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                <journal-title>Revista Reflexão</journal-title>
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                <publisher-name>Pontifícia Universiade Católica de Campinas</publisher-name>
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                    <subject>Comunicação</subject>
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                <article-title>Notas e relatos sobre o I Fórum de Autoavaliação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)</article-title>
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                    <trans-title>Notes and reports on the 1st Self-Evaluation Forum of the Postgraduate Program in Religious Studies at Pontifical Catholic University of Campinas (PUC-Campinas)</trans-title>
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                <institution content-type="orgname">Pontifícia Universidade Católica de Campinas</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais</institution>
                <institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião</institution>
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                    <named-content content-type="city">Campinas</named-content>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <institution content-type="original">Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião. Campinas, SP, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Correspondência para/Correspondence to: L. G. PROVINCIATTO. E-mail: <email>luis.provinciatto@puc-campinas.edu.br</email>.</corresp>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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            <volume>48</volume>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Esta nota descreve os trabalhos realizados ao longo da V Jornada Científica, I Fórum de Autoavaliação e I Jornada de Egressos promovida pelo Programa de Pós-graduação <italic>Stricto Sensu</italic> em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) nos dias 23 e 27 de outubro de 2023, em formato híbrido e aberto ao público em geral. Ela está dividida em duas partes, seguindo as duas principais atividades do evento: 1) síntese dos dados coletados para o I Fórum de Autoavaliação; 2) mesas redondas com egressos. O objetivo desta nota é, em primeiro lugar, registrar e dar a conhecer à comunidade acadêmica, sobretudo, à pertencente às áreas de Ciências da Religião e Teologia, os dados recolhidos a partir da experiência dos egressos, do corpo técnico-administrativo, do atual corpo discente e do corpo docente deste Programa de Pós-graduação. Isso será realizado, por um lado, por meio de uma descrição das atividades e uma síntese das contribuições e, por outro, pela transcrição de trechos de relatos de egressos convidados para tal evento.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This note describes the work carried out during the V Scientific Conference, I Self-Evaluation Forum and I Conference of Postgraduates promoted by the Stricto Sensu Graduate Program in Religious Studies at the Pontifical Catholic University of Campinas (PUC-Campinas) on October 23-27, 2023, in a hybrid format and open to the general public. It is divided into two parts, following the two main activities of the event: 1) synthesis of the data collected for the First Self-Evaluation Forum; 2) thematic panel with postgraduates. The aim of this note is, firstly, to record and make known to the academic community, especially those belonging to the fields of Religious Studies and Theology, the data collected from the experience of the graduates, the technical-administrative staff, the current student body and the teaching staff of this Postgraduate Program. This will be done, on the one hand, by describing the activities and summarizing the contributions and, on the other, by transcribing excerpts from reports by graduates invited to the event.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Autoavaliação</kwd>
                <kwd>Ciências da Religião</kwd>
                <kwd>Egressos</kwd>
                <kwd>Fórum</kwd>
            </kwd-group>
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                <title>Keywords</title>
                <kwd>Self-evaluation</kwd>
                <kwd>Religious Studies</kwd>
                <kwd>Postgraduates</kwd>
                <kwd>Forum</kwd>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>A V Jornada Científica do Programa de Pós-Graduação (PPG) <italic>Stricto Sensu</italic> em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas PUC-Campinas, que aconteceu conjuntamente com o I Fórum de Autoavaliação e a I Jornada de Egressos, foi um episódio singular nos 10 anos de existência deste PPG, pois às vozes dos docentes e discentes, que, semestralmente, já realizam encontros que também são avaliativos, somaram-se as de egressos/as para um exercício sistemático de autoavaliação, que ainda contou com a colaboração e participação do corpo técnico-administrativo<xref ref-type="fn" rid="fn02">2</xref>. Os dados de uma autoavaliação, em primeiro lugar, interessam aos próprios agentes da avaliação, é inegável. Contudo, também não se pode negar que os comunicar à comunidade acadêmica é algo benéfico, pois, por um lado, ao tornar públicas as informações autoavaliativas, dá-se a ver não tanto e apenas os dados das produções acadêmicas e técnicas, mas, sobretudo, o impacto social que docentes e discentes, egressos e egressas proporcionam na comunidade extra-acadêmica; por outro lado, dá-se visibilidade à construção de uma rede que vai além dos limites da pesquisa, bem como quais são os possíveis caminhos para aprimorar a prática de pesquisa na pós-graduação.</p>
            <p>Nesse sentido, o I Fórum de Autoavaliação e a I Jornada de Egressos não apenas revelaram as conquistas e desafios do PPG em Ciências da Religião da PUC-Campinas, mas também evidenciaram a teia de relações que se estende entre a comunidade acadêmica nos seus mais variados níveis e instituições. Mostraram ainda como essa rede alcança o público não acadêmico, uma vez que, como ficará demonstrado por seus relatos a seguir, a atuação profissional dos/as egressos/as não se limita ao ambiente acadêmico, atingindo setores educacionais, sociopolíticos e culturais. Ademais, essa perspectiva ampliada mostrou a presença de um intercâmbio epistemológico e cultural na formação dos/as discentes, o que, de acordo com seus relatos, contribuiu para seu desenvolvimento acadêmico, social, cultural e humano.</p>
            <p>Por isso, a divulgação dessas informações visa não apenas apresentar um panorama objetivo do desempenho do PPG, mas também ressaltar o compromisso com a excelência da pesquisa em nível superior e seu impacto social. Objetiva-se com esta nota, então, apresentar à comunidade acadêmica, sobretudo, à pertencente à área de Ciências da Religião e Teologia, uma descrição sintética das informações coletadas e expostas, em primeiro lugar, no I Fórum de Autoavaliação e, posteriormente, nas mesas redondas da I Jornada de Egressos. Para tanto, faremos uso de algumas transcrições das falas de egressos/as, bem como de docentes e discentes para conduzir à reflexão sobre o passado, presente e futuro deste PPG. Ao tornar público os resultados da autoavaliação, que serão aqui brevemente descritos, pretendeu-se não apenas dar transparência a esse procedimento acadêmico, mas estimular um diálogo enriquecedor sobre as práticas de pesquisa e os exercícios autoavaliativos na área de Ciências da Religião e Teologia.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Fórum de Autoavaliação e Jornada de Egressos: os critérios, os dados e as contribuições</title>
            <p>Situando o desenvolvimento dos trabalhos, no primeiro dia, 23 de outubro de 2023, após a fala de abertura, foi realizada uma exposição pelo Prof. Dr. Douglas Ferreira Barros, coordenador do PPG em Ciências da Religião, acerca dos critérios para a elaboração da autoavaliação. Além disso, também foram apresentados os dados da coleta com o pessoal técnico-administrativo, com o corpo docente e discente, bem como com os/as egressos/as. Nesse mesmo dia, constituiu-se ainda uma mesa redonda com os egressos Luís Gabriel Provinciatto, Bianca Vicêncio Leis e Felipe de Queiroz Souto, que, após relatarem brevemente sua trajetória acadêmica, trouxeram apontamentos críticos sobre os pontos positivos do PPG e indicaram possíveis estratégias para aperfeiçoar a construção da pesquisa em seus diferentes níveis, como ficará evidente a seguir.</p>
            <p>O segundo dia de evento, 27 de outubro de 2023, contou com a participação de 11 egressos/as, distribuídos em duas mesas redondas. Os relatos de todos seguiram uma orientação prévia, a saber, destacar a importância da formação interdisciplinar em Ciências da Religião e, em havendo vinculação possível, como tal formação está implicada na atuação profissional de cada um. Além disso, também foi solicitado a cada egresso/a que retomasse brevemente os principais pontos – fossem eles positivos ou não – de sua passagem pelo PPG em Ciências da Religião da PUC-Campinas. Esse segundo dia ainda foi marcado pelo lançamento de cinco livros: 1) <italic>Protestantismo e impressão</italic>: <italic>uma análise das obras seminais do protestantismo histórico</italic> (São Paulo: Recriar, 2023), organizado por Gerson Leite de Moraes e Ronaldo Cavalcante, no qual constam capítulos dos docentes Breno Martins Campos, Glauco Barsalini e Jefferson Zeferino; 2) <italic>Entre mundos</italic>: <italic>liber amicorum para Irene Borges-Duarte</italic> (Lisboa: Colibri, 2022), organizado por Ângelo Milhano, Fernanda Henriques, Luís Gabriel Provinciatto e Laiz Chohfi, no qual constam capítulos dos docentes Ceci M. B. C. Mariani, Paulo Sérgio L. Gonçalves, Renato Kirchner e do egresso Luís Gabriel Provinciatto; 3) <italic>Fenomenologia e teologia em Heidegger</italic> (São Paulo: Ideias e Letras, 2023), do egresso Luís Gabriel Provinciatto; 4) <italic>Caminhos da sinodalidade</italic>: <italic>pressupostos, desafios e perspectivas</italic> (São Paulo: Paulus, 2023), organizado por Mauro Passos e Paulo Suess, no qual consta um capítulo do docente Paulo Sérgio L. Gonçalves; 5) <italic>Quem são os evangélicos? (Com)tradições protestantes</italic> (Campinas: Saber Criativo, 2023), organizado por Carlos Caldas e Jacqueline Ziroldo, no qual consta um capítulo dos docentes Breno Martins Campos e Douglas Ferreira Barros.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A construção de critérios e o levantamentoe análise de dados</title>
            <p>O objetivo da autoavaliação processual no PPG em Ciências da Religião da PUC-Campinas foi assegurar e aferir a qualidade do programa a partir de um acompanhamento de desempenho das dimensões: docente, discente e do corpo técnico-administrativo. Para tanto, o processo de coleta se valeu de dois principais instrumentos, a saber, questionários e sessões dialógicas, que buscaram os elementos para uma interpretação <italic>qualitativa</italic> e <italic>quantitativa</italic> das condições de desenvolvimento da pesquisa na área de Ciências da Religião e Teologia.</p>
            <p>Assim, pretendeu-se detectar as forças e fragilidades do Programa para que a coordenação e demais instâncias superiores da Universidade possam agir para sanar os problemas e reorientar as rotas de desenvolvimento dos trabalhos. A coleta dos dados se deu nos três corpos constitutivos do PPG: docente, discente e técnico-administrativo. Foram distribuídos questionários específicos para cada corpo com perguntas baseadas nos seguintes indicadores: participação em grupos de pesquisa, desenvolvimento das componentes curriculares, regularidade e continuidade das orientações, infraestrutura das bibliotecas e laboratórios, condições infraestruturais de trabalho na secretaria de pós-graduação, dentre outras questões específicas.</p>
            <p>Os indicadores, critérios de avaliação, foram construídos a partir da consulta ao Departamento de Planejamento da Universidade que, a partir do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), selecionou aspectos a serem observados com detalhes no desenvolvimento das atividades deste PPG em específico. Também foram consultados documentos da CAPES sobre a autoavaliação e os percursos em outras áreas de conhecimento, nomeadamente, a Psicologia e a Antropologia, para a construção de seus próprios indicadores.</p>
            <p>Para o I Fórum de Autoavaliação, a análise dos dados coletados foi feita em termos quantitativos pela coordenação e as observações qualitativas foram debatidas no momento da socialização dos dados, quando também foram coletados os comentários dos presentes. A disseminação e a discussão dos dados coletados foram feitas durante a realização do Fórum e contaram com a participação de docentes, discentes, representantes do corpo técnico-administrativo, egressas e egressos. Estes tiveram um momento específico no contexto do debate em que comentaram as forças e fragilidades experimentadas por eles/elas quando de sua passagem pelo PPG e que aspectos poderiam ser aperfeiçoados, tendo em vista as experiências posteriores, sejam elas em outros estágios da formação ou na atuação profissional. Em novembro, foi distribuído aos participantes um questionário de avaliação sobre o evento e solicitadas sugestões de aperfeiçoamento para o II Fórum de Autoavaliação do PPG em Ciências da Religião da PUC-Campinas.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>As contribuições discentes no Fórum de Autoavaliação</title>
            <p>O I Fórum de Autoavaliação contou com a exposição de três egressos – Luís Gabriel, Bianca e Felipe – motivada pela seguinte pergunta: como a manutenção de vínculo com os/as pesquisadores/as e as atividades do PPG contribuíram para o estímulo e desenvolvimento de atividades de formação e pesquisa às quais você tem dado curso nos últimos anos?</p>
            <p>Em primeiro lugar, cada egresso narrou brevemente sua trajetória acadêmico-profissional: Luís Gabriel, após concluir o mestrado, ingressou no doutorado em Ciência da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora, realizou um período sanduíche de pesquisa no Departamento de Filosofia da Universidade de Évora, em Portugal, vindo posteriormente a realizar o doutorado na modalidade cotutela para a dupla titulação em Ciência da Religião (UFJF) e em Filosofia (Universidade de Évora); atualmente, é docente da Faculdade de Filosofia da PUC-Campinas. Bianca, após concluir o mestrado, continuou atuando como professora de geografia na rede estadual de São Paulo, desenvolvendo projetos em sua escola que estão diretamente ligados ao campo epistemológico e metodológico de Ciências da Religião. Felipe também ingressou no doutorado em Ciência da Religião na UFJF, realizando um período sanduíche de pesquisa na Universidade Pompeu Fabra (Barcelona, Espanha); atualmente, é bolsista CAPES em regime de dedicação exclusiva.</p>
            <p>Ao se guiarem pela pergunta que lhes foi colocada, os três destacaram alguns aspectos:</p>
            <list list-type="order">
                <list-item>
                    <p>a manutenção de vínculo com os docentes e com o PPG como um todo se concretiza de três principais formas: primeiro, pela parceria em publicações após o término do mestrado, o que poderia ser aperfeiçoado, levando em consideração que há um período de cinco anos previsto para que o/a egresso/a mantenha certo vínculo com o PPG; segundo, pelo convite para participar da organização e/ou realização de eventos, seja na modalidade presencial, seja na modalidade on-line, atuando de maneira direta na organização, na mediação de mesas e conferências, na edição de caderno de resumos e anais; terceiro, pela integração, quando viável, do/a egresso/a ao corpo de pareceristas da <italic>Reflexão</italic>, periódico do PPG. Também se fez uma sugestão para aperfeiçoamento da interlocução com egressos/as, sobretudo, aqueles que já concluíram a pesquisa em nível doutoral, por meio de, quando viável e plausível, convidá-los para composição de bancas de mestrado e, futuramente, de doutorado;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>As oportunidades criadas pelos docentes do PPG ao utilizarem os materiais avaliativos dos componentes curriculares obrigatórios ou eletivos para publicação como capítulo de livro ou para submissão como artigo a periódico indexado da área. A esse respeito, destacou-se também não apenas a coautoria dos professores como algo a ser estimulado e praticado, mas a autonomia que eles proporcionam aos discentes ao incentivaram o envio de material para publicação em periódicos discentes da área;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Também se mencionou quão oportuna seria a criação de um periódico discente pelo PPG, tendo em vista o crescente número de ingressantes na área e as métricas de qualificação exigidas pela pós-graduação no Brasil;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>O contato direto com instituições e docentes estrangeiros, o que proporciona enriquecimento curricular, abertura nos horizontes de investigação e participação ativa em uma rede internacional de pesquisa. Destacaram-se ainda as parcerias com instituições nacionais, visando um intercâmbio de experiências e a possibilidade de maior inserção nesta área acadêmica no Brasil. Esse contato direto se concretizou, conforme relatado, pelo oferecimento de minicursos, disciplinas especiais e conferências ministradas presencialmente por docentes externos, internacionais ou não;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>A importância da formação interdisciplinar, seja do ponto de vista epistemológico, seja do ponto de vista metodológico, para a atuação profissional, levando em consideração que dois dos três egressos atuam como docentes, um no ensino superior e outra no ensino regular. Na verdade, os três destacaram a importância da realização de componentes curriculares eletivas das duas linhas de pesquisa do PPG, o que contribui significativamente para um contato mais amplo não apenas com o espectro disciplinar de Ciências da Religião, mas com o campo de pesquisa de maneira propriamente dita. Nesse aspecto, o relato de Bianca foi preciso: a relação entre religião e política é vivenciado por ela quase diariamente no ambiente escolar em que atua e sua formação em Ciências da Religião proporciona não apenas uma maior compreensão do que ali ocorre, mas permite a ela entender, mediar e até mesmo sanar determinados conflitos;</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>A respeito da atuação profissional, indicou-se o quão oportuno seria aperfeiçoar a estratégia de estágio obrigatório, visando não apenas o contato com o ensino em nível superior, o que traria um ganho qualitativo na formação profissional do discente, mas também o aproveitamento temático das pesquisas em sala de aula, uma vez que determinados temas investigados na pós-graduação são, às vezes, pouco explorados na graduação.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>Esses apontamentos aqui sintetizados mostram a importância do desenvolvimento de estratégias que promovam uma formação completa e alinhada com as demandas da sociedade e do campo acadêmico. Ao mesmo tempo, as diferentes formas de colaboração mencionadas, desde parcerias em publicações até a participação ativa na organização de eventos, evidenciam a relevância desses vínculos para o estímulo e aprimoramento contínuo das atividades de formação e pesquisa. Por fim, a discussão também apontou para as estratégias de publicação, incentivando a coautoria e a parceria entre discentes e docentes, bem como a autonomia dos discentes na submissão de trabalhos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Relatos<xref ref-type="fn" rid="fn03">3</xref> da I Jornada de Egressos</title>
            <p>O segundo dia de evento foi todo dedicado a ouvir os relatos de egressos/as. Ao todo, 11 egressos/as participaram das duas mesas temáticas, apresentando as suas contribuições à luz da seguinte pergunta diretriz: como o mestrado em Ciências da Religião contribuiu para sua formação de maneira geral ou em sua atuação profissional ou ainda em sua experiência como doutorando em outra instituição?</p>
            <p>Dois traços comuns apareceram em todas as falas: em primeiro lugar, o quão coeso é o corpo docente do PPG e como isso se reflete também na parceria entre os discentes, seja para realização de trabalhos, seja para publicação de material acadêmico, seja, agora, na atuação profissional. Interessante destacar que os/as egressos/as eram de anos acadêmicos distintos e alguns nem sequer se conheciam, o que demonstra como essa coesão entre os docentes é algo que permanece ao longo dos 10 anos de existência do PPG, inclusive se se considerar que houve mudanças no próprio corpo docente permanente ao longo desse período. Em segundo lugar, como o contato com a área de Ciências da Religião significa uma abertura de horizontes, isto é, uma expansão no leque epistemológico, metodológico, sociocultural, político e social; ao mesmo tempo, um contato com os mais diversos temas de pesquisa, que, no fundo, compartilham a religião como algo comum, embora ela seja trabalhada de distintas formas. Essa abertura de horizonte, de acordo com os relatos, tem um reflexo direto na área de atuação profissional de cada egresso/a: docência, serviço social, missão pastoral, clínica psicológica, comitês de bioética, pesquisa de doutorado, dentre outras.</p>
            <p>Para demonstrar essa presença da formação em Ciências da Religião na área de atuação, destacaram-se duas falas. Primeiramente, a de Ricardo Geraldo de Carvalho, que atua como missionário redentorista no Suriname:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p>[…] <italic>sou imensamente grato à PUC-Campinas, ao seu corpo docente, discente e demais colaboradores pela fraternidade, humanidade, competência e dedicação.</italic> […] <italic>Em 2018, fui transferido para um trabalho missionário no Suriname. Um país sui generis, um verdadeiro encontro de continentes, onde as pessoas nutrem as suas origens culturais, linguísticas e religiosas, convivendo de maneira harmoniosa e respeitosa. Em 2019, em função dos diálogos e trabalhos acadêmicos [em Ciências da Religião] compartilhados com outros pesquisadores e instituições, fui convidado a fazer parte do Comitê Permanente de Bioética e do Centro de Bioética do Hospital Israelita Albert Einstein, localizado em São Paulo; sendo convidado a ministrar aulas da disciplina de Humanidades na graduação e pós-graduação do Curso de Medicina da Faculdade Israelita da Saúde Albert Einstein.</italic> […] <italic>as Ciências da Religião e a Bioética, em uma relação simbiótica e, por conseguinte, dialógica, iluminam-se nas reflexões e argumentações perante os dilemas existenciais que me são apresentados.</italic></p>
                </disp-quote></p>
            <p>Posteriormente, a de Maiara Rúbia Miguel, que já concluiu seu doutorado em Ciência da Religião pela Universidade Federal de Juiz de Fora e, hoje em dia, atua como professora de Ensino Religioso no Colégio Jesuíta em Juiz de Fora:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p><italic>Hoje, atuo como professora de Ensino Religioso nas turmas do 6º e 9º ano do Ensino Fundamental e nas turmas de 1º e 2º ano do Ensino Médio. São 14 turmas, um total de quase 527 alunos que vejo todas as semanas reunidos em sala de aula para falar um pouco sobre o que significa estudar religião, estabelecer diálogos com realidades diversas e, sobretudo, nos casos do Ensino Médio, provocá-los de modo a estudarem o conteúdo mesmo que “não caia no ENEM ou no PISM”.</italic> […] <italic>O desafio é grande, pois, de um lado, ainda lidamos com uma legislação educacional nova e com controvérsias: ora, ensino religioso é componente curricular e/ou área de conhecimento? O que significa estudar filosofias de vida? De outro lado, além de educar os próprios estudantes sobre atitudes e responsabilidades que vão além de um conteúdo objetivo, as famílias e meus pares ainda precisam entender a competência do que significa estudar religião: ora, eu não dou aula de religião, assim como a professora de português não leciona letra e a de matemática não leciona tão simplesmente números. Se trata de uma ciência, um componente curricular, segundo CNE/CEB n. 08/2019, que, em um país caracterizado por sincretismos e hibridismos religiosos, desafiado pelas relações entre política e religião, marcado pelo racismo e xenofobia que redunda em crimes de intolerância religiosa, busca identificar o ser humano como pessoa, dentre outras temáticas ligadas à humanidade e direitos humanos. É mandatória uma atuação responsável e engajada.</italic></p>
                </disp-quote></p>
            <p>A fala de Maiara ainda apontou para outro importante aspecto: a desigualdade de gênero presente na área, o que se reflete, por exemplo, na disputa de oportunidades no mercado de trabalho e nos mais variados tipos de processos seletivos. Oportunamente, fez-se menção à proposta apresentada pelo GT Religião e Gênero, em 21 de setembro, por ocasião do encerramento do 9º Congresso da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Teologia e Ciências da Religião (ANPTECRE), a saber, a criação e implementação de uma “Política de Justiça de Gênero e Étnico-Racial da Associação com proposições relacionadas ao funcionamento da própria Associação, mas também com diretrizes para os Programas Associados” (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Grupo de Trabalho Religião e Gênero da ANPTECRE, 2023</xref>), bem como “a criação de um Observatório de Justiça e Gênero e Étnico-Racial para o monitoramento das ações previstas na Política para a sua qualificação e aprofundamento, bem como para outras questões que possam emergir em relação a esses temas” (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Grupo de Trabalho Religião e Gênero da ANPTECRE, 2023</xref>). Fica evidente que as menções à desigualdade de gênero na área e a proposta do GT Religião e Gênero da ANPTECRE apontam para desafios ainda presentes no campo acadêmico. A necessidade de criar políticas de justiça de gênero e étnico-racial e o estabelecimento de um observatório para monitoramento indicam, por sua vez, um esforço coletivo em direção à equidade.</p>
            <p>Outro aspecto comumente mencionado nas contribuições dos/as egressos/as foi como o PPG proporciona, efetivamente, a inserção nesta área acadêmica, que, para muitos, é nova, uma vez que são poucas as graduações em Ciências da Religião. Na verdade, ao olhar para o perfil de ingressantes do PPG, encontraremos discentes oriundos da Filosofia, da Teologia, das Ciências Sociais, da História, do Direito, dentre outras áreas afins às Humanidades. O relato de Estela M. da Costa aponta justamente nesta direção:</p>
            <p><disp-quote>
                    <p><italic>Enquanto egressa de um curso de licenciatura em História, tinha inexperiência nesta área da pesquisa; as disciplinas dedicadas ao ensino da pesquisa ajudaram-me a suprir essa falta durante as primeiras fases do Mestrado, através do SAP [Seminário Avançado de Pesquisa] e das disciplinas obrigatórias de “Métodos de Pesquisa em Ciências da Religião” e “Ciências da Religião e Fenômeno Religioso”; o próprio Postgraduate Meeting ajudou-me a pensar as partes componentes do projeto, colocando as balizas necessárias. O curso se destaca por ultrapassar a especificidade da minha área profissional, a História, colocando a pesquisa em diálogo com a Teologia, a Filosofia, as Ciências Sociais, entre outras</italic> […]<italic>. As diferentes abordagens são debatidas sem apologias e/ou preferências.</italic> […] <italic>O estágio docência foi uma ótima experiência de diálogo entre o objeto de pesquisa e o ensino de história na Universidade. As semanas de estudos foram muito profícuas para a minha formação, principalmente quanto à rotação de abordagens e temáticas entre as linhas de pesquisa e/ou grupos de pesquisa, o que ampliou meu contato com outras áreas específicas de conhecimento em torno da religião.</italic></p>
                </disp-quote></p>
            <p>De modo conclusivo, pode-se afirmar que o panorama traçado pelos relatos dos/as egressos/as demonstra como a formação em Ciências da Religião ressoa nas trajetórias profissionais e pessoais. Ao mesmo tempo, a coesão entre docentes e discentes, destacada como uma constante ao longo dos 10 anos do PPG, concretiza-se em parcerias produtivas e colaborativas que perduram além do período de estudos e além do período avaliativo. Por fim, não há equívoco em afirmar que a abertura epistemológica promovida pela área emerge como um catalisador de oportunidades e perspectivas diversas, como ilustram os relatos de egressos/as engajados/as em missões internacionais, docência, comitês de bioética, pesquisa acadêmica etc. Entretanto, esses relatos também evidenciam desafios contemporâneos que demandam atenção e ação, como, por exemplo, a necessidade urgente de políticas públicas de equidade de gênero.</p>
            <p>Nesse cenário, a V Jornada Científica, o I Fórum de Autoavaliação e a I Jornada de Egressos não apenas celebraram os feitos do PPG em Ciências da Religião da PUC-Campinas, como lançaram um olhar crítico e construtivo para o futuro, visando uma formação acadêmica, profissional e pessoal cada mais dinâmica, diversa e comprometida com os desafios da contemporaneidade, sobretudo, aqueles que se apresentam interligados ou próprios à religião.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn02">
                <label>2</label>
                <p>Como é de amplo conhecimento, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) vem implementando o exercício de autoavaliação nos Programas de Pós-graduação nacionais com o propósito de planejar, conduzir, implementar e analisar os mais diversos produtos, relações, estruturação de um PPG por meio de pessoas agentes das ações a serem avaliadas: “a autoavaliação possibilita uma reflexão sobre contexto e políticas adotadas, além da sistematização dos dados que levam à tomada de decisão” (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Brasil, 2019</xref>, p. 7).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn03">
                <label>3</label>
                <p>Relatos de egressos convidados para I Jornada de Egressos promovida pelo Programa de Pós-graduação <italic>Stricto Sensu</italic> em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) nos dias 23 e 27 de outubro de 2023.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <fn-group>
            <title>Como citar este artigo/<italic>How to cite this article</italic></title>
            <fn fn-type="other">
                <p>Barros, D. F.; Provinciatto, L. G.; Kirchner, R. Notas e relatos sobreo I Fórum de Autoavaliação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). <italic>Reflexão</italic>, v. 48, e2310494, 2023. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2447-6803v48e2023a10494">https://doi.org/10.24220/2447-6803v48e2023a10494</ext-link></p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">
                <mixed-citation>Brasil. Ministério da Educação. <italic>Autoavaliação de Programas de Pós-graduação</italic>. Brasília: Ministério da Educação, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/10062019-autoavaliacao-de-programas-de-pos-graduacao-pdf. Acesso em: 22 nov. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="legal-doc">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>Brasil. Ministério da Educação</collab>
                    </person-group>
                    <source>Autoavaliação de Programas de Pós-graduação</source>
                    <publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
                    <publisher-name>Ministério da Educação</publisher-name>
                    <year>2019</year>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/10062019-autoavaliacao-de-programas-de-pos-graduacao-pdf">https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/10062019-autoavaliacao-de-programas-de-pos-graduacao-pdf</ext-link></comment>
                    <date-in-citation content-type="access-date">22 nov. 2023</date-in-citation>
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            </ref>
            <ref id="B02">
                <mixed-citation>Grupo de Trabalho Religião e Gênero da ANPTECRE. Proposta de criação de Política e Observatório de Justiça de Gênero e Étnico-Racial da ANPTECRE. <italic>ANPTECRE</italic>, São Paulo, 4 nov. 2023. Notícias. Disponível em: https://anptecre.org.br/noticia/proposta-de-criacao-de-politica-e-observatorio-de-justica-de-genero-e-etnico-racial-da-anptecre-fZqE. Acesso em: 22 nov. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webpage">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>Grupo de Trabalho Religião e Gênero da ANPTECRE</collab>
                    </person-group>
                    <comment>Proposta de criação de Política e Observatório de Justiça de Gênero e Étnico-Racial da ANPTECRE</comment>
                    <source>ANPTECRE</source>
                    <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
                    <day>4</day>
                    <month>11</month>
                    <year>2023</year>
                    <comment>Notícias</comment>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://anptecre.org.br/noticia/proposta-de-criacao-de-politica-e-observatorio-de-justica-de-genero-e-etnico-racial-da-anptecre-fZqE">https://anptecre.org.br/noticia/proposta-de-criacao-de-politica-e-observatorio-de-justica-de-genero-e-etnico-racial-da-anptecre-fZqE</ext-link></comment>
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