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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <article-title>Cadernos de desenhos e notas de José Cláudio Gomes: Diamantina como objeto de estudo<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>Notebooks with drawings and notes of professor José Cláudio Gomes: Diamantina as object of study</trans-title>
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                        <surname>Miranda</surname>
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                <corresp id="c01"> E-mail: <email>rosanamiranda@usp.br</email>
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                    <label>Editor</label>
                    <p>Jonathas Magalhães e Renata Baesso</p>
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                    <label>Conflito de interesse</label>
                    <p>Não há.</p>
                </fn>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Trata este texto da obra do professor José Cláudio Gomes – Cadernos de Desenhos e Notas, que são objeto de pesquisa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, em busca da sua visão sobre a forma da cidade e os desenhos dos arquitetos. O arquiteto José Cláudio Gomes foi professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, por 30 anos, e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual Paulista, em Bauru, e do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, em São Carlos, onde foi o primeiro coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo. Sua tese de doutorado, de 1973, intitulada “Contribuição ao Projeto da Cidade Brasileira”, realiza importante contribuição ao estudo da paisagem da cidade de São Paulo, sua ocupação e perspectivas futuras, abrindo um enfoque na paisagem natural como base para o projeto, em uma época em que essa era pouco estudada em urbanismo. Realizou importantes análises sobre a preservação de patrimônio, inclusive com uma visão sobre a paisagem natural. Nos últimos anos de sua atividade, dedicava-se ao estudo da cidade de Diamantina, influenciado pelos estudos de Lúcio Costa a quem considerava “seu mestre”, e apoiado nos métodos da escola de morfologia urbana de Saverio Muratori, mas com seu próprio olhar para as questões teóricas. É preciso destacar que o professor José Cláudio Gomes não publicou nenhum livro, apesar de ter formado gerações de arquitetos e colaborado com inúmeras escolas de arquitetura do país para a implantação do curso de urbanismo. O artigo busca demonstrar como os registros de caráter pessoal de José Cláudio Gomes puderam revelar uma pesquisa em andamento em vários aspectos e diferentes abordagens, desde o desenho em si ao registro histórico e à reflexão teórica.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This text addresses the work of Professor José Cláudio Gomes in notebooks with drawings and notes, which are the object of research at Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, in search of his vision of the shape of the city and the architects’ drawings. Architect José Cláudio Gomes was a professor at Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo for 30 years, at the School of Architecture and Urbanism, at Urbanismo da Universidade Estadual Paulista in Bauru, and at the Institute of Architecture and Urbanism at Universidade de São Paulo, in São Carlos, where he was the first coordinator of the Architecture and Urbanism course. His 1973 doctoral thesis entitled “Contribution to the Project of the Brazilian City” makes an important contribution to the study of the landscape of São Paulo, its occupation, and future prospects, opening an approach to the natural landscape as basis for the project when it was not very much studied in urbanism. He made important heritage preservation analyses, including an insight into the natural landscape. The last years of his work were devoted to the study of the city of Diamantina, influenced by the studies of Lúcio Costa, whom he considered “his master”, and supported by the methods of the Saverio Muratori school of urban morphology, but with his perspective of the theoretical issues. We should underscore that Professor José Cláudio Gomes has not published any book despite having trained generations of architects and collaborated with countless Brazilian schools of architecture to implement the urbanism course. The article aims to show how José Cláudio Gomes’ personal records could reveal an ongoing research in several aspects and different approaches, from the very drawing to the historical record and theoretical reflection.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Arquitetura</kwd>
                <kwd>Desenho</kwd>
                <kwd>Diamantina</kwd>
                <kwd>Paisagem</kwd>
                <kwd>Urbanismo</kwd>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>Architecture</kwd>
                <kwd>Design</kwd>
                <kwd>Diamantina</kwd>
                <kwd>Landscape</kwd>
                <kwd>Urbanism</kwd>
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                <funding-statement>Universidade de São Paulo, Programa Unificado de Bolsas (Edital PUB 2022-2023, Projeto 1916).</funding-statement>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <sec>
                <title>O acervo de José Claudio Gomes</title>
                <p>Os registros de um arquiteto, pesquisador e professor revelam sua forma de observar o mundo e os elementos que elege da paisagem existente para suas reflexões e elaborações teóricas e projetuais. Fazem parte de um modo de fazer e produzir conhecimento que alimenta a atividade de ensino no sentido mais amplo da palavra, que não necessariamente se constitui como ensino formal, mas como ensino para os que tiverem acesso a esse material. Faz parte da linguagem escrever e desenhar como formas de expressar um livre pensar, sempre uma interpretação da realidade, nunca a própria realidade. Essa linguagem segue a lógica do observador, seus interesses, suas memórias, suas paixões e sua habilidade de desenhar e escrever.</p>
                <p>O arquiteto e professor José Cláudio Gomes era um homem de múltiplos interesses no campo da arte e da cultura, curioso com as novidades tecnológicas, mas extremamente tranquilo ao fazer suas escolhas de escrever e desenhar a mão. Imagino que essa escolha se baseia no tempo que a escrita e o desenho proporcionam ao estudioso para a maturação das reflexões. Tempo do ir e vir das ideias que permitem um amadurecimento e revisão das incorreções quando necessário.</p>
                <p>Era também um aficionado pelos mais variados tipos de papéis que davam suporte aos seus registros. Já as canetas podiam ou não ser importantes – desenhou muito com uma simples esferográfica de quatro cores, azul, vermelha, verde e preto, para ilustrar as nuances de seu objeto de estudo.</p>
                <p>Era seu projeto escrever um livro à mão e em papel reciclado pela facilidade e pela liberdade de escrever no seu tempo e, talvez, sem regras e compromissos, além da beleza do grafismo que o desenho à mão nos oferece e da beleza da textura que esse tipo de papel apresenta. Deixou inúmeros cadernos caprichosamente confeccionados, montados e encadernados para preencher um dia.</p>
                <p>Os cadernos de notas e desenhos do professor Cláudio Gomes foram entregues à autora no ano de 2010 por ele próprio, para que lhes desse o destino acadêmico mais adequado, a fim de que esse pequeno acervo, ao lado do acervo maior, doado para a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), fosse útil aos estudos acadêmicos. Em 1996, ao ministrar uma disciplina, elogiou a maneira como a autora, então sua aluna, registrava suas aulas e convidou-a para organizar suas notas para a matéria. Naquele momento, a autora não podia assumir essa tarefa, e não imaginava que um dia seria professora da FAUUSP e responsável por organizar seu acervo escrito e desenhado a mão. Desde então, a autora tornou-se responsável pela reunião e organização dos registros em desenhos e textos do professor José Cláudio Gomes. Os cadernos, num total de 31, considerando só os encadernados, fazem parte de um conjunto de outros documentos escritos e desenhados aguardando um tratamento arquivístico de sua biografia.</p>
                <p>Os temas dos cadernos estão relacionados ao ensino de arquitetura e urbanismo, à teoria e às reflexões sobre arquitetura e urbanismo, às referências bibliográficas consultadas por ele e cuidadosamente anotadas. Algumas quase como nos dizendo “vá por aqui” ou “leia este também”, versando sobre desenho urbano, projetos e estudos realizados por ele, e, principalmente, sobre a cidade de Diamantina, em Minas Gerais, que foi objeto de seu interesse e pesquisa durante mais de dez anos. Diamantina continuou objeto de interesse mesmo depois de aposentar-se como professor.</p>
                <p>No ano de 2009, o professor José Cláudio Gomes doou sua biblioteca pessoal e seus projetos e materiais de pesquisa para a FAUUSP. Naquela ocasião, a autora foi indicada pelo então diretor da FAU, arquiteto Sylvio Sawaya, como curadora responsável pela transferência da referida biblioteca e organização das providências junto à biblioteca da faculdade. O professor, já aposentado, resolveu doar seu acervo em vida para a FAUUSP, talvez como forma de manter a atividade de frequentar a biblioteca da faculdade, aficionado aos livros como sempre foi. Assim, a direção da biblioteca, na época, viabilizou a transferência dos livros dentro do projeto de pesquisa e extensão coordenado pela autora, “Memória docente – a biblioteca pessoal do arquiteto e a produção acadêmica do professor José Cláudio Gomes – FAUUSP”. O acervo foi organizado numa sala especial na biblioteca da pós-graduação, no edifício da FAU Maranhão, organizada da mesma forma que o professor a organizava em sua residência.</p>
                <p>Após a transferência de sua biblioteca pessoal, em 2010, para a unidade da Pós-Graduação da FAUUSP, na Rua Maranhão 88, ficou estabelecido que a Biblioteca José Cláudio Gomes fosse uma biblioteca voltada a pesquisadores. Essa decisão partiu de uma avaliação feita na ocasião pelas bibliotecárias da FAUUSP sobre a importância desse acervo e pela raridade de algumas obras, que ainda não existiam em nenhuma biblioteca da USP.</p>
                <p>No fim de 2014, por razões familiares e de saúde, mudou-se para a cidade de Ribeirão Preto, região onde nasceu e onde faleceu em 24 de setembro de 2015.</p>
                <p>Na ocasião em que entregou à autora, já professora da FAUUSP, os cadernos, apartados da coleção da biblioteca, numa pequena caixa com a recomendação “<italic>dê o destino que você considerar mais adequado</italic>”, o acesso a tal material foi considerado um privilégio por ela. Estava implícito naquela doação o seu desejo de que esses estudos fossem divulgados entre professores, alunos e arquitetos em geral, como mais uma das suas contribuições ao entendimento da cidade brasileira, ao desenho e à arquitetura desde os tempos coloniais, tendo como referência a cidade de Diamantina.</p>
                <p>Os cadernos possuem registros mais antigos do que a pesquisa sobre Diamantina. Incluem diferentes temas, assim como notas e desenhos de 1971, anteriores à elaboração da sua tese de doutorado, com compartimentos e registros sobre a paisagem e leituras das dinâmicas da cidade de São Paulo e outros relacionados ao ensino de urbanismo e desenho urbano das disciplinas que ministrava.</p>
                <p>Aqui foi chamado Cláudio Gomes, como era conhecido na escola e, depois, como amigo, pois muitos enquanto seus alunos ou ex-alunos usufruíram de seu convívio e amizade. Foi possível receber orientações didáticas sem o compromisso e a obrigação curricular, fora do âmbito da universidade e do seu horário formal de aula, e frequentar seu modesto apartamento no Sumarezinho. Apartamento no “limite” da Vila Madalena, como ele gostava de precisar, estudioso que era de tudo que se referia à cidade de São Paulo desde quando adotou a cidade como sua, já no seu primeiro endereço em uma pensão na Rua Genebra. Contou sobre esse local quando apresentou à autora um livreiro que importava livros de Portugal, na mesma rua, da qual era assíduo frequentador.</p>
                <p>Os cadernos são de vários tamanhos, alguns no formato A4 ou A5. Há cadernos especiais de notas, desenhados e escritos à mão com caneta esferográfica, na maioria das vezes, lápis e caneta tinteiro, com introdução de cores para elucidar aspectos relevantes da paisagem natural, do ambiente construído ou projetado, conforme algumas imagens que escolhemos para ilustrar esse conteúdo.</p>
                <p>A partir de 2015, iniciou-se a organização do conjunto de cadernos com o apoio do Programa Unificado de Bolsas da Universidade de São Paulo, voltado para alunos de graduação. Assim, foi realizada a digitalização de todos os cadernos em alta resolução e elaborado um pequeno banco de dados para identificar o conteúdo em cada página com palavras-chave, de forma a permitir diferentes seleções e abordagens de acordo com o interesse de futuros pesquisadores.</p>
                <p>A partir desse momento, ficou claro que a contribuição da autora seria tornar público todo esse material por meios os mais amplos possíveis, inclusive pela internet, para futuras pesquisas acadêmicas e também selecionar o conteúdo que envolvesse a palavra Diamantina para uma publicação impressa em sua homenagem. Essa atividade até o momento foi realizada com a participação de bolsistas do Programa Unificado de Bolsas (PUB) da USP.</p>
                <p>O tratamento da parte bibliográfica, dos projetos e dos documentos do acervo, de caráter arquivístico, está sendo feito em conjunto com a Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAUUSP, na medida em que visa organizar e disponibilizar o acervo para consulta de outros pesquisadores e do público em geral.</p>
                <p>Trata-se do acervo de um dos primeiros professores de projeto de urbanismo com importante contribuição na prática do desenho urbano e formado nas primeiras turmas do curso da FAUUSP, de forma independente do curso de engenharia (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Santos, 2018</xref>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Santos (2002)</xref>, José Cláudio Gomes é da segunda turma da graduação da FAUUSP (1949-1953).</p>
                <p>A pesquisa em seu acervo tem sido fonte inesgotável para uma reflexão sobre a prática de projeto em urbanismo e desenho urbano, assim como uma possibilidade da construção de um método para o ensino do projeto. Claudio Gomes vinha estudando há alguns anos, como referência, a escola italiana de morfologia urbana dos discípulos de Saverio Muratori, arquiteto italiano, professor da Sapienza de Roma, falecido nos anos 70, através da leitura da revista Urban Morphology.</p>
                <p>Por sua recomendação, a autora estabeleceu contato com os estudos da escola muratoriana, participando dos congressos de Hamburgo (na Alemanha, em 2010) e de Valência (na Espanha, em 2017), nos quais apresentou aspectos da pesquisa sobre a morfologia dos bairros operários de São Paulo.</p>
                <p>O projeto de pesquisa sobre os escritos de José Cláudio Gomes teve início a partir da doação de todo seu acervo técnico e de sua biblioteca pessoal, em 2009.</p>
                <p>A doação de seu acervo pessoal, como professor aposentado, significava o enfrentamento de decidir, em vida, o destino de seu bem mais precioso, sua biblioteca pessoal, que serviu a tantos alunos-amigos, e cujo processo de transferência foi organizado e disponibilizado para pesquisadores e para toda a comunidade acadêmica com consulta na FAU Maranhão.</p>
                <p>A biblioteca José Cláudio Gomes possui aproximadamente 6 mil títulos e começou a ser organizada no sistema de bibliotecas da USP no catálogo Dédalus. Uma pequena amostra dos títulos já catalogados mostrou que 80% do material não existia ainda nas bibliotecas da USP. Destaca-se no acervo a coletânea do arquiteto Frank Lloyd Wright, de quem Cláudio Gomes era grande admirador, e os livros de urbanismo e desenho urbano, bem como toda a coleção sobre Minas Gerais devido a seus estudos sobre Diamantina.</p>
                <p>Cláudio Gomes lecionou por mais de 40 anos, formando gerações de arquitetos interessados em urbanismo, desenho urbano e paisagem, não só na FAUUSP, mas também na Universidade Paulista – UNESP de Bauru, no Instituto de Arquitetura e Urbanismo, em São Carlos e em algumas faculdades particulares.</p>
                <p>Depois de oito anos de formado, em 1961, já lecionava na FAUUSP, a convite do professor Vilanova Artigas, na vaga que fora do urbanista Anhaia Melo. Primeiramente, na área de planejamento urbano e, depois, em projeto, matéria que viria a lecionar durante 30 anos, sempre preocupado com urbanismo, desenho urbano e a dimensão histórica do projeto.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Percurso Profissional</title>
                <p>José Claudio Gomes nasceu em 16 de janeiro de 1928, entrou na FAUUSP em 1949 e formou-se em 1953. Ingressou como professor da FAUUSP em 1961; e em 1963 foi para o Rio de Janeiro, para fazer pós-graduação em urbanismo no único curso existente naquele momento, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil; posteriormente, ainda na década de 1960, cursou como bolsista, por seis meses, uma especialização em urbanismo na <italic>Japan International Cooperation Agency</italic> (JICA) no Japão.</p>
                <p>Foi arquiteto do Montepio Municipal, órgão responsável por executar casas para os servidores municipais da cidade de São Paulo, durante dez anos, incluindo o período do governo do prefeito Brigadeiro Faria Lima, logo depois de formado até o início dos anos 60. Nesse órgão da prefeitura, projetou e acompanhou a obra arquitetônica do conjunto de casas do bairro do Jaçanã, em São Paulo. Em Minas Gerais, como arquiteto autônomo, projetou a casa com influência de Frank Lloyd Wright construída em Uberaba.</p>
                <p>Ao receber bolsa de estudos da JICA, desliga-se da prefeitura de São Paulo e passa a trabalhar como arquiteto autônomo e como docente na USP, a partir de 1961. Em 1973, conclui o doutorado na FAUUSP com a tese “Contribuição ao projeto da cidade brasileira”, orientada pelo arquiteto Hélio de Queiroz Duarte, tese que foi digitalizada no âmbito da pesquisa em andamento na FAUUSP e inserida no banco de teses da USP (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Gomes, 1973</xref>).</p>
                <p>Em suas atividades profissionais como arquiteto, urbanista e professor, deu importante contribuição como coordenador da área de arquitetura da FAPESP e parecerista do Conselho de Defesa do Patrimonio Histórico Arquitetônico Artístico e Turístico de São Paulo (CONDEPHAAT). Foram importantes suas participações no escritório de planejamento da FAUUSP, o CPEU, onde elaborou diversos planos diretores para municípios brasileiros<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>.</p>
                <p>Em 1976, escreveu um parecer, a pedido do CONDEPHAAT, sobre as diretrizes para a área envoltória do Museu Paulista e Monumento da Independência no Ipiranga, em que consta um minucioso estudo sobre a paisagem em suas diferentes escalas geográficas e sobre a dimensão cultural, em momento em que pouco se estudava a importância da paisagem nas questões de patrimônio histórico (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Gomes, 1976</xref>).</p>
                <p>No concurso para o projeto do anexo da FAUUSP, recebeu menção honrosa da Comissão julgadora para seu projeto, que se encontra no acervo da Biblioteca.</p>
                <p>A dedicação ao ensino foi objeto de alguns projetos de laboratório de urbanismo para algumas universidades ou escolas isoladas de arquitetura, assim como a elaboração de textos sobre o ensino de projeto de arquitetura e de urbanismo. Essas reflexões aparecem em vários dos cadernos digitalizados e em documentos avulsos identificadas no material organizado preliminarmente no projeto de pesquisa e extensão “Memória docente: a biblioteca pessoal do arquiteto e a produção acadêmica do professor José Cláudio Gomes – FAUUSP”</p>
                <p>Seu último documento oficial escrito, identificado no acervo até o momento, tem o título “Aproximações à Forma Urbana: Relatório de Pesquisa realizada no triênio 1993-1996”.</p>
                <p>Nesse documento, Claudio Gomes dedica-se à forma física da cidade e elabora uma reflexão sobre as diferentes categorias da forma urbana num esforço de qualificar o espaço urbano nos seus aspectos físicos e suas consequências na definição de lugar. <xref ref-type="bibr" rid="B02">Gomes (1996, p. 14)</xref> propõe três noções básicas para a investigação sobre a forma urbana: “[...] a noção de elemento tectônico, ou a parte; a noção de articulação e a noção de totalidade significativa”.</p>
                <p>Seu relatório de pesquisa apresenta alguns projetos que realizou como pesquisador e sobre o ensino na FAUUSP e na UNESP, de Bauru, como o projeto do Novo Centro de Bauru. Na figura abaixo, elabora um quadro de elementos do desenho urbano e suas hipóteses de uso e a qualidade de cada um deles, sendo que o original ampliado se encontra na Biblioteca da FAUUSP (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>).</p>
                <fig id="f01">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Notas para o novo centro de Bauru – o processo de projeto.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf01.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Desenho de José Claudio Gomes, foto da autora no âmbito da pesquisa Memória Docente na FAUUSP (2015).</attrib>
                </fig>
                <p>Assim define o que seria a forma fixa, a forma fragmento ou informe e a forma ativa quanto às categorias do desenho urbano.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>A forma fixa é finita e é o primado do todo sobre as partes, onde a estrutura é clara e rigorosamente definida em termos de totalidade absoluta. [...]</p>
                        <p>A forma fragmento – como uma espécie de dissolução da forma fixa, uma corrosão da sua persistência e permanência, a forma da cidade se apresenta fragmentada e segmentada em partes desconexas e desestruturadas. É uma forma agregativa que cresce e se multiplica extensivamente por mera justaposição celular gerando um tecido edificado solto, esgarçado e frouxo. Na forma fragmento tem-se o primado da parte sobre o todo. [...]</p>
                        <p>Sobre a forma ativa – a forma ativa onde os elementos constitutivos se articulam em equilíbrio dinâmico, permanentemente instável, conseguindo uma totalidade aberta e ao mesmo tempo ordenada. Na forma ativa as partes constitutivas já trazem em si a própria lei de formação do todo, ou, inversamente, a totalidade se define pelo dinamismo com que as partes se relacionam umas com as outras</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B02">Gomes, 1996</xref>, p. 14).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>As suas reflexões sobre a cidade buscavam sempre a dimensão histórica e, entre suas últimas leituras, estava o catálogo da mostra “<italic>La città del Brunelleschi</italic>”, publicado pela Oficina de Cultura da província de Florença.</p>
                <p>José Cláudio Gomes conhecia Florença e fez questão de fazer um roteiro minucioso das obras que deveriam ser conhecidas pela autora que planejava visitar aquela cidade, em 2010, após o Seminário do ISUF em Hamburgo, para entrevistar o professor Giancarlo Cataldi, discípulo de Saverio Muratori. Claudio Gomes fez um roteiro minucioso dos monumentos, igrejas e sítios que a autora deveria visitar, e sendo o principal deles o edifício “<italic>L’ospedale degli innocenti</italic>” de Filippo Brunelleschi. Uma simples conversa sobre uma viagem tornava-se um diálogo enriquecedor e verdadeira aula de arquitetura e urbanismo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Pieralli; Magnolfi, 1991</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Os desenhos e notas de Diamantina</title>
                <p>Diamantina possivelmente seja um exemplo de estudo de José Claudio Gomes que traduza melhor os conceitos de “permanência’ e de ‘lugar”. Em depoimento a Miguel <xref ref-type="bibr" rid="B09">Pereira (2008)</xref>, José Claudio Gomes relata que Diamantina seja, possivelmente, o seu estudo que melhor traduz os conceitos de “permanência” e de “lugar”.</p>
                <p>Pereira (2008, p. 53) via no conceito de permanência na arquitetura outras qualidades e dimensões e afirma que:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>O tema, no entanto, admite outra leitura na interpretação dessa permanência, como observa Cláudio Gomes: Trata-se de “[...] alguma qualidade transcendental que a arquitetura possa ter: o problema do conceito do lugar é a conjugação do espaço físico com seu uso, o uso que se faz do espaço, o ser humano dentro desse espaço, o ser humano dentro desse espaço, essa relação, essa conjugação entre duas coisas é o que chamamos de lugar [...] a sociedade atual, do mesmo jeito que pode diminuir a arquitetura enquanto permanência, pode instigar nessa arquitetura uma transcendência, uma perenidade, que de outra forma não haveria; realmente é um processo histórico. A mudança em função da primeira, da função original da arquitetura, pode fazer com que permaneça ainda enquanto obra de arte, que é o caso da arquitetura do passado, com seus melhores exemplos [...].</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>A pesquisa que José Cláudio Gomes vinha realizando nos últimos anos era sobre a cidade de Diamantina, cidade que visitou durante dez anos, estudando sua paisagem e arquitetura, e o contexto da macrorregião, compreendida entre as cidades do Serro e Diamantina. Os registros desta pesquisa apresentam diversos assuntos no campo da arquitetura e urbanismo, sendo inúmeras vezes misturados a notas de assuntos domésticos e humanos; o professor Cláudio Gomes nunca esquecia da condição humana junto a seus interlocutores.</p>
                <p>Claudio Gomes dizia que gostaria de se colocar no lugar dos primeiros colonos portugueses ao chegarem e observarem a paisagem impactante da Serra dos Cristais ainda sem a cidade construída. A Serra era o elemento mais impactante, em sua opinião, e um dos motivos para compreender aquela paisagem.</p>
                <p>O contato com os desenhos e escritos sobre Diamantina nos cadernos de Claudio Gomes e as inúmeras conversas tidas com ele no período de 2010 a 2014 sobre a cidade e a história da descoberta do diamante, no período colonial, colocou a equipe de pesquisa diante de um dilema: como continuar a tratar esse material escrito e desenhado por José Cláudio Gomes, sem nunca ter visto aquela paisagem que só era conhecida através de seu olhar e descrição? Por isso, em julho de 2017, a autora decidiu realizar uma viagem para visitar a cidade de Diamantina, acompanhada de dois amigos arquitetos<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>. Estabeleceram um roteiro do percurso a pé pela cidade, baseado num dos registros de José Cláudio Gomes e, a partir daí, com uma visão da cidade e de seus registros, a autora iniciou a organização do conteúdo preliminar de uma futura publicação impressa que ainda está sendo preparada. A autora e os arquitetos que a acompanharam fizeram um dos roteiros elaborados e percorridos por Claudio Gomes no sítio urbano de Diamantina e visitaram algumas das localidades fora da cidade, como os distritos do Vau, Curralinho e Mendanha, que compõem o cenário da região do Vale do Jequitinhonha e da Serra do Espinhaço, bem como a cidade do Serro (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figuras 2</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f03">3</xref>).</p>
                <fig id="f02">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Roteiro de Diamantina, refeito pela autora na viagem de 2017.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf02.tif"/>
                </fig>
                <fig id="f03">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Vista da Casa do Contrato, detalhes construtivos.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf03.tif"/>
                </fig>
                <p>Nos registros dos cadernos encontram-se leituras de partes da cidade de Diamantina e da paisagem, como na figura acima, em que o texto apresenta a observação dos aspectos construtivos da forma urbana, ora em perspectiva, ora em planta, ora em corte com decodificação de partes da cidade e sua linguagem.</p>
                <p>Os registros envolvem a leitura da paisagem e a construção de um vocabulário a partir da observação dos aspectos físicos e geográficos, como a figura a seguir (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>):</p>
                <fig id="f04">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>Desenhos e textos. Vocabulário da paisagem.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf04.tif"/>
                </fig>
            </sec>
            <sec>
                <title>Diamantina como objeto</title>
                <p>Os fragmentos nos cadernos que tratam de Diamantina envolvem a pesquisa sobre uma cidade do século XVIII e sua paisagem e sobre as partes que a constituem. Encontrou-se vários textos e desenhos sobre uma reflexão de Claudio Gomes com aspectos teóricos, que vão do particular ao geral, e que sistematizam ou sintetizam questões e elementos sobre a “arquitetura da cidade”. Esses textos foram transcritos a partir do registro à mão, seguindo fielmente essas notas. Alguns fragmentos tratam do desenho urbano em geral, mas muitos são exemplos com aspectos de Diamantina.</p>
                <p>Sobre seu interesse e objeto de investigação, <xref ref-type="bibr" rid="B04">Gomes (1997a, Caderno 3, folha 28)</xref> elucida:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p><italic>Diamantina como estudo de caso</italic>.</p>
                        <p>Contaminada pelo uso que o ser humano dela faz, pela atividade que o ser humano exerce no seu interior. Enfim: é o espaço historicizado o objeto da nossa atenção, isto é: o lugar.</p>
                        <p>Não é apenas uma geometria de relações figurativas nem apenas o olhar do ativo ser humano, mas o comércio entre a estrutura e a história, entre o espaço e o seu uso o que o constitui o objeto nuclear da investigação.</p>
                    </disp-quote></p>
                <p>E sobre o espaço e a sociedade em Diamantina:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Certas qualidades do espaço urbano em Diamantina guardam estreito paralelismo com algumas características de formação social: a fluidez; a transparência; a continuidade e o desdobramento dos espaços (de / beco à casa, desta ao largo e daí à praça); a indefinição e a ambiguidade entre os domínios do público e do privado, etc., encontram a contrapartida num processo produtivo baseado na exploração mineral flutuante ao sabor do acaso e da sorte; mesma organização social fluida e mutável onde as classes indefinidas se permutavam umas às outras; numa organização político-administrativa de tal forma confusa e variável de acordo com as circunstâncias e os administradores. Enfim: o paralelismo espaço-sociedade durante todo o período colonial revela a estreita conjunção entre o espaço e o seu uso, isto é, a coerência e a consistência do lugar urbano</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B04">Gomes, 1997a</xref>, caderno 3, folha 26).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Sobre o espaço da casa, do particular privado para a cidade, Gomes escreve:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Em D., o senso da profundidade é ainda muito vivo. Profundidade do modo de vida, da relação social e, principalmente, do espaço. O espaço da casa, da loja, do edifício mesmo se dá de uma só vez. Se dá aos poucos, em camadas ou estratos. Caminha-se da frente para o fundo, do mais público ao mais interiorizado, onde somente o dono da casa ou seus familiares têm acesso; onde somente atividades muito íntimas têm lugar. E não são atividades muito necessariamente ligadas ao intercurso sexual do casal, mas atividades como: contar dinheiro, contar a féria do dia (o jornal), discutir a partilha do ganho diário (caso do JequitiBar de ontem à noite). O senso de profundidade se dá também no espaço mais geral da cidade</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B05">Gomes, 1997b</xref>, caderno 9, p. 19).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Claudio Gomes busca elucidar as relações dos conceitos entre o todo e a parte na cidade brasileira. Os textos apresentam-se junto a desenhos ou isolados, sendo organizados de acordo com os seguintes assuntos: (1) Roteiros e diários de viagem; (2) questões abertas ou hipóteses de interpretação do espaço arquitetônico ou projetos para alguns locais; (3) textos com descrições e reflexões; (4) desenhos com notas descritivas de projetos; (5) referências bibliográficas e informações de pesquisa de acervos ou livros, e alguns registros históricos.</p>
                <p>Uma pergunta recorrente sobre seu interesse por Diamantina foi respondida em conversas informais, mas sempre educadoras; ele dizia que se tratava de um esforço de entender e aprofundar questões levantadas por Lúcio Costa desde sua visita a Diamantina em 1924, a quem Cláudio Gomes se referia como “meu mestre”.</p>
                <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Santos (2002)</xref>, Lucio Costa, em 1924, vai a Diamantina, a pedido do arquiteto José Mariano Filho:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Lucio Costa, convidado a estagiar no escritório, recebeu de José Mariano Filho a incumbência de viajar a Diamantina, em 1924. Deveria recolher elementos que compusessem repertório vasto e diversificado para abastecer os projetos de arquitetura neocolonial. O jovem estagiário de 22 anos cumpriu a tarefa com maestria, deixando-se fascinar pelo universo de detalhes que o enredou nas ruas e becos do antigo Tejuco.</p>
                        <p>Marcado profundamente pela paisagem diamantinense, à vista da autenticidade e da homogeneidade do conjunto urbano, ele intuiu e compreendeu aquilo que lhe viria a balizar o itinerário conceitual e criativo. Seria impossível criar a partir de cópias, réplicas ou estilizações. A originalidade da arquitetura e da arte de Diamantina, testemunho de um patrimônio fabuloso que a ele se revelava nas montanhas mineiras, pedia admiração, respeito e um programa de salvaguarda de patrimônio cultural. Não o neologismo até ali consagrado</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">Santos, 2002</xref>, p. 146).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Mas Diamantina por si só trouxe a Claudio Gomes imagens e reflexões específicas e originais com relação ao seu sítio geográfico e à sua arquitetura. Em um áudio gravado numa dessas conversas, ele destaca o impacto que o paredão da Serra dos Cristais e o estreitamento da paisagem no Ribeirão do Inferno causaram-lhe quando chegou a Diamantina; tendo, durante sua pesquisa, buscado a todo custo encontrar os sentimentos e as sensações dos primeiros viajantes que chegaram naquele sítio.</p>
                <p>Em 1996, o IPHAN abriu o processo de tombamento do Conjunto Paisagístico da Serra dos Cristais como parte do processo de preservação do conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico de Diamantina, processo 1376-T-96, o que demonstra que Cláudio Gomes reconhecia a importância dessa paisagem em consonância com os estudos do IPHAN, apesar de suas razões possuírem caráter subjetivo.</p>
                <p>Abreu, Diretor do Centro de Geologia Eschwege da UFMG, assim descreve a Serra dos Cristais no pedido de tombamento do seu conjunto paisagístico (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>):</p>
                <fig id="f05">
                    <label>Figura 5</label>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf05.tif"/>
                </fig>
                <p><disp-quote>
                        <p>A Serra dos Cristais, como um todo, reúne formas de relevo típicas das rochas que a edificam, formatadas por clima subtropical de altitude, com altas taxas pluviométricas anuais, e centrifuga as nascentes de diversos afluentes de 1ª, 2ª e 3ª ordens do Rio Jequitinhonha. O entalhe dos eflúvios determina um relevo áspero, rigorosamente acidentado, onde os riachos ornamentam a paisagem com corredeiras e cascatas de águas cristalinas, a exemplo da Cachoeira dos Cristais, distante cerca de 1,5 km de Biribiri,</p>
                        <p>A paisagem descrita é complementada por variedades endêmicas, exaltando um número de espécies não vistas em nenhum outro sítio do globo, conforme depoimento da Profa. Nanuza Menezes, da USP, e do Prof. Geraldo W. Fernandes, da UFMG.</p>
                        <p>Essa variedade de espécies é consequência da combinação latitudinal, da altitude, dos tipos de solo e das taxas pluviométricas da região, determinando desde a formação de matas ciliares densas e de grande porte até cerrados e campos rupestres que exaltam toda a beleza exóticas de arbustos floridos, ao lado de árvores tortuosas de pequeno porte, sustentados por tapetes de gramíneas e flores secas, a exemplo como das sempre-vivas.</p>
                        <p>Os registros arqueológicos, nos pacotes rochosos da Serra dos Cristais, não são menos espetaculares ou importantes que os demais aspectos descritos anteriormente. Nos paredões que margeiam a estrada, nas adjacências setentrionais da Cachoeira da Sentinela, pinturas de animais ressaltam a arte do povo que habitou essa região antes dos europeus</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B01">Abreu, 1996</xref>, p. 49).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Claudio Gomes possuía, em sua casa, uma ampliação de uma gravura de Rugendas da chegada de viajantes em Diamantina, pelo alto, ao lado da Serra dos Cristais, e escreveu uma análise da gravura sob vários aspectos do observador. Embora essa gravura não seja objeto desse ensaio, era uma importante referência para ele sobre a chegada em Diamantina e o reconhecimento de sua paisagem (<xref ref-type="fig" rid="f06">Figura 6</xref>).</p>
                <fig id="f06">
                    <label>Figura 6</label>
                    <caption>
                        <title>Gravura de Joahnn Moritz Rugendas – Caravana de viajantes à Diamantina.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf06.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Viard (1835). Disponível em: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_iconografia/icon94994/icon94994_144.jpg. Acesso em: 4 out. 2021.</attrib>
                </fig>
                <p>A partir de 2010, começou a colaboração da autora em sua pesquisa sobre Diamantina com a busca de informações e imagens na Biblioteca Nacional, no Arquivo Nacional e no Arquivo Central do IPHAN, no Rio de Janeiro. Nos dois primeiros acervos, havia parte do acervo da Casa dos Contos de Vila Rica (hoje Ouro Preto), que havia sido desmembrado em três arquivos, sendo o terceiro destino o Arquivo Público Mineiro. O IPHAN é o guardião do processo de tombamento do núcleo histórico de Diamantina, com pareceres de Lúcio Costa no processo, com as fotografias e os desenhos dos imóveis tombados de autoria de Sílvio de Vasconcelos, bem como do processo de declaração da cidade de Diamantina como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO (<italic><xref ref-type="fig" rid="f07">Figura 7</xref></italic>).</p>
                <fig id="f07">
                    <label>Figura 7</label>
                    <caption>
                        <title>Limite do perímetro tombado de Diamantina da “Proposta de inclusão de Diamantina na lista de patrimônio da humanidade”.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf07.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Foto da autora (ano), tirada no Arquivo Central do IPHAN no Rio de Janeiro.</attrib>
                </fig>
                <p>A participação da autora em sua pesquisa foi uma pequena colaboração de percursos que Claudio Gomes, de alguma maneira, já havia feito, mas, mesmo assim, solicitou que fosse refeito para a obtenção de cópias desses documentos. Isso foi de grande valia para o conhecimento desses acervos e ainda para que a autora conhecesse e visitasse internamente o edifício do Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro e, para que finalmente compreendesse a importância de Lúcio Costa na arquitetura brasileira, vivenciando um pouco de sua obra. Certamente foram visitas muito agradáveis ao IPHAN, sendo que a simplicidade e a singeleza da escrita de Lúcio Costa, nos pareceres relacionados ao tombamento de Diamantina, são motivo de orgulho diante de sua grandiosidade para o pensamento nacional.</p>
                <p>Além do roteiro a pé pela cidade de Diamantina, conheceu-se internamente a casa de Chica da Silva, onde se localiza a sede do escritório do IPHAN. O IPHAN recebeu então, como doação, um exemplar do caderno com o roteiro de viagem da pesquisa organizado com os roteiros e alguns desenhos de Claúdio Gomes, pois não havia ainda nenhum registro no IPHAN de seu trabalho (<xref ref-type="fig" rid="f08">Figuras 8</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f09">9</xref>).</p>
                <fig id="f08">
                    <label>Figura 8</label>
                    <caption>
                        <title>Vista da cidade e da Serra dos Cristais, Diamantina.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf08.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Foto da autora (2017).</attrib>
                </fig>
                <fig id="f09">
                    <label>Figura 9</label>
                    <caption>
                        <title>Mercado de Diamantina viagem de 2017.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf09.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Foto da autora (2017)</attrib>
                </fig>
                <p>A partir dessa viagem de 2017 e com uma visão inicial de Diamantina, foi possível entender melhor seus desenhos e textos e compreender o alcance de sua pesquisa. As páginas sobre Diamantina, no conjunto de cadernos, foram organizadas, num primeiro momento, em ordem cronológica. A partir da localização de um diálogo gravado com Claudio Gomes, ficou explícito o roteiro preliminar do projeto de seu livro. E, por esta razão, o projeto de publicação está sendo reformulado.</p>
                <p>Era projeto de Claudio Gomes transformar a pesquisa sobre Diamantina em livro – nos registros, encontram-se esboços do projeto desse livro. Chegou a descrever em alguns momentos como seriam os capítulos sendo que, em outros momentos, estava mais interessado em discutir e compartilhar seu conhecimento sobre os percursos que já havia feito, deixando um rastro de descobertas que estimulam a reflexão, como professor generoso que era, e sempre interessado na troca de opiniões.</p>
                <p>Numa das conversas antes de mudar-se para a cidade de Ribeirão Preto, disse que estava interessado nos limites entre ficção e realidade na literatura. Relia naquele momento, em 2014, o livro “O nome da Rosa” de Umberto Eco e seu projeto de livro contaria de outra maneira a história de amor de Chica da Silva e do contratador João Fernandes como pretexto para falar de Diamantina.</p>
                <p>O romance começaria com escavações que encontrariam os esqueletos dos corpos dos amantes entrelaçados e, a partir dessa imagem, contaria a história de Diamantina pela pesquisa sobre a história de amor entre a escrava Chica da Silva e o contratador. E assim começaria seu livro, falando da estrutura da paisagem e dos personagens mais famosos e simbólicos da formação de Diamantina. O roteiro básico desta publicação seria dividido em três partes: um capítulo sobre a paisagem da região de Diamantina, um capítulo sobre o sítio histórico, no momento da chegada dos portugueses, e um capítulo sobre as partes que constituem o desenho urbano.</p>
                <p>A imagem de 2011 a seguir é o registro mais recente encontrado em seus cadernos sobre o tema da cidade de Diamantina, mas de importante significado, pois apenas esta página encontra-se preenchida num pequeno caderno de capa dura, mas contém o nome do livro que desejava escrever: “<italic>Arraial do Tejuco: forma urbis</italic>”, daí sua importância (<xref ref-type="fig" rid="f10">Figura 10</xref>).</p>
                <fig id="f10">
                    <label>Figura 10</label>
                    <caption>
                        <title>Desenho de José Claudio Gomes; último registro do projeto do livro sobre Diamantina</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e245492-gf10.tif"/>
                    <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B03">Gomes (2011, caderno 14, folha 1)</xref>. Digitalização feita pela autora no âmbito da pesquisa acadêmica (2015).</attrib>
                </fig>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>José Claudio Gomes costumava dizer que “não havia nada fora da história”, e que os arquitetos deveriam compreender essa necessidade de entender a história de um lugar em sua prática profissional.</p>
            <p>A riqueza das informações contidas em uma conversa informal, sua didática e carisma foram um curso à parte de arquitetura, de urbanismo, de história da FAU, do pensamento e método de pesquisa em urbanismo, de história do Brasil e, particularmente, de Minas Gerais.</p>
            <p>Um dos produtos da pesquisa a ser realizado no médio prazo, relativo ao acervo e aos estudos do arquiteto e professor José Cláudio Gomes é a divulgação dos cadernos sobre Diamantina através de uma versão fac-similar.</p>
            <p>José Cláudio Gomes foi um professor generoso e aberto aos jovens e às novidades. Através de seus estudos e de sua amizade, muitos tiveram o privilégio de desfrutar de sua convivência, nos seus últimos anos de vida e, com sua permissão, alguns desses momentos foram registrados em vídeos ou áudios. Cláudio Gomes foi “o mestre” escolhido na FAU, aquele mestre que imprime uma visão que se persegue ao longo da vida profissional. Seus ensinamentos estão em inúmeros professores de diferentes universidades.</p>
            <p>Este ensaio pretende dar visibilidade à contribuição de José Cláudio Gomes para o estudo da cidade brasileira e divulgar a importância de sua pesquisa para a metodologia de decodificação dos elementos que compõem o desenho urbano. O conteúdo de seu acervo, que vem sendo disponibilizado aos poucos, contribuirá para que outros pesquisadores possam dar andamento às suas reflexões sobre a cidade. Esse acervo é fonte inesgotável de hipóteses sobre a leitura e o projeto da cidade a partir do desenho urbano nas suas diferentes escalas e dimensões.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>In memoriam ao professor José Claudio Gomes, à Universidade de São Paulo, à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, aos funcionários da Biblioteca da FAUUSP, aos bolsistas do Programa Unificado de Bolsas que participaram da pesquisa até o momento (Alunos bolsistas do PUB - USP: alunos da ECA/USP do curso de Biblioteconomia, Carlos Henrique Barreto da Silva, 2015 e Renata Silva Oliveira, 2015-2018. Alunos da FAUUSP, Vitoria Marchioretto de Paiva, 2016-2017, Natalia Gomes de Andrade, 2016-2017, Erica Saori Acamine, 2016-2017, Brunno Tolisani Resendes, 2017-2018, Flávia Miyuki Sonoda, 2017-2018, Paula Barreira Tavares, 2021-2022, Pedro Queiroz Rodrigues Ferreira 2021-2022, arquiteta pesquisadora voluntária Thais Nagata, Mariana Gomes Tomaz 2022-2023, Maria Rosa dos Santos Silva 2023). Agradecemos ainda à geógrafa pesquisadora voluntária, Tamires Araújo, que realizou o trabalho de digitalização da tese do professor José Cláudio Gomes.</p>
        </ack>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p><bold>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic>:</bold> Miranda, R. H. Cadernos de desenhos e notas de José Cláudio Gomes: Diamantina como objeto de estudo. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e245492, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a5492">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a5492</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="financial-disclosure">
                <label>Apoio/<italic>Support</italic></label>
                <p>Universidade de São Paulo, Programa Unificado de Bolsas (Edital PUB 2022-2023, Projeto 1916).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="financial-disclosure" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Artigo elaborado a partir de pesquisa e extensão “Memória docente: a biblioteca pessoal do arquiteto e a produção acadêmica do professor José Cláudio Gomes – FAUUSP”. Universidade de São Paulo, em andamento.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Segundo o livro organizado por <xref ref-type="bibr" rid="B09">Pereira (2008)</xref>, Claudio Gomes defende o doutorado pela Universidade de São Paulo (1973). Atualmente é Professor Assistente Doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimonio Histórico Arquitetônico Artístico e Turístico de São Paulo, Coordenador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo da área de Arquitetura, Professor Assistente Doutor MS3 da Universidade de São Paulo, Professor titular da Faculdade de Belas Artes de São Paulo e Professor Titular da Universidade Braz Cubas.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>A viagem foi realizada junto aos arquitetos Henrique Righetto Cangussu e Ana Claudia Cesar Cardia, ex-alunos e amigos de Cláudio Gomes. Foi através deles, colegas de turma da FAU, de 1975 a 1979, que me aproximei, durante a graduação, do professor Cláudio Gomes e por isso nós três fomos orientandos dele no TGI – Trabalho de Graduação Interdisciplinar, o trabalho de conclusão do curso no ano de 1979.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências</title>
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                    <date-in-citation content-type="access-date">25 out. 2021</date-in-citation>
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                    <year>2018</year>
                    <comment>Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)</comment>
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