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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                    <subject>DOSSIÊ: FORMA URBANA E CIDADE NO SÉCULO XXI</subject>
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                <article-title>FORMAÇÃO, TRANSFORMAÇÃO E PERMANÊNCIAS: A FORMA URBANA DA ENSEADA DO SUÁ <xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>CONFORMATION, TRANSFORMATION AND STAYS: THE URBAN FORM OF ENSEADA DO SUÁ</trans-title>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01"> Correspondência para/<italic>Correspondence to</italic>: M. R. S. OLIVEIRA | Av. Comissário José Dantas de Melo, 21, Boa Vista II, 29102-920, Vila Velha, ES, Brasil | E-mail: <email>melissa.oliveira@uvv.br</email>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Este artigo analisa a forma urbana do bairro da Enseada do Suá, situado na cidade de Vitória (ES). O objetivo da pesquisa é compreender o processo de produção do território para identificar os fatores que estão na gênese da estrutura da sua forma urbana. Como objetivo específico, almeja identificar o legado e as rupturas desse processo. Diversas intervenções urbanas a partir da década de 1970 consolidam o bairro Enseada do Suá, inserido na região do novo centro da cidade de Vitória. O método utilizado para desenvolvimento da pesquisa baseia-se na apreciação crítica fundamentada sobre morfologia e forma urbana, bem como no entendimento da conformação da forma urbana do bairro da Enseada do Suá. Os dados coletados na pesquisa de campo embasam a análise crítica dessas transformações. Os resultados evidenciam que o processo de evolução do bairro da Enseada do Suá sofre fortes influências do mercado imobiliário, o que leva a alterações substanciais no bairro.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>This paper analyzes the urban form of the Enseada do Suá neighborhood, located in the city of Vitória (ES). The goal of the research is understanding the territory production process to identify the factors that are in the genesis of the urban form structure. As a specific goal, it aims to identify the legacy and ruptures of this process. Several urban interventions have designed the Enseada do Suá neighborhood since the 1970s, that is located in Vitória’s new downtown. The method that has been used to develop this research is based on a critical assessment about urban morphology and urban form, as well as on in the understanding of the conformation of the urban form of the Enseada do Suá neighborhood. The data collected in the field research support the critical analysis of these transformations. The results show the evolution process of the Enseada do Suá neighborhood suffered strong influences from the real estate market, which leads to substantial changes in this area.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Aterros</kwd>
                <kwd>Morfologia urbana</kwd>
                <kwd>Novo centro</kwd>
                <kwd>Praça do Cauê</kwd>
                <kwd>Vitória</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Landfills</kwd>
                <kwd>Urban morfology</kwd>
                <kwd>New downtown</kwd>
                <kwd>Cauê Square</kwd>
                <kwd>Vitória</kwd>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>A CIDADE DO SÉCULO XXI, resultante de diversas ações acumuladas no passado em conjunto com as ações do presente, consolida no território formas em constante adaptação. As mudanças, sejam sob o aspecto das formas ou das funções estabelecidas pela estrutura social presente no território, criam novas organizações sócio-espaciais, que segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Lefebvre (1974)</xref>, produzem e reproduzem o espaço cotidianamente, em uma ação constante do tempo. As pesquisas sobre morfologia urbana permitem o entendimento dessas transformações, sobretudo a partir da leitura da forma urbana conectada ao seu processo de produção e interpretação enquanto objeto socialmente construído. A morfologia urbana contempla o modo como se organizam os elementos morfológicos que constituem e definem o espaço a partir de “[...] aspectos de organização funcional, quantitativos, qualitativos e figurativos” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">LAMAS, 2004</xref>, p. 44).</p>
            <p>A cidade de Vitória, capital do estado do Espírito Santo, região sudeste do Brasil (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>), caracteriza-se por seus aspectos morfológicos bastante peculiares. Localiza-se na Baía de Vitória, que além de seu valor natural e paisagístico, apresenta também valor histórico, pois constitui uma das primeiras regiões colonizadas no Brasil por volta de 1535 (<xref ref-type="bibr" rid="B22">SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DO ESPÍRITO SANTO, 2009</xref>). Vitória apresenta, ao longo de sua evolução, alguns aspectos bem interessantes e distintos, que fazem de sua concepção atual um somatório de intervenções urbanas que moldaram uma cidade bem distinta de sua forma original de 1551. O projeto do Novo Arrabalde desenvolvido por Saturnino de Brito no final do século XIX visou expandir a cidade em direção aos terrenos planos localizados na região leste da ilha, que compreende uma área seis vezes maior que a então ocupada na capital. Essa iniciativa, nos primeiros anos da república, foi decisiva para a atual forma urbana, uma vez que grande parte do traçado urbano da cidade atual se baseia nesse primeiro plano. Posteriormente ao projeto do Novo Arrabalde, a cidade passou por transformações advindas dos aterros, que criaram áreas planas junto a cidade então constituída. Na década de 1970, a cidade passou por mais um grande plano de expansão, também baseado em aterros, porém com maiores proporções. Esse período, conhecido como Aterros da Comdusa, consolidou o bairro da Enseada do Suá, inserido na região do novo centro de Vitória, moldando a cidade que se conhece hoje. Outro fato que corroborou para a consolidação do bairro foi a construção da Terceira Ponte entre as décadas de 1980 e 1990, que intensificou sobremaneira os fluxos no local.</p>
            <fig id="f01">
                <label>FIGURA 1</label>
                <caption>
                    <title>Situação geográfica do Bairro da Enseada do Suá, Vitória (ES).</title>
                </caption>
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                <attrib><bold>Fonte: </bold>Elaborada pelos autores (2022), a partir do <italic>Google Maps</italic>.</attrib>
            </fig>
            <p>Este artigo analisa a forma urbana do bairro da Enseada do Suá, localizado na cidade de Vitória (ES) (Figura 1), a partir das diversas transformações sofridas desde o Plano do Novo Arrabalde. Essa investigação possui como objetivo identificar os fatores que estão na gênese da estruturação da sua atual forma urbana. Como objetivo específico almeja identificar as resistências e as rupturas advindas desse processo de transformação. É fundamental ressaltar que essa leitura se realiza no momento presente, porém parte do pressuposto de que a atual forma urbana deriva de um processo dinâmico e evolutivo materializado ao longo do tempo e que a leitura de sua forma urbana permite a compreensão desse processo.</p>
            <p>O artigo está estruturado em três partes. A primeira, de viés mais teórico, discorre sobre as escolas de morfologia para compreender o conceito de forma urbana, utilizado como base para leitura da área a partir da compreensão da noção de tecido urbano. A segunda parte do artigo analisa os elementos componentes fundamentais da estruturação do espaço urbano, com foco na evolução urbana do bairro da Enseada do Suá a partir dos planos de expansão propostos para a cidade de Vitória. A análise se inicia pelo projeto do Novo Arrabalde que configurou avenidas importantes para o desenho urbano da cidade. Posteriormente, investiga os aterros, sobretudo o da Comdusa, que definiram o bairro da Enseada do Suá. A comparação e correlação desses dados possibilita a interpretação e inferência evolutiva da cidade, bem como essas transformações impactam na consolidação do bairro, culminando em legados e rupturas descritos na terceira parte.</p>
            <p>O artigo resulta de uma pesquisa de natureza básica, descritiva e exploratória, que possui como objeto de estudo a forma urbana do bairro da Enseada do Suá. Por meio de investigação bibliográfica e iconográfica, analisa a ação do tempo na concepção da forma urbana. Desse modo, a pesquisa compreendeu cinco etapas distintas: (a) Revisão de literatura e conceitos, (b) Pesquisa de campo, (c) Produção cartográfica no ArcGiz e no Photoshop, (d) Análise de resultados, (e) Interpretação.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>MORFOLOGIA URBANA, TEMPO E FORMA</title>
            <p>O arquiteto português José Garcia <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004, p. 25)</xref> descreve que a primeira apreensão da cidade sempre será ao nível “físico-espacial e morfológico”, o que permite caracterizar o espaço e evidenciar suas singularidades, bem como diferenciar um espaço do outro. Nesse viés, o estudo de morfologia urbana, invariavelmente, refere-se à materialidade do objeto construído, à questão da forma urbana e sua relação com a paisagem. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004, p. 25)</xref> ressalta ainda que outros níveis de leitura podem ser acrescidos, tais como a inclusão de aspectos históricos, econômicos, sociais, dentre outros. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Moudon (2015)</xref>, a morfologia urbana corresponde a um campo de estudo que considera a cidade como habitat humano e onde se pode analisar a evolução da cidade dos anos de formação às transformações subsequentes, identificando e dissecando seus componentes.</p>
            <p>Esses níveis de leitura somente podem ocorrer, porque a cidade, antes de tudo, existe como fato físico e material. Entender a morfologia da cidade compreende um estudo do meio físico, dos processos e das pessoas que o configuram, a partir de uma visão baseada na forma urbana e nos agentes físicos que o configuram. Dessa forma, a compreensão do conceito da morfologia urbana, precisa ser baseada numa abordagem multidisciplinar, que segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004)</xref> compreende conceitos de geografia, história, arquitetura e urbanismo. Portanto, a cidade constituída e seu processo de ocupação e urbanização são indícios materializados e de fato objeto da análise da morfologia urbana.</p>
            <p>O tempo também é protagonista dessa discussão, pois permite a leitura morfológica em momentos distintos. <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2015, p. 14)</xref> ressalta que em uma cidade “coincidem todos os tempos e todos são contemporâneos na sua experimentação”, o que destaca que a leitura é sempre realizada no momento presente, porém com alguns artefatos remanescentes de outros períodos. Para <xref ref-type="bibr" rid="B11">Fernandes (2014)</xref>, a ação do tempo evidencia três momentos: formação (processo de adições cumulativas e origem da estrutura urbana), transformação (processo evolutivo) e permanência (elemento que resiste ao processo de produção e sobrevive ao tempo). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004, p.34)</xref>, “[...] a morfologia urbana é a disciplina que estuda o objeto — a forma urbana —, nas suas características exteriores, físicas, e na sua evolução no tempo”. Ou seja, a morfologia urbana contempla o estudo da forma do meio urbano com atenção aos seus elementos morfológicos, a sua gênese e sua transformação no tempo, o que pode compreender tanto aos momentos de produção do espaço urbano quanto a identificação desses mesmos momentos e suas inter-relações.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004)</xref> salienta também que, ao longo da história, a produção do espaço urbano foi o resultado, não somente de regras legais e de convenções sociais, mas também do modo como as várias partes ou elementos da cidade foram organizados e combinados, ou seja, do seu desenho urbano e que, só mais recentemente, houve a preocupação de planificar e programar as quantidades (densidades, fluxos, volumetria), as utilizações (uso do solo) e as localizações, o que de um modo geral, precederá o desenho urbano.</p>
            <p>Desde a segunda metade do século XIX, os estudos baseados nos elementos morfológicos da cidade ganham destaque, tanto em resposta ao crescimento explosivo, quanto como entendimento das constantes transformações em um organismo cada vez mais complexo em termos de organização e, consequentemente, gestão. Para <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2015)</xref>, esse processo consolida uma dinâmica de evolução cada vez mais acelerada.</p>
            <p>Em meados do século XX, esses estudos se concretizam em diferentes contextos culturais e disciplinares, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, diante de tanta destruição enfrentada pelas cidades. Pesquisadores de várias áreas da arquitetura, geografia, história, sociologia, filosofia, entre outros, consolidam diversas escolas de morfologia urbana. Saverio Muratori foi o grande precursor da escola italiana de morfologia urbana, pautado em uma abordagem tipológica-projetual, baseada nos conceitos de tipo, processo tipológico, tecido, organismo e história operativa. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Oliveira (2016)</xref>, a abordagem tipológica-projetual reconhece que a história é fundamental na compreensão da paisagem urbana. A escola inglesa se consolida a partir dos estudos do geógrafo alemão <xref ref-type="bibr" rid="B09">Conzen (1960)</xref> que, a partir de uma abordagem histórico-geográfica, destaca a importância dos elementos urbanos ao longo da história como indispensável para a compreensão da cidade. Para Conzen, os conceitos-chave compreendem a divisão tripartida da paisagem urbana, no qual se inclui o plano de cidade, o tecido edificado e o uso do solo. Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Oliveira (2016, p. 79)</xref>, a abordagem histórico-geográfica é “[...] bastante equilibrada e abrangente, incluindo todos os elementos da forma urbana e todas as escalas de análise”.</p>
            <p>A escola catalã destaca-se ao longo da década de 1990 com o trabalho do arquiteto Manuel de Solá-Morales que compreende o processo de construção da cidade a partir do crescimento urbano, pautada em três categorias passíveis de combinação: urbanização, parcelamento e edificação. A escola portuguesa de morfologia urbana também se consolidou ao longo da década de 1990 e possui como precursor o arquiteto <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004)</xref>, que classifica três dimensões espaciais no contexto de morfologia: “dimensão setorial” — a escala da rua; “dimensão urbana” que corresponde à escala do bairro e “dimensão territorial” que faz referência à escala da cidade. Referente ao conceito dos elementos morfológicos, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lamas (2004)</xref> esclarece ainda que a identificação dos elementos pressupõe conhecer quais as partes da forma e o modo como se estruturam nas diferentes escalas identificadas.</p>
            <p>Arquitetos como Vitor de Oliveira (Faculdade de Engenharia do Porto, CITTA – Centro de Investigação do Território, Transporte e Ambiente) e Carlos Dias Coelho (Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, Laboratório Forma Urbis Lab) se destacam no aprofundamento dos estudos sobre a morfologia urbana em Portugal na contemporaneidade. O laboratório Forma Urbis Lab — criado por Carlos Dias Coelho —, propõe a leitura da forma urbana a partir da decomposição analítica dos elementos que compõem o tecido urbano: traçado, malha, praça, rua, quarteirão, parcela, edifício singular e comum para o estudo da concepção formal. <xref ref-type="bibr" rid="B07">Coelho (2013)</xref> ressalta que a morfologia estuda o tecido urbano e seus elementos formadores por meio de sua evolução, transformações, inter-relações e processos sociais que os geraram e enaltece o fator tempo como dimensão de análise no estudo sistemático da forma da cidade.</p>
            <p>Se por um lado um fragmento de tecido urbano revela claramente a sua conformação original, por outro, sucessivas transformações adicionadas a este fragmento podem evidenciar a renovação e a integração deste fragmento à evolução da cidade, ao passo que contempla a história e seus sucessivos momentos de crescimento. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Justo (2015)</xref> destaca que a história possibilita o reconhecimento dos tempos distintos da cidade bem como o ritmo evolutivo de cada elemento, ao passo que possibilita identificar as rupturas e permanências de cada período. Todavia, é fundamental destacar que a forma urbana é “[...] sempre o momento mais recente da sua história” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">JUSTO, 2015</xref>, p. 50) apesar de suas marcas do passado.</p>
            <p>O tecido, como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B06">Coelho (2015)</xref>, pode ser configurado pelo sistema viário, pelo modelo de parcelamento do solo, pela aglomeração e pela segregação dos edifícios e espaços livres. O modo como esses elementos se estratificam e configuram a forma da cidade é de fato o objeto da morfologia urbana. Portanto, analisar o tecido urbano de uma cidade ou um fragmento da mesma a partir do estudo de sua morfologia urbana, permite a compreensão e interpretação da forma urbana.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>VITÓRIA E OS PLANOS DE EXPANSÃO</title>
            <p>Vitória é uma das capitais mais antigas do país. A Fundação da Vila Nova (atual centro de Vitória) iniciou-se por volta de 1550, com a ocupação da antiga Vila estruturada na parte alta do morro em decorrência da preocupação com a defesa do território (<xref ref-type="bibr" rid="B13">KILL, 2002</xref>). Assim, o seu sítio histórico, que compreende o centro antigo da cidade, apresenta características do urbanismo colonial, com ruas estreitas e sinuosas, lotes estreitos e compridos. No início do século XX, o crescimento populacional acentua a necessidade de expansão do território, o que culmina em um processo de expansão focado na construção de aterros em diversas áreas da ilha de Vitória, sobretudo em áreas de mangues. Esse processo de expansão desperta ainda a necessidade de planos urbanos para planejar e organizar a cidade.</p>
            <sec>
                <title>PRIMEIRO PLANO DE EXPANSÃO DA CIDADE DE VITÓRIA – O NOVO ARRABALDE</title>
                <p>Projetado pelo urbanista Saturnino de Brito, para o então presidente de estado Muniz Freire, o Projeto do Novo Arrabalde compreendeu o primeiro plano de expansão urbana da cidade de Vitória, bem como o primeiro plano de expansão urbana, desenvolvido por Saturnino de Brito (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MENDONÇA <italic>et al</italic>., 2009</xref>)<xref ref-type="bibr" rid="B02">2</xref>. A cidade de Vitória, no ano de 1896, apresentava feições tipicamente coloniais tanto na arquitetura quanto na sua estrutura urbana. A cidade não possuía sistemas de limpeza, iluminação pública e água e esgotos. As mudanças urbanas em Vitória iniciaram-se no governo republicano de Muniz Freire (1892-96), amparada por uma situação político-econômica favorável com o alto preço do café e o início do crescimento dessa cultura no Estado (<xref ref-type="bibr" rid="B03">BITTENCOURT, 1987</xref>).</p>
                <p>Em 1895, Muniz Freire constitui então a Comissão de Melhoramentos de Vitória, presidida por Saturnino de Brito. A Comissão recebe a incumbência de elaborar o projeto do Novo Arrabalde. O projeto prevê a expansão da cidade no sentido de Jucutuquara, então uma fazenda de propriedade da família Monjardim, até a área das praias, ocupando uma área seis vezes maior que a do núcleo da capital (<xref ref-type="bibr" rid="B04">CAMPOS JÚNIOR, 1996</xref>, p. 71).</p>
                <p>A partir da Comissão de Melhoramentos de Vitória e da elaboração do Relatório dessa Comissão, o Plano do Novo Arrabalde foi apresentado e defendido por Muniz Freire, a partir da construção da Estrada de Rodagem, que interligava a cidade constituída (atual área do centro antigo) à nova área planejada, em uma tentativa de modernizar a capital e romper com as características da cidade Colonial. Com conhecimento da técnica de medição topográfica, Saturnino de Brito adequou o traçado à topografia e priorizou o caimento natural das águas (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MENDONÇA <italic>et al</italic>., 2009</xref>). Ademais, respeitou os morros existentes para esboçar o traçado.</p>
                <p>O traçado do arruamento proposto por Saturnino de Brito para a área principal do projeto de Vitória estrutura-se por meio de duas longas e retas avenidas, a Avenida da Penha e a Norte-Sul, atuais Avenida Nossa Senhora da Penha e Avenida Leitão da Silva, que cortam diagonalmente uma malha retangular, a convergência dessas avenidas se dá ao norte em um “ângulo agudíssimo”, configurando um triângulo, cuja base é outra avenida menor, mas de igual largura, denominada Ordem e Progresso, partes das atuais avenidas César Hilal e Desembargador Santos Neves (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MENDONÇA <italic>et al</italic>., 2009</xref>, p. 49).</p>
                <p>É importante mencionar que o projeto do Novo Arrabalde praticamente contemplou o uso residencial, em uma área cujo tamanho abrange cinco ou seis vezes o núcleo urbano existente antecedente a sua implementação. Outro aspecto de destaque refere-se ao desenho da antiga Avenida da Penha (atual Avenida Nossa Senhora da Penha) que valorizava a visualização do Convento da Penha situado no município de Vila Velha, do outro lado da Baía de Vitória, como demonstra a <xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>.</p>
                <fig id="f02">
                    <label>FIGURA 2</label>
                    <caption>
                        <title>Eixo da Avenida Reta da Penha e o Cone Visual.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf02.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2022), ArcGIS, a partir do Geomapa da PMV.</attrib>
                </fig>
                <p>O governo de Jerônimo Monteiro (1908-1912) também merece ser mencionado, pois implementou em Vitória importantes obras de infraestrutura urbana no início do século XX, como a implantação de rede de água, esgoto, energia elétrica e introdução de bondes elétricos (<xref ref-type="bibr" rid="B04">CAMPOS JÚNIOR, 1996</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>SEGUNDO PLANO DE EXPANSÃO DA CIDADE DE VITÓRIA – ATERROS DA COMDUSA</title>
                <p>Outro momento significativo no processo de expansão da cidade de Vitória corresponde ao período conhecido como Aterros da Comdusa (Companhia de Melhoramentos e Desenvolvimento Urbano), resultante de uma decisão política do governo do Estado (<xref ref-type="bibr" rid="B08">COMPANHIA DE MELHORAMENTOS E DESENVOLVIMENTO URBANO, 1972</xref>).</p>
                <p>A construção de aterros na cidade de Vitória acontece desde o final do século XIX. Entre as décadas de 1830 e 1990, mais de 12 mil m² de área foram aterrados, dentre os quais cerca de 9 mil m2 compreendem a margem litorânea da cidade e parte significativa dela proveniente de área de mangue. Outros 3.200m² são acrescidos no interior da ilha (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MENDONÇA <italic>et al</italic>., 2009</xref>). As primeiras obras, ainda no século XIX, são feitas na região central, logo abaixo da Cidade Alta, único local ocupado na ilha à época. Um fator que contribui para esse plano de urbanização é a repugnância pelos manguezais que eram considerados fétidos, insalubres, com grande quantidade de mosquitos. Os manguezais eram vistos como ambientes negativos, que deveriam ser exterminados ou saneados como diziam os governos da época. Avançar sobre o mar e o mangue significava ir ao encontro do progresso e assim fizeram as sucessivas administrações públicas. Em contraste com as estreitas e tortuosas vielas do Centro da cidade, os sucessivos planos governamentais de embelezamento e valorização econômica definem novas ruas, mais amplas, com traçado urbano paralelo e retilíneo. A partir da década de 1970, iniciam-se os aterros da Comdusa na parte leste da ilha em locais como a Enseada do Suá, orla da Praia do Canto e Curva da Jurema, projetos desenvolvidos pelo arquiteto Jolindo Martins Filho (<xref ref-type="bibr" rid="B21">SÁ; BOURGUIGNON, 2016</xref>). Esses aterros modificam e inserem novos elementos à paisagem, provocando alterações no espaço físico e na configuração do contorno da Ilha, como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>.</p>
                <fig id="f03">
                    <label>FIGURA 3</label>
                    <caption>
                        <title>Aterros da Condusa e o Bairro da Enseada do Suá em relação ao Eixo da Reta da Penha.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf03.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2022), ArcGIS, a partir do Geomapa da PMV.</attrib>
                </fig>
                <p>Esses aterros ocasionaram o desaparecimento das localidades conhecidas como Praia Comprida, Praia de Santa Helena, Praia do Canto e Praia do Suá. Alguns dos novos bairros definidos preservam a denominação dos antigos nomes das antigas “praias”, porém sua ocupação física já não mais as detém. Nesse momento, acontece a incorporação das ilhas do Boi e do Frade ao tecido urbano da cidade. Verifica-se ainda a conclusão do aterro da Ilha do Príncipe com a instalação da nova rodoviária e a construção da segunda ligação da ilha com o continente. São ocupadas as encostas do lado leste do Maciço Central, ampliando os bairros de Joana D’arc, São Cristóvão, Tabuazeiro e Fradinhos. Inicia-se a ocupação ao longo da Avenida Serafim Derenzi (estrada do contorno) com o loteamento Floresta da Ilha e São Pedro I (ESPINDULA; MENDONÇA, 2017).</p>
                <p>Nesse contexto, origina-se o Bairro da Enseada do Suá a partir de uma série de incorporações de novas parcelas do solo urbano – um grande aterro de aproximadamente 1.300.000,00m² realizado no Governo de Cristiano Dias Lopes Filho. Configura-se assim o bairro da Enseada do Suá, contornado pela Baía de Vitória em sua grande parte, fazendo divisa com os bairros Santa Helena, Praia do Suá e Jesus de Nazareth. Os aterros conferem ao local uma topografia quase plana. O projeto de Aterro do Suá consolida uma forma de expansão da cidade, cria novas áreas comerciais e de serviços fora do Centro de Vitória que se apresentavam sem possibilidades de crescimento e bastante congestionado.</p>
                <p>O projeto da Comdusa parcela a área do aterro em quadras com destinação específica (<xref ref-type="bibr" rid="B08">COMPANHIA DE MELHORAMENTOS E DESENVOLVIMENTO URBANO, 1972</xref>). O projeto contemplou quadras para residências em condomínios (que ficaram conhecidas como superquadras pelo seu tamanho significativo), quadras para residências unifamiliares e áreas para comércio e empresas de prestação de serviços. Ainda foram consideradas algumas áreas do aterro para a construção de edifícios de órgãos públicos que estavam instalados no Centro de Vitória ou arredores, como ilustra a <xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>. A <xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref> evidencia o aterro consolidado e a <xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref> ilustra a definição do traçado urbano — que praticamente corresponde à forma atual.</p>
                <fig id="f04">
                    <label>FIGURA 4</label>
                    <caption>
                        <title>Usos da nova centralidade.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf04.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2022), com imagens de (a) Gabriel de Andrade Fernandes; e de (b) Blude (Saulo Pratti), ambas sob licença Creative Commons.</attrib>
                </fig>
                <fig id="f05">
                    <label>FIGURA 5</label>
                    <caption>
                        <title>Traçado do novo centro em 2007.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf05.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2022), ArcGIS, a partir do Geomapa da PMV.</attrib>
                </fig>
                <p>Conforme relatório da Comdusa (COMPANHIA DE MELHORAMENTOS E DESENVOLVIMENTO URBANO, 1972), os principais objetivos do aterro realizado na Enseada do Suá foram: (a) criação de áreas para ocupação residencial; (b) urbanização da região do Suá; (c) possibilitar o desenvolvimento de atividades comerciais e de prestação de serviços na região, deslocando-se do confuso e congestionado Centro de Vitória; (d) evitar o assoreamento do canal da Baía de Vitória; (f) criação de uma extensa praia e uma avenida para uso da população (<xref ref-type="bibr" rid="B10">ESPINDULA; MENDONÇA, 2017</xref>). O documento também deixa bastante evidente a intenção de se consolidar um novo centro na região da Enseada do Suá.</p>
                <p>O aterro da Enseada do Suá ocorreu em um período em que a economia brasileira era conduzida pelo regime militar, cuja filosofia prega a forte intervenção do Estado para promover o crescimento econômico do país. O Aterro da Enseada do Suá não representa uma área de aterro sanitário, mas uma área da Baía de Vitória que poderia ser incorporada para atender às necessidades de expansão da cidade e a reprodução do capital, principalmente o capital imobiliário que, com as mudanças na economia nacional, promove maior transferência de pessoas e capitais do campo para as cidades brasileiras.</p>
                <p>A construção do aterro promovido pela Comdusa foi concluída somente em 1977. A partir do final dos anos 1980, intensificou-se no bairro a exploração pelo mercado imobiliário. Em outubro de 1987, a sede do Centro de Comércio de Café de Vitória foi transferida da área central de Vitória para a Enseada do Suá, para um edifício denominado de “Palácio do Café”. A arquitetura dessa edificação representa o que havia de mais moderno para a época. Essa mudança iniciou a ocupação do novo eixo econômico de Vitória. Outro fato determinante para a ocupação da Enseada do Suá foi a construção da Terceira Ponte, que intensificou a conexão com outras regiões do estado, sobretudo com o município de Vila Velha.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="results|discussion">
            <title>RESULTADOS E DISCUSSÃO</title>
            <p>As transformações supracitadas, destacam legados e rupturas na evolução urbana do bairro Enseada do Suá, dentre as quais destaca-se a concretização de uma nova centralidade urbana com a implantação do novo centro, a consolidação de novas relações urbanas decorrentes dos novos fluxos e usos na área, além de alterações significativas nas áreas livres, decorrentes sobretudo do processo de verticalização e mudanças nos índices urbanísticos.</p>
            <sec>
                <title>CONCRETIZAÇÃO DE UMA NOVA CENTRALIDADE</title>
                <p>A região leste onde foi implantado o projeto para o Novo Arrabalde recebeu inúmeros investimentos ao longo dos anos, após sua efetiva ocupação por volta da década de 1960. No entanto, a maior quantidade de investimentos ocorreu na região do bairro da Enseada do Suá após a construção dos aterros da Comdusa. A diversidade de atividades implantada configurou uma nova centralidade urbana, que definiu o novo centro de Vitória, a partir da consolidação de um “centro de trocas” e de um “centro lúdico”. <xref ref-type="bibr" rid="B05">Castells (1983)</xref> destaca que o “centro de trocas” engloba atividades como comércio e gestão administrativa, financeira e política, além de concentrar trocas de bens e serviços, coordenação e direção de atividades descentralizadas. O “centro lúdico” por sua vez, incentiva práticas de consumo distintas. Para <xref ref-type="bibr" rid="B23">Soja (1993, p. 282)</xref> os centros urbanos podem ser considerados uma “nodalidade urbana”, pois “situam e contextualizam a sociedade urbana, dando uma forma material às relações sociais essenciais”, o que permite concluir que o centro adquira significados social e espacial singulares.</p>
                <p>A pesquisa evidencia que a região recebeu investimentos em áreas de recreação como a Praça do Papa, o Cais das Artes (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>)<xref ref-type="bibr" rid="B03">3</xref>, edifícios verticalizados destinados ao uso comercial e serviços, além das sedes dos poderes Judiciário, Executivo, Legislativo e setores do poder Municipal como Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal de Contas, Ministério do Trabalho, Assembleia Legislativa, entre outros. Com essa ocupação destacada, a região efetivou-se como o novo centro de Vitória, definindo novas práticas espaciais e novos pontos de convergência/divergência, a saber: reconfigurou o desenho litorâneo, ocasionou impactos na paisagem, transferiu instituições financeiras, definiu novos fluxos e criou grandes rupturas urbanas. Por consequência, definiu também uma nova forma urbana (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>).</p>
                <p>É importante destacar que a saída de diversas funções administrativas do antigo centro de Vitória levou ao esvaziamento de diversas edificações, o que alterou significativamente as dinâmicas dessa área. Todavia, o centro velho permaneceu com seu papel estruturador das primeiras formas e funções urbanas, pois agrega diversas práticas espaciais ao longo da história. Para <xref ref-type="bibr" rid="B05">Castells (1983)</xref>, o centro velho sempre será o “centro simbólico e integrador”, que decorre do processo pelo qual a sociedade se organiza espacialmente e cria vínculos simbólicos.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>NOVAS RELAÇÕES</title>
                <p>No final da década de 1970, além dos aterros da Comdusa que promoveram a expansão territorial para a parte leste da ilha e consolidaram o bairro da Enseada do Suá e o novo centro de Vitória, o governo decidiu em 1978 construir uma nova ponte que pudesse realizar a conexão entre as cidades de Vitória e Vila Velha, além da conexão com o sul do Estado por meio da Rodovia do Sol. Após diversas discussões, conclui-se que o melhor local para implantação da ponte (oficialmente denominada Ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, mas popularmente conhecida como Terceira Ponte) é a entrada do canal da Baía de Vitória e o acesso em Vitória, a partir do aterro da Enseada do Suá. A ponte iniciou suas operações em 1989 e possibilitou conexões importantes com avenidas que levam para áreas distintas de Vitória, tornando o bairro da Enseada do Suá um importante dispersor de fluxos, como ilustra a <xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>.</p>
                <p>Se por um lado a ponte possibilita novas conexões, por outro gera um aumento de fluxo significativo no interior do bairro. A construção da praça do pedágio em 1998 (<xref ref-type="bibr" rid="B01">A TERCEIRA..., 2021</xref>) acentua esse fluxo e intensifica os congestionamentos no interior do bairro, seja pela proximidade da Praça do Cauê que fica isolada e se torna praticamente uma grande rotatória, seja pela praça de pedágio receber fluxos proveniente de três avenidas de grande porte, sendo elas: avenida Nossa Senhora da Penha, avenida Duckla de Aguiar e Clóvis Machado. Verifica-se que a região da Praça do Pedágio e o entorno da Praça do Cauê (<xref ref-type="fig" rid="f06">Figura 6</xref>) não conseguem dar vazão aos carros que buscam o acesso à ponte, sobretudo nos horários de maior movimento. Dessa maneira, essa região se torna um dos maiores nós viários da cidade de Vitória.</p>
                <fig id="f06">
                    <label>FIGURA 6</label>
                    <caption>
                        <title>Largo de 1896 e Praça Cristóvão Jacques (Praça do Cauê) em 2020.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf06.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2022), ArcGIS, a partir do Geomapa da PMV.</attrib>
                </fig>
                <p>O congestionamento ao redor da Praça do Cauê torna-se assim um problema iminente da cidade de Vitória, bem como um local constantemente alvo de diversos projetos urbanos, em gestões urbanas distintas. Diversos tipos de propostas foram elaborados para o local nos últimos anos, como: (a) retirada da praça; (b) cortar a praça ao meio de modo a permitir a continuidade da Avenida N. S. da Penha; (c) construção de um túnel sob a Praça para permitir a conexão da Avenida N. S. da Penha com a praça do Pedágio. Essas discussões fomentam ainda diversos movimentos populares de resistência, alguns organizados por coletivos locais, que defendem a preservação da Praça como espaço público e uma área verde e de lazer destinada à população, como previa o projeto original de Saturnino de Brito. De modo a corroborar com esses movimentos de resistência da população, o Ministério Público Estadual (MPES) elabora em 2013 uma recomendação à Prefeitura e ao governo do Estado para “[...] que não façam qualquer intervenção na praça, até que a população seja ouvida sobre o tema” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">PRAÇA..., 2013</xref>).</p>
                <p>Em relação a proposta de urbanização da área de aterro da Enseada do Suá proposta na década de 1980 pelo arquiteto Jolindo Martins, verifica-se que a função do bairro está em processo de modificação, pois diferentemente do planejado, onde diversas quadras eram destinadas ao uso residencial, atualmente estão sendo erguidos grandes edifícios de uso comercial e serviços, e alguns poucos de uso misto ou residencial. Segundo o relatório da Comdusa (<xref ref-type="bibr" rid="B08">COMPANHIA DE MELHORAMENTOS E DESENVOLVIMENTO URBANO, 1972</xref>), 40% da área urbanizada do aterro do Suá foram previstos para uso habitacional nas quadras Uso Residencial Unifamiliar e Residencial em Condomínio. Todavia, a especulação imobiliária e interesses alteram a proposta original. Hoje existe uma única área residencial localizada próximo a Terceira Ponte, com cerca de 200 lotes com área aproximada de 420,00m2. Outra modificação pode ser observada na área onde está localizado o <italic>Shopping Center</italic> Vitória — que na proposta do plano era uma área residencial unifamiliar. Em parte da área destinada ao Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis (DNPVN), foi construída a Praça do Papa em 2008, em uma área aproximada de 67 mil m². Em outra parte da área do DNPVN, está sendo construído o Cais das Artes (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>), que abrigará um complexo cultural. A praça é um exemplo de área de descompressão urbana — apresenta uma área livre, com espaço de ventos, além de uma vista livre para a Baía de Vitória que permite plena apreciação da paisagem circundante.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>ALTERAÇÕES NOS ESPAÇOS LIVRES E NOS ELEMENTOS DE MAIOR POTENCIAL PAISAGÍSTICO</title>
                <p>O primeiro aspecto a ser discutido sobre a construção dos aterros refere-se ao distanciamento dos habitantes das antigas praias e ilhas do mar e dos demais elementos paisagísticos da região, o que modifica hábitos sociais e atividades econômicas. Esse distanciamento é mais evidente sobretudo nos bairros de Bento Ferreiro e Santa Helena, que no passado possuíam uma ocupação beira-mar e, após a construção do aterro, foram estrangulados e circundados por grandes avenidas, como demonstra a <xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>.</p>
                <p>O segundo aspecto refere-se ao fato da evolução urbana, com a efetiva ocupação do território, criar bloqueios na contemplação de alguns elementos. Segundo relato do arquiteto do projeto de expansão do aterro do Suá, Jolindo Martins (<xref ref-type="bibr" rid="B21">SÁ; BOURGUIGNON, 2016</xref>), o projeto na sua concepção original prevê a verticalização na área com prédios de até oito pavimentos nas quadras destinadas às residências em condomínios e nas quadras voltadas para o comércio e empresas de prestação de serviços. Todavia, ocorreram alterações na legislação de zoneamento posterior aos anos da implantação do bairro. Na atualidade, por exemplo, a área admite a construção de edifícios com até trinta pavimentos, como ilustra a <xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>. Verifica-se que a forma de ocupação controlada por meio da legislação ocorreu somente nas áreas que margeiam a orla, o que garante tanto a visualização do mar e da Baía de Vitória, quanto o acesso dos habitantes ao mesmo. Todavia, nas quadras próximas à orla é possível verificar a ocorrência de edifícios altos (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>). Essa mudança no padrão construtivo intensifica o adensamento da área, o que contribui para o aumento do fluxo de veículos, um problema descrito anteriormente.</p>
                <p>A construção do <italic>Shopping</italic> Vitória constituiu uma ruptura urbana que afeta diretamente a “permeabilidade urbana”. Ao trazermos o conceito de <xref ref-type="bibr" rid="B02">Bentley <italic>et al</italic>. (1985)</xref>, que define que a permeabilidade pode ser física ou visual, verifica-se que o <italic>shopping</italic> possui um impacto significante na forma urbana do bairro da Enseada do Suá, ao dificultar a conexão viária em decorrência da extensa área que ele ocupa<xref ref-type="bibr" rid="B04">4</xref>, assim como pelo impacto visual e psicológico advindo do tamanho grandioso da sua forma arquitetônica. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Pereira <italic>et al</italic>. (2010)</xref> consideram que o <italic>shopping center</italic>, rodeado por estacionamento privativo, promove uma segregação urbana que contribui para o esvaziamento populacional da área.</p>
                <p>Outro problema derivado da verticalização e da implantação de grandes edifícios (no sentido de quem olha do mar em direção ao continente) é a ruptura na visualização de elementos naturais. Essa verticalização também ocasiona uma ruptura visual da avenida Nossa Senhora da Penha em direção ao Convento da Penha (previsto pelo projeto do Novo Arrabalde de Saturnino de Brito – <xref ref-type="fig" rid="f02">Figuras 2</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f07">7</xref>) na região da Praça do Cauê.</p>
                <fig id="f07">
                    <label>FIGURA 7</label>
                    <caption>
                        <title>Cone de visualização do Convento da Penha conforme plano do Novo Arrabalde.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf07.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2021), a partir do Google Maps e fotos tiradas pelos autores em 2021.</attrib>
                </fig>
                <p>As áreas de aterro também possuem aspectos positivos, pois a expansão da orla apresenta potenciais de espaços livres que podem ser incorporados à nova dinâmica urbana, pois funcionam como espaços de descompressão, semelhantes a um grande vazio, quando estabelecido um contraponto físico ao adensamento urbano. Nas áreas de margens marítimas concebidas ao longo do aterro do Suá, foram implantadas novas praias e um parque linear que definem áreas arborizadas e de contemplação, que contribuem para a qualidade ambiental e de vida da população (Figura 8). Verifica-se que houve a reintegração da margem à dinâmica urbana, e também com a formação de novas relações com o tecido urbano já consolidado.</p>
                <fig id="f08">
                    <label>FIGURA 8</label>
                    <caption>
                        <title>Espaços livres do bairro da Enseada do Suá versus ruptura urbana do <italic>Shopping</italic> Vitória.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225248-gf08.tif"/>
                    <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborada pelos autores (2021), a partir do Google Maps.</attrib>
                </fig>
                <p>A valorização da paisagem é um dos aspectos principais do discurso do Plano de Urbanização da Enseada do Suá, concebido pela Comdusa (<xref ref-type="bibr" rid="B08">COMPANHIA DE MELHORAMENTOS E DESENVOLVIMENTO URBANO, 1972</xref>). É possível constatar essa preocupação pelo controle dos índices urbanísticos propostos, bem como pelo elevado índice de áreas verdes idealizadas. Contudo, a pressão imobiliária alterou significativamente os usos e índices urbanísticos, assim como reduziu as áreas destinadas aos espaços livres e verdes previstos no plano original, como mostra a <xref ref-type="fig" rid="f08">Figura 8</xref>.</p>
                <p>A importância das praças e parques no contexto urbano foi determinante para a qualidade ambiental, incentivo às práticas de lazer e ócio. Esses espaços definem áreas de baixa densidade populacional que se contrapõem a verticalização do entorno decorrente da verticalização impulsionada no bairro.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B15">Lefebvre (1974)</xref> ressalta que a análise do processo de reprodução do espaço urbano envolve a justaposição de vários níveis da realidade, como o da dominação política, o da acumulação do capital e o da realização da vida humana. Conforme é possível observar ao longo desse artigo, a produção do espaço urbano do bairro da Enseada do Suá engloba esses três níveis de realidade, porém com predomínio dos interesses políticos e da acumulação do capital em detrimento ao espaço da realização da vida humana. Ao se priorizar alguns níveis da realidade, como verificado no bairro da Enseada do Suá em alguns momentos, é possível que ocorra uma inversão nesse processo. A subordinação do uso do espaço à reprodução do valor de troca consolida espaços fragmentados e hierarquizados, marcados por uma relação de exterioridade em relação ao cidadão e uma perda de identidade em função da destruição dos referenciais urbanos que sustentam a vida cotidiana e as relações de pertencimento.</p>
            <p>O artigo mostra ainda que a década de 1970 corresponde a um dos períodos mais marcantes de progresso da cidade de Vitória. Nesse momento, é construído o aterro da Enseada do Suá pela Companhia de Melhoramentos e Desenvolvimento Urbano. Sob forte influência da especulação imobiliária, direcionamentos iniciais do plano são alterados para consolidar o novo centro de Vitória como um local com predomínio de atividades comerciais e terciárias. Na atualidade, o bairro abriga o maior <italic>shopping</italic> da cidade (o <italic>Shopping</italic> Vitória), a sede de diversos órgãos públicos do poder judiciário, executivo, legislativo e municipal que saem do centro antigo e se instalaram na região, consolidando uma nova centralidade. A fluidez viária é outro aspecto valorizado devido à necessidade de adaptar a cidade a uma nova malha viária que atendesse às necessidades produtivas do novo sistema econômico. Nesse contexto, fica claro a valorização do carro em detrimento ao pedestre.</p>
            <p>É possível constar ainda que praticamente todo o entorno de Vitória é afetado por obras de engenharias de aterros que anexam diversas ilhas existentes ao continente, sobretudo para expansão do sistema de circulação, parcelamento e áreas de lazer, o que gera uma significativa alteração na forma urbana do bairro da Enseada do Suá e, consequentemente, sobre o seu tecido urbano e suas relações sociais, econômicas e culturais. Enquanto o miolo do bairro sofre um processo intenso de verticalização que altera significativamente a paisagem local e quebra relações pré-existentes, algumas áreas de margens são transformadas em espaços verdes e públicos, consolidando áreas livres e de descompressão que contribuem para a qualidade de vida e ambiental do local.</p>
            <p>Por fim, o estudo da morfologia urbana da região, entendida por meio dos processos históricos, permite compreender o desenvolvimento da cidade e seu processo de acumulação de formas a deixaram marcas físicas significativas na paisagem urbana. Vitória passou por várias transformações em sua forma urbana e em seu tecido: a cidade cresceu sobre o mar, soterrou seus contornos originais e concebeu novas ruas, praças, pontes, parques, prédios e grandes avenidas, pautado em um discurso de modernização, crescimento e expansão. Atualmente, a maior parte da população que mora na ilha vive em cima dos aterros. Desta forma, conclui-se que entender a morfologia do espaço constituído, suas origens e transformações com a adição das camadas evolutivas ao longo dos anos, constitue um levantamento materializado das relações e impactos nas transformações dos espaços públicos e como as transformações urbanas acabam por influenciar a relação da cidade com o espaço público.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>COMO CITAR ESTE ARTIGO/<italic>HOW TO CITE THIS ARTICLE</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>OLIVEIRA, M. R. S.; BITTENCOURT, M. A. D.; MENEGHELLI, M. B. Formação, transformação e permanências: a Forma Urbana da Enseada do Suá. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v.19, e225248, 2022. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5248">https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5248</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>NOTAS</title>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Artigo elaborado a partir das dissertações de M. A. D. BITTENCOURT, intitulada “Neurociência aplicada ao espaço urbano: forma urbana e a percepção espacial e afetiva do eixo da Reta da Penha”, Universidade Vila Velha, 2022; e M. B. MENEGHELLI, intitulada “Tempo e forma no centro novo da cidade de Vitória: um estudo da morfologia do bairro Enseada do Suá”, Universidade Vila Velha, 2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Posteriormente, Saturnino de Brito também desenvolve projetos para as cidades de Santos, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Aracaju, João Pessoa, Salvador e Recife, o que demonstra a relevante atuação de Saturnino de Brito no urbanismo brasileiro (MENDONÇA <italic>et al</italic>., 2009).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>O teatro e o museu do bairro tiveram a construção iniciada em 2008. Irão formar um complexo cultural de aproximadamente 30.000m2, denominado de Cais das Artes, projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha. O Cais das Artes situa-se ao lado da Praça do Papa, às margens da Baía de Vitória.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>O <italic>shopping</italic> Vitória ocupa um terreno com dimensões aproximadas de “474m x 202m” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">PEREIRA <italic>et al</italic>., 2010</xref>, p. 236).</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>REFERÊNCIAS</title>
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                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.rodosol.com.br/blog/2011/02/a-terceira-ponte-ja-esta-paga.html">https://www.rodosol.com.br/blog/2011/02/a-terceira-ponte-ja-esta-paga.html</ext-link></comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">12 dez. 2020</date-in-citation>
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                    <chapter-title>Os tempos da cidade: uma metamorfose incompleta</chapter-title>
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                    <fpage>12</fpage>
                    <lpage>31</lpage>
                    <comment>Cadernos Murb: Morfologia urbana 2: Estudos da Cidade Portuguesa</comment>
                </element-citation>
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                        <collab>SECRETARIA DE ESTADO DE CULTURA DO ESPÍRITO SANTO</collab>
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                    <year>2009</year>
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                    <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
                    <publisher-name>Jorge Zahar Editor</publisher-name>
                    <year>1993</year>
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