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                <journal-title>Revista Oculum Ensaios</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                <article-title>Hotel e cidade moderna: dois grandes hotéis de Giacomo Palumbo na cidade de Recife (1924-1938)</article-title>
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                    <trans-title>Hotel and modern city: two great hotels by Giacomo Palumbo in the City of Recife (1924-1938)</trans-title>
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                        <surname>Cortez</surname>
                        <given-names>Karine Maria Gonçalves</given-names>
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                        <surname>Moreira</surname>
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                <label>1</label>
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                <label>2</label>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano. Recife, PE, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01"> Correspondência para/Correspondence to: K.M.G. Cortez. E-mail: <email>karinemgc@gmail.com</email>
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                    <label>Editoras</label>
                    <p>Renata Baesso e Patrícia Samora</p>
                </fn>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesse</label>
                    <p>Não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
            </author-notes>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O italiano Giacomo Palumbo (1891-1966) foi o arquiteto de maior destaque atuando na cidade de Recife entre as décadas de 1920 e 1930. Reconhecido pelos seus estudos em Paris, produziu as mais importantes obras públicas e privadas deste período, seguindo o vocabulário arquitetônico clássico e eclético. Entre seus projetos estão a Faculdade de Medicina de Recife, o Palácio da Justiça e o Hospital Centenário, e diversas residências. Apesar da magnitude de sua obra, que se estendeu para outras cidades do Nordeste e para o Rio de Janeiro, existem grandes lacunas e omissões na historiografia da arquitetura sobre sua figura. Como recorte de uma pesquisa mais ampla que procura resgatar sua trajetória e obra em Recife, este artigo busca mostrar a atuação de Palumbo nos bairros centrais por meio da análise de dois hotéis: o Grande Hotel de Recife e o Hotel Central, projetados e construídos entre 1924 e 1938. Em relação à metodologia, foram realizadas consultas aos acervos públicos do Estado de Pernambuco, aos periódicos e jornais diários da época, e diversas fontes bibliográficas que se debruçaram sobre o tema. Os resultados obtidos indicam que os hotéis se estabeleceram como locais de luxo por questões estilísticas, conforto, higiene, inovações tecnológicas, riqueza de usos e por oferecerem novos espaços de sociabilidade, de negócios e lazer, consolidando-se como expressão econômica, política e simbólica da modernidade em Recife.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The Italian Giacomo Palumbo (1891-1966) was the most prominent architect working in Recife between the 1920s and 1930s. Recognized for his studies in Paris, he produced the most important public and private works of this period, following the project classical and eclectic architecture. Among the projects are the Recife Medical School, the Palace of Justice and the Centenary Hospital, in addition to several residences. Despite the magnitude of his work, which extended to other cities in the Northeast and Rio de Janeiro, there are large gaps and omissions in the architectural historiography about his figure. As part of a broader research that studies his trajectory and work in Recife, this article seeks to show Palumbo’s works in the central neighborhoods through the analysis of two hotels: The Grande Hotel de Recife and the Hotel Central, constructed between 1924 and 1938. Regarding the methodology, research was conducted in public archives of the State of Pernambuco, periodicals and daily newspapers from that time, as well as various bibliographic sources that have delved into the subject. The results obtained indicate that the hotels established themselves as luxury spaces due to stylistic issues, comfort, hygiene, technological innovations and richness of uses, offering new spaces for sociability, business and leisure, consolidating itself as an economic and political expression accompanied by modernity in Recife.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Arquitetura</kwd>
                <kwd>Belas Artes</kwd>
                <kwd>Grande Hotel</kwd>
                <kwd>Hotel Central</kwd>
                <kwd>Modernização</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Architecture</kwd>
                <kwd>Beaux-Arts</kwd>
                <kwd>Big Hotel</kwd>
                <kwd>Central Hotel</kwd>
                <kwd>Modernization</kwd>
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                    <award-id>IBPG-0616-6.04/19</award-id>
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                <funding-statement>Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Processo nº IBPG-0616-6.04/19).</funding-statement>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>No início do século XX Recife passava por um momento de grandes transformações, com melhoramentos em infraestrutura e serviços urbanos. Entre os nomes que ajudaram a compor esse cenário na cidade de Recife estava o arquiteto italiano Giacomo Palumbo (1891-1966), que se estabeleceu na cidade entre 1919 e 1939 e foi responsável pelos edifícios mais significativos deste período, como o Grande Hotel de Recife, a Faculdade de Medicina de Recife, o Hotel Central e o Hospital Centenário, além de diversos palacetes que adornavam as áreas de expansão da cidade. Ele seguia os ensinamentos clássicos herdados de seus estudos em Paris, buscando atender aos anseios de seus clientes e às funções dos edifícios, o que o fazia adicionar a esta tradição elementos do ecletismo e do neocolonial. Apesar da sua importância para a construção de uma Recife moderna, existem muitas lacunas e omissões na historiografia sobre sua obra e trajetória.</p>
            <p>Como parte de uma pesquisa mais ampla sobre a atuação de Palumbo em Recife, este artigo busca mostrar sua atuação nos bairros centrais por meio da análise de dois grandes hotéis: o Grande Hotel de Recife e o Hotel Central; o primeiro, fruto de uma encomenda pública e o segundo, de encomenda privada, efetuados entre 1924 e 1938.</p>
            <p>Os projetos desses edifícios seguiam a linguagem da tradição clássica, como a ordenação tripartite entre base-corpo-coroamento e a composição por meio das ordens, ao mesmo tempo que buscaram atender as demandas da vida moderna, oferecendo mais conforto e comodidades para viajantes e novos espaços de sociabilidade para o local, utilizando os materiais e técnicas contemporâneos. Esses hotéis devem ser vistos como testemunhos marcantes do processo de modernização que a cidade atravessava.</p>
            <p>O estudo foi pautado na pesquisa documental e bibliográfica, priorizando diversas fontes de pesquisa, como periódicos e jornais diários da época, além da documentação existente em arquivos públicos. O artigo divide-se em cinco partes: a primeira apresenta o arquiteto e oferece uma visão de conjunto de sua obra nos anos 1920; a segunda aborda a conjunção de novos fatores políticos e culturais de cunho modernizante que alteraram o cenário urbano na década de 1920; a terceira apresenta a nova tipologia edilícia, o hotel e seu aparecimento no Brasil; e por fim, a quarta e quinta parte propõem um olhar mais detido sobre o Grande Hotel de Recife e Hotel Central.</p>
            <sec>
                <title>O arquiteto Giacomo Palumbo</title>
                <p>As poucas informações que temos sobre a trajetória de Giacomo Palumbo foram coletadas por <xref ref-type="bibr" rid="B16">Miranda (1981)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B04">Dantas (2003)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B27">Sá (2008)</xref> em entrevistas à sua filha única, Yvette, e ao seu neto, Hélio Eichbauer, realizadas entre 1981 e 2008<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref>. Por meio delas, foi revelado que Giacomo Palumbo nasceu na Ilha de Corfu, na Grécia, em 1891, filho de pais italianos, Gabrielle e Giulia Palumbo. Seu pai era engenheiro e participou da equipe de Ferdinand Marie de Lesseps, responsável pela construção do Canal de Suez. A partir dessas entrevistas, soubemos que Palumbo havia estudado na École de Beaux-Arts, em Paris, França, concluindo o curso em 1910, contudo, identificamos que ele assinava os seus projetos com a sigla E.S.A. Essa informação nos levou aos documentos existentes na École Spéciale d’Architecture, que confirmaram seu ingresso nesta instituição parisiense em 1908 e sua saída em 1911, sem recebimento de diploma<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>. Diante das grandes dificuldades encontradas na Europa devido a Primeira Grande Guerra, Giacomo Palumbo resolveu migrar para a América do Sul em busca de trabalho e de uma nova vida, provavelmente com seu irmão, o engenheiro Victor Palumbo, desembarcando no Rio de Janeiro em 1917, e chegando a Recife entre 1918 e 1919, onde acabou se fixando. Não sabemos ao certo o que o levou a se fixar em Recife, mas o fato de já ser responsável por projetos de grande porte logo após sua chegada parece apontar que foram essas encomendas que o motivaram a se estabelecer na cidade.</p>
                <p>Ao longo de sua permanência na cidade de Recife, Palumbo estabeleceu diversas parcerias com o pintor alemão Heinrich Moser, com Heitor Maia Filho e Hugo Azevedo Marques, arquitetos licenciados e atuantes em Recife. Assim, fica claro que a relação que Palumbo estabeleceu com os principais arquitetos (ainda não diplomados) da época, ora considerados discípulos, ora parceiros para trabalhos pontuais, evidencia a rápida ascensão e a grande proeminência dele no meio profissional local. O fato de ter estudado em Paris (mesmo na École Spéciale d’Architecture e sem a finalização formal do curso) certamente legitimou-o para exercer no Brasil não apenas as atividades de projeto e construção, mas também de ensino, como professor catedrático da Escola de Belas-Artes de Pernambuco, da qual foi um dos fundadores em 1932.</p>
                <p>Pouco tempo após seu estabelecimento, ele passou a receber as principais encomendas de novos edifícios na cidade de Recife, particularmente os edifícios públicos. Ao longo de sua atuação na cidade, estreitou relação com a elite econômica de Pernambuco, entre eles usineiros, comerciantes e empresários, que passaram a contratá-lo para projetar suas residências e empreendimentos.</p>
                <p>Em 1921, Palumbo já havia elaborado propostas para o Parque Treze de Maio e para o Parque Interno do Palácio do Governo. Na sequência, foi contratado pelo Governo Sérgio Loreto para realizar o projeto do Palácio da Justiça (1924-1930) e o Grande Hotel de Recife (1924-1938). À medida que a cidade se expandia com os melhoramentos públicos, o aparecimento de equipamentos de lazer e cultura, Palumbo também era requisitado a projetar seguindo os anseios e desejos dos novos modos de morar, socializar e trabalhar. Nos subúrbios, Palumbo projetou o Hospital do Centenário (1922-1925), a reforma do Asilo Bom Pastor (1922-1924), a Faculdade de Medicina (1925-1927), além de projetos para várias residências da elite pernambucana, entre elas as residências de Othon Bezerra de Melo (de 1922), Annita Cherques (de 1927) e Costa Azevedo (de 1934) (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>).</p>
                <fig id="f01">
                    <label>Figura 1</label>
                    <caption>
                        <title>Projetos realizados por Palumbo: Hotel Central, Grande Hotel do Recife e Palácio da Justiça, Residência Costa Azevedo, Residência Othon Bezerra de Melo e Hospital do Centenário.</title>
                    </caption>
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                    <attrib>Fonte:<xref ref-type="bibr" rid="B06"> Diário da Manhã (1927)</xref>; Arquivo Público do Estado de Pernambuco; Luciano Ferreira/Prefeitura da Cidade de Recife (2013).</attrib>
                </fig>
                <p>Além das encomendas públicas e projetos particulares, Palumbo foi responsável por outros projetos e trabalhos, desde decoração de eventos à atuação como perito de sinistros do Estado<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>. Desse modo, pode-se dizer que tão logo chegou a Recife, Palumbo ofereceu os conhecimentos adquiridos de seu ensino parisiense ajudando a introduzir na cidade, ainda com traços da era colonial, os ares de modernidade que vivenciou no continente europeu, tornando-se um dos arquitetos mais solicitados do período.</p>
                <p>Já em 1922, Palumbo era apontado no “Diário de Pernambuco”, pelo jornalista Aníbal Fernandes, como “[...] único arquiteto que aqui existe” em uma cidade cuja produção arquitetônica estava longe do bom gosto (<xref ref-type="bibr" rid="B05">De uns [...], 1922</xref>, não paginado). Para ele, com a Reforma da Casa de Othon Bezerra de Mello, Palumbo revelava suas habilidades em consonância com que era aceito como “belo e de bom gosto”.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>Numa terra em que se commettem diariamente os mais horríveis attentados à belleza, ao bom gosto e à própria dignidade da vida, em matéria de architectura, numa terra em que o architecto não existe, porque só consegue vencer o mestre de obra presumido e inconsciente, v. teve essa grande audácia: mandar construir a sua habitação pelo único architecto que aqui existe. [...]. Isso que v. está fazendo, meu amigo, e constitue neste pacato meio provinciano, um verdadeiro escândalo, fazem-no com applauso de todas as pessoas de gosto</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B05">De uns [...], 1922</xref>, não paginado).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>Nos seus primeiros anos em Recife, a atuação de Palumbo teve lugar no bairro de Santo Antônio, por meio de projetos promovidos pelo poder público cujos desejos progressistas e de modernização passaram a impulsionar significativas transformações<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>.</p>
                <p>Recife na década de 1920</p>
                <p>Nas duas primeiras décadas do século XX, Recife vivenciou um momento de grandes transformações. Emulando a reforma haussmaniana de Paris, o bairro portuário foi redesenhado entre 1909 e 1915 causando o desaparecimento de inúmeros sobrados e do traçado urbano colonial para possibilitar a abertura de duas avenidas radiais que partiam do cais do Porto, conhecido como Marco Zero. Essas avenidas foram ocupadas por edifícios de arquitetura historicista e eclética, que passaram a abrigar bancos, seguradoras e escritórios de empresas ligadas à atividade portuária e financeira. Em paralelo, foi implementado o projeto de reaparelhamento e modernização do Porto com a construção de diques, cais de atracação, muralhas e armazéns, serviços de dragagem e de aterros e implantação de linhas férreas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moreira, 2022</xref>). Ao mesmo tempo, era implantado o Plano de Saneamento de Recife sob a direção do engenheiro Saturnino de Brito com a intenção de modernizar o sistema de esgoto sanitário e de abastecimento d’água.</p>
                <p>O gosto pela arquitetura eclética se espalhou pela cidade, como símbolo de modernidade e status social, almejado particularmente pela elite de comerciantes locais. Ele estava presente tanto nas novas fachadas de antigos edifícios nos bairros centrais – particularmente no Santo Antônio –, como nos subúrbios na forma de palacetes para as elites locais que despontavam em bairros como Graças, Aflitos e Casa Forte.</p>
                <p>O bairro de Santo Antônio era o centro administrativo e cultural, onde se localizavam os principais edifícios públicos, além de se estabelecer com um novo status de “estar” da cidade, predominando os órgãos públicos, igrejas, entre outros marcos simbólicos. Era nesse bairro, particularmente no eixo formado pela 1º de Março, Rua Nova e Rua da Imperatriz (esta última já no bairro da Boa Vista) (<xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>), onde estavam as ruas do comércio elegante, das modistas, das perfumarias, das confeitarias, joalherias, segundo vários memorialistas e cronistas. Era lá também onde estavam a maioria dos cafés, cinemas, restaurantes e os escritórios de profissionais liberais, como dentistas, médicos e advogados (<xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>) (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Freyre, 1979</xref>, v. 2; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Moreira, 2022</xref>).</p>
                <fig id="f02">
                    <label>Figura 2</label>
                    <caption>
                        <title>Mapa da Cidade de Recife, 1932 com modificações dos autores indicando a localização dos dois hotéis em estudo.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf02.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Museu da Cidade do Recife.</attrib>
                </fig>
                <fig id="f03">
                    <label>Figura 3</label>
                    <caption>
                        <title>Centro do Recife no início dos anos 1920. (Foto da esquerda, Rua Sigismundo Gonçalves, vista da antiga praça Saldanha Marinho para a praça da Independência, bairro de Santo Antônio. Foto da direita: Rua da Imperatriz, bairro da Boa Vista).</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf03.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Almanaque Centenário (2016) e FUNDAJ.</attrib>
                </fig>
                <p>Ao longo das décadas de 1910 e 1920, muitos sobrados coloniais foram remodelados seguindo os padrões estéticos do ecletismo, mas também foram construídos novos edifícios como a sede do “Diário de Pernambuco”, Faculdade de Direito em 1911 e do Palácio da Justiça em 1924. Com o sistema de bondes elétricos inaugurado em 1914 e constantemente ampliado, o Bairro passou a ter um papel fundamental como centro de irradiação e de ligação entre os bairros centrais e toda a cidade (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moreira, 2022</xref>).</p>
                <p>Aliados ao crescimento da cidade, os debates em busca de leis mais eficazes às novas demandas resultaram no código de obras Regulamento da Construção em Recife, Lei nº1.051, de 11 de setembro de 1919. Tal regulamento determinava, especialmente, recuos e aberturas para ventilação e iluminação dos cômodos dos edifícios, zoneamento do espaço urbano dividindo a cidade em quatro grandes zonas (principal, urbana, suburbana e rural) de modo a conferir melhores condições de salubridade às edificações e aos espaços públicos.</p>
                <p>Em termos políticos e econômicos, a década de 1920 em Recife foi bastante turbulenta. A cidade assistiu a uma crise sucessória pelo poder entre dois grupos políticos locais. Para evitar uma crise política, um acordo foi selado, levando ao cargo de Governador o juiz federal Sérgio Loreto (1922-1926).</p>
                <p>A gestão de Loreto foi marcada por ações de modernização na área de saúde, na administração e nas obras públicas com grande impacto na cidade. Ele criou o setor de Serviços Sanitários do Estado sob a responsabilidade de seu genro, o médico Amaury de Medeiros, que estruturou reformas com intensa propaganda sanitária, inspecionou diversos imóveis, reformas e criação de hospitais, entre outras intervenções na cidade. Loreto também propôs a construção imediata do atual Palácio da Justiça, com o projeto a cargo de Palumbo, e criou a Secretaria de Interior e Justiça com a direção do jornalista Aníbal Fernandes, grande defensor da cidade no seu aspecto paisagístico e arquitetônico (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Souza Barros, 1985</xref>).</p>
                <p>Loreto utilizou-se largamente dos meios de comunicação local para alardear suas ações em prol da modernização de Recife, a exemplo da “Revista de Pernambuco” e da encomenda de filmes e documentários (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Rezende, 1992</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Saraiva Moreira, 2020</xref>). A maioria das intervenções ocorridas em sua gestão aconteceram nas áreas suburbanas, periféricas da cidade, criando áreas de expansão, como Derby e Boa Viagem, com padrões urbanísticos distintos daquele da área central (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moreira; Saraiva, 2020</xref>).</p>
                <p>Loreto foi sucedido por Estácio Coimbra (1926-1930), cujo governo, por sua vez, empreendeu várias reformas, especialmente na área de educação. Preocupado com a questão urbana convidou o urbanista Alfred Agache, que estava negociando seu plano para o Rio de Janeiro, para dar palestras em Recife (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Moreira, 2004</xref>) e investiu na melhoria do abastecimento de água e do saneamento da cidade. Em seu governo, criou a Inspetoria Estadual dos Monumentos destinada à defesa e à conservação dos monumentos históricos, uma atitude pioneira no país, resultado de um projeto de Aníbal Fernandes, primeiro diretor do órgão (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Rodrigues, 2019</xref>). As ações empreendidas por esses dois governantes exigiam um novo patamar de qualidade em termos de arquitetura e urbanismo, o que certamente deve ter aberto portas para a figura de Palumbo, um dos profissionais de maior destaque na cidade.</p>
                <p>A vida urbana de Recife se tornou mais ativa e agitada. Além de cafés, cabarés e saraus, a cidade já tinha diversas salas de cinemas e se transformou em um dos polos mais importantes de cinema no Brasil, ao sediar o Ciclo de Recife, ativo entre 1923 e 1931 (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Rezende, 1992</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B29">Saraiva, 2017</xref>). No cenário cultural, a cidade também experimentou diversas manifestações ligadas ao modernismo nos anos 1920, com exposições de arte moderna e movimentos culturais, com destaque para o movimento regionalista, capitaneado por Gilberto Freyre. Já existiam diversas escolas e algumas faculdades (Engenharia, Medicina e Direito), bem como boas livrarias e uma imprensa ativa que acompanhava a movimentação social e cultural, e dava destaque aos eventos que sugerissem uma relação com a modernidade europeia.</p>
                <p>Portanto, percebe-se que justamente nas proximidades deste eixo mais dinâmico entre a rua 1º de Março e a Rua da Imperatriz, onde se concentrava essa vida mais dinâmica e luxuosa da cidade, é que foram erguidos os dois hotéis que serão aqui estudados. Observa-se também que esses hotéis ofertavam em seus pavimentos térreos atividade comercial, dando mais suporte ao cotidiano dos cidadãos recifenses e hóspedes, reforçando o amplo contexto de modernização pelo qual Recife passava.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>O Hotel Moderno</title>
                <p>Nesse contexto de modernização, alguns empreendimentos começaram a ser exaltados, entre eles os hotéis, como símbolos representativos da aspiração de transformação da cidade moderna, oferecendo novos espaços de sociabilidade, negócios, descanso e a prática do lazer. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B24">Pevsner (1997)</xref>, o hotel como conhecemos hoje teve sua origem na hospedaria medieval, que com o passar da história foi se transformando. Os albergues e hospedarias se apresentavam como edificações de pequeno porte com tipologia arquitetônica de palácio, composto por um pátio cercado por galerias que davam acesso aos dormitórios, além de espaços para as carruagens e cavalos. Os quartos eram comunitários podendo ser utilizados por comerciantes ou nobres. Uma das principais diferenças entre essas duas tipologias estavam na diversidade de salas, especialmente nas de uso comum, nos arranjos dos elementos e na composição arquitetônica.</p>
                <p>O nome “hotel” só passou a ser utilizado efetivamente a partir do século XVIII, para denominar residências da nobreza francesa, que pela disposição e distribuição dos seus espaços, lembravam a estrutura espacial das hospedarias (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Aguiar, 1998</xref>). Com o tempo, esse termo passou a caracterizar edifícios imponentes de função pública ou privada. <xref ref-type="bibr" rid="B24">Pevsner (1997)</xref> cita o exemplo do Baden-Baden, na Alemanha, como um dos primeiros exemplos de “verdadeiro hotel” no qual era possível encontrar um grande salão de baile com galerias, palco giratório, sala de jantar envolta por colunas iluminada por uma claraboia, embora não tivesse muitos dormitórios com sanitários individuais.</p>
                <p>De um modo geral, os meios de hospedagem, em especial o hotel, funcionavam como espaços de sociabilidade tanto para viajantes, quanto para a sociedade local, visto que muitas vezes seus espaços abrigavam luxuosos eventos sociais, ligados ao ócio e ao descanso, ou às atividades de negócios. Essa configuração reforça a complexidade do programa hoteleiro e seu caráter híbrido, signo da modernidade (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva, 2022</xref>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva (2022)</xref>, a tipologia arquitetônica híbrida dos hotéis é assegurada pela justaposição de usos, funções e arranjos espaciais e formais, características visíveis na era moderna, podendo ser visto nos dois hotéis aqui abordados.</p>
                <p>No início do século XIX, os hotéis de luxo passaram também a representar os avanços das novas formas de mobilidade e do turismo, desencadeados tanto pelo aumento das viagens de lazer e de negócios das classes mais abastadas, como pelo conceito de tempo livre, adquirido por meio de reivindicações das classes trabalhistas (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Cocks, 2001</xref>).</p>
                <p>Os hotéis foram os primeiros a adotar as inovações técnicas e tecnológicas que proporcionavam um nível de conforto muitas vezes desconhecidos da grande maioria das residências (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Cohen; Cabot; Gire, 2014</xref>). A adoção de muitos elementos modernos, a exemplo dos elevadores, banheiros internos, aquecimento central, sistemas de ar-condicionado, telefones entre outros sistemas, permitiram que o hotel funcionasse como um espaço de experimentação e disseminação do progresso, estabelecendo também padrões mais elevados de higiene e salubridade. Quanto ao sistema construtivo, o hotel se beneficiou do uso do concreto, bem como da verticalização dos edifícios como signo de modernização, distinção e poder, auxiliada pela inovação tecnológica dos elevadores.</p>
                <p>Em termos de linguagem arquitetônica, nesse período os arquitetos buscaram na vasta oferta de formas arquitetônicas disponível pelo Ecletismo as formas apropriadas para os hotéis. Era preciso existir na composição dos projetos coerência entre construção, estrutura, partes e ornamentos. Para muitos arquitetos o ornamento deveria integrar-se ao edifício, sendo um elemento que confere caráter à arquitetura, adequando a escolha do estilo à função do prédio. Ademais, os arquitetos podiam usar das mais diversas fontes do passado para inventar uma arquitetura nova, moderna e adaptada ao momento atual. <xref ref-type="bibr" rid="B07">Fabris (1993)</xref> também destaca que os elementos construídos na arquitetura eclética evidenciavam a partir das características externas o status de seus ocupantes, seja ele o Estado (público) ou indivíduo particular. <xref ref-type="bibr" rid="B23">Pateta (1987)</xref> aponta que a classe burguesa era a principal entusiasta do ecletismo:</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>O Ecletismo era a cultura arquitetônica própria de uma classe burguesa que dava primazia ao conforto, amava o progresso (especialmente quando melhorava suas condições de vida), as novidades, mas rebaixava a produção artística e arquitetônica ao nível da moda e do gosto</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B23">Pateta, 1987</xref>, p. 13).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>De forma geral, o cliente burguês demandou do arquiteto do século XIX grandes avanços nas instalações sanitárias, na constituição de novas tipologias, na criação de espaços luxuosos inspirados nas Exposições Universais e um tipo de erudição que podia basear-se na composição estilística, no historicismo tipológico e no pastiche compositivos (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Pateta, 1987</xref>).</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva (2022)</xref> assinala que todos esses elementos deram oportunidade para o hotel se consolidar como uma expressão econômica, política e simbólica da modernidade. Embora suas formas arquitetônicas fossem vistas como antiquadas pela geração seguinte de arquitetos modernos, não podemos esquecer o fato que todas as atividades e usos associados ao hotel eram geralmente o que existia de mais moderno em uma cidade nas primeiras décadas do século XX.</p>
                <p>Nos anos de 1920, em meio a um processo de modernização das principais cidades do Brasil, são inaugurados luxuosos hotéis, como o Glória (1920-1922) e o Copacabana Palace (1917-1923) no Rio de Janeiro, o Hotel São Paulo (de 1923), posteriormente chamado de Esplanada, em São Paulo, todos projetos do francês Joseph André Gire. O glamour dos hotéis, os eventos que neles eram realizados e a atração turística que eles promoviam notabilizaram uma crescente necessidade de se construir um novo hotel em Recife.</p>
                <p>No final do século XX, Recife ainda não possuía meios de hospedagem de alto padrão; eram estalagens, pensões, hospedarias ou hotéis mais voltados para amparar as atividades comerciais no centro da cidade, em torno dos principais pontos de circulação, ou para o veraneio e lazer das famílias locais nos arrabaldes da cidade, próximo ao rio Capibaribe. Destacam-se no centro, os hotéis La Cave d’Or, o Hotel d’Europe, Novo Hotel Pernambucano, e nos arrabaldes o Grande Hotel de Apipucos e o Grande Hotel de Caxangá (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Silva, 2007</xref>). Entre as pensões, observa-se com destaque a Pensão Derby, criada em 1899, que logo após a sua inauguração passou a ser chamada de Grande Hotel Internacional no Derby. <xref ref-type="bibr" rid="B22">Paraiso (2004)</xref> demonstra atenção especial a essa Pensão, tanto pela elegância da construção e conforto dos dormitórios, quanto pelo preenchimento de uma lacuna de serviços existentes na cidade.</p>
                <p>No início do século XX, os hotéis continuam a se concentrar no centro, especialmente na Boa Vista e no bairro de Santo Antônio, ambos os bairros dos hotéis em estudo, criados por Palumbo. Nesse período, como citado anteriormente, o entorno desses hotéis dispunha de um contexto sociocultural e administrativo de grande importância. Assim, de modo a sanar a carência de hospedagem e oferecer maior conforto e lazer aos seus usuários, Palumbo foi contratado para projetar dois hotéis de luxo, quase que simultaneamente, o Grande Hotel de Recife e o Hotel Central. O primeiro, fruto de iniciativa pública pela modernização em curso na cidade e o segundo pela visão empreendedora do empresário grego Constantin Aristide Sfezzo ao identificar o déficit hoteleiro de alto padrão na cidade.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>O Grande Hotel de Recife</title>
                <p>A quantidade e o nível de conforto dos hotéis passaram a demonstrar o nível de progresso de uma cidade, o que chegou a mobilizar até o setor público para dar conta dessa carência. Assim, o prefeito Antônio de Góes (1922-1926) juntamente com o Governador Sérgio Loreto, em 1924, autorizou a construção do Grande Hotel de Recife. Para a concorrência, foram apresentadas duas propostas, sendo selecionada a empresa carioca M. J. Carneiro Junior em parceria com o empresário J. Brandão e Magalhães, proprietários na época de vários hotéis no sul do país. O grupo vencedor organizou uma companhia que se denominou “Empresas de Grandes Hotéis de Pernambuco” para melhor administrar a construção e a exploração. Ela obteve junto à Prefeitura inúmeros benefícios e incentivos para compra e transportes de materiais importados.</p>
                <fig id="f04">
                    <label>Figura 4</label>
                    <caption>
                        <title>Primeiro projeto para o Grande Hotel do Recife, sem autoria identificada.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf04.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Revista de Pernambuco, n.1, agosto, 1924.</attrib>
                </fig>
                <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva (2022)</xref>, um hotel deste porte é o resultado da sua localização no ambiente urbano e dos avanços tecnológicos dentro de três dimensões: meios de transporte, construção e comunicação. Do ponto de vista da localização e transporte, pode-se observar que a escolha do local do Grande Hotel de Recife, no Bairro de Santo Antônio, de frente para o Rio Capibaribe, levou em consideração a vantagem de unir o negócio e o ócio, servindo de apoio para viagens de trabalho, pela conectividade de fluxos em torno de importantes nós de circulação, facilitado pelos meios de transportes, e pelo lazer com a proximidade de praças, do rio e contemplação da paisagem.</p>
                <p>A primeira proposta apresentada em agosto de 1924 mostra um edifício com o caráter mais alongado com 5 pavimentos, pensado para lote da Antiga Delegacia Fiscal, na Avenida Martins de Barros (<xref ref-type="fig" rid="f04">Figura 4</xref>). No entanto, em setembro de 1924, um novo local é escolhido na mesma avenida, um terreno ao lado da Praça Dezessete, onde até 1911 funcionou a Faculdade de Direito, no antigo Convento dos Jesuítas, que se encontrava em estado de arruinamento. Com o prolongamento da Rua do Imperador, o convento que era adjacente à Igreja do Divino Espírito Santo foi demolido. O local reunia uma série de vantagens, pois além de estar próximo do burburinho da área central, oferecia a vista para o Rio Capibaribe, para o Bairro do Recife e o mar, uma vista imortalizada por uma pintura de Cícero Dias feita nas proximidades em 1931<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>. O hotel teria cerca de “150 quartos, apartamentos de luxo, salas de chá e banquetes, bar, mais ou menos no estilo do Copacabana Palace”, assim noticiavam as revistas da época (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Grande Hotel, 1924</xref>).</p>
                <p>Outro fator na escolha do local para construção residiu no possível palpite dado por Gilberto Freyre. Quando o urbanista francês Alfred Agache esteve de passagem por Recife, em fevereiro de 1927, realizou um passeio pelo Capibaribe juntamente com Gilberto Freyre. Freyre afirma que Agache ficou fascinado pela vista a partir daquela perspectiva. Na ocasião, o sociólogo afirmou ter sugerido a Agache o local ideal para construção do Grande Hotel de Recife. No entanto, a indicação do terreno já era anunciada em periódicos em 1924 e o projeto já aparecia ajustado para o novo terreno na gestão de Sérgio Loreto<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>.</p>
                <p>O edifício ocupa uma quadra inteira e possui uma volumetria regular por meio de um prisma de base retangular com amplo pátio central promovendo maior salubridade. Do ponto de vista da construção, todas as suas fachadas voltadas para as vias são classicamente simétricas e tripartidas com embasamento com frisos, corpo em argamassa pintada e ornamentada, especialmente na sua parte central sutilmente avançada com marcação de arcos no térreo, sacadas destacadas e colunatas simples estabelecendo o eixo de simetria do edifício, e, por fim, o coroamento com um corpo central. A nobreza das linhas clássicas e a monumentalidade evidenciam a função do edifício de caráter público, cuja finalidade busca transparecer estabilidade e solidez (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>).</p>
                <fig id="f05">
                    <label>Figura 5</label>
                    <caption>
                        <title>Fachada Lateral e Frontal do Grande Hotel do Recife.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf05.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Arquivo Público do Estado de Pernambuco.</attrib>
                </fig>
                <p>No térreo, a partir da recepção, chega-se à galeria onde se tem acesso ao hall de elevadores, escadaria central e diversos compartimentos que abrigavam espaços de uso comum aos hóspedes e público externo (coiffeur, bar, restaurante e lojas), além de outros serviços internos, como administração, copa e despensa (<xref ref-type="fig" rid="f05">Figura 5</xref>). Os principais ambientes sociais eram espaçosos, com bons pés-direitos reforçando os aspectos voltados ao luxo e a ostentação. A incorporação de outros usos e funções, a conectividade dos fluxos entre público e privado facilitada pela integração do edifício e o meio urbano, reforçam o caráter híbrido do hotel na modernidade, como ressaltado por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Paiva (2022)</xref>.</p>
                <p>No mezanino observa-se uma área de suporte aos serviços, instalações técnicas e apoio aos funcionários, de modo a facilitar o funcionamento, conforto e higiene das áreas sociais. No primeiro pavimento, uma galeria faz a comunicação com o salão nobre, com alguns quartos na lateral esquerda, salão de leitura e de banquetes. A partir do segundo pavimento é possível encontrar, voltado para a fachada principal, quartos com suíte e nas demais laterais, quartos com banheiros compartilhados. No último pavimento, Palumbo retoma traços do projeto de Gire para o Copacabana Palace, com a disposição de um terraço descoberto, embora tenha enfatizado mais o corpo central na composição.</p>
                <fig id="f06">
                    <label>Figura 6</label>
                    <caption>
                        <title>Planta Baixa do térreo, 1º, 5º e último pavimento do Grande Hotel do Recife.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf06.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Arquivo Público do Estado de Pernambuco.</attrib>
                </fig>
                <p>Apesar do contrato ter sido assinado em 1924, as falas e representações ainda mostram a ala do convento em ruínas em 1925 e 1926. As obras tiveram início em julho de 1929 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Solenidade [...], 1929</xref>), mas foram paralisadas em 1930, devido à falta de recursos e à dificuldade de importação dos materiais de construção. Sabemos pela coluna de Mario Melo que as obras só foram retomadas no final de 1936, agora sob o comando de um novo construtor, a empresa Cesar Mello Cunha e Companhia, com sede no Rio de Janeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Melo,1937</xref>). Nessa nova fase da construção todos os elementos decorativos das fachadas projetados por Palumbo foram modificados, buscando uma modernização das linhas, já que nos anos 1930 a arquitetura chamada de art decó ou protoracionalista passou a vigorar, embora a composição geral, tripartite e simétrica do prédio tenha sido mantida (<xref ref-type="fig" rid="f07">Figura 7</xref>). Não foram encontrados indícios da participação de Palumbo nessa nova fase.</p>
                <fig id="f07">
                    <label>Figura 7</label>
                    <caption>
                        <title>Grande Hotel em Construção na década de 1920 pela Empresa Brandão e Magalhães e em 1936 pela empresa Cesar Mello.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf07.tif"/>
                    <attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B09">Freyre (1968)</xref> e Museu da Cidade do Recife.</attrib>
                </fig>
                <p>A inauguração do Hotel só aconteceu em 1938, com a realização de um grande baile de gala com duas orquestras cariocas, para três mil convidados da elite pernambucana no Salão Azul. Na noite seguinte foi inaugurado o cassino, cujas atrações foram os cantores Francisco Alves e Uyara de Goiás.</p>
                <p>A concessão desse equipamento turístico dada inicialmente à empresa M. J. Carneiro logo passou para o italiano Sr. Alberto Quatrini Bianchi, também proprietário de grandes hotéis em funcionamento na época, no Rio de Janeiro e em Salvador. O hotel abrigou o cassino até 1946, quando os jogos foram proibidos no país. Entre os hóspedes, algumas personalidades importantes passaram, como o presidente francês De Gaulle, e o americano Eisenhower. Em 1955 ele passou a ser administrado pelo Grupo Monte Hotéis. Em 1968 passou a ser administrado pelo Governo do Estado, via EMPETUR. Com a criação de inúmeros hotéis na zona sul da cidade na década de 1970 e com o processo de decadência econômica da área central na década de 1980, o hotel perdeu importância e passou a ser inviável financeiramente. Em 1992, o governador Joaquim Francisco desativou-o, cedendo o edifício ao Tribunal de Justiça de Pernambuco, que ali instalou alguns anos depois o Fórum Thomaz de Aquino. Tal instalação necessitou a modernização de vários aspectos do edifício levando a sua descaracterização parcial.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>O Hotel Central (1927-1928)</title>
                <p>O Hotel Central surgiu da iniciativa empreendedora do turco de origem grega, que morava na Suiça, Constantin Aristide Sfezzo<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>. Tendo chegado em Recife em abril de 1922 para fundar e dirigir a filial da White Martins no estado, o engenheiro Sfezzo logo se inseriu entre os meios sociais mais privilegiados, relacionando-se com políticos, como Manoel Borba e Estácio Coimbra, e com ricas famílias locais, como os Bezerra de Mello, Lundgren e von Sohsten, com o qual se uniu ao se casar com Judith Adele von Sohsten (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sfezzo, 1985</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Melo; Cavalcanti, 2022</xref>).</p>
                <p>Sfezzo fez essa encomenda à Palumbo inicialmente pensando em um edifício de apartamentos para aluguel como forma de valorizar os seus ativos financeiros (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sfezzo, 1985</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B33">Silva (2012)</xref> aponta que em São Paulo já era uma tendência no período investir em edifícios destinados ao aluguel, na medida em que o mercado de locação era mais fácil de administrar do que o de compra e venda<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>. Entretanto, logo surgiu uma proposta de sociedade, feita por George Kyrillos, um imigrante libanês, também de origem grega, para transformar o que seria um edifício de apartamentos em um hotel de luxo, proposta aceita por Sfezzo (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fundarpe, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Melo; Cavalcanti, 2022</xref>). No dia 16 de outubro de 1927, o Diário de Pernambuco noticiava o início da construção do hotel a cargo da firma Brandão &amp; Magalhães, uma das mais respeitadas construtoras da época na cidade.</p>
                <p>Sfezzo logo sentiu as dificuldades que a construção de edifícios em concreto armado na cidade enfrentava, pois até aquele momento os edifícios possuíam até três e quatros andares e a proposta para o Hotel Central era que ele fosse o edifício mais alto de Recife, com oito pavimentos. Havia um grande desafio projetual e construtivo ao ser fazer o edifício nessa altura, visto que os construtores práticos e mestres não estavam habilitados, concentrando esse desafio a contratação de profissionais que oferecessem serviços mais especializados, nem Palumbo tinha realizado um edifício com tal altura.</p>
                <p>Foi apenas com a chegada do urbanista Donat Alfred Agache à cidade que seu desânimo deu lugar a motivação. Em conversa com o urbanista, Sfezzo obteve o ânimo que precisava para continuar seu empreendimento.</p>
                <p><disp-quote>
                        <p>A convite do governador (Estácio Coimbra), chegou ao Recife, um urbanista francês de renome, M. Agache[...] (como) nem o governador falava francês, nem o M. Agache português, me dispus a servir de intérprete. Eu me beneficiaria disso submetendo minha ideia (de construir o hotel na cidade) ao urbanista</p>
                        <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sfezzo, 1985</xref>, p. 192).</attrib>
                    </disp-quote></p>
                <p>O Hotel Central foi erguido na Avenida Manoel Borba, esquina com a Rua Gervásio Pires, na Boa Vista. Apesar de ter ainda muitas casas do século XIX, muitas geminadas e outras com isoladas nos lotes, algumas vias do bairro detinham um maior potencial econômico por serem continuidades de eixos comerciais que se estendiam da área central, como era o caso da Avenida Manoel Borba (anteriormente chamada de Rua da Intendência) e que continuavam para a zona norte da cidade. O potencial de crescimento dessa área pode ter levado Sfezzo a adquirir o terreno da antiga Companhia do Beberibe, onde existia uma caixa d’água desativada, posto à venda pelo Estado. Em dois anos o edifício ficou pronto e foi considerado o primeiro arranha-céu da cidade (<xref ref-type="fig" rid="f08">Figura 8</xref>).</p>
                <fig id="f08">
                    <label>Figura 8</label>
                    <caption>
                        <title>Hotel Central visto da Rua Manoel Borba.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf08.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Coleção Hugo Segawa.</attrib>
                </fig>
                <p>Principal símbolo da americanização, o arranha-céu provocou estranhamento, surpresa, pavor a muitos moradores e visitantes das cidades norte-americanas. Mesmo em uma escala menor, no Hotel Central não foi diferente, pois, durante a construção, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B34">Sfezzo (1985)</xref>, os habitantes da vizinhança, certos de que ele desabaria, mudaram-se apressadamente.</p>
                <p>O Hotel Central seria o tímido representante recifense em uma disputa pelo edifício mais alto que acontecia no país no final da década de 1920. No Rio de Janeiro, era erguido o edifício A Noite, projeto de Joseph André Gire, considerado símbolo do progresso tecnológico da cultura técnica do concreto armado no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Freitas, 2011</xref>). Ao mesmo tempo, estava em construção em São Paulo, o edifício Martinelli, que concorria com ele pelo título de edifício mais alto da América do Sul.</p>
                <p>O projeto do Hotel Central revela a afiliação do arquiteto Giacomo Palumbo à escola acadêmica francesa. A concepção de edifício torre com uma fachada apresentando o caráter tripartido: embasamento, estabelecendo a entrada principal e área ajardinada, seguindo pelo corpo com tratamento de vãos e pilastras simplificadas e o coroamento marcado por frisos, arcadas e pilastras coroadas com a ordem dórica. Palumbo destacou a base e o coroamento, onde estavam os usos mais nobres, com janelas em arco pleno, enquanto os andares intermediários receberam janelas simples e retangulares (<xref ref-type="fig" rid="f09">Figura 9</xref>).</p>
                <fig id="f09">
                    <label>Figura 9</label>
                    <caption>
                        <title>Vista aérea e Perspectiva do Hotel Central no Bairro da Boa Vista.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf09.tif"/>
                    <attrib>Fonte:<xref ref-type="bibr" rid="B11"> Fundarpe (2015)</xref> e<xref ref-type="bibr" rid="B06"> Diário da Manhã (1927)</xref> (BNDigital).</attrib>
                </fig>
                <p>O diálogo entre arquitetura integrada à estrutura e aos elementos ornamentais da arquitetura eclética alcançado por Palumbo é de uma sutileza que reforça as habilidades e conhecimento dele para técnicas do concreto armado. Embora a marcação das linhas verticais em sua fachada coincidam com a estrutura, não se pode afirmar que o arquiteto tenha tirado partido da estrutura em concreto armado como elemento expressivo, mas ele explora o terreno e a diversidade de funções do programa hoteleiro, como fez no Grande Hotel. Em ambos os projetos, o edifício isolado e ocupando toda a quadra, afirmam a identidade arquitetônica de seu projetista. Embora se reconheça que no Grande Hotel, devido a regularidade do terreno, a distribuição da planta pareça ser mais livre e o volume se apresente com maior força, no Hotel Central, diante de um terreno de esquina, um chanfro criado na lateral do edifício parece ganhar uma perspectiva privilegiada. Ao inserir aberturas neste chanfro, Palumbo garantiu uma perfeita relação entre plano e fachada, mostrando a flexibilidade do sistema de composição Beaux-Arts para se adaptar ao terreno, ao programa e à legislação local, entre outros fatores.</p>
                <p>A planta segue os ditames da arquitetura clássica e eclética da época com arranjos em torno de um eixo e espaços bem definidos para cada função. No eixo de simetria, Palumbo estabeleceu no térreo o vestíbulo e o hall de escada e elevador ladeado por dois salões principais (<xref ref-type="fig" rid="f10">Figura 10</xref>). Além disso, existia uma cabine telefônica, banheiros e uma barbearia<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>.</p>
                <fig id="f10">
                    <label>Figura 10</label>
                    <caption>
                        <title>Planta Baixa do térreo, 1º e 8º Pavimento.</title>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2318-0919-oa-21-e247828-gf10.tif"/>
                    <attrib>Fonte: Levantamento fornecido pela arquiteta Marina Russell.</attrib>
                </fig>
                <p>Nos seis andares superiores, a planta também se organiza a partir de um eixo principal, no qual se localiza o hall de escada e elevadores, e no outro eixo se desenvolve o corredor de acesso aos quartos e banheiros. Eram originalmente 11 ou 12 apartamentos por andar, com dois banheiros coletivos por andar e banheiros privativos nos quartos das extremidades.</p>
                <p>Por fim, assim como no Grande Hotel, no último andar foi disposto um terraço com vista panorâmica da cidade, no qual foram realizadas muitas festas de destaque na cidade (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Melo; Cavalcanti, 2022</xref>). Testemunhos mencionavam a vista de toda a região, do mar aos morros que circundam a cidade, já que era o edifício mais alto da cidade. Hoje o andar possui duas suítes, com dois terraços laterais privativos.</p>
                <p>O progresso da construção era constantemente mencionado nas páginas dos jornais locais ao longo de 1928, culminando com uma ampla cobertura da sua inauguração em 19 de dezembro de 1928. O hotel trazia uma série de inovações para a época, ainda sendo introduzidos nas residências luxuosas da cidade, como banheiros decorados com azulejos alemães e telefones em todos os apartamentos, além dos elevadores, um deles panorâmico.</p>
                <p>O Hotel Central tornou-se um símbolo da vida social e cultural de Recife nos anos 1930. Nos jornais da época, eram constantemente noticiados os jantares, exposições, casamentos solenidades, chás dançantes, bailes, coquetéis que aconteciam nos requintados salões espelhados do térreo e no terraço da cobertura.</p>
                <p>Com a inauguração do Grande Hotel em 1938, ele começou a perder espaço e entrou em um processo de decadência. Não mais residindo em Recife, Sfezzo admitiu que para ele o Hotel foi um mau investimento, atribuindo o fato à incompetência do gerente/administrador da época (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Sfezzo, 1985</xref>). Mesmo assim, ele só desfez do hotel quando o vendeu ao português Domingos Magalhães em 1951 (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Melo; Cavalcanti, 2022</xref>), que o gerenciou por mais alguns anos. A partir disso, o edifício passou por três diferentes arrendatários sendo retomado pelos herdeiros de Magalhães em 2005. Em 1995, o Hotel Central foi incluído como Imóvel Especial de Preservação (IEP) pela Prefeitura da Cidade e, em 2010, tombado no âmbito estadual. Apesar do declínio econômico dessa área da cidade e da concentração de hotéis em partes mais prestigiadas da cidade, como a zona sul, o edifício ainda possui a atividade hoteleira, com boa parte dos elementos originais conservados, embora tenham sido feitas mudanças nos interiores dos quartos.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>No setor hoteleiro, Palumbo utilizou de sua competência baseada na experiência em solucionar problemas, um conhecedor sobre composição, agenciamento dos espaços internos, conhecimento dos materiais, especialmente do concreto armado, para realização dos projetos do Grande Hotel de Recife e do Hotel Central. Esses edifícios se estabeleceram como dois autênticos marcos urbanos na cidade de Recife tanto por suas localizações, um na beira do Rio Capibaribe e outro na extensão de um eixo comercial do bairro da Boa da Vista em volta de construções ainda de sobrados coloniais, quanto pelas suas alturas e características arquitetônicas adotadas pelo arquiteto, dominando a paisagem e seus arredores.</p>
            <p>Nesses edifícios, as fachadas foram compostas de forma a garantir certo caráter a eles, correspondendo à tradição clássica, e às exigências e aos gostos dos clientes, proprietários e hóspedes. A ordenação tripartite foi mantida com o tratamento diferenciado da base, por meio dos materiais nobres ou pelo uso de técnica de rusticação, do corpo, por meio de aberturas mais simplificadas, e do coroamento, por meio de aberturas e ornamentos diferenciados. Na sua arquitetura, Palumbo buscou uma mediação entre o legado clássico e as novas demandas da vida moderna, sugerindo que existiria uma arquitetura perene que deveria ser adaptada a diferentes momentos e circunstâncias, e que o arquiteto de formação clássica seria capaz de lidar com a complexidade da vida moderna.</p>
            <p>Enfim, os dois hotéis estudados destacaram-se pelas questões estilísticas, conforto, higiene, pelas inovações tecnológicas e riqueza de usos, conexões de fluxos, e ofereciam a cidade novos espaços de sociabilidade, de negócios e lazer, consolidando-se como expressão política, econômica e simbólica da modernidade em Recife por boa parte do século XX.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <ack>
            <title>Agradecimentos</title>
            <p>À FACEPE pelo apoio financeiro concedido para a realização desta pesquisa e à Marina Russell pelo fornecimento do levantamento das plantas do Hotel Central.</p>
        </ack>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p><bold>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic>:</bold> Cortez, K. M. G.; Moreira, F. D. Hotel e cidade moderna: dois grandes hotéis de Giacomo Palumbo na cidade de Recife (1924-1938). <italic>Oculum Ensaios</italic>, v. 21, e247828, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7828">https://doi.org/10.24220/2318-0919v21e2024a7828</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="financial-disclosure">
                <label>Apoio/<italic>Support</italic></label>
                <p>Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Processo nº IBPG-0616-6.04/19).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>A primeira tentativa biográfica de Palumbo foi realizada por João Maurício <xref ref-type="bibr" rid="B16">Miranda (1981)</xref>, que indicou sua chegada à cidade de Recife em 1918, a partir de entrevista a Yvete e Hélio, filha e neto, respectivamente, de Giacomo Palumbo (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Miranda, 1981</xref>). Outros autores, entre eles, Geraldo Gomes da <xref ref-type="bibr" rid="B32">Silva (1987)</xref>, Guilah <xref ref-type="bibr" rid="B20">Naslavsky (1998)</xref> e George <xref ref-type="bibr" rid="B04">Dantas (2003)</xref> apontaram algumas obras e detalhes de sua atuação no campo da arquitetura e do urbanismo, nas cidades de Recife e Natal. Em 2000, George Dantas realizou nova entrevista com ambos os familiares, e, por fim, em 2008, houve uma entrevista ao neto feita por Luiz Henrique da Silva Sá (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Sá, 2008</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn04">
                <label>4</label>
                <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B30">Seitz (1995)</xref> a ESA foi criada por Émile Trélat em 1865, com o nome de École Centrale d’Architecture, recebendo apoio de importantes arquitetos como Viollet-le-Duc e Henri Labrouste, e sinalizava uma alternativa em relação ao sistema acadêmico da École des Beaux Arts ao promover uma abordagem mais pragmática com uma sólida formação técnica. Agradecemos a colaboração de Anne Chaise, secretaria-chefe da biblioteca da ESA, pela identificação e envio do registro de notas de Palumbo, nele é possível entender o rendimento escolar, as aprovações e reprovações nas disciplinas cursadas e a data de saída da École.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>Palumbo também atuou em João Pessoa, Natal e no Rio de Janeiro, onde conquistou e expandiu seu círculo de relacionamentos. No Rio de Janeiro, ele atuou na ampliação do Colégio Santo Inácio <xref ref-type="bibr" rid="B16">Miranda (1981)</xref>, no plano de urbanização para uma área no Recreio dos Bandeirantes (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Menezes; Reinaux, 1997</xref>) e no projeto do edifício Netuno, na Avenida Atlântica em Copacabana.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Com o novo rearranjo político local proporcionado pela Revolução de 1930 e a chegada de novas tendências arquitetônicas inclinadas ao modernismo, as encomendas públicas de projetos feitas a Palumbo foram drasticamente reduzidas. Além disso, o enfraquecimento dos grupos políticos e econômicos locais que lhe davam apoio e a nova legislação profissional colocaram empecilhos ao seu exercício profissional. Talvez tenha sido essa nova conjuntura que o tenha levado a deixar Recife em 1939 e se fixar no Rio de Janeiro.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Enquanto o Copacabana Palace foi pensado para ser construindo à beira-mar, na cidade do Rio de Janeiro, o Grande Hotel de Recife foi construído à beira do rio Capibaribe; provavelmente a decisão tenha acontecido pelo fato da avenida Boa Viagem, principal orla da cidade, só ter sido inaugurada em 1926 e os banhos de mar terem se popularizado havia poucos anos.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>A chegada de Agache só aconteceu em fevereiro de 1927, a convite do governador Estácio Coimbra. O jovem sociólogo Gilberto Freyre levou-o para um passeio por Recife, apresentando “[...] toda a cidade, mostrando-lhe a intrincada relação entre as ruas estreitas, as casas altas e a rede de rios e lagoas” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Moreira, 2004</xref>, p. 354). É provável que nesse momento, Agache tenha confirmado que aquele local era ideal pela influência de Freyre</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Constantin Aristide Sfezzo nasceu em 1898 na colônia grega de Istambul, mas a partir de 1907 foi estudar na Suíça, onde formou-se engenheiro químico pela Universidade de Lausanne, em 1920. A convite de um tio paterno, Dimitro Sfezzo, que trabalhava na Companhia White Martins no Rio de Janeiro, chegou ao Brasil em 1922, após uma crise que atingiu as finanças da família devido à Primeira Guerra Mundial.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Sfezzo não pretendia deixar o Brasil no futuro próximo, além de ter identificado que até aquele momento não havia em Recife nenhum prédio de apartamentos para alugar, considerando ele que seria um bom investimento a construção desse empreendimento (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Fundarpe, 2015</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Infelizmente as plantas originais do Hotel até o momento não foram localizadas. Foram utilizadas as plantas desenvolvidas pela arquiteta Marina Russell, que juntamente com os técnicos da FUNDARPE realizaram visitas ao local em 2013.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">

                <mixed-citation>Aguiar, C. <italic>A iluminação na tipologia hotel</italic>. 1998. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1998.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="thesis">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Aguiar</surname>
                            <given-names>C.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source>A iluminação na tipologia hotel</source>
                    <year>1998</year>
                    <comment>Dissertação (Mestrado em Arquitetura)</comment>
                    <publisher-name>Universidade Federal do Rio Grande do Sul</publisher-name>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B02">

                <mixed-citation>Cocks, C. <italic>Doing the Town: The rise of urban tourism in the United States, 1850-1915</italic>. Los Angeles: University of California Press, 2001.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
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                    <comment>Dissertação (Mestrado em Tecnologia do Ambiente Construído)</comment>
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                    <comment>Tese (Doutorado em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo)</comment>
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