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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.24220/2318-0919v21e2024a7187</article-id>
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                <article-title>O sagrado na paisagem: hierofanias do ambiente natural</article-title>
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                    <trans-title>Sacred in the landscape: hierophanies of the natural environment</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Duarte</surname>
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                    <role>Desenvolvimento do artigo</role>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Santiago</surname>
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                    <role>Orientou o desenvolvimento do artigo</role>
                    <role>Realizou a revisão do artigo</role>
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                <label>1</label>
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Centro Tecnológico</institution>
                <institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo</institution>
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                    <named-content content-type="city">Florianópolis</named-content>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Florianópolis, SC, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01"> Correspondência para/Correspondence to: D.R. Duarte. E-mail: <email>dduarte895@gmail.com</email>
                </corresp>
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                    <label>Editor</label>
                    <p>Renata Baesso</p>
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                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesse</label>
                    <p>Não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <year>2024</year>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O entendimento de sagrado acompanha a humanidade ao longo do tempo, em que sua leitura simbólica pode ser vista no ambiente natural através das paisagens. O presente artigo faz uma análise de cinco paisagens culturais que apresentam atributos naturais relacionadas com a visão de sagrado, na busca da identificação e do entendimento desses significados para seus povos nativos. Como base de dados, foram utilizados os arquivos elaborados para a inclusão dessas paisagens na lista de patrimônio mundial. Como método para tratamento de dados foi escolhido a Análise de Conteúdo. Como resultado, a pesquisa identifica as leituras individuais das paisagens com base nas características ambientais e diversos pontos em comum tanto nos atributos existentes nas paisagens como na leitura dos significados dos diferentes grupos culturais.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The understanding of sacred accompanies humanity over time, where its symbolic reading can be seen in the natural environment through landscapes. This article analyzes five cultural landscapes that have natural attributes related to the sacred, searching for the identification and understanding of these meanings for their native peoples. As a database, nomination files for the inclusion of these landscapes in the world heritage list were used. As a method for data processing, content analysis was chosen. As a result, the research identifies the individual readings of landscapes based on environmental characteristics as well as several common points in existing attributes in landscapes and also in the reading of the meanings though different cultural groups.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Ambiente natural</kwd>
                <kwd>Atributos da paisagem</kwd>
                <kwd>Características físicas</kwd>
                <kwd>Espaço sagrado</kwd>
                <kwd>Paisagem cultural</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Environmental physical features</kwd>
                <kwd>Landscape attributes</kwd>
                <kwd>Natural environment</kwd>
                <kwd>Physical characteristics</kwd>
                <kwd>Sacred space</kwd>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>O entendimento de sagrado acompanha a humanidade desde muito tempo, em que os registros da visão mítica que o ser humano atribui ao mundo são tão antigos quanto sua história. O humano se relaciona com o meio e dá valor às coisas como forma de identificar, interagir e coexistir em sua realidade. Frequentemente, o ambiente natural, em suas diversas expressões, é o meio relacional para essa identificação do humano com o sagrado, para expressar suas crenças e se relacionar com o mundo sobrenatural. Assim, paisagens sagradas são encontradas, ao longo do mundo, e estão vinculadas a diversas culturas diferentes. Muitas dessas culturas só sobrevivem devido ao seu forte vínculo com o espaço da paisagem e de seus atributos.</p>
            <p>Apesar de sua importância, as paisagens naturais sagradas estão sob crescente pressão por diversos fatores, entre eles, o desenvolvimento das cidades, do turismo e a expansão agrícola. Os conflitos atuais entre as diferentes necessidades das pessoas e da conservação da natureza estão exigindo planejamento democrático e melhores ferramentas de gestão. Locais sagrados para os povos indígenas, mesmo em países desenvolvidos, estão ameaçados e carecem de proteção.</p>
            <p>Nesses casos, a abordagem da paisagem como forma de garantir a conservação do patrimônio cultural parece ser a melhor ferramenta, já que compreende em si a complexidade tanto do patrimônio material como imaterial, e engloba o entendimento cultural sobre os bens naturais do espaço, proporcionando uma análise integrada. A abordagem a partir da paisagem, com o objetivo de conservação da cultura, é um conceito recente em sua aplicação e a legislação nacional sobre o tema ainda está em processo de maturação. A gestão da paisagem demanda um gerenciamento compartilhado como forma de acompanhar, e não impedir, as mudanças da paisagem, sem perder seus significados para os povos que lá habitam ou dela necessitam. Assim, esta abordagem tem apresentado diversos desafios que exigem uma nova visão para considerar a evolução das paisagens. Dada a importância e a fragilidade das paisagens naturais sagradas, é necessário garantir um gerenciamento mais eficiente. Para tanto, deve ser reconhecida a legitimidade dos valores sagrados da natureza, trabalhando em cooperação com as populações nativas para garantir que os valores espirituais e culturais sejam efetivamente preservados dentro dessas áreas.</p>
            <p>Acredita-se que a identificação dos atributos físicos relevantes (que trazem em si elementos simbólicos e propiciam a conexão do humano com o sagrado) podem contribuir como base teórica na gestão de paisagens culturalmente significativas. Buscando entender melhor a composição e os significados dos elementos naturais da paisagem sacra para diferentes comunidades, foram estudados cinco locais. As paisagens de Papahanaumokuakea, nos Estados Unidos, Uluru-Kata Tjuta, na Austrália, Tongariro, na Nova Zelândia, Pimachiowin Aki, no Canadá, e Tran An, no Vietnã, foram avaliadas na busca de similaridades de ocorrência de elementos naturais e de seus valores culturais.</p>
            <p>O estudo se inicia com uma breve revisão de literatura sobre os conceitos, seguido da exposição dos procedimentos metodológicos utilizados. Posteriormente, são colocados os resultados das análises individuais e de conjunto com suas discussões e, ao final, são listadas as conclusões da pesquisa.</p>
            <sec>
                <title>Paisagens e o sagrado</title>
                <p>O entendimento de sagrado está vinculado ao que é diferente do mundo normal, do tradicional, do comum, que é chamado de profano (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade, 1999</xref>). Ao longo da história humana, a religião tem sobrevivido às drásticas mudanças econômicas e sociais e ainda permanece com tenacidade e grande capacidade de infiltração. A onipresença e sua persistência, ao longo do tempo, indicam que a religião preenche uma necessidade humana, sendo parte da característica natural do ser humano. A experiência da sacralidade implica em um sentimento de transcendência para fora das condições do lugar-comum e da normalidade. Um espaço sagrado pode projetar experiências nas quais características físicas se transformam em sentimentos carregados, metafisicamente, de realidade transcendental e significados espirituais (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Pallasmaa, 2015</xref>). Esses ambientes são de inspiração, revelação, cura, reverência e comunhão com a natureza, em que podem ocorrer cerimônias e rituais. Existem diversas escalas de abrangência do espaço sagrado, no qual alguns sítios podem ser reconhecidos a nível global, enquanto outros são conhecidos por apenas pequenos grupos sociais ou grupos limitados de indivíduos (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Thorley; Gunn, 2007</xref>).</p>
                <p>Desde muito tempo, comunidades aprenderam a respeitar o poder dos elementos naturais, estabelecendo também relações sagradas e espirituais com a natureza e a diversidade que são transmitidas através da paisagem (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Niglio, 2018</xref>). Na atualidade, muitas comunidades nativas continuam a considerar a natureza como uma experiência espiritual, na qual a relação com essas paisagens é permeada de sentimentos de reverência, paz, humildade, gratidão, harmonia, unidade, pertencimento e identidade. Os valores sagrados ou o significado de uma paisagem servem como catalisadores para diferentes formas de identidade local. As florestas sagradas e sua preservação pelas populações locais, por meio da cultura, formam o caráter identitário de tais comunidades.</p>
                <p>Conforme a<xref ref-type="bibr" rid="B37"> Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (2019)</xref>, a paisagem abarca uma grande variedade de manifestações interativas entre a humanidade e o seu ambiente natural. Frequentemente, refletem técnicas específicas de utilização sustentável dos solos, tomando em consideração as características e os limites do ambiente natural em que são estabelecidas, bem como uma relação espiritual específica com a natureza. A proteção das paisagens pode contribuir para o uso sustentável das terras e para manter ou reforçar os valores naturais da paisagem.</p>
                <p>Na década de 1920, a geografia estabelecia a diferença entre paisagem natural e cultural, em que a área original era a paisagem natural e, com a interferência física do ser humano, ao longo do tempo, tornava-se uma paisagem cultural. Essas definições evoluíram com o passar do tempo para conceitos mais dinâmicos, em que a paisagem é vista como a união de diversas esferas. Enquanto na geografia física prevalece um entendimento da paisagem como sistema ecológico, a geografia humana aponta mais em uma abordagem interpretativa. Abre-se, dessa forma, no entendimento da paisagem, uma dialética entre o concreto e o abstrato, seja em termos materiais ou de significação (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Schier, 2003</xref>). Assim, é possível haver interações culturais com uma paisagem e esta ainda continuar a ser entendida como uma paisagem natural, pois suas características físicas naturais permanecem, significativamente, presentes.</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B20">Mu (2015)</xref> aponta que as paisagens sagradas envolvem uma estrutura complexa que transcende o contexto religioso e incorpora todas as características espirituais, físicas e culturais de uma paisagem. Estas devem incorporar crenças espirituais abstratas às estruturas físicas do local sagrado, aliadas a rituais que reforçam a crença. Com isso, a paisagem sagrada engloba várias formas de interação entre o reino dos seres humanos e o transcendente. A paisagem sagrada incorpora histórias, mitos, lendas, rituais e valores espirituais que estão profundamente enraizados na cultura e tradição local. O forte apego emocional e a conexão espiritual que os moradores locais têm com a paisagem derivam de seu contato frequente e da experiência com a paisagem no cotidiano (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Mu, 2015</xref>). A perspectiva desses grupos humanos, em relação a uma paisagem sagrada, vai além das características tangíveis da paisagem, em uma conexão com sua identidade e herança cultural compartilhada.</p>
                <p>Considerando a classificação das paisagens estabelecida pela <xref ref-type="bibr" rid="B37">Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (2019)</xref>, a paisagem natural sagrada está dentro do entendimento de Paisagem Cultural Associativa, que abrange os locais com poderosas associações religiosas, artísticas ou culturais do elemento natural. Neste enquadramento, as evidências culturais materiais podem não ser tão representativas ou até estarem ausentes. A paisagem é compreendida aqui muito mais pela associação simbólica da humanidade com o ambiente do que pela alteração física do ambiente.</p>
                <p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B16">Irani Behbahani, Shirazd e Momeny (2011)</xref>, nas paisagens naturais sagradas existe uma forte sinergia entre a biodiversidade e a cultura. A natureza produz luz, ar, comida e água em processos dinâmicos necessários para a sobrevivência dos seres humanos, em que existe uma relação simbiótica entre diversidade biológica e cultural. Esse relacionamento é um fator importante para garantir o desenvolvimento humano sustentável. Os autores colocam que essa consciência da vida na natureza como pré-condição para a sobrevivência humana levou ao culto à luz, ao ar, à comida e à água. Os mesmos autores, ao estudarem o caráter da paisagem sagrada de Seydan, no Irã, identificam que os aspectos naturais mais significativos do local são as montanhas, as águas correntes e densa cobertura vegetal. Já <xref ref-type="bibr" rid="B40">Wild e McLeod (2008)</xref> mostram a ligação dos espaços naturais sagrados com a beleza, entendendo que a estética pode ser fator gerador da conexão com o sagrado, atribuídos valores espirituais ou de poder. Paisagens dramáticas, formações rochosas imponentes, montanhas, cachoeiras, árvores centenárias, todos esses aspectos da natureza podem mexer com o espírito. A beleza e o poder da natureza são temas recorrentes em culturas que valorizam locais e paisagens sagradas.</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B30">Rosendahl (1996)</xref> coloca que o humano consagra o espaço porque tem a necessidade de viver em um mundo sagrado. Segundo ela, é possível definir o espaço sagrado como um campo de forças e de valores que eleva o ser humano religioso acima de si mesmo, que o transporta para um meio distinto daquele no qual transcorre sua existência. <xref ref-type="bibr" rid="B29">Rosendahl (2018)</xref> indica que é possível distinguir dois elementos fundamentais no espaço sagrado: o “ponto fixo” e o seu entorno. O “ponto fixo” é o <italic>locus</italic> da hierofania e, como tal, é reconhecido por indivíduos e grupos de devoção. O entorno é a área vivamente utilizada para o crente realizar suas práticas religiosas e o roteiro devocional.</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B13">Frascaroli <italic>et al</italic>. (2019)</xref>, em seus estudos, investigaram características da paisagem em Sítios Naturais Sagrados na Itália. Os autores avaliaram a localização e as características de relevo desses sítios, confrontando com dados de áreas de proteção ambiental. Os autores identificaram a presença de 2.332 desses sítios, que são mais frequentemente associados a paisagens culturais em elevações baixas e médias e em ambientes extensivamente agrícolas e periurbanos.</p>
                <p>Um importante estudo sobre Sítios Naturais Sagrados no Brasil foi desenvolvido por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Fernandes-Pinto e Irving (2018)</xref>. A partir da literatura, as autoras mapearam 60 locais em que elementos naturais são imbuídos de sacralidade. Os sítios sagrados estão distribuídos por 14 estados brasileiros, envolvendo crenças católicas, religiões de matrizes africanas e associações com povos indígenas, populações quilombolas, agricultores e pescadores artesanais. Os Sítios Naturais Sagrados brasileiros apresentam grande variedade de feições morfológicas, como: grutas; elevações montanhosas, grandes afloramentos rochosos, áreas de vegetação nativa, fontes de córregos e cachoeiras.</p>
                <p>Nota-se que, na literatura, os conceitos de sítio e paisagem sagrada se confundem, sendo analisados em um conceito integrado e muitas vezes sobreposto. Para melhor entendimento, neste estudo delimitou-se o conceito de Sítio Natural Sagrado como o ambiente físico em sua menor escala, o espaço primário do sagrado, muitas vezes entendido de forma estática. Um pequeno bosque ou locais específicos como uma gruta, uma rocha ou uma corredeira, com seu entorno imediato, podem ser incluídos nessa classificação de sítios naturais sagrados, quando o ser humano faz a relação destes lugares com o transcendente. Já a Paisagem Natural Sagrada pertence a uma escala maior, considerando a interação dos povos com o lugar em uma escala de tempo. Assim, definiu-se a Paisagem Natural Sagrada como uma porção peculiar do território que mantém suas características físicas e biológicas naturais, em que um ou mais grupos humanos, ao longo de sua evolução, atribuíram valores relacionados ao sagrado, à cosmologia ou ao transcendente. A paisagem natural sagrada engloba as expressões de seu povo em relação ao sagrado, as relações humanas com o ambiente e sua expressão cultural, que também é resultado desse entorno. As formas de viver humanas, suas representações dos mitos, os rituais exercidos, as relações com os outros seres viventes (animais e plantas) e não viventes (rochas, relevo, corredeiras <italic>etc</italic>.) e os saberes passados de geração a geração são todos parte do entendimento desta paisagem.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Procedimentos Metodológicos</title>
            <p>A pesquisa é de caráter exploratório e se utiliza de dados contidos nos documentos relacionados às paisagens culturais que compõem a Lista de Patrimônio Mundial junto à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Para a pesquisa, foram selecionadas todas as paisagens culturais que apresentam uma relação dos elementos naturais com o sagrado para seu povo nativo (ver <xref ref-type="table" rid="t01">Quadro 1</xref>). A partir dos documentos de nominação, dispostos nos arquivos da UNESCO (disponíveis no <italic>site</italic>
                <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://whc.unesco.org">https://whc.unesco.org</ext-link>), foi utilizado o método de Análise de Conteúdo para tratamento dos dados de cada paisagem. As análises individuais focaram em destacar: (a) os elementos do ambiente natural identificados como importantes na relação com o sagrado naquela paisagem, (b) os significados de cada elemento e (c) se eles são entendidos em conjunto para compreensão do sagrado. Já as comparações entre paisagens buscavam: (a) existência ou não de repetição dos elementos, (b) similaridades de significados nos elementos repetidos e (c) similaridade de conjuntos de elementos.</p>
            <table-wrap id="t01">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Lista de paisagens da amostra.</title>
                </caption>
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                            <th>n.</th>
                            <th>Paisagem</th>
                            <th>País</th>
                            <th>Ano de Inscrição</th>
                            <th>Numeração de Referência <break/> da Lista de Patrimônio Mundial</th>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>1</td>
                            <td>Papahanaumokuakea</td>
                            <td>Estados Unidos</td>
                            <td>2010</td>
                            <td>1326</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>2</td>
                            <td>Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta</td>
                            <td>Australia</td>
                            <td>1987, 1994</td>
                            <td>447rev</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>3</td>
                            <td>Parque Nacional Tongariro</td>
                            <td>Nova Zelândia</td>
                            <td>1990, 1993</td>
                            <td>421bis</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>4</td>
                            <td>Pimachiowin Aki</td>
                            <td>Canadá</td>
                            <td>2018</td>
                            <td>1415rev</td>
                        </tr>
                        <tr align="center">
                            <td>5</td>
                            <td>Complexo Paisagístico de Trang An</td>
                            <td>Vietnam</td>
                            <td>2014</td>
                            <td>1438bis</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn>
                        <p>Fonte: Elaboração de Daiane Romio Duarte a partir de dados disponíveis no site https://whc.unesco.org, 2022.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
        </sec>
        <sec sec-type="results|discussion">
            <title>Resultados e Discussão</title>
            <p>Os resultados e as discussões serão colocados, primeiramente, de forma individual, separados por paisagem analisada. Todas as descrições e caracterizações são extraídas dos documentos originais de nominação de cada paisagem. Depois de colocadas as discussões individuais, são discorridas as comparações dos resultados entre as cinco paisagens. Ao final. são feitas análises comparativas de conjunto de elementos.</p>
            <sec>
                <title>Papahanaumokuakea</title>
                <p>A paisagem de Papahanaumokuakea contempla uma sequência de ilhas vulcânicas em local isolado, referenciadas a partir do Trópico de Câncer e com abundância de vida, tanto em quantidade, quanto em diversidade, que faz com que este local seja reconhecido como especial e com forte associação ao sagrado (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>). Por essas características, a ilha de Mokumanamana é entendida como a divisa entre o mundo da escuridão e o mundo dos viventes. O mundo para além da divisa, contido em Papahanaumokuakea, é o lugar do divino, origem e fonte de vida em abundância, o qual é dever humano de manter e cuidar. Esta visão de local sagrado está intimamente ligada à relação de respeito à natureza, às estruturas geológicas e a todos os seres, estabelecida pelo povo havaiano. Todos os seres são entendidos como uma única família evoluída, a partir de uma forma mais primitiva de vida. Os ancestrais se comunicam com os viventes, nessa região, através dos sinais na natureza (céu, mar, animais <italic>etc</italic>.) e os humanos devem ter a responsabilidade de manter o conhecimento e zelar pela natureza em equilíbrio (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>).</p>
                <p>Em Papahanaumokuakea, a paisagem oceânica é uma forte característica, em que a vastidão predomina tanto para o céu quanto para o mar. A terra, apresentada em forma de ilhas rochosas com modesta incidência de vegetação, forma pontos referenciais em meio ao oceano (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>). Essas formas (pequenas ilhas rochosas) destacadas na vastidão do oceano podem ser entendidas como uma ruptura de nível, na qual o espaço é percebido de forma não homogênea e uma experiência primordial, como descreve <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>. <xref ref-type="bibr" rid="B40">Wild e Mcleod (2008)</xref> complementam que paisagens dramáticas, formações rochosas imponentes podem trazer o caráter sagrado ao espaço. Assim, as ilhas tornam-se espaços qualitativamente diferentes, caracterizando-se em espaços sagrados.</p>
                <p>O deslocamento entre as ilhas é desafiador (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>) e este processo pode ser visto como uma provação ou um ritual iniciático ligado à dificuldade de passagem, como forma de se tornar digno de entrar no local sagrado, como descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref> e por <xref ref-type="bibr" rid="B04">Carvalho (2014)</xref>. A ilha de Mokumanamana, localizada na latitude do Trópico de Câncer, onde o sol fica por mais tempo durante o período de solstício, estabelece os limites do mundo divino e do mundo dos viventes, se tornando a linha divisória e o local de encontro dos dois mundos. Os alinhamentos de pedra orientados para o solstício de Mokumanamana e Nihoa afirmam a importância desses ciclos naturais para os havaianos e exaltam a qualidade dessas ilhas (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>). Esse fato vai ao encontro das colocações de <xref ref-type="bibr" rid="B02">Burkert (1996)</xref>, quando este afirma que os humanos podem adicionar marcos à paisagem, que a manipulação ou a marcação de componentes sólidos, como as rochas, identificam a presença humana, demarcando caminhos e dando um senso de familiaridade à paisagem.</p>
                <p>A diversidade e a abundância das diversas formas de vida são características marcantes que, mesmo as espécies comuns a outros lugares, são encontradas em tamanho maior nesta região (<xref ref-type="bibr" rid="B33">State of Hawai‘I, 2009</xref>). Os nativos havaianos entendem a natureza como fonte de conhecimento, uma sabedoria que pode ser acessada através da conexão e do respeito com os seres viventes e as estruturas geológicas. A responsabilidade de cuidar da natureza como uma grande e única família é aceita pelos nativos havaianos, com a visão de que tudo está relacionado.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Uluru – Kata Tjuta</title>
                <p>A região central australiana, onde se encontra o Parque Nacional Uluru-Kata Tjuta, é caracterizado por vastas planícies de solo vermelho de clima desértico, em que a monotonia da paisagem é quebrada por enormes saliências de rocha e dois locais específicos: Uluru e o conjunto de Kata Tjuta. A profunda interação do povo Anangu com seu ambiente, resultado da adaptação milenar ao ambiente do deserto, permitiu que estes povos desenvolvessem modos de vida baseados em fontes de água, sendo uma das poucas culturas caçadoras-coletoras contemporâneas (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>).</p>
                <p>Os monólitos de cor avermelhada de Uluru e Kata Tjuta se destacam na paisagem e propiciam habitats e microclimas específicos (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>). As formas rochosas que se destacam na paisagem plana do deserto podem ser entendidas como uma ruptura de nível, espaço não heterogêneo e uma experiência primordial segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>. O destaque na paisagem é também descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lynch (1997)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B02">Burkert (1996)</xref> como marco referencial do território e de hierarquia superior, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B06">Ching (2013)</xref>.</p>
                <p>As centenas de pinturas rupestres encontradas nas faces de rocha e abrigos dos monólitos guardam a história e a cultura do povo Anangu e suas ocorrências estão fortemente associadas aos lugares ao sagrado (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B02">Burkert (1996)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B08">Claval (2007)</xref>, o ser humano acrescenta marcações nos ambientes como forma de identificar a presença humana no ambiente e acrescentar significados ao espaço.</p>
                <p>Nos períodos de chuva, as extensas superfícies rochosas coletam, direcionam e armazenam água, fazendo com que as regiões próximas tenham fauna e flora mais prolífera no seu entorno. Diversas espécies de plantas e animais subsistem de forma endêmica no local, dependendo desse restrito ecossistema (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>). Nessa paisagem, diversos animais e plantas são considerados seres portadores dos espíritos ancestrais e guardam os lugares importantes para a sobrevivência da vida, como as fontes de água. O povo Anangu é extremamente dependente da fauna e da flora existente na natureza, já que sobrevivem da caça e coleta de alimentos (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>).</p>
                <p>Kaplan e <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kaplan (1989)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B36">Ulrich (1984)</xref> indicam que a presença de água é um fator importante para aumentar a qualidade do ambiente, sob o ponto de vista humano. Aliada a isso, está a teoria de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Gibson (1986)</xref>, que sustenta que a qualidade do ambiente para o humano é avaliada na medida que o ambiente atende às necessidades humanas para sua sobrevivência. Assim, pode-se entender que as áreas de Uluru e Kata Tjuta e redondezas apresentam qualidades elevadas em relação ao seu entorno, já que oferecem fonte de água, fauna e flora mais abundante, resultando em melhores condições de sobrevivência.</p>
                <p>O povo Anangu se utiliza de caminhos que interligam os locais sagrados, cujo acesso é restrito a determinados grupos (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>). A forma de gestão da área através da Lei Tjukurpa expressa o alto nível de conexão do povo com sua terra, explicitando e garantindo a permanência do elo afetivo entre os humanos e o ambiente físico circundante, como visto nas teorias de <xref ref-type="bibr" rid="B35">Tuan (1980)</xref> e seu conceito de “topofilia”.</p>
                <p>A paisagem do deserto vermelho com a presença marcante dos monólitos, mostra uma beleza única, incomparável a outros locais do mundo (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Director of National Parks, 2010</xref>). Esse fato também pode contribuir para a visão de sagrado, que <xref ref-type="bibr" rid="B01">Brown (2019)</xref> afirma que beleza pode estar ligada ao sagrado e <xref ref-type="bibr" rid="B38">Untea (2020)</xref> pondera que a beleza na natureza pode gerar sentimentos significativos, fazendo que se perceba a beleza como sagrada e perene. Nessa questão, é necessário mencionar que os monólitos são formações rochosas que, na literatura, também estão ligadas ao sentimento de poder, firmeza, permanência e ao transcendente (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade, 1999</xref>). Portanto, tanto pelo destaque na paisagem de grande beleza, quanto pela presença de água e formas de vida (animais e plantas), Uluru e Kata Tjuta formam espaços qualitativamente diferentes, podendo ser destacados da normalidade da paisagem e do ambiente circundante.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Tongariro</title>
                <p>O conjunto de vulcões ativos que forma o Parque Nacional de Tongariro representa, para os nativos, a força da natureza perante a fragilidade do homem, em que se está expresso o sagrado. O poder e a força dos vulcões estão sempre presentes, sendo necessário o monitoramento da região para as atividades vulcânicas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">New Zealand, 2006</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B28">Pungetti e Cinquepalmi (2012)</xref> confirmam esta colocação quando estabelecem que vulcões, com seu contorno distinto e cumes perigosos são considerados sagrados para determinadas populações. Dessa forma, a essência do sagrado pode ser gerada pela sensação de espanto e medo causada pelo vulcão. Vale lembrar a colocação de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>, em que o sagrado equivale ao poder e que o divino, no espaço, mostra-se em relações não homogêneas. Além disso, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Durkheim (1996)</xref> afirma que tudo que é retirado do uso comum passa a compreender um ideário de divinização.</p>
                <p>Em Tongariro, o terreno plano do entorno contrasta com a região central montanhosa com todas suas características peculiares, de onde vem o poder do fogo e surgem os rios que propiciam a vida. A combinação entre montanhas no coração da ilha, lagos, rios, pedras e relevo plano ao redor forma a paisagem de grande beleza. Na visão Maori (povo indígena da Nova Zelândia), todos os elementos estão interligados, fazendo com que todo o ambiente seja entendido como conjunto e parte essencial para a harmonia da natureza. Os deuses e os ancestrais representados nos vulcões contêm as forças espirituais que comandam e dão vida ao mundo natural (<xref ref-type="bibr" rid="B22">New Zealand, 2006</xref>).</p>
                <p>É nesse cenário, na junção das condições severas dos cumes com a docilidade da vida no planalto, que o povo Maori entende a vida na terra como uma dádiva (<xref ref-type="bibr" rid="B22">New Zealand, 2006</xref>). Esse contraste claro entre o local da vida cotidiana e o espaço isolado e de difícil acesso pode dar o senso de sagrado ao local (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Durkheim, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade, 1999</xref>). Assim, a vida cotidiana, agitada e profana, separa-se do sagrado, localizado nos cumes, onde há solidão, quietude e poder. A presença significativa de água nas montanhas através de grande quantidade de lagos, córregos e rios que correm em direção à área plana favorecem a vida na planície. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>, as fontes de água vindas das montanhas podem ser vistas como uma força divina.</p>
                <p>A localização das montanhas vulcânicas, no centro da Ilha do Norte, está associada, para o povo Maori, ao coração. Dessa forma, o coração humano está conectado ao centro da terra e os dois entes (vulcão e ser humano) fazem parte de um só. Essa ideia reforça a leitura de que toda a criação foi realizada pelo encontro do Céu (<italic>Ranginui</italic>) e da Terra (<italic>Papatuanuku</italic>), em que as montanhas foram os primeiros filhos e o ser humano o último dos descendentes. Com isso, toda a natureza apresenta relações de parentesco, estando intimamente relacionadas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">New Zealand, 2006</xref>).</p>
                <p>O conjunto da paisagem de Tongariro forma uma beleza cênica extraordinária, gerada pelos contrastes do céu com as montanhas e o planalto de terra (<xref ref-type="bibr" rid="B22">New Zealand, 2006</xref>). Aqui também vale citar que a beleza da paisagem pode emanar conexão com o transcendente, gerando sentimentos significativos e trazendo a percepção de sagrado e perene (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Brown, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Untea, 2020</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Pimachiowin Aki</title>
                <p>Pimachiowin Aki cobre uma enorme área territorial e se estabelece no coração do Escudo Boreal norte-americano. É uma região distante dos grandes centros, com limitações de acesso, onde o rigoroso clima impõe suas limitações e adaptações dos seres vivos para sobrevivência. Pimachiowin Aki significa “terra que dá vida”, na qual a terra é entendida pelo povo nativo como um todo, em que tudo está em equilíbrio e é fonte de vida (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). A terra, com tudo que nela habita, é um presente do Criador, é seu jardim sagrado, onde todos os seres têm um papel, uma responsabilidade, para manter a harmonia e desfrutar de uma boa vida. Ao fazer esse trabalho designado e tratar com respeito os outros seres, toda criatura honra seu Criador e mantém a abundância em torno de si e dos demais. O Povo Ojíbue é inseparável do aki, onde está o centro de sua existência (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). Essa visão confirma a teoria de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Gibson (1986)</xref>, em que o homem avalia a qualidade ambiental, de acordo com a capacidade do ambiente de atender suas necessidades de sobrevivência.</p>
                <p>Para o povo nativo, os cursos d’água são o sangue vital do aki. É o que propicia a vida, garante alimento e conecta todos os seres e lugares. Toda a água é sagrada, mas também alguns lugares específicos de corpos d’água são locais de respeito, como algumas corredeiras (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). Esse entendimento da água como um bem sagrado está de acordo com a teoria de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref> que afirma que as águas podem simbolizar a essência da vida e de todas as suas potencialidades. As águas também proporcionam os caminhos e a mobilidade para o povo de Pimachiowin Aki. Os caminhos são desafiadores, mas necessários para a sobrevivência (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B04">Carvalho (2014)</xref> menciona os caminhos como parte do sagrado, pois são nas dificuldades do caminho que o ser humano adquire as qualidades necessárias para entrar no local sagrado. Os caminhos que ligam o lugar comum ao espaço sagrado participam do processo de transformação humana e se tornam parte do sagrado (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Cianca, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B04">Carvalho, 2014</xref>)</p>
                <p>Algumas ilhas em Pimachiowin Aki são sagradas. São locais reservados, de isolamento, em que é possível fazer um afastamento das atividades cotidianas para execução dos rituais (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). Essas ilhas também podem ter seu espaço entendido como uma ruptura de nível, tornam-se espaços qualitativamente diferentes, como descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>. São áreas que se sobrepõem aos vastos planos de água, dando o caráter de marco na paisagem (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Lynch, 1997</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B02">Burkert, 1996</xref>) e, ao mesmo tempo, proporcionando o isolamento necessário às atividades sagradas. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B06">Ching (2013)</xref>, as ilhas podem ser vistas como uma hierarquia superior, devido ao seu destaque na paisagem.</p>
                <p>As rochas desempenham um papel essencial na caracterização do espaço sagrado de Pimachiowin Aki, nas quais atuam, principalmente, em conjunto com a presença de água e com o céu. Desde conjuntos de rochas organizadas em formato de pilhas, pequenas cavernas, além de encostas e falésias são consideradas sagradas, em que cada uma exerce um diferente papel na associação com seres sobrenaturais (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). Essa visão corrobora com o descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B19">Moura Neto (2009)</xref> que explicam que os humanos atribuem a determinadas formações rochosas uma condição de sacralidade.</p>
                <p>O céu é reconhecido, nessa paisagem, como morada de seres sagrados e de seus ajudantes. É dos céus que provém forças sobrenaturais, como as chuvas e os relâmpagos, que geram o fogo e proporcionam a renovação da terra (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Pimachiowin Aki World Heritage Project, 2016</xref>). Na bibliografia, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref> confirma a ligação do céu com o sagrado. Este autor também descreve a associação do voo pelo céu (nessa paisagem, visto como o voo do Pássaro Trovão e pela águia careca) como modo de ser sobre-humano, ligado ao magnífico e ao divino.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Trang An</title>
                <p>Os característicos picos de rocha do relevo de Trang An (promovem proteção e isolamento físico, em relação às demais regiões e é entendido como o coração do Vietnã (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>;<xref ref-type="bibr" rid="B24"> Ninh Binh, 2013</xref>). Os picos podem ser entendidos como espaços de ruptura de nível e experiência primordial, como mencionado por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>. <xref ref-type="bibr" rid="B40">Wild e Mcleod (2008)</xref> afirmam que paisagens dramáticas e formações rochosas imponentes, como as encontradas em Trang An, podem trazer o caráter sagrado ao espaço. Há um forte entendimento de território defendido e protegido (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>;<xref ref-type="bibr" rid="B24"> Ninh Binh, 2013</xref>). Aqui cabe lembrar a teoria de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Gibson (1986)</xref>, que coloca que a qualidade do ambiente é avaliada na medida em que o ambiente atende às necessidades humanas para sua sobrevivência.</p>
                <p>As cavernas existentes nos rochedos promovem espaços de proteção e segurança, onde o ser humano tem se refugiado desde os tempos da pré-história. Em Trang An, diversas cavernas são lugares de culto e veneração e suas qualidades ambientais se referem a espaço misterioso, de conexão entre a luz natural e a escuridão do subterrâneo (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>). Os autores <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Panzini (2013)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sponsel (2015)</xref> colocam que as cavernas são percebidas pelo ser humano como locais diferenciados que fazem a interface entre o natural e o sobrenatural, facilitando a perspectiva holística. <xref ref-type="bibr" rid="B05">Cassirer (2004)</xref> confirma que os contrastes de luz despertam o sentimento e a visão mítica.</p>
                <p>As planícies de Trang An proporcionam espaços de plantio para a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, fornecem caminhos, seja por terra ou pela água. Os extensos córregos e lagos das planícies, com suas águas calmas formam uma complexa rede de conexões entre os diversos lugares da paisagem (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>). Tanto os autores Kaplan e <xref ref-type="bibr" rid="B17">Kaplan (1989)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B36">Ulrich (1984)</xref> afirmam que a presença de água aumenta a qualidade do ambiente percebido pelo humano. As águas calmas trazem sensação de tranquilidade ao povo local e visitantes. <xref ref-type="bibr" rid="B21">Nasar e Li (2004)</xref> identificam que águas calmas propiciam sensação de harmonia e tendem a prender a atenção do observador em relação a água corrente. As águas de Trang An também fornecem alimento, como peixes e caranguejos, que sustentam a vida humana no ambiente (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>).</p>
                <p>O céu também é um componente significativo na paisagem de Trang An. Quando está em névoa, proporciona uma sensação de maravilha e mistério. Ao prover a chuva, garante o abastecimento de água da paisagem, que está isolada das demais redes hidrográficas. Quando o céu está em tom azul, produz uma bela composição de cores em conjunto com os picos, as florestas e as rochas (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B38">Untea (2020)</xref> afirma que a sensação de fascínio e mistério, ocasionadas pela percepção da natureza e de uma paisagem majestosa, pode ser associada ao sagrado. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B25">Nurfaida <italic>et al</italic>. (2019)</xref>, a paisagem dominante de céu azul passa a sensação de frescor, calma e conforto.</p>
                <p>A paisagem de Trang An mostra grande beleza cênica, seja a partir da planície ou do alto dos picos rochosos, em que seu povo encontra a conexão com a natureza e com o sagrado. Sua paisagem, protegida e calma, produz uma sensação de tranquilidade tanto para o povo local quanto para os visitantes (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vietnam, 2014</xref>). É válido lembrar que <xref ref-type="bibr" rid="B15">Horster (2010)</xref> associa o sagrado à tranquilidade, à beleza extraordinária, à abundância e à fertilidade, como é encontrado em Trang An. A ocorrência de névoa, na paisagem de Trang An, também corresponde ao encontrado na pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Nurfaida <italic>et al</italic>. (2019)</xref>, que constataram os picos cobertos de nuvens apresentam uma alta qualidade cênica.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Comparações entre as paisagens</title>
                <p>Os elementos naturais identificados como significativos para a leitura do sagrado em cada paisagem foram agrupados para fins de análise. As informações tabuladas estão contidas na <xref ref-type="table" rid="t02">Tabela 1</xref>, na qual os elementos naturais relacionados ao sagrado presentes nas paisagens (aqui chamados de atributos da paisagem) repetem-se em parte dos casos.</p>
                <table-wrap id="t02">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Agrupamento dos atributos das paisagens analisadas</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="rows">
                        <thead>
                            <tr align="center">
                                <th rowspan="2"> n.</th>
                                <th rowspan="2"> Atributos</th>
                                <th colspan="5"> Paisagem onde ocorre</th>
                                <th rowspan="2"> FREQ.</th>
                            </tr>
                            <tr>
                                <th>Papahanau<break/>mokuakea</th>
                                <th>Uluru-Kata Tjuta</th>
                                <th>Tongariro</th>
                                <th>Pimachiowin Aki</th>
                                <th>Trang An</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#B4B2B2">1</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">Terra (território e solo)</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#B4B2B2">2</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">Rochas</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#B4B2B2">3</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">Encostas e Penhascos</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#B4B2B2">4</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">Água Doce</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">Caminhos</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#B4B2B2">5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">6</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Beleza</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">7</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Montanhas e Picos</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">8</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Céu</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">9</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Centralidade</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">10</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Vida</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">11</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Animais</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">12</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Fogo</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">13</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Ambiente inóspito</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">14</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Paisagem de Contraste</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">15</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Vastidão</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">16</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Isolamento</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#D6D5D4">17</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">Registros Arqueológicos</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#D6D5D4">4</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#E9E9E9">18</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">Relevo Plano</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">3</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#E9E9E9">19</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">Ilha</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">3</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#E9E9E9">20</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">Cavernas e Reentrâncias</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">3</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#E9E9E9">21</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">Mar</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">3</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td style="background-color:#E9E9E9">22</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">Plantas e Florestas</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td style="background-color:#E9E9E9">3</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>23</td>
                                <td>Vulcão</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>2</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>24</td>
                                <td>Contraste de Luz (Luz x Escuridão)</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>2</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>25</td>
                                <td>Orientação geográfica</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td style="background-color:#CAE8DC">X</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>2</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>&nbsp;</td>
                                <td>SOMA</td>
                                <td>20</td>
                                <td>18</td>
                                <td>19</td>
                                <td>18</td>
                                <td>19</td>
                                <td>&nbsp;</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn>
                            <p>Fonte: Daiane Romio Duarte (2022).</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Os atributos encontrados em todas as cinco paisagens analisadas são: Terra, Rochas, Encostas e Penhascos, Água Doce e Caminhos. Assim, as cinco paisagens analisadas são similares, na visão integrada da terra, como um espaço que é, ao mesmo tempo, território, base para a vida humana e fonte de conhecimento. Variados nomes (Papahanaumoku, Ngura, Papatuanuku, Aki) expressam esse entendimento do ser humano como parte de um todo complexo e em equilíbrio. Em todas elas, as rochas também exercem um papel fundamental na paisagem, na qual as encostas e penhascos trazem uma marcante dramaticidade ao cenário. A água doce, também presente em todas as paisagens, ocorre em formatos diversos como nascentes, córregos, lagos e rios, variando entre as águas calmas de Trang An até as mais turbulentas, como das corredeiras de Pimachiowin Aki. Os caminhos, identificados como característica de todas as paisagens, fazem parte dos costumes tradicionais de seus habitantes. Seja pela água ou pela terra, esses caminhos são conexões entre os diversos lugares significativos de seus povos. É importante notar que, apesar da paisagem de Papahanaumokuakea não identificar, nos seus textos, a beleza como uma qualidade significativa, ela, assim como todas as demais, apresenta cenários de grande beleza. Também Uluru-Kata Tjuta apresenta claramente o céu em grande proporção na paisagem, mas este atributo não está mencionado na documentação, o que não torna possível a leitura deste item como parte do entendimento do sagrado para seus nativos.</p>
                <p>Os atributos que ocorrem em quatro paisagens são: Montanha, Centralidade, Beleza, Vida, Animais, Fogo, Ambiente Inóspito, Registros Arqueológicos, Paisagem de Contraste, Céu, Vastidão e Isolamento. Os atributos Planície, Ilha, Caverna e Reentrâncias, Mar, Plantas e Florestas aparecem em três paisagens. Já os atributos Vulcão, Contraste de Luz (Luz x Escuridão) e Orientação Geográfica ocorrem em apenas duas paisagens da amostra.</p>
                <p>Todas as paisagens apresentaram entre 18 e 20 ocorrências de atributos do total de 25 elencadas. Papahanaumokuakea apresenta a maior quantidade, com 20 dos atributos categorizados na tabela. Tongariro e Trang An guardam em suas paisagens 19 atributos, enquanto Uluru-Kata Tjuta e Pimachiowin Aki contemplam 18 atributos do total de 25. Todas as paisagens sagradas estudadas apresentam todos os cinco primeiros itens da tabela, ao menos 9 do total 12 itens com frequência 4, ao menos 2 dos 5 itens com frequência 3 e ao menos 1 dos 3 itens com frequência 2, na tabela. Assim, nota-se que as paisagens sagradas são formadas por um conjunto de características ambientais, sendo 5 atributos comuns a todas as paisagens (terra, rochas, encostas, água doce e caminhos) acrescidas de 13 a 15 outros elementos, que juntos atribuem à paisagem o valor do sagrado.</p>
                <p>Quando comparados os significados dos atributos para cada paisagem, é notada similaridade de 52 significados (também chamados de valores). Deste total, 9 significados são comuns a todas as paisagens, 18 significados são comuns a 4 delas, 14 significados são comuns a 3 dos locais estudados e 11 significados são comuns a 2 paisagens. Apenas 14 dos significados não apresentam similaridade entre as paisagens. Assim, confirmam-se as colocações de <xref ref-type="bibr" rid="B10">Durkheim (1996)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B02">Burkert (1996)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B11">Eliade (1999)</xref> que afirmam que diferentes religiões apresentam uma unidade e elementos em comum.</p>
                <p>Também foram verificadas similaridades na organização das paisagens onde, em todas elas há uma nítida diferenciação entre o plano horizontal (seja ele formado pela planície ou pelas águas) com o plano vertical, formado por montanha, pico rochoso, vulcão ou até por uma ilha. Os planos verticais tendem a marcar os locais sagrados nas diversas paisagens, enquanto os planos horizontais, normalmente, associam-se aos locais comuns e cotidianos. Assim, as montanhas e os picos, assim como as ilhas, atuam como um destaque em meio homogêneo, marcando um referencial e um ponto central significativo. Outro ponto importante é que, em se tratando destas cinco paisagens analisadas, os atributos por si só, vistos de forma isolada, não atribuem o caráter de sagrado, mas vários atributos trabalhando de forma conjunta em um sentido específico trazem um forte caráter de sacralidade ao espaço.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>É possível afirmar que existem características físicas comuns nas paisagens sagradas estudadas, assim como significados que se repetem em parte dos casos. A lista dos atributos encontrados é extensa e complexa, tanto na organização do conjunto presente nas paisagens quanto nos significados destes elementos naturais para seus respectivos povos. Todos os povos nativos apresentam uma visão integrada com a natureza, entendendo-se parte de um conjunto em equilíbrio, onde deve haver um respeito profundo a todos os seres e todas as estruturas do ambiente e onde o ser humano tem a responsabilidade de cuidar e manter o equilíbrio. Esta visão, em conjunto com as características físicas identificadas, faz desses lugares espaços especiais de encontro com o divino. Em todas as paisagens foi possível verificar que a paisagem transmite a sensação de pequenez, diante da grandiosidade da natureza, que o ser humano é apenas parte de algo imensamente maior, no qual há uma força por detrás de todo equilíbrio e harmonia existente.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p><bold>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic>:</bold> Duarte, D. R.; Santiago, A. G. O sagrado na paisagem: hierofanias do ambiente natural. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e247187, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7187">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7187</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">

                <mixed-citation>Brown, J. M. Charged Moments: Landscape and the Experience of the Sacred among Catholic Monks in North America. <italic>Religions</italic>, v. 10, n. 86, 2019. Disponível em: www.mdpi.com/journal/religions. Acesso em: 5 abr. 2019.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
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                            <surname>Brown</surname>
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                    </person-group>
                    <article-title>Charged Moments: Landscape and the Experience of the Sacred among Catholic Monks in North America</article-title>
                    <source>Religions</source>
                    <volume>10</volume>
                    <issue>86</issue>
                    <year>2019</year>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.mdpi.com/journal/religions">www.mdpi.com/journal/religions</ext-link></comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">5 abr. 2019</date-in-citation>
                </element-citation>
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            <ref id="B02">

                <mixed-citation>Burkert, W. <italic>Creation of the sacred</italic>: tracks of biology in early religions. Cambridge: Harvard University, 1996.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
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