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				<journal-title>Transinformação</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Transinformação</abbrev-journal-title>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/2318-0889202436e249201</article-id>
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				<article-title>Taturrecognografia, uma metodologia documental baseada na tatuagem</article-title>
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					<trans-title>Tattoorrecognography, a documentary methodology based on tattooing</trans-title>
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						<surname>Pereira</surname>
						<given-names>Hernane Borges de Barros</given-names>
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				<label>1</label>
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				<institution content-type="original"> Centro Universitário SENAI CIMATEC, Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional e Tecnologia Industrial. Salvador, BA, Brasil.</institution>
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			<author-notes>
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					<label>Correspondência para/<italic>Correspondence to</italic>: </label>P. R. M. SALES. <italic>E-mail</italic>: &lt;<email>patriciarsales@gmail.com</email>&gt;.
                </corresp>
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					<label>Editor:</label>
					<p>Valéria dos Santos Gouveia Martins</p>
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					<label>Conflito de interesses:</label>
					<p>Não há</p>
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				<day>30</day>
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				<year>2024</year>
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				<year>2024</year>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo </title>
				<p>Partindo da premissa do documento ser um produto de dados e sistematização da informação, o objetivo deste trabalho é contribuir com o campo da Ciência da Informação, de modo a auxiliar as áreas da Papiloscopia e Identificação humana a partir de uma metodologia documental baseada na tatuagem. Apresentamos a constituição e desenvolvimento da pesquisa como uma ação descritiva e interpretativa, de cunho visual, calcada na teoria iconográfica e relacionada com a percepção humana, referente ao reconhecimento imagético de pessoas em relação aos objetos e coisas. A teoria fundamentada em dados é o método de pesquisa usado. O sistema proposto define uma taxonomia que qualifique e quantifique os elementos constituintes na imagem posta no corpo humano. A Taturrecognografia confirma a tatuagem como documento e sua descrição se torna possível a fim de validar o seu registro e contribui com a representação e a construção do conhecimento da tatuagem com fins de identificação humana. </p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>Based on the premise of the document being a product of data and systematization of information, the objective of this work is to contribute to the field of Information Science, to assist the areas of Papilloscopy and Human Identification from a documentary methodology based on tattooing. We present the constitution and development of the research as a descriptive and interpretative action, of a visual nature, based on iconographic theory and related to human perception, referring to the image recognition of people in relation to objects and things. Data-grounded theory is the research method used. The proposed system defines a taxonomy that qualifies and quantifies the constituent elements in the image placed on the human body. Taturrecognografia confirms the tattoo as a document and its description becomes possible to validate its registration and contributes to the representation and construction of tattoo knowledge for human identification purposes.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Documento</kwd>
				<kwd>Tatuagem</kwd>
				<kwd>Identificação humana</kwd>
				<kwd>Imagem</kwd>
				<kwd>Taxonomia</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Document</kwd>
				<kwd>Tattoo</kwd>
				<kwd>Human Identification</kwd>
				<kwd>Image</kwd>
				<kwd>Taxonomy</kwd>
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		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução </title>
			<p>A informação tem como um dos seus valores centrais na construção civilizatória, a capacidade de ser um instrumento de expressão social e recurso para avanços científicos. A sua modelagem e taxonomia são técnicas para construir, representar e difundir conhecimento. O acesso aos dados gerados, de forma sistemática ou não, suscita a possibilidade de novos saberes e observações fenomenológicas. Quando documentada, ressalvando-se o rigor metodológico, a relação entre pessoas, instituições, meio de difusão e intercâmbio de saberes dentro da sociedade, a informação configura-se na produção de ciência percebida, por exemplo, em produções científicas. O documento, como produto de dados e sistematização da informação, é parte constitutiva deste processo social, capilarizando seu aparecimento e manifestação em diversos campos da atividade humana, como: científicos, educacionais, econômicos, tecnológicos, artístico-culturais e sociais. </p>
			<p>Partindo do princípio de que o documento registra fatos e acontecimentos e faculta a construção e difusão do conhecimento, ele acaba por perenizar e delimitar no tempo e no espaço determinado fenômeno, suas características e aspectos constitutivos. A diversidade de manifestação do documento, defendida por Paul <xref ref-type="bibr" rid="B14">Otlet (1934</xref>), Suzanne <xref ref-type="bibr" rid="B2">Briet (1951</xref>), Robert <xref ref-type="bibr" rid="B8">Escarpit (1976</xref>) e Jean <xref ref-type="bibr" rid="B12">Meyriat (1981</xref>), também empresta suas qualidades e utilidades ao processo de identificação humana dentro do tecido social. Ao oportunizar um animal como documento, este estudo concorda com a clássica definição de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Briet (2016</xref>, p. 1) por demonstrar que há &quot;indício concreto ou simbólico, conservado ou registrado, com a finalidade de representar, reconstituir ou provar um fenômeno físico ou intelectual&quot;. E também com <xref ref-type="bibr" rid="B13">Meyriat et al. (2016</xref>) por afirmar que é possível escrever em diversos objetos e, assim, todo objeto que transmite uma mensagem pode se tornar documento. Esta prática milenar no processo civilizatório tem experimentado inovações e conquistas nos seus métodos, sempre na tentativa de individualização do indivíduo, com a utilização de dados únicos e particulares do sujeito no referido documento (i.e. dados onomásticos e biométricos). Os dados onomásticos são informações relativas ao indivíduo: nome, prenome, sobrenome; avança também, enquanto documentação, para dados relativos ao nascimento, origem e filiação. Já os biométricos dizem respeito às características físicas individuais e fenotípicas capazes de serem denominadas, classificadas e atribuídas a um indivíduo. Neste artigo, observa-se as características físicas, mas não as de natureza fenotípicas manifestadas a partir das particularidades genéticas, senão as adquiridas a partir de mudanças voluntárias no corpo, as tatuagens.</p>
			<p>As diferenças físicas individuais aparentes nas espécies são manifestações elementares dentro da natureza, fazendo com que as unidades biológicas se diferenciem, reconheçam-se e evoluam geração após geração. As particularidades físicas ainda podem ser em decorrência de algum trauma ou modificação física voluntária no corpo (<italic>e.g.</italic>, intervenção estética). </p>
			<p>Por um lado, a identificação humana tem como parâmetros classificatórios de alta confiabilidade e de exequibilidade metodológica satisfatória, manifestações fenotípicas como: as papilas datiloscópicas, a íris ocular, o sequenciamento do DNA e a arcada dentária. Contemporaneamente, todas essas manifestações fenotípicas são utilizadas tecnologicamente para a identificação humana, de acordo com o local e situação, sendo mais ou menos frequente em função dos seus custos e aplicabilidade. </p>
			<p>Por outro lado, dentro do processo de identificação humana, outras características biométricas como a cor da pele, cor dos cabelos, altura etc., ainda são características usadas, mas com baixa confiabilidade, pois possuem um grau alto de mutabilidade e sofrem em função de uma taxonomia imprecisa. Da mesma forma, a tatuagem se insere nesse panorama, de forma empírica, como um agente exógeno de identificação que carece ainda de método, consistência de análise, comparação e arquivamento. Dentro desse contexto, este artigo propõe apresentar e discutir a construção e desenvolvimento de uma teoria e uma metodologia que possam atribuir confiabilidade a um sistema de identificação humana através da tatuagem enquanto um documento de identificação humana.</p>
			<p>Podemos conceituar a tatuagem como uma modificação intencional do corpo que pode oferecer manifestação de particularidade biométrica no indivíduo. Não podemos ignorar que este possível meio de identificação documental não possui as mesmas qualidades originais e axiomáticas dos padrões biométricos fenotípicos de natureza genética, uma vez que esse meio de identificação documental é produzido, alterado e manipulado pelo próprio indivíduo, com relativa facilidade. Entretanto, a sua utilidade nos parece indiscutível em relação à particularização do indivíduo e facilidade de registro que, em momentos críticos, a tatuagem pode ser padrão último e definitivo na identificação de pessoas, seja no âmbito civil, criminal ou na necroidentificação.</p>
			<p>Enquanto padrão de comportamento e manifestação, e não apenas como um ornamento artístico, a tatuagem serve e age como documento de identificação por estar inscrita em um suporte não convencional, a pele. Sua localização, forma e configuração de registro é passível de compreensão, classificação e descrição como um item documental.</p>
			<p>Nosso propósito é contribuir com o campo da Ciência da Informação (CI), Papiloscopia e identificação humana com uma metodologia documental baseada na tatuagem, tornando-a documento de identificação humana. Ou seja, ao tempo que oferece um padrão de leitura da imagem na pele, subsidia a Papiloscopia com um método para a área de identificação humana. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Araújo e Pasquali (2006</xref>, p. 20) definem a Papiloscopia como &quot;ciência que tem por objetivo estabelecer a identificação humana por meio das papilas dérmicas&quot; (i.e., pelos registros papilares através das impressões digitais). <xref ref-type="bibr" rid="B19">Santos Filho (2014</xref>, p. 105) afirma que o Perito Papiloscopista é o &quot;especialista em identificação humana&quot;. Logo, amplia o conceito de papiloscopia (<italic>e.g.</italic> Araújo e Pasquali, 2006, p. 20) para além da identificação por meio das impressões digitais humanas, ao propor um conjunto de procedimentos que possa iniciar o processo de reconhecimento e identificação humana, como por exemplo, o retrato falado.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Tatuagem e Identificação Humana</title>
			<p>Desde há muito, a tatuagem está presente na sociedade. É de conhecimento do campo científico que o registro mais antigo da tatuagem tem mais de 5.000 anos. A partir do procedimento com radiocarbono, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Friedman et al. (2018</xref>) apresentaram duas múmias egípcias tatuadas que datam de 3351 e 3017 a.C.; a pesquisa que aponta para o período pré-dinástico do Egito e revela uma prática já desenvolvida pelos povos africanos, sendo, portanto, os registros em pele mais antigos do mundo. Outro corpo mumificado descoberto com tatuagens preservadas é o de Otzi, conhecido como o Homem de Gelo, foi encontrado nos Alpes das montanhas de Tirol (fronteira com a Itália e a Áustria). Otzi possuía tatuagens que verificadas pelo mesmo procedimento do radiocarbono, datam de 3370 a 3100 a.C. (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Friedman et al.<italic>,</italic> 2018</xref>). Também está registrado nos compêndios da história da tatuagem, que o navegador James Cook registrou, em 1769, as marcas corporais entre os membros da tribo Maori (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Deluca, 2014</xref>).</p>
			<p>A tatuagem sempre esteve e está relacionada às mais diversas intenções e justificativas; foram e são utilizadas para cerimoniais, rituais, magia, representação do luto, sacrifício, expressão de sentimento, representação visual e identificação humana. </p>
			<p>A identificação humana tende a estabelecer critérios para diferenciar um ente dentre os seus semelhantes, com base em aspectos físicos únicos encontrados em cada indivíduo que garantem a percepção da identidade e que, em muitas ocasiões, valeram-se de observação de manifestações fenotípicas em cada indivíduo. Estas características existentes em cada corpo são percebidas e reconhecidas fazendo com que, empiricamente, se faça a diferenciação de um indivíduo dentro de seu grupamento social. Ao apresentar os desenhos espirais em dedos da mão humana nos registros históricos na Nova Escócia, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Santos Filho (2014</xref>, p. 35) afirma que desde então a humanidade considerou fatores biométricos como possíveis elementos de identificação do indivíduo.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Santos Filho, Monteiro e Pereira (2019</xref>) explicaram que a identificação humana é uma necessidade do processo de formação da sociedade, e que o processo de identificação é categorizado nos institutos como (1) civil, por dotar o indivíduo de um registro geral único e (2) criminal, quando esse mesmo indivíduo é qualificado criminalmente a partir de participação em algum evento criminal por ele protagonizado. </p>
			<p>Constatamos que historicamente, no processo de identificação humana, houve um natural envolvimento dos centros de detenção e da medicina, áreas que deram uma maior importância à tatuagem no que concerne a identificação de indivíduos. Assim, no fim do século XIX em Portugal, as tatuagens dos detentos ou sujeitos periciados eram registradas em suas fichas e a sua classificação se dava por temas dos grafismos, relacionados à classe social, sexo e região corporal de seu registro (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Peixoto, 1893</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Correia, 1915</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B16">Peixoto (1893</xref>, p. 110) afirmou que “a sistematização das tatuagens em categorias é dificultosa visto que muitas vezes ha logar de distribuir o mesmo desenho em mais do que uma”. O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Peixoto (1893</xref>) apontou que os dados foram levantados das fichas dos criminosos, de pessoas que trabalhavam no sistema carcerário e dos próprios sujeitos detentores de tatuagem.</p>
			<p>Para a análise descritiva, as tatuagens ocupariam lugar «especial» como elementos identificativos e, frequentemente, de curiosas demonstrações biográficas e psíquicas do indivíduo. Nos postos, era aconselhada a sua cópia, num livro próprio, inserindo a localização e a técnica usada pelo tatuador. Para esse proceder, aplicar-se-ia, sobre a pele, um pedaço de folha de mica, cobrindo e a tatuagem e, sobre essa, um papel transparente. Assim, o “desenho”, através da mica e do papel, permitia uma excelente cópia (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Souza, 2018</xref>, p. 73).</p>
			<p>Em <xref ref-type="bibr" rid="B22">Souza (2018</xref>), observamos um registro factual da intenção de uma identificação através do elemento tatuagem, a partir de grupo específico: os detentos. De tal forma, constatamos, através do trabalho da autora, a necessidade de se registrar a tatuagem de cada detido, em um livro com vistas à identificação.</p>
			<p>Atualmente, a tatuagem é objeto de estudo de diversos campos do saber como arte, design, antropologia, história, direito, dentre outras. Então, é possível realizar uma investigação científica que alcance todas as peculiaridades desse objeto: uma delimitação teórica, epistêmica, metodológica de procedimentos e conceitos no que tange a sua classificação e uso.</p>
			<p>Considerando o exposto, a tatuagem consiste em uma modificação intencional da pele animal que oferece manifestação de particularidade biométrica no indivíduo. Portanto, a consideramos um documento de identificação passível de análise, entendimento, reconhecimento e classificação (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Reis; Santos Fillho, 2021</xref>).</p>
			<p>Neste artigo, propõe-se uma nova metodologia de identificação baseada na tatuagem, colaborando com sistemas de identificação humana. Preocupamo-nos com a conceituação, a análise da manifestação, a classificação e o método de identificação. Assim, trazemos uma contribuição teórica inovadora dentro da CI para a identificação humana. </p>
			<p>Uma denominação específica para nossa proposta fez-se necessário, bem como um glossário e métodos particulares. Após uma análise epistêmica e filosófica a partir de um campo de investigação similar da identificação humana, a Prosoporrecognografia, constatamos que a presente investigação é um alargamento do campo anterior, que utiliza a imagem e seu processo de reconhecimento para a proposição de uma teoria e método para estudo da face. </p>
			<p>Diante desse panorama, tomaremos uma posição propositiva e apresentaremos uma nova configuração do termo: a prosoporecognografia. Etimologicamente, o termo nasceu de prosopo + recogno + grafia. A prosoporrecognografia seria, assim, o ramo da identificação humana (mais especificamente, a representação facial humana), que se preocuparia em descrever, comparar e analisar a face humana para fins de reconhecimento e identificação (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Santos Filho; Pereira, 2017</xref>, p. 185).</p>
			<p>À luz das definições teóricas geradas na Prosoporrecognografia e com o mesmo princípio etimológico, denomina-se este campo de pesquisa como: Taturrecognografia.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Taturrecognografia</title>
			<p>A Taturrecognografia é um termo que se propõe para dar conta dos aspectos teóricos e metodológicos do universo da tatuagem no corpo humano e seu processo de entendimento, reconhecimento e classificação com fins de identificação humana. O termo foi construído etimologicamente a partir das palavras em português: tatuagem, reconhecimento e grafia. Logo, a sua formação dá-se pela junção das sílabas: tatu + recogno + grafia.</p>
			<p>O termo tatuagem “se origina a partir de derivações de línguas do Oceano Pacífico que chegaram ao castelhano e ao português pelo inglês” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Peres, 2015</xref>). Por conta do seu uso, tornou-se uma palavra dinâmica por obter significado em âmbito religioso, artístico, social e pessoal. Refere-se à tatuagem como uma marca, uma cicatriz, uma expressão artística, um registro em pele. </p>
			<p>Recogno é aproveitado para servir a ação de reconhecer. A palavra <italic>Cognitione</italic> pode ser encontrada originalmente nos escritos de Platão e Aristóteles. É o grupo de processos psicológicos usados no pensamento que efetivam o reconhecimento, a organização e a compreensão das informações dos estímulos externos ao homem, os sentidos, para que posterior julgamento através do raciocínio. Contemporaneamente, encontramos a palavra <italic>recognition</italic>, que em inglês quer dizer reconhecimento; em português, a palavra reconhecimento é derivada da palavra conhecimento mais o prefixo “re”. </p>
			<p>A palavra grafia expressa à noção de escrita e conforme <xref ref-type="bibr" rid="B19">Santo Filho (2014</xref>, p. 95) “algo registrado, escrito ou representado de maneira específica, ou sobre assunto específico: campo de estudo”. </p>
			<p>A criação do termo se justifica pela necessidade de adotarmos um procedimento teórico documental específico para a tatuagem e de investirmos na intenção de uma formalização científica para o seu uso no que tange a identificação humana. Cabe-nos destacar que a percepção visual é uma aliada no processo de conhecimento e descrição e construção de um sistema que tenha procedimentos para classificar, representar e descrever tatuagens. </p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Procedimentos Metodológicos </title>
			<p>Em atenção ao devido rigor científico, a intenção é apresentar a leitura da imagem na pele humana através de uma construção taxonômica que classifique a imagem de acordo com seus constitutivos sintáticos, posicionais e gráficos, construindo assim um sistema de classificação da imagem tatuada no corpo humano. </p>
			<p>A taxonomia tem como princípio classificar ou ordenar de modo hierárquico os objetos e as coisas de acordo com as suas relações. Ainda, “as taxonomias como estruturas classificatórias representam os propósitos de organização intelectual de um dado contexto” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Campos; Gomes, 2007</xref>). Desse modo, a taxonomia terá como princípio classificar e ordenar as imagens contidas no corpo humano, construindo um modelo quali-quantitativo.</p>
			<p>Esta abordagem do grafismo tatuado parte de uma ação descritiva e interpretativa, de cunho visual, calcada na teoria iconográfica e relacionada com a percepção humana, referente ao reconhecimento imagético de pessoas em relação aos objetos e coisas. Enquadra-se como uma pesquisa qualitativa quando avançamos na constituição de arcabouço perceptivo do objeto imagem; entretanto, com traços e derivações quantitativas, quando da construção de sua taxonomia a partir da formação de tuplas matemáticas para representar indivíduos.</p>
			<p>Usamos a teoria fundamentada em dados, proposta por Barney <xref ref-type="bibr" rid="B11">Glaser e Anselm Strauss (1967</xref>). Este método tem relação com a interação simbólica dos dados obtidos na pesquisa que, por conseguinte, permite o entendimento de um fenômeno. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Cassiani, Caliri e Pelá (1996</xref>) defenderam a teoria fundamentada em dados como uma metodologia “que pode ser utilizada em pesquisas interpretativas uma vez que suas raízes estão ligadas ao interacionismo simbólico”. Escolhemos esse método por permitir-nos a análise de dados (<italic>i.e</italic>., tatuagens) oriundos de diferentes indivíduos e provenientes de variados lugares com culturas e experiências diversas. A tatuagem é uma manifestação individual, sendo assim carregada de aspectos gráficos únicos, no que tange à intenção, percepção, configuração, forma e referência simbólica. Exige, assim, uma metodologia específica que possibilite fazer um tratamento taxonômico no sentido de gerar conceitos, classificações e quantificações, e construir grupos e categorias da imagem na pele humana. </p>
			<p>O banco de dados é formado por imagens de tatuagens, considerando a seu registro no proposto Sistema Taturrecognográfico. Simulamos uma amostra de registro, a taxonomia proposta e suas possibilidades. Para a simulação da identificação, consideramos desenhos (i.e., imagens vetorizadas) de silhuetas de indivíduos reais, fazendo com isso a demonstração do modelo e sua metodologia de coleta, taxonomia e geração das tuplas taturrecognográficas. Então, buscamos diretamente a tatuagem de um sujeito ignorado, sabendo-se apenas a localização da imagem. Este ensaio do processo metodológico da pesquisa deu-se exclusivamente para demonstrar o método e a taxonomia proposta, não tendo a intenção ainda de ser validador do sistema de identificação.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sistema Taturrecognográfico</title>
			<p>Um sistema de informação é um modelo de registro, representação e ordenação de dados que visa responder as indagações e necessidades do usuário, reduzindo o volume de resultados e respostas acumuladas como consequência do cruzamento de dados e informações. Construímos o sistema proposto para que contribua com a identificação de indivíduos no âmbito necrológico, civil e criminal, considerando a tatuagem como um documento que favoreça a sua descrição e classificação. </p>
			<sec>
				<title>Do Corpo</title>
				<p>Dentro da pesquisa proposta, o corpo é o suporte de aplicação do grafismo e objeto central da nossa investigação. O corpo codificado determina a localização da tatuagem. Para efeito da construção teórica e metodológica, usamos para classificar as regiões do corpo humano o esquema de lesões de Genival Veloso de <xref ref-type="bibr" rid="B9">França (2017</xref>), um dos mais usados na medicina legal. A medicina Legal é uma ciência extrajurídica auxiliar que a partir de um conjunto de técnicas, conceitos, métodos e conhecimentos médicos, paramédicos e biológicos, subsidia teses e pareceres técnicos que serão mecanismos de defesa de direitos e interesses dos indivíduos e da sociedade. A escolha deste esquema gráfico é justificada por ser este um ramo da medicina que ampara os interesses jurídicos do indivíduo e da sociedade e ser a base da classificação e estabelecimento de juízo de valor no âmbito jurídico, criminal e civil, com respeito a questões que envolvem o corpo humano. Além do mais, esse segmento é responsável pela antropologia forense, que auxilia na determinação de identidade e na identificação do indivíduo. Observamos nas imagens do corpo humano (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>), respectivamente, a face posterior do corpo humano.</p>
				<p>
					<fig id="f1">
						<label>Figura 1- </label>
						<caption>
							<title>Esquema a das lesões localizadas na face posterior</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0889-tinf-36-e249201-gf1.jpg"/>
						<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B9">França (2017</xref>, p. 123).</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Diante disso, adotamos como referência metodológica, a classificação do corpo humano utilizada pela medicina legal no desenvolvimento da Teoria Taturrecognográfica, a fim de permitir e iniciar a designação dos termos da tupla matemática no que tange ao corpo humano. Uma tupla é um conjunto ou uma sequência ordenada dos elementos relacionáveis que descreve e decompõe objetos de uma estrutura em uma quantidade de componentes e mantém características particulares na descrição, qualificação ou quantificação (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Santos Filho; Pereira, 2017</xref>).</p>
				<p>Esse detalhamento é de suma importância técnica, pois reduz o universo de busca dentro do sistema, por termos como atributo inicial de pesquisa a localização da tatuagem no corpo, sendo então o início da tupla, como veremos mais à frente. Assim, o corpo é a referência inicial para descrição e recuperação da informação da tatuagem em cada indivíduo. </p>
				<p>O reconhecimento da tatuagem no corpo humano deve ser a indicação codificada de onde está localizada a imagem, seguida pelas características do grafismo. Portanto, fornecem-se dados suficientes para uma individualização de determinada tatuagem e, consequentemente, do indivíduo. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Da Imagem</title>
				<p>A descrição da imagem terá como esteio teórico o modelo iconográfico de Erwin <xref ref-type="bibr" rid="B15">Panofsky (2019</xref>), fundado nos níveis da leitura da imagem, que traz ao trabalho uma fundamentação capaz de dotar de objetividade necessária a descrição dos grafismos no corpo. A iconografia é “a descrição e classificação da imagem” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Panofsky, 2019</xref>, p. 53). Panofsky utilizou a iconografia para a análise de obras convencionalmente enquadradas como arte (pinturas, telas, murais, monumentos etc.). Contudo, podemos usar o método como leitura das mais diversas expressões gráficas. É possível, pois, adequarmos a sua teoria à construção da taxonomia da imagem na pele, sendo os elementos reconhecíveis da imagem mensurados para subsidiarem a construção do Sistema Taturrecognográfico. </p>
				<p>A iconografia permite identificar e descrever elementos manifestos, aparentes e intangíveis de uma imagem, apontando para a forma, a configuração, o tema e o conteúdo como componentes para a descrição e significação. Primeiramente, podemos verificar se os elementos visíveis são analisáveis, reconhecidos sem esforços e capazes de serem descritos. O sistema então relaciona os dados ali descritos e estabelece as tendências temáticas ou estilísticas, resultando assim um termo da tupla matemática. </p>
				<p>O nível da descrição pré-iconográfica é constituído pela identificação das formas puras em função da experiência prática através da representação por linhas, cores e volumes. Responde ao reconhecimento visual e natural do que se está visualizando. Requer um conhecimento geral da vida cotidiana. “Qualquer pessoa pode reconhecer a forma e o comportamento dos seres humanos, animais e plantas, e não há quem não possa distinguir um rosto zangado de um alegre” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Panofsky, 2019</xref>, p. 55). Neste momento, declara-se esta leitura e identificação como primária, dentro da estrutura da tupla.</p>
				<p>O nível iconográfico “pressupõe a familiaridade com temas específicos ou conceitos, tal como são transmitidos através de fontes literárias, quer obtidos por leitura deliberada ou tradição oral” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Panofsky, 2019</xref>, p. 59). É então a identificação e descrição de acordo com o conhecimento específico convencionado. Aqui, questões de natureza técnica durante a construção da imagem serão parâmetros de classificação, como estilo, forma, configuração, gradiente tonal, cromático, equilíbrio, logotipia, estilização, organicidade, geometricidade etc. necessários para descrição da tatuagem.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Taxonomia Taturrecognográfica</title>
				<p>A taxonomia, na busca de uma definição objetiva de um modelo de representação numérica para o fenômeno tatuagem, classifica os atributos da tatuagem como uma sequência de registro na tupla, considerando a localização no corpo (i.e. a macrorregião - MR, registro da imagem e sua classificação). Em relação da localização no corpo, adotamos como referência o esquema de lesões desenvolvido por <xref ref-type="bibr" rid="B9">França (2017</xref>), para orientar a localização da tatuagem.</p>
				<p>A fórmula consta de domínios classificatórios a partir da cabeça (rosto e pescoço), do tronco (tórax e costas), dos membros superiores (braços e mãos), dos membros inferiores (pernas e pés) e das regiões insólitas (genitálias, regiões internas, como pálpebra ou boca). Diante dos esquemas apresentados relacionados ao corpo humano e ao estudo iconográfico, faremos simulações considerando um esquema taxonômico. Vejamos.</p>
				<p>
					<fig id="f2">
						<label>Figura 2 - </label>
						<caption>
							<title>Tatuagem localizada no tronco humano</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0889-tinf-36-e249201-gf2.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaboração própria (2023)</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figura 3- </label>
						<caption>
							<title>Tatuagem localizada no tronco</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0889-tinf-36-e249201-gf3.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaboração própria (2023)</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>No primeiro momento, faz-se necessária a descrição da localização da tatuagem de acordo com a sua região corporal. De acordo com a <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>, a tatuagem está na face posterior do corpo humano, conhecido como costas. Na <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>, nas costas e no membro superior esquerdo, ou comumente chamado de braço. Temos a classificação primária iniciada a partir da observação visual que é de fácil preenchimento, sem necessidade de conhecimentos técnicos, e possível de ser realizada por qualquer observador. Posteriormente, é feita a análise descritiva da imagem tatuada conforme os dois níveis panofskiano: o pré-iconográfico e o iconográfico. </p>
				<p>Considerando o nível inicial da teoria panofskiana (i.e., o pré-iconográfico) que siginifica a descrição pura e simples, verificamos na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> que a imagem se constitui de três folhas na lateral direita das costas. No nível iconográfico, podemos inferir ser um ornamento vegetal com folhas de cinco pontas. Para a <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>, os elementos da imagem sugerem ser traços de um gato na região superior direita das costas e um trevo no braço esquerdo. Para o momento iconográfico, sabemos que é um mamífero da espécie felina. E a imagem no braço é uma planta de quatro folhas relacionada ao símbolo da sorte. </p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Figura 4 - </label>
						<caption>
							<title>Tatuagem localizada no membro inferior</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0889-tinf-36-e249201-gf4.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaboração própria (2023)</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>
					<fig id="f5">
						<label>Figura 5 - </label>
						<caption>
							<title>Tatuagem localizada no membro inferior</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="2318-0889-tinf-36-e249201-gf5.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Elaboração própria (2023)</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Na simulação, para o corpo das tatuagens da <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref> e <xref ref-type="fig" rid="f5">5</xref>, foram identificadas três imagens na mesma região, membro inferior, conhecida como pernas. Na <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>, a tatuagem localiza-se na perna direita, no que seria a parte do tornozelo. Na <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>, uma tatuagem no pé esquerdo e outra que se inicia na panturrilha e segue até o pé. Em nível pré-iconográfico, a imagem da tatuagem da <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref> é o formato de um coração, para a fase iconográfica além de simbolizar o amor é um órgão humano. </p>
				<p>Para as tatuagens da <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>, a imagem que se apresenta no pé esquerdo é um coração, ou seja, os níveis panofiskianos repetem-se. Para a tatuagem da perna direita, visualiza-se um ideograma para a fase pré-iconográfica. Como iconográfica, os símbolos da escrita de um idioma oriental.</p>
				<p>A construção taxonômica auxiliada pela teoria de Panofsky contempla uma sistematização computacional com vistas a organizar, acessar e recuperar a informação além de ampliar o conhecimento sobre o registro em pele humana. Para a construção taxonômica é preciso estabelecer a organização da tupla com as partes do corpo como característica principal. A lógica da tupla é a taxonomia da imagem a partir de um modelo relacional de dados.</p>
				<p>O preenchimento de todos os campos, se possível, tende a garantir uma maior acurácia na recuperação da informação desejada. Na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela I</xref>, apresenta-se o primeiro instrumento de classificação com dados da tatuagem. O atributo é classificado em concordância com a tatuagem observada. E o domínio é a classificação do atributo.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1">
						<label>Tabela I:</label>
						<caption>
							<title>Esquema taxonômico do corpo humano para a Taturrecognografia</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col span="5"/>
							</colgroup>
                            <thead>
								<tr>
									<th align="center" colspan="7">Corpo Humano </th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center" rowspan="3">Atributo</th>
									<th align="center" rowspan="3">Classificação primaria</th>
									<th align="center" colspan="2">Subclassificação primária </th>
									<th align="center" colspan="3"> Subclassificação secundária (esquema <xref ref-type="bibr" rid="B9">França, 2017</xref>) </th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center" rowspan="2">Face/lado</th>
									<th align="center" rowspan="2">Extensão</th>
									<th align="center" colspan="3">Classificação das partes primária </th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center">2 Tronco posterior</th>
									<th align="center">3 Membro superior posterior</th>
									<th align="center">4 Membro inferior posterior</th>
								</tr>
                            </thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center" rowspan="11">Macro Região (MR)</td>
									<td align="center">1 Cabeça</td>
									<td align="center">1 Anterior</td>
									<td align="center">1 0 - 30%</td>
									<td align="center">5 Vertebral</td>
									<td align="center">21 Deltóidea</td>
									<td align="center">10 Sacral</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">2 Tronco</td>
									<td align="center">2 Posterior</td>
									<td align="center">2 31 - 60%</td>
									<td align="center">6 Escapular</td>
									<td align="center">22 Terço Proximal: região posterior do braço</td>
									<td align="center">11 Glútea</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">3 Membro Superior</td>
									<td align="center">3 Direito</td>
									<td align="center">3 61 - 100%</td>
									<td align="center">7 Infraescapular</td>
									<td align="center">23 Terço Médio: região posterior do braço</td>
									<td align="center">12 Terço Proximal: região posterior da coxa</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">4 Membro Inferior</td>
									<td align="center">4 Esquerdo</td>
									<td align="center" rowspan="8"> </td>
									<td align="center">8 Lombar</td>
									<td align="center">24 Terço Distal: região posterior do braço</td>
									<td align="center">13 Terço Médio: região posterior da coxa</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">5 Insólita</td>
									<td align="center">5 Total</td>
									<td align="center">9 Lateral do Abdome</td>
									<td align="center">25 Posterior do Cotovelo</td>
									<td align="center">14 Terço Distal: região posterior da coxa</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" rowspan="6"> </td>
									<td align="center" rowspan="6"> </td>
									<td align="center" rowspan="7"> </td>
									<td align="center">26 Terço Proximal: região posterior do antebraço</td>
									<td align="center">15 Posterior do Joelho (Fossa Poplítea)</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">27 Terço Médio: região posterior do antebraço</td>
									<td align="center">16 Terço Proximal: região posterior da perna</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">28 Terço Distal: região posterior doante braço</td>
									<td align="center">17 Terço Médio: região posterior da perna</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">29 Dorso da mão e dedos</td>
									<td align="center">18 Terço Distal: região posterior da perna</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center" rowspan="2"> </td>
									<td align="center">19 Calcanear</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">20 Dorso do pé</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN1">
								<p>Fonte: Elaborada pelos autores (2023)</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>
					<table-wrap id="t2">
						<label>Tabela II:</label>
						<caption>
							<title>Esquema taxonômico da imagem para a Taturrecognografia</title>
						</caption>
						<table>
							<colgroup>
								<col span="3"/>
							</colgroup>
                            <thead>
								<tr>
									<th align="center" rowspan="3">Classificação secundária</th>
                                    <th align="center" colspan="2">Imagem </th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center" colspan="2">Subclassificação secundária </th>
								</tr>
								<tr>
									<th align="center">Pré-iconográfica</th>
									<th align="center">Iconográfica</th>
								</tr>
                            </thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td align="center">1 Policrômica</td>
									<td align="center">1 Avião</td>
									<td align="center">1 Formas Geométricas</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">2 Monocrômica</td>
									<td align="center">2 Gato</td>
									<td align="center">2 Animal Vertebrado</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">3 Outline</td>
									<td align="center">3 Folha</td>
									<td align="center">3 Tipologia Cursiva</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center">4 Preto &amp; Branco</td>
									<td align="center">4 Círculo</td>
									<td align="center">4 Planta Com Folhas De Cinco Pontas</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">5 Letra</td>
									<td align="center">5 Partitura</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">6 Pássaro</td>
									<td align="center">6 Video-Game Playstation</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">7 Frase</td>
									<td align="center">7 Felino</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">8 Coração</td>
									<td align="center">8 Flora</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">9 Triângulo</td>
									<td align="center">9 Fauna</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">10 Ideograma</td>
									<td align="center">10 Símbolo</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">11 Trevo</td>
									<td align="center">11 Idioma Oriental</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">12 Rosa</td>
									<td align="center">12 Trevo Da Sorte</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">13 Mamífero</td>
								</tr>
								<tr>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center"> </td>
									<td align="center">14 Orgão Humano</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<fn id="TFN2">
								<p>Fonte: Elaborada pelos autores (2023)</p>
							</fn>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>O atributo é a macrorregião do corpo humano em que a tatuagem encontra-se. A classificação e subclassificação primárias têm relação com a região corporal pré-identificada, informando dados relativos à tatuagem no corpo, assim como a sua extensão. A classificação e subclassificação secundárias têm a ver com a imagem tatuada em pele humana. </p>
				<p>A partir da classificação secundária da <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela II</xref>, podemos verificar os níveis tratados por Panoksky. A coluna da classificação secundária orienta-se para a coloração da tatuagem. A subclassificação secundária corresponde aos níveis pré-iconográfico e iconográfico. </p>
				<p>A intenção é manter um número de categorias reduzidas de acordo com a imagem verificada e desse modo, apresentar os dados mais organizados possíveis. A reunião dos dados permite a conexão entre as categorias e as subcategorias (<xref ref-type="bibr" rid="B4">CASSIANI, CALIRI E PELÁ, 1996</xref>). Assim, a tupla é o resultado da relação das linhas das tabelas. Para a tatuagem da <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>, há a seguinte tupla matemática: 2 / 2; 3 / 2 /7; 8; 9 / 2 / 3 / 4. A tupla formada para a <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> são: 3 / 2; 4 / 1 / 27 / 2 / 3; 11 / 10; 12 para o trevo e 2 / 2; 3 / 2 / 6 / 3 / 2 / 7; 13; 2; 9 para a imagem do gato, ressaltando que mais termos foram complementados para o nível iconográfico, como animal vertebrado e fauna, 2 e 9 respectivamente.</p>
				<p>A tupla da <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref> é 4 / 2; 3 / 1 / 18 / 2 / 4 / 14. Para a <xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>, obtivemos a sequência 4 / 4 / 1 / 19; 20 / 2 / 4 / 14 para a imagem do coração e 4 / 2;3 / 3 / 15; 16; 17; 18; 19 / 2 / 10 / 11 para o ideograma. Cabe relatar que as tuplas são formadas por categorias hierarquizadas em classificação e subclassificação primaria e secundária. </p>
				<p>A proposta da Taturrecognografia é um método que sistematiza a tatuagem com o estabelecimento de um protocolo que viabilize o armazenamento, o tratamento, a análise, a classificação e recuperação em meio digital através de uma metodologia segura e adequada. O banco de dados é alimentado por tatuagens, e à medida que mais inserção de novos grafismos seja feita, de mais riqueza e acurácia na classificação o sistema vai sendo dotado, ampliando as classificações e subclassificações. </p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>A partir do desenvolvimento da Taturrecognografia é possível gerar o sistema taturrecognográfico, um conjunto de modelos de representação que visam a identificação de um indivíduo através da sua tatuagem. Tal sistema é composto das tuplas taturrecognográficas, da Carta taturrecognográfica (CTRCG), o primeiro elemento que dá conta da do registro alfanumérico da taxonomia da tatuagem e o segundo sendo o conjunto de tuplas de cada indivíduo. Para fins de pesquisa e investigação científica, foi possível fazer simulações, a partir de desenhos, sem revelação dos dados pessoais, tatuagens geradas pelo cruzamento de informações, e consequentes formação de identificações simuladas. </p>
			<p>Como a análise e a descrição da imagem é feita por dois níveis Panofskianos, é possível ampliar o estudo para o 3º nível, o da iconologia. A iconologia é um estudo mais aprofundado porque investiga a gênese e a significação da evidência, pois é um método de interpretação que aprofunda &quot;os conceitos ou temas específicos transmitidos através de fontes literárias&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Panofsky, 2019</xref>, p. 62). Assim, a subclassificação terciária resultaria em uma interpretação iconológica, exigindo um conhecimento avançado de imagem, arte e design, a fim de explicar a representação imagética de acordo com a sua simbologia, e consequentemente, explicando a tatuagem como uma manifestação cultural devido ao tempo e espaço. Deste modo, este aspecto está fora do escopo do sistema proposto que se estabelece em um padrão descritivo e taxonômico com maior grau de objetividade, e sendo assim possível de ser utilizado sem conhecimentos mais sofisticados sobre a imagem.</p>
			<p>Em vista disso, a Taturrecognografia confirma a tatuagem como documento visto que torna-se possível a sua descrição a fim de validar o seu registro. A escolha do corpo sendo o princípio classificatório consiste em reduzir o tempo de busca do usuário e parte da premissa que o registro da tatuagem é feito em pele humana, o maior órgão do corpo humano. Desse modo, a tatuagem apresenta elementos que servem de identificação, mensuração e sistematização do desenho sobre a pele. Tais elementos são suficientes para construir uma taxonomia da tatuagem na pele humana, e ainda, ser mais um elemento biométrico para fins de identificação.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclusão</title>
			<p>A Taturrecognografia visa contribuir com a representação e a construção do conhecimento da tatuagem com fins de identificação humana. Tal metodologia demonstrou ser trabalhosa e complexa diante das variedades e possibilidades dos dados a serem analisados. Não obstante, a teoria proposta visa responder questões relacionadas a determinado fenômeno específico, a tatuagem. Para tanto, utilizamos métodos suficientes para a compreensão da sua manifestação e constituição, para então classificá-los, e dotar o estudo do devido rigor científico.</p>
			<p>A imagem é analisada a fim de ser descrita e mensurada para gerar dados para o sistema com a intenção de atribuir quantidades e qualidades em um processo contínuo, aberto, o sistema Taturrecognográfico, suportando infinitos campos de classificações, contemplando o aparecimento de novas categorias e atualizado com novas informação o seu banco de dados. Quando sistematizada, permite a investigação de sujeitos a partir dos seus registros e acaba por ser mais um periférico de auxílio na busca de desaparecidos, corpos ignorados e fonte de pesquisa para investigação médica, legal e cultural.</p>
			<p>A criação de um sistema que permita o registro da tatuagem como documento, para servir de referência para uso do estudo de tatuagem, em delegacias e postos de identificação e postos de saúde. A tatuagem é, assim, um documento de identificação humana, manifestação cultural com possível caráter descritivo e com relevante confiabilidade.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>Araújo, M.; Pasquali, L. <italic>Datiloscopia</italic>: a determinação dos dedos. Brasília: Labpam, 2006.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Araújo</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Pasquali</surname>
							<given-names>L.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Datiloscopia</italic>: a determinação dos dedos</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Labpam</publisher-name>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>Briet, S. <italic>Qu'est-ce que la documentation?</italic> Paris: Éditions Documentaires Industrielles et Técnicas, 1951.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Briet</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Qu'est-ce que la documentation?</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Éditions Documentaires Industrielles et Técnicas</publisher-name>
					<year>1951</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>Briet, S. <italic>O que é a documentação?</italic> Brasília: Briquet de Lemos, 2016.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Briet</surname>
							<given-names>S.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O que é a documentação?</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Briquet de Lemos</publisher-name>
					<year>2016</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>Cassiani, S. H. D. B.; Caliri, M. H. L.; Pelá, N. T. R. A teoria fundamentada nos dados como abordagem da pesquisa interpretativa. <italic>Revista Latino-Americana de Enfermagem</italic>, v. 4, n. 3, p. 75-88, dez. 1996. Doi: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.1590/S0104-11691996000300007">https://doi.org/10.1590/S0104-11691996000300007</ext-link>
				</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Cassiani</surname>
							<given-names>S. H. D. B.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Caliri</surname>
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						</name>
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