Françoise Choay: uma mulher e seu tempo:

uma leitura acerca da intelectual feminina num universo masculino

Autores

  • Virgínia Pontual Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural. https://orcid.org/0000-0001-8626-6675
  • Júlia da Rocha Pereira Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural. https://orcid.org/0000-0002-1656-0577
  • Juliana Melo Pereira Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural. https://orcid.org/0000-0002-1277-9627
  • Luciene Tenório Universidade Federal de Pernambuco, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, Laboratório de Urbanismo e Patrimônio Cultural. https://orcid.org/0009-0002-7798-782X

DOI:

https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a12676

Palavras-chave:

Françoise Choay, História Cultural, Mai 68, Urbanismo, Vincennes

Resumo

Os anos de 1960 na França, assim como em outros países, vem suscitando questões que requerem articulações de documentações diversas, especialmente ao serem perscrutados acontecimentos biográficos, como o da filósofa Françoise Choay. Sabe-se que esta filósofa, atuou como escritora, professora e tradutora; produziu escritos sobre temáticas que articulam os campos disciplinares da filosofia, da história da arte, da arquitetura e do urbanismo, dentre outros. Ela circulava com maestria em ambientes acadêmicos, editoriais e jornalísticos, muitos dos quais, neste arco temporal, eram dominados por homens.O presente artigo tem o objetivo de compreender Françoise Choay na sua condição feminina e posição excepcional: o que significou ser uma mulher de seu tempo nos lugares que ocupou? A partir de sua biografia profissional, buscou-se, num contínuo movimento sujeito-contexto, entender os movimentos de pensamento que gravitavam em torno dela, à medida que ela aderia ou se distanciava. A problematização está aportada na História Cultural, particularmente em Pierre Bourdieu (2006) e Pierre Nora (1993), que referencia a relação entre memória e história, como um jogo interativo que permite uma sobreposição recíproca. O percurso adotado considerou a investigação de sua formação intelectual, dos eventos ocorridos em Mai 68, da reforma do ensino superior em arquitetura e urbanismo, da criação da Universidade Experimental de Vincennes, das proveniências e raízes familiares, da vivência em um maquis comunista em Corrèze, da emergência do feminismo e dos embates intelectuais. Deste modo, foi possível interconectar os aspectos investigados em uma narrativa crítica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Abrão, B. S. (org.). Solidão e angústia em Kierkegaard. In: Abrão, B. S. História da Filosofia. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1999. p. 404-410.

Albornoz, S. Ética e utopia: ensaios sobre Ernest Bloch. 2. ed. rev. Porto Alegre; Santa Cruz do Sul, RS: Movimento; Ed. da Unisc, 2006.

Ata de batismo de Colette Cerf. État civil de Paris. Les Archives de Paris, sujet: Naissances, Paris 1899. Disponível em: https://archives.paris.fr/s/4/etat-civil-actes/. Acesso em: 9 nov. 2022.

Ata de casamento de Colette Cerf e André Weiss. État civil de Paris. Les Archives de Paris, sujet: Mariages, Paris, 1924. Disponível em: https://archives.paris.fr/s/4/etat-civil-actes/. Acesso em: 9 nov. 2022.

Bachelard, G. A formação do espírito científico: contribuição para uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

Beaubatie, G. Le parti communiste français en Corrèze dans les rapports de l’administration de Vichy (1940 1941). Annales du Midi: revue archéologique, historique et philologique de la France méridionale, tome 104, n. 199-200, p. 323-334, 1992. Fait partie d’un numéro thématique : les années quarante dans le Midi. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/anami_00034398_1992_num_104_199_3742. Acesso em: 6 fev. 2024.

Busquet, G.; Carriou, C.; Coudroy de Lille, L. (org). Un ancien institut...Une histoire de l’Institut d’urbanisme de Paris. HAL Science Ouverte, 2005. Disponível em: https://hal.science/hal-00458381. Acesso em: 12 maio 2022.

Boudon, R. La crise universitaire française: essai de diagnostic sociologique. Annales. Économies, Sociétés, Civilisations, v. 24, n. 3, p. 738-764, 1969. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/ahess_0395-2649_1969_num_24_3_422093. Acesso em: 12 maio 2022.

Bourdieu, P. A ilusão biográfica. In: Ferreira, M. M.; Amado, J.; Portelli, A. Usos e abusos da história oral. 8. ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2006. p. 183-191.

Calabi, D. Marcel Poëte et les Paris des années vingt: aux origines de l’histoire des villes. Paris; Montréal: L’Harmattan, 1997.

Choay, F. L’urbanisme, utopies et réalités: une anthologie. Paris: Seuil, 1965.

Choay, F. Urbanismo, utopias e realidades: uma antologia. São Paulo: Editora Perspectiva, 1979.

Choay, F. La cité du désir et la ville modèle: essai sur l’instauration textuelle de la ville. 1978. Tese (Doutorado) – Université de Paris X, 1978.

Choay, F. La règle et le modèle: Sur la théorie de l’architecture et d’urbanisme. Paris: Éditions du Seuil, 1980.

Choay, F. Introduction à Michel Ecochard, Les plans d‘aménagement de la région parisienne ne sont que du vent. France Observateur, n. 3 17, p. 10-11, 7 juin 1956.

Choay, F. Un exemple : Panafieu. France Observateur, n. 352, p. 16, 7 fév. 1957a.

Choay, F. Aux sources de l’art non figuratif: Delaunay. France Observateur, n. 382, p. 14, 5 sept. 1957b.

Choay, F. Un grand peintre américain expose à Paris : Mark Tobey. France Observateur, n. 402, p. 23, 23 janv. 1958a.

Choay, F. Sur Modigliani. France Observateur, n. 422, p. 18, 5 juin, 1958b.

Choay, F. Le Corbusier à la Cité Universitaire. France Observateur, n. 478, p. 15, 1959.

Choay, F. Mort de l’Ecole des Beaux-Arts. La Quinzaine littéraire, n. 52, p. 13, 1968.

Choay, F. Ces nombreuses mais tristes HLM. France Observateur, n. 517, p. 15-16, 1960.

Choay, F. Kopacs, à la recherche du monde perdu, Art International, v. 2, p. 38-41, 1963.

Choay, F. Grands ensembles et petites constructions. Arts de France, t. 4, p. 387-391, 1964.

Choay, F. Contre l’enfer vertical ou Frank Lloyd Wright: L’architecture de l’avenir, La Quinzaine littéraire, n. 7, p. 17, 1966.

Choay, F.; Merlin, P. Dictionnaire d’urbanisme et d’aménagement urbain. Paris: Presses universitaires de France, 1988.

Chaperon, S. La radicalisation des mouvements féminins Français de 1960 à 1970. Vingtième Siècle, Revue D’histoire, n. 48, p. 61-74, 1995. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/xxs_0294-1759_1995_num_48_1_4423. Acesso em: 23 nov. 2023.

Chevalier, G. L’entrée de l’urbanisme à l’Université. La création de l’Institut d’urbanisme (1921-1924). Genèses, v. 39, p. 98-120, 2000. Entreprises et société à l’Est.

Claude, V. Faire la ville: Les métiers de l’urbanisme au XXe siècle. Marseille: Parenthèses, 2006.

Diener, A. L’enseignement d’André Gutton. Une démarche construite entre l’Institut d’urbanisme de l’université de Paris et l’École des beaux-arts (1921-1974). Hypotheses, 2020a. Disponível em: https://ensarchi.hypotheses.org/1449. Acesso em: 20 fev. 2024.

Diener, A. De l’École des beaux-arts aux instituts d’urbanisme. Repenser l’enseignement par l’atelier au sein du Séminaire et atelier Tony Garnier (SATG) (1961-1974). Hypothèses, 2020b. Disponível em: https://hal.science/hal-04156628v1/file/article%20version%20finale.pdf. Acesso em: 21 jan. 2021.

Grenard, F. Le PCF et les maquis. In: Vigreux, J.; Ducoulombier, R. (dir.). Histoire documentaire du communisme: Territoires contemporains – nouvelle série [en ligne], n. 7, 2017. Disponível em: http://tristan.u-bourgogne.fr/CGC/publications/Histoire_documentaire_communisme/Fabrice_Grenard.html. Acesso em: 5 fev. 2024.

Grenard, F. Une légende du maquis: Georges Guingouin, du mythe à l’histoire. Paris: Vendémiaire, 2014. Disponível em: https://www.cairn.info. Acesso em: 2 jun. 2024.

Sociedade Francesa de Urbanismo. 100 ans d’urbanisme: 1911–2011. Paineaux de l’expo itinérante de la SFU, 2011. Disponível em: https://www.urbaniste.com/wp-content/uploads/2020/11/100ansPanneaux-sfu.pdf. Acesso em: 12 maio 2022.

Jacobs, J. Morte e Vida de grandes cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

Loyer, E. Mai 68 et l’histoire: 40 ans après. Cahiers d’histoire. Revue d’histoire critique, n. 107, 2009. Disponível em: https://bit.ly/3WkXic7. DOI: https://doi.org/10.4000/chrhc.1321. Acesso em: 12 maio 2022.

Malaquias,T.; Brandão, C. C. Françoise Choay e a revisão crítica da narrativa canônica de Brasília sob a ótica das mulheres. Paranoá, v. 16, n. 35, e47909, 2023.

Marcuse, H. Marcuse e as revoltas estudantis de 1968. Palestra de Marcuse na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), em 23/05/1968. Revista Jacobina, 2021. Disponível em: https://jacobin.com.br/2021/06/marcuse-e-as-revoltas-estudantis-de-1968-uma-conferencia-nao-publicada/. Acesso em: 22 jul. 2023.

Morin, E. Maio de 68 é algo como um momento simbólico de crise da civilização. Entrevista de Michel Wieviorka a Edgar Morin. Instituto Humanitas Unisinos, 4 maio 2018. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/publicacoes/78-noticias/578855-maio-de-68-e-algo-como-um-momento-simbolico-de-crise-dacivilizacao-entrevista-com-edgar-morin. Acesso em: 22 jul. 2023.

Morin, E.; Lefort, C.; Coudray, J.-M. Mai 68, La Brèche: Premières réflexions sur les événements. Paris: Éditions Fayard, 1968.

Nora, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História, n. 10, p. 7-28, 1993.

Paquot, T.; Ribeiro, E. P. Françoise Choay (1925). Paranoá, v. 16, n. 35, p. 1-10, 2023.

Paugam, J. Génération perdue. Paris: Laffont, 1977.

Pavard, B.; Rochefort, F., Zancarini-Fournel, M. Ne nous libérez pas, on s’en charge: une histoire des féminismes de 1789 à nos jours. Paris: La Découverte, 2020. Document téléchargé depuis https://www.cairn.info. Acesso em: 3 mar. 2024.

Peixoto, P. Uma história do urbanismo em construção: as práticas historiográficas de Françoise Choay (1956 1971). 2018. Tese (Doutorado em Urbanismo) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.

Pereira, J. M. Para florescer pessoas: o pensamento urbanístico de Gaston Bardet. 2019. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Urbano) — Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019.

Pontual, V.; Pereira, J. R. No mundo das palavras de Françoise Choay: decodificando o modelo. Paranoá, v. 16, n. 35, p. 1–22, 2023.

Perrot, M. et al. Culture et pouvoir des femmes: essai d’historiographie. Annales. Economies, Sociétés, Civilisations, v. 41, n. 2, p. 271-293, 1986. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/ahess_0395-2649_1986_num_41_2_283275. Acesso em: 5 mar. 2024

Roudinesco, E. Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.

Roudinesco, E. Jacques Lacan: esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

Violeau, J.-L. Les Architectes et mai 68. Paris: Éditions Recherches, 2005.

Voldman, D. Le genre, à côté. Genre & Histoire, v. 15, 2015. Doi: https://doi.org/10.4000/genrehistoire.2074.

Downloads

Publicado

2025-12-16

Como Citar

Pontual, V., da Rocha Pereira, J., Melo Pereira, J., & Tenório, L. (2025). Françoise Choay: uma mulher e seu tempo: : uma leitura acerca da intelectual feminina num universo masculino. Oculum Ensaios, 22. https://doi.org/10.24220/2318-0919v22e2025a12676

Edição

Seção

Originais