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            <journal-title>Revista de Educação PUC-Campinas</journal-title>
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            <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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            <article-title>O currículo dos cursos de licenciatura em educação física: implicações para o ensino da avaliação</article-title>
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               <trans-title>The curriculum of undergraduate physical education courses: implications for teaching assessment</trans-title>
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            <contrib contrib-type="author">
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               <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0542-8949</contrib-id>
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               <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-9216-7291</contrib-id>
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                  <surname>Santos</surname>
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            <label>1</label>
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            <institution content-type="original">Universidade Federal de Mato Grosso, Departamento de Teoria e Fundamentação. Cuiabá, MT, Brasil.</institution>
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            <institution content-type="original">Centro Universitário São Camilo, Faculdade de Educação Física. Cachoeiro de Itapemirim, ES, Brasil.</institution>
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            <label>3</label>
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         <author-notes>
            <corresp id="c01">Correspondência para: M.L. FROSSARD. E-mail: &lt;<email>matheusmlf1@gmail.com</email>&gt;.</corresp>
            <fn fn-type="edited-by">
               <label>Editora</label>
               <p>Andreza Barbosa</p>
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            <fn fn-type="conflict">
               <label>Conflito de interesse</label>
               <p>Não há conflito de interesses.</p>
            </fn>
         </author-notes>
         <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
            </license>
         </permissions>
         <abstract>
            <title>Resumo</title>
            <p>A pesquisa analisa os planos de disciplinas de três cursos de licenciatura em Educação Física, visando compreender como o tema avaliação é abordado nesses currículos. Caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa do tipo descritiva e exploratória. Utiliza a análise crítico-documental e o <italic>software</italic> Iramuteq para a análise lexicográfica clássica dos textos por meio de classificação hierárquica descendente. Os resultados mostram que na Escola Superior São Francisco de Assis, a avaliação é tratada pontualmente e associada principalmente ao desempenho físico e esportivo, sem uma disciplina específica dedicada à avaliação educacional. Na Faculdade Vale do Cricaré, a disciplina Metodologia da Avaliação em Educação Física mantém um foco nas medidas corporais e antropométricas, refletindo uma visão tradicional de avaliação. Já na Universidade de Vila Velha oferta-se duas disciplinas que abordam tanto a avaliação educacional quanto as medidas físicas. A discussão destaca a necessidade de uma formação mais crítica e reflexiva sobre a avaliação educacional nos cursos de licenciatura em Educação Física que considerem a escola como campo de atuação e, consequentemente, as especificidades de avaliar essa disciplina nesse contexto. Evidencia-se a necessidade de os currículos prescritos contemplarem o ensino de concepções, métodos e técnicas de avaliação, adaptando-as ao contexto escolar.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>Abstract</title>
            <p>The research analyzes the syllabi of three undergraduate courses in Physical Education, aiming to understand how the theme of evaluation is addressed in these curricula. It is characterized as a qualitative, descriptive, and exploratory study. It uses critical-documentary analysis (Bloch, 2001) and the Iramuteq software for the classic lexicographical analysis of the texts through descending hierarchical classification. The results show that at Escola Superior São Francisco de Assis, evaluation is treated sporadically and mainly associated with physical and sports performance, without a specific discipline dedicated to educational evaluation. At Faculdade Vale do Cricaré, the subject “Methodology of Evaluation in Physical Education” maintains a focus on body and anthropometric measurements, reflecting a traditional view of evaluation. At Universidade de Vila Velha, there are two subjects that address both educational evaluation and physical measurements. The discussion highlights the need for a more critical and reflective approach to educational evaluation in undergraduate Physical Education courses, considering the school as a field of action and, consequently, the specificities of evaluating this discipline in that context. It emphasizes the need for prescribed curricula to include the teaching of evaluation concepts, methods, and techniques, adapting them to the school context.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>Palavras-chave</title>
            <kwd>Avaliação educacional</kwd>
            <kwd>Educação Física</kwd>
            <kwd>Formação inicial de professores</kwd>
         </kwd-group>
         <kwd-group xml:lang="en">
            <title>Keywords</title>
            <kwd>Educational assessment</kwd>
            <kwd>Physical education</kwd>
            <kwd>Initial teacher education</kwd>
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      <sec sec-type="intro">
         <title>Introdução</title>
         <p>Temos acompanhado, no campo acadêmico brasileiro, pesquisas que assumem como objeto a avaliação educacional na formação de professores, de modo articulado com o futuro contexto de atuação docente. Na área da Educação, <xref ref-type="bibr" rid="B07">Fuzii (2010)</xref> analisou, no âmbito de uma universidade pública, as propostas curriculares presentes nos Projetos Pedagógicos de cursos de licenciatura, as suas concepções de avaliação e de currículo, bem como investigou, nas matrizes curriculares desses cursos, quais as disciplinas estavam vinculadas à temática avaliação. Para o autor, o tema apareceu nesses documentos como conteúdos negligenciados, com pouca força para promoverem mudanças e inovações no currículo.</p>
         <p>Com foco em disciplinas específicas que estudam o assunto, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Vilas Boas e Soares (2016)</xref> discutem sobre a presença do debate sobre avaliação em cursos de licenciatura de uma universidade pública. Os seus dados evidenciam que apenas a disciplina de Didática aborda a avaliação, porém as discussões não abrangem possibilidades de práticas avaliativas, reforçando uma leitura que não se articula com os desafios da futura atuação na educação básica.</p>
         <p>Já no campo da Educação Física (EF), <xref ref-type="bibr" rid="B23">Santos <italic>et al</italic>. (2018)</xref> assumem como fontes as bibliografias indicadas nos planos de disciplinas específicas de avaliação educacional, ofertadas em oito cursos de Universidades Federais (UFs) brasileiras. Para os autores, a produção teórica do campo mais amplo da Educação tem influenciado a prescrição para o ensino do tema na EF, acenando para as intencionalidades no uso de determinados referenciais em relação às bases conceituais da avaliação.</p>
         <p>Já a pesquisa de <xref ref-type="bibr" rid="B19">Paula <italic>et al</italic>. (2018a)</xref>, analisa os currículos de 38 instituições que ofertam os cursos de formação inicial de professores em EF de oito países da América Latina. Os autores encontram a oferta de 14 disciplinas específicas sobre avaliação em 13 instituições dos seguintes países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Uruguai e Venezuela. Essas disciplinas abordam temas, como: avaliação do ensino e da aprendizagem, institucional e de sistema; métodos avaliativos e a sua correlação com a área da EF, articulando-a com o currículo.</p>
         <p>Com base nesse contexto, esta pesquisa possui como objetivo analisar os planos de disciplinas dos cursos de licenciatura em Educação Física de três instituições de ensino superior privadas do Espírito Santo (IESP/ES), buscando compreender como o tema avaliação tem sido abordado pelos currículos desses cursos.</p>
         <p>A escolha pelas IESP/ES se deu, inicialmente, pela ausência de pesquisas que se propõem a analisá-las. Os mapeamentos de trabalhos anteriores realizados por <xref ref-type="bibr" rid="B23">Santos <italic>et al</italic>. (2018)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Melo <italic>et al</italic>. (2014)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B15">Novaes, Ferreira e Mello (2014)</xref> sinalizam que os estudos sobre a avaliação concentram na educação básica e no ensino superior, sobretudo nas UFs e Estaduais. Além disso, após um levantamento online, identificamos que 16 instituições ofertam a formação inicial em EF em todo território do ES. Isso representa uma quantidade significativa de futuros docentes que os cursos de formação em EF têm inserido no campo de atuação profissional do ES, visto que existe apenas uma UF no estado.</p>
         <p>Nesse sentido, investigar sobre a avaliação educacional e como ela é prescrita nos cursos de licenciatura em EF faz-se relevante, tendo vista que é preciso discutir como os futuros professores são preparados para produzir práticas avaliativas, no futuro exercício da docência.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="methods">
         <title>Procedimentos Metodológicos</title>
         <p>Nesta pesquisa, de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, assumimos a análise crítico-documental de <xref ref-type="bibr" rid="B01">Bloch (2001, p. 79)</xref>, por meio da qual compreendemos que os documentos “[...] mesmo os aparentemente mais claros e mais complacentes, não falam senão quando sabemos interrogá-los [...]”.</p>
         <p>Dessa maneira, entendemos os planos de disciplinas como fontes deste artigo, pois fornecem informações sobre o currículo e as implicações para o ensino da temática avaliação.</p>
         <p>Ao explorarmos os documentos, analisamos os sinais e as pistas (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Ginzburg, 1989</xref>, p. 209) deixados pelas fontes e as intencionalidades de quem as produziu, pois, “[...] não há textos neutros, até mesmo um inventário notarial implica um código, que tem que ser decifrado”. Nesse caso, elas foram compreendidas como um currículo prescrito (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán, 2000</xref>), em que são apresentadas as intencionalidades da formação, trazendo diferentes concepções, interesses e objetivos, podendo variar de acordo com cada instituição.</p>
         <p>No que se refere aos critérios para delimitarmos as instituições participantes, consideramos: (a) ser uma IESP/ES; (b) ter o curso de licenciatura em EF na modalidade presencial; e (c) manifestarem interesse em participar da pesquisa. Das 16 IESP/ES, seis não aceitaram o convite, sete não nos responderam e três aceitaram participar: a Escola Superior São Francisco de Assis (ESFA); a Faculdade Vale do Cricaré (FVC) e a Universidade Vila Velha (UVV).</p>
         <p>A ESFA está localizada no município de Santa Teresa, mesorregião central do ES. A instituição oferta o curso de licenciatura em EF com duração de 3 anos e meio, criado em 2000. A FVC está situada em São Mateus, mesorregião Litoral Norte do ES. A instituição oferta a EF desde 2012, com duração de 3 anos e meio. E a UVV se localiza em Vila Velha, Região Metropolitana da Grande Vitória, Mesorregião Central do Estado. O curso oferece dupla titulação (licenciatura e bacharelado): a licenciatura foi autorizada em 1999 e o bacharelado em 2006.</p>
         <p>Após contactarmos os coordenadores, realizamos visitas in loco, para explicarmos os objetivos da pesquisa, esclarecermos dúvidas, solicitarmos e coletarmos as fontes. Os planos de disciplinas de cada curso estão assim distribuídos: ESFA (54), FVC (54) e UVV (56).</p>
         <p>Para procedermos à análise, lemos integralmente os documentos e posteriormente utilizamos como instrumento de organização e produção de dados o <italic>software</italic> Iramuteq, que é um programa estatístico usado para análises textuais realizadas com base em variáveis qualitativas em textos (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Camargo; Justo, 2013</xref>).</p>
         <p>Neste estudo, utilizamos a Classificação Hierárquica Descendente (CHD) que, além de permitir uma análise lexical do material textual, oferece contextos (classes lexicais), caracterizados por um vocabulário específico e pelos segmentos de textos que compartilham esse vocabulário.</p>
         <p>Para trabalharmos com o <italic>software</italic>, criamos seis blocos de notas, dois para cada instituição: um para todo o texto presente nos títulos dos planos de disciplinas e outro com o conteúdo das ementas. Na criação desse corpus documental, unimos as palavras compostas por um travessão para que o programa as reconhecesse como termos únicos, com sentido próprio, e contabilizasse sua frequência de aparecimento. Posteriormente, excluímos as pontuações (vírgulas e pontos) para limpar esses textos e, na sequência, inserimos cada um desses documentos no <italic>software</italic> Iramuteq.</p>
         <p>O <italic>corpus</italic> textual foi submetido ao programa a partir da análise lexicográfica clássica, que identificou e reformatou as unidades de texto, gerando a quantidade, a frequência média e a frequência de palavras hapax (palavras que aparecem apenas uma vez). Na sequência, o programa reduziu as palavras com base em suas raízes e, além disso, identificou as chamadas formas ativas e suplementares. Formas ativas são as palavras representativas, geralmente substantivos, adjetivos e verbos, e formas suplementares são as preposições e advérbios (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Camargo; Justo, 2013</xref>). Eliminamos, ainda, as “palavras vazias”, que não atribuem sentido ao texto, isto é, pronomes, preposições, verbos de ligação e advérbios.</p>
      </sec>
      <sec sec-type="results">
         <title>Resultados</title>
         <p>A partir da análise dos planos das disciplinas do curso de licenciatura em Educação Física ofertado pela ESFA, FVC e UVV, buscamos compreender como o tema avaliação tem sido abordado nesses currículos. Para tanto, organizamos os resultados a partir da análise hierárquica descendente dos títulos e ementas de todas as disciplinas que compõem o currículo de cada curso.</p>
         <sec>
            <title>Análise Hierárquica Descendente das ementas das disciplinas da ESFA</title>
            <p>A análise das ementas das disciplinas da ESFA permitiu a construção da <xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref> que forma uma representação ordenada de classes de palavras e vocabulários agrupados e ramificados, de acordo com as divergências e aproximações das temáticas e das classes identificadas.</p>
            <fig id="f01">
               <label>Figura 1</label>
               <caption>
                  <title>Classificação Hierárquica Descendente das disciplinas da Escola Superior São Francisco de Assis.</title>
               </caption>
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               <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores no software Iramutec. Vitória-ES (2021).</attrib>
            </fig>
            <p>Na CHD, foram produzidos um total de 66 segmentos de texto, com aproveitamento de 57,58% (66), emergindo 2711 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), sendo 809 formas distintas, 624 com formas ativas, 38 com formas suplementares e um total de 168 formas ativas com frequência maior ou igual a três. Diante desse quantitativo, analisamos os termos que se apresentam como categorias temáticas, em que a associação com a classe apresentou um Qui-Quadrado maior do que 3,84 e um nível de significância (p) menor que 0,05.</p>
            <p>O conteúdo textual da CHD (<xref ref-type="fig" rid="f01">Figura 1</xref>) gerou quatro classes de palavras derivadas de duas ramificações iniciais. A primeira isola a classe em um bloco semântico próprio (classe 4). E a segunda se subdivide em dois ramos: um em que se encontra a classe 3, e outro que sofre uma nova subdivisão composta por mais 2 ramos, as classes 1 e 2.</p>
            <p>Em relação às classes 1, 2 e 3, identificamos que elas se encontram no segundo ramo da CHD, portanto apresentam uma relação composta por similaridades entre os seus usos. Na classe 3 com 23,7% dos segmentos de textos, evidencia elementos que envolvem a cultura do corpo e do movimento, o sistema educacional brasileiro, questões políticas, sociais, culturais, históricas e a formação do aluno como professor. Esses assuntos estão presentes nas disciplinas História da Educação Brasileira, Filosofia da Educação, e Políticas Públicas e Legislação Educacional.</p>
            <p>Com 21,1%, a classe 1 reúne termos referentes à formação ampliada, como noções, conceitos, básicas, biológico, estrutura, currículo. Esses temas estão presentes nas disciplinas que relacionam aspectos do ser humano-sociedade e biológicos do corpo humano, como Anatomia Humana, Biologia Celular e Histologia, Estrutura e Estudos em Currículo, Língua Brasileira de Sinais e Psicologia da Educação.</p>
            <p>Na classe 2, com 34,2%, destacam-se as palavras: ensino, conhecimentos, aspectos metodológicos e pedagógicos, articulados sobretudo com o contexto escolar. Esses termos estão relacionados com as questões referentes ao espaço e ao local da futura ação docente, e estão presentes nas ementas das disciplinas: Metodologia do Ensino da Educação Física, Produção do Conhecimento Pedagógico e Práxis das Ginásticas.</p>
            <p>Na classe 4 tem 21,1% dos termos e forma uma categoria isolada, com palavras como realização, esporte, intervenção, planejamento, avaliação, escola. A classe evidencia a atuação profissional e perspectiva o planejamento de projetos de intervenção e a organização de eventos, sobretudo relacionados com o conteúdo esporte no contexto escolar. Essas práticas e intervenções são desenvolvidas por meio das disciplinas: Oficina e Estágio Supervisionado.</p>
            <p>É na classe 4 que se identifica o aparecimento da temática avaliação relacionada com a avaliação de um evento, avaliação física, avaliação dos esportes, avaliação da intervenção presente nas disciplinas Oficina, Práxis dos Esportes Coletivos, Estágio Supervisionado, e Testes e Medidas. É importante destacar que o currículo da ESFA não tem nenhuma disciplina que no título contenha a palavra avaliação.</p>
            <p>Quando cruzamos as palavras que compõem essa classe, focando o olhar para a avaliação, observamos que: (a) o sentido atribuído a ela está articulado com uma concepção que antecede à ação pedagógica, pois visa a orientar o ensino por meio do planejamento; e (b) a avaliação é definida como uma ação em ato, em que se busca analisar as qualidades físico-esportivas de um sujeito ou as atividades/eventos por eles realizados.</p>
            <p>Ou seja, quando as ementas evidenciam a palavra avaliação ela geralmente está relacionada com a ação de avaliar o ensino, algo que foi realizado. A avaliação do ensino possibilita a análise e reflexão sobre a eficácia das práticas pedagógicas, as metodologias, as estratégias e recursos utilizados pelo professor. O foco está na ação do professor e como suas decisões impactaram no processo educativo, tendo como objetivo a melhoria das práticas de ensino. Além disso, as ementas não têm evidenciado a avaliação como um conteúdo de ensino a ser aprendido, seus diferentes conceitos, tipos, definições, instrumentos e técnicas.</p>
            <p>Em ambos os casos, não encontramos uma preocupação de assumir a avaliação como objeto de ensino, articulando-a com suas concepções conceituais e possibilidades de práticas avaliativas.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Análise Hierárquica Descendente das ementas das disciplinas da FVC</title>
            <p>Com o intuito de indicar as correlações entre os segmentos desses textos, geramos a <xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref>.</p>
            <fig id="f02">
               <label>Figura 2</label>
               <caption>
                  <title>Classificação Hierárquica Descendente das disciplinas da Faculdade Vale do Cricaré.</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-29-e2413649-gf02.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores no software Iramutec. Vitória-ES (2021).</attrib>
            </fig>
            <p>As terminologias submetidas ao <italic>software</italic> Iramuteq produziu um total de 68 segmentos de texto, com aproveitamento de 64,71% (68). Emergiram 2756 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), sendo 814 formas distintas, 636 com formas ativas, 43 com formas suplementares e um total de 176 formas ativas com frequência maior ou igual a três.</p>
            <p>A <xref ref-type="fig" rid="f02">Figura 2</xref> ilustra a relação hierárquica entre cinco classes de palavras derivadas das ementas das disciplinas analisadas. Inicialmente, se divide em duas ramificações principais. A primeira ramificação leva diretamente à classe 5, que é isolada e compreende 20,4% dos segmentos de texto analisados. Os termos representados nessa classe fazem menção aos conteúdos que são específicos do campo da EF na perspectiva escolar, trazendo elementos como esporte, cultura corporal, coletivo, teoria e prática, e também ações como problematizar e refletir sobre os processos de transposição didática, mediando a transformação sócio-histórico-cultural do jogo, da dança e das ginásticas. Esses termos são encontrados nas disciplinas: Teoria e Prática do Jogo, Teoria e Prática da Ginástica Geral, e Teoria e Prática dos Esportes Coletivos.</p>
            <p>A segunda ramificação se subdivide em dois ramos principais. O primeiro ramo agrupa as classes 1 e 4. A classe 1, que representa 18,2% dos segmentos, inclui termos relacionados à conceitos e noção geral de conhecimentos e sua relação com a atividade física e práticas corporais. Os dados também sugerem discussões que envolvem a saúde, presentes nas disciplinas: Antropologia das Práticas Corporais, Escola Atividade Física e Educação em Saúde, e Metodologia da Avaliação em Educação Física.</p>
            <p>A classe 4, contendo 15,9% dos segmentos, é composta por termos associados ao movimento humano e aspectos musculares, como “humano”, “muscular”, “movimento”, “força”, e “saúde”, presentes nas disciplinas de: Anatomia Humana, Determinantes Citológicos e Histológicos do Movimento Humano e Determinantes Biomecânicos do Movimento Humano.</p>
            <p>O segundo ramo se divide novamente em dois ramos menores, que agrupam as classes 2 e 3. A classe 2, com 20,4% dos segmentos, abrange termos relacionados a aspectos pedagógicos e metodológicos, como “construção”, “pedagógico”, “ensino”, “metodologia”, e “intervenção”. Esses termos foram destacados pelas disciplinas: Metodologia da Educação Física na Educação Infantil e Metodologia do Ensino da Educação Física nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Já os termos pesquisa, científico e projeto estão relacionados as disciplinas que constituem a dimensão produção do conhecimento científico e tecnológico, como Pesquisa em Educação Física e Metodologia da Pesquisa Científica.</p>
            <p>A classe 3, que representa 25% dos segmentos, inclui termos como “formação”, “cultural”, “comunidade”, “aspecto”, e “expressão”, que representam a formação do professor e os processos educativos com os alunos, que visam a atender as demandas atuais da comunidade. Termos esses presentes nas disciplinas: Práticas Pedagógicas, Teoria e Prática da Dança, e Teoria e Prática dos Esportes Coletivos.</p>
            <p>É interessante notar em todas as classes a ausência da palavra avaliação. Ao investigar a presença da temática avaliação na organização curricular do curso de EF da FVC, identificamos que ela se apresenta em apenas um título e na ementa referente à disciplina Metodologia da Avaliação em Educação Física. Tal disciplina aborda formas de avaliação, sobretudo relacionadas com a dimensão biológica e da saúde. Nela, são discutidas questões sobre a medidas corporais e antropométricas, inclusive pensando o contexto escolar. Essa disciplina propõe-se a discutir e a abordar os conceitos e métodos de medidas e avaliações, bem como debater a respeito da importância dos dados obtidos com as intervenções nas aulas de EF.</p>
         </sec>
         <sec>
            <title>Análise Hierárquica Descendente das ementas das disciplinas da UVV</title>
            <p>Com o propósito de indicar as correlações entre os segmentos de textos presentes nas fontes, geramos a <xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref>.</p>
            <fig id="f03">
               <label>Figura 3</label>
               <caption>
                  <title>Classificação Hierárquica Descendente das disciplinas da Universidade Vila Velha.</title>
               </caption>
               <graphic xlink:href="2318-0870-edpuc-29-e2413649-gf03.tif"/>
               <attrib>Fonte: Elaborada pelos autores no software Iramutec. Vitória-ES (2021).</attrib>
            </fig>
            <p>A CHD produziu um total de 55 segmentos de texto, com aproveitamento de 67,27%. Emergiram 2241 ocorrências (palavras, formas ou vocábulos), sendo 656 formas distintas, 505 com formas ativas, 28 com formas suplementares e um total de 148 formas ativas com frequência maior ou igual a três.</p>
            <p>A <xref ref-type="fig" rid="f03">Figura 3</xref> se divide inicialmente em duas ramificações principais. A primeira ramificação isola a classe 5, que compreende 21,6% dos segmentos de texto analisados. Esta classe agrupa termos como “estágio_supervisionado”, “científico”, “acadêmico”, “projeto”, e “pesquisa”, que estão relacionados a áreas de intervenção prática e produção acadêmica/científica. Abrange as disciplinas de Estágio Supervisionado e o Estágio Profissional, assim como, Metodologia Científica e Seminário de Trabalho de Conclusão de Curso.</p>
            <p>A segunda ramificação subdivide-se em dois ramos principais. O primeiro ramo inclui as classes 1 e 4. A classe 1, que representa 16,2% dos segmentos, contém termos associados ao movimento humano, os diferentes campos de atuação profissional e as perspectivas teóricas que dão sustentação à área da EF. Esses termos foram destacados pelas disciplinas: Psicologia da Educação Física; Bases Pedagógicas da Educação; Biomecânica; e Recreação.</p>
            <p>A classe 4, compreendendo 21,6% dos segmentos, é composta por termos que refletem correntes de pensamento pedagógicos e aspectos teóricos na Educação Física, como “educação”, “corrente”, “pensamento”, “base”, e “educação_física”. Eles estão presentes nas disciplinas: Bases Pedagógicas da Educação, Bases Sociológicas das Atividades Corporais, Bases Filosóficas das Atividades Corporais e Esportivas, Bases Pedagógicas da Educação, Bases do Condicionamento Físico, Bases Fisiológicas das Atividades Corporais, e as Bases do Treinamento Esportivo.</p>
            <p>O segundo ramo da segunda ramificação se subdivide novamente em dois ramos menores, que agrupam as classes 2 e 3. A classe 2, com 21,6% dos segmentos, inclui termos relacionados a regras e conhecimentos específicos da Educação Física, como “regra”, “sistema tático”, “aspectos históricos”, “tática”, e “fundamento”. Esses termos aparecem sobretudo nas ementas das disciplinas de esportes, como: Natação, Atletismo, Futebol e Metodologia das Lutas.</p>
            <p>A classe 3, representando 18,9% dos segmentos, agrupa termos associados à qualidade física e organização de atividades esportivas, como “físico”, “qualidade”, “organização”, “empreendedor”, “avaliação” e “funcionamento”. Essas expressões representam as discussões sobre as disciplinas: Metodologia dos Esportes Individuais, Ginástica Rítmica, Handebol; Bases do Treinamento Esportivo; Empreendedorismo e Biomecânica, Estágio Profissional e Medidas e Avaliação.</p>
            <p>A temática avaliação se apresenta tanto em títulos de disciplinas como nas ementas. Quanto aos títulos, a avaliação faz-se presente em duas disciplinas: Medidas e Avaliação, e Avaliação Educacional, as quais possuem características distintas.</p>
            <p>A disciplina Medidas e Avaliação aborda os princípios e procedimentos metodológicos referentes às medidas antropométricas, à avaliação da aptidão física e à composição corporal. Apresenta ainda, conceitos e objetivos dessa avaliação pensando no mercado de trabalho.</p>
            <p>Já a disciplina Avaliação Educacional está voltada para a prática pedagógica de ensino, com o foco na avaliação da aprendizagem do aluno. Nela, discute-se sobre as tendências da avaliação no ambiente escolar, bem como seus conceitos, os registros avaliativos empregados pelos professores e a relação do ensino e da avaliação na EF escolar.</p>
            <p>Quando analisamos as ementas, verificamos a presença da temática avaliação em disciplinas como: Bases do Condicionamento Físico, Estágio Profissional em Educação Física, Avaliação Educacional, Didática da Educação Física, Estágio Supervisionado, Medidas e Avaliação, Futebol, Atletismo, Basquetebol, Metodologia dos Esportes Coletivos, Handebol e Natação. Ao analisarmos os títulos e as ementas dos planos de disciplinas da UVV, constatamos que a temática avaliação apresenta-se como um componente da matriz curricular, relacionada tanto com as questões educacionais e pedagógicas como também com os aspectos voltados para a qualidade, a capacidade e a aptidão física.</p>
         </sec>
      </sec>
      <sec sec-type="discussion">
         <title>Discussão</title>
         <p>Os currículos prescritos (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Sacristán, 2000</xref>) dos cursos são auxiliares para a apreensão das intencionalidades propostas em cada projeto de formação e para a compreensão de como os cursos de formação inicial de professores de Educação Física da ESFA, FVC e UVV fornecem condições ao estudante para constituir a sua profissionalidade docente (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Nóvoa, 2017</xref>).</p>
         <p>Especificamente no contexto da formação inicial de professores de Educação Física, falar sobre avaliação é um processo complexo e pode ser particularmente problemático devido à natureza da disciplina e às diferentes abordagens teóricas que fundamentam a sua prática. A reflexão sobre os conteúdos de avaliação ensinados na formação de professores da ESFA, FVC e UVV consideram as especificidades da profissão e o perfil de egresso de cada instituição. Essa formação pode ser generalista, como no caso da UVV que vista à atuação nos campos da saúde, do lazer, da educação, do esporte, fornecendo titulação dupla de bacharel e licenciado; ou específica, como na ESFA e FVC para a atuação em apenas na escola.</p>
         <p>Neste estudo, nos interessa compreender como o tema avaliação tem sido abordado pelas disciplinas que compõe os currículos dos cursos de licenciatura da ESFA, FVC e UVV. De modo específico, essa análise nos permite investigar como os cursos tem preparado os estudantes em relação a avaliação para atuação no contexto escolar.</p>
         <p>Tradicionalmente, a avaliação em Educação Física costumava ser orientada pelos aspectos físicos do desenvolvimento humano, pelos componentes da aptidão física e/ou pelas habilidades especificas para práticas esportivas. Nessa perspectiva, a prática avaliativa é orientada para o produto e mobiliza saberes estatísticos e comparações quantitativas para a análise dos resultados. Muitas vezes, esse processo é entendido como medida, baseando-se na ideia da avaliação enquanto mensuração do desempenho e utilizando instrumentos diversificados, isto é, a avaliação como verificação da aprendizagem ou do desempenho alcançado.</p>
         <p><xref ref-type="bibr" rid="B05">Fernandes (2009)</xref> sinaliza que as contribuições da Pedagogia, da Didática, da Psicologia Cognitiva e Social, da Sociologia, da Antropologia e da Ética nas últimas décadas do século XX proporcionaram mudanças nas concepções de avaliação que permitiu a maior afirmação de pressupostos ontológicos, epistemológicos e metodológicos e menor subordinação ao positivismo. De modo semelhante, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Moura e Antunes (2014, p. 836)</xref> tem sinalizado que a avaliação motora por meio de testes e medidas é uma abordagem superada na Educação Física escolar, que deve ter o olhar “[...] para um procedimento que possibilite avaliar o aluno de um modo mais amplo e integrado. Esta ruptura ressignifica a função da avaliação para um diagnóstico dos aprendizados dos alunos e do ensino do professor”.</p>
         <p>Entretanto, os resultados deste estudo evidenciam que os três cursos de formação oferecem uma disciplina que aborda os testes físicos e medidas corporais para o curso de licenciatura em Educação Física. Destacamos a necessidade desses cursos ensinarem e assumirem práticas avaliativas que favoreçam as aprendizagens e caminhem além da medida, dos testes, da estatística e da comparação, o que aconteceu apenas no currículo da UVV. O problema não está diretamente relacionado ao ensino de testes e medidas nos cursos de licenciatura em Educação Física, mas sim há ausência de disciplinas que discutam sobre a diferença entre medida e avaliação, que aborde as especificidades de avaliar a Educação Física no contexto escolar e a diferenciação entre os campos de atuação.</p>
         <p>Em uma discussão mais ampla, que envolve o próprio entendimento da Educação Física como um componente curricular, indagações sobre o que, para que e como avaliar evidenciam também a concepção de avaliação, de educação e de educação física assumida pelo sujeito. Na medida em que as disciplinas de Testes e Medidas na ESFA, Metodologia de Avaliação em EF na FVC e Medidas e Avaliação na UVV ressaltam a necessidade de o aluno aprender a avaliar as questões motoras, posturais e esportivas, isso pode, de algum modo, pressupor também a importância de avaliar essas questões na escola.</p>
         <p>Essas disciplinas, que discutem sobre avaliação nessa perspectiva, não prescrevem seu uso para o contexto escolar. Entretanto, a falta de discussões nas disciplinas pedagógicas sobre as especificidades da avaliação na Educação Física gera uma lacuna e não diferencia a prática avaliativa escolar da extraescolar.</p>
         <p>A avaliação evidencia aquilo que os professores consideram importante de ser ensinado e, no caso da avaliação motora, postural e esportiva, revela uma perspectiva de educação física que valoriza o ensino das habilidades motoras, das técnicas dos esportes, dos gestos e dos padrões motores (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Frossard; Santos, 2024</xref>). Historicamente, o uso dessa avaliação no contexto escolar tem ocorrido com a finalidade de melhorar o rendimento esportivo, de corrigir padrões de movimento, de identificar as habilidades motoras e de melhorar o seu desenvolvimento. Nessa perspectiva, as aulas de Educação Física escolar são um meio para o desenvolvimento de habilidades motoras.</p>
         <p>A prática avaliativa dos professores não ocorre em um vazio conceitual, mas está alinhada a concepções de educação que a fundamentam (<xref ref-type="bibr" rid="B02">Caldeira, 2000</xref>). Desse modo, o entendimento de mundo, do sujeito, de sociedade e de educação influenciam na definição dos modelos/práticas avaliativas, sendo um fator determinante para compreender quais são as orientações epistemológicas, antropológicas, pedagógicas, curriculares e didáticas que fundamentam a área para o contexto escolar.</p>
         <p><xref ref-type="bibr" rid="B07">Fuzii (2010)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B22">Santos e Maximiano (2013)</xref>, ao analisarem os currículos de cursos de licenciatura de EF em UFs, constataram a ausência de uma disciplina específica que aborde sobre o tema da avaliação. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B07">Fuzii (2010, p. 158)</xref>: “[...] a avaliação educacional não é o ponto central de nenhuma disciplina, sendo que na disciplina de Medidas e Técnicas de Avaliação em Educação Física não perdeu a tradição da biometria ou das medidas e técnicas, evoluindo para modelos de pesquisa quantitativa”.</p>
         <p>Na concepção assumida pela FVC, o futuro professor é formado para trabalhar na escola com práticas avaliativas consideradas sinônimo de medidas e testes, que abrangem a dimensão motora (habilidades motoras e as capacidades físicas) associada ao rendimento esportivo. Esse tipo de avaliação relacionada com os aspectos motores, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B27">Tani (1988)</xref>, propõe uma mensuração das taxionomias, com a finalidade de quantificar a evolução do aluno em determinada habilidade motora.</p>
         <p>Sendo assim, constatamos que a aferição da avaliação corporal e antropométrica, presente na disciplina <italic>Metodologia da Avaliação em Educação Física</italic>, evidencia uma visão do curso de EF da FVC, fundamentada na dimensão biológica, sobretudo relacionada com a abordagem da atividade física e da saúde empregada no âmbito escolar. Esse debate se desloca da discussão mais ampla no campo da avaliação educacional, podendo favorecer uma formação que contribui para um ensino da EF que se apresenta isolado no currículo da Educação Básica.</p>
         <p>No caso da ESFA o curso tem ofertado uma disciplina de Teste e Medidas com a mesma função da FVC. Além disso, outras disciplinas como <italic>Práxis dos Esportes Coletivos, Oficinas e Estágio Supervisionado</italic> têm abordado o tema relacionando ao ato de avaliação do ensino e não necessariamente como um conteúdo.</p>
         <p><xref ref-type="bibr" rid="B06">Frossard e Santos (2024)</xref> destacam que a falta de uma disciplina especifica sobre o tema faz com que o conteúdo seja ensinado de forma isolada, em pouca carga horária, desarticulado das especificidades da avaliação na educação física escolar e do contexto de atuação profissional. Já <xref ref-type="bibr" rid="B22">Santos e Maximiano (2013, p. 97)</xref>, em seu estudo com alunos do curso de Educação Física da Ufes, sinalizam que “[...] a formação inicial tem oferecido poucos elementos teóricos para que os discentes possam analisar suas experiências avaliativas vivenciadas na educação básica”. Os autores destacam, pois, que as experiências são fundamentais na constituição do professor e é papel da formação inicial proporcionar um processo de ressignificação dos seus saberes, anunciando outras possibilidades concretas de produzir a prática desse componente curricular.</p>
         <p>Percebe-se que a definição da concepção de avaliação e o que será avaliado têm estreita relação com a concepção de educação física e com a área de atuação na qual o professor está sendo formado para atuar. Ou seja, a pedagogia, o currículo e a avaliação caminham de forma inseparável. Se, por um lado, o foco for direcionado para a aprendizagem dos aspectos do desenvolvimento humano, físico, motor e esportivo, consequentemente a avaliação ensinada nos cursos também apresentará uma abordagem mais quantitativa e possibilitará o desenvolvimento dos alunos em relação a essas questões. Por outro lado, se a concepção de educação física estiver mais relacionada aos aspectos culturais e sociais do movimento humano, sua avaliação geralmente assumirá um perfil mais qualitativo. Nessa perspectiva avaliativa, o interesse é identificar os diferentes saberes construídos nas aulas de educação física e/ou as ações necessárias para a aprendizagem.</p>
         <p>Já a UVV, possui uma peculiaridade, por ofertar uma formação ampliada para a atuação tanto no contexto escolar quanto no extraescolar. Em relação ao conteúdo de avaliação ensinado no curso, há duas disciplinas: uma que discute a avaliação educacional e sua prática no contexto escolar e outra focada na avaliação quantitativa, relacionada com medidas antropométricas, testes físicos e análises das questões motoras do movimento humano.</p>
         <p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Nunes, Votre e Santos (2012)</xref> salientam que é necessário indagar sobre a distribuição das disciplinas em cursos de dupla formação, já que não é possível diferenciar os conhecimentos referentes à formação ampliada ou específica, seja para a licenciatura seja para o Bacharelado. Esse cenário sugere-nos pouco aprofundamento daquilo que se ensina no âmbito das disciplinas da UVV, trazendo implicações para o campo de atuação profissional da EF, haja vista a necessidade de problematização, na formação inicial, daquilo que é pertinente à escola, diferenciando-a das especificidades de outros espaços.</p>
         <p>Os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Stieg <italic>et al</italic>. (2021)</xref> e de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Paula <italic>et al</italic>. (2018b)</xref> evidenciam como os cursos de formação de professores de Educação Física da América Latina têm alternado entre o ensino da avaliação quantitativa e o ensino da avaliação qualitativa a depender do entendimento e da função da educação física escolar.</p>
         <p>é preciso ponderar que o campo de atuação profissional traz consigo especificidades que implicam a construção de currículos de formação que considerem os saberes docentes próprios de cada contexto. Isso não é diferente na prática avaliativa, em que o conteúdo pode ter diversos enfoques dependendo do contexto. Nesse caso, é a concepção de educação física que define o que deve ser ensinado, aprendido e consequentemente avaliado. Assim, é preciso considerar o conceito de avaliação educacional de forma ampliada, considerando, por exemplo, as disciplinas de Medidas e Avaliação como possíveis orientadoras da prática avaliativa no contexto escolar.</p>
         <p>A análise da literatura internacional sobre o tema evidencia que os cursos de formação têm diferentes concepções de educação física e, consequentemente, diferentes visões sobre o que deve ser avaliado, por exemplo, as habilidades motoras fundamentais (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Lander <italic>et al</italic>., 2015</xref>); o desenvolvimento individual na prática da atividade física (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Slingerland <italic>et al</italic>., 2017</xref>); os significados que os alunos atribuem aos seus aprendizados, sejam de valores, de atitudes, de apropriação dos conteúdos teóricos, sejam das práticas corporais (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Santos <italic>et al</italic>., 2016</xref>); e as aprendizagens dos estudantes a partir de suas experiências com as práticas corporais (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Castejón Oliva <italic>et al</italic>., 2011</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">López-Pastor <italic>et al</italic>., 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Lorente-Catalán; Kirk, 2014</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Romero-Martín; Dieste; Chivite Izco, 2016</xref>).</p>
      </sec>
      <sec sec-type="conclusions">
         <title>Considerações Finais</title>
         <p>A análise das disciplinas dos cursos de licenciatura em Educação Física das instituições ESFA, FVC e UVV revela uma abordagem diversificada do tema avaliação, refletindo as diferentes concepções pedagógicas e os objetivos formativos de cada instituição. De maneira geral, observamos que a avaliação educacional, apesar de sua importância reconhecida, ainda aparece de forma limitada e fragmentada nos currículos dessas instituições.</p>
         <p>Na ESFA, a avaliação é tratada de maneira pontual e relacionada principalmente à avaliação do desempenho físico e esportivo. Não há uma disciplina específica focada exclusivamente em práticas avaliativas educacionais, e o tema aparece diluído em várias disciplinas, sem uma abordagem consolidada que articule teoria e prática de maneira efetiva para o contexto escolar.</p>
         <p>A FVC apresenta uma disciplina dedicada à Metodologia da Avaliação em Educação Física, que, no entanto, mantém uma forte ênfase nas medidas corporais e antropométricas, refletindo uma concepção tradicional de avaliação orientada para o desempenho físico. Essa perspectiva pode limitar a formação dos futuros professores em relação às práticas avaliativas para a aprendizagem que valorize as especificidades de uma Educação Física cultural no cotidiano escolar.</p>
         <p>A UVV, por sua vez, apresenta um currículo mais amplo, com disciplinas que abordam tanto a avaliação educacional quanto as medidas e avaliações físicas. Esta abordagem permite uma formação mais completa, capacitando os futuros professores a desenvolverem práticas avaliativas diversificadas que contemplam tanto os aspectos qualitativos quanto quantitativos do processo de ensino-aprendizagem. Entretanto, ainda se faz necessário a diferenciação dos campos de atuação, pois isso pode gerar nos estudantes dificuldades de compreender a Educação Física escolar dentro da área de conhecimento de linguagens, enquanto em outros locais ela dialoga mais com o lazer, saúde e performance.</p>
         <p>A partir dessas análises, podemos inferir que a formação inicial de professores de Educação Física ainda necessita de avanços significativos para incorporar uma visão mais crítica e reflexiva sobre a avaliação educacional. É fundamental que os currículos prescritos dos cursos de licenciatura em Educação Física incluam, de maneira mais explícita e articulada, discussões sobre as diversas concepções de avaliação, métodos e técnicas, adaptando-as ao contexto escolar de forma a promover a melhoria contínua das práticas pedagógicas.</p>
         <p>Nesse sentido, em relação ao ensino da avaliação, entendemos que os cursos de formação inicial de professores de Educação Física precisam: (a) proporcionar uma reflexão sobre as experiências avaliativas vivenciadas durante a escolarização; (b) propiciar discussões teóricas sobre avaliação; (c) apresentar possibilidades concretas de avaliação que considerem a especificidade da disciplina; (d) favorecer momentos de atuação docente para os estudantes praticarem a avaliação no contexto escolar.</p>
         <p>Diante das constatações deste estudo, ressaltamos a importância de novas pesquisas que investiguem a perspectiva de formação desses cursos e como os egressos da formação inicial têm avaliado na educação básica, o que permitiria compreender tanto o impacto da formação inicial quanto a perspectiva de educação física adotada pelo docente.</p>
      </sec>
   </body>
   <back>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other">
            <p><bold>Como citar este artigo</bold>: Frossard, M. L.; Poleto, F. M. B.; Santos, W. O currículo dos cursos de licenciatura em educação física: implicações para o ensino da avaliação. <italic>Revista de Educação PUC-Campinas</italic>, v. 29, e2413649, 2024. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0870v29a2024e13649">https://doi.org/10.24220/2318-0870v29a2024e13649</ext-link></p>
         </fn>
      </fn-group>
      <ref-list>
         <title>Referências</title>
         <ref id="B01">

            <mixed-citation>Bloch, M. <italic>Apologia da história ou o ofício do historiador</italic>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.</mixed-citation>
            <element-citation publication-type="book">
               <person-group person-group-type="author">
                  <name>
                     <surname>Bloch</surname>
                     <given-names>M.</given-names>
                  </name>
               </person-group>
               <source>Apologia da história ou o ofício do historiador</source>
               <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
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