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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                <article-title>A atuação da companhia City-SP na década de 1970: o caso do bairro City Ribeirão<xref ref-type="fn" rid="fn01">1</xref></article-title>
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                    <trans-title>The performance of Companhia City-SP in the 1970s: the case of the neighborhood City Ribeirão</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Bernardini</surname>
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                    <role>Concepção e desenho</role>
                    <role>Revisão do artigo</role>
                    <role>Aprovação final do artigo</role>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Mano</surname>
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                    <role>CPesquisa documental e de campo</role>
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                    <role>Revisão do artigo</role>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Campinas</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo</institution>
                <institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade</institution>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade. Campinas, SP, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01"> Correspondência para/Correspondence to: S.P. Bernardini; E-mail: <email>spiochi@unicamp.br</email>
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                    <label>Editor</label>
                    <p>Renata Baesso</p>
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                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesse</label>
                    <p>Não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>A Companhia City é uma empresa brasileira ainda atuante na produção de loteamentos, tendo iniciado suas atividades na cidade de São Paulo na década de 1910, com a implantação do Jardim América, um icônico bairro da elite paulistana. Nos anos 1970, a Companhia passou a atuar em alguns municípios do interior do estado de São Paulo, período este ainda pouco explorado pela literatura. Este artigo tem, pois, como objetivo, analisar algumas características de um desses empreendimentos: o City Ribeirão, implantado na cidade de Ribeirão Preto, em 1977. Os procedimentos metodológicos pautaram-se por uma triangulação da literatura com alguns conjuntos documentais levantados e analisados, que abrangeram o projeto original do loteamento, e as peças publicitárias de sua divulgação publicadas nos jornais de circulação à época. A pesquisa demonstra algumas mudanças na concepção espacial e nas formas de divulgação desse empreendimento, em sintonia com a ordem urbanística funcionalista que se amplificou no Brasil no segundo pós-guerra, vinculadas ao modelo das Unidades de Vizinhança. Os anúncios publicados pela Companhia ajudaram a disseminar esse modelo, utilizados como mecanismos pedagógicos de uma forma de morar moderna.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Companhia City is a still active Brazilian company in allotment production, having started its activities in the city of São Paulo in the 1910s with the establishment of Jardim América, an iconic neighborhood for São Paulo’s elite. In the 1970s, Companhia City began to operate in some municipalities in the countryside of the state of São Paulo, a period still little explored in literature. This article aims to analyze some characteristics of one of these projects: City Ribeirão, implemented in the city of Ribeirão Preto in 1977. The methodological procedures were guided by a triangulation of literature with some documentary sets collected and analyzed that covered the original project of the subdivision and the advertising pieces promoting the project published in newspapers circulating at the time. The research demonstrated some changes in spatial conception and forms of dissemination of this project, in line with the functionalist urban order that has expanded in Brazil over the decades linked to the Neighborhood Units model. The advertisements published by Companhia City helped to disseminate this idea, used as pedagogical mechanisms for a modern way of living.</p>
            </trans-abstract>
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                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Companhia City</kwd>
                <kwd>Mercado imobiliário</kwd>
                <kwd>São Paulo</kwd>
                <kwd>Unidade de Vizinhança</kwd>
                <kwd>Urbanização</kwd>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>Companhia City</kwd>
                <kwd>Real state</kwd>
                <kwd>São Paulo</kwd>
                <kwd>Neighborhood Units</kwd>
                <kwd>Urbanization</kwd>
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        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>A relação institucional entre as esferas pública e privada, na produção do espaço urbano, direciona os procedimentos planificadores e, em última instância, a qualidade espacial resultante para o conjunto da cidade. Para além de compreender os aparatos institucionais que orientam e definem a forma urbana, incluindo a legislação urbanística, cabe conhecer com mais profundidade as motivações, as condicionantes e as práticas utilizadas pelos agentes privados nesta produção, evidenciando as contradições entre Estado e mercado, na forma urbana capitalista (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Richert; Lapping, 1998</xref>). A propagação do modelo cidade-jardim, através de companhias loteadoras em vários países, desde as primeiras décadas do século XX, evidencia tais contradições, revelando uma outra face da prática planificadora que se estabeleceu dialeticamente entre as duas esferas a partir de então.</p>
            <p>A difusão do modelo cidade-jardim fez-se a partir da estruturação e da organização de corporações para atuarem no desenvolvimento de empreendimentos inspirados no modelo espacial de Ebenezer Howard. Essas inúmeras companhias combinaram capitais internacionais e estabeleceram uma nova marca na produção de loteamentos (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Blazy <italic>et al</italic>., 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Gallanter, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Macedo, 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">Souther, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B51">Ulmer, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B53">Yuen, 1996</xref>). A maior parte de tais loteamentos, entretanto, foi concebida para ser implantada em subúrbios das cidades já existentes (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Katz, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Kolankiewicz; David; Robert, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B49">Totaforti, 2020</xref>), longe de alcançar os preceitos organizacionais, administrativos e financeiros postulados por Howard, distanciando-se profundamente da sua utopia (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Ward, 1998</xref>). A implantação de Hampstead Garden, em Londres, em 1907, idealizado por Raymond Unwin, traz evidências nesse sentido, ressaltando a crise pela qual passava o ideário howardiano (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Beloto, 2015</xref>).</p>
            <p>A profusão de uma frente empreendedora e expansionista do mercado e da produção de subúrbios jardins deu-se a partir da formação de clusters coletivos, na associação de pequenos grupos empresariais em detrimento de iniciativas individuais, algo que marcou profundamente a estruturação das companhias da marca “City” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Calabi, 2012</xref>). A atuação desses grupos estava baseada em práticas comuns: a compra de terrenos rurais no entorno da cidade consolidada, de menor custo, para incorporá-los e agregar-lhes valor a partir da implantação do bairro. A concepção desses empreendimentos pautava-se pela criação de um ambiente mais saudável para os trabalhadores (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Clevenger; Andrews, 2017</xref>). Com base na utopia howardiana, porém, tais princípios foram, desde sempre, ignorados.</p>
            <p>A atuação da Cia. City em São Paulo, constituída nos anos 1910 e que até hoje mantém-se ativa na produção imobiliária, traz uma reflexão sobre aspectos ainda não suficientemente abordados pela literatura. Ainda que as descobertas recentes demonstrem a profusão do modelo por companhias criadas no início do século XX, pouco abordam sobre a continuidade da atuação, a sobrevida e as práticas adotadas em anos subsequentes. Cabe indagar, então, se essas empresas continuaram adotando as mesmas estratégias para se manterem atuantes por um período de tempo mais longo. Em um mercado de alta concorrência, que adaptações tiveram que fazer para manterem suas atividades imobiliárias? Continuaram utilizando os mesmos princípios e as mesmas características urbanísticas em seus empreendimentos? Quais foram os mecanismos de comunicação usados para elevar a marca de uma companhia de sucesso e, ao mesmo tempo, manter a aderência com o seu público-alvo preferencial? Estas perguntas motivaram a formulação deste artigo, adotando-se um empreendimento realizado em 1977 pela Companhia City, em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo, como um caso de análise.</p>
            <p>Para este trabalho, o projeto urbanístico desenvolvido e as peças publicitárias de divulgação foram utilizados como principais documentos referenciais de quando a Companhia começou a atuar no interior do Estado, nos anos 1970. Estes elementos microscópicos (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Burke, 2012</xref>) foram observados em uma macroescala temporal (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Levy, 1992</xref>), tendo em vista o viés comparativo desse empreendimento com aqueles dos primeiros anos de atuação. Embora a análise da imagem e do discurso pudesse ter sido utilizada como ferramental metodológico, optou-se por trabalhar com uma análise mais ampla e relacional entre os elementos documentais encontrados, estabelecendo uma triangulação entre eles (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Yin, 1994</xref>). Assim, para além da iconografia aqui apresentada, a análise dos documentos se expandiu para a observação dos seus resultados (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Gaskell, 1992</xref>), possibilitando a construção de um posicionamento conceitual relacionado com as teorias do urbanismo. Com esse mecanismo, foi, então, possível tecer uma parte da trama histórica que compõe o tecido da produção urbanística no Brasil.</p>
            <p>O procedimento metodológico utilizado combinou a leitura e a análise da literatura sobre o movimento cidade-jardim pela atuação de companhias loteadoras e, mais especificamente no Brasil, a partir exclusivamente da Companhia City, com o acervo documental pesquisado. A busca de livros e artigos foi realizada nas principais bases de dados referenciais: Scielo, Scopus e Web of Science, utilizando-se palavras-chave como ‘<italic>garden city</italic>’ <italic>and</italic> ‘<italic>companies</italic>’; ‘<italic>garden cities</italic>’ <italic>and</italic> ‘<italic>modern town planning</italic>’ e ‘Companhia City’. Teses e dissertações também foram pesquisadas, após uma busca no Banco de Teses e Dissertações da CAPES e em outras bases de dados da Universidade de São Paulo, para aquelas mais antigas. O projeto original concebido pela Companhia para o City Ribeirão foi fornecido por duas fontes: o setor de projetos da própria Companhia City e o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto. Já as peças publicitárias e os anúncios foram pesquisados em dois principais jornais de circulação à época, em Ribeirão Preto, entre os anos 1977 e 1979: “A cidade” e o “Diário da Manhã”, mantidos no Arquivo Histórico de Ribeirão Preto, vinculado à Prefeitura Municipal. Parte da legislação urbanística que deu base para a aprovação do empreendimento também foi consultada no site da Câmara Municipal de Ribeirão Preto.</p>
            <sec>
                <title>A Companhia City e a insistência de uma urbanística moderna funcionalista</title>
                <p>Se o movimento cidade-jardim conseguiu incluir, na pauta das atividades empresariais de companhias empreendedoras, os conceitos howardianos, mesmo com as distorções adaptativas de cada localidade, o urbanismo funcionalista teve grande reverberação, sendo complexa a sua inserção nas experiências adotadas no Brasil. É também difícil, diante dessas incursões funcionalistas, distinguir o que permaneceu, ao certo, das características intrínsecas aos postulados originais do movimento. Mas essa complexidade é, ao mesmo tempo, reflexo dos rumos que o urbanismo moderno tomou nos países hegemônicos, diante do debate que se acentuou a partir dos últimos CIAMs e dos desafios impostos no Segundo Pós-Guerra europeu (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Shoshkes, 2009</xref>). A própria construção das cidades novas inglesas, orientada pela <italic>New Towns Act</italic>, estabelecida em 1946, vinculadas ao <italic>Greater London Plan</italic>, de 1944, desenvolvido por Patrick Abercrombie (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Hall, 2016</xref>), apontam para essa complexidade. Considerando o longo período do seu desenvolvimento e da sua execução, entre 1946 e 1970, mudanças nas concepções são latentes, como vistas nos casos das cidades novas de Runcorn e Milton Keynes, ambas sucumbidas, de diferentes maneiras, aos ditames do automóvel. Se em Runcorn a segregação dos meios de mobilidade entre carro e transporte coletivo foi a medida adotada para acomodar o transporte individual, o projeto de Milton Keynes abraçou por completo a flexibilização necessária para acomodar os “meios tecnológicos futuros” e as adaptações sociais, explodindo a escala do “pedestre” e comprometendo, sobremaneira, o desenho urbano desta escala (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Seixas, 2010</xref>).</p>
                <p>Em uma economia em expansão, as políticas de desenvolvimento regional tomaram fôlego, modelando ao seu modo uma urbanística funcionalista que coubesse bem a esse contexto. <italic>Pari passu</italic> à experiência britânica, do final dos anos 1940 até a década de 1970, os governos nacionais experimentaram políticas de descentralização no desenvolvimento regional, para um reequilíbrio da distribuição populacional, que incluíram programas de interiorização da industrialização, reforma agrária com redistribuição de latifúndios para agricultores, oferta de habitação social, tendo como inspiração, em alguns casos, a experiência do planejamento britânico, mas nem sempre bem-sucedidas (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Zad, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B56">Zou; Li, 2011</xref>). Especificamente a partir da década de 1960, porém, mudanças importantes no pensamento sobre o planejamento regional e urbano determinaram algumas rupturas, em resposta aos problemas que se acentuaram sob um processo de urbanização acelerado nas áreas metropolitanas, as quais incluíram a modernização dos sistemas de transporte, a ampliação das redes de metrô, a contenção das irregularidades da ocupação urbana e da obsolescência do estoque edificado nas áreas centrais, o reconhecimento das áreas pericentrais e intermediárias complementadas com ações de renovação urbana, e o reestabelecimento da rentabilidade do espaço imobiliário (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Moyano; Palacios, 2009</xref>). Essa inflexão também foi geradora de um mal-estar que acompanhou as políticas de descentralização em curso, renovando a visão do antiurbanismo ou, essencialmente, a promoção do modo de vida antiurbano que se traduziria no desenvolvimento dos subúrbios e da vida suburbana, em detrimento de uma “revitalização” da cidade existente (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Schrank, 2008</xref>), refundando, assim, os preceitos do urbanismo funcionalista.</p>
                <p>O modelo howardiano se veria plenamente incorporado nas medidas de intervenção em qualquer que fosse a escala, porque assumiria, desde a sua concepção, o planejamento compreensivo que buscava uma estruturação plena e de conjunto aderentes à escala regional (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Domhardt, 2012</xref>). Na teia construída pelo debate escarnecido pelos CIAMs, postulados como o de Patrick Geddes, imiscuíram-se entre a necessidade de um planejamento regional de caráter interdisciplinar e a utopia estético-social que se desenvolveu nos anos do primeiro pós-guerra, levados ao segundo pós-guerra, essencialmente pelas vias do planejamento britânico através, entre outras iniciativas, da formação do Grupo MARS (Modern Architectural Research) e dos debates que este estabeleceu. No limite do que transcorria a Carta de Atenas nesse postulado, o debate destacou a necessidade de ir além da doutrina corbusieana, para se aprofundar a dimensão social do planejamento urbano (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Shoshkes, 2009</xref>). Mas tal dualidade, que proliferou a partir das oposições ao ideário funcionalista e só se acirrariam nos anos seguintes, determinaria um debate de longos anos, mas que já não teria forças para reverter o elo do desenho funcionalista às conveniências da vida moderna.</p>
                <p>A evolução da <italic>Garden City Association</italic>, para a <italic>Town and Country Planning Association</italic>, amplificou as ideias de Howard, não só pelo seu ideário, mas como inspiração para a concepção de outros modelos, como o das unidades de vizinhança, transpassados pelos continentes, e que serviu como fórmula para a viabilização de subúrbios e sua ressonância na constituição de bairros suburbanos residenciais. Ao mesmo tempo, todo o processo de construção em massa de habitação social, que se vinculou à pré-fabricação e à padronização da construção (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Monclús; Díez Medina, 2018</xref>), combinou-se com o cerne rodoviarista, consolidando o paradigma funcionalista, a despeito de um outro paradigma que se anunciava já nos anos 1960. Desde críticas mais radicais, vindas da Internacional Situacionista do final dos anos 1950, que denunciava a vinculação entre o urbanismo funcionalista e o recrudescimento do consumo de massa (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Arias; Candia-Cáceres; Landaeta, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B23">Gómez Gutiérrez, 2017</xref>), até a seminal e impactante obra de Jane Jacobs, novos postulados confrontavam o funcionalismo modernista, sem abalá-lo. No Brasil, antes mesmo que Brasília fosse inaugurada, um conjunto de publicações já vicejava uma postura que ia da esperança ao ceticismo, demonstrando que a crítica ao funcionalismo já tinha chegado por aqui (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Perrota Bosch, 2013</xref>), mas cujo efeito só seria sentido a partir dos anos 1980<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>. Até o final dos anos 1970, as características dos empreendimentos da marca City, em São Paulo, comprovam esta permanência, orientando o desenvolvimento de um pensamento que não seria revertido nos anos seguintes, mesmo com um giro na postura crítica que já estava em curso.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>A companhia City e sua trajetória em São Paulo</title>
                <p>Fundada em Londres em 1911, a “City of Sao Paulo Improvements and Freehold Land Company Ltd.” reuniu investidores franceses, ingleses e brasileiros, capitaneados pelo arquiteto francês Joseph Bouvard, para atuar como uma empresa de urbanização na capital paulista. O Decreto 9439/1912 autorizou o seu funcionamento no Brasil, exigindo obediência à legislação e a indicação de um representante oficial residente no país (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Brasil, 1912</xref>). Na expectativa de obter uma valorização imobiliária com os seus empreendimentos, a Companhia adquiriu 12 milhões de metros quadrados em São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Bacelli, 1982</xref>), sendo o Jardim América o primeiro empreendimento a ser lançado (1915), seguido pelos bairros Anhangabaú, Alto da Lapa, Bella Aliança, Alto dos Pinheiros e Pacaembu, implantados nas décadas de 1920 e 1930.</p>
                <p>Na década de 1950, a empresa ampliou a produção de seus empreendimentos rumo ao setor oeste da capital paulista, tendo sido implantados: o Jardim Boaçava (1950), o Vila Caxinguy (1951), a Vila Inah (1951), o Jardim Jussara (1954), e o Jardim Londrina (1954). Nota-se a proximidade da maioria deles aos bairros que já haviam sido construídos pela City, sugerindo uma expansão no sentido das margens do Rio Pinheiros. No final dessa década, após uma operação de venda das suas ações na bolsa de Londres, passou a ter como acionista o Grupo Deltec Investiment, um consórcio multinacional de empresas norte-americanas e alemãs, expansão pela qual passou a atuar na corretagem e administração de imóveis de propriedades de terceiros (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Almeida, 2020</xref>). Nesse momento, a aquisição de terrenos passou a ser realizada por empresas parceiras que os incorporavam, enquanto a Companhia continuava a desenvolver e administrar os projetos (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Albin, 2015</xref>).</p>
                <p>Entende-se, assim, que a Companhia adquiriu esses terrenos com o objetivo de continuar a conformar um espaço determinado do território, consolidando-o para a população de média e alta renda. O lançamento do Jardim Brasília, por outro lado, inseriu a empresa em uma área diferente, da metrópole paulista, o setor leste, abrindo uma exceção às tendências da sua missão. Esse empreendimento foi desenvolvido para a população operária e, por isso, foi desenhado com um outro padrão: menos espaços livres, paisagismo mais simples e lotes menores (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silva, 2016</xref>). A sua divulgação também sugere que o público-alvo fugiu do padrão até então estabelecido pela City (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Nascimento, 2017</xref>, p. 2), pois, além de ressaltar as características típicas dos bairros realizados pela Companhia<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>, focava na facilidade dos pagamentos, como: “[...] o preço altamente convidativo”, a “pequena entrada”, e o “parcelamento em pequenas prestações mensais”.</p>
                <p>Inicialmente concentrada na capital paulista, a empresa se adaptou às políticas governamentais da época, especialmente relacionadas ao financiamento habitacional. Esse alinhamento estratégico permitiu à empresa ampliar sua atuação para além de São Paulo, abrangendo bairros na capital e nos municípios da Grande São Paulo. Na década de 1960, as empresas ligadas à City passaram por fusões e transformações, diretamente alinhadas às políticas governamentais do período, especialmente aquelas relacionadas ao financiamento habitacional, através do BNH e, consequentemente, aos rumos e estratégias do mercado imobiliário. Nesse sentido, fica claro o objetivo da Companhia em se adequar ao momento do país, a fim de empreender e ampliar seus rendimentos, a partir das necessidades impostas pelo mercado. Foi nesse contexto que a empresa começou a realizar loteamentos em quatro municípios da Grande São Paulo, a saber: São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco e São Caetano do Sul (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Cia City, 2012</xref>) e, na década seguinte, no interior do estado de São Paulo. Os empreendimentos de Piracicaba, Ribeirão Preto e Barretos foram os primeiros realizados para além da Região Metropolitana, seguidos pelos de Taubaté, Itu e Itatiba (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Cia City, 2018</xref>) e, logo na sequência, para os dos estados de Goiás (Anápolis), Santa Catarina (Figueiras) e Minas Gerais (Uberlândia) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Cia City, 2012</xref>). Assim, como demonstra a <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref>, a Companhia City ampliou seu campo de atuação a partir de uma lógica geográfica.</p>
                <table-wrap id="t01">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Áreas urbanizadas pela Companhia City implantadas entre 1915 e 1970.</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="rows">
                        <tbody>
                            <tr align="center">
                                <th>Década</th>
                                <th>Ano</th>
                                <th>Bairro</th>
                                <th>Zona</th>
                                <th>Município</th>
                                <th>Estado</th>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="3"> 1910</td>
                                <td>1915</td>
                                <td>Jardim América</td>
                                <td>Oeste</td>
                                <td rowspan="3"> São Paulo</td>
                                <td rowspan="3"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1917</td>
                                <td>Anhangabaú</td>
                                <td>Centro</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1918</td>
                                <td>Butantã</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="4"> 1920</td>
                                <td>1921</td>
                                <td>Alto da Lapa</td>
                                <td>Oeste</td>
                                <td rowspan="4"> São Paulo</td>
                                <td rowspan="4"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1921</td>
                                <td>Bella Aliança</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1925</td>
                                <td>Alto dos Pinheiros</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1925</td>
                                <td>Pacaembu</td>
                                <td>Oeste-Centro</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="5"> 1930</td>
                                <td>1931</td>
                                <td>Vila América</td>
                                <td>Centro</td>
                                <td rowspan="5"> São Paulo</td>
                                <td rowspan="5"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1931</td>
                                <td>Vila Nova Tupi</td>
                                <td>Centro</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1931</td>
                                <td>Vila Mariana</td>
                                <td>Centro-Sul</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1931</td>
                                <td>Vila Leopoldina</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1931</td>
                                <td>Mooca</td>
                                <td>Leste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="3"> 1940</td>
                                <td>1941</td>
                                <td>Pacaembuzinho</td>
                                <td>Oeste-Centro</td>
                                <td rowspan="3"> São Paulo</td>
                                <td rowspan="3"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1948</td>
                                <td>Vila Romana</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1949</td>
                                <td>Jardim Guedala</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="7"> 1950</td>
                                <td>1950</td>
                                <td>Boaçava</td>
                                <td>Oeste</td>
                                <td rowspan="7"> São Paulo</td>
                                <td rowspan="7"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1951</td>
                                <td>Caxinguy</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1951</td>
                                <td>Vila Inah</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1953</td>
                                <td>Jardim Campo Grande</td>
                                <td>Sul</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1954</td>
                                <td>Jardim Jussara</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1954</td>
                                <td>Jardim Londrina</td>
                                <td>Oeste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1955</td>
                                <td>Jardim Brasília</td>
                                <td>Leste</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="3"> 1960</td>
                                <td>1960</td>
                                <td>Jardim Orlandina</td>
                                <td>–</td>
                                <td>São Bernardo do Campo</td>
                                <td rowspan="3"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1962</td>
                                <td>Jardim São Caetano</td>
                                <td>–</td>
                                <td>São Caetano do Sul</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1968</td>
                                <td>Jardim São Pedro</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Santana do Parnaíba</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td rowspan="13"> 1970</td>
                                <td>1970</td>
                                <td>Jardim Bussocaba</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Osasco</td>
                                <td rowspan="6"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1971</td>
                                <td>Nova Piracicaba</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Piracicaba</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1974</td>
                                <td>Chácara City Castelo I</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Itú</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1974</td>
                                <td>Parque Martin Cererê</td>
                                <td>–</td>
                                <td>São José dos Campos</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1975</td>
                                <td>Parque Nações Unidas</td>
                                <td>Noroeste</td>
                                <td>São Paulo</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1975</td>
                                <td>Campos Elíseos</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Taubaté</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1976</td>
                                <td>Anápolis City</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Anápolis</td>
                                <td>GO</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1976</td>
                                <td>City Ribeirão</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Ribeirão Preto</td>
                                <td rowspan="2"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1976</td>
                                <td>Chacara City Castelo II</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Itú</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1978</td>
                                <td>City Figueiras</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Blumenau</td>
                                <td>SC</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1979</td>
                                <td>City Barretos</td>
                                <td>–</td>
                                <td>Barretos</td>
                                <td rowspan="3"> SP</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1979</td>
                                <td>City América I</td>
                                <td>Noroeste</td>
                                <td rowspan="2"> São Paulo</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td>1979</td>
                                <td>City Recanto Anastácio</td>
                                <td>Noroeste</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn>
                            <p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B02">Almeida (2020)</xref> editado e revisado pelos autores.</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>É notório que o movimento de saída da Companhia para atuar no interior do estado de São Paulo esteve relacionado com o próprio deslocamento da riqueza, a partir de toda uma estratégia de desenvolvimento ligado à reestruturação produtiva nos anos 1970. Nesses termos, a City acompanhou a trajetória de desenvolvimento econômico do estado para explorar um mercado consumidor em ascensão, com os rumos das políticas estatais de apoio à industrialização e à reestruturação da produção agropecuária no interior. A política estadual de incentivo à interiorização da indústria teve como pressuposto reverter a concentração industrial na capital e seus arredores, para potencializar as cidades médias do interior (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Negri, 1996</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Canziani, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B47">Sposito, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Santos, 2009</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B48">Tavares, 2015</xref>) que, além de despontarem com um ritmo de crescimento mais acentuado no setor terciário diversificado (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Gonçalves, 1994</xref>), já estavam organizadas em redes (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Singer, 2002</xref>), garantindo as condições necessárias para o desenvolvimento dos programas públicos de desenvolvimento (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Tavares, 2015</xref>). Assim é que o Estado de São Paulo tomou a dianteira do processo de expansão industrial brasileiro nessa lógica da descentralização, concentrando os recursos em territórios historicamente mais dinâmicos, urbanizados e com disponibilidade de mão de obra (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Tavares, 2015</xref>). Essa região é formada por dois vetores que partem do entroncamento São Paulo-Santos e seguem, um para o Estado do Rio de Janeiro e o outro para o interior de São Paulo, pela rodovia dos Bandeirantes, onde foram implantados três empreendimentos emblemáticos: City Piracicaba, City Ribeirão e City Barretos. Apesar de inseridos em realidades econômicas, políticas e demográficas distintas, eram próximos entre si, evidenciando um processo de urbanização estruturado por um eixo territorial, não mais restrito à malha urbana da capital.</p>
                <p>A atuação da Cia. City, em anos mais recentes, revela uma mudança expressiva na concepção dos empreendimentos realizados, incluindo edifícios verticais residenciais e loteamentos fechados, muitos produzidos fora da capital paulista (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Cia City, 2018</xref>). Presume-se que a empresa teve que adaptar os princípios urbanísticos que acompanharam as suas práticas projetuais durante décadas, buscando sobreviver em um mercado altamente competitivo que imprimiu uma nova forma de morar associada ao imaginário do subúrbio americano, afastado da cidade, em uma tipologia de empreendimentos reclusos e reproduzidos em forma de condomínios ou loteamentos fechados. É importante observar, entretanto, que, mesmo com uma tendência que já vinha despontando no país, a do modelo do condomínio fechado distante das áreas urbanizadas, a Cia City não aderiu a esse padrão tão cedo, mantendo a ideia da formação de um bairro suburbano aberto e vinculado à cidade, como existia em outros países (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Katz, 1994</xref>).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>O Projeto do loteamento City Ribeirão de 1977</title>
                <p>Implantado, aproximadamente, a cinco quilômetros do centro de Ribeirão Preto (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>), o City Ribeirão possui uma área de 1,7 milhões de m<sup>2</sup>, e está localizado no setor sul da cidade, no seu eixo de maior valorização imobiliária. A aprovação do projeto pela Prefeitura Municipal ocorreu em setembro de 1977, seguida da sua execução já alguns meses depois. Além de proprietária do terreno, a City respondeu tecnicamente pelo projeto e pela obra, e também esteve envolvida na divulgação e nas vendas dos lotes, em parceria com as imobiliárias locais (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Mano; Bernardini, 2023</xref>).</p>
                <fig id="f01">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Planta de situação do loteamento City Ribeirão.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf01.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Acervo da Cia City (1979).</attrib>
                </fig>
                <p>Conforme consta nas informações da sua planta de aprovação, o responsável técnico pelo projeto foi o engenheiro civil Elvio Marcus Sguizzardi (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Cia City, 1976</xref>), formado pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em 1965<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>. Não se tem muitas informações adicionais a seu respeito, como as de sua trajetória e, nem tampouco, de como chegou a estabelecer esse elo com a Companhia. O projeto desenvolvido por ele denota, entretanto, um conhecimento da “urbanística” que era correntemente adotado pela Companhia naquele momento, tendo seguido, é provável, orientações sobre alguns princípios que deveriam ser introduzidos.</p>
                <p>O desenho utilizado indica um distanciamento do traçado pinturesco que a Companhia utilizou especialmente nos primeiros loteamentos empreendidos na capital paulista, optando-se, nesse caso, por um traçado funcionalista, mesmo considerando a presença de formas circulares e concêntricas e de uma mudança na distribuição e tamanho das áreas públicas, incluindo os sistemas de recreio que foram destinados mais à periferia do loteamento nos quatro quadrantes do polígono, além da praça circular ao centro que acompanha a rotatória principal. Nota-se que as quatro avenidas principais que chegam na praça circular central são grandes artérias que cortam o empreendimento e fazem a conexão com a cidade no seu entorno, algo que passaria a ser mais explorado nos seus anúncios publicitários, como se verá mais à frente.</p>
                <p>A concepção do loteamento também remete a alguns princípios da Unidade de Vizinhança, em adaptação do modelo ao solo brasileiro, o que se deduz a partir das observações de <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rego (2019)</xref>. Para este autor, a presença norte-americana na sociedade brasileira fez-se por várias frentes que incluíam os veículos acadêmicos e profissionais, como a Revista Politécnica que publicava assuntos relacionados com urbanismo, mas, sobretudo, pela chegada dos padrões urbanísticos pelos diversos meios difusores, desde a inspiração de Radburn para o projeto de Goiânia. A associação entre as ideias da cidade-jardim e o conceito de Unidade de Vizinhança se fez a partir dos intercâmbios transatlânticos, amplificando-se a partir da doutrina funcionalista.</p>
                <p>Em sintonia com esse modelo, a característica que mais chama a atenção no City Ribeirão, expressa no memorial descritivo do seu projeto de aprovação (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>), é a monofuncionalidade dos seus lotes internos, completamente inseridos em uma Zona Exclusivamente Residencial. Em contraposição, foram projetados lotes maiores, localizados nas extremidades formando uma “Zona Mista”, com usos diversificados de caráter local, cujas atividades permitidas – e não permitidas – foram, de antemão, discriminadas uma a uma, característica que se coadunava com o modelo de Clarence Perry, que orientou as áreas comerciais no perímetro da Unidade de Vizinhança junto às vias de maior tráfego. Outro aspecto que também chama a atenção é a disposição das áreas institucionais, adjacentes aos sistemas de recreio que, embora estejam nas bordas e não no centro, em aparente contradição com o modelo, enquadram-se na lógica da acessibilidade a pé, estando equidistantes na “centralidade” de cada setor, como consta no memorial descritivo. Presume-se, assim, que cada setor estaria exercendo o papel de uma Unidade de Vizinhança, dada a similaridade em termos de dimensão populacional, o que leva a deduzir que o loteamento seria formado por quatro Unidades de Vizinhança congregadas. Também deve-se destacar a disposição de algumas ruas locais terminando em cul-de-sac, confrontando com os sistemas de recreio, em similaridade com os projetos de bairros apresentados por <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rego (2019)</xref>, dispositivos que também já tinham sido vistos em empreendimentos como a cidade nova britânica de Milton Keynes.</p>
                <fig id="f02">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Planta do City Ribeirão Preto.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf02.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Acervo da<xref ref-type="bibr" rid="B12"> Cia City (1976)</xref>.</attrib>
                </fig>
            </sec>
            <sec>
                <title>A propaganda e a difusão do modelo comercial</title>
                <p>Ao tratar das peças publicitárias e dos anúncios de divulgação realizados pela Companhia, desde os primeiros lançamentos na capital, no início da década de 1910, algumas questões devem ser observadas. Embora muitas dessas peças parecessem se dirigir às classes mais abastadas e à elite paulistana endinheirada, a Companhia também estava interessada em alargar as suas vendas para um público mais amplo, revelando que a sua estratégia comercial estava à frente dos atributos que a associaram a um padrão exclusivamente elitista, conforme aponta <xref ref-type="bibr" rid="B17">D’Elboux (2020)</xref> ao questionar uma interpretação, apresentada pela literatura, de um “padrão refinado” desses empreendimentos. Com exceção do Pacaembu, que de fato, foi divulgado como um loteamento para um público de “alto padrão aquisitivo”, os demais explicitavam os planos de pagamento e as formas de aquisição, denotando a busca por um público assalariado, ainda que bem-posicionado financeiramente. Havia uma predisposição, por parte da Companhia, em ampliar o seu público, já considerando os meios reprodutivos do capital em acumulação, com o sucesso da exportação do café. Muitos desses anúncios eram também divulgados em outros idiomas, como o italiano, o espanhol e o japonês, buscando conquistar um público que, provavelmente, acumulara dinheiro trabalhando na lavoura e viera morar na cidade.</p>
                <p>Diferentemente do que passou a ocorrer já em alguns lançamentos dos anos 1950 (<xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>), a publicidade da Companhia, até a década de 1930, apresentava, nas ilustrações da maioria dos loteamentos, um ambiente idílico e repleto de natureza, mas desvinculado da cidade (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>). Certo é que, nesse momento, acreditava-se que toda a região oeste da cidade de São Paulo, ainda área rural, se constituiria em um grande subúrbio, fugindo, entretanto, da explicitação, nítida no tratado howardiano, de que a cidade-jardim também continha indústria e produção rural. Ao contrário da imagem veiculada, observa-se uma nítida exclusão do mundo produtivo – a casa inserida na paisagem natural era o oposto dessa relação, denotando uma apatia ao mundo da produção. Essa desvinculação entre a moradia e o trabalho apareceria com força no ideário da cidade funcionalista anos depois, mas já vinha aqui carregada de um significado latente, estabelecendo a ideia da casa como um refúgio, trazida pelo resguardo da natureza. Assim, seria difundido o modelo do subúrbio americano que se estabeleceria a partir do <italic>american way of life</italic> (em tradução livre: estilo de vida americano), ganhando força nos 1940 e 1950 (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Totaforti, 2020</xref>), consolidando a estrutura territorial da casa no lote. Por outro lado, com o passar dos anos, a atuação da City, no estado de São Paulo, distanciou-se da ideia de um subúrbio isolado, mas potencializou uma concepção de loteamento absolutamente vinculado com a cidade, inserido na malha urbana consolidada e muito bem localizada.</p>
                <fig id="f03">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Publicidade do Jardim América no idioma italiano nos primeiros anos de venda.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf03.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Arquivos da Companhia City (1958).</attrib>
                </fig>
                <fig id="f04">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação de vendas da Vila Inah, na região oeste do município de São Paulo em 1958.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf04.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Arquivos da Companhia City.</attrib>
                </fig>
                <p>O empreendimento City Ribeirão começou a ser divulgado já em 1977 (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>). Um primeiro anúncio encontrado, de 25 de novembro desse ano, apresentava a região onde ele seria implantado, destacando a sua localização como um atributo essencial e, ao mesmo tempo, a qualidade empresarial da Companhia, tendo em vista o sucesso da sua atuação na capital paulista (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Mano; Bernardini, 2023</xref>). Sempre na perspectiva de ressaltar memória da sua marca em loteamentos emblemáticos, como o Jardim América em São Paulo, a City reforçava um ideário que, mesmo não devidamente conhecido, passaria a ser disseminado nos anúncios para a construção do imaginário de uma relação entre a sua “missão” e o “bom urbanismo”. Assim é que esse assunto, a partir das campanhas da City, passaria a ser veiculado para o público comum, que ainda não era afeito a essa relação. Uma outra peça publicitária (<xref ref-type="fig" rid="f06">Figura 6</xref>), veiculada na semana de lançamento do loteamento, chamava a atenção para os contrastes entre os “vícios” das grandes cidades – que incluíam a poluição, o adensamento populacional, o congestionamento e os ruídos – e os benefícios de se morar em um ambiente tranquilo, repleto de ar, luz e natureza, vantagens intrínsecas a uma cidade que não tinha mais que 300 mil habitantes, e potencializadas pela qualidade urbanística da marca City.</p>
                <fig id="f05">
                    <label>Figura 5</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação da abertura das do City Ribeirão.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf05.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Jornal Diário da Manhã de 25 de novembro de 1977 (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Amanhã [...], 1977</xref>).</attrib>
                </fig>
                <fig id="f06">
                    <label>Figura 6</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação do City Ribeirão a partir da realidade paulistana.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf06.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Jornal a Cidade em 27 de novembro de 1977 (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Em pouco [...], 1977</xref>).</attrib>
                </fig>
                <p>Alguns aspectos notáveis passaram a ser ressaltados, em coerência com o projeto desenvolvido, nessas marcas publicitárias. O imaginário construído com base em um eficiente sistema de circulação compatibilizava o ideário da cidade funcionalista com os desejos do comprador de classe média alta, que já se rendia ao uso do automóvel para imprimir mais conforto à vida do cotidiano. Ao mesmo tempo que essa vida moderna exigia a rapidez no acesso aos principais lugares da cidade, algo duplamente oferecido pelo novo bairro, com a proximidade ao centro e um sistema viário bem projetado, demandava também a pausa e a calma da natureza, das áreas verdes entremeadas ao bairro estritamente residencial – um contraste que a Companhia soube trabalhar bem desde os primeiros empreendimentos. Assim, as características locais vincularam-se aos seus princípios de projeto, sendo cada vez mais enfatizadas nas peças de divulgação dos seus lançamentos imobiliários, denotando, além disso, uma atuação exclusiva, distante de uma possível planificação do Poder Público. A este caberia apenas executar as leis, e pouco podia contribuir para estabelecer e imprimir esse modo de vida abraçado pela modernidade funcionalista, prática que estava sendo conduzida por quem sabia fazê-lo e que detinha o poder de realizá-lo, no âmbito privado.</p>
                <p>O regramento urbanístico do bairro também foi ponto de destaque, na referida divulgação, utilizando exemplos práticos que o leitor poderia compreender e, mesmo sem conhecimento prévio de normas urbanísticas, deduzir as questões que estavam em jogo. Utilizando-se de ilustrações simples e diretas, um anúncio publicado em 1979 destacou alguns dos elementos normativos. O objetivo era popularizar as características do novo lugar sob a égide do regramento urbano, por meio de uma linguagem acessível e possivelmente coerente com aquilo a que o consumidor estava atento naquele momento. A proteção à tranquilidade posicionava a legislação urbanística em um patamar de privilégio ao bem-estar individual em detrimento do coletivo, em sintonia com o que <xref ref-type="bibr" rid="B20">Feldman (2005)</xref> apontou em relação à lei de zoneamento de 1972 para São Paulo, que também delimitou os bairros da Companhia City como exclusivamente residenciais sob tal justificativa. Isso demonstra a permanência de um posicionamento postulado pelo urbanismo moderno sobre a monofuncionalidade que nunca deixaria de existir, acirrando-se com a profusão do modelo do subúrbio americano, cada vez mais distante do que viria a se constituir com as teorias do urbanismo contemporâneo.</p>
                <p>Toda essa incursão no marketing do “bom urbanismo”, entretanto, não garantiu, ao que parece, um sucesso de vendas, já que recorrentemente a empresa voltava a publicar anúncios que insistiam nas estratégias comerciais do empreendimento, nas facilidades que eram oferecidas para o financiamento das unidades imobiliárias e nas vantagens intrínsecas vinculadas ao chamado “padrão city”, termo deliberadamente utilizado pela Companhia, denotando que a empresa já considerava sua marca um senso comum (<xref ref-type="fig" rid="f07">Figura 7</xref>). Em 1979, dois anos após o lançamento, a Companhia voltava a anunciar a reabertura das vendas, sempre no intuito de recriar novos marcos temporais que trouxessem à tona uma novidade do bairro em construção. A frase recorrentemente utilizada: “A diferença entre um terreno e um simples pedaço de terra”, como a da <xref ref-type="fig" rid="f08">Figura 8</xref>, referenciava essa marca ao padrão de qualidade, identificando, portanto, os atributos urbanísticos que iam além da simples oferta de um terreno. Indicações dos elementos que caracterizavam estas benfeitorias chegavam a apelar para o significado da sua inserção urbanística na cidade, a partir dos valores em voga com o uso do automóvel. Uma ousada propaganda de meia página, publicada em abril de 1979, anunciava que já havia chegado o asfalto no City Ribeirão, contendo, como elemento gráfico, um quadrilátero preto que ocupava mais da metade do espaço da mensagem (<xref ref-type="fig" rid="f09">Figura 9</xref>). Esta evocação apelativa já era a tônica que prefigurava o elo do urbanismo funcionalista com o imaginário popular: a cidade do automóvel.</p>
                <fig id="f07">
                    <label>Figura 7</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação da Segunda etapa de vendas do City Ribeirão.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf07.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Jornal a Cidade de 12 de julho de 1979 (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Reabertura [...], 1979</xref>).</attrib>
                </fig>
                <fig id="f08">
                    <label>Figura 8</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação abordando o padrão City de empreendimentos.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf08.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Jornal a Cidade de 21 de janeiro de 1979 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Padrão [...], 1979</xref>).</attrib>
                </fig>
                <fig id="f09">
                    <label>Figura 9</label>
                    <caption>
                        <title>Divulgação do início das obras de asfalto no City Ribeirão.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247376-gf09.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Jornal a Cidade em 21 abril de 1979 (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Chegou [...], 1979</xref>).</attrib>
                </fig>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>Se é possível dizer que a City desenvolveu um modelo de urbanismo vinculado aos preceitos europeus do movimento cidade-jardim inglês, em seu veio comercial e lucrativo dos primeiros anos, com a atuação dos arquitetos Barry Parker e Raymond Unwyn nos empreendimentos mais representativos, sua trajetória demonstra uma adaptação considerável aos desafios do processo de urbanização que se acentuou nos anos seguintes, em especial a partir dos anos 1950, para os quais os ditames do urbanismo moderno, no acirrado debate internacional, couberam bem. As fórmulas que já se disseminavam e que estiveram associadas ao <italic>american way of live</italic>, representado, no campo do urbanismo, pelas Unidades de Vizinhança, vicejaram com toda a sua plenitude no Brasil, o que não foi diferente para a Companhia City, que trabalhou com competência para disseminar sua marca e amplificar, por seus meios mais diversos, o ideário funcionalista que sabia ter adesão no acirramento das práticas de mobilidade baseadas no automóvel.</p>
            <p>O imaginário construído pela Companhia, desde os seus primeiros anos de atuação, estruturou-se em um sofisticado sistema de divulgação em peças publicitárias, estabelecendo não só um elo profundo com o consumidor de seus produtos imobiliários, mas também servindo como um instrumento pedagógico para consagrar um modo de vida, traduzido pelas vias do bom urbanismo, alinhado, como se pôde ver, ao conhecimento amplificado da urbanística moderna. Ainda que esta tenha sido uma tática também utilizada por outras empresas loteadoras com o crescimento do mercado de produção de lotes, ao longo dos anos, nem sempre a relação entre o conhecimento, a prática e a difusão ideológica dessa produção se estabeleceu com coerência.</p>
            <p>Nas primeiras iniciativas da Companhia, em especial o Jardim América, dirigido a uma população de alto poder aquisitivo, os anúncios destacaram a amplitude das suas áreas ajardinadas e da vegetação para associá-las a uma paisagem bucólica, longe dos espaços produtivos, do campo ou da cidade, anunciando os preceitos da vida moderna suburbana e americanizada. No City Ribeirão, alguns desses aspectos foram mantidos. Mas a grande diferença estava no posicionamento do loteamento na cidade, na sua vinculação e na articulação, que os anúncios também destacaram, demonstrando a sintonia entre os princípios do projeto e os mecanismos de sua divulgação. O reconhecimento da qualidade urbanística, da presença mais abundante de áreas verdes e da distância de áreas que continham densidades populacionais maiores fez-se sem perder de vista a relação com a cidade existente. O automóvel, um bem “precioso e indispensável”, naquele momento não percorreria grandes distâncias para alcançar a cidade, podendo rodar com facilidade nas ruas que logo ganhariam o asfalto, o símbolo maior dessa modernidade tecnológica que despontava. Somaram-se a ele outros equipamentos como a luz elétrica, o saneamento e as demais infraestruturas que, não raro, eram negligenciados nos loteamentos produzidos naquele momento no Brasil.</p>
            <p>A profusão de outras empresas loteadoras inspiradas no modo de vida suburbano ligado à missão mercadológica do modelo cidade-jardim, a exemplo da Alphaville Urbanismo, evidencia o sucesso no alargamento da ideologia expandida pela tríade projeto – incorporação – divulgação, transformada, com os anos, para dar forma a novos tipos de empreendimentos, reclusos e fechados à cidade. Até os anos 1970, no entanto, o empreendimento City Ribeirão provou que isto ainda não estava na mira da Companhia City, ao articular um novo bairro à cidade existente. A empresa não abriu mão desse princípio na maior parte das vezes, embora o caso do City Ribeirão mostre uma tentativa de equilíbrio entre seguir estes princípios e conseguir efetivar as vendas esperadas. Esse paradoxo parece ter ocorrido e está, em certa medida, presente em toda a trajetória da empresa, distinguindo-a de um padrão que viria a se disseminar. Ainda que sejam válidas as críticas ao cunho elitista através do qual a Companhia City operou seus empreendimentos, desde o início de sua atuação, interessada em expandir seu capital, é importante ressaltar que o fez a partir de conhecimentos proferidos pela práxis do urbanismo moderno, observando questões que, por outro lado, pautaram-se por um conhecimento originalmente transformador da sociedade e não simplesmente um meio para oferecer qualidade de vida apenas para alguns grupos. Frequentemente cooptado pelas forças do mercado, a exemplo do que fez a City, indaga-se se o “bom urbanismo”, vinculado ao campo do saber, tem servido majoritariamente, desde então, a grupos economicamente privilegiados no Brasil, disseminando um modelo que preza mais pelas individualidades – a casa no lote – do que os aspectos coletivos que sempre estiveram na pauta do urbanismo modernista.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo financiamento desta pesquisa.</p>
        </ack>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p><bold>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic>:</bold> Bernardini, S. P.; Mano, A. C. C. A atuação da companhia City-SP na década de 1970: o caso do bairro City Ribeirão. <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e247376, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7376">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7376</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="supported-by">
                <label>Apoio/<italic>Support</italic></label>
                <p>Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn01">
                <label>1</label>
                <p>Artigo elaborado a partir da tese A. C. C. Mano, intitulada provisoriamente “A Cia City e os novos bairros no interior do estado de São Paulo nos anos 1970” e no artigo “A Companhia City-SP e as estratégias de divulgação publicitária de seus empreendimentos (1915-1977)”, publicado nos Anais do XX Encontro da Associação Nacional de Pesquisa em Planejamento Urbano (ENANPUR), tendo sido inteiramente modificado para esta publicação.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Tomamos como marco, aqui, principalmente o I Seminário sobre Desenho Urbano no Brasil, que ocorreu na Universidade de Brasília entre 3 e 6 de setembro de 1984 (<xref ref-type="bibr" rid="B50">Turkienicz; Malta, 1984</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Como a infraestrutura implantada (arruamento, galerias pluviais e luz domiciliar), o traçado, a salubridade e a tranquilidade.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Informações obtidas no Linkedin do profissional. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.linkedin.com/in/elvio-marcus-sguizzardi-1a591579/?originalSubdomain=br">https://www.linkedin.com/in/elvio-marcus-sguizzardi-1a591579/?originalSubdomain=br</ext-link>. Acesso em: 01 fev. 2023.</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>Referências</title>
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                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ciacity.com.br/magazine.php">http://www.ciacity.com.br/magazine.php</ext-link></comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">1 fev. 2023</date-in-citation>
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                    <comment>Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Urbanismo</comment>
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                    <chapter-title>Jornal Diário da Manhã</chapter-title>
                    <day>25</day>
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                    <comment>Diponível no Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto</comment>
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                    <comment>Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo)</comment>
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