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            <journal-title>Transinformação</journal-title>
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            <article-title>O conceito de xenofobia na perspectiva da Teoria Prototípica de Categorização: uma análise dos conceitos atribuídos ao povo do Nordeste brasileiro no discurso bolsonarista</article-title>
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               <trans-title>The concept of xenophobia in the perspective of the Prototypical Theory of Categorization: an analysis of the concepts attributed to the people of the Brazilian Northeastern in the bolsonarista discourse</trans-title>
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            <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Florianópolis, SC, Brasil.</institution>
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            <institution content-type="original">Visiting Research Fellow at Edinburgh Napier University. Edinburgh, Scotland.</institution>
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         <author-notes>
            <corresp id="c01">Correspondência para: T. H. B. BARROS. E-mail: <email>bragato.barros@ufrgs.br</email>. </corresp>
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               <label>Editora</label>
               <p>Luisa Angélica Paraguai Donati</p>
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               <label>Conflito de interesses</label>
               <p>Os autores declaram que não há conflito de interesses.</p>
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               <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
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         <abstract>
            <title>Resumo</title>
            <p>O processo migratório é um fenômeno global que se origina a partir de diversas variáveis e que gera conflitos entre populações receptoras e migrantes. A xenofobia é um processo discriminatório caracterizado como um tipo de desrespeito e/ou intolerância relacionado a locais de origem, sotaques, culturas, religiões ou etnias de pessoas que são migrantes. Este estudo tem o objetivo de analisar a mobilização do conceito de xenofobia no discurso bolsonarista, com base na teoria de categorização prototípica. Trata-se de um estudo de natureza exploratória, descritiva com abordagem qualitativa e pautada na pesquisa bibliográfica e documental. O <italic>corpus</italic> que compõe a etapa de análise dos dados é composto por dez declarações proferidas pelo ex-presidente Bolsonaro, durante o período em que foi deputado federal até o seu mandato de presidente, em entrevistas públicas, quando se remete ao povo do Nordeste brasileiro. As etapas de levantamento, tratamento e análise das informações foram conduzidas pela técnica de análise de conteúdo. O estudo caracteriza a ideia de xenofobia regional e apresenta os pressupostos dos modelos clássico e prototípico de categorização. Identifica as principais características do conceito de xenofobia segundo a teoria clássica e articula a noção de pertencimento às possibilidades apontadas pela teoria prototípica. Discute-se, assim, o pertencimento dos conceitos atribuídos ao povo nordestino no discurso bolsonarista à categoria de xenofobia, à luz da teoria prototípica de categorização.</p>
         </abstract>
         <trans-abstract xml:lang="en">
            <title>Abstract</title>
            <p>The migratory process is a global phenomenon arising from multiple variables, which generates conflicts between recipients and migrants. Xenophobia is a discriminatory process characterized as a type of disrespect and/or intolerance towards the places of origin, accents, cultures, religions or ethnicities of people who migrate. This study aims to analyze the mobilization of the concept of xenophobia in Ex-President Bolsonaro’s discourse and that of his like-minded followers (known as bolsonaristas), based on the prototypical categorization theory. This is an exploratory and descriptive study with a qualitative approach, grounded in bibliographical and documentary research. The corpus that forms the basis of the data analysis is composed of ten statements given by Ex-President Bolsonaro while he was a congressman and later as president, during public interviews referring to the people of the Brazil’s Northeast. The stages of data collection, processing, and analysis were conducted using content analysis techniques. The study characterizes the idea of regional xenofobia and contains the assumptions of the classical and prototypical model of categorization. It identifies the main characteristics of the concept of xenofobia according to the classical theory and articulates the notion of belonging with the possibilities pointed out in the prototypical theory. It discusses the belonging of the concepts attributed to the northeastern people in the bolsonarista discourse to the category of xenophobia, in the light of prototypical categorization theory.</p>
         </trans-abstract>
         <kwd-group xml:lang="pt">
            <title>Palavras-chave</title>
            <kwd>Categorização social</kwd>
            <kwd>Migrações internas no Brasil</kwd>
            <kwd>Populismo de direita</kwd>
            <kwd>Xenofobia regional</kwd>
         </kwd-group>
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            <title>Keywords</title>
            <kwd>Social categorization</kwd>
            <kwd>Internal migrations in Brazil</kwd>
            <kwd>Right-wing populism</kwd>
            <kwd>Regional xenophobia</kwd>
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               <funding-source>Capes</funding-source>
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            <funding-statement>Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – Código de Financiamento nº 001.</funding-statement>
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    <sec sec-type="intro"><title>Introdução</title>
    <p>Historicamente, é possível observar que os povos realizaram (e continuam realizando) processos migratórios por motivos diversos, ora com vistas a expandir seus territórios, ora por questões econômicas e sociais, ou, ainda, por contextos de guerras e perseguições religiosas − sendo esses dois últimos considerados motivos de migrações forçadas. No contexto brasileiro, o desenvolvimento da migração permeia toda a história registrada do país, tendo em vista que a invasão dos colonizadores portugueses englobou tanto facetas da migração com finalidades econômicas – de exploração das riquezas naturais, imposição cultural, religiosa e expansão territorial –, quanto facetas da migração forçada, como no caso da população africana escravizada, violentamente trazida ao país a partir do século XVI. Em períodos mais recentes, o Brasil (bem como outros países no mundo) tornou-se destino de vários povos que aqui desembarcaram em busca de oportunidades de trabalho e sobrevivência, fato que se mantém até os dias atuais. Seguindo essa linha, ao avançar na compreensão das motivações que concretizaram processos migratórios nos últimos séculos, como efeito da crise neoliberal contemporânea, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Marinucci e Milesi (2011, p. 3)</xref> afirmam:</p>
    <disp-quote><p>No contexto do sistema econômico atual, verifica-se o crescimento econômico sem o aumento da oferta de emprego. O desemprego passa a ser uma característica estrutural do neoliberalismo, e as pessoas, então, migram em busca, fundamentalmente, de trabalho. E isto se verifica tanto no plano interno como no internacional. Sobre a lógica do progresso econômico e do desenvolvimento social impera a lógica do lucro, onde todos os bens, objetos e valores são passíveis de negociação, como as pessoas e até os seus órgãos, a educação, a sexualidade e, inevitavelmente, os migrantes.</p>
    </disp-quote><p>A tese levantada pelos autores revela que o processo migratório contemporâneo teve uma forte influência da industrialização, que trouxe maior desenvolvimento dos centros urbanos e, consequentemente, maior demanda de força de trabalho, muitas vezes sem a necessidade de especialização por parte do trabalhador. Por outro lado, tem-se o cenário da profunda desigualdade social, em que populações de regiões que não acompanharam tal desenvolvimento, por questões políticas, econômicas e sociais, sentem os efeitos dessa realidade e são motivadas ao processo migratório em busca de condições de vida mais favoráveis<xref ref-type="fn" rid="fn04">4</xref>.</p>
    <p>Faz-se necessário, neste ponto, um esclarecimento conceitual a respeito do uso da noção de xenofobia adotada neste estudo − especialmente quando se trata da xenofobia de caráter regional. Compreende-se que o termo, em sua origem, está associado ao preconceito ou aversão em relação ao estrangeiro. Entretanto, o entendimento aqui empregado não se refere a considerar um povo como estrangeiro em seu próprio território, mas reconhecer que o preconceito pode também se manifestar em relação a grupos culturais internos, quando estes são percebidos como “outros” por expressarem identidades e costumes distintos daqueles que hegemonizam determinado espaço social. Essa concepção dialógica permite compreender que a xenofobia pode ser também acionada em contextos intranacionais, operando sobre marcadores de diferença cultural e socioeconômica.</p>
    <p>No que se refere ao movimento migratório de nordestinos para o Sudeste brasileiro, sobretudo para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, é importante destacar que esse fluxo interno se intensificou a partir da década de 1950, como resposta a uma série de condições adversas nos estados nordestinos. Conforme analisado por <xref ref-type="bibr" rid="B23">Martins (1994</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B24">1997)</xref>, a concentração fundiária e o modelo agrário excludente do Nordeste historicamente limitaram as possibilidades de ascensão econômica para grande parte da população. Além disso, fatores climáticos, como a recorrência de secas prolongadas, reforçaram o quadro de vulnerabilidade na região (<xref ref-type="bibr" rid="B09">Castro, 2007</xref>). A precariedade estrutural foi ainda agravada pela ausência de políticas públicas eficazes, situação apontada por <xref ref-type="bibr" rid="B06">Baeninger (2012)</xref> como um dos motores centrais da migração interna no Brasil.</p>
    <p>Paralelamente a esses fatores de expulsão, as regiões Sudeste e Sul do país passavam por um processo acelerado de industrialização e urbanização, sobretudo a partir do governo Vargas e da política de substituição de importações (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Fausto, 1994</xref>). Esse processo gerou uma crescente demanda por força de trabalho, especialmente para atividades nos setores de construção civil, indústrias e serviços urbanos. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B06">Baeninger (2012)</xref>, essa dinâmica pode ser explicada a partir da teoria migratória de abordagem <italic>push-pull</italic>, proposta inicialmente por <xref ref-type="bibr" rid="B17">Lee (1966)</xref>, que concebe os movimentos migratórios como resultado de fatores que impulsionam a saída das populações de seus locais de origem (<italic>fatores push</italic>) e de elementos que exercem atração nos destinos (<italic>fatores pull</italic>).</p>
    <p>No caso específico dos migrantes nordestinos, os fatores <italic>push</italic> relacionaram-se diretamente às dificuldades socioeconômicas descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B23">Martins (1994)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B09">Castro (2007)</xref>, enquanto os fatores <italic>pull</italic> se materializavam na promessa de trabalho e melhores condições de vida nas metrópoles industriais do Sudeste. Essa perspectiva é corroborada por <xref ref-type="bibr" rid="B20">J. Magalhães (2015, p. 102)</xref>, ao destacar que “depois, como trabalhadores do setor de serviços e das indústrias da capital e arredores, a partir da década de 1950, os nordestinos figuram como migrantes trabalhadores, tendo em seu horizonte o retorno, ainda que temporário, à terra natal”.</p>
    <p>Embora impulsionados por essa expectativa de ascensão econômica, muitos desses migrantes enfrentaram dificuldades de integração social e foram alvo de estigmatização, reforçando a percepção de alteridade mesmo dentro do território nacional − situação que se articula com a problemática da xenofobia regional abordada neste trabalho.</p>
    <p><xref ref-type="bibr" rid="B20">J. Magalhães (2015)</xref> destaca a provisoriedade como a problemática central dessa relação e se apoia no pensamento de <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sayad (1998, p. 56)</xref> para justificar seu posicionamento, ao apontar que “a imigração, portanto, gera um problema social e sociológico, já que se firma sobre condições sociais específicas de descontentamento para o imigrante e para quem o recebeu”, tendo em vista que nem todos os migrantes retornam aos seus lugares de origem. Como consequência, “isso induz aos conflitos e estereótipos nascidos da convivência entre imigrantes¹ e “nativos” [...] não existindo provisoriedade de fato, a sociedade receptora não os aceita como definitivos” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Magalhães, V. B., 2015, p. 101</xref>). No caso específico da população migrante nordestina, inserida em um contexto historicamente marcado por desigualdades e preconceitos, observa-se a construção simbólica desse grupo como um “outro” dentro do próprio território nacional. Essa alteridade é atribuída não apenas a características físicas e culturais, mas também a marcadores sociais e intelectuais, frequentemente inferiorizados em relação aos padrões estabelecidos pelos chamados “nativos” − aqui compreendidos como os habitantes das regiões de destino da migração interna, sobretudo Sudeste e Sul. Como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B20">J. Magalhães (2015, p. 106)</xref>, “a migração nordestina sempre foi acompanhada por sentimentos contraditórios: o desejo de permanecer e melhorar de vida, mas também a vontade de retornar ao lugar de origem, onde a identidade social estaria preservada e o preconceito, ausente”. Essa tensão entre permanência e retorno é uma resposta subjetiva à rejeição social vivenciada pelos migrantes, que se deparam, cotidianamente, com olhares e práticas discriminatórias.</p>
    <p>A compreensão desse processo ganha ainda mais densidade teórica a partir da análise proposta por <xref ref-type="bibr" rid="B32">Sayad (1998, p. 21)</xref>, que enfatiza: “o migrante é duplamente culpado: culpado por partir e culpado por chegar”. Essa “culpa” atribuída ao migrante, segundo o autor, não se refere a um erro real, mas a um lugar simbólico de marginalidade que lhe é socialmente imposto. No contexto brasileiro, esse mecanismo de exclusão é intensificado pela desigualdade histórica entre as regiões, o que faz com que o migrante nordestino seja constantemente percebido como um invasor ou como aquele que não pertence ao espaço social urbano para o qual se deslocou. Assim, o preconceito direcionado a esses sujeitos não é meramente circunstancial, mas estrutural, operando como forma de reafirmação das hierarquias sociais e culturais vigentes. A segunda problemática dessa relação entre migrantes e a sociedade receptora, decorrente da ausência da provisoriedade, incide no processo de estereotipação dos nordestinos que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">V. B. Magalhães (2015)</xref>, com base em Elias e Scotson (2000), estabelece uma noção de superioridade dos receptores em detrimento da inferioridade dos migrantes, fato que elucida a construção social dos preconceitos. Para a autora “a partir desse modelo, pode-se pensar em como são construídas e qual a função das generalizações do nordestino como “cabeça chata”, “baiano” ou “paraíba” (Elias; Scotson, 2000, p. 103) associando esses conceitos à xenofobia enraizada culturalmente.</p>
    <p><xref ref-type="bibr" rid="B14">Ferreira (2020, p. 1)</xref> afirma que “[...] o preconceito não acontece somente nas relações sociais do local de destino dos migrantes e dos encontros cotidianos, mas é reforçado por declarações ofensivas e xenofóbicas de alguns políticos que acabam por legitimar atitudes de preconceito”, a exemplo das declarações do ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que em diversos contextos utiliza os estereótipos xenofóbicos quando se trata do povo nordestino. O estudo em questão busca relacionar a área da Organização do Conhecimento, que trata, de modo geral, da organização, sistematização e disseminação dos saberes e conhecimentos com os estudos linguísticos, em especial, os estudos discursivos e os contextos de desigualdades. Vale ressaltar que no contexto brasileiro, as narrativas regionalistas, de caráter xenofóbico, também promovem silenciamentos e reforçam marcadores sociais de diferenças que apresentam seus desdobramentos nas categorizações que são estabelecidas socialmente. Isso leva à motivação para a realização deste estudo, uma vez que vários elementos constituem a categoria estereotipada do nordestino numa perspectiva xenofóbica, “construída sobre a noção de sua inferioridade [...] inferioridade racial, cultural, de cosmopolitismo, de classe e assim por diante” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">V. B. Magalhães, 2015, p. 104</xref>). A verbalização (oral ou escrita) dos estereótipos que reforçam elementos xenofóbicos está enraizada culturalmente e, muitas vezes, revelam as crenças coletivas de superioridade racial ou cultural que se construíram historicamente com a xenofobia.</p>
    <p>Para lidar com a complexidade dessa questão e contextualizando-a com os estudos sobre categorização e discurso, a teoria prototípica se mostra como um caminho possível para abarcar conceitos que podem representar preconceitos, quando analisados juntamente com a conjuntura social na qual são declarados. <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox (2011)</xref> explica que esse modelo prototípico de categorização permite maior flexibilidade e atribui uma dimensão inclusiva da categoria frente às pluralidades contextuais da sociedade atual, fato que distingue essa teoria das teorias clássicas anteriores. Assim sendo, um membro pode possuir todas as características típicas de um grupo, mas isso não se configura como um pré-requisito, bastando-lhe possuir algumas características para continuar sendo membro do grupo. Dada a realidade acima exposta, o presente estudo tem por objetivo analisar a mobilização do conceito de xenofobia, com base na teoria de categorização prototípica no discurso bolsonarista.</p>
    <p>O termo “mobilização” aqui adotado se deve à pretensão de compreender o conceito em uso por meio do discurso, tendo em vista a influência da fala do ex-representante do Estado brasileiro perante a população e a sua responsabilidade na manutenção e legitimação dos preconceitos, exercendo o que <xref ref-type="bibr" rid="B05">Austin (1990)</xref> considera como um poder performativo<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref>. Desse modo, a análise da mobilização discursiva não apenas revela como os estereótipos são acionados, mas também dimensiona a responsabilidade política e social da liderança na manutenção ou no desmantelamento das hierarquias e preconceitos regionais. A relevância deste estudo reside, portanto, em expor os mecanismos pelos quais o discurso bolsonarista instrumentaliza a categorização prototípica do nordestino, transformando um traço cultural em um marcador de exclusão social.</p>
    </sec>
    <sec><title>Modelo clássico e modelo prototípico de categorização: conformações teóricas</title>
    <p>Comumente, no pensamento ocidental, a ação intelectual que se comunica de perto com o esforço de classificação é a categorização, processo em que se determinam estruturas de ordenação para fenômenos agrupados com base em suas semelhanças e diferenças, lembrado por <xref ref-type="bibr" rid="B04">Artêncio (2007, p. 72)</xref> como um processo que se baseia na “[...] ocorrência de características comuns em diversos membros, ou seja, o conceito na sua mais ampla extensão”. A compreensão da ordenação de categorias como um processo cognitivo, bem como os meios, funções e elementos necessários para descrição do mundo real ou ideal, constitui uma discussão na Organização do Conhecimento (OC). Porém, vale lembrar que os pressupostos sobre a noção de atributos (características) que constituem as unidades de pensamento (conceitos) possuem uma longa trajetória, principalmente no campo da Filosofia. Como o mote deste estudo recai no modelo prototípico de categorização, enunciado por Eleanor Rosch na década de 1970, não discutiremos a complexidade e completude da trajetória filosófica que envolve o assunto “categorias”; limitamo-nos a citar tão somente algumas abordagens relativas à categorização, repercutidas nos estudos de OC e que se ligam ao modelo clássico de categorização.</p>
    <p>Na perspectiva aristotélica, a correlação entre o conhecimento, o pensamento e a linguagem, em que o conhecimento é compreendido como uma ação intelectual que permeia o mundo sensível, é encadeada por meio das representações mentais, que poderiam tomar forma somente pelas palavras, consideradas como unidades básicas de sentido e/ou como proposições. <xref ref-type="bibr" rid="B08">Carmo (2018, p. 34)</xref> explica que a concepção aristotélica se baseia no “preceito de que uma coisa é predicada da outra como de um sujeito” e, para fundamentar a ideia, <xref ref-type="bibr" rid="B03">Aristóteles (2010)</xref> estruturou as primeiras categorias gerais que pretendia abarcar a substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão. Parece seguro afirmar que não foram propriamente as categorias definidas por Aristóteles que exerceram influência profunda no universo da OC, mas sim sua abordagem, sua lógica de categorizar para compreender. Independentemente de quais categorias são utilizadas hoje em dia para se organizar o conhecimento, a lógica de categorização está, normalmente, presente. A herança de Aristóteles neste quesito parece estar, assim, no ato de categorizar, e não necessariamente nas categorias por ele definidas.</p>
    <p>No quadro teórico da Organização do Conhecimento, a influência aristotélica é, por exemplo, fortemente percebida nos trabalhos desenvolvidos pelo bibliotecário alemão Julius Otto Kaiser e pelo matemático e bibliotecário indiano S. R. Ranganathan, nas primeiras décadas do século XX. Dedicado a criar uma forma sistemática de indexar assuntos especializados no mundo dos negócios, Kaiser lançou mão da lógica da categorização para guiar a análise e a síntese de informações especializadas, definindo, assim, as categorias “concreto”, que designava o termo mais estático e substantivo do assunto (entidade principal), e “processo”, que correspondia ao acontecimento relativo ao concreto (ação que procurava captar a parte mais dinâmica dos assuntos). Posteriormente, Kaiser complementou suas categorias com a categoria auxiliar “país” (lugar), para situar geograficamente o concreto e o processo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Sales, 2014</xref>).</p>
    <p>Ranganathan, ao sistematizar sua Teoria da Classificação Facetada, abordagem teórica que mudou os rumos dos estudos das classificações de bibliotecas (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Sales, 2016</xref>), defendeu a ideia de que para se classificar assuntos complexos era necessário identificar os aspectos particulares de cada domínio de conhecimento e operacionalizá-los como componentes essenciais dos assuntos. Esses aspectos (componentes) foram denominados, por Ranganathan como facetas. Ao aperfeiçoar sua abordagem facetada, Ranganathan também adotou a lógica da categorização como princípio orientador para a análise e para a síntese dos assuntos. Definiu, assim, as categorias Personalidade (P), Matéria (M), Energia (E), Espaço (S) e Tempo (T), alegando que qualquer assunto poderia ser mais bem compreendido, analisado e sintetizado com base nessas cinco categorias fundamentais (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Sales, 2014</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">2016</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B11">Dahlberg (1978)</xref> também estabeleceu certo protagonismo da lógica da categorização no contexto das teorias classificatórias. A autora considerava que existiam dois modos pelos quais seria possível realizar a atividade de classificação: o plano das ideias, que remontaria à ideia da categorização, por lidar com objetos subjetivos, flexíveis e que não possuíam uma hierarquização fixa; e o plano notacional, forma efetiva e padronizada de classificação, que utilizava como aporte o uso de notações (sinais) para estruturação de conceitos e suas relações.</p>
    <p>O que de comum se pode observar nas lógicas categoriais de Kaiser, Ranganathan e Dahlberg é que todas parecem compartilhar da ideia de que as categorias funcionam como uma espécie de captadora generalista de essências de assuntos e conceitos, com grande capacidade de aplicação para a organização de domínios de conhecimento. Entretanto, tal movimento de categorização parece estar pautado em um princípio essencialista e exclusivista, em que determinado conceito só pode pertencer a determinada categoria se ele necessariamente contemplar todos os requisitos e atributos daquela categoria. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B08">Carmo (2018, p. 37)</xref>, “por meio da revisão de literatura, percebe-se que a categorização nada mais é do que a estruturação de conceitos gerais de um domínio que se relacionam com os conceitos específicos de acordo com seus atributos”. Nesse sentido, a hierarquização dos conceitos se concretiza por meio da subordinação exclusivamente pautada na totalidade das características (atributos) dos conceitos. Essa crença na totalidade das características de um conceito, que, de certa forma, o condena a um exclusivismo essencialista, está diretamente ligada ao que se pode considerar o modelo clássico de categorização, fortemente empregado ainda hoje no campo da OC e que repercute nas formações discursivas da área.</p>
    <p>Porém, diferentes formas de se estruturar ou operacionalizar as categorias são objetos de discussão em outras perspectivas, a exemplo da teoria prototípica de categorização. No que diz respeito à teoria prototípica, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Lima (2010)</xref> explica que essa proposta se baseia na ideia de protótipo enunciada por Eleanor Rosch na década de 1970. A teoria prototípica se fundamenta na ideia de que as categorias podem se articular em torno de protótipos que assumem centralidade. “Um item é considerado como membro de uma categoria não por se saber que ele possui um determinado atributo ou não, mas por se considerar o quanto as dimensões desse membro se aproximam das dimensões ideais para ele” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lima, 2010, p. 116</xref>). A autora prossegue afirmando que “um exemplo representativo de uma classe seria aquele que compartilhasse com os outros membros da categoria do maior número de características e que, por outro lado, compartilhasse de poucas características (ou nenhuma) com elementos provenientes de fora da classe” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Lima, 2010, p. 116</xref>). Protótipo, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox (2011)</xref>, pode ser entendido como um exemplar característico do conceito que compõe a categoria. Em termos práticos, um conceito de determinada categoria pode conter vários protótipos que não necessariamente compartilham todas as suas características, mas se aproximam em suas dimensões ideais. Neste caso, o conceito “travesti”, por exemplo, não precisa compartilhar de todas as características do conceito “mulher” para que ambos sejam operados ou organizados na mesma categoria. São as proximidades de suas dimensões ideais, ou seja, a noção prototípica, que permite que ambos os conceitos coexistam na mesma categoria.</p>
    <p><xref ref-type="bibr" rid="B19">Lima (2010, p. 117)</xref>, ao tratar dos pressupostos que embasam a noção prototípica e a distinguem da concepção clássica, destaca: “[...] a categoria tem uma estrutura interna prototípica; [...] as fronteiras das categorias ou dos conceitos são imprecisas; todos os membros de uma categoria não apresentam as mesmas propriedades comuns; o preenchimento de uma categoria se efetua sobre a base do grau de similaridade com o protótipo”. Para entendimento dessa perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox (2011)</xref> explora as possibilidades de aplicação da teoria do protótipo para categorizar sexo e gênero, mostrando caminhos possíveis para a categorização de domínios diversos com base na noção de protótipo. Com relação ao conceito de mulher, por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox (2011, p. 154)</xref> informa que:</p>
    <disp-quote><p><italic>The current state of feminism resists classical conceptions of woman and has taken a tactic similar to Hjørland’s domain-centric approach, where each theory produces an eristic concept of woman not always compatible with those of other theories. In the discipline of gender studies, gender has been defined as a social construct, quirk of psychosocial development, biological set, inconsequential human trait, performance, sociolinguistic activity, and self-perpetuating illusion, among others</italic>. </p>
    </disp-quote><p>Ainda, segundo Fox, “<italic>the multitude of definitions has proliferated to challenge stereotypical views about women that have become entrenched in culture</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 154</xref>). Nesse sentido, a perspectiva prototípica pode servir como abordagem de enfrentamento às demasiadas generalizações categoriais que, ao universalizar características de conceitos, acabam por silenciar possibilidades multidisciplinares e multiculturais. Considerar o caráter de construto social de uma categoria, permeado por diversos questionamentos de ordens sociais e humanas, permite que categorias e conceitos sejam flexibilizados de acordo com diferentes teorias, domínios e realidades. </p>
    <p>No presente estudo, adota-se a perspectiva prototípica para discutir a questão do conceito de xenofobia e os membros representativos dessa categoria no contexto brasileiro de desigualdade regional, especialmente, quando esse conceito se associa à estereotipação do nordestino. O aspecto da teoria prototípica que particularmente interessa neste estudo é a capacidade de organizar categorias de forma inclusiva, pautada não no compartilhamento total de características − fato que exclusiviza e separa demasiadamente os conceitos −, mas nas aproximações contextuais dos diversos conceitos ligados à xenofobia. Partindo da ideia de que um conceito pode conter vários protótipos, o conceito de xenofobia pode abarcar exemplares de outros conceitos considerados ideais ou representantes desse fenômeno social. Ao considerar a definição de xenofobia como, por exemplo, correspondente ao preconceito ligado ao local de origem, ao sotaque, ao fenótipo ou à etnicidade, e, levando em conta que o “protótipo permite a diferença entre os indivíduos e os momentos, tornando-o contextualmente variante” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 154</xref>, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, os conceitos preconceituosos, tais como “cabeça chata”, “pau de arara”, “paraíba” ou “baiano”, podem pertencer à categoria xenofobia, uma vez que “o protótipo ancora o conteúdo ideacional do conceito, mas não exclui variantes, nem considera a diferença como desviante” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 154</xref>, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>.</p>
    <p>Aplicando a percepção de Fox nos conceitos supracitados, direcionados aos nordestinos, percebe-se, preliminarmente, que as propriedades que representam a categoria xenofobia estão presentes. Assim sendo, os conceitos xenofóbicos atribuídos ao povo nordestino podem ser considerados como representantes prototípicos, corroborando a afirmação de que “as definições prototípicas dependem muito do contexto e estão significativamente sujeitas ao fluxo social” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 157</xref>, tradução nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref>. Porém, as propriedades representantes da xenofobia que acometem o povo nordestino serão discutidas na seção seguinte, que apresentará as possibilidades de aplicação da teoria prototípica ao conceito (e categoria) de xenofobia em uso, a partir da análise das declarações feitas pelo ex-representante do Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o período em que ocupou o cargo público federal, e isso relativo à reprodução da estereotipagem e à mobilização de conceitos que se enquadram na categoria da xenofobia regional.</p>
    </sec>
    <sec sec-type="methods"><title>Procedimentos Metodológicos</title>
    <p>Para alcance do intuito proposto, a pesquisa assume um caráter exploratório e descritivo ao examinar o discurso proferido pelo então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, com o objetivo de identificar variáveis que se constituem como conceitos xenofóbicos. O estudo apoia-se, também, na perspectiva bibliográfica para embasamento teórico, a fim de sustentar as argumentações para a discussão sobre o fenômeno da xenofobia e sobre as teorias de categorização que propiciam subsídios para a análise. Ademais, foi empregada a técnica da Análise de Conteúdo (AC) para as etapas de levantamento, tratamento e análise das informações. Seguindo as determinações da análise de conteúdo (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Bardin, 2010</xref>), a análise foi dividida em três fases: (a) pré-análise, que consiste na construção de um <italic>corpus</italic> de análise e na definição de variáveis de inferência; (b) exploração do material, que consiste em colocar em prática aquilo que foi definido na fase da pré-análise, ou seja, a realização da análise do <italic>corpus</italic> orientada pelas variáveis previamente definidas; e (c) resultados e interpretações.</p>
    <p>O <italic>corpus</italic> de análise foi composto por declarações orais que fazem referência ao povo nordestino, dadas por Jair Bolsonaro durante o período em que era deputado federal e Presidente da República. As falas foram recuperadas e publicadas pela coluna jornalística brasileira Congresso em Foco, que tem como intuito “auxiliar o (e)leitor a acompanhar o desempenho dos representantes eleitos” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Congresso em Foco, 2022, p. 1</xref>). No cenário político brasileiro atual, essa coluna alcançou uma crescente audiência no espaço digital, muito provavelmente, por conta do perfil “apartidário” que reivindica. Vale ressaltar que além do conteúdo produzido pelo Congresso em Foco, a coluna possui uma base de dados chamada Radar do Congresso, que contempla assuntos como “governismo, transparência, ações e inquéritos judiciais, assiduidade, votações, discursos, gastos e proposições dos congressistas” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Congresso em Foco, 2022, p. 1</xref>), constituindo-se, assim, em uma fonte de informação especializada em política brasileira.</p>
        <p>A matéria, de onde as falas de Bolsonaro foram recuperadas, intitula-se “<italic>Cabeçudo, pau de arara, paraíba</italic>: <italic>dez vezes em que Bolsonaro foi preconceituoso com nordestinos</italic>”, de autoria de <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sardinha (2022)</xref>, e está inserida no tema “Eleições”, na coluna Congresso em Foco. As falas de Bolsonaro que são aqui analisadas foram recuperadas de entrevistas registradas em seu canal na plataforma YouTube, em seu perfil do <italic>Facebook</italic> (onde frequentemente realizava <italic>lives</italic> semanais), em reuniões oficiais transmitidas pela TV Brasil, bem como em entrevistas com seus apoiadores. Essas falas correspondem ao período que abrange desde o momento em que Bolsonaro era deputado federal até o fim de seu mandato de Presidente da República.</p>
        <p>A análise das falas selecionadas se pautou na identificação de conceitos que correspondem ao que consideramos como conceitos prototípicos de xenofobia, que abarcam elementos como local de origem, características físicas, cultura, classe social, religião e história, todos carregados de estereotipações negativas associadas ao Nordeste e ao povo nordestino. Associando a categorização prototípica à abordagem da análise de conteúdo, consideramos os conceitos prototípicos de xenofobia como indícios de possíveis variáveis de inferências para a realização da análise, lembrando que tais variáveis, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B07">Bardin (2010)</xref>, permitem que o analista realize uma interpretação previamente controlada.</p>
    <p>Dessa maneira, tomamos como horizonte para a definição das variáveis de inferência, ainda na fase da pré-análise, os seguintes aspectos: local de origem; características físicas das pessoas; cultura; classe social; religião; e história. Isso significa que as falas selecionadas potencialmente poderiam ser analisadas com base nesses aspectos, que serviriam de subsídio para sustentar a discussão sobre a teoria de categorização prototípica nas práticas discursivas de teor xenofóbico.</p>
    </sec>
    <sec sec-type="results"><title>Resultados</title>
    <sec><title>Aplicação da teoria de categorização prototípica ao conceito de xenofobia no discurso bolsonarista</title>
    <p>Quando se pretende pôr em prática a teoria do protótipo em um determinado contexto, não se trata de desconsiderar todos os pressupostos da teoria clássica de categorização, mas, sim, explorar os meios de complementação dos princípios já estabelecidos. A teoria aqui utilizada busca colocar em foco a incorporação da diferença contextual apontada por <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox (2011)</xref> como uma forma de tratar conceitos cujos limites não são fixos em estruturas rígidas, uma vez que “a teoria clássica não permite a natureza mutável das categorias sociais e, de fato, pretende que as definições conceituais sejam isoladas do contexto” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Slaughter, 1982, p. 9</xref>).</p>
        <p>Inicialmente, buscamos no conceito de xenofobia algumas propriedades que o definem como tal e que permitam tomá-lo como categoria, para, posteriormente, adotarmos tais propriedades como variáveis de inferência (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Bardin, 2010</xref>), e, assim, verificar o enquadramento de conceitos xenofóbicos construídos socialmente e explicados contextualmente, de modo que possam apontar para o pertencimento a essa categoria. Para isso, pautamo-nos no conjunto de propriedades/características que definem a xenofobia, com base na concepção de <xref ref-type="bibr" rid="B16">La Garza (2011, p. 1)</xref>, tais como:</p>
    <disp-quote><p>[...] ódio, receio, hostilidade e rejeição em relação aos estrangeiros [...] ideologia de rejeição das identidades culturais que são diferentes da própria [...] preconceitos históricos, religiosos, culturais e nacionais [...] convicções sem fundamento, com desconhecimento dos fatos, que desencadeiam facilmente a discriminação [...] preconceitos devido ao seu lugar de origem, pode sê-lo também pela sua condição social.</p>
    </disp-quote><p>Soma-se às propriedades descritas na definição acima os atributos físicos, tendo em vista que esses atributos também são incorporados em falas xenofóbicas, a exemplo dos rótulos violentamente direcionados ao povo nordestino, apresentados por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Ferrari (2005, p. 134)</xref>: “mestiço, cabeça chata, cabelo pixaim; ou seja, um sujeito diferente dos paulistas e por isso feio”. Assim, o conceito de xenofobia engloba características que podem ser manifestadas em grupos que correspondem às seguintes propriedades: 1) local de origem; 2) cultura, religião e história; 3) classe social; e 4) atributos físicos. Foi com base nesses quatro grupos de propriedades que a análise de categorização prototípica foi realizada nesse estudo. Em outras palavras, foram essas as propriedades definidas como variáveis de inferência para identificar conceitos-protótipos ligados à categoria “xenofobia”. </p>
    <p>Os comportamentos xenofóbicos, conforme discutido, estão entranhados no imaginário e nos valores de pessoas que desconsideram o contexto histórico de construção de ideologias e que reforçam a noção de separatismo entre os seres humanos, direta ou indiretamente. Com o objetivo de analisar a mobilização do conceito de xenofobia no discurso bolsonarista, com base na teoria prototípica de categorização e com auxílio da técnica de análise de conteúdo, foram selecionadas algumas falas do presidente Jair Bolsonaro, extraídas do levantamento realizado por <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sardinha (2022)</xref> para a coluna jornalística “Congresso em Foco”, no que diz respeito às estereotipações utilizadas para se referir ao povo nordestino.</p>
    <p>Convém ressaltar que o fenômeno em questão, por si só, possui um caráter problemático e assume outras dimensões a partir do momento em que a xenofobia é reforçada por declarações ofensivas e discriminatórias de políticos − pessoas que ocupam cargos de notoriedade −, as quais acabam legitimando atitudes de preconceito, como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B14">Ferreira (2020)</xref>. A exemplo disso, destacam-se as falas de Bolsonaro a respeito do povo nordestino, apresentadas no <xref ref-type="table" rid="t01">Quadro 1</xref>, em ordem decrescente em relação ao intervalo temporal, compreendendo, principalmente, o período de vigência do seu mandato presidencial, quando as práticas discursivas alcançaram maior amplitude.</p>
    <table-wrap id="t01"><label>Quadro 1</label><caption><title>Período, contexto e conteúdo das falas de Jair Bolsonaro sobre o Nordeste e o povo nordestino.</title>
    </caption><table frame="hsides" rules="rows"><thead><tr align="center" valign="top"><th>Nº</th><th>Período</th><th>Contexto da fala</th><th>Conteúdo da fala</th></tr>
    </thead>
    <tbody><tr align="justify" valign="top">
     <td>1</td>
     <td>Outubro/2022</td>
     <td>Declaração feita após o primeiro turno das eleições presidenciais em 2022, durante uma live no canal de Bolsonaro na plataforma YouTube. O contexto da declaração diz respeito à opinião de Bolsonaro em relação ao resultado eleitoral, caracterizada pela liderança de Lula, principalmente, após a contagem de votos da região Nordeste, considerado um significativo colégio eleitoral</td>
     <td> “Lula venceu em nove dos estados com maior taxa de analfabetismo. Vocês sabem quais são os estados? No nosso Nordeste, não é só a taxa de <italic>analfabetismo</italic> alta o mais grave nesses estados. Outros dados econômicos agora também são inferiores nas regiões, porque esses estados no Nordeste estão há 20 anos sendo administrados pelo PT” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>2</td>
     <td>Fevereiro/2022</td>
     <td>Durante uma visita à cidade de Salgueiro, no estado de Pernambuco, por ocasião da inauguração da obra de transposição do Rio São Francisco, Bolsonaro foi questionado sobre ter utilizado a expressão “pau de arara” para se referir ao povo nordestino</td>
     <td> “Eu sempre me referi com os amigos, né, cabra da peste, <italic>pau de arara</italic>. Eu me chamo de alemão também, sem problema nenhum. <italic>Arataca, cabeçudo</italic>, pô, é isso aí, valeu” (grifo nosso)</td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>3</td>
     <td>Fevereiro/2022</td>
     <td> No início de 2022, ocorreu a revogação de 122 decretos de luto oficial, dentre os quais estava incluído o de Cícero Romão Batista, conhecido popularmente como Padre Cícero, figura importante para a religiosidade e política no cenário cearense. Diante da repercussão da notícia entre a população, o presidente foi pressionado a um posicionamento e se manifestou na sua <italic>live</italic> semanal na plataforma YouTube </td>
     <td> “E nós também revogamos alguns decretos. Falaram que eu revoguei o luto de padre Cícero, lá do... Pernambuco, é isso mesmo? Que cidade que fica lá? Tá cheio de <italic>pau de arara</italic> aqui e não sabem que cidade que fica padre Cícero, pô? Juazeiro do Norte, parabéns aí. Ceará, desculpa aí” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>4</td>
     <td>Janeiro/2020</td>
     <td>Durante a live semanal na sua página pessoal na rede social Facebook, Bolsonaro comenta sobre compromissos familiares no Ceará e relembra a relação com o estado</td>
     <td> “Acho que foi primeiro estado que tivemos grande recepção em aeroporto. Tudo começou por aí, se não me engano, um dos grandes articuladores disso acho que foi Alex Ceará, um cara <italic>cabeçudo</italic>. Se bem que chamar cearense de cabeçudo você não consegue identificar ninguém, lá todo mundo é <italic>cabeçudo</italic>” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>5</td>
     <td>Agosto/2019</td>
     <td>Durante uma entrevista informal, quando o deputado federal Cláudio Cajado (PP/Bahia) comenta sobre as visitas de Bolsonaro à região e ele questiona se o presidente está “virando cabra da peste”</td>
     <td>“É, só tá faltando crescer um pouquinho a cabeça.”</td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>6</td>
     <td>Julho/2019</td>
     <td>Durante um café da manhã com jornalistas estrangeiros, o presidente provavelmente esqueceu que, naquele momento de informalidade, ao se acomodarem, a transmissão da TV Brasil estava ocorrendo e registrou a fala dele com o então Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni</td>
     <td> “Dentre os (ou aqueles) governadores de <italic>‘paraíba’</italic>, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>7</td>
     <td>Julho/2019</td>
     <td> Durante a <italic>live</italic> semanal, o presidente recebeu o então Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Em um dado momento da entrevista, o presidente se dirige ao ministro e faz o questionamento </td>
     <td> Bolsonaro: “você tem algum parente <italic>pau de arara aí?</italic>” <break/> E Tarcísio responde: <break/> “ah, tenho, tenho, família aí no Piauí, no Rio Grande do Norte [...]”. <break/> Bolsonaro completa: “com essa cabeça aí tu não nega não pô” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>8</td>
     <td>Outubro/2014</td>
     <td>Bolsonaro durante entrevista em seu gabinete, quando era deputado federal, opina sobre os programas sociais destinados às pessoas de baixa renda</td>
     <td> “Você vê meninas no Nordeste, batem a mão na barriga, grávidas, e falam o seguinte, que tem também o auxílio natalidade [...] ‘essa aqui vai ser uma geladeira, esse aqui vai ser uma máquina de lavar,’ e <italic>não querem trabalha</italic>r” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>9</td>
     <td>Maio/2012</td>
     <td>Entrevista concedida por Bolsonaro ao programa “Brasil em discussão”, da emissora Record News, ele é questionado sobre o programa federal Bolsa Família que, segundo o apresentador, tirou milhares de pessoas da pobreza</td>
     <td> “O Bolsa Família é uma mentira. Se você for no <italic>Nordeste</italic> você não consegue uma pessoa para <italic>trabalhar na tua casa</italic>” (grifo nosso) </td></tr>
    <tr align="justify" valign="top">
     <td>10</td>
     <td> [informação não disponibilizada]</td>
     <td>Bolsonaro e seus filhos participaram de uma transmissão de videoconferência com Olavo de Carvalho, considerado seu “guru” e forte influência para a extrema-direita brasileira. O vídeo, na íntegra, foi removido, comprometendo assim a identificação da data do vídeo e o contexto da conversa. No trecho do vídeo, Bolsonaro descreve uma pessoa ao seu redor</td>
     <td> “Um deles é cearense, um <italic>cabeçudo</italic> aqui do meu lado também. Porra, eu acho que o estômago é maior do que a cabeça dele. Imaginou como ele come, né?” (grifo nosso) </td></tr>
    </tbody>
    </table>
    <table-wrap-foot><attrib>Fonte: Adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="B30">Sardinha (2022)</xref>.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
    </sec>
    </sec><sec sec-type="discussion"><title>Discussão</title>
        <p>Quando se trata de eleições presidenciais no Brasil, tem-se tornado recorrente, nas últimas décadas, os ataques à região Nordeste − composta pelos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia −, principalmente por meio das redes sociais que possibilitam a amplificação das mensagens por meio de compartilhamentos e, também, da ilusória ideia de liberdade de expressão, pois essa liberdade, quando ultrapassa as fronteiras legais, caracteriza crime de ódio. Em consequência disso, Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da Safernet − organização civil de direito privado sem fins lucrativos ou econômicos, sem vinculação político partidária, religiosa ou racial −, em entrevista concedida a <xref ref-type="bibr" rid="B26">Pinheiro (2022, p. 9)</xref>, explica que, a partir de 2018, essas práticas se tornaram crescentes e que “é preciso que a gente olhe para as eleições como um momento que é um terreno fértil para que as pessoas em um debate mais polarizado se engajem mais em conteúdos como esse”.</p>
    <p>Novos personagens revelam antigas problemáticas, evidenciando como a xenofobia com o povo nordestino ainda está enraizada no imaginário popular, criado por meio de estereótipos. Quando Bolsonaro relaciona o Nordeste com os conceitos de analfabetismo e inferioridade, é importante ressaltar o aspecto do não dito no discurso, isto é, aquilo que fica implícito na construção da fala que os eleitores nordestinos “não sabem votar, porque são analfabetos, logo ignorantes, logo incapazes de ter consciência política, limitando-se a vender o voto, dada a precariedade da própria vida que levam” (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Albuquerque Júnior, 2022a, p. 1</xref>). O ponto em questão indica que o analfabetismo e a inferioridade, nessa conjuntura, quando associados ao Nordeste no discurso, caracterizam-se como conceitos xenofóbicos, uma vez que essas palavras, quando mobilizadas no discurso, desconsideram e desrespeitam as vivências dos indivíduos e suas capacidades de interpretação da realidade, ideologias e consciências de classe.</p>
    <p>O uso de estereótipos atribuídos ao povo nordestino relativas às características físicas (‘cabeça’ ou ‘cabeçudo’), ao local de origem e sua generalização (com o uso da expressão ‘paraíba’) e a expressão “pau de arara” (que corresponde ao meio de “transporte precário de pessoas em veículos, sendo bastante associado à migração de trabalhadores do Nordeste para o Sudeste do país” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Leme, 2022, p. 1</xref>), é recorrente na fala de Bolsonaro. Essas imagens, que constituem o imaginário popular a respeito da figura do nordestino, configuram-se como “imagens de controle”, definição apresentada por Patricia Hill Collins e apropriada por <xref ref-type="bibr" rid="B02">Albuquerque Júnior (2022b)</xref>. Essas imagens consistem em construções sociais de imagens que remetem a características atribuídas aos indivíduos, tidos como alvos da xenofobia, que são situados em uma posição de subordinação e desvantagem no discurso dominante.</p>
        <p>A reverberação desses conceitos visa condicionar os indivíduos à naturalização desses estereótipos como um aspecto identitário, no caso, o povo nordestino que migra para outras regiões, de modo a impedir a dúvida a respeito das estruturas sociais que promovem as desigualdades. Para o autor, além desse aspecto, a utilização dessas imagens de controle, compostas por estereotipações, representadas por essas expressões que tratam características físicas associadas ao lugar de origem ou de elementos que marcaram a história da migração nordestina, como citado anteriormente nos exemplos, visam a apropriação desses conceitos pejorativos como uma característica identitária dos nordestinos que vivem no território do “outro” e, com isso, perpetuam o controle do discurso de superioridade. Para desnaturalizar conceitos xenofóbicos é necessário questioná-los para modificá-los e, tendo em vista o pensamento de <xref ref-type="bibr" rid="B02">Albuquerque Júnior (2022b, p. 9)</xref>, a única forma de se combater as imagens de controle “é se negar a assumi-las e encarná-las, é mostrando suas dimensões, ao mesmo tempo perversas e ridículas”.</p>
    <p>Outro elemento presente na fala de Bolsonaro é a ideia de “nordestino preguiçoso”, que se gaba da esperteza para a obtenção de auxílios em programas sociais. Para analisar essas expressões foi necessário elucidar alguns pontos: o programa em questão era o Bolsa Família, instituído durante o governo Lula, no ano de 2003. Segundo o autor da fala (Bolsonaro durante o período em que era deputado federal), o referido programa beneficiaria os pobres e os motivaria a se conformarem com suas realidades, tendo em vista que o governo “sustentaria” essas pessoas às custas dos impostos pagos pelos povos de outras regiões. Vale destacar que o programa “Bolsa Família” visava reduzir a pobreza extrema, e a região Nordeste era a região que detinha uma grande parcela da população nessa situação de vulnerabilidade e, por essa razão, foi a região mais atendida por esse programa.</p>
    <p>Outro aspecto a se destacar na fala de Bolsonaro, diz respeito à ideia implícita na seguinte declaração: “no Nordeste não se consegue uma pessoa para trabalhar na sua casa”. Chama a atenção novamente a ideia de inferioridade atribuída ao povo nordestino, como inapto para atividades intelectuais e destinados ao trabalho braçal. Reforça-se aqui a perspectiva de um pensamento ultrapassado pautado na negação ou no desconhecimento dos avanços sociais, educacionais e econômicos que a região Nordeste e seu povo alcançaram ao longo do tempo, limitando-os às caracterizações que foram atribuídas a eles no momento das grandes migrações nordestinas para o sudeste, a partir dos anos 1950, em que as principais formas de trabalho, devido à falta de escolaridade dos migrantes, eram direcionadas para as construções civis e trabalhos domésticos nos centros urbanos ou nas lavouras do interior do Estado de São Paulo (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Ferrari, 2005</xref>).</p>
    <p><xref ref-type="bibr" rid="B27">Pinheiro (2021, p. 12)</xref> afirma que essa visão representa a ideia de ódio de classe, em que “para a hegemonia do capital, [os nordestinos] só existem para servir”. Ao posicionar os nordestinos em uma posição de subalternidade e servidão em relação a outros povos, mostra-se o caráter excludente e xenofóbico presente nessa declaração, a partir do momento que desconsidera a dignidade humana do outro. </p>
    <p>Quando as expressões declaradas por Bolsonaro são analisadas junto ao seu contexto, como sugere a teoria prototípica de categorização, o que se percebe é que tais expressões operam como conceitos de estereotipação do povo nordestino, e, consequentemente, enquadram-se como representantes ou exemplares ideais que correspondem à categoria da xenofobia. Isso significa que a identificação e a interpretação de preconceitos necessitam da percepção do que está nas entrelinhas dos discursos, e não somente daquilo que reside dentro das fronteiras dos conceitos.</p>
    <p>Embora o agrupamento de características nos moldes das teorias clássicas seja uma forma legítima de organização do conhecimento, a perspectiva prototípica, ao flexibilizar as fronteiras das categorias e promover a inclusão de elementos característicos que possuem similaridades contextuais, propicia uma compreensão mais abrangente do conceito e, por consequência, mais atenta aos aspectos socioculturais que estão por trás dos conceitos e dos discursos.</p>
    <p>A análise prototípica aqui realizada permitiu captar a manifestação de termos xenofóbicos em uso no discurso de Bolsonaro, a partir das conotações aproximativas com relação a: local de origem, classe social e características físicas, além de abrir espaço para a percepção de outros elementos que podem surgir numa perspectiva que se caracterize como xenofóbica. Considera-se, assim, que a categorização prototípica pode ser empregada como uma forma de organização do conhecimento capaz de acompanhar as discursividades de acordo com seus contextos e, também, auxiliar na identificação de preconceitos.</p>
    <p>É importante frisar que a presente pesquisa se limitou a analisar um número reduzido de falas por considerar importante se pautar em fonte de informação veiculada em um prestigiado canal de comunicação. Entendemos, contudo, ser esta uma primeira experiência adotando a abordagem prototípica para análise de preconceitos em discursos políticos. Por essa razão, e a despeito das lacunas que este reduzido <italic>corpus</italic> de análise possa acarretar, sugerimos que análises utilizando a abordagem da categorização prototípica sejam futuramente aplicadas em <italic>corpus</italic> mais ampliados, de modo a alcançar um escopo mais abrangente e aprofundar os resultados aqui encontrados.</p>
    </sec>
    <sec sec-type="conclusions"><title>Conclusão </title>
    <p>Em um sentido amplo, o intuito deste estudo foi trazer à tona a discussão das potencialidades da teoria prototípica de categorização para a Organização do Conhecimento, na identificação de discursos preconceituosos e em sua aplicação no contexto dinâmico das relações sociais atuais. A compreensão da constituição das categorias é fundamental para o entendimento das formas de organizar o conhecimento que, posteriormente, serão reverberadas por meio das formações discursivas. Considerando que as áreas informacionais que lidam com o conhecimento precisam enfrentar e combater preconceitos que geram injustiças humanas e sociais, a busca por perspectivas categoriais capazes de acompanhar contextos discursivos torna-se urgente e imprescindível.</p>
    <p>A análise aqui apresentada, baseada na identificação de conceitos prototípicos de xenofobia e conduzida metodologicamente pela técnica da análise de conteúdo, permitiu, por exemplo, inferir que muitas vezes as ideias preconceituosas encontram-se ocultas em falas falsamente despretensiosas. A justificativa dada por Bolsonaro, por exemplo, de que suas declarações são para “descontrair” e que esse é o “seu jeito” de falar, tenta apenas disfarçar elementos ideológicos de repulsa e desrespeito em relação aos nordestinos. Isso pode ser verificado quando são alargadas as fronteiras da categoria xenofobia, o que se torna ainda mais evidente quando a constituição de tal categoria foi analisada dentro dos contextos discursivos. </p>
    <p>Por fim, concorda-se aqui com a afirmação de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Martins (1998, p. 15)</xref> de que “o preconceito está pautado por classificações distorcidas e errôneas frente à realidade, que são também a-históricas, deterministas e autoritárias de uns frente a outros”. Por esse motivo é necessário (re)discutir as classificações e as categorizações que são impostas à organização do nosso conhecimento, a fim de questionar estruturas excludentes que, geralmente, operam como representações ideais do conhecimento. A teoria prototípica tem potencial para mostrar caminhos no sentido de uma categorização que adote uma percepção contextual e flexível de conceitos sensíveis no cenário contemporâneo e, principalmente, para auxiliar na contextualização de tais conceitos. Identificar preconceitos pode ser também a missão da organização dos saberes e do conhecimento comprometida com uma sociedade mais igualitária.</p>
    </sec>
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   <back>
      <fn-group>
         <fn fn-type="other">
            <label>Como citar este artigo:</label>
            <p>Barros, T. H. B.; Carmo, J. R. O conceito de xenofobia na perspectiva da Teoria Prototípica de Categorização: uma análise dos conceitos atribuídos ao povo do Nordeste brasileiro no discurso bolsonarista. <italic>Transinformação</italic>, v. 37, e12195, 2025. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/2318-0889202537e12195">https://doi.org/10.1590/2318-0889202537e12195</ext-link>.</p>
         </fn>
         <fn fn-type="financial-disclosure">
            <label>Apoio</label>
            <p>Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – Código de Financiamento nº 001.</p>
         </fn>
    <fn fn-type="other" id="fn04">
 <label>4</label>
 <p>A respeito dessa lógica desigual do desenvolvimento capitalista e seus impactos sobre a dinâmica migratória, cabe destacar a análise de Saskia Sassen, ao evidenciar que o crescimento das economias centrais é sustentado por processos de expulsão de populações para regiões periféricas (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Sassen, 2016</xref>). Essa autora aponta que as migrações contemporâneas, em muitos casos, não são escolhas voluntárias, mas respostas a processos estruturais que incluem despossessão de terras, crises ambientais e políticas neoliberais que desmantelam sistemas de proteção social (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Sassen, 2016</xref>). Essa perspectiva amplia o entendimento sobre o fenômeno migratório, aproximando-o de uma leitura crítica que reconhece as múltiplas violências implicadas na lógica global do capitalismo avançado.</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn05">
 <label>5</label>
 <p>O conceito de poder performativo deriva da Teoria dos Atos de Fala, desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B05">Austin (1990)</xref>. Em síntese, um ato performativo é aquele que não apenas descreve um estado de coisas (ato constatativo), mas sim realiza uma ação pelo simples fato de ser proferido sob as circunstâncias adequadas (grifo nosso). No contexto político, o poder performativo da fala de um representante estatal reside na sua capacidade de instituir realidades sociais e, como discutido aqui, legitimar preconceitos por meio da sua autoridade institucional.</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn06">
 <label>6</label>
 <p>No original: “<italic>The prototype allows for difference between individuals and moments, making it contextually variant</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 154</xref>).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn07">
 <label>7</label>
        <p>No original: “<italic>The prototype anchors the ideational contente of the concept, but does not exclude variants, nor consider the difference as deviant</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011</xref>, p. 154).</p>
</fn>
    <fn fn-type="other" id="fn08">
 <label>8</label>
 <p>No original: “<italic>The prototypical definitions are highly context-dependent and are significantly subject to social flow</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Fox, 2011, p. 157</xref>).</p>
</fn>
    </fn-group>
      <sec sec-type="data-availability" specific-use="data-in-article">
         <title>Disponibilidade dos Dados</title>
         <p>Os dados de pesquisa estão disponíveis no corpo do documento.</p>
      </sec>
      <ref-list>
         <title>Referências</title>
    <ref id="B01">
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                                <suffix>Júnior</suffix>
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                        </person-group>
                        <comment>Ataques aos nordestinos: letramento e analfabetismo político</comment>
                        <source>Diário do Nordeste</source>
                        <comment>online</comment>
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                        <year>2022a</year>
                        <comment>Opinião</comment>
                        <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/durval-muniz-de-albuquerque-jr/ataques-aos-nordestinos-letramento-e-analfabetismo-politico-1.3288304">https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/durval-muniz-de-albuquerque-jr/ataques-aos-nordestinos-letramento-e-analfabetismo-politico-1.3288304</ext-link></comment>
                        <date-in-citation content-type="access-date">8 out. 2022</date-in-citation>
                    </element-citation>
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                    <mixed-citation>Albuquerque Júnior, D. M. Imagens depreciativas do nordestino: poder e controle social. <italic>Diário do Nordeste</italic> (<italic>online</italic>), Fortaleza, 19 jul. 2022b. Opinião. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/durval-muniz-de-albuquerque-jr/imagens-depreciativas-do-nordestino-poder-e-controle-social-1.3257403. Acesso em: 8 out. 2022.</mixed-citation>
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                            </name>
                        </person-group>
                        <comment>Imagens depreciativas do nordestino: poder e controle social</comment>
                        <source>Diário do Nordeste</source>
                        <comment>online</comment>
                        <publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
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                        <month>07</month>
                        <year>2022b</year>
                        <comment>Opinião</comment>
                        <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/durval-muniz-de-albuquerque-jr/imagens-depreciativas-do-nordestino-poder-e-controle-social-1.3257403">https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/opiniao/colunistas/durval-muniz-de-albuquerque-jr/imagens-depreciativas-do-nordestino-poder-e-controle-social-1.3257403</ext-link></comment>
                        <date-in-citation content-type="access-date">8 out. 2022</date-in-citation>
                    </element-citation>
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                        </person-group>
                        <source>Categorias</source>
                        <comment>Tradução do grego clássico</comment>
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                        <year>2007</year>
                        <size units="pages">129 f</size>
                        <comment>Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação)</comment>
                        <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
                        <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
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