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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <article-title>DIÁLOGOS SUBURBANOS: IDENTIDADES E LUGARES NA CONSTRUÇÃO DA CIDADE</article-title>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro | Instituto de Tecnologia | Departamento de Arquitetura e Urbanismo | BR 465, Km 7, Seropédica, RJ, Brasil | E-mail: dalcantara@ufrrj.br</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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        <p>CONHECER O SUBÚRBIO carioca não é tarefa fácil. Seus recantos e encantos têm sido mascarados por imagens distorcidas, veiculadas pela grande mídia, que prioriza apenas as maravilhas da cidade partida. A percepção do espaço, da história e da cultura suburbanos é sombreada pela força imagética da zona sul carioca e seus ícones fotografados e investigados à exaustão. É velada também aos olhares superficiais, distraídos ou obliterados pelos movimentos pendulares, pelas longas jornadas e pelo cotidiano de luta e sobrevivência da população.</p>
        <p>Essa potente obra que aborda não apenas “o que é”, mas principalmente, “o que pode” o subúrbio, vem preencher essa lacuna. A coletânea se pauta na experiência de quem habita, no olhar nativo, na fala a partir do lugar e na vinculação com a temática suburbana por força do ofício. Esse processo coletivo e dialógico, promovido como lócus de intercâmbios e compartilhamento de vivências e saberes, busca valorizar e ressignificar o lugar do subúrbio, gerando um mapeamento afetivo das identidades, territorialidades e devires — a proposta fundante de seus organizadores.</p>
        <p>O topônimo <italic>subúrbio carioca</italic> possui significados que vão além da simples delimitação espacial, relativa à dicotomia centro-periferia, pautada nos estudos sobre a forma urbana. Sua acepção denota vinculações com o rural, que o antecede e se transforma na medida da abolição da escravatura e do início do período republicano, do desenvolvimento e da modernidade; e com manifestações socioculturais polissêmicas e plurais, ligadas ao cotidiano de suas ruas e esquinas, à música, à arte, às resistências e aos movimentos sociais.</p>
        <p>Subúrbio aqui se distingue da noção hegemônica de bairros-jardins, afastados dos centros poluídos e adensados dos países centrais; dos <italic>suburbs</italic> dispersos, segregados, homogeneizados pelo zoneamento exclusivista, da vida suburbana do Pós-Guerra e de natureza capitalista e especulativa (<xref ref-type="bibr" rid="B01">HERZOG, 2015</xref>). Sua derivação é calcada no aproveitamento das terras de usos agrícolas e de extração mineral, retalhadas e loteadas formando aglomerações, e abrigando trabalhadores e populações de classe média nos arredores do Centro do Rio, alimentados pelos sistemas de transporte de massa (<xref ref-type="bibr" rid="B02">SILVA, 2013</xref>). Tal perspectiva presente em vários artigos da coletânea busca reverter a imagem estereotipada do termo “suburbano”, vinculado apenas à degradação e à insegurança.</p>
        <p>A estrutura da obra tem uma lógica não linear e se inicia com a abordagem historiográfica de Joaquim dos Santos, que resgata a formação da zona suburbana no contexto regional das primeiras sesmarias e da economia escravocrata até o século XX, com as grandes transformações sociopolíticas que consolidaram e adensaram seus territórios sob influência das elites dominantes capitalistas da primeira república.</p>
        <p>Os patrimônios natural e cultural e as distinções espaciais e geofísicas são tratados por Luiz Paulo de Oliveira a partir dos planos e projetos urbanos e viários que impactaram o território suburbano com instalações industriais, mineração, favelas e os problemas habitacionais delas resultantes. Revela-se a importância da preservação e regeneração ambiental da Serra dos Pretos Forros, Patrimônio Mundial da Humanidade, marco natural e abrigo de mananciais e recursos hídricos que irrigam a região. Luiz Claudio Lima e Maria Celeste Ferreira vem reforçar o tema do patrimônio cultural, revelando a dicotomia de dois marcos suburbanos: a Matriz de Irajá, sagrado, e o Cine Vaz Lobo, profano, que persistem, frente a processos de degradação e abandono como lugares de coexistência e afeto, pelas lutas e resistências locais.</p>
        <p>As heterogeneidades e os simbolismos do subúrbio são trazidos por Maria Paula Albernaz sob o fio condutor da ferrovia e o pano de fundo dos bairros de Bonsucesso, Ramos e Olaria. São analisados os processos de urbanização e consequente fragmentação do tecido urbano e a produção das centralidades comerciais e culturais a partir das estações. Nessa linha discursiva, Nilce Aravecchia-Botas e Flávia do Nascimento destacam o papel do Estado e dos institutos de previdência na questão habitacional, analisando o Conjunto Residencial da Penha e sua relevância na construção social no território. Na mesma temática, Ana Slade aborda a moradia unifamiliar suburbana e suas derivações em conjuntos ou loteamentos, destacando as tipologias, os usos e as atividades a elas vinculadas na manutenção da economia, modos de vida e práticas cotidianas.</p>
        <p>A valorização cultural é o tema de Rafael Mattoso que estabelece, nas manifestações artísticas e musicais, um contraponto às veiculações midiáticas como lugares perigosos e degradados. Seus signos, simbolismos, laços e sociabilidade são, análoga e poeticamente, relacionados à pipa, tão presente na paisagem. Como contraponto à exploração hegemônica, o samba originado no subúrbio e criminalizado resiste e é hoje um dos ícones culturais nacionais. No mesmo diapasão, Leandro Mendonça analisa historicamente o registro jornalístico, escavando e expondo os jornais da época, seus articulistas e militantes e as controvérsias e os conflitos na luta pela valorização e legitimidade da causa suburbana.</p>
        <p>Para além dos aspectos históricos e empíricos tão relevantes para o conhecimento do subúrbio, Antonio Lins aborda os hibridismos presentes e potenciais dos espaços periféricos, que extrapolam os limites político-administrativos, avançam e se espraiam, junto às ferrovias, pela conurbação tentacular do tecido contínuo da Baixada e das bordas metropolitanas, em uma configuração heterogênea, irregular e desconexa. Rodrigo Ribeiro e Flavio Lima exploram as derivações, agenciamentos e devires suburbanos, explicitando as relações molares, ou estruturantes, e as moleculares, ligadas ao corpo no espaço, e criticam a captura ideológica que confere valor de uso ou valor de troca ao lugar suburbano, conforme os interesses especulativos hegemônicos. As grandes escalas das ferrovias e das baías da Guanabara e Sepetiba os definem e os segregam. A escala mediana do botequim é amálgama que agrega, dialoga e promove encontros, e a microescala dos azulejos confere valor estético-afetivo, de apropriação e de fortalecimento de identidades. As três escalas se entrecruzam no artigo e na obra como um todo, eliminando qualquer possibilidade de homogeneização dos territórios múltiplos, diversos e polifônicos.</p>
        <p>Certamente, a coletânea se configura referência, tanto para profissionais e estudiosos da temática suburbana quanto para o público em geral. Sua leitura envolvente e enriquecedora, seja pela fartura de dados e particularidades do subúrbio, seja pela iconografia e cartografia histórica, guia o leitor em uma viagem pelo patrimônio natural, cultural e arquitetônico do subúrbio carioca. A qualidade gráfica da obra exprime a dedicação e o cuidado dos organizadores ao oferecer ao leitor um conteúdo denso e bem fundamentado, mas também atrativo e agradável a leitura. Suas histórias, fatos e anedotas poderão ser saboreados como petiscos à mesa de um bar de uma esquina suburbana.</p>
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            <title>COMO CITAR ESTE ARTIGO/<italic>HOW TO CITE THIS ARTICLE</italic></title>
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                <p>ALCANTARA, D. Diálogos suburbanos: identidades e lugares. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v.19, e225241, 2022. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5241">https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5241</ext-link></p>
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                <mixed-citation>SILVA, L. De Recôncavo da Guanabara a Baixada Fluminense: leitura de um território pela história. <italic>Recôncavo Revista de História da UNIABEU</italic>, v. 3, nº5, p. 47-63, 2013.</mixed-citation>
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