itself. I wanted to say that children do not see mutual commitment practiced in the lives of their parents or their parents’ generation (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 25, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>The second premise reveals a subversion in the order of cultural values through strategies that function as mechanisms inducing consumption, through communication that imposes itself as a culture of “flexible values” and “multiple belongings.” Next, another dialogue between the narrator and Enrico’s son.</p>
				<disp-quote>
					<p>And as far as your family is concerned, your values are not just matters of nostalgia. Rico truly detests the real experience of a rigid paternal role, like the one he suffered at the hands of Enrico. I would not return to the linear time that ordered the existence of Enrico and Flavia even if I could; he looked at me with disdain when I told him that I have a lifetime job as a college professor. Treats uncertainty and taking risks as challenges at work; as a consultant, he learned to be a competent team player.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>However, these forms of flexible behavior did not serve him in his roles as a father or member of a community; he wanted to maintain social relationships and offer lasting guidance (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 29, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>The third premise presents an urban content conditioned by the use of values that escape all internal regulation, bringing a feeling of instability - currently, an indispensable component to the functioning of the set of gears contained in the short-term capitalist system. Next, the narrator reflects on this “flexibility”:</p>
				<disp-quote>
					<p>It is quite natural for flexibility to cause anxiety: people do not know which risks will be compensated or which paths to follow. To remove the curse from the expression ‘capitalist system’, circumlocutions were previously created, such as ‘free enterprise system’ or ‘private enterprise’. Today, flexibility is used as another way to lift the curse of capitalism’s oppression. It is said that by attacking rigid bureaucracy and emphasizing risk, flexibility gives people more freedom to shape their lives. In fact, the new order imposes new controls, rather than simply abolishing the rules of the past - but these new controls are also difficult to understand. The new capitalism is a system of power that is often illegible (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Sennett, 2009</xref>, p. 9, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>Subjects in transition in current transitional capitalist societies rely on flexible and superficial values to remain included and participants in this consumer culture. However, one aspect that stands out is the predominance of superficial values that, perhaps, do not correspond with the elderly subjects, which the distance can explain and the difficulty of establishing areas of intersection between these generations.</p>
				<p>Elderly subjects offer a kind of resistance to hybridized content, not only due to a certain (in)consistency of values established on other cultural bases but also due to the difficulty of engaging with ephemeral content with hybridized cultural values of a short-term logic. These are contents that antagonize analog experiences and manifestations.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>An absolute priority for the elderly in Brazilian law</title>
				<p>The Brazilian nation is a capitalist society constituted on typical heteronomous bases, just like many others in the South American cone. Brazil is a Federative Republic and, formally, constitutes the Democratic State of Law, a condition that subjects its society to a dense set of normative social rights.</p>
				<p>The Federal Constitution of 1988, when addressing the “Social Order” (Title VIII), innovated by providing special provisions related to the elderly. Art. 193 provides that the social order is based on the primacy of work and, as its objective, social welfare and justice.</p>
				<p>Forward, in art. 203, item V, Section IV of Chapter II of Title VIII, the Constitution advocates that Social Security has as one of its objectives “[...] the guarantee of a minimum wage of the monthly benefit to the person with a disability and the elderly who prove they do not have the means to provide for their own maintenance or to have it provided by their family, as provided by law” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 1988</xref>, online, own translation).</p>
				<p>It is in Chapter VII, however, that the constitutional text is more specific with regard to special treatment for the elderly, with emphasis on the provisions in art. 230, <italic>in verbis</italic>:</p>
				<disp-quote>
					<p>Art. 230. The family, society, and the State have the duty to support the elderly, ensure their participation in the community, defend their dignity and well-being, and guarantee them the right to life.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Paragraph 1 The programs to support the elderly will be preferably carried out in their homes.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Paragraph 2: Free urban public transportation is guaranteed for those over sixty-five years old (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2003</xref>, online, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>In view of the new constitutional provisions, Law No. 10,741, of October 1, 2003, which establishes the Statute of the Elderly Person in the Brazilian legal system, came into force.</p>
				<p>The law is analytical and conceptual. It is structured in seven titles and has almost 120 articles covering matters of civil, procedural, administrative, social security, and even criminal law.</p>
				<p>Soon in the art. From the aforementioned law, it can be inferred that the federal legislator’s action aimed to regulate the rights guaranteed to people aged 60 or older.</p>
				<p>Still in its preliminary provisions, the devices of art. Article 3 of Law No. 10,741/2003 deals with the obligations, actions, means, and instruments capable of ensuring the guarantee of priority granted to the elderly.</p>
				<disp-quote>
					<p>The family, the community, society, and the public authorities have an obligation to ensure the elderly’s absolute priority in realizing their right to life, health, food, education, culture, sports, leisure, work, citizenship, freedom, dignity, respect, and family and community coexistence (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2003</xref>, own translation).</p>
				</disp-quote>
				<p>In this sense, the measures that are already widely disseminated in the law above stand out, such as the “immediate and individualized preferential service” for the elderly with “public and private service providers to the population,” according to item I of §1 of the article. 3rd of the Statute, and others that are not yet, such as the “[...] privileged allocation of public resources in areas related to the protection of the elderly”, as established in item III of §1 of art. 3rd of the same legal statute. Recently, in July 2022, the Elderly Statute underwent some changes, highlighting the rule of 2 of art. 3rd, which “ensures special priority to those over 80 (eighty) years old, always attending to their needs preferentially in relation to other elderly people,” establishing a connection with the current concepts of “third age” and “fourth age,” as will be seen in the subsequent section.</p>
				<p>It is perceived that society, family, and the State are called upon to protect the elderly when the law categorically establishes that “no elderly person shall be subject to any kind of neglect, discrimination, violence, cruelty, or oppression, and any violation of their rights, by action or omission, shall be punished according to the law,” in accordance with the article 4th.</p>
				<p>Thus, a proposal for reflection directed at the elderly subject in an urban capitalist context of South American societies may give rise to the idea of a study that is based on categorical redundancies and/or statistical clichés, which, in the worst case, unfold into punishments or Conduct Adjustment Terms in the judicial sphere.</p>
				<p>This is because elderly subjects tend to be highlighted as a population fraction representing an age category, mostly understood as just one among many in a population statistical scenario, and which also demands budgetary resources to fund differentiated and priority actions.</p>
				<p>Notwithstanding the contributions to the field of Law and Statistics for the configuration of targeted public policies, the elderly are often referred to in the news pages of different government bodies as a burden on the public budget, given that the interpretation of data and information is incorporated into political speeches in welfare and anachronistic tone when topics such as “population aging” and the “need for pension system reform” are highlighted.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Senescence and senility in elderly subjects: The epistemic, the time, and the subjective</title>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008, p. 156)</xref>, the “[...] emergence of age categories is closely related to the process of social ordering that took place in Western societies during the modern era.”</p>
				<p>The prevailing notion of “old age” still refers to the concept’s origins, developed between the 19th and 20th centuries. The term emerged considering a stage of the human life cycle in society, associated with conditions of limitation and cessation of activities and a gradual process of social isolation (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva, 2008</xref>).</p>
				<p>Thus, from the emergence of the term “old age” to the current concepts of “third age” and “fourth age”, the conceptual boundaries have advanced based on rhetorical convergences and divergences that still predominantly rely on a linear organization of research results in line with a linear and chronometrically established time of life expectancy.</p>
				<p>A current look at the evolution of these and other related terms indicates a rhizomatic process, stitching together the advances and intertwinings of this knowledge in different disciplinary fields of Social Sciences and Health Sciences, especially Gerontology, Geriatrics, Sociology, and Anthropology.</p>
				<p>Bringing the issue to the South American continent, human longevity and the life cycle can be seen from numerous scientific and capitalist perspectives, and they are associated with the development of societies. </p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>, the medical definition of “old age” was appropriated by other fields of knowledge, broadening its cultural spectrum and embedding itself in the collective imagination. With a view to rearranging the course of life, the concept of “old age”, inherent to human existence, is a condition <italic>sine qua non</italic> for categorizing the elderly person.</p>
				<p>From this moment on, these subjects are connected both to initiatives for the formulation of targeted welfare policies and to health sciences, especially those based on interdisciplinarity, such as Gerontology. </p>
				<p>It is through Gerontology that the emergence of a medical-social science occurs, seeking the integration between specialized discourses so that it is possible “[...] to propose new ways of understanding aging” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva, 2008</xref>, p. 159, own translation).</p>
				<p>Through the disciplines that make up Gerontology, it has been possible to investigate the experiences that are part of aging, considering social, cultural, and historical aspects inherent to the process from the points of view of the subject’s physical, psychological, and social changes.</p>
				<p>Regarding public policies, old age still represents a state that motivates palliative actions aimed at assisting the elderly, once the irreversible conditions of progressive health degeneration - or the concept of “senility” - are present, which evolve until the total extinction of the subjects.</p>
				<p>The terms “old” and “old age” were and still are attributed to all individuals who reach the minimum corresponding age and/or are within the age range of 60 years and older, and, given their pejorative nature, they are likely to fall into disuse both categorically and representatively of these individuals in the medium term.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte and Brandão (2018)</xref>, reflecting on the so-called “advanced longevity,” which considers individuals living from the age of 80, constitutes the challenge of the moment for societies. Reflection encompasses, simultaneously, the perception of a Human achievement as a result of its scientific and technological efforts and, on the other hand, a human condition for which societies have little prepared, an extended period of life not yet designated and not conceptualized. What now?</p>
				<p>Until the last century, this age group had little representation in capitalist societies. It was treated mainly with palliative measures, both from the perspective of access to health and cultural life, revealing the “[...] perception of physical decline and absence of social roles” (Debert, 1999 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 215, own translation).</p>
				<p>According to the authors, Brazil experienced a growth in the “elderly population” around the 1960s and 1970s, understanding it as a “social problem.” From this, the first social interest projects aimed at this group, then called the “third age,” were developed. The concept was applied to the age group between 60 and 75, who until then “[...] lived the ‘time’ of retirement” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 215, own translation).</p>
				<p>In 1980s Europe, the concept of the “fourth age” emerged, applicable to individuals aged between 75 and 80 years, with a more compromised health status - a category with a higher incidence of comorbidities and more affected by chronic diseases; therefore, with less participation in social life (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
				<p>Thus, the distinction between the concepts of the 3rd and 4th age does not consider, mainly, the possibility of a change in life expectancy for a broader subcategory, based on qualitative findings present in surveys conducted through research that recognize a greater participatory potential in social life for individuals who are currently in the “third age.”</p>
				<p>This phase represents a new stage in the life cycle for a growing number of individuals, while “old age” becomes a qualifier for a period in which limiting biological changes become more pronounced, regardless of individual characteristics (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
				<p>At this point, it is necessary to address the distinctions and conceptual associations existing between the terms “life cycle,” “life expectancy,” and “longevity” today.</p>
				<p>From an epistemological point of view, these three concepts are anchored in temporalities and spatialities that refer to Classical Physics and analog technologies.</p>
				<p>The human life cycle encompasses at most four phases: childhood, adolescence, adulthood, and old age. These occur within a life cycle limited by two major events: birth and death.</p>
				<p>Life expectancy consists of an estimate of the number of years an individual can live, a calculation that considers different variables, both internal and external to the human body, from the life cycle perspective (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>).</p>
				<p>Longevity adheres to the life cycle based on a “standard human being”-that is, the maximum lifespan that the human species can live. According to <xref ref-type="bibr" rid="B8">Patrício <italic>et al.</italic> (2008)</xref>, this limit is currently considered to be 125 years.</p>
				<p>Currently, the concept of “old age” is substantiated in the presentation of certain physical changes acquired over the years and in the conditions of activity and social interaction, a set of characteristics often linked to the concept of “senescence.” Not rarely, individuals in this age group are still present both in the labor market and consumer societies, as <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bauman (2022)</xref> described.</p>
				<p>The “fourth age” represents the beginning of a phase of intensification of characteristics already present in the aging process of the elderly subject, whether due to the onset or worsening of diseases and/or accelerated cognitive degeneration linked to the concept of “senility.” In these circumstances, the elderly individual envisions a scenario of longevity within the currently established life expectancy, potentially reaching a condition of “advanced longevity” that signals a new maximum age, without the possibility of establishing new phases for the human life cycle.</p>
				<p>From the psychological and sociological points of view, aging involves a process that includes the perception of the passage of time in society, causing the notion of quality of life to be redefined successively by the elderly themselves.</p>
				<p>The changes represent the gradual erasure of these subjects’ ways of life in society, which gives them a growing sense of incompleteness. They often transform a condition of longevity with quality of life into a problem for the elderly in terms of social and cultural inclusion.</p>
				<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte and Brandão (2018)</xref> cite Baltes’ 2006 work in defending the idea that theoretical and practical advances suggest that efforts made for the additional prolongation of life could prove innocuous since an extended condition presents “[...] a high level of vulnerability and biocultural ‘incompleteness’ in its behavior, affecting the limits of vital functioning” (Baltes 2006 <italic>apud</italic><xref ref-type="bibr" rid="B6">Côrte; Brandão, 2018</xref>, p. 217, own translation).</p>
				<p>The field of Aging Psychology focuses on the cognitive, affective, and emotional aspects of aging and its repercussions for individuals’ bodies and minds. The feeling of vulnerability grows as “blackouts” related to the following factors intensify: the deaths of spouses, close relatives, and friends; increasing cognitive and physical limitations; the gradual reduction of autonomy and the increase in dependence on caregivers; the decrease in possible events and activities; cultural and environmental changes, styles of music and places that disappear, etc.</p>
				<p>In this way, the issues that arise from the conditions of senescence and senility of the elderly are also associated with aspects of asynchrony in relation to spatialities and temporalities. The phenomenon of desynchronization can be established amid the distinct expressions of cultural context, where the values substantiating the different subjects of the same capitalist society are anchored in distinct and conflicting bases. </p>
				<p>This occurs because, throughout their life cycles, subjects are equipped with values tied to successive layers of cultural content configured in fluid and abstract spirits of time or <italic>zeitgeist</italic>.</p>
				<p>Like most of the epistemological content discussed here, the <italic>zeitgeist</italic> represents a phenomenon that brings together different components emanating from societies-in this case, capitalist ones. Although there are no fixed border limits for a spirit of time, it is distinguished by its transient elements (material and immaterial), mainly by the values that embody these generations in transition.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>The consumption of longevity</title>
				<p>Recently, the Pan American Health Organization and the Economic Commission for Latin America and the Caribbean focused on the health and well-being of older people in the so-called “Decade of Healthy Aging” (2021-2030).</p>
				<p>The effort resulted in an updated report titled “The sociodemographic and economic context of aging in Latin America,” whose data reveal not only the aspects of sociodemographic and socioeconomic heterogeneities of the elderly but also the prevalence of barriers to sociocultural inclusion in current capitalist societies. </p>
				<p>The publication describes the socioeconomic condition of the elderly from an “individual perspective” (and, as stated, “not population-based”), incorporating the demographic, social, and economic dimensions of the investigated audience into the report.</p>
				<p>At the same time, the report highlights the obstacles to be overcome, considering a cultural and economic perspective of multiple transitions. These challenges permeate the cultures that characterize networked and financial capitalist societies, highlighting a phenomenon of asynchrony between the values that substantiate the subjects, the emerging urban contents, and the incident timings.</p>
				<p>In Brazil, the barriers have focused on different aspects of elderly individuals’ experiences, especially regarding the dissemination and access to means for their health and quality of life. For example, communication and mobility are highlighted as the main means affected by conditions of transience and asynchrony.</p>
				<p>The recognition and institutionalization of information about the elderly, combined with the evolution of the processes of identifying these individuals with their respective age categories, have allowed not only a more efficient targeting of efforts but also greater engagement of these groups in actions for health promotion.</p>
				<p>According to <xref ref-type="bibr" rid="B12">Silva (2008)</xref>, understanding the third age as a culturally and socially constructed categorical representation strengthens identity formation in the contexts of cultures, societies, and gerontological research. A well-defined and well-articulated categorical representation can also enable the interests of elderly subjects in consumer culture.</p>
				<p>Efforts to build content to strengthen the concepts of “third age” and “positive aging” have served as a strategy for a cultural paradigm shift in societies. However, both have been more culturally disseminated outside the academic context and a specialized discipline, being admitted as a topic of great relevance in the media since they have configured numerous opportunities for services and products targeted at these groups.</p>
				<p>From the point of view of autonomy, this new category emerges in capitalist society from the reorganization of specialized agents. A good example is the opposition between the concepts of old age and senior age, which brings with it a series of opportunities for consumption based on different social and cultural habits, more specific consumption needs, and, eventually, more sophisticated ones.</p>
				<p>Capitalism has shown agility and assertiveness in offering products and solutions for this segment, so exclusive programs and tourist itineraries for this age group are already identified. A variety of products, ranging from special footwear with a design aligned with fashion to aesthetic procedures, luxury vehicles, and residential condominiums aimed at elderly individuals, are also available.</p>
				<p>At this point, two concepts stand out as two sides of the same coin: positive aging and longevity consumption.</p>
				<p>Behind these market solutions, a culture of consumption arises with the engaged discourse of Social Gerontology and the concept of positive aging, which have been disseminated through the media. In truth, it is a new market based on a lifestyle aligned with different consumption practices.</p>
				<p>The consumption of longevity is embedded in capitalist society as a status paradigm, embodied in the illusion of extended youth, and appears as an abstract dimension of the most varied products. The desire for an eternal life crystallized in a body with a healthy appearance of, at most, 30 years, for example, appears in different forms, subliminally or not, linked to perfumes, margarines, shampoos, and many other products and services available on the market.</p>
				<p>Thus, the consumption of longevity precedes the condition of being elderly, having a contradictory character, both preventive and illusory - after all, how can a small bottle of product really be anti-wrinkle and anti-aging?</p>
				<p>Along with the “consumption of longevity” comes the “consumption of exogenous patterns,” especially in the context of network societies, as <xref ref-type="bibr" rid="B5">Castells (1999)</xref> describes a South American capitalist society in its condition of dependency.</p>
				<p>These patterns are being inserted into South American culture with enough force to nullify long-established customs; in some cases, to the detriment of consumers, especially regarding food.</p>
				<p>A networked society represents, in general terms, a complex structure based on social networks operated by information technologies and artificial intelligence. These networks are massive communication models enabled by the globalization of major economic activities. Among the numerous features of this system is the culture of “real virtuality,” through which hybridized cultural values are advertised, tending to suppress local values.</p>
				<p>A strong example can be seen in recent experiences of immersion in virtual realities through technological solutions capable of deceiving the human brain in a virtual environment in which human senses are simulated so that the interactions between the user (subject) and this environment resemble an activity in the physical world.</p>
				<p>In these controlled environments, Augmented Reality (AR), Mixed Reality (MR), Virtual Reality (VR), and 360° visual material technologies are simulated, allowing interaction between subjects and different platforms, which are considered interactive and experiential. At the moment, young subjects are the most susceptible and dependent on these forms of interaction since they are increasingly suited to capitalist urban content.</p>
				<p>Thus, its great contribution to the development of scientific and productive viewpoints, especially in different fields of Medicine, Biology, engineering, and others, virtual environments are increasingly present in urban social experiences, configured as conveniences and problems related to temporalities, as they substantiate the perception of asynchrony in current societies.</p>
				<p>In South America, various situations that are part of local customs are affected, such as eating patterns, human aesthetic aspects, social behavior, housing, etc. Today’s societies appropriate the new capitalist paradigms in numerous ways.</p>
				<p>Considering the spirit of this time and cultural and generational transience, the new capitalist cultural paradigms highlight the paradoxical aspects contained in the flexible cultures of today’s societies, resulting from the intersections and coexistence between disparate cultural values.</p>
				<p>These societies, in turn, express themselves through intertemporal and “trans-temporal” urban contents; that is, urban ideologically representative of both the multiple cultural transitions (with changes, overlaps, and erasures) and the new temporal paradigm, which presumes the crossing and simultaneous alternation between the references of chronometric time and relative time.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>The proposal for reflection evolved from an interdisciplinary epistemological and theoretical intertwining, substantiated in the articulation between six disciplinary fields, namely: Anthropology, Health Sciences, Geography, Gerontology, Psychology, Sociology, and Law, contemplating elderly subjects in an urban capitalist cultural content of South American societies, with an emphasis on Brazil. In this sense, two aspects were explored, allowing for the establishment of some considerations about the processes that permeate the aging of an individual.</p>
				<p>Regarding the aging process, linked to a chronometrically pre-established life expectancy, individuals face the procedural inevitability of a life cycle so that there resides a perspective of countdown and a pre-relativistic temporality. </p>
				<p>Regarding longevity consumption patterns, the subjectivities that adhere to this idea are part of a culturally established set that aims to confront the inevitable processes from the perspective of the human organism cycle. </p>
				<p>Current capitalism invests in discourses that, more than ever, transcend products and services so that individuals acquire, through them, “new ways of life” or “new experiences” in a perspective of lasting and flawless becoming. </p>
				<p>An example of this movement can be identified in the marketing of residential properties in club condominiums, where consumers acquire a “new way of living” in a kind of “oasis” amidst the urban environment. In this segment, proposals for “equipped” club condominiums are already emerging to meet the demands of today’s elderly, where the square meter values are linked to the flexible values of a culture of long-lived youth.</p>
				<p>These ideal cells configure nested structures, which stand out in the urban context as independent units, dissociated from the layouts, where hybridized culture materializes in environments, components, equipment, and ways of life that are supposedly controlled and separated from direct interaction with the trivialities outside the walls.</p>
				<p>Already in cosmetic genres, the term “anti-aging” appears on the packaging of various products that claim to have revolutionary substances in their compositions that allegedly interrupt a natural and inexorable process of the human life cycle.</p>
				<p>In practice, it is about the strength of a system that simultaneously creates demands (consumption) and generates products and services that transcend their own purpose, being converted into “something experiential.” In this sense, they represent a consumption that symbolizes status and longevity for the subjects of these societies.</p>
				<p>In a capitalist society where temporalities are incorporated into experiences as an accelerating mechanism rather than a disciplining one of urban human dynamics, it is possible to infer that temporal misalignment decisively affects the logic for the performance of different activities. This forces individuals to deal with the effects of desynchronization on human health, with even greater harm to the elderly.</p>
				<p>On one hand, there is a perception of always tight times for activity performance when the current model of short-term capitalism is considered, and, on the other, grand efforts are employed so that the subject sees themselves “frozen” in a past time because an aged image cannot be associated with a culture “of the new” and “of the immediate.”</p>
				<p>As for the place of the current elderly, the timing that determined the experiences in analog technological societies no longer favors them, as the current spirit of time imposes itself through forces diametrically opposed to human existence.</p>
				<p>Furthermore, the culture of capitalist societies presents itself as a kind of “metaphysical dilemma” that demands a fast pace. The eyes are drawn to past content that needs to be maintained in the present, like an ephemeral anchor, considering the distorted aspect inherent to memory.</p>
				<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Santos (2021, p. 263, own translation)</xref> argues that the dynamics of globalized societies “[...] do not erase remnants of the past, but modify their meaning and add, to what already exists, new objects and new actions characteristic of the new time.”</p>
				<p>More than a new paradigm for urban temporalities, the current capitalist scenario is characterized by the imposition of hybridized cultural values associated with the new rhythms of social dynamics. These values substantiate a trans-generational cultural continuum that does not harmonize with individuals’ human temporalities, even less with elderly individuals, at any time.</p>
				<p>From this set, the perception of immortality for capitalist culture emerges. A system that proves to be long-lasting as it dies and is reborn within the same ideological body, which is successively reinvented by societies, leaving its different forms of cultural expression imprinted on the urban landscape at each stage.</p>
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		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn10">
					<label><sup>1</sup></label>
					<p>Work originally published in 1999.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn11">
					<label><sup>2</sup></label>
					<p> Work originally published in 1999.</p>
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				<fn fn-type="other" id="fn12">
					<label><sup>3</sup></label>
					<p> Work originally published in 1999.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn13">
					<label><sup>4</sup></label>
					<p> Work originally published in 2001.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn14">
					<label><sup>5</sup></label>
					<p> Work originally published in 1998.</p>
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				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label><sup>6</sup></label>
					<p> Work originally published in 2007.</p>
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				<title>How to cite this article: </title>
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					<label>18</label>
					<p>Duailibe, A. C. S. C.; Rola, S. M. The immortality of a long-lived. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e2412002, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a12002en">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a12002en</ext-link>
					</p>
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