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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                    <subject>DOSSIÊ: FORMA URBANA E CIDADE NO SÉCULO XXI</subject>
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                <article-title>FORMA URBANA DE ÁREAS CENTRAIS NO SÉCULO XXI: REFLEXÕES E POSSIBILIDADES <xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>URBAN FORM OF CENTRAL AREAS IN THE 21ST CENTURY: CONSIDERATIONS AND POSSIBILITIES</trans-title>
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                    <role>Análise e interpretação de dados</role>
                    <role>Revisão e aprovação da versão final do artigo</role>
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                <corresp id="c01"> E-mail: <email>eneidamendonca@gmail.com</email>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>RESUMO</title>
                <p>Este artigo visa refletir sobre possibilidades da forma urbana para o século XXI, como contribuição aos estudos sobre áreas centrais, tendo como objeto de exame, o Centro da cidade de Vitória, capital do Espírito Santo. A revisão bibliográfica considerou abordagens de autores contemporâneos e clássicos sobre áreas centrais, expectativas urbanísticas para o século XXI, métodos para o estudo da forma urbana e história da área em questão. A partir dessa base, foram analisados projetos urbanos e planos propostos para o Centro de Vitória no século XXI, à luz de sua problemática atual. O estudo demonstrou por um lado, complementaridade e ausência de contradições entre as proposições, a despeito de não ter havido articulação intencional neste sentido, e por outro, baixa efetividade de execução destas pelo poder público e consequente desatenção deste, sobre a importância da permanência de formas urbanas remotas e respectivas apropriações pela população. A conclusão aponta para o potencial dos estudos sobre a forma urbana, na perspectiva de enfrentamento dos desafios ambientais e urbanísticos do século XXI, considerando a valorização das diversas camadas históricas intrínsecas às áreas centrais, em articulação às questões sociais contemporâneas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>ABSTRACT</title>
                <p>This article aims to consider the possibilities of urban form for the 21st century, as a contribution to studies on central areas, having as object of examination, the Center of the city of Vitória, capital of Espírito Santo. The bibliographic review has considered approaches by contemporary and classic authors on central areas, urban expectations for the 21st century, methods for studying the urban form and history of the area in question. Drawing on this basis, urban projects and plans proposed for the Center of Vitória in the 21st century were analyzed, under the light of its current problems. The study demonstrated, on one hand, complementary and absence of contradictions between the propositions, although there was no intentional articulation in this sense, and on the other hand, low effectiveness of their execution by the government and consequent carelessness, on the importance of the permanence of remote urban forms and respective appropriations by the population. The conclusion points to the potential of studies on urban form, under the perspective of facing the environmental and urban challenges of the 21st century, considering the valuation of the various historical layers intrinsic to the central areas, along with contemporary social issues.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>PALAVRAS-CHAVE</title>
                <kwd>Centro de Vitória</kwd>
                <kwd>Morfologia urbana</kwd>
                <kwd>Projetos urbanos</kwd>
                <kwd>Planos urbanos</kwd>
                <kwd>Urbanização</kwd>
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                <title>KEYWORDS</title>
                <kwd>Vitória’s Downtown</kwd>
                <kwd>Urban morphology</kwd>
                <kwd>Urban projects</kwd>
                <kwd>Urban plans</kwd>
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                <funding-statement>Apoio/Support: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo — Fapes (TO nº174/2020) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico – CNPq (Processo nº309405/2019-0).</funding-statement>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>INTRODUÇÃO</title>
            <p>ESTE ARTIGO TRATA de perspectivas para a forma urbana de áreas centrais no século XXI. Formular projeções sobre o futuro das cidades é um exercício permanente e que, ao longo dos tempos, vem resultando em configurações e imagens diversas por vezes contrastantes, senão, contraditórias. As projeções envolvendo a forma urbana do século XXI, conjecturadas no século anterior, tanto assumiram vertentes relacionadas à alta tecnologia, seguindo a linha especulativa lançada na década de 1960 pelo grupo Archigram (<xref ref-type="bibr" rid="B01">CABRAL, 2004</xref>), quanto outras, de linha menos utópica, mais realista, porém do mesmo modo crítica, visualizaram o crescimento acelerado da favelização, como exposto por <xref ref-type="bibr" rid="B05">Davis (2013)</xref>. Arranha-céus inteligentes na Ásia e megacidades carentes de infraestrutura urbana da África indicam que as projeções são pertinentes e podem co-habitar tempo e, também espaço, se consideradas as desigualdades socioeconômicas e urbanísticas presentes em centros urbanos de países e continentes distintos.</p>
            <p>Se essas desigualdades são evidentes em países latino-americanos, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Harvey (2004)</xref> destacava na passagem do século XX para o XXI, o aumento da pobreza, a queda no nível educacional e na prestação de serviços de saúde nos Estados Unidos, aspectos que vêm se acentuando, a despeito do país ser considerado, a maior potência econômica mundial. Nas últimas décadas do século passado, <xref ref-type="bibr" rid="B31">Santos (1997)</xref> alertava sobre o avanço das tecnologias informacionais. Com isso, reforçava a perspectiva, já presente de desterritorialização de ambientes e povos, a partir de ações transnacionais de ordem globalizante, ao mesmo tempo em que vislumbrava possibilidades de resistência, a partir de rugosidades do território e da ação dos chamados homens lentos, por meio de uma outra globalização (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SANTOS, 2001</xref>).</p>
            <p>O processo de urbanização experimentado desde a revolução industrial, marcando profundas alterações de toda a ordem no ambiente das cidades ao longo do século XX, vem, então, tomando novo formato, com a aceleração dos meios de comunicação. Efeitos ambientais antes relacionados aos contextos metropolitanos passaram a estar presentes também, em pequenos núcleos urbanos, que sujeitos aos efeitos globalizantes, participam do processo de dispersão e fragmentação do território. Os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Portas (2005)</xref> sobre Portugal, ao tratar da cidade-território e de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Reis e Bentes (2017)</xref> sobre o Brasil, ao tratar de urbanização dispersa e mudanças no tecido urbano, demonstram essa realidade.</p>
            <p>Se as multidões, os <italic>boulevards</italic>, os arranha-céus e a favelização vêm marcando a urbanização dos séculos XIX e XX, pode-se dizer que esteja ainda, em aberto, o marco urbano do século XXI. No entanto, existem indícios de que a questão sanitária pode vir a ser um agravante característico do período. A aceleração dos processos anunciados por <xref ref-type="bibr" rid="B31">Santos (1997)</xref> foi evidenciada recentemente, com a velocidade de contaminação, que gerou a pandemia do Covid-19, em articulação sem precedente, atingindo todos os continentes. Estudiosos de vários campos visualizam a má relação humana com o ambiente natural como a causa de processos pandêmicos, que poderão se repetir ao longo do século. Em contraponto, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Holanda (2020)</xref> visita a história para demonstrar que outras pandemias foram superadas e que centros urbanos densos, com usos diversificados e com espaços públicos qualificados podem servir melhor à população em qualquer tempo. Neste contexto, cabe destacar a qualidade da forma urbana das áreas centrais que em geral guardam camadas de uma história mais longa. Seus diversos tempos superpostos podem contribuir para o entendimento de qualidades materiais e/ou simbólicas a serem consideradas no projeto urbano para o século XXI. Reconhecer esses tempos em nossos centros urbanos e buscar essas qualidades é, portanto, fundamental, tanto para melhor decifrar a problemática atual, como para delinear um projeto futuro adequado e articulado aos valores preexistentes.</p>
            <p>Entre tendências recentes, os centros urbanos vêm, em alguns casos, correndo riscos de degradação se considerados o aumento do número de imóveis vagos e mesmo em deterioração. Em outros casos, os centros vêm enfrentando a descaracterização de lugares emblemáticos, pela apropriação do capital financeiro por intervenções arquitetônicas e urbanísticas elitistas, por vezes privativas e exclusivas, substituindo ou neutralizando ambientes tradicionais e suas populações. São Paulo representa atualmente caso relevante, pelo número de imóveis vagos em sua área central, a despeito da dinâmica urbanística e empresarial e em contraponto ao elevado déficit habitacional. Recife caracteriza outro exemplo de destaque a partir do movimento Ocupe Estelita, que alcançou amplitude internacional, em contraposição ao empreendimento denominado Projeto Novo Recife, que propunha 35 torres no lugar dos armazéns do porto.</p>
            <p>Mesmo reconhecendo o caráter transdisciplinar que o tema requer, este artigo busca, no estudo da forma urbana, aporte à compreensão das sucessivas camadas históricas que caracterizam as cidades e suas articulações ao longo do tempo, para a partir deste conhecimento, reunir elementos que permitam conhecer os valores acumulados nas áreas centrais, como condicionantes que alimentem futuros projetos.</p>
            <p>Nesse contexto, tendo como suporte as referências das escolas inglesa e italiana no campo da morfologia urbana, Staël Costa, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, na Conferência <italic>Portuguese Network of Urban Morphology</italic> (PNUM) de 2013, como convidada do evento, apresentou detalhado estudo sobre os processos de alteração de uso do solo e da forma urbana em Londres e em Belo Horizonte, acompanhando o processo de fechamento de atividades comerciais no térreo das edificações, seguido gradativamente de deterioração de imóveis, demolição e reedificação, resultando, no caso brasileiro, em alteração da estrutura fundiária, com novo parcelamento. No contexto propositivo, o projeto coordenado pela professora da Universidade do Minho, Maria Manuel Oliveira, para o centro de Guimarães, em Portugal, apresentado pela autora no PNUM de 2016, articulou elementos contemporâneos de arte pública aos de sua história medieval, qualificando espaços públicos e tendo como base, estudos acadêmicos, já acumulados, sobre a forma urbana do lugar.</p>
            <p>Diante dessas referências, a reflexão proposta neste artigo, examina a forma urbana do século XXI, a partir do Centro de Vitória, cidade do período colonial brasileiro e que, ao longo do século XX, foi inserida na dinâmica econômica mundial, a partir da modernização sucessiva de sua estrutura portuária, com repercussão e desdobramentos sobre sua estrutura urbana. Apresentando no século XXI, características já mencionadas sobre outros centros, como imóveis desocupados e em deterioração e apagamento de atividades tradicionais, em função de empreendimentos econômicos, o Centro de Vitória guarda, ainda, traçado e algumas poucas edificações coloniais, articulados a intervenções urbanísticas mais recentes, requerendo estudo, avaliação e reconhecimento, como base para projetos futuros.</p>
            <p>Neste artigo, além de apresentar debate sobre o papel e a importância das áreas centrais, examinam-se as características da forma urbana do Centro de Vitória acumuladas em sua história e as possibilidades aventadas para essa área no século XXI, a partir de quatro projetos, comentados adiante, após abordagem preliminar sobre o aporte teórico e metodológico adotado.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>DESENVOLVENDO O TEMA: ÁREAS CENTRAIS E FORMA URBANA</title>
            <p>A área central de uma cidade, em geral, foi, em algum momento, a própria cidade, sua totalidade, constituindo-se assim, atualmente, na sua porção mais antiga. Independente de sua temporalidade e das possibilidades de conservação pela sociedade ao longo do tempo, as áreas centrais são, então, em grande parte, amálgamas de estruturas urbanas e arquitetônicas de períodos diversos, com significado histórico e social. Identificar as diversas formas urbanas ali presentes e compreender seu significado pode contribuir para reunir insumos, com vistas a melhor qualificar as áreas centrais, para o século XXI.</p>
            <p>Desde a Revolução Industrial, as cidades passaram por intensas transformações, assimilando uso do solo industrial, elevado contingente populacional, e em muitos casos, precárias condições de moradia. Diversos foram os modelos e projetos urbanos em suporte à cidade industrial, reestruturando-a e/ou projetando sua expansão. As infraestruturas de saneamento e de circulação viária trouxeram soluções às crises sanitárias e aos impasses para o deslocamento de contingente populacional crescente. No entanto, essas soluções, de um modo geral, alteraram drasticamente a estrutura urbana preexistente, interferindo então, de modo acentuado, na forma urbana das áreas centrais. Além destas transformações, há que se considerar, no caso europeu, as duas guerras mundiais, que na primeira metade do século XX, provocaram destruições em muitas dessas cidades.</p>
            <p>Nesse contexto, a arquitetura moderna, em ascensão entre essas guerras, atuou significativamente na reconstrução das cidades, introduzindo novas estruturas arquitetônicas e urbanísticas. Nesse período, os Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM) foram importantes ambientes de debate e de divulgação dessas novas estruturas. No entanto, no que diz respeito às áreas centrais, tem destaque o VIII CIAM, a elas dedicado, a partir do tema “O coração da cidade”. Em contraponto a proposições como a <italic>Ville Radieuse</italic> da década de 1920 de Le Corbusier, as preocupações do VIII CIAM, de 1951, voltavam-se para a valorização dos centros urbanos, que haviam perdido a importância em função das destruições causadas pelas guerras, pelo tipo de inserção viária e arquitetônica neles realizada ou ainda, pela própria expansão urbana excessiva, que dinamizava novas áreas em detrimento da antiga. O argumento deste CIAM apresenta-se bastante crítico se comparados aos anteriores, reconhecendo que a arquitetura e o urbanismo modernos, ao substituir estruturas preexistentes sem considerar seu significado e valor, não proporcionavam aos cidadãos, o espaço urbano almejado. O apelo desse CIAM, ao humanizar a cidade, tendo o centro como coração, ressaltava a importância de valores passados como os espaços livres para contemplação e descanso substituídos por vias de tráfego (<xref ref-type="bibr" rid="B30">ROGERS <italic>et al</italic>., 1955</xref>).</p>
            <p>A partir dessa contundente crítica, outras emergiram demonstrando insatisfação com os projetos modernistas, enfatizando a valorização da história e a importância de interação com a população local na formulação do projeto. Entre outros, tem destaque Kevin Lynch, que, em 1960, publicou “A imagem da Cidade”, divulgando sua experiência em três cidades americanas. O entendimento da cidade a partir do usuário e a demonstração de que o ponto de vista de quem vive no lugar apresenta contribuições relevantes para a elaboração de projeto resultaram em metodologia inovadora para articulação do novo ao existente. Adotando a interdisciplinaridade técnica na equipe e ressaltando como qualidades urbanas, legibilidade, estrutura e identidade e imageabilidade, Lynch propunha ao usuário do espaço, a elaboração de mapa mental, considerando cinco elementos urbanos para compreensão da cidade: marcos, nós, limites, percursos e setores (<xref ref-type="bibr" rid="B18">LYNCH, 1980</xref>).</p>
            <p>Abordagens dessa natureza contribuíram para que alguns autores, décadas depois apresentassem técnicas de desenho urbano. Neste contexto, nota-se em <xref ref-type="bibr" rid="B06">Del Rio (1990)</xref> a classificação de autores diversos em categorias como morfologia urbana, tratada de modo mais detalhado adiante, análise visual, percepção ambiental e comportamento ambiental, realçando a crítica à arquitetura e ao urbanismo moderno e apontando o potencial dessas abordagens para o desenho urbano, o projeto. No que diz respeito às áreas centrais, cabe lembrar <xref ref-type="bibr" rid="B29">Rodrigues (1986)</xref> que expõe técnicas de desenho urbano, tendo como abordagem específica, o Centro de Niterói. Além da importância da relação do novo com o existente, têm destaque aspectos característicos de áreas centrais, como o espaço cívico, os marcos arquitetônicos, os espaços livres, a acessibilidade de pedestres e a importância da complementaridade de usos, com atenção para a vitalidade do uso no térreo e a presença do uso residencial.</p>
            <p>No entanto, na sequência da literatura que analisa projetos, planos e intervenções urbanísticas em áreas centrais na segunda metade do século XX, <xref ref-type="bibr" rid="B34">Vargas e Castilho (2006)</xref> chamam a atenção para a diversidade de denominações, que em geral apresentava a ideia de retomada de algum potencial antes existente. Assim, revitalização, reabilitação, requalificação, reuso, restauração, renovação, reanimação e reconversão são alguns dos <italic>rês</italic>, também tratados por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Portas (2005)</xref>, que de algum modo atuam no sentido de tornar as áreas centrais atrativas, sem evitar, porém, em grande parte dos casos, o processo de gentrificação. É possível que esse seja um dos aspectos mais complexos envolvendo as áreas centrais no século XXI: como viabilizar sua inserção na dinâmica econômica contemporânea nesse processo de urbanização dispersa, mantendo referências significativas da história, da paisagem e do contexto social do lugar?</p>
            <p>Ao longo do século XX e com a difusão crescente na passagem dele para o século XXI, despontou-se a morfologia urbana como ciência que trata de compreender o processo de transformação da forma urbana ao longo do tempo e dos agentes e processos responsáveis por sua transformação (<xref ref-type="bibr" rid="B22">OLIVEIRA, 2018</xref>). A morfologia urbana, com mais de um século de história, enquadra-se como campo emergente e interdisciplinar, envolvendo conceitos de geografia, história, ciências sociais, arquitetura e urbanismo, com forte relação com a prática do planejamento e do desenho urbanos (<xref ref-type="bibr" rid="B10">GIMMLER NETTO <italic>et al</italic>., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">OLIVEIRA, 2018</xref>).</p>
            <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Oliveira (2014)</xref>, a morfologia urbana tem sua gênese fundamentada na geografia alemã, onde foi objeto investigativo durante as três primeiras décadas do século XX, difundida para outros países europeus a partir de emigração de pesquisadores alemães em função da guerra. Impulsionados pela atmosfera de questionamentos das atitudes modernistas sem relação às cidades históricas e às relações sociais intrínsecas a este contexto, tal ciência vem ganhando estudiosos em diferentes partes do mundo, fato que contribui para se estabelecer pensamento morfológico abrangente e olhar ampliado do estudo das formas urbanas sob o ponto de vista temporal, ou seja, envolvendo passado, presente e futuro (<xref ref-type="bibr" rid="B22">OLIVEIRA, 2018</xref>). Entende-se então, que a morfologia urbana seja capaz de associar presente, o que está posto aos nossos olhos, e passado, no sentido da compreensão dos motivos que levaram a tal conjectura, o que de fato parece relevante do ponto de vista de perspectivas futuras sobre as cidades.</p>
            <p>As principais escolas morfológicas têm sua origem a partir de meados do século XX e são constituídas pelas escolas inglesa e italiana de morfologia urbana, representadas respectivamente pelo geógrafo alemão que veio residir na Inglaterra, M.R.G. Conzen, e pelo professor italiano Saverio Muratori. Os estudos de Conzen que se concentravam na investigação sobre a estrutura da paisagem urbana e os de Muratori, fundamentados na recuperação da história urbana frente ao movimento da arquitetura moderna marcaram, a partir de publicações, as origens das respectivas escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B03">COSTA, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B04">COSTA; GIMMLER NETTO, 2015</xref>).Tais escolas vêm alcançando difusão no meio acadêmico por meio do <italic>International Seminar on Urban Form</italic> (ISUF), desde a década de 1990 e por meio do PNUM, desde 2011.</p>
            <p>A abordagem histórico-geográfica da escola inglesa de morfologia urbana tem como principal obra o livro “<italic>Inwick, Northumberland: a stydy in Town: plan analysis</italic>”, de M. R. G. Conzen de 1960 e baseia-se na análise da “paisagem urbana” cuja composição é estruturada por três categorias sistemáticas de análise da forma urbana: o plano urbano, o tecido urbano e os padrões de uso e da ocupação do solo, ressaltando aí, as análises bi e tridimensionais da forma (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OLIVEIRA, 2016</xref>).</p>
            <p>Ao longo da história, <xref ref-type="bibr" rid="B02">Carmona <italic>et al</italic>. (2010)</xref>, baseados nos estudos de Conzen, relatam que os elementos menos resilientes são os edifícios e seus respectivos usos. Já, os mais duradouros são o padrão das ruas, cuja estabilidade é justificada pela dificuldade de se implementar mudanças de larga escala, fato que poderia mudar tais padrões. O padrão de parcelamento, por sua vez, muda no decorrer do tempo, conforme processo de divisão ou agrupamento de lotes.</p>
            <p>Ainda considerando os conceitos da escola inglesa, a forma urbana é consolidada por meio de camadas históricas sobrepostas, fato que se denomina “palimpsesto”, resultado da materialização do passado e do presente em processo cronológico construtivo, que se acumulam no mesmo sítio natural. O conceito de “palimpsesto” foi apresentado por Conzen em 1962 remetido para um número de períodos morfológicos em centros históricos diretamente proporcionais à formação de períodos sucessivos de formas variadas na paisagem urbana ali presente (<xref ref-type="bibr" rid="B04">COSTA; GIMMLER NETTO, 2015</xref>). Tal abordagem tem forte relação com o objeto de análise deste artigo, haja vista que a capital capixaba e seu centro histórico passaram por diferentes momentos de transformação desde o início de sua ocupação portuguesa em 1551.</p>
            <p>Já, a abordagem tipo morfológica da escola italiana de morfologia urbana, que tem como expoente o arquiteto Saverio Muratori, tem como principais obras “<italic>Studi per Una Operante Storia Urbana di Venezia</italic>”, de 1959, “<italic>Studi per Una operante Storia Urbana di Roma</italic>”, de 1963, ambos de Saverio Muratori, e “<italic>Lettura di Una città</italic>”, de Gianfranco Caniggia, em 1963 (<xref ref-type="bibr" rid="B23">OLIVEIRA, 2016</xref>). A escola italiana baseia-se na identificação do “tipo básico”, sendo que o “[...] tipo pode ser definido como um modelo que se repete e pode ser percebido em qualquer objeto percebido pelo homem” (<xref ref-type="bibr" rid="B04">COSTA; GIMMLER NETTO, 2015</xref>, p. 154). Nesta abordagem, a interpretação do ambiente construído se inicia com a análise do comportamento de escala mais particular, o edifício, para assim identificar tipos edilícios básicos e tipos edilícios especializados e em seguida aumentar a análise da identificação deste processo tipológico em escalas progressivas: conjunto e estruturas urbanas, assentamento e núcleos urbanos e finalmente o território (<xref ref-type="bibr" rid="B04">COSTA; GIMMLER NETTO, 2015</xref>).</p>
            <p>Enquanto a abordagem inglesa tem como foco a evolução urbana, utilizando como parâmetros as transformações e permanências, a escola italiana parte da escala do edifício e amplia progressivamente sua abordagem, até chegar ao território. Os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B04">Costa e Gimmler Netto (2015)</xref> lançam considerações da possibilidade de semelhanças entre as duas escolas a partir da escolha de determinados elementos morfológicos como embrionários, no caso, o lote para o geógrafo e a casa para o arquiteto, sendo o lote a menor parcela existente no processo de ocupação humana e o tipo básico residencial, o elemento urbano fundamental.</p>
            <p>Além de apresentar suporte para análise da estrutura urbana, a morfologia urbana apresenta também, referências para análise e elaboração de projetos. Para <xref ref-type="bibr" rid="B20">Moudon (2015)</xref>, o papel dos morfologistas é estudar “a concretização de ideias e intenções à medida que estas tomam forma sobre o solo moldando as nossas cidades”. A autora complementa, analisando que tais estudos podem ser realizados em diferentes níveis de resolução, entendidos aqui como escalas de abordagem do edifício à cidade ou região, usando necessariamente como instrumentos de investigação morfológica a forma, a resolução e o tempo.</p>
            <p>Mesmo que formada por elementos urbanos similares, como ruas, praças, quarteirões, lotes e edifícios, as cidades apresentam características morfológicas distintas entre si e dentro de si. A forma como tais elementos são agrupados dá origem a diferentes tecidos urbanos que, compreendidos desde sua formação, oferecem possibilidades de abordagens analíticas ou propositivas dentro da ótica do planejamento ou das intervenções projetuais (<xref ref-type="bibr" rid="B22">OLIVEIRA, 2018</xref>).</p>
            <p>A compreensão da forma da cidade nos leva à própria interpretação de como ela deveria ser. Quais os atributos que a fazem apresentar-se como uma boa forma, por exemplo? Tal indagação está associada ao próprio contexto projetual, no sentido de analisar ou propor algo, a partir da interpretação do passado, da análise do presente e dos desafios do futuro. Para <xref ref-type="bibr" rid="B17">Lynch (2007)</xref>, é impossível explicar como é que uma cidade deveria ser, sem compreender como é que ela é; mas a compreensão de como é a cidade depende de uma avaliação de como ela deveria ser.</p>
            <p>O exposto teórico aqui inserido prevê então que a forma urbana só possa ser compreendida a partir da história. Neste contexto, acredita-se que a retomada do passado e as perspectivas em relação ao futuro balizem dinâmicas capazes de considerar o estudo da forma urbana como ferramenta potencializada do processo de planejamento, de projeto e ainda, dos desafios impostos pelas cidades do século XXI, incluindo as áreas centrais.</p>
            <p>A partir desta base, passou-se à compreensão das características atuais do Centro de Vitória, considerando-se a evolução histórica e a identificação das sucessivas formas urbanas, sobrepostas e articuladas entre si. Com essas referências, foram examinados quatro projetos/planos elaborados para a área central de Vitória no século XXI, com a intenção de analisar em que medida as proposições neles contidas, reconhecem e valorizam aspectos intrínsecos à forma urbana dessa área central, preparando-a para o futuro. As conclusões avaliam os resultados sobre esses projetos como possibilidades previstas para esse século, e, com base na crítica formulada, apresentam imaginação para o futuro.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>DISCUTINDO A FORMA URBANA DAS ÁREAS CENTRAIS A PARTIR DE VITÓRIA</title>
            <p>O Centro da capital capixaba, área pioneiramente ocupada em meados do século XVI, percorreu transformações morfológicas significativas desde sua colonização pelos portugueses. Considerando a importância da história nos estudos morfológicos e do centro de Vitória como objeto de análise pertinente, parte-se do princípio de que tal sítio se enquadre no conceito de palimpsesto. Justifica-se tal fato em função dos diferentes processos de ocupação deste território, inicialmente em sítio elevado, passando por expansão em sítio baixo, alagável, que resultou em transformações significativas na transição do século XIX para o século XX. Posteriormente, a partir da segunda metade do século XX, o Centro passou por processo de urbanização acelerado que motivou novas configurações morfológicas embasadas, sobretudo pela abertura de avenida/<italic>boulevard</italic>, construção de parque e praças, verticalização e aterros. Entende-se que tais processos acabaram formando camadas históricas sobrepostas neste sítio e que podem ser reveladas a partir da interpretação do tecido urbano atual.</p>
            <p>Considerando os três principais elementos da escola inglesa de morfologia urbana, pode-se dizer que o Centro de Vitória apresenta traçado misto, com edificações de uso comercial, residencial e institucional de muitos pavimentos, ocupando, em sua maioria, 100% do lote. O traçado, sinuoso na denominada cidade alta, corresponde ao sítio inicial de ocupação, remete ao estilo português de ocupação do território no período colonial brasileiro, apresentando-se densamente ocupada, com vias estreitas e tortuosas, “moldadas ao relevo”. Na denominada cidade baixa, o traçado é retificador, resultado da expansão urbana por aterros ou reestruturação de vias existentes no início do século XX, e criação de novas vias em meados do mesmo século, no grande aterro da Esplanada Capixaba, que trouxe novas configurações morfológicas (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>).</p>
            <fig id="f01">
                <label>FIGURA 1</label>
                <caption>
                    <title>Padrão Morfológico do Centro de Vitória.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225279-gf01.tif"/>
                <attrib>Fonte: <italic>Google Earth</italic>.</attrib>
            </fig>
            <p>Para a compreensão das camadas históricas do Centro e das características da forma urbana, soma-se ao conceito de morfologia urbana, a análise específica de Conzen no que se refere aos períodos morfológicos. Costa e Gimmler Netto (2015), baseadas em Conzen, consideram que os períodos morfológicos compreendem determinados elementos que repetem padrões semelhantes e passam a identificar-se como unidades características da forma urbana em destaque para determinado período de tempo. Assim, o desenvolvimento urbano é descrito por meio dos períodos morfológicos abrangendo suas respectivas causas econômicas e sociais.</p>
            <p>Considerando análises cartográficas, iconográficas e as características morfológicas presentes no sítio, foram identificados três períodos morfológicos no Centro de Vitória: 1º Período Morfológico ou Morfogênese — origem da colonização de Vitória no ano de 1551 em local mais elevado de sua porção insular; 2º Período Morfológico —, descentralização do núcleo inicial em direção à parte baixa e plana da cidade e 3º Período — expansão Esplanada Capixaba, por meio de expressivo aterro.</p>
            <p>Tais períodos propiciaram a formação de um tecido misto, que se configura com padrão distinto, conforme apresentado, possuindo forte relação com o sítio físico, especialmente os topos de morro e respectivos aterros. Os aterros, ao que parece, foram alternativas encontradas para viabilizar o crescimento urbano. A <italic><xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref></italic> apresenta porção estratégica do Centro, que representa o processo descrito, com os principais aterros, respectivamente ocorridos nas décadas de 1910, 1930 e 1950, e a relação destes com os períodos morfológicos identificados. A <italic><xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref></italic> apresenta organograma, sintetizando a estruturação dos períodos morfológicos que caracterizam o Centro de Vitória.</p>
            <fig id="f02">
                <label>FIGURA 2</label>
                <caption>
                    <title>Identificação dos períodos morfológicos e sua relação com os sucessivos aterros.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225279-gf02.tif"/>
                <attrib><bold>Fonte:</bold> Adaptado a partir de Silva <italic>et. al</italic>. (2017).</attrib>
            </fig>
            <fig id="f03">
                <label>FIGURA 3</label>
                <caption>
                    <title>Organograma com a síntese dos Períodos Morfológicos do Centro de Vitória.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225279-gf03.tif"/>
                <attrib><bold>Fonte:</bold> Elaborado pelas autoras (2021).</attrib>
            </fig>
            <p>Os períodos morfológicos do Centro de Vitória podem ser caracterizados então, a partir de olhar retrospectivo, ou seja, do presente em direção ao passado.</p>
            <p>O 3º Período Morfológico: Expansão Esplanada Capixaba (meados do século XX) parte da consolidação da ocupação da parte baixa da cidade e sua remodelação para se adequar aos princípios sanitaristas entre os séculos XIX e XX, e do fortalecimento da estrutura e atividades do porto de Vitória, inaugurado em 1942. Nesta dinâmica, a organização espacial do centro da cidade recebeu sua última grande intervenção, o aterro da Esplanada Capixaba, entre 1950 e 1954, que trouxe acréscimo territorial de 90 mil m², com parcelamento em grandes quadras e vias tendendo à ortogonalidade e normas urbanísticas direcionadas à verticalização de construções.</p>
            <p>O 2º Período Morfológico: Descentralização do Núcleo Inicial (meados século XVIII ao início século XX) parte da consolidação do núcleo inicial de formação do território e ideais de descentralização em direção à área plana, restrita até então à presença de vários trapiches e seus pequenos atracadouros, no intuito de impulsionar o comércio crescente em ascensão. Nesta dinâmica, a organização espacial do Centro visou maior aproximação com atividades comerciais junto ao mar e recebeu aterros na Ilha de Vitória, em 1755 para construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição (<xref ref-type="bibr" rid="B07">DERENZI, 1995</xref>) e entre 1812 e 1819 visando facilitar a acessibilidade dos pedestres (<xref ref-type="bibr" rid="B08">FREITAS, 2004</xref>). Posteriormente, mas ainda tendendo à descentralização mais ordenada do território, a cidade baixa recebeu grandes remodelações na transição entre os séculos XIX e XX. Tais transformações consolidaram uma configuração morfológica marcada por avenidas arteriais importantes, obras singulares e novos traçados retificadores, baseados no advento republicano e nos ideiais sanitaristas e de embelezamento urbano, com acréscimo de parque e praças.</p>
            <p>O 1º Período Morfológico: morfogênese (de 1551 até século XVIII) refere-se ao núcleo inicial, ou seja, a fundação do território. A ocupação de Vitória nos primeiros séculos se restringiu ao seu sítio original, com edificações implantadas em área de topografia elevada, ruas estreitas e tortuosas. Este processo inicial foi caracterizado como Morfogênese, que corresponde à origem da forma, própria dos centros históricos, dotados de maior historicidade (<xref ref-type="bibr" rid="B04">COSTA; GIMMLER NETTO, 2015</xref>).</p>
            <p>Interessa indicar que, à medida em que aterros e estruturas arquitetônicas e urbanísticas de caráter modernizantes foram inseridos sobre o sítio original, marcando a periodização morfológica, práticas sociais remanescentes dos primórdios da ocupação tomaram novas posições e se mantiveram até recentemente, como a pesca e o transporte da população, de modo alternativo, por catraia, na Baía de Vitória.</p>
            <p>Estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo <italic>et al</italic>. (2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva <italic>et al</italic>. (2017)</xref> detalham características do Centro de Vitória, segundo as escolas inglesa (abordagem histórico-geográfica) e italiana (abordagem processual tipológica) de morfologia urbana, a partir de percurso indicado em linha vermelha na <italic><xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref></italic>, da Catedral à Baía de Vitória, atravessando a área, de modo a contemplar os três períodos morfológicos já descritos. A intenção em trazê-los aqui, sinteticamente é de contribuir para identificar a qualidade da forma urbana do Centro de Vitória, reunir elementos que sejam capazes de, a partir da convergência analítica proposta, apontar valores acumulados na área central, como propulsores de futuros projetos.</p>
            <p>O <italic><xref ref-type="table" rid="t01">Quadro 1</xref></italic> resume as principais características resultantes das duas abordagens. A da escola inglesa, a partir dos conceitos que envolvem a divisão tripartida da paisagem (plano urbano, tecido urbano e padrão de uso e ocupação do solo) e as regiões morfológicas, permitiu mapear a evolução dos aterros e identificar microrregiões morfológicas. A da escola italiana, a partir da identificação de tipos morfológicos, permitiu constatar 12 tipos classificados em edilícios básicos (casa térrea, sobrado colonial, sobrado, edifício baixo, edifício intermediário, edifícios alto com galeria, edifício alto sobre pilotis isolado no lote e torre), edilícios especializados (edifícios públicos) e lotes não edificados (lote vazio sem muro, lote vago murado e sem uso e lote murado com uso de estacionamento), estabelecendo-se relação com os aterros e perfil edificado, caracterizando atividades das fachadas no pavimento térreo. A <italic><xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref></italic> traz os principais mapas gerados nos dois estudos.</p>
            <fig id="f04">
                <label>FIGURA 4</label>
                <caption>
                    <title>À esquerda, regiões morfológicas do trecho em estudo. À direita, tipologias edilícias do trecho em estudo.</title>
                </caption>
                <graphic xlink:href="2318-0919-oa-19-e225279-gf04.tif"/>
                <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo <italic>et al</italic>. (2017)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva <italic>et al</italic>. (2017)</xref>.</attrib>
            </fig>
            <table-wrap id="t01">
                <label>QUADRO 1</label>
                <caption>
                    <title>Resumo dos estudos de parte de porção do Centro de Vitória baseados nas abordagens das escolas inglesa e italiana de morfologia urbana.</title>
                </caption>
                <table frame="hsides" rules="all">
                    <thead>
                        <tr align="center">
                            <th style="background-color:#C8C3BF" colspan="5"> Principais características dos estudos morfológicos para o Centro de Vitória</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr style="background-color:#E3E1DF" align="center">
                            <td align="left">Escolas de Morfologia Urbana</td>
                            <td>Conceitos adotados</td>
                            <td>Características</td>
                            <td>Mapas gerados/Apontamentos</td>
                            <td>Informações complementares</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td rowspan="4" align="left"> Escola Inglesa</td>
                            <td rowspan="3"> Divisão tripartidada paisagem</td>
                            <td align="left">Plano urbano</td>
                            <td align="left">Mapas de figura-fundo da ocupação dos lotes x vias, espaços públicos (vias e praças) e volume edificado x espaços não edificados</td>
                            <td rowspan="3" align="left"> Mapa com evolução dos aterros em diferentes aportes cartográficos</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td align="left">Tecido urbano (análise tridimensional)</td>
                            <td align="left">Mapa com indicação dos gabaritos das edificações</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td align="left">Padrão de uso e ocupação do solo</td>
                            <td align="left">Mapa de uso do solo (residencial, não residencial, misto, institucional e sem uso)</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>Regiões Morfológicas</td>
                            <td align="left">Identificação de regiões morfológicas</td>
                            <td align="left">Mapa com apontamento de 5 regiões e 15 microrregiões morfológicas</td>
                            <td align="left">Proposição de microrregiões morfológicas</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td align="left">Escola italiana</td>
                            <td>Identificação dos “tipos”</td>
                            <td align="left">Tipos edilícios básicos (residenciais) e tipos edilícios especializados (tipos mais complexos como igrejas, museus, teatros, instituições públicas)</td>
                            <td align="left">Mapa e volumetria típica com apontamento das 12 tipologias edilícias encontradas (sendo 9 para edifícios básicos e especializados e 3 para lotes não edificados)</td>
                            <td align="left">Mapa e perfil com principais aterros e identificação do grau de atividade das fachadas no pavimento térreo</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: Adaptado a partir de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Melo <italic>et al</italic>. (2017)</xref> <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva <italic>et al</italic>. (2017)</xref>, em análise comparativa formulada pelas autoras.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Estabelecendo-se no <italic><xref ref-type="table" rid="t02">Quadro 2</xref></italic>, uma intersecção entre os períodos morfológicos antes propostos (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figuras 2</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f03">3</xref>) e as abordagens das duas escolas, aqui mencionadas (<italic><xref ref-type="table" rid="t01">Quadro 1</xref></italic> e <italic><xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref></italic>) foram percebidas algumas convergências.</p>
            <table-wrap id="t02">
                <label>QUADRO 2</label>
                <caption>
                    <title>Síntese das análises dos estudos morfológicos para o Centro de Vitória.</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr style="background-color:#C8C3BF" align="center">
                            <th colspan="4">Síntese das análises dos estudos morfológicos para o Centro de Vitória</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr style="background-color:#E3E1DF">
                            <td>Sítio e suas características</td>
                            <td align="center">Períodos Morfológicos</td>
                            <td align="center">Regiões Morfológicas (Conzen)</td>
                            <td align="center">Tipos edilícios (Muratori)</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Topo do morro e linha de base do morro (da Catedral Metropolitana até pé da escadaria São Diogo)</td>
                            <td align="center">1<sup>º</sup> Período</td>
                            <td>2 regiões morfológicas: Catedral Metropolitana e escadaria São Diogo</td>
                            <td>Tipologias edilícias básicas de casa, sobrado, edifícios baixos e fachadas predominantemente ativas, mas do tipo restrito</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Área plana, descentralização do núcleo inicial, primeiros aterros em menores proporções (entre a praça Costa Pereira e a avenida Princesa Isabel)</td>
                            <td align="center">2<sup>º</sup> Período</td>
                            <td>2 regiões morfológicas: praça Costa Pereira, teatro Carlos Gomes/FAFI/MAES</td>
                            <td>Tipos edilícios especializados e os sobrados, edifícios intermediários e altos com galeria, com presença de lotes um pouco maiores com fachadas predominantemente ativas (comércios). Presença de vazios (praça)</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td>Área plana, expansão territorial caracterizada por aterros em grande proporção (entre a avenida Princesa Isabel e a baía de Vitória)</td>
                            <td align="center">3<sup>º</sup> Período</td>
                            <td>1 região morfológica:<break/>edifício do Ministério/Baía de Vitória</td>
                            <td>Predominância de lotes maiores e edifícios mais altos, com implantação isolada no lote, e com fachadas ora ativas, ora inativas</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2021).</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Uma delas se refere à influência da topografia e dos aterros na configuração morfológica do sítio que contribui para identificação de períodos morfológicos distintos, cinco regiões morfológicas e nove tipos edilícios, heterogeneidade respaldada pela própria condição do Centro enquanto palimpsesto. Outra questão identificada nas abordagens se refere à presença de edificações e lotes vazios, herança da perda de atratividade gradativamente acometida pela área central desde o final do século XX.</p>
            <p>Por outro lado, na perspectiva da busca de elementos capazes de qualificar a forma urbana do centro, nota-se que a condição topográfica elevada e caracterizada por construções mais antigas, a condição de espaços públicos significativos em conjunto com uma gama de fachadas ativas e outras edificações especializadas, podem, em conjunto, potencializar valores culturais e históricos do território. Somam-se a isso, lotes vagos, grandes estacionamentos e imóveis vazios como elementos pujantes no que tange a novas conformações morfológicas e de uso, seja do ponto de vista construtivo, do uso coletivo ou visando atender demandas por moradia.</p>
            <p>Com base na análise remota, percebeu-se então, o sítio elevado com forte viés histórico, as edificações especializadas, o uso ativo do térreo e, como já mencionado, a existência de lotes e imóveis vagos como elementos catalisadores de projetos futuros. Embora as intervenções realizadas ao longo do tempo tenham resultado em substituição de formas e tendências de expansão enraizadas em novos contornos, os estudos morfológicos mostraram que o Centro de Vitória conservou muito de seu papel urbano histórico.</p>
            <p>Dirigindo a imaginação para a forma urbana do século XXI em relação ao Centro de Vitória, quatro possibilidades se apresentaram, todas, em maior ou menor grau envolvendo a administração municipal e o meio acadêmico<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>.</p>
            <p>A primeira delas foi publicada pela Editora da Universidade Federal do Espírito Santo, em 2002, com o título Projeto “centro.com.vitória”, com recursos da Lei Rubem Braga, a partir de edital promovido pela Secretaria de Cultura do município, como resultado de pesquisa, também apoiada por edital do município de Vitória, referente ao Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia. A pesquisa realizada por três professores, todos arquitetos, contava com três vertentes, com o intuito de elaborar metodologia de intervenção urbana em áreas centrais, demonstradas sobre o Centro de Vitória. A primeira envolve pesquisa com usuários do Centro de Vitória, a partir de entrevista realizada em pesquisa de campo, como suporte ao Plano Urbano Setorial, que dividiu a área em oito setores, tendo também como referência estudos sobre a história. As duas outras vertentes referem-se aos espaços da memória e espaços urbanos vazios, resultando em ensaio projetual, dirigido a um dos setores previstos. O plano, além da subdivisão em setores, apresentou relação funcional entre cada setor e períodos considerados de apogeu (1950-1975) e de decadência (1975-1999), com proposição de readequação a partir de 2000. Na readequação funcional proposta, chama a atenção a diversidade/complementaridade de usos e a presença do uso habitacional. A intervenção em espaços da memória busca conectar passado, presente e futuro, com a valorização do patrimônio arquitetônico e urbanístico, associando o restauro do existente à inserção do novo. A intervenção em espaços urbanos vazios foca nos espaços públicos de uso coletivo e insere estrutura arquitetônica contemporânea em entorno moderno e eclético, realçando a função de passagem e de permanência e a ambiência criada a partir das delimitações desses vazios por construção, como vias e edifícios, e pela natureza, como água e montanha. As intervenções em espaços da memória e em espaços urbanos vazios são apresentadas em espaços contíguos, tornando esse setor do Centro de Vitória um ponto nodal de transporte público, por via terrestre e marítima, além de portuário, e ao mesmo tempo, um ponto nodal de permanência. O estudo menciona como referência, as intervenções que adotavam como catalisadoras a frente marítima e áreas históricas, como os então, recentes projetos para Buenos Aires, Londres, Barcelona, entre outros. No entanto, enquanto esses projetos direcionavam-se à economia possibilitada pelo turismo, a pesquisa realizada indicou que além dos interesses do mercado, para dinamizar e requalificar a área central de modo eficaz é necessário tomar como referência o interesse do habitante do lugar, mantendo-se vínculo direto com a identidade histórica e cultural (<xref ref-type="bibr" rid="B09">FREITAS <italic>et al</italic>., 2002</xref>).</p>
            <p>Entre 2005-2006, a Prefeitura Municipal de Vitória, por meio do Programa de Revitalização do Centro de Vitória, a partir de recursos federais do Ministério das Cidades, elaborou o Planejamento Urbano Interativo do Centro de Vitória, convidando para a coordenação e pesquisa profissionais de áreas diversas, em grande parte, professores da Universidade Federal do Espírito Santo. Estes correspondiam às áreas de Arquitetura e Urbanismo, na coordenação, História, Sociologia e Economia. Especialistas em temas diversos sobre a cidade, também foram convidados a contribuir com palestras em seminários temáticos públicos. O aspecto marcante do projeto foi a participação social, desenvolvida a partir de várias técnicas e abordagens, como mapa mental, diagnóstico rápido participativo e pesquisa de opinião, envolvendo a população em geral e técnica, e em especial, associações diversas relacionadas ao Centro. O diagnóstico do plano aborda os seguintes temas: (1) Integração regional; (2) acessibilidade, transporte e mobilidade; (3) infraestrutura (4) relação porto-cidade; (5) desenvolvimento econômico; (6) uso e ocupação do solo; (7) espaços urbanos e lazer; (8) vivência urbana; (9) importância histórico-cultural; (10) cultura; (11) questão social; (12) segurança pública; e (13) imagem do centro. A área que compreende o Centro de Vitória expandido ao leste e ao oeste foi subdividida em macro setores de planejamento, orientando a elaboração do Plano Estruturador e do Plano de Intervenções Urbanas, ambos formulados no Planejamento Interativo, em nível de diretrizes, como suporte à futura elaboração de planos, programas e projetos específicos. O Planejamento Interativo, no qual foi preponderante a participação de arquitetos e urbanistas do Programa de Revitalização do Centro de Vitória aponta ainda, a importância de avaliação permanente ao longo das fases seguintes e do compromisso de desenvolver e implementar as diretrizes propostas, articulando interesses e necessidades dos diversos movimentos sociais atuantes sobre a área (<xref ref-type="bibr" rid="B25">PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA, 2006</xref>).</p>
            <p>Em 2009, o grupo internacional <italic>Les Ateliers</italic>, em articulação com professores da Universidade Federal do Espírito Santo, realizou, junto à Prefeitura Municipal de Vitória e cooperação descentralizada entre as cidades irmãs de Vitória (Brasil) e Dunkerque (França), oficina de projetos tendo a Baía de Vitória e suas respectivas áreas lindeiras, como centro de debates e proposição. Além da área central de Vitória, onde ficou instalado o escritório de trabalho, e toda a porção noroeste do município, faziam parte da área de estudo e projeto, porções dos municípios de Vila Velha, Cariacica e Serra adjacentes à Baía de Vitória. O projeto foi denominado Ateliê Internacional de Urbanismo. Desenvolvimento metropolitano e solidariedades territoriais: mutações das estruturas urbanas em torno da Baía de Vitória (<xref ref-type="bibr" rid="B16">LES ATELIERS, 2009</xref>). Os participantes, em número de 28 e divididos em quatro equipes de projeto, eram urbanistas estrangeiros selecionados previamente pelo <italic>Les Ateliers</italic> e funcionários das prefeituras envolvidas e arquitetos selecionados pela equipe de coordenação local, composta por técnicos da Prefeitura Municipal de Vitória e professores da UFES. A oficina durou duas semanas, com palestras preparatórias, visitas de campo por terra e por água, trabalho de projeto em escritório, confraternizações, apresentação pública dos resultados e premiação a partir de avaliação dos quatro projetos apresentados, por júri nacional e internacional. Mesmo adotando conceitos específicos e diferenciados entre si, os projetos tinham em comum a valorização da Baía de Vitória e a articulação da Área Central de Vitória com estruturas arquitetônicas importantes nas outras margens, a partir da ideia de solidariedade metropolitana em substituição à de competição estimulada pelos planos estratégicos.</p>
            <p>Entre 2008 e 2012, com diversas interrupções, foi desenvolvido o Plano de Proteção da Paisagem do Centro de Vitória (<xref ref-type="bibr" rid="B26">PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA, 2012</xref>), sob a coordenação da Universidade Federal do Espírito Santo, a partir de termo de referência formulado pela Prefeitura Municipal de Vitória, sendo este plano, uma das diretrizes previstas no Planejamento Interativo do Centro de Vitória e no Plano Diretor Urbano do município, aprovado em 2006. O Plano de Proteção da Paisagem tem como produto complementar o inventário de 150 imóveis da Área Central de Vitória, pré-identificados como de interesse de preservação pelo Programa de Revitalização do Centro de Vitória, visando embasar estudos e tomada de decisão quanto à preservação. No entanto, o principal produto do plano é a minuta de projeto de lei propondo normas urbanísticas para regulação de volume e altura de edificação de modo a manter visibilidade e acesso aos elementos significativos da paisagem do Centro expandido de Vitória. A identificação desses elementos, classificados em construídos e naturais, era parte do plano, realizada a partir de estudos técnicos e de pesquisa de opinião. A metodologia utilizada teve como referência principal, pesquisa desenvolvida com recursos do Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do município, entre outros órgãos de fomento. O plano indicou que elementos construídos e naturais de Vitória e também dos municípios vizinhos de Vila Velha e Cariacica fazem parte da paisagem da área central da capital capixaba. A simulação gráfica realizada artesanalmente para a área em questão buscou, em terrenos vagos e sujeitos à renovação, moldar as possibilidades máximas de volume e altura para novas edificações, de modo a manter visibilidade e acesso aos elementos da paisagem considerados relevantes. Os pontos de observação considerados nessa simulação foram estudados a partir de locais de intensa circulação e ou de forte permanência de pessoas. Entre outros aspectos, essa abordagem, além de valorizar a paisagem, permitiu demonstrar possibilidades de verticalização, de um modo geral, ignoradas pelo senso comum e também, pelo meio técnico, por tratarem o Centro de Vitória, como área esgotada para a construção de edifícios.</p>
            <p>Um aspecto importante a observar é o caráter complementar entre os quatro projetos/planos, o que permitiria ao poder público acolhê-los todos e articulá-los. O Planejamento Urbano Interativo do Centro funciona como minucioso diagnóstico da área e uma estrutura de diretrizes a serem detalhadas em planos, projetos e programas. O Plano de proteção da paisagem do Centro de Vitória estabelece normas urbanísticas, orientando a forma de edificação na área, de modo a manter visibilidade e acesso aos elementos considerados representativos da paisagem, conteúdo assimilado no Plano Diretor Municipal de Vitória aprovado em 2019. As propostas do Projeto <italic>centro.com.vitória</italic> e do <italic>Les Ateliers</italic>, embora apresentem também, diretrizes gerais, dão destaque a projetos urbanísticos e em alguns casos, também, arquitetônicos em partes específicas da área, a título de exemplo, ou por serem consideradas catalisadoras, incluindo, níveis diferentes de detalhamento.</p>
            <p>Além de serem complementares em escalas e abordagem, os projetos/planos, em maior ou menor intensidade, valorizaram a participação social e reconheceram a importância da interdisciplinaridade, mesmo com a predominância de arquitetos urbanistas nas equipes. Outro aspecto em comum às quatro propostas é o reconhecimento e valorização de cada camada histórica do Centro de Vitória, desde o remanescente do traçado e parcelamento colonial e das poucas edificações deste período, até as estruturas portuárias sobre aterro, a avenida-<italic>boulevard</italic>, praças, parque e a arquitetura moderna. A articulação metropolitana viária e marítima, deste Centro, também foi considerada nos projetos/planos.</p>
            <p>A despeito dos acertos apontados, nota-se que, a questão relacionada ao elevado número de imóveis vazios na área central, mesmo que não tenha sido ignorada pelas propostas, não chegou a ser tratada de modo contundente. Em paralelo ao aumento do número de edifícios vazios ou abandonados (<xref ref-type="bibr" rid="B27">PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA, c2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">IMÓVEIS..., 2020</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>, elevam-se também o déficit habitacional no município (<xref ref-type="bibr" rid="B14">INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2020</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">INSTITUTO JONES DOS SANTOS NEVES, 2019</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>, a presença cotidiana de moradores em situação de rua e a ocupação, por movimentos organizados, de edifícios vazios, para habitação. Outro ponto que se agrava, refere-se ao fechamento de lojas comerciais na área, processo que já vinha ocorrendo, mas foi potencializado a partir da pandemia de Covid 19.</p>
            <p>Chama a atenção ainda, a ausência de destaque nos planos examinados sobre práticas seculares como a pesca e o transporte na baía pelos catraieiros, estes impedidos de realizar suas atividades de travessia de passageiros entre Vitória e Vila Velha, pela Companhia Docas do Espírito Santo desde 2015, em função de obras no Porto de Vitória.</p>
            <p>Nesse contexto, talvez permaneçam interrogações sobre o futuro: em que medida é possível se valer dos estudos sobre a forma urbana ao longo do tempo de modo a contribuir para seu futuro nas áreas centrais do século XXI?</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
            <p>A partir do exposto, e buscando convergir aspectos aqui tratados para a forma urbana do século XXI nas áreas centrais, cabe nessa conclusão, reconhecer seus atributos especiais e identificar no aporte teórico apresentado e nos projetos para o Centro de Vitória, elementos que permitam generalizar a abordagem.</p>
            <p>A história nos ensina que centros densos e diversificados podem protagonizar cenários urbanos apropriados. Acrescenta-se, no âmbito da temática deste artigo, a importância da herança deixada pelas formas urbanas em áreas centrais e as problemáticas percebidas nas dinâmicas atuais.</p>
            <p>As referências conceituais apresentadas indicaram a importância de reconhecer as áreas centrais, o coração da cidade, como palimpsesto, composto de períodos morfológicos, característicos de tempos que se constroem e se articulam ao longo da história, como parte do presente e a ser lembrado como identidade do lugar, na forma urbana do futuro.</p>
            <p>As formas físicas desse palimpsesto encontram-se associadas a práticas sociais. Identificá-las, correlacioná-las e reconhecê-las como valores imateriais intrínsecos aos materiais é parte da identidade e da história a ser conservada. Estes podem ser aspectos presentes na dinâmica de pescadores e catraieiros do Centro de Vitória, sem espaço relevante nos planos analisados.</p>
            <p>A compreensão da amplitude urbana contemporânea e o papel das áreas centrais em diversas escalas, podendo simultaneamente requerer abordagem local, metropolitana e global, contribui para prever possibilidades que ao mesmo tempo, cuidem do espírito do lugar, sem perder a conexão com o mundo, e para vislumbrar, situações que requeiram alertar rugosidades e promover resistências. Isso requer também articular não só escalas, mas também projetos complementares.</p>
            <p>Deste modo, o contexto inter/transdisciplinar da equipe e a atitude democrática com a inclusão dos usuários da área no processo decisório é um desafio necessário para que a forma urbana do futuro não deixe de considerar as questões sociais, sobretudo as mais prementes, como a pobreza, a ausência de moradia e a fome.</p>
            <p>Mesmo que nenhum dos quatro projetos examinados tenha sido integralmente realizado, todos contribuíram e contribuem ainda, para reflexão e debate sobre alternativas aos principais potenciais e problemas característicos das áreas centrais. Nota-se a baixa efetividade de execução destes pelo poder público e com isso, a consequente desatenção, sobre a importância da permanência de formas urbanas remotas e respectivas apropriações pela população.</p>
            <p>Ainda assim, a conclusão aponta para o potencial dos estudos sobre a forma urbana, na perspectiva de enfrentamento dos desafios ambientais e urbanísticos do século XXI, considerando a valorização das diversas camadas históricas intrínsecas às áreas centrais, em articulação às questões sociais contemporâneas. No contexto dessas questões contemporâneas não podem faltar os alertas sobre o século XXI, quanto ao combate à pobreza, à necessidade de provisão de moradia digna e ao fortalecimento dos laços culturais.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>AGRADECIMENTOS</title>
            <p>Agradecimentos às agências financiadoras da pesquisa: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).</p>
        </ack>
        <fn-group>
            <title>COMO CITAR ESTE ARTIGO/<italic>HOW TO CITE THIS ARTICLE</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>MENDONÇA, E. M. S.; PEGORETTI, M. S. Forma urbana de áreas centrais no século XXI: reflexões e possibilidades. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v.19, e225279, 2022. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5279">https://doi.org/10.24220/2318-0919v19e2022a5279</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>NOTAS</title>
            <fn fn-type="financial-disclosure" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Apoio/<italic>Support</italic>: Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo — Fapes (TO nº174/2020) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico – CNPq (Processo nº309405/2019-0).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>De fato, outras duas possibilidades também se apresentaram: os Planos estratégicos denominados Vitória do Futuro versão 1996 com horizonte para 2010 e Vitória do Futuro versão 2002 com horizonte para 2015. No entanto, esses não foram abordados nesse estudo, em função de suas características abrangentes, em relação ao objetivo específico aqui definido em abordar a forma urbana.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>O projeto Morar no Centro inserido no Programa de Revitalização do Centro, segundo o site da Prefeitura Municipal de Vitória (PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA, c2019), reformou até 2019, 3 edifícios abandonados ou mal aproveitados para fins de habitação social, enquanto matéria de 31/01/20, do jornal A Gazeta, indica que o Centro de Vitória contava ainda, na data, com 127 imóveis abandonados (<xref ref-type="bibr" rid="B13">IMÓVEIS..., 2020</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
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