Os bufões e a loucura sagrada

uma leitura do “Cristo Arlequim” de Harvey Cox segundo a Teoria dos Monstros

Autores/as

  • Breno Martins Campos Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciências da Religião https://orcid.org/0000-0001-7421-4499

DOI:

https://doi.org/10.24220/2447-6803v50a2025e15100

Palabras clave:

Bufão, Cristo Arlequim, Harvey Cox, Religião, Teoria dos Monstros

Resumen

Com o intuito de lançar novos desdobramentos ao tema da divisão da sociedade entre os mantenedores da ordem (sacerdotes) e seus críticos (bufões), de acordo com a proposta do filósofo Leszek Kolakowski, este artigo se propõe a fazer uma releitura contemporânea do livro A festa dos foliões, do teólogo Harvey Cox. Dentro de um recorte cristão, como hipótese contrária a algumas das mais conhecidas teologias da morte de Deus, em pleno vigor em meados do século XX, podemos inferir da interpretação de Cox que, onde há festividade e fantasia, Deus não pode estar morto – e não estamos falando apenas de danças litúrgicas, rituais ou celebrações religiosas. Estabelecido o fundamento epistemológico de meus arrazoados, e reconhecendo que as teologias da morte de Deus são outras em nossos tempos, por meio de uma pesquisa bibliográfica e de caráter exploratório, apresento os objetivos específicos deste artigo e, consequentemente, os desfechos alcançados: (1) discutir a possibilidade de a carnavalização da vida cotidiana ser contínua, justamente por força e ação dos bufões, e não somente esporádica (por exemplo, em momentos de carnavais propriamente ditos); (2) apreender o ato da comicidade e do riso como possibilidades de redenção, para além de toda seriedade ou sobriedade próprias (e até esperadas) de igrejas, sobretudo, protestantes; e (3) analisar, segundo a Teoria dos Monstros, um Cristo híbrido – corpo humano crucificado com cabeça de asno (o Grafite de Alexamenos) –, que é a seção mais original deste artigo, como abertura ou convite para a loucura santa.

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Publicado

2025-08-19

Cómo citar

Campos, B. M. (2025). Os bufões e a loucura sagrada: uma leitura do “Cristo Arlequim” de Harvey Cox segundo a Teoria dos Monstros. Reflexão, 50. https://doi.org/10.24220/2447-6803v50a2025e15100

Número

Sección

Dossiê: Os rastros do monstruoso no sagrado