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				<journal-title>Oculum Ensaios</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Oculum Ens. (Online)</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a14882</article-id>
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				<article-title>Dossiê Envelhecimento, Território e Ambiente</article-title>
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				<institution content-type="original">ITESO, Universidad Jesuita de Guadalajara. Jalisco, México.</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidad Jesuita de Guadalajara</institution>
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				<institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Escola de Arquitetura, Artes e Design, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Campinas, SP, Brasil.</institution>
				<institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de Campinas</institution>
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					<label><bold>Editores</bold></label>
					<p> Alejandro Perez Duarte Fernandez e Patrícia Samora</p>
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			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>21</day>
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				<year>2025</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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		<p>Este número especial surpreendeu pelo elevado número de propostas de artigos recebidas, o que pode ser interpretado como um indício de uma procura social derivada do contexto do Brasil num novo estatuto de envelhecimento avançado. E, à semelhança disso, são de esperar nas próximas décadas efeitos, fenômenos e pressões sobre as mais diversas áreas, como a economia e o sistema de pensões, o sistema de saúde e de cuidados, e até o próprio habitat, tanto da cidade como das edificações. Será necessário repensar os modelos territoriais e espaciais, bem como a sua gestão, num novo paradigma da “cidade do cuidado”. E isso exige novos conhecimentos numa perspectiva gerontológica, para os quais este dossiê <italic>Oculum Ensaios</italic> pretende contribuir.</p>
		<p>Desde a chamada deste número especial apontava-se para o diferente processo de envelhecimento latino-americano comparado com outras partes do mundo, sendo mais acelerado o de perfil distinto. Os estudos urbanos e espaciais sobre este tema, desenvolvidos até o momento, respondem a um contexto e cultura longe das particularidades do Brasil. Portanto, é necessário caracterizar, entender e analisar o envelhecimento com traços particulares dessa complexidade, que inclui ainda os aspectos históricos regionais como o da segregação espacial e desigualdade urbana, tão característicos de nossas cidades e ainda longe de serem superados.</p>
		<p>Neste primeiro conjunto de trabalhos publicados na revista <italic>Oculum Ensaios</italic> encontramos algumas afinidades temáticas, e sugerimos a leitura a partir de três eixos: “Políticas municipais para o envelhecimento”, “Cidade e mobilidade urbana” e “Arquitetura e ambientes”.</p>
		<p>No primeiro eixo, “Políticas municipais para o envelhecimento”, o artigo de Nespolo, Bordin e Bernartt, apresenta 27 planos municipais no Brasil que oficialmente integram considerações sobre o envelhecimento, identificando 1.026 ações em chaves como, “Apoio à comunidade e serviços de saúde”, “Respeito e inclusão”, e “Participação social”. De forma semelhante, um segundo trabalho, de Dumont <italic>et al</italic>., analisa quantitativa e qualitativamente documentos oficiais de 31 municípios de Minas Gerais, correlacionando-os com o método de Pearson. Esse estudo revela, entre outros aspectos, que aqueles municípios com maior número de normas são os que realizam menos ações e, sobretudo, detecta uma preocupante lacuna em aspectos de acessibilidade física e social. O terceiro trabalho, de Bonicenha, aborda o município de São Paulo com diversos dados cruzados e extraídos de bases de dados oficiais sobre demografia, saúde, território e habitação, que são interpretados com gráficos. O estudo mostra, entre 1990 e 2022, um crescimento de dois grupos de pessoas idosas com mais anos, apresentando mapas que denotam consistentes padrões concêntricos de envelhecimento.</p>
		<p>O segundo eixo reúne dois trabalhos sobre a “Cidade e mobilidade urbana”. O primeiro, de Matos <italic>et al</italic>., utiliza pesquisas de origem e destino, juntamente com dados censitários, para detectar o aumento dos deslocamentos motorizados de pessoas idosas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Entretanto, esse aumento ocorre mais na modalidade privada do que no transporte público, levantando reflexões sobre a sustentabilidade da mobilidade urbana frente aos hábitos da população envelhecida. O segundo trabalho, de Schmitt <italic>et al</italic>., observa os deslocamentos a pé - paradigma do envelhecimento saudável - e os relaciona com a presença de áreas verdes urbanas, que incentivam as caminhadas. Utilizando quase 5 mil questionários aplicados entre 2010 e 2019, demonstra que os parques são grandes atrativos promotores de caminhadas em todos os estratos socioeconômicos e educacionais.</p>
		<p>Por fim, o terceiro eixo aborda o tema dos “Ambientes e arquitetura” é iniciado pelo trabalho de Nebot e Costa, que realizam uma aproximação a moradia coletiva desde os programas habitacionais orientados para idosos -principalmente independentes, como Vila DignIDADE- para depois explorar o <italic>envelhecimento no lugar</italic> dentro da moradia tradicional unifamiliar, fazendo um diagnóstico das inadequações baseado num relatório recente de 2022. O escrito finaliza com a menção de aspectos a considerar do ambiente urbano amigável com o idoso. O texto subsequente, de Tissot e Vergara, propõe diretrizes para o interior da moradia adaptada com foco em aspectos físicos de segurança, identificando como principais elementos barras de apoio, pisos antiderrapantes, rampas e sensores de fumaça, e colocando em foco o banheiro como local de atenção especial dentro da casa. Concluindo o eixo, o trabalho Bestetti e Nascimento explora a habitação coletiva institucionalizada em um entendimento amplo do espaço doméstico, abordando aspectos físicos de segurança, da privacidade e do ambiente psicoemocional. Baseiam-se em exploração qualitativa com 61 residentes de <italic>Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas</italic> (ERPI) de Lisboa - equivalentes às ILPIs (Instituições de Longa Permanência) brasileiras. O estudo destaca componentes sutis do ambiente, como oferecer controle (<italic>agency</italic>) aos residentes sobre seu espaço e vida, e facilitar a apropriação de espaços fora do quarto, nas áreas coletivas, para gerar sensação ampliada de domesticidade. A partir de aspectos-chave da gerontologia ambiental, o texto aborda a autonomia, o bem-estar, o senso de pertencimento e as complexas dinâmicas sociais envolvendo os cuidadores. O trabalho finaliza identificando efeitos benéficos de certas atividades, como jardinagem, contato com animais e interações com crianças, encerrando com um registro fotográfico e observações que ilustram os aspectos abordados. </p>
		<p>Agradecemos a todos que enviaram trabalhos para esta chamada e desejamos aos leitores boa leitura, no aguardo de um segundo número especial desta mesma temática.</p>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a14882en</article-id>
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					<subject>EDITORIAL</subject>
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				<article-title>Dossier on Aging, Territory, and Environment</article-title>
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				<institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Escola de Arquitetura, Artes e Design, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Campinas, SP, Brasil.</institution>
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			<author-notes>
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					<label><bold>Editors</bold></label>
					<p> Alejandro Perez Duarte Fernandez e Patrícia Samora</p>
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			</author-notes>
			<elocation-id>e2414884</elocation-id>
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		<body>
			<p>This special issue was marked by an unexpectedly high number of article proposals, which can be interpreted as evidence of a social demand arising from Brazil’s transition into an advanced aging stage. In this context, it is anticipated that, over the coming decades, diverse effects, phenomena, and pressures will emerge across various domains, including the economy, the pension system, healthcare and social care services, and even the urban habitat itself - encompassing both cities and their built environments. This scenario necessitates a critical rethinking of territorial and spatial models, along with their governance, within the framework of a new paradigm: the “city of care.” This dossier of Oculum Ensaios seeks to contribute to this evolving field by fostering new gerontological knowledge.</p>
			<p>Since the call for papers on this issue, the distinct and accelerated aging process in Latin America has been highlighted, revealing a unique profile compared to other regions. The urban and spatial studies conducted on this topic thus far predominantly reflect contexts and cultural realities distant from the specificities of Brazil. Consequently, it is essential to characterize, comprehend, and analyze an aging process imbued with the region’s complexities. This includes addressing historical regional dimensions, such as spatial segregation and urban inequality, which remain deeply embedded in our cities and far from being resolved.</p>
			<p>In this first set of papers published in the journal <italic>Oculum Ensaios</italic>, we have identified several thematic affinities and suggest the reading through three key axes: “Municipal policies for aging”, “City and urban mobility” and “Architecture and environments”.</p>
			<p>In the first axis, “Municipal policies for aging”, the article by Nespolo, Bordin and Bernartt presents 27 municipal plans in Brazil that officially include considerations on aging, identifying 1,026 actions in key areas such as “Community support and health services”, “Respect and inclusion” or “Social participation”. A second similar study by Dumont <italic>et al.</italic> analyzes quantitatively and qualitatively official documents from 31 municipalities in Minas Gerais, correlating them using Pearson’s method. This study reveals, among other things, that municipalities with a greater number of regulations are the ones that carry out fewer actions and, most notably, highlight a concerning gap in physical and social accessibility. The third paper, by Bonicenha, analyzes the municipality of São Paulo, cross-referencing data on demographics, health, territory, and housing from official databases, interpreted through graphs. The study shows the growth of two age groups of older people between 1990 and 2022, presenting consistent concentric patterns of aging.</p>
			<p>The second axis brings together two papers on “City and urban mobility”. The first, by Matos <italic>et al.</italic>, uses origin and destination surveys along with census data to detect an increase in motorized travel by older people in the Metropolitan Region of Belo Horizonte. However, this increase is seen more in private transport than in public transport, raising questions about the sustainability of urban mobility given the aging population’s travel habits. The second study, by Schmitt <italic>et al.</italic>, focuses on walking - a paradigm of healthy aging - and links it to the presence of urban green spaces that encourage daily walking. Based on nearly 5,000 questionnaires conducted between 2010 and 2019, the study shows that parks are key attractions that promote walking across all socioeconomic and educational groups.</p>
			<p>Finally, the third axis addresses “Environments and Architecture”, starting with the work of Nebot and Costa, which explores collective housing through housing programs designed for the elderly, particularly independent individuals, such as the Vila DignIDADE project. It then investigates aging in place within the traditional single-family dwelling, diagnosing inadequacies based on a recent 2022 report, and concludes with a discussion of aspects to consider in an environment attached to the needs of the elderly. The subsequent article by Tissot and Vergara provides guidelines for adapting the interior of homes, focusing on physical safety aspects and identifying grab bars, non-slip floors, ramps, and smoke detectors as key elements while emphasizing the bathroom as an area requiring special attention. This axis concludes with the work of Bestetti and Nascimento, which explores institutionalized collective housing through a broad understanding of domestic space, addressing physical safety, privacy, and the psycho-emotional environment. The study is based on a qualitative exploration with 61 residents of Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) in Lisbon, equivalent to Brazil’s ILPIs (Instituições de Longa Permanência). The study highlight subtle aspects of the environment, such as offering residents agency over their space and lives and facilitating the appropriation of spaces outside the bedroom and in communal areas to foster a greater sense of domesticity. Drawing on key principles of environmental gerontology, the paper addresses autonomy, well-being, belonging sense, and the complex social dynamics with caregivers. It concludes by identifying the beneficial effects of activities such as gardening, contact with animals, and interactions with children, closing with photographic documentation and observations that illustrate the discussed points.</p>
			<p>We would like to express our gratitude to all who submitted papers for this call and wish our readers an enjoyable reading experience. We look forward to a second special issue on the same topic.</p>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a14882es</article-id>
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				<article-title>Dossier Envejecimiento, Territorio y Ambiente</article-title>
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					<p> Alejandro Perez Duarte Fernandez e Patrícia Samora</p>
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		<body>
			<p>Este número especial recibió un notable volumen de propuestas de artículos, lo que puede interpretarse como un indicio de una demanda social derivada de un Brasil en un nuevo estatuto de envejecimiento avanzado. En este contexto, es previsible que, en las próximas décadas, surjan diversos efectos, fenómenos y presiones sobre ámbitos muy diversos, desde la economía y el sistema de pensiones, el sistema sanitario y asistencial, hasta el propio hábitat, tanto de la ciudad como de sus edificaciones. Habrá que replantearse los modelos territoriales y espaciales, así como su gestión, en el marco de un nuevo paradigma de la “ciudad de los cuidados”. Y esto requiere un nuevo saber bajo la perspectiva gerontológica a la cual pretende contribuir este dossier de <italic>Oculum Ensaios</italic>.</p>
			<p>Desde la convocatoria de artículos para este número, se ha destacado el proceso de envejecimiento en América Latina, caracterizado por un ritmo más acelerado y un perfil distinto en comparación con otras regiones del mundo. Los estudios urbanos y espaciales desarrollados hasta la fecha reflejan un contexto y una cultura que distan mucho de las particularidades propias de Brasil. Por ello, resulta esencial caracterizar, comprender y analizar este proceso de envejecimiento, considerando su complejidad específica. Esta incluye aspectos históricos y regionales, como la segregación espacial y la desigualdad urbana, rasgos profundamente arraigados en nuestras ciudades y que, lamentablemente, aún están lejos de ser superadas.</p>
			<p>En este primer conjunto de trabajos publicados en la revista <italic>Oculum Ensaios,</italic> hemos identificado algunas afinidades temáticas, y sugerimos abordar su lectura a partir de tres ejes: “Políticas municipales para el envejecimiento”, “Ciudad y movilidad urbana” y “Arquitectura y ambientes”.</p>
			<p>En el primer eje, “Políticas municipales para el envejecimiento”, el artículo de Nespolo, Bordin y Bernartt examina 27 planes municipales en Brasil que incluyen oficialmente consideraciones relacionadas con el envejecimiento. En ellos, se identificaron 1.026 acciones en áreas clave como “Apoyo a la comunidad y servicios de salud”, “Respeto e inclusión” o “Participación social”. Un segundo estudio, llevado a cabo por Dumont <italic>et al</italic>.<italic>,</italic> analiza cuantitativa y cualitativamente documentos oficiales de 31 municipios de Minas Gerais, utilizando el método de Pearson para establecer correlaciones. Este análisis revela, entre otros hallazgos, que los municipios con mayor cantidad de normativas tienden a ejecutar menos acciones concretas y, de manera preocupante, destaca un desfase significativo en términos de accesibilidad física y social. El tercer trabajo, realizado por Bonicenha se centra en el municipio de São Paulo utilizando un análisis de datos cruzados sobre demografía, salud, territorio y vivienda, extraídos de bases oficiales y representados a través de gráficos. El estudio identifica el crecimiento de dos grupos etarios de personas mayores de edad más avanzadas entre 1990 y 2022, acompañado de mapas que evidencian patrones concéntricos consistentes de envejecimiento en la región.</p>
			<p>El segundo eje agrupa dos estudios relacionados con “Ciudad y movilidad urbana”. El primer trabajo, elaborado por Matos <italic>et al.</italic> analiza encuestas de origen y destino junto con datos censales para identificar un aumento de los desplazamientos motorizados de las personas mayores en la Región Metropolitana de Belo Horizonte. Sin embargo, este crecimiento se observa principalmente en el uso del transporte privado en lugar del público, lo que plantea dudas sobre la sostenibilidad de la movilidad urbana frente a los patrones de desplazamiento de una población que envejece. El segundo estudio, de Schmitt <italic>et al</italic>., se centra en los desplazamientos a pie como un paradigma del envejecimiento saludable, asociándolos con la disponibilidad de zonas verdes urbanas que fomentan caminatas diarias. A partir de casi 5.000 cuestionarios aplicados entre 2010 y 2019, el estudio demuestra que los parques son importantes atractivos que promueven el hábito de pasear, independientemente del nivel socioeconómico o educativo de los participantes.</p>
			<p>Por último, el tercer eje, “Entornos y arquitectura”, se abre con el trabajo de Nebot y Costa, que examina la vivienda colectiva a través de programas habitacionales dirigidos a personas mayores, principalmente independientes, como el proyecto Vila DignIDADE. A continuación, aborda el envejecimiento en el lugar dentro de viviendas unifamiliares tradicionales, destacando las deficiencias identificadas en un diagnóstico basado en un informe reciente de 2022. Este análisis culmina con recomendaciones sobre aspectos clave para crear entornos que atiendan adecuadamente las necesidades de las personas mayores. El texto siguiente, de Tissot y Vergara, presenta directrices para adaptar el interior de las viviendas, enfocándose en medidas de seguridad física. Entre los elementos destacados se encuentran barras de apoyo, suelos antideslizantes, rampas y sensores de humo, con especial énfasis en el cuarto de baño, identificado como un espacio que requiere atención prioritaria. Este eje concluye con el estudio de Bestetti y Nascimento, que investiga la vivienda colectiva institucionalizada desde una perspectiva amplia del espacio doméstico, considerando aspectos físicos de seguridad, privacidad y entorno psicoemocional. Basado en una exploración cualitativa realizada con 61 residentes de las Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) de Lisboa -equivalentes a las Instituições de Longa Permanência (ILPI) en Brasil-, el trabajo resalta elementos sutiles del entorno, como garantizar a los residentes control (agency) sobre su espacio y su vida, y facilitar la apropiación de áreas comunes para fomentar un mayor sentido de domesticidad. Apoyándose en principios clave de la gerontología ambiental, el texto analiza temas como autonomía, bienestar, sentido de pertenencia y las complejas relaciones sociales con los cuidadores. El estudio concluye con la identificación de los beneficios de actividades específicas, como la jardinería, el contacto con animales y las interacciones con niños, acompañados de documentación fotográfica y observaciones que ilustran los puntos discutidos.</p>
			<p>Queremos dar las gracias a todos los que han presentado sus trabajos a esta convocatoria y deseamos a nuestros lectores una buena lectura, en la esperamos un segundo número especial sobre el mismo tema.</p>
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