Qual o match perfeito? Neoliberalismo, aplicativos de relacionamento e construção de vínculos afetivos na meia-idade
Palavras-chave:
Relações interpessoais, Meia-idade, Vínculo do casal, Interação social, Redes sociaisResumo
Objetivo
Este estudo teve por objetivo compreender como a faixa etária da meia-idade, no contexto de relações interpessoais fundamentadas no neoliberalismo, tem utilizado aplicativos de relacionamento para construir vínculos afetivos e sexuais.
Método
Trata-se de estudo qualitativo, exploratório, descritivo e transversal. Participaram cinco homens e duas mulheres (faixa etária 40-55 anos). Os participantes responderam formulário sociodemográfico, questionário referente ao uso de redes sociais, além de participarem de sessão de entrevista remota baseada em roteiro semiestruturado.
Resultados
A partir da análise dos dados emergiram as categorias: conquistas e planos; emoções, satisfação e decepções; ideologia neoliberal nas relações e entesouramento do afeto.
Conclusão
Embora os aplicativos de relacionamento possam ser vistos como espaço seguro, os relatos de preconceito denotam que riscos e interações frustrantes podem ocorrer na sociabilidade virtual.
Downloads
Referências
Adelman, M. (2011). Por amor ou por dinheiro? Emoções, discursos, mercado. Contemporânea: Revista de Sociologia da UFSCar, 2, 117-138.
Andrade, E. R., & Silva, T. T. (2019). Excesso e positividade na constituição do sujeito: uma reflexão sobre aplicativos de relacionamento. Revista Mídia e Cotidiano, 13(3), 141-161.
Antunes, P. C., & Silva, A. M. (2013). Elementos sobre a concepção da meia-idade no processo de envelhecimento humano. Revista Kairós Gerontologia, 16(5), 123-140.
Bertagnolli, G. B. L., Silva, D. R. Q., Taschetto, L. R., & Torman, R. (2020). Misoginia em redes sociais: uma forma de violência contra mulheres. Revista Contribuciones a las Ciencias Sociales, 65, 1-21.
Braun, V., Clarke, V., Hayfield, N., & Terry, G. (2019). Thematic analysis. In P. Liamputtong (Ed.), Handbook of research methods in health social sciences (pp. 843-860). Springer.
Camarano, A. A., & Fernandes, D. (2018). Os homens maduros que não trabalham nem são aposentados: um estudo exploratório da PNAD contínua. Mercado de Trabalho, 64, 53-61. http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/8384
Chaves, J. C. (2010). As percepções de jovens sobre os relacionamentos amorosos na atualidade. Psicologia em Revista, 16(1), 28-46.
Coleta, A. S. M. D., Coleta, M. F. D., & Guimarães, J. L. (2008). O amor pode ser virtual? O relacionamento amoroso pela internet. Psicologia em Estudo, 13(2), 277-285. https://doi.org/10.1590/S1413-73722008000200010
Conselho Nacional de Saúde (Brasil). (2016). Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Diário Oficial da União, Seção 1, 98, 45-46. https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atosnormativos/resolucoes/2016/resolucaono-510.pdf/view
Dardot, P., & Laval, C. (2016). A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. Boitempo.
Erikson, E. (1976). Identidade, juventude e crise (2nd ed.). Zahar.
Flick, U. (2019). An introduction to qualitative research (4th ed.). Sage.
Franco, F., Castro, J. C. L., Manzi, R., Safatle, V., & Afshar, Y. (2021). O sujeito e a ordem do mercado: gênese teórica do neoliberalismo. In V. Safatle, N. S. Junior, & C. Dunker (Orgs.), Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico (pp. 47-76). Autêntica.
Freitas, M. C., Campos, T. D., & Gil, C. A. (2017). Expectativas e concepções de trabalho na velhice em homens na meia-idade. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 8(2), 43-64. https://doi.org/10.5433/2236-6407.2017v8n2p43
Gomes, P. M., Yokomizo, P., & Lopes, A. (2019). Engajamento social, aparência e velhice homossexual: caracterização de aplicativos de relacionamento. Revista Kairós-Gerontologia, 22(26), 31-57.
Guazi, T. S. (2021). Diretrizes para o uso de entrevistas semiestruturadas em investigações científicas. Revista Educação, Pesquisa e Inclusão, 2, 1-20.
Illouz, E. (2011). O amor nos tempos do capitalismo. Zahar. (Trabalho originalmente publicado em 2007)
Illouz, E., & Finkelman, S. (2009). An odd and inseparable couple: Emotion and rationality in partner selection. Theory and Society, 38(4), 401-422. https://doi.org/10.1007/s11186-009-9085-5
Jesus, G. M., & Risk, E. N. (2024). Digital sociability: Implications of the COVID-19 pandemic among young adults. Paidéia, 34, e3435. https://doi.org/10.1590/1982-4327e3435
Keynes, J. M. (1996). Os economistas: teoria geral do emprego, do juro e da moeda. Nova Cultura Editora. (Trabalho originalmente publicado em 1936)
Nogueira, K. W. A. S. (2020). Por uma reflexão sociológica acerca da racionalidade neoliberal. Revista Movimentação, 7(13), 7-16.
Oliveira, L. D. (2020). Reflexões jurídicas sobre anonimato, liberdade e vulnerabilidade da mulher nos aplicativos de relacionamento. Revista Húmus, 10(29), 290-310.
Pantic, I., Milanovic, A., Loboda, B., Błachnio, A., Przepiórka, A., Nesic, D., Mazic, S., Dugalic, S., & Ristic, S. (2017). Association between physiological oscillations in self-esteem, narcissism and internet addiction: a cross-sectional study. Psychiatry Research, 258, 239-243. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2017.08.044
Pelúcio, L. (2020). Um match com os conservadorismos: masculinidades desafiadas nas relações heterossexuais por meios digitais. Interfaces Científicas, 8(2), 31-46. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n2p31-46
Pelúcio, L. (2022). A uberização do amor: aplicativos de encontros em cenário tecnoliberal e pandêmico. Tomo, 41, 199-232. https://doi.org/10.21669/tomo.vi41.17480
Py, L., & Scharfstein, E. A. (2001). Caminhos da maturidade: representações do corpo, vivências dos afetos e consciência da finitude. In A. L. Neri (Org.), Maturidade e velhice: trajetórias individuais e socioculturais (pp. 117-150). Papirus.
Quadrado, J. C., & Ferreira, E. S. (2020). Ódio e intolerância nas redes sociais digitais. Revista Katálysis, 23(3), 419-428. https://doi.org/10.1590/1982-02592020v23n3p419
Recuero, R. (2010). Redes sociais e sites de relacionamento: em busca de comunidades. ComCiência, 121, 1-4.
Risk, E. N., & Santos, M. A. (2021). Estudos culturais, pesquisa qualitativa e mídias: critérios metodológicos para análise de dados audiovisuais. Psicologia & Sociedade, 33, e234657. https://doi.org/10.1590/1807-0310/2021v33234657
Risk, E. N., & Santos, M. A. (2022). Construção da intimidade: Concepções sobre sexualidade e relações de gênero de jovens adultos estudantes do Ensino Superior. In F. C. Barbosa, A. M. R. Molina, P. S. Prado, & F. A. Pasqualin (Orgs.), Islam, decolonialidade em diálogos plurais (pp. 245-263). Ambigrama.
Risk, E. N., Piran, M., Oliveira, W. A., & Santos, M. A. (2023). Relações afetivo-sexuais: concepções e representações de jovens universitários de classes médias. Psico, 54(1), e39108. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2023.1.39108
Rocha, T. H. R. (2021). Neoliberalismo e teoria dos discursos: os usos do corpo na contemporaneidade. Revista Subjetividades, 21(1), 1-16.
Rocha, T. B., & Brandão, C. W. (2020). Violência contra mulheres nas redes sociais: o caso de Elaine Perez Caparróz. Interfaces Científicas, 8(2), 67-82. https://doi.org/10.17564/2316-3828.2020v8n2p67-82
Rodrigues, B. B., & Caramaschi, S. (2022). Autoestima e intenções sexuais de usuários de aplicativos de relacionamento. Barbarói, 61, 175-198.
Rosa, E. S. T., & Lopes, T. C. (2015). A economia monetária e a fórmula geral do capital: preliminar da fissão Marx-Keynes. Nova Economia, 25(3), 501-516.
Sá, L. C. B. M., Moura, J. V. S., & Queiroz, A. R. (2022). A materialidade do neoliberalismo e mercantilização dos corpos em relações de força e dominação: breves apontamentos. Revista Amor Mundi, 3(1), 29-39. https://doi.org/10.46550/amormundi.v3i1.152
Santos, M. A., Oliveira, V. H., Peres, R. S., Risk, E. N., Leonidas, C., & Oliveira-Cardoso, E. A. (2019). Corpo, saúde e sociedade de consumo: a construção social do corpo saudável. Saúde e Sociedade, 28(3), 239-252. https://doi.org/10.1590/S0104-12902019170035
Souza, V. R., Marziale, M. H., Silva, G. T., & Nascimento, P. L. (2021). Tradução e validação para a língua portuguesa e avaliação do guia COREQ. Acta Paulista de Enfermagem, 34, eAPE02631. https://doi.org/10.37689/acta-ape/2021AO02631
Val, V. C., & Linhares, L. (2008). O papel da moeda em Marx e Keynes. Leituras de Economia Política, 14, 81-107.
Viana, A. C., Santos, C., & Ezechiello, R. (2019). A hiperssexualização da mulher negra. Materializando Conhecimentos: Revista Eletrônica, 9, 1-14.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Caroline dos Santos Spindola, Eduardo Name Risk

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.







